Alunos colocando em prática metodologias ativas no ensino superior

Metodologias Ativas no Ensino Superior: elas são mesmo eficazes?

Com novas tecnologias digitais de informação e comunicação, a dinâmica da sala de aula tem se transformado. E a necessidade de um novo olhar sobre os processos de ensino-aprendizagem coloca as metodologias ativas no centro do debate. São métodos que possibilitam o encontro entre as instituições e as demandas do mercado e dos estudantes.

As metodologias ativas no ensino superior promovem a descentralização da sala de aula e a rapidez no alcance de informações. Por isso, têm o potencial de despertar a curiosidade e de motivar a construção de conhecimentos e capacidades técnicas, com o aluno no centro do próprio aprendizado.

Quer entender o que são as metodologias ativas e quais são os benefícios e desafios de aplica-las em uma IES? É só continuar a leitura do artigo!

O que são metodologias ativas?

As metodologias ativas vieram para transformar o modelo expositivo clássico nas salas de aula. Se valem da percepção do aluno como parte integrante, central e ativa do próprio aprendizado – dividido com o professor.

Apesar da tecnologia, hoje, exercer um papel importante em muitos desses processos colaborativos de ensino, as metodologias ativas surgiram antes das instituições contarem com tantos recursos, ainda no século 19. Paulo Freire (1996) defendeu essa base de ensino, e afirmou que a superação de desafios e a construção de novos conhecimentos a partir de experiências prévias são essenciais para promover o aprendizado.

Assim, as metodologias ativas operam com diferentes modelos de educação, utilizando a experiência do aluno e diferentes recursos e técnicas para instigar e dar condições de solucionar problemas e ganhar conhecimento e habilidades diversas.

Quais são os tipos de metodologias?

Existem diversas metodologias ativas, todas com o potencial de trabalhar diferentes habilidades, autonomia e senso crítico entre os alunos. Conheça algumas delas:

Aprendizagem Baseada em Projetos e em Problemas (PBL)

Nos últimos anos, duas abordagens de ensino (muito similares) vem crescendo em universidades em todo o mundo: a Aprendizagem Baseada em Projetos e a Aprendizagem Baseada em Problemas. Não são apenas os nomes que se parecem, os preceitos das metodologias são os mesmos. Nelas, o aluno é o centro do ensino e a aprendizagem é colaborativa e participativa.

A diferença é que o foco do primeiro é o desenvolvimento de projetos, e o segundo está centrado na solução de problemas propostos. Por meio das PBL, alunos adquirem conhecimentos e habilidades ao investigar e responder a uma pergunta ou desafio. Os métodos de ensino usam questões práticas, muitas vezes associadas ao campo profissional, para desenvolver pensamento crítico e capacidades de solução de problemas.

A ideia é que o professor lance um projeto (que pode ser a resolução de uma pergunta). Para chegar a um produto final ou a uma conclusão, os alunos devem se organizar e formular hipóteses, estudar e estruturar etapas de trabalho. Nota-se, assim, que o PBL não traz uma única resposta: é um método mais aberto, com foco nos percursos e na busca por soluções possíveis.

Ensino híbrido

O ensino híbrido combina a educação a distância (EAD) com atividades e aulas presenciais. Parte do tempo, o aluno acessa plataformas online para aprender. Os momentos em sala de aula, sob a supervisão direta do professor, funcionam de modo complementar e garantem uma relação mais personalizada com o ensino.

Existem diferentes modelos que atendem a esses requisitos. Podem ir desde uma base de aulas online, com algumas atividades presenciais a um currículo básico construído inteiramente de forma presencial, com apenas disciplinas complementares online.

Sala de aula invertida

É um modelo que se aproveita da tecnologia para transformar as práticas de ensino, antes mesmo do aluno pisar na sala de aula. Conteúdos teóricos são disponibilizados online para que os estudantes possam se preparar para os momentos com os professores.

Com uma base conceitual, o aprendizado presencial pode ser muito mais direcionado para atividades práticas, discussões, exercícios em laboratório e para a solução de problemas.

Aprendizado entre pares

É um método que surgiu na Universidade de Harvard (Massachusetts, EUA). Partindo do princípio da sala de aula invertida, o objetivo é incentivar o aluno a estudar fora da dos horários de aula, a partir de conteúdos previamente disponibilizados pelo professor.

Mas, nesse caso, o direcionamento para esse estudo prévio é mais específico. Os alunos devem responder a questionários online que dão ao professor uma visão sobre quais são os pontos de maior dificuldade entre a turma, para que sejam trabalhados presencialmente.

Depois, ainda são aplicados testes de acompanhamento, que, mais uma vez, geram material para discussão em sala de aula. Nota-se que é um método que permite um feedback constante entre professores e alunos, que pauta as aulas e torna o ensino mais certeiro.

Gamificação

Outra estratégia bem-sucedida é a gamificação, que passa pelo uso de conceitos e ferramentas típicas de jogos para motivar o aprendizado e a solução de problemas. E, com a possibilidade de uso de aplicativos móveis, é uma metodologia que ganhou ainda mais propulsão.

O uso de apps educativos e divisão de tarefas por fases torna o processo de aprendizado mais dinâmico e instiga o aluno a buscar um melhor desempenho.

Como implementar metodologias ativas no ensino superior?

Com as metodologias ativas, a dinâmica entre alunos, professores e instituições de ensino se transforma. Por isso, a implementação desses processos de ensino requer uma reavaliação de formatos, tecnologias usadas, processos internos e dinâmicas de comunicação.

Treinamento de docentes

A IES deve preparar os professores para novos modelos de ensino e oferecer suporte para atendimento das dúvidas, tanto em relação ao uso das tecnologias quanto para tornar a aplicação das atividades e a relação interpessoal com os alunos mais proveitosa.

Em função das diferentes relações aluno-professor, o processo avaliativo é amplamente modificado. No lugar de provas classificatórias e eliminatórias, a avaliação deve ser pensada dentro das dinâmicas de ensino, como um processo de colaboração para a construção coletiva do aprendizado.

Outro ponto relevante é a necessidade de construir modelos de feedbacks efetivos entre alunos e professores. Esse tipo de troca incentiva os alunos a desenvolverem os próprios objetivos acadêmicos, e os professores a pensarem as aulas de modo mais assertivo.

É interessante que a IES estruture uma equipe de apoio ao professor, a fim de se evitar falhas que venham a prejudicar o andamento das atividades. A equipe pode incluir secretariado, assistentes de coordenação e até mesmo outros docentes para dividir a tutoria dos alunos.

Investimento em novas tecnologias e plataformas EAD

Primeiro, é preciso planejamento e uma comunicação mais efetiva e próxima aos estudantes. Os processos comunicacionais exigem, hoje, uma forte base tecnológica, com plataformas online e canais de mensagem, a fim de garantir a interação com todos os estudantes, individualmente e em grupo.

A tecnologia vem como forma de enriquecer o processo, já que além das ferramentas à disposição dos professores e alunos, existe a liberdade de incrementar as descobertas por meio da utilização de formatos multimídia diversos. A utilização de soluções para o desenvolvimento de conteúdos pedagógicos tem sido uma saída interessante para garantir maior engajamento dos alunos.

Muitas das metodologias ativas demandam modalidades ou ferramentas de ensino a distância (EAD). Por isso, é importante que a IES trabalhe com instrumentos que permitam esse tipo de interação e aulas online.

Quais são os benefícios que as metodologias trazem para o ensino?

As metodologias ativas no ensino superior trazem diversos benefícios para a comunidade acadêmica e para a instituição. Os alunos adquirem maior autonomia, tornam-se protagonistas do próprio aprendizado, e ganham confiança para lidar com problemas e situações reais. São traços que tendem a formar profissionais mais qualificados e valorizados.

Do ponto de vista dos professores, esse retorno do aprendizado possibilitado pelas metodologias ativas contribui para diagnósticos mais reais do conhecimento transmitido, e de formas mais eficazes para lidar com conteúdos em sala de aula.

Por fim, para as instituições de ensino, as metodologias ativas têm refletido em maior reconhecimento no mercado e aumento da atração, captação e retenção de alunos. É o que torna o olhar e a revisão constante dos processos de ensino tão importantes para a educação superior.

Esperamos que você tenha gostado de saber mais sobre metodologias ativas no ensino superior. Para ter acesso a mais conteúdos gratuitos é só assinar a nossa newsletter!