Você sabe como desenvolver a autonomia do aluno em sua IES? Descubra!

Confira as dicas que preparamos para desenvolver a autonomia do aluno em sua IES!
Autonomia do aluno: estudantes felizes

Termo ligado à ideia de liberdade, a autonomia do aluno é um dos pressupostos da educação voltada para seu, e da valorização de sua trajetória no ensino básico ou superior. Um estudante autônomo é capaz de criar o próprio caminho acadêmico, sentindo-se livre para escolher.

E o impacto disso vai além de sua perspectiva enquanto aluno, formando-o como profissional que atende demandas do mercado, com boa autoestima e capacidade de assumir responsabilidades. 

Não é possível fornecer autonomia a alguém. Ela é um processo que carece de compromisso individual, além dos estímulos externos, e uma construção diária.  

A visão do aluno como ser ativo traz para o campo educacional essa discussão tão rica, que contribui para a criação de uma educação libertadora, com foco principal nas relações que constroem o ensino e a aprendizagem.

No presente artigo, vamos apresentar um guia sobre o que é e como desenvolver a autonomia do aluno. A partir de nossas dicas e estratégias, você conseguirá alavancar os resultados acadêmicos de sua instituição de educação superior (IES) e formar alunos independentes e críticos.

Por que desenvolver a autonomia do aluno?

Se a educação, conduzida de maneira tradicional, também alcança objetivos relacionados ao desempenho dos alunos, porque trabalhar a autonomia? A resposta para essa pergunta possui muitas nuances, mas para compreendê-las precisamos nos questionar: a que custo estamos dispostos a ensinar?

O mundo, e consequentemente as relações, mudaram drasticamente ao longo dos anos, especialmente após a revolução industrial e a incorporação de tecnologias no dia a dia. Para o setor de ensino essas mudanças ficaram ainda mais visíveis. 

Um exemplo disso é a pandemia de covid-19, que tensiona a integração das IES com modelos híbridos e ensino superior a distância, mesmo que inicialmente isso não fizesse parte do planejamento das instituições. 

Além da necessidade de aprender e ensinar conceitos e questões técnicas, é preciso desenvolver habilidades que são extremamente necessárias no trabalho e na vida: as competências socioemocionais.

O aluno autônomo confia em sua capacidade de aprender e traçar os melhores caminhos para si mesmo. O papel de centralidade do aluno não apaga o brilho e função imprescindível dos professores, mas torna o estudante parceiro dos educadores no processo de construção do conhecimento — o que se observa, na verdade, é uma alteração do papel do professor na atualidade.

Quais são os benefícios da autonomia do aluno?

Dentre os benefícios da autonomia do aluno, podemos citar:

  1. A valorização de uma postura proativa;
  2. Maior capacidade e tranquilidade na resolução de problemas;
  3. Desenvolvimento de um pensamento mais crítico e contextual. 

A autonomia também propicia que o estudante libere sua criatividade, desenvolva vontade de colaborar e sinta-se atraído pela busca e construção do conhecimento e do saber.

A autonomia do estudante também implica na autonomia do professor. Uma proposta de ensino autônomo pede que quem guia seja comprometido com esse processo, e consequente colha os benefícios desse modo de pensar a educação

Em outras palavras: quem ensina também aprende. 

Como desenvolver a autonomia do aluno no ensino superior? 

O processo de desenvolvimento da autonomia das crianças é muito atrelado a algumas atividades como amarrar os próprios sapatos, organizar o material escolar, se alimentar sozinha… Mas como podemos estimular a autonomia de alunos jovens e adultos, com contextos educacionais e familiares tão diferentes uns dos outros? 

Assim como ocorre no processo das crianças, é preciso criar métodos e ambiente favoráveis ao comportamento e pensamento autônomo. 

Elencamos três pontos essenciais para que o aluno do ensino superior consiga caminhar dentro de uma proposta pedagógica autônoma. Eles são de fácil aplicação, e podem ser incorporados às práticas da sua IES. Confira! 

1. Atenção à sala de aula e atividades

O ambiente da sala de aula, seja virtual ou físico, precisa ser pensado para estimular a autonomia dos estudantes. O primeiro passo é direcionar a fala, as aulas e atividades de forma acolhedora. 

Promover envolvimento e identificação é essencial para possibilitar o processo de ensino aprendizagem em uma perspectiva autônoma. Entre as alterações em um ambiente físico é possível citar a organização das carteiras, a forma de exposição do conteúdo, entre outras. 

Uma estratégia que permeia os ambientes físico e virtual é investir na estruturação dos momentos da aula. É um excelente caminho criar espaços para debates, exposição de dúvidas, trocas de experiências, e outras formas de aprendizagem fora da padronização de uma aula expositiva.

Além disso, é preciso estimular a leitura, até mesmo com a aplicação da sala de aula invertida, para que o trabalho realizado na IES possa ser multiplicado a partir da pesquisa, estudo e curiosidade do estudante. 

2. Atenção à individualidade do aluno

A autonomia passa pela percepção e valorização da individualidade do aluno. É preciso buscar a melhor forma de engajar as turmas, sem deixar de considerar a gama de indivíduos com vivências diferentes. 

O estímulo à pesquisa como forma de sanar a curiosidade é uma das maneiras de estimular a autonomia. Uma dica interessante é pedir ao aluno que relacione o conteúdo das aulas a algo de seu interesse, como uma série, filme, banda, atividade, hobby, etc. Inclusive, este é um dos pressupostos da aprendizagem significativa.

Não basta apenas designar essas tarefas, mas valorizar cada trabalho desenvolvido e criar momentos para o compartilhamento de experiências, como forma de potencializar a união dessas perspectivas individuais. 

Outra forma de reconhecer as experiências de cada um é pedir que busquem notícias ou acontecimentos que se relacionem com o assunto, e que apresentem uma opinião pessoal sobre o tema.

Essas são apenas algumas sugestões, mas se você quiser estimular ainda mais o comportamento autônomo é possível pedir aos alunos que participem de decisões que impactem no seu dia a dia, como horários, divisão dos pontos por atividades, proposição de tarefas, etc.

A promoção da individualidade — e, por consequência, a autonomia do aluno — também se beneficia muito da personalização do ensino.

3. Atenção à autorreflexão 

A autonomia está diretamente relacionada com a autoestima, capacidade de assumir responsabilidades e de agir diante de problemas e desafios. Para alcançar a autonomia é preciso passar por um processo de autoconhecimento.

Nas instituições de educação superior é preciso criar situações para que os estudantes possam refletir sobre o próprio comportamento e seus posicionamentos diante da formação, e da vida, de forma geral.

A cultura de fornecer feedbacks auxilia muito nesse caminho. É uma forma de demonstrar o cuidado da instituição com seus alunos, enquanto estimula a trajetória de melhoria crescente dos estudantes. 

Muitas pessoas têm dificuldade de encarar os pontos de melhoria, porque não estão familiarizados a receber feedbacks que indicam um caminho de evolução. 

Para além das críticas que nada constroem, é preciso criar espaços seguros para que os estudantes ouçam e compartilhem opiniões. Eventuais feedbacks não podem ser considerados falhas do aluno, mas sim pontos de refinamento em seu processo de formação.

Além disso, é possível criar momentos de autoavaliação do aluno. O processo guiado pode ser uma estratégia interessante para conduzi-los, já que alguns deles podem ter dificuldade de refletir sobre sua performance de forma espontânea. 

Como as metodologias ativas desenvolvem a autonomia do aluno? 

As metodologias ativas são voltadas para o fortalecimento do protagonismo do estudante, revertendo a ideia equivocada de que esses sujeitos são passivos e apenas recebem o conhecimento pronto que vem dos professores. 

É comum também que se trabalhe as metodologias ativas por meio de tecnologias digitais, para promover facilidade de acesso à informação e participação com postura ativa. A ideia das metodologias ativas é despertar a curiosidade e envolver o estudante com o processo de construção do conhecimento.

Essas metodologias auxiliam no desenvolvimento das soft skills, que são aquelas habilidades relacionais, ligadas às interações com o outro. Isso também tem impacto direto na capacidade de refletir sobre as próprias ações e emoções. 

A resolução de problemas, modos mais saudáveis de trabalhar em grupo, capacidade de desenvolver projetos autênticos e pensar fora da caixa são habilidades adquiridas a partir do processo de busca pela autonomia, com ajuda de métodos como gamificação, aprendizagem entre pares, cultura maker, entre outros.

Audiolivro Metodologias Ativas: Clique para baixar!

Como funciona a autonomia do aluno na EaD? 

No caso daqueles que estão cumprindo a formação na modalidade educação a distância (EaD), a autonomia do aluno é um pressuposto? De forma nenhuma! 

A formação autônoma, tanto nas modalidades presenciais quanto na EaD, é parte de atividades, incentivo e comportamento alinhado com o objetivo de promover essa emancipação dos estudantes. 

Obviamente, algumas particularidades da EaD facilitam a formação autônoma. Mas caso a instituição não se empenhe em promover um ensino alinhado a essa premissa, é possível que os estudantes se sintam apenas desamparados. 

O fortalecimento da autonomia não surge do abandono. Muito pelo contrário: o papel dos educadores tem que ser muito bem feito para que o aluno assuma essa postura. Saber a hora e o modo de intervir é parte desse trabalho. 

O interessante é que, no caso da EaD, existem várias ferramentas que podem ser empregadas para auxiliar nesse processo. Seja na escolha da proporção de atividades individuais ou coletivas, na quantidade de ferramentas síncronas e assíncronas, e nas soluções digitais. 

O aprendizado para a organização da rotina do aluno (através, por exemplo, de técnicas de gestão do tempo) pode fazer parte da grade curricular. Isso faz com que ele consiga entender suas necessidades e disponibilidade no dia a dia, o que beneficia o processo de criação de autonomia do aluno. 

O ponto essencial da autonomia é a reflexividade, e isso pode ser alcançado tanto na educação a distância quanto nas modalidades presencial e semipresencial. A IES propicia momentos para tal, mas é a postura individual dos alunos que garante a construção de uma postura autônoma. 

É preciso estar disposto a incorporar as mudanças necessárias na rotina para que a gestão do tempo seja eficaz, e isso envolve o interesse pessoal e uma boa dose de disciplina, que pode ser estimulada na educação superior. 

Como ocorre o desenvolvimento de competências socioemocionais? 

O ensino superior tem compromisso com a formação técnica do estudante, mas não apenas isso. É preciso desenvolver habilidades que vão além daquelas práticas e cognitivas. O objetivo das competências socioemocionais é auxiliar os futuros profissionais a saber o melhor modo de resolver problemas que vão surgir em sua trajetória. 

Isso é decisivo para que os estudantes se tornem pessoas empáticas, críticas, colaborativas, com inteligência emocional para a resolução de conflitos, capazes de assumir responsabilidades e agir de maneira autônoma.

Se engana quem acredita que a autonomia não beneficia o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Só conseguimos nos relacionar bem com os outros quando detemos conhecimento sobre nós mesmos, e compreendemos o modo como agimos e reagimos aos estímulos externos.

A autonomia não isola o sujeito — muito pelo contrário! O sucesso das relações de sujeitos autônomos pode ser até maior, já que os envolvidos possuem maior compreensão sobre seu papel e o papel do outro, o que leva ao desenvolvimento das soft skills necessárias para manter bons relacionamentos, sejam pessoais, profissionais ou acadêmicos. 

É importante lembrar que o desenvolvimento das habilidades socioemocionais está diretamente conectado às vivências dos estudantes, suas experiências pessoais, e como isso se manifesta nos ambientes em que atua — é a ideia da aprendizagem experiencial.

A aplicação de uma educação significativa é um passo fundamental para que cada um possa, a seu modo, desenvolver as habilidades necessárias para criar boas relações com o conhecimento e com as pessoas. 

Conclusão

A autonomia é uma prática reforçada pelas atividades e rotinas estabelecidas pelo sujeito, seja no papel de estudante, de profissional, ou até mesmo nas suas vivências pessoais. O comportamento autônomo pode ser conquistado com a ajuda da IES.

Tanto as mudanças no ambiente físico, quanto nos métodos empregados em sala de aula, podem ser essenciais para virar a chave da importância de estabelecer mais autonomia, e até mesmo promover a autorregulação da aprendizagem

O compromisso individual é essencial nesse contexto, e ter um meio acolhedor, que dispõe de ferramentas para estimular esse comportamento, pode ser o diferencial que seu aluno precisa para alavancar suas habilidades. 

Ser o protagonista no processo de melhoria promove maior autoestima do aluno, e reforça sua capacidade de superar desafios, adquirir novas competências, e aperfeiçoar aquelas que já faziam parte do seu dia a dia.

Que tal dar um passo adiante na promoção de maior autonomia do aluno e conferir nosso outro conteúdo sobre ferramentas de metodologias ativas?

Você também pode gostar

Curso de Direito EaD?
A Saraiva Educação preparou várias trilhas de aprendizado explicar como implementar na sua IES.

Artigos em destaque

Inscreva-se em nossa newsletter e receba nossos conteúdos em primeira mão!

Deseja manter-se sempre atualizado? Receba quinzenalmente uma seleção de materiais sobre a educação superior — é só informar seu melhor endereço de e-mail!