As metodologias ativas, tecnologias e ensino remoto

Metodologias ativas no ensino remoto: fotografia de uma estudante sorrindo enquanto assiste uma aula online.
O que os métodos pedagógicos mais inovadores podem fazer pelo professor desmotivado e o estudante desinteressado?

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Há quase um ano, o ensino remoto se tornou uma das únicas possibilidades de interação no Ensino Básico e Superior, em um mundo mergulhado na pandemia do novo coronavírus. Sendo assim, a rotina da aula online já não é novidade para ninguém, ainda que os desafios e dificuldades estejam mais presentes do que nunca.  

Em muitos encontros virtuais de educadores, ouvi os mesmos relatos aflitivos. “Falo sozinho na frente do computador” ou “meus alunos simplesmente não aparecem nos encontros online”. A falta de interesse parece ser o elemento-chave da angústia docente: entre todas as dificuldades técnicas e de recursos, perdeu-se o “olho no olho” da sala de aula.  

Durante o Congresso Internacional de Educação e Tecnologia (Ciet), a fala de uma palestrante ecoa até hoje na memória: “a falta de engajamento já era um problema no presencial”. E, de fato, quem leciona sabe que a motivação sempre esteve na lista de principais desafios dentro de uma sala de aula.  

As discussões em torno das metodologias ativas trouxeram uma mudança de paradigma nas experiências de ensino-aprendizagem convencionais. Mas será que elas podem trazer contribuições para o ensino remoto? Com certeza. 

1. Combine o jogo 

primeiro passo para a efetividade das metodologias ativas, no on e no off-line, é combinar o jogo com os estudantes. Os benefícios desse tipo de dinâmica pedagógica nem sempre são claros a eles, e é importante que no início do curso o professor possa explicar quais serão as práticas utilizadas, seus objetivos e o que se espera do aluno. Manter esse diálogo com a turma também ajuda a criar conexão e favorecer a construção coletiva, além de engajá-los durante o processo. 

2. Não existe metodologia certa 

Escolher entre os tipos de metodologias disponíveis para aplicar em uma disciplina requer não só entendimento técnico (domínio do professor), mas também entender bem o perfil dos estudantes. Isso deve ajudar a selecionar os métodos que vão não só funcionar melhor, mas que atenderão bem a turma. Além disso, vale considerar os objetivos pedagógicos da disciplina e do curso.  

3. Explore ferramentas tecnológicas 

É possível utilizar simuladores de matemática para exercitar conceitos de física com alunos de graduação em Engenharia. Para os estudantes do curso de letras, um aplicativo que permita a leitura e construção de textos coletivamente, pode ser muito útil.  

Esses são apenas exemplos de como ferramentas tecnológicas disponíveis podem ser aproveitadas para fins pedagógicos, dentro de experiências de ensino remoto. Recursos digitais, como videoaulas e ebooks, aplicativos multimídia e tutores inteligentes, podem e devem ser aplicados como recursos educacionais.  

Há inúmeras ferramentas para criação de conteúdo, para jogos online (como os Quiz do Kahoot) ou ferramentas de apresentação colaborativas (como Menti ou Prezi).  

4. Metodologias ativas que funcionam 

Uma das mais conhecidas é a sala de aula invertida. Por meio dela o estudante pesquisa sobre o tema da aula, tem contato com leituras e materiais em múltiplos formatos e no momento da aula, faz debates e discussões com os colegas, mediados pelo professor.  

Em casos de ensino remoto com aulas síncronas (videoaulas ao vivo, com interação), essa metodologia pode funcionar muito bem. O aluno tem autonomia para se preparar e aprender sobre o tema anteriormente, e a discussão acontece no momento da aula, pela ferramenta de videochamada.  

Na Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), o professor pode propor um problema a ser solucionado pelo aluno, com materiais complementares e propostas de pesquisas que o ajudem a chegar em uma resposta. Sistemas Tutores Inteligentes (STI) podem ajudar em algumas áreas específicas, principalmente de exatas.  

Já na Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), os alunos podem focar em desenvolver projetos juntos, construídos com a orientação do professor e dos tutores, se for o caso. Inclusive essa interação pode acontecer em fóruns, de forma assíncrona, ou por meio de ferramentas de colaboração online (como as do Google Suite). Aplicativos como Zoom, permitem que o professor gerencie diversas salas de discussão com grupos de alunos, favorecendo esse tipo de construção coletiva.  

5. “Na língua” do aluno 

A comunicação de um jeito amigável, respeitando o perfil dos alunos, ajuda a aumentar a motivação, o engajamento e promovem mais participação no ambiente remoto. Apesar de muitos professores negarem o potencial dos dispositivos móveis, é ali que seus alunos passam a maior parte do tempo. Ou seja, investir em canais de comunicação pelo WhatsApp ou Telegram, pode valer a pena.  

A ideia não é criar mais um grupo para o compartilhamento de figurinhas (embora algumas delas sejam verdadeiros materiais didáticos). O objetivo principal é o de promover o diálogo com os estudantes em ambientes que já são familiares, e possam servir como espaços de compartilhamento de conteúdo, revisão de aula e plantões de dúvidas.  

6. O estudante é o centro de tudo 

Mensurar a aprendizagem é um dos grandes desafios dos docentes, mesmo no ensino presencial. Uma pesquisa do Instituto Crescermostrou que 46% dos educadores não sabem avaliar se os alunos estão realmente aprendendo com as aulas onlineNesse caso, aplicativos de formulários como Google Forms e Forms da Microsoft são opções que podem funcionar para a criação de atividades avaliativas ou como formas de colher feedbacks sobre assuntos específicos. É possível gerar relatórios e entender as coincidências entre acertos e erros.  

Também é comum que os professores se sintam altamente frustrados com problemas estruturais que afetam o desempenho dos alunos no on-line (57% afirmam que por mais que se dediquem, muitas vezes os alunos não se envolvem por questões de infraestrutura).  

É por isso que o planejamento pedagógico para o ensino remoto precisa ser essencial e contar com as ferramentas e os canais que melhor atendem o aluno. Por exemplo: será que formatos de conteúdo em áudio ajudam a levar o mesmo conhecimento que uma videoaula, para aqueles com problemas de internet? Criatividade quase nunca significa complexidade e as metodologias e tecnologias podem provar isso.  

Sobre este artigo  

Para quem chega por aqui agora, aproveito a oportunidade para me apresentar: sou a Isabella Sánchez, especialista em Educação e Tecnologia aplicada à Educação pela Ufscar, com ênfase em Gestão da Educação à Distância e Produção e Uso de Tecnologia na Educação. Também sou formada em Letras pela USP e Comunicação Social (Jornalismo) pela Faculdade Cásper Líbero.  

Atualmente gerencio os times de conteúdo das soluções digitais da Saraiva Educação e dos conteúdos de doutrina do selo editorial Saraiva Jur. Produzimos materiais pedagógicos para instituições de ensino superior e livros de Direito para estudantes, professores e profissionais jurídicos. Saiba mais aqui! 

Pretendo abordar aqui, periodicamente, os principais assuntos e reflexões sobre o universo da educação superior. Seja muito bem-vindo e volte sempre! 

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