Fotografia de uma mulher estudando utilizando o notebook.

O Direito e a educação a distância

A oferta de cursos de graduação na modalidade 100% EaD foi por muito tempo uma realidade distante. Desde 2009 o assunto é debatido pelas instituições de ensino, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério da Educação (MEC). 

A pandemia de covid-19 acelerou o debate, e conforme as visitas de autorização foram retomadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), as primeiras autorizações começam a surgir, na esteira de mais um ano de ensino remoto e híbrido

Deixo as polêmicas à parte pois o cenário está posto e é importante que os órgãos regulatórios se ocupem não apenas desta avaliação, mas também da fiscalização quanto à qualidade dos programas oferecidos. 

Do ponto de vista das instituições de educação superior (IES) o momento é de planejamento. Investir tempo em um projeto pedagógico sólido, que contemple todas as necessidades dos alunos e professores, envolvendo uma equipe multidisciplinar é um dos pilares para a atender aos requisitos exigidos. 

Escolhas que envolvem o uso das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) são apenas uma parte do processo quando o assunto é educação a distância. Por isso, modelos e metodologias inovadoras podem entregar resultados mais efetivos do que o investimento único em tecnologias de ponta. 

Quando idealizamos DONS, as Disciplinas Online Saraiva, pensamos em um projeto que resolvesse o mesmo problema que os especialistas da área jurídica debatem: como contribuir para que esses programas formem profissionais do Direito competentes e prontos para os desafios do futuro, em qualquer modalidade de ensino?

Metodologias ativas

Os modelos que se centram no aluno já não são novidade. Em todo caso, ainda é complexo implementá-los em cursos de Direito que ainda encontram barreiras para se modernizar. 

Por isso, entregar conteúdo que possa ser aplicado por meio da aprendizagem baseada em problemas e sala de aula invertida facilitam a sua implementação por professores e coordenadores pedagógicos que ainda possam ter dúvida sobre como fazê-lo. 

Aprendizagem significativa 

Nossos parceiros nos relatam, entre uma ou outra reunião, sobre a dificuldade em engajar alunos nas disciplinas propedêuticas, introdutórias ao curso. Mergulhadas na teoria e dotados de conceitos subjetivos, podem ser de difícil compreensão aos alunos ingressantes, podendo até contribuir para taxas de evasão. Além disso, mesmo as disciplinas especializadas da área podem enfrentar limitações para demonstrar ao aluno o quanto os conteúdos ministrados são aplicados à realidade. 

A verdadeira aprendizagem significativa é centrada no Construtivismo e pressupõe que o conhecimento é construído constantemente, de forma contextualizada, baseada em saberes prévios e coletivamente. 

Os conteúdos de DONS trazem casos, notícias e jurisprudências que ajudam o estudante a visualizar como aquele conteúdo está presente no exercício da profissão. E os mapas mentais animados oferecem uma visão ampla sobre a conexão entre os diversos temas dentro de uma disciplina.

Aprendizagem multimídia

De acordo com a Teoria da Aprendizagem Multimídia (Multimedia Learning), um campo do Cognitivismo, a combinação de palavras (faladas ou escritas) e imagens (estáticas ou dinâmicas, como um vídeo) favorecem o processo de aprendizagem, que ocorre quando uma informação é concretizada na memória de longo prazo.

Os objetos de aprendizagem de DONS são pautados nesta premissa, com conteúdos multiformatos que podem ser combinados e ordenados de forma flexível. 

Tecnologias educacionais

As dinâmicas de aulas síncronas e assíncronas podem ser implementadas com conteúdos que podem ser entregues no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), abarcados em atividades em grupo ou individuais, antes ou depois da aula, garantindo a autonomia do professor ao desenhar o melhor plano de aula para suas turmas, com o uso das TICs. 

Metodologia Saraiva

DONS aposta em um método que envolve três etapas principais. Na introdução ao conteúdo, um conjunto de objetos de aprendizagem contextualizam o estudante sobre o tema que ele aprenderá, suas conexões e saberes prévios necessários para a sua compreensão. 

Na segunda etapa, ocorre o momento de avaliação da aprendizagem, quando atividades interativas apoiam a autoavaliação do aluno. Acreditamos que avaliações, provas e perguntas são também poderosos instrumentos de estudo. 

E por fim, na etapa de aprofundamento do tema, o estudante é convidado a conhecer outros conteúdos complementares e a trabalhar em atividades individuais ou coletivas para colocar em prática o que aprendeu. 

Conteúdo multiformato

Apostar em diversidades de formatos de materiais em um programa EaD é uma forma de manter o engajamento da turma e exercitar diferentes habilidades como: interpretação de texto, exercícios de escrita, leitura, apreensão de ideias e diferentes pontos de vista, entre outras. Vale destacar o quanto também é preciso selecionar uma bibliografia de referência que conte com autores e doutrinadores plurais. Em DONS as disciplinas são baseadas no catálogo renomado da Saraiva Jur, referência em Direito no Brasil.  

Por fim, se você é um gestor de instituição de educação ou responsável pela EaD da sua universidade, meu conselho é: faça o curso a distância para o seu aluno e não para o MEC. O regulatório é importante, mas sabemos que não é a única “régua de qualidade” com que se possa contar.  

Sobre este artigo 

Para quem chega por aqui agora, aproveito a oportunidade para me apresentar: meu nome é Isabella Sanchez, sou especialista em Educação e Tecnologia aplicada à Educação pela Ufscar, com ênfase em Gestão da Educação a Distância e Produção e Uso de Tecnologia na Educação. Também sou formada em Letras pela USP e Comunicação Social (Jornalismo) pela Faculdade Cásper Líbero. 

Atualmente gerencio os times de conteúdo das soluções digitais da Saraiva Educação e dos conteúdos de doutrina do selo editorial Saraiva Jur. Produzimos materiais pedagógicos para instituições de ensino superior e livros de Direito para estudantes, professores e profissionais jurídicos. Saiba mais aqui!

Pretendo abordar aqui, periodicamente, os principais assuntos e reflexões sobre o universo da educação superior. Seja muito bem-vindo e volte sempre!

Experiência do aluno através do ensino com as mídias: fotorafia de uma estudante sentada à mesa e utilizando o computador.

Saiba como melhorar a experiência do aluno através do ensino com as mídias

Se por um lado não se pode negar que o acesso às novas tecnologias adentrou o ensino nos últimos anos, por outro lado tampouco se pode negar o grande impacto dessas ferramentas dentro do processo de ensino-aprendizagem. 

Em um mundo cada vez mais digital, o ensino através das mídias e novas tecnologias pode ter um efeito transformador dentro da sala de aula. Por isso, é fundamental reconhecê-las como facilitadoras do processo de ensino, motrizes de engajamento para o aluno e auxiliadoras do professor.

Neste artigo vamos falar sobre como as mídias associadas às novas tecnologias podem impulsionar a experiência de aprendizagem dos alunos e a rotina dos educadores.

Multimídia e novas tecnologias

O conceito de multimídia engloba a utilização de diferentes mídias, como áudios, animações e vídeos, que podem ser usadas simultaneamente às mídias tradicionais (texto, gráficos, tabelas) para transmitir informações e conteúdos. 

Esse conceito, apesar de antigo, ganha força no contexto digital, em que as mídias podem ser mais facilmente viabilizadas e utilizadas simultaneamente de forma interativa.

Novas tecnologias permitem de modo mais fácil relacionar esses elementos, comportando vídeos, podcasts, ebooks e até mesmo conectividade entre pessoas por meio de chats e reuniões. Permitem também usar a gamificação e personalização, utilizando elementos e estratégias de jogos, como pontuação, competitividade e lógica, e decisões baseadas no comportamento do usuário para personalizar a experiência de ensino.

Diferentemente de mídias impressas e eletrônicas unilaterais como a TV, rádio e cinema, as mídias digitais permitem que o usuário interaja em uma via de mão dupla, mais fortemente ou de uma forma diferente com o material objeto de estudo.

Impulsionando a experiência de aprendizagem do aluno

Mídias digitais podem explorar mais facilmente conceitos de gamificação, personalização e conectividade, potencializando o ato de consumir conteúdo em uma experiência de aprendizagem. Trabalhar com mídias digitais em sala de aula traz inúmeros benefícios para a experiência do aluno, dentre as quais podemos destacar a interatividade e motivação.

1. Interatividade: experiência de aprendizagem potencializada

Como abordado anteriormente, mídias digitais e novas tecnologias permitem um novo modo de interação do aluno com o conteúdo e com o processo de ensino-aprendizagem como um todo. 

Existem novas possibilidades de interação que antes não podiam ser exploradas e cada aluno pode interagir com as mídias de diferentes formas dentro do seu percurso de ensino-aprendizagem. Novas conexões e novos jeitos de aprender, para um novo aluno.

2. Motivação: engajamento e melhores resultados

A interação está ligada diretamente à motivação, principalmente quando pensamos na experiência e em um novo perfil de aluno. Da mesma maneira que as novas gerações possuem cada vez mais novas conexões e formas de acesso à informação, essa expectativa também se concretiza nos modos de aprender cada vez mais únicos.

Em outras palavras, estamos falando de engajamento. Um aluno mais motivado em interagir com o conteúdo irá consequentemente se engajar mais com o mesmo. Neste ponto, você já deve ter percebido o caminho natural entre promover maior interação e motivação e ter alunos mais engajados e consequentemente com melhores resultados. 

Mais do que oferecer uma experiência mais engajadora, essas ferramentas desempenham um papel relevante em uma das competências que serão exigidas do profissional do futuro. 

Ampliando as possibilidades dos educadores

A utilização de mídias digitais no processo educativo também otimiza a rotina dos educadores, ampliando sua possibilidade de atuação dentro do processo de ensino e reduzindo jornadas de tempo. Processos antes dificultosos de serem feitos podem ser facilmente executados ou o tempo de execução drasticamente reduzido. Novas possibilidades de exploração do conhecimento, didática e de interação surgem.

O aluno consome então os conteúdos em uma experiência mais dinâmica, diferente e personalizada, diferente do padrão de mero receptor de conteúdo e sim como atores do processo de aprendizagem, interagindo e sendo protagonistas mais ativos dentro do processo de ensino. 

É possível aplicar conceitos de sala de aula invertida e protagonismo. A correta exploração dessas ferramentas também reforça e amplia a qualidade do ensino, uma vez que uma nova didática surge e melhores resultados podem ser alçancados tanto pelo docente quanto pelo aluno.

Uma questão importante é organizar o trabalho pedagógico para que a tecnologia seja prevista e bem utilizada para contribuir para o processo. Essa nova visão também abarca uma nova visão sobre o sujeito que aprende e quais as melhores formas de ensinar e de se aprender, uma vez que as mídias digitais permitem explorar habilidades diversas construindo a competência e crescimento educacional do estudante e do docente.

Se ao mesmo tempo se pode esperar um processo de inclusão de digital e adaptação desse discente, é importante que o docente busque sempre conhecer as tecnologias e saiba que ferramentas podem auxiliá-lo em sua prática diária no que diz respeito a tendências e atualidades.

Afinal, contar com estudantes engajados em um processo de ensino de qualidade é um grande passo para garantir maior valor para a instituição de ensino, atraindo novos alunos e formando profissionais mais capacitados para o mercado de trabalho atual.

Leia também: guia completo para a aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Produção de conteúdo EaD: fotografia de uma mulher sorrindo enquanto estudo com um computador à sua frente e folheia livros.

Os desafios da produção de conteúdo EaD (e como superá-los)

Nos últimos anos a modalidade de ensino a distância recebeu mais atenção do que nunca. As matrículas em cursos do tipo já estavam em curva ascendente – houve um aumento de 45% em dois anos de acordo com o último Censo da Educação Superior (INEP) – e com o contexto pandêmico, o que caminhava a passos lentos, ganhou força e velocidade. O ensino remoto trouxe o alerta às instituições de educação superior que ainda não estavam preparadas para atender à demanda. Aquelas que já possuíam um sistema de gestão da EaD desenvolvido, saíram na frente.  

A modalidade é uma possibilidade de ensino-aprendizagem que pode ocorrer de forma síncrona ou assíncrona, com estudantes e docentes geograficamente distantes, mediados por tecnologia. Por apresentar particularidades, precisa ser pensada e planejada nos detalhes para conseguir bons resultados pedagógicos. Por esse motivo, a produção de conteúdo torna-se central.  

Desafios

As primeiras ondas da educação a distância enfrentavam limitadores tecnológicos e de infraestrutura. Nos anos 2000, por exemplo, o telepresencial ajudou a levar videoaulas a lugares remotos, sem internet. Tivemos avanços acelerados na área de educação e nos recursos tecnológicos disponíveis, com fibra óptica, dispositivos móveis, aplicativos diversos, inteligência artificial e realidade aumentada.

Porém, ainda predomina na EaD modelos de curso que contam apenas com conteúdo escrito, questões múltipla-escolha e tutoriais simples. O fator financeiro pesa, já que pode sim ser custoso produzir conteúdo de qualidade. Mas com uma infinidade de possibilidades gratuitas, é possível entregar mais com menos em termos de material para cursos a distância. 

Nesse sentido, esbarramos em outro desafio: a formação docente. Muitos professores ainda enfrentam dificuldades para preparar aulas e conteúdos. Nas IES que não contam com especialistas ou departamentos de educação a distância, por vezes a produção do conteúdo fica à cargo do docente, que se não estiver preparado para esse tipo de experiência de ensino, poderá deixar de aproveitar as possibilidades de criar materiais interessantes e adequados. 

A falta de literacia virtual e letramento digital são dois fatores limitantes para o planejamento de uma disciplina on-line que conte com os melhores recursos disponíveis. Imagine que um professor que não está acostumado nem a participar de chamadas de vídeo, poderá ter dificuldades para gravar uma videoaula sozinho de sua casa. Com a falta da habilidade, para o aluno, vai o resumo em PDF mesmo.  

Por fim, há o desafio do planejamento pedagógico que deve preceder a produção de conteúdo para EaD. Muitas instituições já contam com designers instrucionais, capazes de fazerem desenhos de cursos a distância que contem com os formatos de conteúdo mais adequados, que suportem as metodologias envolvidas, oferecendo uma experiência de aprendizagem bem sucedida. Quando não há esse tipo de preparação, o risco vai além de produzir conteúdos pouco interessantes, mas de investir mais do que o necessário em materiais que não serão relevantes nem para os estudantes, nem para os docentes.  

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A superação

Os pilares da produção de conteúdo educacional são pedagógicos, comunicacionais, tecnológicos e organizacionais. Ou seja, tudo começa em um bom projeto pedagógico de curso, que envolva bases teóricas sólidas e métodos assertivos, sempre levando em consideração as necessidades dos estudantes e as diretrizes curriculares. Os canais de comunicação garantem a conexão entre docente-turma e turma-docente, muitas vezes contando com um tutor qualificado para uma melhor mediação. Por fim, os recursos tecnológicos, financeiros e organizacionais completam a lista de ingredientes importantes para esse planejamento.  

Além disso, especialistas em gestão de projetos têm encorpado cada vez mais as equipes multidisciplinares responsáveis pela produção de conteúdo para EaD, garantindo a eficiência dos processos e atingimento dos objetivos. Como já foi dito, o designer instrucional é quem dá vida a uma matriz de curso, imaginando quais formatos de conteúdo podem ser mais adequados, em que ordem e seguindo quais padrões. Por fim, este grande planejamento integrado deve ser o mapa que guia a produção de conteúdo.  

A produção de mídias pode envolver o próprio corpo docente, terceiros contratados pela própria instituição de ensino ou até mesmo empresas especializadas (como a Saraiva Educação). Tudo vai depender das variáveis envolvidas neste plano. Ir pelo caminho mais simples e menos custoso é possível: a entrega de videoaulas de qualidade gravadas remotamente pelo computador ou celular já é realidade. Aplicações do Google Suite permitem o desenvolvimento de atividades colaborativas das mais diversas. Bancos de objetos de aprendizagem totalmente gratuitos são um excelente caminho, e o próprio professor pode fazer a curadoria em pesquisas pela internet.  

Por fim: entender profundamente quem é o aluno. Que tipo de infraestrutura ele dispõe em sua casa? Quantos anos têm? Vai acessar o curso pelo computador ou pelo celular? Ele prefere conteúdo escrito ou vídeo? Implementar esse tipo de pesquisa pode facilitar as decisões que envolvem conteúdo e garantir que os estudantes estarão sempre “presentes” ainda que virtualmente.  

Sobre este artigo  

Para quem chega por aqui agora, aproveito a oportunidade para me apresentar: meu nome é Isabella Sanchez, sou especialista em Educação e Tecnologia aplicada à Educação pela Ufscar, com ênfase em Gestão da Educação a Distância e Produção e Uso de Tecnologia na Educação. Também sou formada em Letras pela USP e Comunicação Social (Jornalismo) pela Faculdade Cásper Líbero.  

Atualmente gerencio os times de conteúdo das soluções digitais da Saraiva Educação e dos conteúdos de doutrina do selo editorial Saraiva Jur. Produzimos materiais pedagógicos para instituições de ensino superior e livros de Direito para estudantes, professores e profissionais jurídicos. Saiba mais aqui! 

Pretendo abordar aqui, periodicamente, os principais assuntos e reflexões sobre o universo da educação superior. Seja muito bem-vindo e volte sempre! 

Novas profissões do futuro exigem novas IES: saiba como ter uma instituição de educação superior inovadora

Há algumas semanas, estava refletindo sobre como os serviços e produtos se adaptaram às transformações tecnológicas nos últimos cinco anos. Creio que não podemos pensar somente nas formas de atração em vendas e consumo pela migração do marketing tradicional (mídias offline) para o marketing digital (mídias online), mas também refletir sobre o passado como previsão e, hoje, no presente, uma realidade.

Os taxistas jamais pensariam que o modelo de negócio de transporte particular habilitado, legalizado e licenciado por praças de atuação via localização, autonomia e comunicação estática iria ser atingido por modelos de transporte convencionais, flexíveis e administrados via aplicação móvel entre usuário, empresa gestora e condutor de veículo parceiro. Temos atualmente uma nova profissão de motoristas por aplicativos em escala, modularidade e granularidade no mercado.

A televisão, produto de comunicação audiovisual popular das massas, dependente de cadeia de sinal (analógica e/ou digital), possuía uma estrutura complexa de concessão para empresas emissoras de canais abertos ou fechados (por assinatura) e todo o complexo de licenciamento de difusão coordenada, gerida por espaços de programação não flexível, e não foi poupada pela internet e seus sites com repositórios de vídeos e aplicações inteligentes “on demand”.

A engenharia de produção para a fabricação de televisão foi obrigada a integrar novos recursos digitais e sistemas operacionais com aplicações/softwares integrados à internet, comandos de voz, telas de alta resolução em imagem e qualidade sonora para não se tornarem obsoletas diante dos notebooks, celulares e tablets, resultando em um novo produto, a Smart TV.

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E o trabalho?

As novas formatações de trabalho não passaram ilesas do processo de mudança social com a inovação e tecnologia nos últimos cinco anos. O local de trabalho coordenado em ambiente específico e inflexível mudou drasticamente o setor de serviços com novas abordagens de gestão de pessoas focadas em resultados e alta modelagem (processos produtivos), mediadas por ferramentas tecnológicas de sistemas de comunicação e informação, sistemas inteligentes de gestão, inteligência analítica de dados e processos, redes de computadores, dentre outras implementações que impactaram diretamente no futuro das carreiras e principalmente para as profissões do presente e futuro.

As carreiras e profissões em contínuo viés de inovação impactam cada dia mais as instituições de educação superior (IES) diante a sua função social. A revisão e adaptação curricular intermediadas por conteúdos inteligentes e alinhados ao mercado de trabalho devem ser a base da dinâmica didático-pedagógico instrumentalizada pela tecnologia. Estamos diante da nova pedagogia para a aprendizagem dos alunos, mesmo sob diversas críticas dos profissionais da educação.

O que fazer com o professor que em vez de analisar uma obra literária em tempo real com os alunos através da biblioteca e repositórios virtuais, ainda impõe a prática de direcioná-los a fotocopiadora para cópia de textos em papel ou bibliotecas físicas para empréstimo de livros com número limitado de obras?

Certamente, grande parte dos alunos irão optar pela conveniência tecnológica: utilizar o celular e navegar pelo Google, a fim de encontrar um texto ou um vídeo sintético sobre o conteúdo, independente da validação do professor. Esse tipo de prática pode proporcionar resultados positivos e negativos para o aluno, professor e IES, porém, é uma nova forma de aprender e qualificar o ensino, mesmo em processo de dualidade pedagógica.

Qual deve ser o posicionamento da IES?

As novas IES devem estar em evolução contínua com a experimentação hábil de inovações e tecnologias, bem como reformular as propostas didático-pedagógicas para a novas carreiras.

Nessa assertiva, alguns questionam como pode ser construída uma nova proposta de IES. Sabemos que, além de investimento financeiro em estrutura e recursos humanos, deve ser pensado um novo projeto.  Algumas organizações educacionais no país vêm implantando de forma progressiva novas metodologias, ferramentas e infraestrutura inteligente, tais como:

  • Desenvolvimento contínuo de ferramentas de ensino digitais em plataformas de aprendizagem;
  • Retirada progressiva dos conteúdos teóricos do papel e implementação da prática integrada;
  • Simulação de ambientes de trabalho nas áreas de conhecimento;
  • Qualificação docente para a gestão do conhecimento e gestor de informação para conteúdos disponíveis em soluções e repositórios científicos;
  • Fomento da multidisciplinaridade e transdisciplinaridade nas adaptações e novas profissões do futuro;
  • Condução da aprendizagem espontânea dos alunos (metodologias ativas) mediante resultados práticos;
  • Desenvolvimento de framework para solução de problemas (design thinking);
  • Espaço físico integrado interdisciplinar e sala de ideias;
  • Investimento em ferramentas tecnológicas como impressoras 3D, máquinas de diagnósticos, detectores e scanner de materiais, frisadoras eletrônicas, máquinas de corte computadorizadas inteligentes etc., além dos recursos e equipamentos obrigatórios exigidos nas diretrizes curriculares de curso;
  • Aplicação de laboratórios virtuais de alta performance em realidade e experimentos;
  • Salas de reunião, mesas de aplicação de ideias, soluções e conveniências para aprendizagem (coworking);

Superar o ensino atual centrado na sala de aula física ou do mero espaço virtual de conteúdos dirigido, sem o dinamismo dos professores, é um desafio. Apoiar a didática com docentes críticos do presente, apreciadores do passado e relutantes com as tendências futuras é também um obstáculo para formar novas carreiras e profissões.

Deve ser frustrante hoje dirigir o conteúdo de avaliação de desempenho em gestão de pessoas no ambiente do trabalho para os alunos sem saber visualizar o fenômeno e complexidades das rotinas de “home office” ou teletrabalho. Ainda, como manter um curso da área de tecnologia de informação (TI) sem aprofundar nos componentes curriculares as novas linguagens de programação promissoras, desenvolvimento do aprendizado de máquina (machine learning) e inteligência artificial?

São essas situações que revelam que as novas adaptações das carreiras no mercado de trabalho e a novas profissões também exigem novas IES e, certamente, novas performances de alunos e professores em nível de habilidades e competências para sanear o presente pensando em resultados futuros.

Assessoria de imprensa para instituições de ensino: fotografia de uma jornalista escrevendo em uma agenda enquanto utiliza o celular em um escritório.

Assessoria de Imprensa: uma aliada para as instituições de ensino superior (IES)

Muitas vezes o poder das matérias publicadas nos veículos de comunicação é subestimado pelas organizações. Algumas empresas pequenas acreditam que estar na mídia é algo que cabe apenas aos grandes empreendimentos.

Isto definitivamente é apenas uma crença e não corresponde à verdade. Qualquer atividade pode encontrar espaços jornalísticos nos mais diversos meios, dependendo da importância daquilo que têm para mostrar à sociedade.

Claro que neste perfil se encaixam também as instituições de ensino, quer sejam particulares ou públicas, de pequeno, médio ou grande porte. Todas podem conquistar o seu lugar ao sol, ou melhor, um lugar sob as luzes de uma reportagem bem feita.

O fato é que várias pessoas desconhecem o poder da imprensa a serviço da construção da imagem de uma organização e, por isso mesmo, deixam de aproveitar todo o seu potencial.

Qual o poder da imprensa

Quando uma empresa compra espaço de propaganda em qualquer veículo de comunicação, que pode ser o rádio, a TV, jornal, revista, site, blog, outdoor, entre outros, obviamente ela vai falar bem dos seus produtos e serviços.

Não conheço nenhuma organização que tenha anunciado algo como: “nosso produto não é muito bom, usamos tecnologia de antepenúltima geração, nossa assistência técnica é falha, nosso atendimento é péssimo, mas se você quiser nos dar o prazer de comprá-lo mesmo assim, será ótimo e ficaremos muito agradecidos”.

Isso não acontece. Quem anuncia sempre diz que oferece o melhor produto, utiliza tecnologia super moderna, presta um atendimento impecável e outras tantas informações positivas a seu respeito. O anunciante advoga em causa própria e o público tem consciência disso.

Não estou querendo dizer que a propaganda não funcione. Ao contrário. Ela tem muita importância no planejamento de comunicação integrada de todas as organizações. Mas o impacto do resultado da assessoria de imprensa é bem diferente e muito eficaz.

Quando uma reportagem é publicada em um jornal, por exemplo, o grande poder dela sobre o público pode ser comparado aos efeitos do product placement, que no Brasil é erroneamente confundido com merchandising.

Product placement, para entender na prática, é quando um ator de novela bebe um refrigerante no meio da cena e a marca da bebida é mostrada para o telespectador. E qual o efeito disso? É fantástico: quem está indiretamente indicando o refrigerante é um formador de opinião já consagrado pelo público em geral. A ideia é: “se o meu ídolo bebe, eu também quero beber”.

Voltando para a assessoria de imprensa, todas as vezes que se consegue a publicação de uma matéria em um jornal, não é a organização que comprou um espaço para falar bem dela, é o próprio veículo de comunicação quem está elogiando. O jornal é um formador de opinião com credibilidade que está dizendo que o produto é bom. Portanto, “se o jornal que eu respeito diz isso, eu acredito”.

Esse é o grande poder do trabalho conquistado pela assessoria de imprensa.

Como fazer assessoria de imprensa para instituições de ensino

O trabalho de assessoria de imprensa não é tudo igual?

Não exatamente. Cada tipo de assunto exige algumas alterações na forma de se trabalhar, porque cada notícia é tratada de maneira diferente dependendo da editoria e do veículo.

Por exemplo: na editoria de esportes o mais importante são os esportistas que são adorados pelos torcedores; na editoria de cidades os destaques ficam por conta dos acontecimentos e do impacto deles sobre os cidadãos; na editoria de política o mais relevante é obter depoimentos de quem está à frente dos poderes públicos.

E na educação, como esse processo funciona? É o que eu vou detalhar na sequência.

Nas editorias de educação, alguns aspectos são mais relevantes para serem abordados nos materiais encaminhados à imprensa:

  • Iniciativas pioneiras
  • Projetos bem sucedidos
  • Ações de envolvimento com a comunidade

Entre as iniciativas pioneiras, podem estar uma forma diferenciada de parceria com alguma empresa que permitiu ampliar os laboratórios da instituição de ensino; a organização de um mutirão com a presença das famílias dos estudantes; uma metodologia de ensino que gera enorme envolvimento e aprendizado dos alunos; projetos desenvolvidos pessoalmente por algum professor que podem ser capitalizados pela institição; e várias outras possibilidades.

No caso de projetos bem-sucedidos, pode-se divulgar ações para desenvolver talentos entre os alunos; a conclusão de uma pesquisa que irá beneficiar a sociedade; a realização de um festival de música e arte; a abertura de algumas disciplinas transformadas em oficinas comunitárias; etc.

Quando pensamos em ações de envolvimento com a comunidade, pode-se abordar uma campanha de arrecadação de mantimentos e agasalhos para necessitados; a abertura da instituição no final de semana para atividades programadas com alunos, pais e vizinhos; campanhas de vacinação e acompanhamento da saúde com medição de glicemia e pressão; ações conjuntas com o Ministério Público para aceleração de processos jurídicos, aconselhamento conjugal, fornecimento de documentos; entre muitos outros.

Todos esses temas, quando promovidos pela sua instituição de ensino, encontrarão uma boa receptividade junto aos mais diversos veículos de imprensa que, via de regra, não terão restrições para divulgar a ação e a instituição que está realizando.

Com isso, a imagem da sua organização ficará mais fortalecida, não apenas como um negócio movido a matrículas, mas envolvido com o desenvolvimento das pessoas e da sua região.

Números são sempre uma salvação

Além das alternativas anteriores, promova regularmente pesquisas internas, levante dados, crie estatísticas.

Procure associar esses estudos aos temas da atualidade. Por exemplo: se a discussão do momento é a pandemia provocada pelo covid-19, faça uma pesquisa sobre os impactos dela na vida dos alunos e de suas famílias.

Quando o tema mais falado na mídia for sobre transporte público, produza dados mostrando a locomoção dos seus alunos para irem de casa para a instituição de ensino, os diversos meios utilizados por eles para se deslocarem (ônibus, metrô, trem, bicicleta, skate, patinete, a pé) e como isso impacta na qualidade de vida e de aprendizagem.

A imprensa ama os números e as pesquisas. Melhor ainda quando você conseguir entregar para os jornalistas os dados da pesquisa acompanhados de um resumo em formato de infográfico. Sua instituição será adorada pelos profissionais que cobrem assuntos relacionados à educação.

Quais os ganhos para a instituição de ensino

Como eu disse no começo, o trabalho de assessoria de imprensa é muito importante porque são os veículos que estão falando bem da sua instituição.

É claro que outras ações de comunicação devem ser implementadas em paralelo à busca por espaços editoriais gratuitos, formando um conjunto de atividades que serão responsáveis por desenvolver o marketing institucional focado em imagem e também a atração de novos alunos para se matricularem.

Neste sentido, recomendo que você leia também os artigos “instituições de ensino: 3 momentos de envolvimento com o público” e “comunicação corporativa: como engajar alunos para melhorar a captação de matrículas”, disponíveis aqui no nosso blog da Saraiva.

O mais importante é você saber que a partir de um bom trabalho de assessoria de imprensa a sua instituição de ensino vai ganhar muito com o fortalecimento da imagem, a solidificação da reputação no mercado e com a atração de novos alunos.

Integração tecnológica na IES: fotografia de uma estudante à frente de um computador.

A importância da integração tecnológica na IES para a experiência do estudante

Se por um lado o contexto de pandemia acelerou algumas demandas, podemos dizer que com certeza também criou novas. Na educação, a integração tecnológica não foi uma demanda criada, mas sim acelerada, como alguns estudiosos apontam. 

Fato é que muitas instituições não estavam preparadas para absorver essa demanda neste cenário, mas é importante entender como driblar esses desafios para oferecer uma melhor experiência ao estudante.

A intermediação do ensino por tecnologias pode ser muito benéfica se bem aproveitada e vamos aqui falar sobre dicas para a otimização  desse trabalho de integração para a experiência do estudante, e a importância de olhar para o desempenho tecnológico e a integração das plataformas como um aliado do professor e da instituição. Vamos lá?

A importância de a IES contar com tecnologia de qualidade e um bom suporte tecnológico

Mais do que as diversas nomenclaturas de ensino, fato é que o uso de tecnologias passou a não ser escolha. A pandemia obrigou as instituições de ensino a enfrentarem os desafios da aprendizagem mais cedo. Mas, assim como trouxe desafios, também trouxe novas oportunidades. 

Hoje muito se fala na educação ou ensino intermediado pela tecnologia, por isso a importância de a IES contar com tecnologia de qualidade e um bom suporte tecnológico começa a ser pauta neste novo cenário emergente.

Vale ressaltar que quando falamos em tecnologia, não precisamos pensar muito longe. Inteligência artificial, ambientes simuladores e gamificação, por exemplo, permitem um benefício expandido da tecnologia, mas o próprio Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituição é também uma tecnologia. 

De um modo mais amplo, toda e qualquer tecnologia da informação e comunicação – as chamadas TICs –  podem ser utilizadas no processo de ensino-aprendizagem como aliadas.

Dentro e fora da educação, será cada vez mais difícil encontrar um ambiente que não use soluções tecnológicas em seus processos.  Para que essas ferramentas funcionem bem e os investimentos na área não sejam perdidos, é importante contar com tecnologia de qualidade e um bom suporte tecnológico. 

Isso não só assegura a disponibilidade, estabilidade e atualização da solução, como também garante apoio à proteção de dados, atendimento a chamados solucionando dúvidas e problemas e correção de problemas – evitando erros que comprometam a utilização, o desempenho e os resultados.

Como funcionam as integrações entre as plataformas?

Um ponto interessante para o uso de tecnologias é a integração de plataformas. Esse assunto pode ser pensado dentro da instituição de forma estratégica, garantindo vários benefícios para professores e alunos. 

Sabemos que há uma lacuna tecnológica emergente a ser preenchida, e quanto maior o número de plataformas diferentes, com regras e interações diferentes, maior será a dificuldade em lidar com todas elas. 

A integração entre plataformas vem para driblar esse desafio, uma vez que permite que um ambiente seja entendido como extensão do anterior e não como plataformas totalmente diferentes.

Uma instituição pode possuir diversas ferramentas integradas à seu AVA, por exemplo, de modo que se expanda as possibilidades do AVA, tanto para professores quanto para alunos, como também permite que a instituição e usuários gerenciem menor número de logins e acessos. 

A experiência também é mais fluida, uma vez que há transitoriedade entre as ferramentas. Na prática, plataformas integradas permitem o acesso uma dentro da outra, de modo que não seja necessário possuir dois acessos distintos para se acessar uma, e depois, em outro ambiente, outra. 

As plataformas integradas podem compartilhar todos ou quase todos os dados, a depender da integração – e também trocar informações entre si.

Integração entre plataformas: benefícios para os alunos

  • Maior possibilidades de conteúdos e interações diferentes de uma forma fluida: a experiência é mais fluida, uma vez que há transitoriedade entre as ferramentas.
  • Menor gerenciamento de acessos (logins): não é necessário possuir dois acessos distintos para se acessar uma, e depois, em outro ambiente, outra.
  • Experiência única e compartilhada: permite que um ambiente seja entendido como extensão do anterior e não como plataformas totalmente diferentes.

Integração entre plataformas: benefícios para os professores

  • Aumento da interatividade e engajamento dos alunos
  • Preserva autonomia do professor ao mesmo tempo que expande possibilidades
  • Centralização de diferentes recursos para o professor
  • Facilita a transitoriedade entre plataformas: sabemos que há uma lacuna tecnológica emergente a ser preenchida, e quanto maior o número de plataformas diferentes, com regras e interações diferentes, maior será a dificuldade em lidar com todas elas.

O novo perfil de aluno, além de possuir maior facilidade e adaptabilidade a diferentes tecnologias, agora busca ambientes mais dinâmicos e interativos. 

A integração entre plataformas, ao mesmo tempo que amplia as possibilidades de interação, ajuda a otimizar o engajamento dos alunos e do professores. 

Hoje, diversas soluções no mercado oferecem a possibilidade de integração com outros sistemas, principalmente com o Ambiente Virtual de Aprendizagem da instituições.

E aí, gostou desse conteúdo? Aproveite para conferir também o nosso artigo sobre a solução Disciplinas Online Saraiva (DONS)!

O professor como líder inovador: características da liderança inovadora nas Instituições de Ensino Superior (IES)

Já estamos vivendo no que vem sendo chamada de a 5ª revolução industrial ou Indústria / Sociedade 5.0, caracterizada principalmente por tecnologias inteligentes, onde homem e máquina trabalham em parceria para gerar inovações sustentáveis.

Em relação aos processos de transmissão de conhecimento nas Instituições de Ensino Superior (IES), infelizmente, a realidade parece estar mais próxima da 1ª revolução industrial, onde o protagonismo ainda parece ser do professor em vez do aluno.

Mas qual o papel do professor para atuar como líder inovador neste novo contexto? Quais são as mudanças comportamentais e culturais necessárias para desenvolver a liderança inovadora nas IES?

O desenvolvimento de competências do professor para assumir o papel de um líder inovador nas IES é fundamental para as instituições se adaptarem às mudanças do ambiente, com visão, missão e objetivos estratégicos claros, no sentido de que as coisas possam ser feitas de maneira diferente e melhor, gerando valor às partes interessadas (docentes, estudantes, membros da comunidade acadêmica, acionistas, mercado, fornecedores, sociedade, etc.) das IES.

Foco no aluno

Cinquenta anos atrás, quando cursei o ensino médio no Colégio Pedro II, no Centro do Rio de Janeiro, tive um exemplo simples e marcante do papel de líder de uma professora com foco no aluno, ou seja, procurava identificar e atender as necessidades do aluno.

Para os alunos que trabalhavam de dia e estudavam à noite, como no meu caso, a alternativa ao uso do uniforme tradicional era usar terno e gravata, sendo obrigatório vestir o paletó nas dependências do Colégio.

Sensível ao desconforto dos alunos, principalmente no verão Carioca, de ficar de paletó dentro da sala de aula, a professora permitiu que durante a aula dela deixássemos o paletó no encosto da carteira.

Durante uma inspeção de rotina, o chefe de disciplina observou que não estávamos usando paletó, e depois de pedir licença à professora para entrar na sala, mandou que vestíssemos o paletó.

A professora interveio frisando que havia permitido tal procedimento em função do calor dentro da sala, que continuássemos sem paletó na sala, e que estava dentro da autoridade em sala de aula decidir sobre o assunto.

Esse exemplo simples do papel da liderança do professor em relação a atender às necessidades do aluno ilustra o quanto precisamos avançar para que o aluno seja o protagonista do processo de aprendizado.

Ainda hoje vivemos o paradigma da transmissão hierárquica do conhecimento nas IES, onde o que deveria ser uma troca de conhecimento, acaba limitada pelo protagonismo do professor em detrimento do aluno.

Esse paradigma limita a criatividade e a inovação nos processos educacionais e pode ser rompido à medida que o professor incentive o aluno a ser protagonista de seu próprio aprendizado, com efetiva troca de conhecimento e cocriação de soluções diferentes, melhores, gerando valor dentro e no entorno das IES.

Leia também: guia completo para a aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Um dos elementos chave para enfrentar com eficácia esse desafio é a preparação e disposição da liderança para se adaptar bem às mudanças no ambiente das IES. Para sobreviver e evoluir neste contexto, torna-se fundamental o alinhamento estratégico institucional permanente e a adequação na escala e na vivência de valores pessoais e organizacionais, de modo a desenvolver novos comportamentos e uma cultura organizacional para inovação.

O foco no aluno é fundamental para o desenvolvimento da liderança inovadora do professor e deve se basear numa relação de confiança dentro e no entorno das IES.

Confiança é um valor guarda-chuva dos outros valores de inovação, e para fazer a inovação acontecer na vida do professor e no seu entorno é fundamental que este “fale” e “caminhe” inovando, pois as palavras desacompanhadas de ações perdem o sentido prático.

Para tal, entre outras características, deve-se procurar eliminar preconceitos, buscar a diversidade nas pessoas, apreciar o pensamento, a curiosidade e a criatividade de cada um, dando liberdade a todos para explorar novas formas de aprendizado. O professor como líder inovador deve ser capaz de:

  • Compartilhar seu sonho e paixão de realizar algo novo, sua visão de futuro desejado para a instituição, e estar preparado e disposto a apoiar as iniciativas dos alunos.
  • Expressar claramente a visão, a missão, os objetivos estratégicos, os valores da IES, vivenciar esses valores e estimular com isso o orgulho, respeito e confiança dos alunos.
  • Comunicar suas altas expectativas, utilizar símbolos para focar os esforços, expressar propósitos importantes de maneira simples.
  • Estimular a inteligência emocional e intelectual dos alunos, a troca de conhecimento dentro e no entorno da instituição, e o cuidado na solução dos problemas.
  • Ser acessível, não ter medo de trazer à tona as emoções para serem discutidas, dar atenção personalizada, praticando feedback para reforçar pontos fortes e superar pontos fracos.

Características da liderança inovadora nas IES

Desenvolver liderança inovadora nas IES não deve ser um objetivo em si, mas sim uma estratégia de desenvolvimento de liderança da instituição. Isso significa que deve haver uma visão, missão e objetivos estratégicos claros relacionados à necessidade de a instituição inovar / se renovar, em que todos na instituição devem “falar” e “caminhar” inovando, dando exemplo nas próprias ações do dia a dia de trabalho, e à medida que a inovação seja um valor compartilhado com as partes interessadas das IES.

Um fator crítico de sucesso da liderança inovadora nas IES está relacionado à  paixão e à visão de futuro desejada pela instituição e não à posição hierárquica que os líderes ocupam na instituição.

Brillo e Boonstra (2018) revelam como as organizações de sucesso implementam inovações sustentáveis e as características que líderes bem-sucedidos desenvolvem para fazer a inovação acontecer nas suas organizações.

A Figura a seguir ilustra essas características que podem servir para o desenvolvimento da liderança inovadora nas IES.

Características da liderança inovadora nas IES (adaptado de BRILLO, 2020)

Imagem com as características, descritas abaixo, do líder inovador. 

Visualização do futuro desejado

O futuro desejado pela liderança inovadora de uma IES deve estar relacionado à construção de uma base comum para sustentar as inovações, aos desafios ambiciosos, à clareza da missão e à sensibilidade para com a profundidade da mudança organizacional.

Ter uma visão clara e desafiadora pode fornecer a orientação necessária às pessoas e conectá-las com a visão e a estratégia da instituição, tornando-as mais preparadas e dispostas a experimentar práticas inovadoras.

A formulação da visão de futuro da instituição explicita o que a organização defende, como aprende, como se renova ou inova, e como utiliza suas competências distintas para agregar valor às partes interessadas.

Nas organizações onde se vivenciam a visão e os valores, a propaganda boca-a-boca é suficiente para difundi-los e os produtos/serviços da organização costumam ser comprados, não vendidos. Ter uma visão inspiradora e atraente se baseia numa imagem clara da identidade da IES e compreende os seguintes elementos:

  • Uma imagem idealizada ou um sonho que passa a ideia de o que a IES pode ser no futuro.
  • Uma fonte de autoestima e propósito comum que ajuda as pessoas a desenvolver um significado e um sentimento de pertencer a instituição.
  • A razão de existir da organização e o valor gerado às partes interessadas.
  • Os valores centrais influenciam o processo de tomada de decisão na organização e norteiam o relacionamento com as partes interessadas.
  • As competências com as quais a instituição conquista o mercado e se distingue de possíveis concorrentes.

Criação de comprometimento

Líderes inovadores nas IES devem assegurar que as pessoas diretamente envolvidas no processo de mudança participem efetivamente da transformação da instituição, buscando a contribuição de todas as pessoas

Trata-se do comprometimento das partes interessadas com a mudança, reduzindo as distâncias hierárquicas na instituição, criando coalizões sólidas para viabilizar a mudança e selando o compromisso das pessoas com os processos de mudança na instituição.

É de suma importância formar coalizões para abrir espaço para lidar com a diferença e a diversidade entre pessoas de diferentes origens e com competências complementares.

Líderes inovadores costumam ter visibilidade, são acessíveis, desapegados da hierarquia e têm foco no mercado. Geralmente questionam os valores, as normas e discutem os pressupostos básicos da organização, o que só se torna possível se existir proximidade e uma efetiva relação de confiança com as pessoas envolvidas na mudança.

Líderes inovadores devem buscar a contribuição de todas as pessoas nos processos de mudança das IES, que significa:

  • Reduzir as distâncias hierárquicas na organização, criando comprometimento e coalizões sólidas para viabilizar a mudança.
  • Construir relações de confiança, honrar as iniciativas das pessoas e ter a mente aberta para práticas inovadoras.
  • Ser acessível, aproveitar contatos informais para discussões estratégicas, reconhecer e celebrar os sucessos da equipe.
  • Formar equipes com pessoas de diferentes origens, com diferentes conhecimentos, que se respeitam por essas diferenças e também porque se complementam.
  • Reconhecer quais pessoas são essenciais para fazer a inovação acontecer na instituição, como envolvê-las e mantê-las alinhadas aos valores centrais da instituição.

Foco no mercado

Focar nas necessidades do mercado deve ser a razão e o princípio básico da liderança inovadora nas IES. Essa abordagem envolve dar foco aos processos operacionais do mercado, simplificar os processos operacionais internos e buscar sinergia horizontal (cooperação operacional entre os departamentos das IES e entre outras instituições).

O processo de foco no mercado passa primeiramente por conhecer bem as necessidades e as expectativas do mercado, desenvolvendo um sistema de informação estruturado contendo expectativas, necessidades e informações sobre o relacionamento com essas empresas, que podem ser muito úteis para proporcionar experiências inovadoras.

Uma liderança Inovadora costuma associar inovação com organização enxuta, e reengenharia de processos operacionais com renovação dos sistemas de informação.

As IES devem obter sinergia horizontal, unindo forças e trocando conhecimento de modo a permitir a transversalidade dos processos da instituição com os processos das empresas e de instituições parceiras, que significa:

  • Traduzir as necessidades do mercado numa visão inspiradora para orientar a organização para o mercado.
  • Abrir espaço para práticas inovadoras que idealmente superem as expectativas do mercado.
  • Definir quais processos operacionais são essenciais, e que a simplificação desses se alinhe com os processos de mudança na instituição.
  • Ter estratégias claras de sinergia horizontal focada no mercado que contribuam para ambos inovarem.
  • Trocar conhecimento e experiência com o mercado, grupos de sinergia, comunidades de troca de conhecimento ou grupos de trabalho do setor.

Iniciativas do topo e da base

As iniciativas vindas do topo das IES podem dar a direção para a mudança para inovação, enquanto as iniciativas vindas da base da organização podem abrir espaço para a inovação/renovação na instituição.

Geralmente, líderes inovadores usam suas posições de poder para abrir espaço às iniciativas vindas da base, que costumam resultar em inovações sustentáveis e irem além dos limites da organização, permitindo experimentar novas formas de cooperação e práticas de trabalho.

Uma liderança inovadora normalmente explicita os valores da organização, não tolera comportamentos desalinhados a esses valores e costuma também dar exemplos de comportamentos que consideram inaceitáveis.

Geralmente, essas lideranças entram de peito aberto nas discussões sobre a eficácia das práticas de trabalho, demostram interesse genuíno pelo progresso de práticas inovadoras e resultados alcançados pela equipe. Também costumam mudar as pessoas quando as inovações ficam emperradas em função do jogo de poder na instituição.

Na gestão de iniciativas do topo e da base das IES, líderes inovadores devem:

  • Dar a direção na forma de uma ambição compartilhada e abrir espaço para a base experimentar a inovação/renovação na instituição.
  • Estimular experimentos inovadores com instituições parceiras para trazer à luz os próprios valores, normas e pressupostos básicos da organização.
  • Vivenciar os valores da instituição, confrontar as atitudes inconvenientes dos outros, expressar claramente o que não querem e perguntar como as coisas deveriam ser.
  • Dar exemplos concretos de comportamentos desalinhados dos valores da organização e das consequências que isso pode causar.
  • Trocar pessoas quando resistem sistematicamente à mudança e dificultam que a inovação aconteça na instituição.

Tempo e ritmo de atuação

A liderança inovadora geralmente lida conscientemente com o tempo e faz disso um princípio básico para que os processos de inovação sejam bem-sucedidos na organização. Torna-se necessário haver tempo adequado para a inovação fazer parte da cultura organizacional das IES.

Para mudar os valores subjacentes e as práticas de trabalho na instituição, tal liderança deve atuar com tempo e ritmo, com paz e espaço e equilibrar direção e liberdade como ingredientes básicos para gerar inovações sustentáveis.

Em situações de crise, deve também ser capaz de acelerar o ritmo das atividades, atuar com ousadia e, em sequência, ter a capacidade de desacelerar o ritmo das mesmas se forem mudadas as formas de conduta, os métodos de trabalho, e assimilados os padrões e valores subjacentes.

Lideres inovadores costumam também refletir e aprender no processo de aprendizagem, criando confiança mútua para permitir a eficácia da prática de feedback. Por meio do tripé direção, espaço e resultado, tais líderes costumam atuar com a paz necessária e proporcionar o espaço adequado para a instituição se renovar/inovar. Isso significa:

  • Dedicar uma parcela significativa do tempo de trabalho para mudar a estratégia, a estrutura, a cultura da instituição e para assimilação do processo contínuo de inovação.
  • Que os processos de aprendizagem devem ocorrer com base na própria história da instituição, no futuro desejável para ela e nas estratégias organizacionais.
  • As pessoas devem tornar seus pensamentos e valores explícitos para poder se comunicar abertamente com as outras e criar um significado mútuo de futuro desejável à instituição.
  • Que líderes inovadores costumam optar pela paz e por um certo grau de imperturbabilidade, sabendo lidar bem com as emoções das pessoas, que consideram parte integrante da mudança.
  • Abrir espaço para possibilitar a discussão das emoções das pessoas e experimentarem novos métodos de trabalho e novas formas de colaboração dentro e no entorno da instituição.

Estratégias para inovação

Segundo Brillo e Boonstra (2018), há 3 diferentes estratégias adotadas por líderes inovadores.

  • Estratégia de desenvolvimento – abordagem participativa que parte da premissa que as pessoas têm possibilidades suficientes dentro de si para mudar, desde que haja uma liderança inovadora que possa fazer com que elas queiram dar o melhor de si. Dessa forma, a liderança costuma ouvir as pessoas, dar apoio efetivo para reduzir a insegurança e a incerteza para fazer a inovação acontecer na instituição.
  • Estratégia de aprendizagem – abordagem adotada quando as pessoas agem com base em pressupostos, emoções, sentimentos e padrões quase inconscientes. Geralmente, Lideres inovadores tornam as pessoas conscientes desses pressupostos e padrões limitantes e possibilitam a discussão dos sentimentos de modo a abrir espaço para a aprendizagem ativa, na qual as pessoas se motivam a mudar o próprio comportamento.
  • Estratégia de transformação – abordagem em que a liderança inovadora troca ideias com as pessoas sobre o futuro da instituição e a necessidade das inovações. A ideia por trás dessa estratégia sugere que a realidade não é objetiva, mas está presente nos corações e mentes das pessoas. Essas imagens e definições subjetivas da realidade mudam continuamente por meio da interação e da formação de senso comum, podendo alavancar a energia criativa das pessoas para se movimentarem na direção da renovação / inovação das IES.

Modelo Tri-interseccional de Liderança por Valores (MTLV)

O MTVL pode ajudar no desenvolvimento da liderança inovadoras nas IES, compartilhando valores com paixão dentro e no entorno das instituições para ter alto impacto nas estratégias organizacionais.

Uma liderança inovadora deve ser conectada por valores, tendo como fonte a visão de futuro desejado para a instituição, em que líderes devem “falar” e “caminhar” inovando.

O Modelo Tri-interseccional de Liderança por Valores — MTLV — (BRILLO; SILVA, 2020) é uma extensão e elaboração do Modelo de Gestão por Valores de Inovação — GPVIS — (BRILLO et al., 2015) e do Modelo Triaxial de Valores (Dolan e Garcia, 2006).

O MTLV permite que líderes e organizações integrem estratégias sustentáveis e sistema de gestão baseada em valores, que simultaneamente otimizam recursos humanos, financeiros e sociais.

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Resultados:

  • Seu MTLV comparado com a Base de Dados do Site.
  • Seu MTLV ajustado ao Foco Estratégico desejado comparado com a Base de Dados do Site.

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Resultados:

  • Seu MTLV.
  • Seu MTLV ajustado ao Foco Estratégico desejado.
  • MTLV do Grupo (MTLV agregado dos integrantes do grupo).
  • MTLV ajustado do Grupo (MTLV ajustado ao Foco Estratégico predominante no grupo).

Referências

  • Brillo, J., Boonstra, J. (2018) Liderança e Cultura Organizacional para Inovação, Editora Saraiva.
  • Brillo, J. (2020) Liderança Inovadora: como se destacar em ambientes de mudanças, Editora Expressa / Saraiva educação.
Fotografia de uma estudante sentada nas escadarias de uma instituição de ensino, usando o notebook.

Instituições de ensino: 3 momentos de envolvimento com o público

Toda organização tem três momentos de interação com seu público consumidor: conhecimento, preferência e relacionamento.

Para a instituição de ensino, o cenário é o mesmo: é preciso criar um planejamento de comunicação adequado para que seja possível estar próxima do público em cada um desses momentos.

Certamente pairam sobre a cabeça duas perguntas essenciais:

  • O que são esses três momentos?
  • Qual a importância deles para a instituição de ensino?

Vou explicar detalhadamente e você vai perceber que se algum desses momentos for ignorado, sua instituição de ensino terá mais dificuldades para construir e consolidar uma marca forte no mercado da educação.

Qual a importância do “conhecimento”?

O primeiro momento de interação com o público é fundamental para gerar conhecimento.

Pense na seguinte situação: os pais e, dependendo da idade, o próprio aluno, estão procurando uma boa instituição para efetuar a matrícula.

É lógico pensar que eles só poderão considerar como alternativas as instituições que eles conhecem, já ouviram falar ou que encontram em suas buscas nos meios digitais.

Não será possível incluir em uma lista de possibilidades um estabelecimento que é desconhecido.

Além disso, embora muito importante, não basta já ter ouvido falar da instituição. É preciso ter uma boa imagem sobre ela para considerá-la como alternativa para o ensino.

Resumindo, quanto maior o conhecimento da marca, maior a força de atração de interessados em realizar a sua matrícula, facilitando o preenchimento de todas as vagas disponíveis.

Como gerar “conhecimento”?

Para gerar conhecimento da marca há inúmeras possibilidades.

Veja algumas delas:

  • Propaganda Institucional: mostrar-se presente em datas comemorativas por meio de mensagens alusivas e sem cunho comercial
  • Eventos Comunitários: promover encontros como a Semana da Escolha Profissional, aberto a todos os interessados para demonstrar uma prestação de serviços de utilidade pública
  • Eventos Comemorativos: organizar Festas Juninas e Torneios Esportivos, que além de promover a marca na região, podem proporcionar arrecadação adicional de recursos com a venda de fichas nas barracas de produtos
  • Campanhas Comunitárias: é sempre muito simpático aos olhos do público a promoção de ações com benefícios sociais como arrecadação e distribuição de agasalhos para populações necessitadas
  • Assessoria de Imprensa: voltada para a divulgação de notícias de interesse público, especialmente levantamentos e pesquisas sobre temas relacionados à educação no âmbito geográfico de influência da instituição de ensino
  • Road Show: para faculdades, é relevante mostrar sua diversidade de cursos em escolas do ensino médio, como uma prestação de serviços para a escolha profissional dos alunos dessas escolas
  • Redes Sociais: posts mostrando as realizações, conquistas e novidades da instituição, tais como reforma do prédio, novos cursos, torneios conquistados
  • Canal no Youtube: vídeos com storytelling mostrando projetos diferenciados desenvolvidos pelos alunos

Qual a importância da “preferência”?

O segundo momento de interação com o público eu chamo de “preferência”. É quando o interessado está prestes a se matricular, mas tem que escolher entre as várias opções que estão disponíveis.

Pense agora em você diante da prateleira de um supermercado tentando se decidir sobre qual sabonete você levará para casa.

Existem alguns aspectos que levarão você a fazer um comparativo no ponto de venda para chegar à conclusão do que colocar no carrinho: preços, promoções, aromas, embalagens.

Na escolha de uma instituição de ensino, o processo passa pela mesma lógica. Os interessados vão levar em consideração aspectos como: preço, proximidade de casa, qualidade do ensino, indicações recebidas, diversidade de cursos, renome dos professores, estrutura física do prédio, modernidade dos laboratórios, atendimento recebido na Secretaria, entre outros fatores.

São muitos os elementos que pesam na hora da escolha e, por isso, quanto mais a preferência do potencial aluno for alcançada, mais próximo ele estará de se decidir por estudar na sua instituição.

Isso não acontece naturalmente. É preciso desenvolver ações de comunicação que favoreçam a geração de preferência.

Como gerar “preferência”?

  • Propaganda: especialmente nas épocas que antecedem o período de matrícula é importante veicular anúncios onde o orçamento da instituição permitir, como emissoras de rádio e TV, jornais, revistas, Google, Facebook, Instagram etc.
  • Participação em Eventos: como a Feira do Estudante do CIEE, para demonstrar o que a instituição faz por seus alunos e quais são os seus diferenciais
  • Member Get Member: desenvolver uma promoção na qual os atuais alunos que indicarem novos alunos recebem alguma vantagem, junto com o indicado. Com isso é possível estimular o processo do boca a boca
  • Redes Sociais: produza posts visando a divulgação de prêmios conquistados por alunos, depoimentos de quem já cursou, recomendações de quem está cursando, sucesso na carreira de ex-alunos, notoriedade de alguns dos professores
  • Promoções: ofereça descontos para quem se matricular antecipadamente, para mais de um integrante da mesma família, para quem permanecer de um curso para outro, para quem pagar à vista ou em poucas mensalidades, para quem fizer um seguro educação
  • Seguro Educação: firme acordo de parceria com alguma seguradora e ofereça como diferencial, embutido na mensalidade, um seguro educação para tranquilizar os interessados que eventualmente venham a perder suas fontes de renda
  • Facilidade Administrativa: proporcione experiência facilitada de matrícula a distância, sem burocracia e sem deslocamentos, especialmente durante uma pandemia como a provocada pelo Covid-19

Qual a importância do “relacionamento”?

O terceiro momento de interação com o público é o de relacionamento.

Pense da seguinte forma: sua escola já fez todo o esforço possível para se tornar “conhecida” do público em geral. Depois continuou fazendo um grande sacrifício para conquistar a “preferência” dos interessados.

Agora, o aluno já está matriculado e frequentando um curso. Sua instituição não pode perdê-lo por dois motivos: será um enorme desperdício de todo o dinheiro que já foi gasto para atrai-lo e custará muito mais para conquistar alguém para substitui-lo.

Certamente você já ouviu várias vezes que é muito mais barato manter os atuais clientes do que conquistar novos. O mesmo acontece com alunos.

Depois de matriculados, chega a hora de você se dedicar à excelência do relacionamento que vai desenvolver. É assim que sua instituição de ensino manterá por mais tempo os alunos que tem.

Como gerar “relacionamento”?

Eu recomendo que você leia o artigo que publiquei anteriormente aqui no nosso blog: “Comunicação corporativa: como engajar alunos para melhorar a captação de matrículas”. Nele você vai encontrar muitas alternativas que também podem contribuir para gerar relacionamento com os atuais alunos.

De qualquer forma, seguem algumas outras indicações:

  • Associação de Alunos: estimule a criação de um grupo de alunos e também de ex-alunos. É importante passar a ideia de que “uma vez aluno, sempre aluno” da sua escola
  • Encontros Periódicos: promova encontros da diretoria da escola com os alunos, preferencialmente temáticos, para discutir temas de interesse geral. Esses encontros também podem ser por área de conhecimento como, por exemplo, ciências, artes, esportes etc.
  • Evento Anual: a exemplo do que acontece tradicionalmente nas escolas norte-americanas, crie um evento anual que estimule o desejo de todos participarem e gere orgulho de pertencimento.
  • Promoções: fomente uma espécie de concurso entre os alunos, premiando os que mais likes e compartilhamentos conseguirem a partir de posts da instituição em redes sociais. Com isso é possível aumentar o engajamento e promover a instituição de ensino entre os contatos dos atuais alunos

Últimas considerações

Perceba que boa parte das possibilidades que eu recomendei anteriormente podem ser utilizadas nos três momentos.

O que vai diferenciar é o conteúdo e a forma de fazer comunicação.

Por exemplo: as mídias sociais são importantes em todas as fases, mas os conteúdos precisam ser diferentes em cada uma delas.

Para o “conhecimento” são importantes os conteúdos que fortaleçam a marca.

Para a “preferência” são relevantes as informações sobre diferenciais de qualidade que o aluno encontrará na escola.

Para o “relacionamento” são essenciais os textos e imagens que valorizam e reconhecem o esforço dos alunos, mostrando a eles a empatia que a instituição tem por cada um, individual e coletivamente.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre captação de alunos para captação de alunos para cursos presenciais e EaD

Fotografia de uma mulher sorrindo e anotando enquanto faz aulas online.

O ensino tradicional na educação a distância já é uma realidade

A inteligência educacional depende do processo de ensino-aprendizagem como fundamento prático. O conhecimento cientifico depende da educação e a integração de forma construtiva ou mediada pela associação do viés pedagógico.

No ensino superior, o professor, protagonista essencial no processo de ensino-aprendizagem, evoluiu em competências e habilidades nas últimas décadas. Da evolução da relação professor e aluno aliada às diretrizes do Ministério da Educação (MEC), pode-se observar três aspectos pedagógicos distintos aplicados via sistema de ensino.

O primeiro aspecto pedagógico corresponde à centralidade da figura do professor como detentor ou proprietário do conhecimento. Da sua pessoa partia e fundava a fonte da informação e o conhecimento. A literatura era limitada em número de obras físicas (livros) ou mesmo escassa, dependendo do conteúdo direcionado. O ensino-aprendizado possuía apenas um ponto focal, o professor, sujeito ativo e, o aluno, sujeito passivo do processo.

O segundo aspecto pedagógico remete à evolução do acesso à informação com a literatura disponível em bibliotecas e a internet. O professor mantém-se na centralidade da relação pedagógica, porém, o mesmo não é mais compreendido como detentor da informação e conhecimento, mas um agente direcionador do referencial bibliográfico disponível para o processo de ensino-aprendizagem. Nesse aspecto, o ponto focal é o professor, sujeito ativo e, o aluno, sujeito passivo e/ou quase ativo no processo de ensino-aprendizagem.

O terceiro aspecto pedagógico compreende a incidência das novas tecnologias aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem e as novas metodologias. O professor não é proprietário e nem direcionador da informação e conhecimento, mas um administrador. Em outras palavras, atua como autenticador ou validador do conhecimento adquirido ou apropriado pelo aluno, ativo no processo por meio da autoaprendizagem e das dinâmicas do planejamento pedagógico gerido pelo professor. O ponto focal é o aluno, sujeito ativo para o aprendizado e, em seguida, o professor, sujeito ativo da gestão da informação e do conhecimento.

Assim, dentre os aspectos pedagógicos acima descritos, quais podem ser compreendidos como ensino tradicional?

Para começar a responder à pergunta, devemos entender que a palavra “tradicional” se remete a todos os hábitos, crenças, comportamentos e costumes praticados de geração a geração. O ensino tradicional não foge dessa análise.

Importante é também saber que todos os sistemas pedagógicos que se tornaram tradicionais uma vez foram inovadores e/ou experimentais em algum momento da história. Por isso, não é meu objetivo desconstruir e nem criticar de forma negativa o ensino tradicional, mas ratificar que todo processo de ensino-aprendizagem que se consolida no tempo e na relação professor-aluno se torna tradicional.

Passando agora à pergunta anteriormente dirigida, tem-se duas respostas distintas na atualidade:

  • Para a educação presencial: entende-se hoje que o primeiro e segundo aspectos pedagógicos estão na esfera do ensino tradicional, sendo amplamente praticados na rotina educacional, pois a formação tradicional docente foi construída e mediada pelos aspectos pedagógicos citados. O terceiro aspecto pedagógico está em fase de acepção e consolidação e, em muitos casos, alia-se a processos inovadores e experimentais;
  • Para a educação a distância: atualmente o terceiro aspecto está vinculado ao ensino tradicional pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação em ambientes virtuais de aprendizagem. O primeiro e segundo aspectos pedagógicos participaram de forma pontual na história da EaD (ensino via correspondência, rádio e televisão), porém, não se consolidaram como o terceiro aspecto, principalmente hoje na era digital (4ª Revolução Industrial).

A educação a distância é uma realidade e está em progressiva expansão, a tal ponto de influenciar diretamente a educação presencial atualmente. Todavia, nunca estará imune dos processos de ensino-aprendizagem que são (ou serão) consolidados através do tempo.

Na prática, a EaD quebrou paradigmas, rompeu barreiras para o acesso à educação e remodelou critérios de gestão do MEC, além de desenvolver novas carreiras educacionais e constantes inovações tecnológicas no processo de ensino-aprendizagem.

Por outro lado, grande parte das instituições de ensino superior adotam o ensino tradicional na EaD diante do seguinte aspecto pedagógico: autoaprendizado do aluno pelo plano ou guia didático dirigido; disponibilidade de aulas gravadas pelo professor titular; disponibilidade de livro didático ou texto de apoio; processo avaliativo via questões objetivas e/ou discursivas; e mediação pontual da tutoria.

O ensino tradicional na EaD já é uma realidade, mesmo apresentando pontos de atenção, tais como: a adaptação de determinado perfil de aluno (autoaprendizado contínuo), número expressivo de evasão e desafios para obtenção de notas satisfatórias no Enade.  De toda forma, a ensino tradicional na EaD não pode ser rotulado como bom ou ruim porque compete à inteligência educacional das IES na geração de indicadores de qualidade satisfatórios no processo de ensino-aprendizagem.

Por fim, a EaD não é uma novidade, já carrega uma história pedagógica como a educação presencial. Possui também sistema de ensino tradicional e está aberta a novas metodologias inovadoras e experimentais que poderão ser consolidadas futuramente. No entanto, fica a reflexão que tudo o que é tradicional desenvolve vícios, cria raízes positivas e negativas, bem como pode dificultar novas oportunidades, novas práticas e novos hábitos.

Como garantir a autonomia do professor no ensino superior?

A autonomia do professor é um assunto que extrapola os fazeres didáticos-pedagógicos dentro da sala de aula para as interfaces da instituição. 

Os benefícios do desenvolvimento da autonomia do professor para a qualidade do ensino podem ser vistos por alguns, enquanto pontos como o avanço da tecnologia e diretrizes e processos internos podem ser vistos como limitadores.

Em um mundo mais digital e com o perfil de alunos e ensino se transformando, será mesmo que a tecnologia é a vilã da autonomia dos professores? Como garantir a autonomia do professor em um mundo cada vez mais tecnológico e dinâmico à mudanças? 

Neste artigo vamos falar sobre como as plataformas e as conhecidas TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação – podem ser benéficas para a autonomia do professor, e como preservá-las para dentro e fora da sala de aula considerando o alinhamento com a instituição.



Os dois lados da autonomia

Quais obstáculos os professores têm enfrentado para o exercício mais autônomo de sua profissão e como os professores interpretam uma ação autônoma em seu trabalho docente são questões que, para serem respondidas, é preciso considerar diversos fatores.

Por um lado, o excesso de autonomia docente pode ser interpretado como lacuna de normas institucionais. A autonomia, se não bem alinhada aos critérios de avaliação, pode fazer o docente não ter insumos suficientes para direcionar suas ações, de acordo com o objetivo da instituição. 

Por outro lado, a existência de processos limitantes e diretrizes distanciadas da realidade, principalmente dentro da prática da sala de aula, ou qualquer imposição não acordada entre instituição e docente, pode ser interpretada como falta de autonomia.

Entendendo-se a autonomia como a liberada para desempenhar funções e papéis de formas personalizadas, únicas e diferenciadas, as tecnologias podem ser grandes aliados na jornada rumo à garantia da autonomia.

Como garantir autonomia com as novas tecnologias

As plataformas digitais e tecnologias de informação e comunicação (TICs) então adentrando o contexto das instituições e da sala de aula com o propósito de não só otimizar processos como alinhar a atuação docente para uma nova geração de alunos. 

Muitas instituições buscam inovar e acompanhar a tendência tecnológica do mercado através da aquisição de plataformas digitais

Existem plataformas como os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), ambientes que simulam uma sala de aula, e existem também plataformas e ferramentas com finalidades específicas, como bibliotecas digitais, plataformas de aplicação de simulados e diagnóstico e banco de questões.

É preciso entender como essas plataformas preservam a autonomia do docente e podem ser muito benéficas para sua atuação, além de como podem reforçar a autonomia do professor como fundamental para a inovação educacional. 

Além de ser mais uma ferramenta para uso, a utilização de novas tecnologias permite ampliar o acesso a recursos mais diversificados e de maior qualidade, além de permitir trabalhar com conceitos de Learning Analytics (dados da aprendizagem) e gamificação, que colaboram para que os docentes passem a adotar novos métodos de ensino e inovem no processo de ensino-aprendizagem.



Desse modo, para garantir a autonomia do professor frente às novas ferramentas, deve-se priorizar tecnologias que não se sobreponham à atuação do docente, mas sim que sirvam como uma nova ferramenta de valor no qual eles enxergarão benefícios e facilidade de uso. 

Em tecnologias que preservem a autonomia do professor, a aquisição se constitui como uma base, em que o professor pode reduzir sua carga de elaboração de conteúdos, aproveitando os conteúdos e ferramentas fornecidos, mas ainda assim a possibilidade de complementar com seus próprios conteúdos ou tirar insumos e benefícios claros para sua atuação fora da plataforma. 

Relatórios e medições advindos da tecnologia podem ser entendidos como insumos para a atuação do docente para além da tecnologia.

Conclusão

Garantir a autonomia docente frente às novas tecnologias passa pelo entendimento e exploração das tecnologias como um suporte à autonomia docente e como facilitadoras do cumprimento de tarefas rotineiras, abrindo espaço para ações mais estratégicas dentro da instituição.

Para fora da sala de aula, os professores podem dividir suas experiências com a utilização de tecnologias, dividir conquistas e dificuldades. 

A tecnologia pode ser aliada à autonomia do professor,  mas só se consegue uma participação positiva com a existência de processos claros de comunicação dos benefícios e limites mútuos para a existência da autonomia. 

Essas e demais decisões dependem de um bom processo de comunicação e da descentralização da tomada de decisão, para privilegiar a autonomia dos trabalhos dos professores.

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