Entenda o que é e como desenvolver a Aprendizagem Baseada em Problemas

Quais são os benefícios da Aprendizagem Baseada em Problemas? Quais são os passos para desenvolvê-la no ensino superior? Tire suas dúvidas sobre essa metodologia ativa neste artigo!

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Existem diversos tipos de metodologias ativas e um deles é a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). Trata-se de uma metodologia de ensino-aprendizagem em que a aquisição do conhecimento e o desenvolvimento das habilidades dos alunos estão interligados. 

Durante todo o seu processo, os alunos trabalham ativamente e colaborativamente na proposta de solução para algum problema indicado pelo professor.

Assim, eles aprimoram suas análises e sínteses de informações e se comprometem com o aprendizado.

Neste artigo, vamos aprofundar no conceito de Aprendizagem Baseada em Problemas e em como essa metodologia pode ser colocada em prática nas instituições de educação superior (IES). Continue a leitura até o final!

O que é a Aprendizagem Baseada em Problemas?

A Aprendizagem Baseada em Problemas, também conhecida pelo termo em inglês Problem Based Learning (PBL), é uma proposta pedagógica voltada para a aprendizagem significativa baseada na solução de problemas.

Porém, é importante destacar que o objetivo principal dessa metodologia não é simplesmente resolver um problema, e sim que ela seja utilizada como base para identificar os temas de aprendizagem para o estudo dos alunos, de maneira individual ou em grupos.

Nela, os alunos passam a assumir responsabilidade e confiança e precisam desenvolver a habilidade de dar e receber críticas orientadas pelo professor para a melhoria do desempenho.

Logo, a aquisição de conhecimento está relacionada à forma como eles aprendem sobre seu próprio processo de aprendizagem. Os conhecimentos se integram ao problema e não são adquiridos de maneira isolada ou fragmentada. Os estudantes passam a observar o próprio avanço no desenvolvimento de suas habilidades e competências.

Quando surgiu a Aprendizagem Baseada em Problemas?

O surgimento da Aprendizagem Baseada em Problemas se deu ao final da década de 60, com sua aplicação nas universidades McMaster, no Canadá, e Maastrich, na Holanda.

A base para a sua formulação seguiu os conceitos do psicólogo americano Jerome Seymour Bruner e do filósofo John Dewey.

Bruner afirmava que a educação deveria colocar os estudantes em contato com os problemas, de modo a incentivar a discussão de temas e a busca de soluções. A essa proposta se deu o nome de Learning by Discovery ou Aprendizagem pela Descoberta.

Dewey, por sua vez, defendia a ideia de que a educação precisa se basear na reconstrução da experiência. Ou seja, o contato com a realidade que irá possibilitar o crescimento e a motivação para a aprendizagem.

Embora tais ideias tenham inspirado a ABP, antes houve uma experiência embrionária na Harvard Business School, que em seguida foi recriada na escola médica de MacMaster.

Assim, a proposta foi disseminada em outras universidades e desenvolvida de forma mais significativa pela Universidade de Maastrich. A experiência realizada na instituição contribuiu bastante para a formação da base empírica dos princípios defendidos pela Aprendizagem Baseada em Problemas.

No Brasil, a ABP faz parte de propostas e debates pedagógicos há pouco tempo. Alguns de seus conceitos já permeavam os Parâmetros Curriculares Nacionais publicados em 1997 e também foram utilizados para nortear exames oficiais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Contudo, a introdução dessa abordagem no país aconteceu por meio de algumas IES. Primeiramente, a ABP foi adotada na Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) e na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Depois dessa introdução, outras IES adotaram a metodologia, inclusive em áreas diferentes da saúde. Isso aconteceu pois a abordagem foi bem vista quanto à formação profissional, visto que ela dá ênfase em como os estudantes podem aplicar os conhecimentos disponíveis para a solução de situações que acontecem no exercício da profissão.

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Quais são os pilares dessa metodologia?

A Aprendizagem Baseada em Problemas tem como principal objetivo mesclar a teoria e a prática na educação. A intenção é fazer com que o aprendizado seja mais dinâmico e aconteça de forma simultânea, fazendo com que o aluno aprenda as bases teóricas e que realize a parte prática.

Assim, o estudante se torna muito mais engajado, especialmente pela metodologia dar oportunidade a outros métodos de ensino que diferem bastante da educação engessada das aulas tradicionais. Isso cativa o interesse de todos da turma, além de permitir que eles desenvolvam seus conhecimentos de forma mais abrangente.

O principal pilar da ABP é a organização da proposta pedagógica em torno da resolução de problemas, sem que ocorra a separação de disciplinas geralmente realizada. 

Além disso, há a preocupação do professor com o ato de lecionar a teoria e fazer com que a classe aplique os conteúdos vistos imediatamente, o que ajuda a fixar o aprendizado e explorar os conceitos.

Dessa forma, a Aprendizagem Baseada em Problemas se baseia em alguns pilares essenciais. São eles:

  • organização por temas em torno de problemas e não de disciplinas;
  • integração interdisciplinar;
  • combinação entre teoria e prática, com a aplicação do conhecimento para a solução de problemas;
  • ênfase no desenvolvimento cognitivo;
  • abordagem centrada no aluno.

Quais são os ganhos que a Aprendizagem Baseada em Problemas oferece?

A Aprendizagem Baseada em Problemas apresenta uma série de vantagens aplicadas à educação. Falaremos sobre algumas delas a seguir:

1. Estimula o aluno

Quando uma instituição de ensino adota a ABP, a primeira mudança diz respeito à postura do aluno. Dessa maneira, o ato de receber informações e reproduzi-las em uma avaliação conceitual deixa de ser uma opção, exigindo que o estudante abandone a passividade e sua zona de conforto.

Isso se dá pela mudança na prática dos professores, que deixam de passar os conhecimentos da disciplina enquanto o aluno apenas recebe as informações, sem utilizar o pensamento para debater tais pontos.

A partir da implementação da ABP, o aluno realmente precisa mudar de postura para começar a buscar o conhecimento de forma ativa. Sua avaliação não será feita com base na capacidade de reproduzir os conceitos, mas sim, buscando analisar se ele sabe aplicá-los em situações reais.

2. Forma indivíduos autônomos

À medida que a Aprendizagem Baseada em Problemas desenvolve nos estudantes a capacidade de analisar dados e formular conceitos por conta própria, ela rompe os efeitos da passividade em todas as esferas de suas vidas.

Como consequência, essa autonomia de pensamento traz grande influência não só na carreira do aluno, mas traz implicações sociais e políticas. Portanto, ele se torna apto a ser um indivíduo consciente de seu papel na comunidade que o cerca e desenvolve o desejo de impactá-la positivamente.

3. Desenvolve a cognição

De forma diferente do ensino tradicional, a ABP exige que os estudantes usem funções cognitivas mais complexas que apenas memorizar, reconhecer, identificar e ordenar informações. 

Ela envolve a aplicação de conhecimentos, manipulação de dados e variáveis, previsões, análises, elaboração e experimentação de hipóteses, entre outras possibilidades. 

Portanto, a metodologia promove um desenvolvimento cognitivo mais significativo. O aluno se torna mais apto a interpretar a realidade, prever consequências, propor soluções, executar ações e a usar o pensamento crítico para avaliar a possibilidade de realizar suas ideias.

4. Desenvolve a capacidade de trabalhar em equipe

Ao longo do século passado, personagens importantes da educação como Piaget, Vigotsky e Paulo Freire mostraram que a aprendizagem depende de uma ação de mão dupla. Isso mostra que a interação é importante para os alunos.

Assim, com a ABP os estudantes passam a desenvolver e exercitar habilidades como empatia, análise e argumentação, ao mesmo tempo em que aprendem sobre determinada disciplina.

Durante as atividades em equipe, os alunos são expostos à construção coletiva do conhecimento, que possibilita a troca de experiências e o contato com percepções distintas. 

Além disso, são mais capazes de ouvir e respeitar opiniões diferentes, a fim de alcançar um objetivo em comum.

Como a ABP funciona na prática?

Podemos dividir o funcionamento da ABP em 5 etapas:

1. Contextualização

A contextualização do problema é parte essencial dessa metodologia, uma vez que se faz necessário que o aluno entenda o entorno do problema para que se tenha ideias e sugestões sobre como iniciar sua pesquisa. 

O professor pode comentar o contexto social e histórico que envolve a questão, mesmo que seja necessário o trabalho com a interdisciplinaridade para auxiliar ou dividir o conteúdo abordado com outra disciplina.

Neste momento, é importante atrair os olhares dos estudantes para fomentar a curiosidade e relacionar o problema a conteúdos que podem auxiliá-los durante as pesquisas.

Também é necessário combinar um prazo ideal para o desenvolvimento do trabalho, de modo que não seja demasiado apertado, nem longo demais.

2. Apresentação do problema

Após os estudantes receberem a questão-problema, eles se organizam em grupos (cerca de 4 a 5 alunos por grupo). 

O professor deve fornecer as orientações básicas a cada grupo, para que os alunos iniciem suas pesquisas e registrem cada passo da aprendizagem. 

3. Resolução do problema

Após coletarem informações, os alunos discutem o que fazer com os resultados encontrados. Assim, eles analisam o que se encaixa melhor para buscar a solução do problema. 

O professor deve manter o acompanhamento das análises dos integrantes de modo a orientar melhor os trabalhos dos grupos em determinada questão.  

4. Apresentação dos resultados

A apresentação dos resultados visa expor de forma sucinta os dados das pesquisas feitas e as soluções desenvolvidas. 

É importante que o professor abra espaço ao final de cada apresentação para que os outros grupos possam contribuir com sugestões e sanar possíveis dúvidas dos alunos.

5. Avaliação

Habilidades como: leitura de textos científicos, trabalho em equipe, desenvolvimento de pesquisa, planejamento e desenvolvimento de soluções são trabalhadas a todo o momento na Aprendizagem Baseada em Projetos. Elas podem e devem servir como referências para a avaliação dos alunos. 

Assim, o professor pode considerar todos esses fatores e não somente o conteúdo que está sendo aprendido pelos alunos. 

Leia também: 5 dicas sobre como aplicar metodologias ativas na prática

Como elaborar um plano de aula para a Aprendizagem Baseada em Problemas?

Como foi apresentado ao longo deste artigo, a metodologia ABP parte de um problema proposto pelo professor para estimular o desenvolvimento de soluções e fomentar a aprendizagem de conceitos que tangem a questão.

Para que a aula funcione bem, o professor deve orientar os alunos em leituras que facilitem o desenvolvimento do projeto, porém é importante que eles tenham autonomia para se organizarem sozinhos. 

A seguir, preparamos um passo a passo de como elaborar um plano de aula para a metodologia de Aprendizagem Baseada em Problema. Acompanhe!

1. Explique sobre os objetivos da aula

Após organizar os grupos, alinhe com todos os alunos quais serão os objetivos, a justificativa e a questão a ser resolvida. 

Em seguida, oriente-os a lerem textos de referência e a anotarem demais questões que surgirem para ajudá-los a conduzir o trabalho e as pesquisas.

O professor também pode verificar quais conceitos da matéria já foram estudados que podem ser relacionados com o conteúdo e, assim, complementar com os temas e conceitos que achar pertinente.

2. Oriente sobre os assuntos

Em seguida, o professor deve atribuir sugestões de materiais de fontes confiáveis aos alunos, como livros digitais e/ou físicos, artigos, revistas, sites etc, para uma pesquisa mais aprofundada sobre o problema definido.  

Como participantes ativos, os alunos deverão salvar os dados mais relevantes e compartilhar as descobertas que servirão de base para o preparo da pesquisa em grupo.

3. Compartilhe as soluções

O processo da Aprendizagem Baseada em Problemas raramente tem uma resposta correta. Portanto, nessa etapa, os participantes dos grupos reúnem o máximo de soluções que conseguirem encontrar para o problema. 

Assim, quando todos terminam o processo, é hora de compartilhar as soluções com toda a turma.  

4. Planeje a apresentação final

É aqui que os alunos mostram para a turma como foram suas experiências até chegar na compreensão e solução do problema em questão.

Isso os ajuda a pensar criticamente sobre o que funcionou bem e o que poderia ser melhorado para a próxima pesquisa. Além disso, eles desenvolvem a autocrítica, fazendo-os pensar nas ações e atitudes em relação ao problema proposto.  

Porém, antes de iniciar essa atividade, o professor deve conversar com a turma para estabelecer uma data de apresentação dos resultados finais e do tempo de apresentação para cada grupo.

Também é importante perguntar quais serão os meios utilizados na dinâmica, para que haja uma preparação técnica antecipada. Cada grupo pode optar por apresentar as soluções por meio da tecnologia que for mais conveniente, como painéis de discussão, apresentações multimídia, vídeos etc. 

5. Avalie os alunos

Como já apontamos antes, os alunos precisam ser avaliados além do conhecimento adquirido. Portanto, o professor pode pontuar os seguintes quesitos do processo:

  • organização do grupo;
  • entrega de sínteses, relatando cada passo do processo;
  • qualidade da pesquisa desenvolvida pelo grupo;
  • entrega dos principais dados obtidos;
  • criatividade na apresentação;
  • proposta de solução para o problema;
  • entre outros pontos que julgar relevante.

Vale ressaltar que essa metodologia é melhor aproveitada quando as etapas são divididas ao longo de diversas aulas. Assim, os alunos possuem mais tempo para a construção da aprendizagem.

Esperamos que essas informações tenham esclarecido suas dúvidas sobre a Aprendizagem Baseada em Problemas. Aproveite para ler também o nosso guia completo sobre metodologias ativas!

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