Edificando a educação por meio da aprendizagem construtivista

Conheça mais uma teoria pedagógica para aplicar nas aulas de sua IES!
Aprendizagem construtivista: padrões em edifício

Vamos conhecer mais um pouco sobre a aprendizagem construtivista?

Para que o ensino e aprendizagem possam ser um caminho de parceria entre professores e alunos, é preciso que cada um assuma um lugar de responsabilidade e participação. É preciso, também, fazer com que a vontade de aprender guie o estudante na caminhada, e que isso contribua para a formação continuada de professores

Para muito além da repetição sem sentido do conteúdo, a vontade de aprender faz com que o estudante consiga recordar de aspectos centrais de seu percurso formativo, a partir da atribuição de importância ao que está sendo estudado.

Indo ao encontro dessas ideias surgiu o construtivismo, que ficou conhecido a partir de pensadores como Piaget, Vygotsky e Paulo Freire, sendo que o primeiro é responsável pela gênese da teoria em 1920. Para ele, o conhecimento era resultado da interação entre sujeitos e objetos a serem conhecidos.

A partir dessa teoria, surgiu um conceito pedagógico de suma importância: a aprendizagem construtivista. A psicóloga argentina, Emilia Ferreiro, inspirada em Piaget, foi quem transpôs a teoria do autor para a alfabetização infantil, uma grande contribuição do ponto de vista educacional. 

No presente artigo, vamos apresentar um pouco mais sobre a teoria por trás da aprendizagem construtivista, falar sobre seus critérios, benefícios e como trabalhá-la em sua instituição de educação superior (IES).

Vamos lá?

O que diz a teoria construtivista?

A criação de uma relação de interesse era, para Piaget, o fator de sucesso da teoria construtivista. Para este autor, e para os demais autores que seguiram seus passos na teoria construtivista, o foco é na interação, na elaboração de uma ideia, de um projeto que envolve objeto e sujeito. 

Com isso, a ação tem ligação com os estímulos sociais, que são reconstruídos à luz dos elementos que fazem parte da subjetividade de quem aprende.

Isso é o que Piaget entende como um sujeito de dupla ação:

  1. Na ação assimiladora há produção de transformações no mundo;
  2. Na ação acomodadora, produz-se transformações em si mesmo. 

Essas ações são complementares entre si, demonstrando assim a ligação intrínseca entre teoria e prática, entre estímulos internos e externos. 

A teoria construtivista é um estímulo à melhor assimilação dos conteúdos. Decorar as matérias não cria vínculos significativos no cérebro, e isso reduz a capacidade da mente em reter informações. 

Por outro lado, quando há conexões mais profundas, como aquelas que produzem bons sentimentos, o cérebro possui mais ferramentas para conservar o que foi aprendido.

As conexões que beneficiam o aprendizado podem ser intelectuais, emocionais, ou até mesmo sociais. O prazer em aprender nos faz aprender ainda mais, o que fortalece a estima do estudante, e o estimula a buscar ainda mais, já que o conhecimento não tem limites, e pode ser desenvolvido de forma contínua.

Em estudos sobre como as crianças aprendem a ler e a escrever, é possível notar que os pequenos criam um caminho próprio para guardar essas informações, e não necessariamente usam aquele que foi apresentado pelo educador. 

Protagonismo dos estudantes

Isso só reforça o protagonismo do estudante, a importância da sua subjetividade. Ela não deve ser ignorada em detrimento da ideia de que há um padrão de aprendizado, capaz de ser utilizado por toda a turma. Alunos não são simplesmente alunos, antes disso são pessoas, com vivências distintas. 

Para Piaget, somos uma construção própria, totalmente dependente do meio. Isso iria de encontro com teorias centradas na transmissão hereditária ou empírica direta — tudo precisa passar pela constituição do sujeito, a partir do conhecimento-construção.

O construtivismo não pode ser considerado, dessa forma, um método pronto, já que refuta quaisquer conhecimentos dados a priori. É uma ideia que nos auxilia a olhar para práticas e métodos, promovendo uma interpretação à luz da teoria construtivista.

No caso da aprendizagem construtivista, o que ocorre é a aplicação de conceitos pensados pelos autores dessa vertente no dia a dia das salas de aula, através de ações que visam melhor assimilação, e promoção de conexões profundas com o conhecimento

Nesse contexto, os alunos são co-criadores dos saberes, são agentes, que contam com o auxílio dos educadores nesse processo. 

Leia também: Conheça a aprendizagem experiencial e seus benefícios no ensino superior

Qual é o papel do professor no contexto da aprendizagem construtivista?

Como você pode notar, a teoria construtivista preconiza que o estudante seja protagonista de seu próprio processo de aprendizagem. Qual seria, então, o verdadeiro papel do professor dentro de uma sala de aula em que a aprendizagem construtivista é aplicada?

Os educadores atuam, nesse cenário, como guias, orientadores e observadores do processo de aprendizagem, que é protagonizado pelos estudantes. Eles não são meros expectadores, mas sujeitos que assimilam e acomodam conhecimento.

Como já mencionado, o prazer tem uma posição central na retenção de conhecimento. Portanto, é necessário que o educador saiba lidar com a liberdade necessária para que bons sentimentos aflorem na relação entre o aluno e o saber. 

O educador é mediador no processo educativo, mas o desenvolvimento do estudante também ocorre na relação com seus pares, e seus diferentes contextos. O professor deve facilitar essa integração. Isso é o que Vygotsky denomina como zona de desenvolvimento proximal

Quais são as vantagens da aprendizagem construtivista?

A aprendizagem construtivista é responsável por levar uma série de benefícios ao corpo estudantil, como:

  1. Maior protagonismo;
  2. Melhor retenção do conteúdo;
  3. Ensino prazeroso;
  4. Mais satisfação com as aulas e engajamento;
  5. Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, dentre outras.

Inicialmente, podemos entender que a perspectiva construtivista incentiva o protagonismo do aluno, já que ele é responsável por construir o conhecimento, a partir de suas características pessoais e preferências. 

O aprendizado na perspectiva construtivista é conquistado a partir de uma crescente de esforço, que passa pela apropriação do que é importante para criar um repertório.

É como se cada estudante pudesse angariar diferentes insumos para chegar a um mesmo objetivo, que é a construção de uma trajetória profissional de sucesso. Isso ocorre de forma singular e através da personalização do ensino.

Quando ocorre o processo de construção do conhecimento, os alunos se conectam mais profundamente aos conceitos, e conseguem compreendê-los em uma dimensão prática e relacional, alinhada à realidade.

Isso permite que o estudante tome ações calculadas, com maior chance de sucesso, a partir dos saberes aprendidos em sala de aula. Nesse cenário o professor guia a construção de cada aluno, indicando ferramentas, oferecendo suporte, mas dando autonomia para o crescimento individual. Desenvolvemos também, dessa forma, a autorregulação da aprendizagem.

Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, a aprendizagem construtivista não implica em falta de rigor. Uma educação libertadora não significa uma educação sem critérios.

Com a teoria construtivista o aluno consegue imprimir seu modo particular de conhecer o mundo na sua jornada de formação. Isso promove o autoconhecimento, a autoestima, e desenvolve o autoaprendizado, além de outras competências socioemocionais.

O gosto pelo aprendizado é um caminho sem volta para o processo de melhoria contínua do estudante. Isso faz com que os anos que passou estudando dentro de uma perspectiva construtivista possam ser só o começo de uma jornada de conhecimento e curiosidade.

 

Quais são os critérios da aprendizagem construtivista?

Para considerarmos que uma metodologia está de acordo com o que preconiza a teoria construtivista, é possível observar certos elementos.

Quatros critérios podem ser elencados como essenciais nesse sentido. Eles são baseados nos fundamentos da teoria, e consistem em:

  1. Externalização dos conhecimentos prévios
  2. Tensionamento de conhecimentos prévios
  3. Implementação de uma cultura de feedback
  4. Reflexão sobre a aprendizagem.

Vamos falar sobre cada um destes critérios logo a seguir.

1. Externalização dos conhecimentos prévios

Para que o novo conhecimento possa criar bases profundas na mente do estudante, é preciso que ele faça uma ancoragem complexa com os conhecimentos prévios. Ou seja, é preciso passar por um processo de subjetivação, dentro do que o estudante já sabe.

Isso pode ser viabilizado através da externalização dos seus conhecimentos, para que o professor compreenda o melhor modo de guiá-lo na trajetória de ensino. 

Se isso não for feito, muito provavelmente o aluno não irá reter o conhecimento. Pode até mesmo fazer interpretações errôneas se não houver um direcionamento sobre como promover a interação do conhecimento prévio com o novo saber. 

Vários mecanismos podem auxiliar professores e alunos nesse caminho. É possível promover a confecção do mapa de aprendizagem, para que os alunos localizem onde se encontram dentro das perspectivas teóricas que aprendidas.

Além disso, é possível aplicar a autoavaliação do aluno, ou até mesmo testes de nivelamento, e promover conversas com a turma para entender melhor o contexto de atuação.

Conhecer o plano de fundo de cada aluno é essencial para aplicar uma metodologia baseada na aprendizagem construtivista.

2. Tensionamento de conhecimentos prévios

Depois de conhecer mais sobre as habilidades e conhecimentos prévios dos estudantes, o próximo passo para aplicar a aprendizagem construtivista em sala de aula é tensionar o que já foi aprendido.

A aprendizagem baseada em problemas ou aprendizagem baseada em projetos são boas formas de provocar esse tensionamento. 

Isso porque essas espécies de metodologias ativas vão demonstrar, na prática, como o conhecimento prévio pode ou não ser aplicado, e como o novo conhecimento pode auxiliar nesse contexto. 

Criar perguntas e discussões a partir de fatos do cotidiano, como notícias, ou até mesmo por recursos multimídia, pode ser uma boa forma de tensionar essas relações, e promover maior ancoragem do conhecimento.  

3. Implementação de uma cultura de feedback

Muitas pessoas podem relacionar o feedback a um retorno após o término de uma atividade. Mas no caso da aprendizagem construtivista, o feedback é parte do dia a dia das metodologias em que é aplicada. 

Com o feedback constante, os alunos podem rever questões centrais relacionadas ao seu conhecimento prévio, compreender onde estão inseridos os principais gargalos, e promover a capacidade de utilizar novos conceitos para construir uma base mais sólida.

É um momento que, quando compartilhado, ainda promove uma aprendizagem cruzada, já que os alunos terão contato com o feedback dado aos colegas. Isso faz com que várias vivências e subjetividades diferentes possam ser combinadas, na construção do conhecimento de cada um.

4. Reflexão sobre a aprendizagem

Falar sobre reflexão no processo de aprendizagem pode parecer óbvio. Contudo, as metodologias tradicionais e o ensino bancário fazem com que esses momentos sejam raros. 

A reflexão é um momento de meta-aprendizagem, de aprender a aprender, e consequentemente, aprender a ensinar. 

Compreender os diversos modos de aprender é um passo importante para entender o que funciona para mim, e o que não funciona, e como posso utilizar isso a meu favor. Isso pode ser feito através de questões nas avaliações, ou nas autoavaliações.

Leia também: Você sabe o que é avaliação diagnóstica, como fazer e sua importância para a IES? Descubra neste artigo

Quais são as características da aprendizagem construtivista?

Quer conhecer um pouco mais sobre a aprendizagem construtivista? Então confira abaixo suas principais características:

  1. O aluno é o centro do processo de ensino-aprendizagem;
  2. Protagonismo do aluno não significa obsolescência do professor. O papel dele é central no processo de planejamento, mediação, apoio e incentivo aos estudantes.
  3. Não se limita às metodologias tradicionais;
  4. O escopo da teoria é baseado na postura ativa diante do conhecimento;
  5. Não vale comparar o desenvolvimento pessoal. Como é baseado em processos subjetivos, a aprendizagem construtivista deve contemplar as diferenças dos estudantes;
  6. Diante das diferenças entre os estudantes, o docente precisa personalizar o conteúdo, de acordo com a demanda;
  7. O que o aluno traz de sua trajetória importa, e muito! As experiências e os conhecimentos prévios vão ser definidores na forma de se relacionar com o novo conteúdo;
  8. Não existe uma verdade sobre o conhecimento. O que existe são versões, formas com que os sujeitos lidam e externalizam sua relação com o saber;
  9. Há interdependência entre os conceitos. Para consolidar um saber, é necessário que o conhecimento seja apresentado em tópicos, que retomam outros conceitos já trabalhados. 
  10. Os alunos aprendem a aprender;
  11. As experiências de docentes e discentes se somam — é preciso que o educador esteja aberto a compartilhar com os estudantes.
  12. Funciona melhor em grupos menores;
  13. As avaliações devem ter um fundo diagnóstico. Essa é uma forma de oferecer um panorama periódico aos professores, e possibilitar uma recalculada de rota, com revisão dos objetivos e do planejamento.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre intervenção pedagógica: conceito, pesquisa e prática

Como aplicar a aprendizagem construtivista no ensino superior?

Muitas escolas de ensino básico estão aplicando os conceitos da teoria construtivista em suas salas de aula. Isso ocorreu graças à influência de Paulo Freire e Emilia Ferreiro, grandes referências da educação infantil.

Alguns educadores tradicionais, por outro lado, tecem críticas aos métodos baseados na teoria construtivista, com o argumento de que eles não são sérios e comprometidos com a formação dos estudantes. É uma visão limitada da amplitude dos conceitos teóricos construtivistas.

No ensino superior, as metodologias baseadas na aprendizagem construtivista auxiliam o aluno a construir sua autoestima, baseada na capacidade de desenvolver compromisso consigo mesmo. 

Isso favorece o processo autocrítico, em que o aluno enxerga seus pontos a melhorar, e é capaz de ter consciência da necessidade de mudar. Além disso, ele consegue planejar essa mudança, se comprometer com ela, e manter-se sempre vigilante da necessidade de se rever o processo.

Mas para que isso ocorra, é preciso que haja mudanças a nível institucional. Os professores precisam ser treinados para aplicar metodologias de ensino inovadoras, e continuar buscando conhecimento de forma contínua.

Para aplicar a aprendizagem construtivista no ensino superior, podemos fazer uso de algumas metodologias ativas. Que tal conferir, nesse sentido, nosso conteúdo sobre ferramentas de metodologias ativas?

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