Saiba como desenvolver atividades para alunos com TDAH

Afinal, como trabalhar com alunos com TDAH para promover maior inclusão na instituição de educação superior? Confira as dicas que preparamos neste artigo!
Atividades para alunos com TDAH: fotografia de uma sala de aula com foco em uma fileira de alunos escrevendo.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que tem diversas facetas. Pode afetar o rendimento acadêmico, sendo necessárias atividades para alunos com TDAH que permitam que eles demonstrem conhecimento de forma mais próxima à sua expressão.

Muitas pessoas acreditam que o TDAH é um transtorno que afeta somente crianças em idade escolar, principalmente meninos. No entanto, esse mito é prejudicial à compreensão da condição: pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade.

Para desmistificar algumas ideias sobre o transtorno e auxiliar no processo de adaptação de atividades para alunos com TDAH em sala de aula, neste artigo vamos explorar um pouco mais sobre a condição e como ela afeta estudantes no ensino superior.

O que é TDAH?

O TDAH, também conhecido por DDA, é chamado Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. É uma condição neurobiológica, de forte influência genética e, de acordo com a Associação Brasileira do TDAH, ocorre em até 5% das crianças pelo mundo.

Ainda assim, é importante levantar que não acontece somente na infância. Em grande parte dos casos, os sintomas acompanham o paciente na vida adulta, ainda que sejam visíveis de outras formas. Por isso, muitas vezes, tem sinais menos claros.

Alguns sinais, porém, são típicos: falta de atenção a detalhes “simples”, desorganização, impulsividade nas decisões, perder itens importantes, não terminar tarefas, impaciência, incapacidade de seguir instruções, dificuldade em ficar parado, etc.

Por ser um transtorno neurobiológico, ele está atrelado à composição química cerebral. Nesse caso, o lobo frontal do paciente não apresenta resposta adequada aos estímulos, por falta de comunicação dos neurotransmissores, como a dopamina e a noradrenalina.

Na prática, isso significa que o cérebro com TDAH tem dificuldade em reconhecer a intensidade, o que o leva a buscar situações de adrenalina ou gratificação. Por isso, pode levar ao desinteresse acadêmico (já que os estímulos não despertam a gratificação) e problemas mais graves, como dependência química e depressão.

Como é feito o diagnóstico do TDAH?

Para que o diagnóstico de TDAH seja obtido, é importante que o paciente passe por uma avaliação cuidadosa de profissionais de saúde mental. Com rastreamento de sintomas, é possível identificar padrões cognitivos que expliquem o transtorno.

Quantos tipos de TDAH existem?

Existem 3 principais facetas do TDAH. Para pensar nas atividades para alunos com TDAH que incluam e contemplem suas habilidades, é essencial diferenciar cada uma delas.

Na modalidade de desatenção, o aluno enfrenta dificuldade em manter o foco, terminar tarefas, se distrai facilmente, tende a ser “avoado”, perde objetos, etc.

A pessoa com TDAH impulsivo/hiperativo tem mais dificuldade em controlar seus impulsos: aqui, as decisões impensadas, a falta de regulação emocional e a impaciência são sintomas comuns. E no caso do TDAH misto, enfrenta dificuldades de ambos os lados.

Para o manual DSM-V, que avalia transtornos psicológicos, existem 18 critérios básicos para o diagnóstico do TDAH:

Sintomas de desatenção:

  • Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados em trabalhos escolares ou outras atividades
  • Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas na escola ou durante jogos
  • Não parece prestar atenção quando abordado diretamente
  • Não acompanha instruções e não completa tarefas
  • Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
  • Evita, não gosta ou é relutante no envolvimento em tarefas que requerem manutenção do esforço mental durante longo período de tempo
  • Frequentemente perde objetos necessários para tarefas ou atividades escolares
  • Distrai-se facilmente
  • É esquecido nas atividades diárias

Sintomas de hiperatividade e impulsividade:

  • Movimenta ou torce mãos e pés com frequência
  • Frequentemente se movimenta pela sala de aula ou outros locais
  • Corre e faz escaladas com frequência excessiva quando esse tipo de atividade é inapropriado
  • Tem dificuldades de brincar tranquilamente
  • Frequentemente se movimenta e age como se estivesse “ligado na tomada”
  • Costuma falar demais
  • Frequentemente responde às perguntas de modo abrupto, antes mesmo que elas sejam completadas
  • Frequentemente tem dificuldade de aguardar sua vez
  • Frequentemente interrompe os outros ou se intromete

Para que profissionais diagnostiquem uma criança a partir destes critérios, é necessário que os sintomas se apresentem há pelo menos seis meses, não possam ser atribuídos a problemas de saúde física ou mental e afetem as relações e o desempenho do paciente em mais de um ambiente.

O TDAH na vida adulta

Ainda que muitos diagnósticos sejam feitos no início da vida escolar, há pessoas que mascaram seus sintomas, principalmente no caso do TDAH desatento, até a idade adulta. No contexto do ensino superior e do mercado de trabalho, as dificuldades podem se potencializar.

Existe um questionário de autoavaliação produzido pela OMS, o ASRS-18. Não substitui consultas médicas e psicológicas, mas pode ajudar adultos a identificar em si mesmos os sinais de atenção. As perguntas são:

Parte A

  1. Com que frequência você comete erros por falta de atenção quando tem de trabalhar num projeto chato ou difícil?
  2. Com que frequência você tem dificuldade para manter a atenção quando está fazendo um trabalho chato ou repetitivo?
  3. Com que frequência você tem dificuldade para se concentrar no que as pessoas dizem, mesmo quando elas estão falando diretamente com você?
  4. Com que frequência você deixa um projeto pela metade depois de já ter feito as partes mais difíceis?
  5. Com que frequência você tem dificuldade para fazer um trabalho que exige organização?
  6. Quando você precisa fazer algo que exige muita concentração, com que frequência você evita ou adia o início?
  7. Com que frequência você coloca as coisas fora do lugar ou tem dificuldade de encontrar as coisas em casa ou no trabalho?
  8. Com que frequência você se distrai com atividades ou barulho à sua volta?
  9. Com que frequência você tem dificuldade para lembrar de compromissos ou obrigações?

Parte B

  1. Com que frequência você fica se mexendo na cadeira ou balançando as mãos ou os pés quando precisa ficar sentado (a) por muito tempo?
  2. Com que frequência você se levanta da cadeira em reuniões ou em outras situações onde deveria ficar sentado (a)?
  3. Com que frequência você se sente inquieto(a) ou agitado(a)?
  4. Com que frequência você tem dificuldade para sossegar e relaxar quando tem tempo livre para você?
  5. Com que frequência você se sente ativo (a) demais e necessitando fazer coisas, como se estivesse “com um motor ligado”?
  6. Com que frequência você se pega falando demais em situações sociais?
  7. Quando você está conversando, com que frequência você se pega terminando as frases das pessoas antes delas?
  8. Com que frequência você tem dificuldade para esperar nas situações onde cada um tem a sua vez?
  9. Com que frequência você interrompe os outros quando eles estão ocupados?

Assim como no caso do diagnóstico infantil, os sintomas devem ser presentes há pelo menos seis meses, afetando diferentes setores da vida cotidiana e não podem ser atribuídos a outras questões de saúde.

Comorbidades do TDAH

O transtorno está ligado a outras condições que podem prejudicar o rendimento escolar e o engajamento em atividades do dia a dia. A Dislexia, por exemplo, ocorre de forma concomitante ao TDAH e afeta a expressão escrita. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, pode chegar a até 60% dos casos.

O que significa ser neuroatípico?

Um dos principais pontos de adultos com transtornos neurobiológicos é a referência a comportamentos neurotípicos e neuroatípicos. O termo teve origem na comunidade autista, mas hoje “neuroatípico” é usado para se referir a pessoas com atividade cognitiva atípica, fora do esperado. Como por exemplo, as pessoas com TDAH.

No contexto acadêmico, essa nomenclatura se torna ainda mais relevante: a melhor forma de incluir alunos com TDAH nas atividades e nos projetos pedagógicos é analisar de que forma seu cérebro funciona.

Como trabalhar com alunos com TDAH?

Muitas vezes os alunos chegam ao ensino superior sem saber que têm TDAH ou incapazes de lidar com as dificuldades causadas pelo transtorno. Além de gerar estresse, também prejudica o aproveitamento do ambiente acadêmico.

Por isso, é importante, em primeiro lugar, oferecer apoio psicológico na instituição de educação superior (IES) para os alunos que estejam enfrentando dificuldades nos estudos, sejam elas ligadas ao TDAH ou não. 

Adaptar atividades para alunos com TDAH

A principal barreira imposta pelo TDAH é a disfunção executiva, ou seja, o aluno fica paralisado diante de uma situação que não estimule sua cognição. Por isso, para que as aulas sejam mais cativantes, é importante que o projeto pedagógico de curso inclua modalidades diversas de ensino e aprendizagem.

Os alunos com TDAH podem se destacar em atividades como debates, pesquisas, aulas laboratoriais e, principalmente, em situações de estudo em que eles tenham clareza. A sala de aula invertida, por exemplo, é uma ideia que permite aos alunos ter certo envolvimento com o tema antes da aula expositiva. Isso ajuda a despertar o interesse contra o TDAH. Atividades com gamificação do conteúdo prendem a atenção e auxiliam a reter as informações.

Avaliação de alunos com TDAH

Assim como nos transtornos de aprendizagem, o aluno com TDAH enfrenta dificuldades para uma boa performance escolar em provas padronizadas e cronometradas. Por conta de sua dificuldade em manter o foco em uma só tarefa, tendem a ficar dispersos e impacientes, não conseguindo demonstrar seu conhecimento.

Avaliações em diferentes formas, como por exemplo seminários, questionários orais, trabalhos em grupo e simulações são estratégias diferentes para que o aluno mostre que absorveu o conteúdo, sem a mesma pressão de provas.

Caso elas precisem ser feitas, é importante auxiliar os alunos a ter um ritmo produtivo: textos menos densos, linguagem clara, quebra nas informações e avaliações por partes são ideias úteis para uma estratégia de avaliação mais preparada para alunos com TDAH. Diminuir estímulos visuais e auditivos no ambiente evita a interrupção das atividades.

Qual o papel do professor em relação ao TDAH?

Os docentes têm um papel fundamental na desmistificação do TDAH e na inclusão dos alunos neuroatípicos no ambiente do ensino superior. Ao elaborar atividades para alunos com TDAH, eles oferecem oportunidade para difusão de conhecimento e incentivam outros docentes e coordenadores a fazer o mesmo.

Estratégias pedagógicas para alunos com TDAH

Tornar a sala de aula, remota ou presencial, mais receptiva não é uma tarefa complexa. Com algumas adaptações ao plano de aula e objetivos de aprendizado, todos podem obter mais conhecimento daquele conteúdo.

Como os alunos com TDAH demonstram dificuldade em se lembrar de datas e obrigações, vale colocar em prática um calendário bem direcionado e relembrar com antecedência as datas de entrega das atividades. Docentes que estabelecem um cronograma do semestre ajudam e muito a evitar o desgaste.

Também vale a pena repensar a comunicação. Como a dificuldade em se “prender” no assunto é recorrente no TDAH, textos mais claros e diretos estabelecem um canal de comunicação muito mais rentável entre aluno e professor.

Esses alunos também se beneficiam de variedade, por conta de sua busca por estímulos. Um ensino multimídia, por exemplo, é uma estratégia pedagógica interessante, já que permite que o mesmo tema seja visto sob diferentes meios e óticas.

Incentivar o aluno e oferecer feedbacks também têm enormes ganhos na aprendizagem. A falta de controle emocional faz com que o TDAH leve a desânimo e falta de interesse caso o desempenho seja abaixo do esperado. Se o docente incentiva o empenho, ao invés de focar em notas ou performance, acaba auxiliando a desenvolver autoestima para o aluno enfrentar futuras dificuldades.

Outro ponto importante é a inserção da tecnologia em sala de aula. Um aluno poder fotografar ou filmar a aula, por exemplo, ajuda a ter mais tempo para absorver o conteúdo depois. Um aluno que se distrai facilmente com estímulos pode ficar mais focado se puder escutar uma música enquanto trabalha. 

Contrariando os mitos em relação ao TDAH

Na sociedade, ainda existe muita desinformação em torno do transtorno. Em alguns setores, acredita-se que os alunos são apenas preguiçosos e desmotivados. Mas a verdade é que os processos cognitivos fazem com que o conteúdo seja captado e reproduzido de forma diferente.

Respeitar as diferenças no ensino e na aprendizagem é uma forma de o professor mover o diálogo em torno do TDAH para o acolhimento dos alunos e a inovação nas estratégias de ensino.

Como promover inclusão e diversidade no ensino superior?

Para que o ambiente acadêmico seja mais proveitoso e gere cada vez mais conhecimento, é importante dar espaço para uma diversidade de vozes e experiências. O ensino superior brasileiro ainda é desigual e contempla poucas pessoas.

Mas com a inovação e a implantação de diferentes ferramentas e metodologias de aprendizagem, cada vez mais as IES se tornam aliadas na inclusão e na criação de um desenvolvimento sociocultural e científico de qualidade e pluralidade.

Esperamos que você tenha aproveitado este conteúdo e já esteja trabalhando em atividades para alunos com TDAH em sua IES! Aproveite para ver mais dicas sobre inclusão com o nosso artigo sobre atividades para alunos com Dislexia.

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