O futuro do profissional do Direito: três profissionais sorrindo e usando o computador

Descubra qual é o futuro do profissional do Direito associado às novas tecnologias e inovações

Em 15 de abril de 2021, a Saraiva Educação produziu o webinário sobre o futuro do profissional do Direito associado às novas tecnologias e inovações. 

O webinário contou com a presença do Professor Murilo Angeli dos Santos, Professor universitário, advogado especialista em Direito Educacional, consultor para negócios educacionais e inovação acadêmica da Saraiva Educação. O Professor lecionou em IES públicas e  privadas, em disciplinas presenciais e no Ensino a Distância (EaD)

O outro convidado do webinário foi Alexandre Salim. Ele é Promotor de Justiça no Rio Grande do Sul. Ex-Delegado de Polícia no Rio Grande do Sul. Doutor em Direito pela Universidade de Roma Tre. Mestre em Direito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Especialista em Teoria Geral do Processo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). 

A mediação foi feita por Ana Paula Matos, responsável pela área de soluções digitais da Saraiva Educação. 

Trouxemos os principais pontos do webinário para o artigo de hoje! Continue a leitura e confira abaixo o webinário na íntegra: 

Como o aluno pode se beneficiar com soluções inovadoras como a DONS? 

Murilo Angeli: Cada vez mais os profissionais da área jurídica precisam da tecnologia para entregar as tarefas de forma segura, rápida e eficaz. Por meio das ferramentas tecnológicas é possível alcançar uma expertise maior em tais tarefas. 

Apesar disso, um curso como o de Direito possui uma tendência a preferir caminhar de forma mais tradicional. Por isso, como professor, às vezes possuímos dificuldades em trazer novas metodologias de ensino. 

Entretanto, o universo jurídico demanda um uso de ferramentas cada vez maior. O Código de Processo Civil de 2015, por exemplo, apresenta a palavra “dados”, o que significa que o profissional de Direito deve ser capaz de lidar com a tecnologia. 

A jurimetria também diz respeito ao uso de dados. Inclusive, na profissão do advogado, a expectativa do cliente é sobre a probabilidade de deferimento dos pedidos. Assim, é preciso que o profissional do Direito saiba lidar com a análise de dados para um bom desempenho.

Nesse sentido, é importante destacar que recentemente o Conselho Nacional de Educação incluiu nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Direito a obrigatoriedade do ensino da disciplina de Direito Digital. Ou seja, a tecnologia educacional é vista como um elemento chave na educação superior. 

Assim, o lançamento de DONS traz a possibilidade de novos meios para a educação jurídica no Brasil. 

Como os profissionais de Direito têm sido impactados pelas inovações trazidas pela tecnologia, incluindo a rotina no Ministério Público? 

Alexandre Salim: A transformação tem sido gigantesca. O processo de virtualização das audiências foi acelerado com o advento da pandemia e é um caminho sem volta. Atualmente, o processo é completamente eletrônico, o que exige uma adaptação de todo o corpo profissional. 

Como exemplos, temos as precatórias, intimações através do WhatsApp e as audiências de justificação. Para todos eles, o uso da tecnologia permite redução de custos e de riscos, tornando o processo mais eficaz. 

Além disso, pensando nas mudanças trazidas, o docente do curso de Direito também precisa se adaptar. Atualmente, é necessário ensinar aos alunos como acessar sistemas e programas virtuais. 

Por fim, o advento da tecnologia também foi responsável pelo aumento de crimes virtuais. A rotina do Ministério Público agora inclui lidar com fraudes eletrônicas, o que evidencia a necessidade de adaptação e atualização dos operadores do Direito.  

Leia também: O que são, para que servem e como aplicar as TICs na educação

Quais são as competências e habilidades que o profissional atual precisa desenvolver para acompanhar as evoluções?


Murilo Angeli: No Direito, o profissional é um eterno estudante. As fontes do Direito são fontes mutáveis, não somente em relação à matéria, mas em relação às interpretações. O direito é uma ciência social aplicada e, por isso, os profissionais da área devem sempre se atualizar. 

Pensando nisso, os alunos da graduação em Direito necessitam desenvolver o letramento digital. É por meio dessa competência que os discentes serão capazes de acompanhar as inovações e lidar com a tecnologia. 

Ainda, um bom profissional precisa conhecer as ferramentas da profissão. A principal ferramenta do Direito é a língua portuguesa – a palavra escrita e verbalizada. Além da língua portuguesa, é preciso conhecer as ferramentas tecnológicas, pois elas são meios fundamentais para a atuação profissional.

Como o Direito Digital deve ser ensinado? 


Murilo Angeli: As ferramentas tecnológicas precisam estar presentes durante a graduação, na educação continuada e na vida profissional. Assim, ao longo do curso o aluno já deve se habituar às novas ferramentas.

Sobre o Direito digital, existem conteúdos específicos a serem estudados na graduação.  Do ponto de vista da legislação, podemos citar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o Marco Civil da Internet, como exemplos. 

A principal forma de garantir o aprendizado é assegurar que as ferramentas tecnológicas aparecem a todo momento e que os alunos concluam o curso capacitados para a utilização delas. Mais do que saber a lei decorada, aprender Direito também é aprender a pensar o Direito, o que é facilitado pelo uso da tecnologia. Dessa forma, não importa a matéria, é preciso aliar o uso das ferramentas digitais em todo o ensino. 

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Houve aumento da produtividade no Ministério Público com o uso da tecnologia? 

Alexandre Salim: A produtividade aumentou muito! Os dados hoje demonstram que não somente o Ministério Público, mas também o Poder Judiciário estão produzindo muito mais no ambiente virtual. Os horários, audiências e profissionais se adaptaram às inovações, fazendo com que os procedimentos estejam cada vez mais céleres. 

Como deve ser o perfil do professor de Direito na preparação dos discentes para as inovações e tecnologias? 


Murilo Angeli: Antes do isolamento social, era possível perceber no ambiente acadêmico alguns colegas com certa resistência à tecnologia. Entretanto, após o advento da pandemia não restou outra opção senão a adaptação.

Assim, todo tipo de tecnologia que permite a interação entre alunos e professores é bem-vinda no ambiente educacional. Além dessa interação, as tecnologias também precisam permitir o contato de estudantes entre si, o que favorece o aprendizado entre pares, e o contato de alunos com conteúdos. 

Desse modo, as soluções tecnológicas devem servir como repositório de conteúdos e fontes de pesquisa para os discentes. Nesse sentido, a adoção de uma biblioteca digital de Direito na IES é fundamental.

Além disso, os ambientes virtuais de aprendizagem precisam ser muito interativos e promover a autonomia do estudante. É a partir do uso constante da tecnologia que o aluno desenvolve o letramento digital. 

Leia também: Guia completo para a aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Considerando a diferença entre o comportamento do advogado em audiências físicas e presenciais, a forma de ensinar o estudante de Direito deve mudar? 


Alexandre Salim: Sim! Considerando as mudanças tecnológicas, todos os profissionais do Direito precisam aprender a ética digital. A pandemia acelerou o processo de virtualização e operadores do Direito precisam adaptar o comportamento durante atos judiciais 

Dessa forma, aliado ao ensino com novas tecnologias, o docente deve ensinar habilidades comportamentais para garantir a formação completa dos alunos. Ainda, é importante ressaltar que a ética virtual também é necessária para os ambientes de aprendizagem. 

Além disso, é papel da IES fornecer uma biblioteca digital de qualidade, com conteúdo filtrado e atualizado. Assim, a instituição evita a desinformação gerada por materiais sem procedência disponíveis na internet. 

As ferramentas de Tecnologia da Informação, quando estruturadas para otimizar o processo de ensino-aprendizagem, podem favorecer a inserção precoce do estudante no mundo real? 

Murilo Angeli: Sim! A tecnologia é o meio, a relação teoria e prática é o objetivo esperado. Por meio da tecnologia, a relação entre teoria e prática é fortalecida. Problemas jurídicos e audiências simuladas são alguns exemplos de como o estudante pode ser inserido no mundo real com a utilização da tecnologia. 

A interação virtual é responsável pela melhora da qualidade do ensino. Nesse sentido, a IES e os docentes devem possibilitar 3 momentos de aprendizagem para que a educação seja completa. São eles: 

Pré-aula  

No primeiro momento, o professor deve aproximar os conceitos que serão trabalhados. Para tanto, os alunos podem realizar leituras preliminares e se familiarizar com os assuntos que serão abordados durante a aula. 

Aula

É durante a aula que o estudante pode esclarecer suas dúvidas, formulando perguntas acerca do conteúdo estudado. 

Pós-aula

Na última etapa, o aluno aprofunda o conteúdo aprendido. Para isso, ele pode fazer leituras complementares, assistir vídeos, fazer exercícios etc. 

Com uma educação que se baseia nos três momentos apresentados, o ciclo de aprendizagem se completa. Ainda, o professor desempenha um importante papel de tutor e de curador do conteúdo. Nesse sentido, a utilização da tecnologia facilita o processo e desenvolve a autonomia dos estudantes. 

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Como é o rendimento dos alunos no ambiente virtual? 

Alexandre Salim: Sobre o rendimento dos alunos, professores e discentes precisam se dedicar mais para garantir o bom funcionamento do ambiente. O professor deve ensinar para os estudantes qual é o caminho da pesquisa, e guiá-lo durante as atividades, garantindo um rendimento satisfatório. 

Para tanto, o professor precisa se atualizar constantemente e se preparar para as aulas. Já o aluno, deve saber administrar a autonomia permitida pelo ambiente virtual e aproveitar o momento de interação com os docentes. 

Após entender como será o futuro do profissional do Direito associado às novas tecnologias e inovações, que tal conhecer melhor a nova solução da Saraiva Educação: DONS?

EAD em tempos de isolamento social

Como aproveitar estratégias EaD em tempos de isolamento social?

A especialista Carolina Costa Cavalcanti, autora da Saraiva, comenta como gestores, coordenadores e professores de instituições de ensino superior podem aproveitar o momento para incluir o digital.

Com a disparada de casos de Coronavírus pelo mundo, alunos da educação básica e do ensino superior de repente se viram em casa. Metade dos estudantes do planeta está sem aulas, segundo estimativas da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). Em paralelo, coordenadores e professores tentam se planejar em meio ao contexto inesperado, sem prejudicar o ano letivo.

Instituições passaram, quase que forçadamente, a olhar para o digital. “Paciência e boa comunicação são aspectos fundamentais”, afirma Carolina Costa Cavalcanti, que é docente, autora da Saraiva e consultora em educação digital, metodologias inov-ativas de aprendizagem e design thinking. “Tanto os professores quanto os alunos precisam estar dispostos a aprender nesse momento, uma vez que vão passar pelo isolamento social e, em casa, podem acessar cursos, materiais e conteúdos que apoiem nesse processo. Além de, lógico, avaliar os resultados obtidos.”

Ela compartilhou recomendações e boas práticas para gestores de faculdades e universidades por meio de uma conversa pelo aplicativo de mensagens WhatsApp (para ficarmos todos em casa).

Saraiva Educação: Com os últimos acontecimentos sobre o Coronavírus, muitas faculdades suspenderam aulas e têm buscado o online como uma alternativa. Que recomendações você dá para os gestores dessas instituições que querem incluir modelos a distância durante esse período de isolamento?

Carolina Costa Cavalcanti: Vivemos momentos únicos e, provavelmente, muitos de nós não imaginávamos que iríamos passar por essa circunstância. Pensando no ensino superior, sabemos que o desafio é realmente grande, uma vez que muitas universidades e faculdades fecharam as portas para oferta de aulas presenciais e agora buscam nas aulas online e na educação a distância, uma alternativa para se manterem ativas. Por onde começar? O primeiro passo é montar uma estratégia, com uso de ferramentas de videoconferência e que reúna tanto coordenadores de curso quanto pessoas da equipe de TI, para fazer um levantamento de práticas já existentes na instituição. Às vezes, existe um curso específico ou que tenha um modelo implementado, que já usa uma plataforma, já tem práticas de sucesso. Talvez esse seja o momento de entender como isso é feito e de reproduzir para os outros cursos. Também é possível que a equipe de TI esteja montando um sistema para ser lançado para toda a instituição, e isso pode ser um caminho. Muitas faculdades e universidades no Brasil adotam um modelo presencial, baseados nos 20% de EaD que a legislação vem, há algum tempo, estimulando o ensino superior a seguir.

Sabemos que há professores que, talvez, já tenham trabalhado com EaD e produzido disciplinas específicas nessa modalidade, enquanto outros podem não ter a mínima ideia do que fazer para começar. Para essas pessoas, eu diria que é bom ter uma plataforma, mesmo que depois sejam incorporadas nesse espaço virtual, outras ferramentas e recursos disponíveis na web. O Moodle, por exemplo, é uma plataforma de código aberto, gratuita, que poderia ser uma opção. Existem outras pagas que contam com suporte. O importante é ter esse espaço para centralizar todos os conteúdos e recursos.

Também é fundamental oferecer formação aos professores. Devido ao Coronavírus, muitas instituições educacionais e empresas disponibilizaram o acesso a cursos e conteúdos de forma gratuita. Assim, os gestores educacionais, ou até mesmo um grupo de professores, podem fazer uma curadoria de cursos online, vídeos, palestras que poderiam instrumentalizar o corpo docente da instituição para atuar em EaD. Isso é importante, especialmente para os professores que nunca tiveram contato com a educação online.

 “Por onde começar? O primeiro passo é montar uma estratégia, com uso de ferramentas de videoconferência e que reúna tanto coordenadores de curso quanto pessoas da equipe de TI, para fazer um levantamento de práticas já existentes na instituição.”

Saraiva Educação: Em muitas instituições, pode-se achar que a implementação de um modelo de ensino a distância é muito complexo para uma situação atípica e inesperada como essa. Existem meios de garantir boas experiências de ensino-aprendizagem com pouco, utilizando recursos simples? Que dicas você dá neste sentido?

Carolina Costa Cavalcanti: Muitos gestores educacionais e professores podem estar pensando: “nossa, agora vamos precisar migrar para o online porque não sabemos quanto tempo ficaremos afastados da sala de aula presencial. Como vamos conseguir garantir boas experiências de ensino-aprendizagem?”. Um bom passo é mapear quais recursos tecnológicos os alunos adotam e acessam. Grande parte deles já usa ferramentas muito úteis para a educação. Há o Google Docs, por meio do qual podemos propor a escrita colaborativa de textos. O Google Forms, que nos permite, por exemplo, criar questionários e depois compartilhar os resultados. Whatsapp, e-mail, YouTube, todos são ferramentas que esses alunos, provavelmente, já utilizam. Além disso, é importante que os professores sejam orientados a organizar um plano de ação, um modelo de aulas, com cronograma de atividades, e realmente entender como isso será conduzido para alcançar os objetivos de aprendizagem previamente delineados.

As expectativas desses professores precisam ser colocadas em perspectiva, no sentido de rever o que eles planejaram tratar em sala de aula e que deverá ser abordado de uma forma diferente. Eventualmente, será preciso deixar os materiais mais complexos, os conteúdos mais específicos, como os que demandam, por exemplo, experiências em laboratório, para quando realmente os alunos puderem estar presencialmente na faculdade. Logicamente, as instituições que já têm modelos de educação a distância implementados possuem grande vantagem, no sentido de terem materiais produzidos, atividades desenhadas, testadas, avaliadas; entretanto, é importante definir com os coordenadores e professores qual é o mínimo esperado dos alunos. E esse mínimo não quer dizer que vou fingir que estou dando aula. Mas com base nos conteúdos que preciso abordar, o que é realmente essencial, qual o principal que precisa ser tratado, e oferecer um suporte no sentido de ter um canal de comunicação aberto para apoiar o processo de aprendizagem.

Também sabemos que as empresas disponibilizaram o acesso às suas plataformas EaD e às ferramentas que permitem que o professor ministre aulas ao vivo, conduza webconferências, realize seminários, compartilhe textos e vídeos interativos com seus alunos.

Em resumo, diria que: um calendário muito simples de atividades, com explicações claras do que precisa ser lido, assistido, e, se possível, horários de atendimento marcados pelo professor, mesmo que seja pelo Whatsapp, são iniciativas fundamentais para os alunos não sentirem um distanciamento tão grande. Atividades que permitam que eles conversem entre si e construam conhecimento juntos são bem interessantes, mas simplicidade é o ponto.

Saraiva Educação: Como professores e alunos do 100% presencial podem se adaptar a esses modelos se estiverem tendo uma primeira experiência no online?

Carolina Costa Cavalcanti: Em primeiro lugar, é muito importante que exista uma comunicação transparente entre professores e alunos, porque assim as expectativas ficam alinhadas e o professor consegue se organizar. Ninguém se preparou para o que aconteceu, então não existiu a possibilidade de uma capacitação prévia, envolvendo profissionais da área de EaD, de aprendizagem em ambientes digitais. Se o aluno perceber que o professor e a instituição têm boa vontade em manter as aulas e avaliar de forma eficaz e propor atividades de aprendizagem significativas, com certeza eles também terão boa vontade e vão fazer a parte deles.

Para quem nunca atuou com a modalidade, talvez um grande desafio seja produzir conteúdo. O professor pode fazer uma boa curadoria de materiais já produzidos, de fontes fidedignas, e mandar aí para os alunos uma lista, de acordo com os tópicos que ele precisa abordar na disciplina e propondo que eles assistam vídeos, leiam textos, acessem sites e matérias jornalísticas. Depois, podem propor temas para a discussão em plataformas como Ambientes Virtuais de Aprendizagem, fóruns, chats, até mesmo redes sociais, como o Facebook.

É preciso deixar essa estrutura muito clara, com prazos estabelecidos, e que todos tenham paciência para os erros e para os acertos que vão ocorrer neste período. Um fator muito importante é que existam canais para compartilhar os sucessos em uma instituição. O que deu

certo em uma disciplina, no trabalho de um professor, pode inspirar outro no desafio de também atuar em ambientes digitais, especialmente aqueles que não têm essa experiência prévia. É preciso medir aquilo que deu certo, repetir o que foi bom e mudar o que precisa de ajuste. Paciência boa vontade e comunicação são aspectos fundamentais.

“Um bom passo é mapear quais recursos tecnológicos os alunos adotam e acessam”

Saraiva Educação: Como garantir a produtividade tanto do professor, quanto do aluno da modalidade a distância?

Carolina Costa Cavalcanti: Nesse momento, o envolvimento dos coordenadores de curso e dos gestores educacionais é fundamental. São eles que vão orquestrar as ações de mobilização do corpo docente e de acompanhamento dos alunos na entrada para o digital. Claro que as instituições que já atuam com EaD possuem toda a estrutura implementada, a exemplo de tutores formados e professores que produzem conteúdo e gravam videoaulas, e por isso elas têm uma fluência muito maior no uso das ferramentas. Mas no caso daquelas que ainda precisam desenvolver tal expertise – e há muitas nessa situação –, os coordenadores precisam estar muito próximos dos professores para desenhar em parceria a estratégia a ser adotada.

Analisar a necessidade, do ponto de vista de ferramentas tecnológicas, faz muita diferença de uma disciplina para outra. Às vezes, um professor da área de exatas, estatística, finanças, cálculo, vai precisar de ferramentas digitais, que são únicas para tratar seu conteúdo. Professores da área de biológicas podem propor trabalhar com laboratórios virtuais, que tenham encontrado em uma universidade pública, por exemplo. Por isso, precisam estar dispostos a ouvir as necessidades dos professores, a orientar e a acompanhar o processo de ensino-aprendizagem.

Reuniões semanais, com o uso de ferramentas de videoconferência, como Zoom, Skype, Google Hangouts, ou até mesmo, dependendo do número de professores, o Whatsapp, podem ser interessantes para ouvir quais são os desafios, as limitações, as atitudes e as reações dos alunos e professores frente ao novo desafio. Assim, podem trocar ideias, pensar em soluções e encontrar caminhos.

Finalmente, gestores educacionais e coordenadores de curso, precisam trabalhar em parceria com corpo docente e equipe técnica para garantir que os alunos tenham acesso a conteúdos de qualidade, a atividades que fazem sentido e que estejam articuladas à proposta pedagógica da instituição.

Saraiva Educação: De que forma as instituições de ensino podem utilizar essa experiência para repensar seus modelos de EaD ou até implementar a modalidade do zero, se ainda não tiverem cursos EaD?

Carolina Costa Cavalcanti: A decisão de uma instituição ofertar cursos na modalidade a distancia é única, e deve ser feita a partir de um bom estudo do que a IES é e do que deseja se tornar. Esse momento emergencial em que estamos recorrendo à educação online nos faz refletir. Se a sua instituição trabalha só no presencial, talvez seja o momento de pensar em iniciar pelo modelo híbrido, blended.

Por que não propor mais atividades pelo uso de recursos digitais, ferramentas e aplicativos? Plataformas, microconteúdos, microatividades, tudo isso realmente apoia o processo de aprendizagem. Então, é possível, a partir dessa experiência, até forçada para algumas instituições, desenhar estratégias para adotar o ensino híbrido. A legislação brasileira permite e propõe essa possibilidade. Um caminho é: optar, inicialmente, por esse modelo, explorá-lo e se, em algum momento, dentro da estratégia de crescimento da instituição em EaD, ele fizer sentido, seguir em frente com essa possibilidade.

Todo aprendizado desse momento deve ser aproveitado para implementar atividades online, ofertadas de maneira intercalada, possibilitando o engajamento dos alunos em diferentes ambientes, para que as experiências de aprendizagem sejam diversas, produtivas e relevantes.

 

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