Ensino híbrido: novas perspectivas para a educação superior

Como seria se a sala de aula acompanhasse as inovações tecnológicas do século XXI? Qual o impacto desse movimento na aprendizagem dos alunos? 

Como uma forma de colocar a educação inserida no contexto tecnológico de inovações constantes, o ensino híbrido (ou, em inglês, blended learning) é uma proposta para reestruturar o contexto educacional e torná-lo mais alinhado à revolução tecnológica que acontece no mundo de hoje. Nesse texto, você vai descobrir mais sobre essa revolucionária metodologia de ensino e como aplicá-la em sala de aula. 

O que é o Ensino Híbrido? 

A metodologia híbrida de aprendizagem também é conhecida como semipresencial por ter, como característica principal, a fusão do ensino a distância (EAD) com o ensino presencial. O objetivo é incentivar uma reorganização do espaço e tempo de aula, bem como do papel do professor e do aluno. Dessa maneira, a metodologia busca engajar todos os envolvidos no processo educacional e proporcionar um aprimoramento das habilidades dos estudantes e educadores.

A união das modalidades presencial e a distância permite que os alunos desfrutem de novas oportunidades de aprimoramento. Por um lado, o ensino presencial estimula os alunos a interagir, debater ideias e trabalhar em grupo. Por outro, a parcela a distância fornece autonomia ao aluno, que passa a ser responsável por gerir seu próprio tempo e priorizar suas atividades, realizando-as no ritmo e local que achar mais adequado. Além disso, a inserção de plataformas digitais no ensino permite a coleta de dados com maior facilidade, facilitando o diagnóstico e acompanhamento do progresso dos alunos. Tais informações podem ser utilizadas como forma de retroalimentação no processo pedagógico.

Outro grande benefício da modalidade híbrida é uma maior possiblidade de personalização do ensino. No modelo tradicional de educação, os alunos têm acesso a uma informação única, criada e direcionada para a turma como um todo. Já em um modelo híbrido, por conta do acesso às tecnologias, o aluno tem a possibilidade de buscar formas que facilitem seu próprio aprendizado, além de estudar conteúdos que têm por objetivo sanar dificuldades específicas.  

Apesar de o termo ensino híbrido estar muito em voga nos últimos anos, a ideia por trás do conceito não é nova. A primeira iniciativa de se criar um curso a distância aconteceu na Europa em 1840, onde Isaac Pitman se dispôs a ensinar taquigrafia via correspondência. Já nos anos 1970 e 1980, as primeiras iniciativas de ensino utilizando a tecnologia tiveram início. Empresas começaram a fornecer treinamentos para seus funcionários através de computadores, bem como instruções começaram a ser passadas por meio de vídeos gravados e exibidos em TV’s. Dessa maneira, não era mais necessário que o instrutor responsável estivesse presente na empresa naquele momento para executar o treinamento. Já nos anos 90, cursos vendidos por meio de CD-ROM se tornaram cada vez mais populares, juntamente com a popularização do computador pessoal que tornou essa realidade possível. A partir dos anos 2000, com a explosão da internet, modalidades de ensino a distância ficaram cada vez mais acessíveis e difundidas. Hoje, com o constante avanço tecnológico e popularização da internet, fica mais fácil adaptar um currículo de ensino tradicional para um de ensino híbrido. 

Ensino Híbrido nas universidades

Atualmente, o ensino híbrido encontra cada vez mais espaço nas universidades brasileiras. Ao final de 2018, o governo brasileiro publicou a Portaria Nº 1.428, que amplia para até 40% a carga horária EAD em cursos presenciais. Com essa expansão, a hibridização do ensino se torna uma realidade cada vez mais possível para as universidades brasileiras, com a possibilidade de adaptação do currículo escolar.  

As vantagens da metodologia híbrida vão desde fornecer maior autonomia para os alunos, aumentar o engajamento, melhorar o monitoramento de dificuldades dos alunos e até mesmo possibilitar uma alocação mais eficiente do tempo do educador.  

Em um estudo publicado em 2016, os autores avaliam o estado da arte das pesquisas envolvendo ensino híbrido ao redor do mundo e mostram que, nas pesquisas mais recentes, os alunos que têm contato com a modalidade híbrida de ensino se saem melhor do que os estudantes de modalidades tradicionais. Ainda, o artigo aponta que a diferença em performance não é devida somente à tecnologia, mas sim a agregação desta ao contato presencial com o professor. Ou seja, a metodologia híbrida, que alia tecnologia ao contato face-a-face com o instrutor, é de fato benéfica no desempenho dos estudantes.  

Formas de aplicação do Ensino Híbrido 

Veja agora as formas mais comuns de aplicação da metodologia híbrida de ensino, e como você pode implementar, desde já, algumas dessas práticas no currículo já existente em sua instituição de ensino! 

Modelos sustentados

A categoria dos modelos sustentados possui maior familiaridade e proximidade ao ensino tradicional. Por esta razão, é uma excelente opção para instituições que desejam adaptar o seu currículo já existente incorporando novas práticas, sem a necessidade de uma reformulação curricular completa. Os principais modelos sustentados são: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida.

  • Rotação por estações

O objetivo central da aula é dividido em estações de trabalho independentes. Cada estação é destinada a cuidar de uma parte relativa ao objetivo central da aula. As estações permanecem fixas e cada aluno ou grupo de alunos passa pelas estações por um determinado tempo. Como característica do modelo híbrido de ensino, uma ou mais estações fazem uso de recursos digitais e podem até mesmo acontecer em ambientes virtuais, ou seja, a distância. Dessa maneira, os estudantes têm flexibilidade e autonomia para o trabalho em diferentes estações. Esse modelo ainda depende fortemente da mediação do professor, que tem o trabalho de orientar os estudantes em seu caminho através das estações.  

  • Laboratório Rotacional

Neste modelo, os alunos rotacionam por diferentes espaços dentro da escola, não sendo limitados à sala de aula. Basicamente, dois ambientes de aprendizagem são criados: o online e o offline. No ambiente online, os alunos podem se dirigir para um laboratório de informática para aprender sobre um assunto (geralmente, a parte teórica) utilizando recursos tecnológicos. Enquanto isso, em outro ambiente, que pode ser por exemplo um laboratório de ensino, os alunos têm contato com a parte prática e experimental do conteúdo abordado na aula. Em uma aula de física, por exemplo, os alunos podem pesquisar os conceitos e teorias no laboratório online, e depois ter contato com os experimentos relacionados àqueles conceitos no laboratório de ensino (offline). A ideia aqui é dividir a turma em dois grupos. Enquanto um grupo realiza as atividades no laboratório online, o outro grupo estuda no laboratório offline, e vice-versa.  

  • Sala de aula invertida

No modelo de sala de aula invertida, o estudante fica responsável por aprender o conteúdo das aulas em casa. Normalmente, um ambiente virtual de interação é criado entre o professor e os alunos, em que referências de estudo são indicadas. Fica a cargo do estudante acessar esse material e aprender o conteúdo sozinho, totalmente online, no seu ritmo. A aula presencial, então, tem o papel de fornecer um espaço para debate de ideias e solução de dúvidas. A sala de aula se torna um espaço de interação ativo entre professor e aluno e também entre os próprios alunos. Com essa metodologia híbrida, o aluno pode adquirir o conhecimento em casa e compartilhá-lo com os colegas durante a aula.  

Modelos disruptivos

Os modelos de ensino híbrido disruptivos têm como característica principal romper com a forma tradicional de se pensar o ambiente educacional. Nesses modelos, o processo de aprendizagem acontece quase que inteiramente por iniciativa do aluno, sendo a presença do professor bastante reduzida. Como consequência, exige que o currículo de ensino seja estruturado de forma totalmente diferente do que normalmente é feito nas instituições de ensino. 

  • Rotação individual

É um modelo bem parecido com o de rotação por estações. Contudo, ao contrário do que é feito em sua forma sustentada, na rotação individual cada aluno possui seu próprio roteiro de aprendizagem personalizado. Assim, não há a necessidade de passar por todas as estações. O caminho do aluno pelas estações se faz a partir de sua necessidade. Esse modelo traz como benefícios uma grande personalização do ensino e autonomia.  

  • Modelo Flex

Este modelo permite que os próprios estudantes construam objetivos de aprendizagem individuais, com o auxílio de um tutor. Esses objetivos são totalmente personalizados para os interesses e aptidões do estudante, cabendo a ele trilhar o caminho da aprendizagem conforme suas necessidades. O papel do professor é de fornecer tutoria quando o estudante julgar necessário. Nesse modelo, normalmente a divisão dos alunos não é feita por turmas e séries com conteúdo fixado para cada ano. Dessa forma, o estudante ganha um alto grau de controle sobre suas atividades. 

Quais mudanças são necessárias?

Mais do que saber quais são os principais modelos de ensino híbrido e como funcionam, a aplicação da metodologia no ensino superior exige algumas mudanças por parte da instituição para que seja possível criar um ambiente favorável à aplicação do modelo híbrido. Como todos os modelos se baseiam na alternância entre um ambiente offline e um ambiente online, é necessário que a IES possua uma plataforma digital em que a interação dos alunos com os professores e as atividades propostas seja possível.   

Nessa plataforma, o aluno pode ter acesso a conteúdos relativos às disciplinas em formas de textos complementares ou videoaulas. Aplicar o modelo de sala de aula invertida, por exemplo, tendo como base um repositório de conteúdo digital fica muito mais fácil e interessante!  

Da mesma forma, o modelo de laboratório rotacional poderia ser também facilmente aplicado se, nessa plataforma, o aluno tivesse acesso à exercícios e simulados dos conteúdos que está aprendendo. Além de poupar tempo do professor com a presença de um repositório de questões já prontas, o ambiente digital favorece a autonomia e o engajamento dos alunos. Portanto, a aplicação de modelos híbridos de ensino se torna mais viável e assertiva quando a prática é sustentada por uma plataforma digital eficiente.  

Conclusão 

A hibridização do ensino é uma tendência crescente a nível global. O ensino superior precisa se tornar um aliado, e não um opositor, das inovações tecnológicas. Caminhar de mãos dadas com a tecnologia só traz benefícios para as instituições que já o fazem. Além disso, o cenário brasileiro é animador para as instituições que desejam apostar na modalidade híbrida de ensino, dada a flexibilização recente da carga horária definida pelo MEC. Podendo ser adaptada ao currículo tradicional, a metodologia é uma forma inovadora de aumentar o engajamento e performance dos alunos, incentivar o docente e, em muitos casos, reduzir custos operacionais das IES. Cada modalidade de aplicação do ensino híbrido pode ser utilizada da melhor forma para atender as demandas específicas da sua instituição. Contudo, a presença de uma plataforma digital eficiente que possa centralizar as soluções da parte online da metodologia é extremamente necessária. Quer conhecer mais sobre nossas soluções digitais? Clique aqui.