avaliação diagnóstica: duas pessoas analisando dados escritos e digitais

Você sabe o que é avaliação diagnóstica, como fazer e sua importância para a IES? Descubra neste artigo

A avaliação diagnóstica é um conceito comum no dia a dia da educação básica. Entretanto, no ensino superior, muitas vezes ocorre de sua aplicação ser ignorada ou negligenciada.

Para compreendermos melhor esse conceito e como ele se aplica ao ensino superior, temos que enxergar as avaliações com uma nova perspectiva. Elas não devem servir apenas para classificar e dar notas aos estudantes. Mas sim, como uma ferramenta que auxilia discentes e docentes a avançar no processo de aprendizagem.

Tanto na educação presencial, quanto nas modalidades a distância e no ensino híbrido no ensino superior, a avaliação diagnóstica pode ser um importante instrumento para melhorar a aprendizagem dos alunos e oferecer uma educação de maior qualidade para cada estudante.

Sabendo da importância desse processo, preparamos este artigo especial para que você possa compreender melhor as aplicações da avaliação diagnóstica na sua instituição de educação superior (IES).

Continue a leitura e saiba mais sobre o que é a avaliação diagnóstica, qual seu objetivo, quando deve ser aplicada, como ela é feita, como os professores podem compor as avaliações, como fazer o relatório e mais!

O que é uma avaliação diagnóstica?

Antes de falarmos das partes práticas, é necessário compreender melhor a conceituação teórica que envolve esse termo e sua relevância no contexto da educação superior.

Podemos considerar a avaliação diagnóstica como um tipo de avaliação de aprendizagem que busca compreender e identificar os conteúdos e os conhecimentos que os estudantes já possuem

Com essa avaliação, é possível conhecer mais sobre o histórico educacional dos estudantes, com detalhes como:

  • O que o aluno sabe;
  • O que o aluno deveria saber, mas não sabe;
  • As expectativas do estudante em relação aos conteúdos.

Tal diagnóstico é importante para que os professores possam melhorar os processos de ensino e aprendizagem durante o período letivo para uma turma ou estudante específico.

Qual a diferença entre a avaliação diagnóstica e outros tipos de avaliação?

Agora que já temos o conceito da avaliação diagnóstico em mente, que tal entendermos como ela se distingue e se relaciona de outras avaliações?

Consideremos outros dois tipos de avaliações mais conhecidos, as avaliações somativas e formativas:

  • As avaliações somativas têm o objetivo de examinar se o estudante está acompanhando os processos de ensino e aprendizagem, e não traçar diagnósticos sobre seus pontos fortes ou limitações. Ela também cumpre uma função classificatória, agrupando os alunos de acordo com seu aproveitamento e rendimento nas atividades, além de atribuir notas ou conceitos para refletir essa classificação.
  • As avaliações formativas fazem parte de um processo contínuo que busca contribuir com a construção do aprendizado dos estudantes. Porém, elas não possuem caráter quantificativo, como as avaliações somativas. E, apesar de oferecer dados aos professores sobre seus procedimentos de ensino e aos alunos sobre seu desempenho, não há um papel de diagnóstico inicial como a avaliação diagnóstica.

Todos esses tipos de avaliação de aprendizagem são importantes e colaboram para os processos de ensino da IES. Elas precisam ser aplicadas de forma conjugada para que o processo de ensino e aprendizagem seja realizado de forma eficaz.

Entretanto, é importante ressaltar a importância da avaliação diagnóstica dentro desse contexto educacional. Isso porque esse tipo de avaliação vai além de uma função avaliativa classificatória, mas preza pela inclusão dos alunos e compreensão de suas dificuldades.

Ademais, a avaliação diagnóstica é ponto de partida que determina como o processo de aprendizagem vai se dar dentro do contexto daquela turma ou para um aluno específico. 

Leia também: Confira 8 competências do professor do futuro e como a sua IES pode capacitá-lo

Qual é o objetivo de uma avaliação diagnóstica?

A definição de avaliação diagnóstica que exploramos acima já dá pistas sobre o objetivo desse tipo de teste. Mas, para efeito de clarificação, vamos explorar essa questão de forma mais específica.

O principal objetivo de uma avaliação diagnóstica é reconhecer e caracterizar as etapas de aprendizagem em que os alunos estão posicionados. Com essa avaliação, é possível também identificar as limitações e aptidões de cada estudante, além de conceitos e habilidades dominadas ou negligenciadas por cada um.

Dessa forma, podemos fragmentar o objetivo geral das avaliações diagnósticas em três objetivos específicos:

  1. Identificar as realidades dos estudantes que estão inseridos nesse processo de aprendizagem;
  2. Apurar a presença ou ausência das habilidades dos alunos;
  3. Refletir sobre e reconhecer as causas, dificuldades e limitações de aprendizagem de cada aluno.

Com esses objetivos em mente, é importante ressaltar que a avaliação diagnóstica não tem como finalidade avaliar o estudante em si, mas sim o seu potencial de aprendizagem.

Desse modo, ao efetuar a avaliação diagnóstica e analisar seus resultados, os professores conseguem adaptar o plano de ensino para atender seus estudantes da melhor maneira.

Quando a avaliação diagnóstica deve ser aplicada?

De maneira geral, é indicado que a avaliação diagnóstica seja aplicada no início de um processo ou ciclo de ensino e aprendizagem.

E com isso, o início do processo ou ciclo é compreendido como início do ano ou semestre letivo, bem como início de uma nova unidade de ensino ou em outros pontos iniciais que os professores julgarem necessário.

Na visão de Benjamin S. Bloom, importante psicólogo e pedagogo americano, a avaliação diagnóstica deve ocorrer em dois momentos distintos:

  • O primeiro deles é no início dos processos de aprendizagem, em que o objetivo é averiguar se cada estudante possui os pré-requisitos necessários para o desenvolvimento das atividades previstas no plano de curso.
  • No segundo momento, que pode ocorrer em diferentes pontos do processo de aprendizagem, o objetivo é investigar e identificar as causas dos fracassos ou limitações dos processos de aprendizagem.

Note que, mesmo na abordagem de Bloom, a execução da avaliação diagnóstica já no início do processo de aprendizagem é mantida.

Afinal, esse tempo é coerente com o principal objetivo de uma avaliação diagnóstica: o de detectar os conhecimentos e habilidades que os alunos já possuem para determinar, a partir daí, as adaptações necessárias no plano de aula, de curso, etc.

Leia também: O professor como líder inovador: características da liderança inovadora nas Instituições de Ensino Superior (IES)

Qual a importância da avaliação diagnóstica na volta ao ensino presencial?

Com o decorrer da pandemia do novo coronavírus, toda a humanidade precisou se adaptar à nova realidade. O isolamento social foi a principal forma de combater a nova doença e, com isso, as interações entre as pessoas precisaram ser reduzidas — pelo menos de forma presencial.

O mundo do trabalho viu no home office uma saída. Já a educação, por sua vez, precisou passar o ensino presencial para o modelo remoto. O ensino remoto, de forma simplificada, é a aplicação do modelo presencial através de recursos digitais. Desse modo, seu conceito não deve ser confundido com a educação a distância (EaD), que possui uma metodologia específica.

Agora, com a volta do ensino presencial, é ainda mais necessária a realização de uma avaliação diagnóstica. Neste novo momento é imprescindível observar como anda a aprendizagem dos estudantes.

Um dos principais motivos para isso é analisar se o ensino remoto foi de fato eficiente. Com uma avaliação diagnóstica de qualidade, ficará perceptível se os alunos adquiriram os conhecimentos esperados durante a pandemia ou se as aulas online foram deficitárias.

Outro ponto central é que para muitos estudantes, o ensino superior se iniciará agora, durante a volta às aulas presenciais. É importante que a IES saiba se seus futuros alunos adquiriram os conhecimentos básicos para cursar uma graduação, seja em matérias como português, matemática, biologia, química, etc. 

Devemos lembrar que as aulas remotas não foram aplicadas nas escolas públicas com a mesma facilidade e recursos do ensino superior. Há uma lacuna no conhecimento de inúmeros estudantes que deve ser descoberta e corrigida

Como é feita a avaliação diagnóstica?

É possível efetuar a avaliação diagnóstica de diferentes formas. O modelo escolhido pode variar de acordo com a disciplina ensinada, turma, objetivos e estratégias de ensino, entre outros fatores.

Inclusive, é possível utilizar de diferentes testes para traçar uma avaliação diagnóstica. Assim, não é necessário se limitar a um tipo de exercício específico que não irá avaliar os potenciais dos alunos em sua totalidade.

É importante que as tarefas escolhidas para compor a avaliação diagnóstica exijam a aplicação de conhecimentos que os alunos tiveram contato em ciclos anteriores, e que são necessários para o avanço do processo de aprendizagem atual.

Além disso, incluir atividades que abordem temas a serem explorados durante o processo de aprendizagem atual também pode ser muito interessante. Isso permite que o professor descubra se alguns alunos ou a turma como um todo já tiveram algum contato com os temas que pretende explorar.

Um ponto de atenção importante diz respeito à repetição de atividades e alguns vícios causados pela rotina. Por exemplo: é comum que professores utilizem técnicas e formas de avaliação tradicionais ou até mesmo antiquadas, apenas por hábito. Ou, ainda, aplicam formatos de avaliação que são impostos pela IES, mas não cumprem seu papel de diagnóstico.

Reiteramos, então, a necessidade de escolher as técnicas de avaliação de acordo com os objetivos da avaliação de diagnóstico e do processo de aprendizagem de cada conteúdo.

Abaixo você confere alguns tipos de atividades que podem ser utilizadas para compor uma avaliação diagnóstica:

Testes discursivos e/ou redações

Provas discursivas e redações são algumas das estratégias mais tradicionais de avaliação. Entretanto, isso não quer dizer que sejam antiquadas ou ineficientes.

Através desse tipo de teste é possível analisar a capacidade dos alunos de relacionar contextos, elaborar seus raciocínios na forma escrita, indicar maneiras de solucionar problemas, além de seus conhecimentos na língua portuguesa, entre outras possibilidades.

Além de propostas de redações, os testes discursivos podem assumir forma de discussões, perguntas, provas com consultas ou até trabalhos a serem realizados em casa.

Provas objetivas

Os testes objetivos, ou provas fechadas, se configuram pela presença de questões de múltipla escolha. Outras opções incluem a classificação de afirmativas entre verdadeiro ou falso e até associar ou ordenar informações. 

Atividades práticas

Caso a disciplina ou ciclo de aprendizagem envolvem conhecimentos na área da saúde ou domínio psicomotor, por exemplo, as atividades práticas podem ser uma opção interessante de avaliação diagnóstica!

Provas orais

As avaliações orais podem oferecer excelentes diagnósticos sobre os conhecimentos dos alunos, suas opiniões, desenvoltura, habilidade de expressão, entre outras competências.

Leia também: Saiba como desenvolver o ensino por competências na educação profissional

Entrevistas

As entrevistas são um formato menos tradicional de efetuar avaliações diagnósticas. No entanto, dependendo dos objetivos, elas podem colaborar muito na definição de um bom diagnóstico!

Com elas, é possível conhecer mais a fundo a história do aluno, suas crenças, valores, padrões, maturidade emocional, entre outros pontos.

Trabalhos

Trabalhos como elaboração de artigos ou monografias auxiliam os professores a examinar a expressão verbal dos estudantes, suas habilidades de pesquisa, de argumentação, relação de conceitos, entre outras competências.

O que o professor precisa selecionar para compor uma avaliação diagnóstica?

Para compor uma boa avaliação diagnóstica, o professor deve considerar seus objetivos, o que deseja descobrir com a avaliação, e quais os tipos de questões são mais indicados para isso.

Como explicamos na seção acima, é possível selecionar mais de um tipo de questão para compor uma avaliação diagnóstica. Assim, o professor pode, por exemplo, selecionar questões discursivas e também objetivas. Ou propor um trabalho para ser feito em casa, e aplicar uma prova oral em sala, entre outras combinações.

No caso de cursos e disciplinas a distância (EaD), ou caso o professor opte por aplicar um teste online, a IES pode contar com uma plataforma digital de aprendizagem. Algumas delas possuem opções para efetuar testes personalizados.

O professor pode, assim, selecionar o formato e as questões que deseja aplicar virtualmente. Testes virtuais também podem gerar maior praticidade na hora de aplicar e permitir que os alunos façam a avaliação em um horário e/ou lugar mais tranquilo para cada um deles. Mas esse não é o único benefício!

Boas plataformas de aprendizagem oferecem relatórios completos com os resultados das avaliações. Em muitos casos, é possível analisar aluno por aluno, turma por turma, ou até comparar o desenvolvimento de um aluno em relação ao restante da classe.

8 dicas para realizar uma avaliação diagnóstica de sucesso

Mesmo que tenha um formato simples, a avaliação diagnóstica deve ser feita com qualidade. É importante construir mecanismos avaliativos que revelem informações precisas e, para isso, deve-se manter atenção aos detalhes.

Para auxiliar nesse processo de avaliação dos alunos, traremos agora uma lista com 8 dicas para o sucesso da sua avaliação diagnóstica.

1. Deixe evidentes os objetivos

É importante que os coordenadores de curso e os professores conheçam o porquê da realização da avaliação diagnóstica. É também primordial que exista um plano de atuação previamente definido e baseado nos resultados obtidos, pois a avaliação não pode se tornar um fim em si mesma.

Desse modo, para chegar aos objetivos propostos, é necessário que a IES se organize, observando o plano de ensino, a matriz curricular e o calendário acadêmico. Saber o que se quer — e como será feito — são passos necessários para o sucesso!

2. Delimite as prioridades

Para que a avaliação diagnóstica alcance seus objetivos, é necessário compreender o que é prioritário no processo. Após estabelecer o que é mais importante nas atividades, os professores poderão melhor aplicar essas prioridades e, assim, aferir melhor seus resultados.

Lembre-se: não se pode fazer tudo e o tempo é limitado. Uma avaliação diagnóstica de sucesso deve ser centrada naquilo que se propõe, respeitando suas limitações e atuando dentro de suas prioridades e possibilidades.

3. Se prepare para mudanças

Apesar de ser fundamental ter uma avaliação diagnóstica, um plano de atuação e de ensino bem definidos, os resultados podem implicar em modificações. Sendo assim, os professores precisam estar abertos à mudanças, sejam elas durante o processo de avaliação dos estudantes ou no decorrer das aulas.

Deve-se ter em mente que o ensino deve se moldar aos resultados obtidos com as avaliações diagnósticas, e não o contrário. Sempre que necessário, mudanças devem ser bem-vindas!

4. Escute os estudantes

Nesse processo de avaliação, é sempre uma boa estratégia ouvir os estudantes. Manter uma comunicação mais direta entre IES e alunos, explicando as atividades e aceitando sugestões, deixa os resultados mais próximos da realidade.

Com o hábito de escutar os estudantes, a IES cria um corpo discente mais participativo e preparado para avaliações orais. Além disso, os alunos focarão mais ao sentir que são parte da IES e que suas opiniões são respeitadas.

Leia também: 6 dicas de melhoria da experiência do aluno

5. Mescle os tipos de avaliação

Como já visto anteriormente, é possível realizar uma avaliação com diferentes tipos de questões. É interessante apostar em mesclar questões de múltipla escolha com dissertativas e também com orais.

Além de deixar a atividade mais rica, usar de diversos tipos de avaliação possibilita um resultado mais justo para o aluno. É importante lembrar que as pessoas aprendem de formas diferentes.

Assim, ser avaliado de diversas formas ajuda a perceber esse aprendizado, servindo a avaliação diagnóstica, inclusive, para observar quais são as atividades que melhor se aplicam de forma individual e coletiva.

6. Realize avaliações constantes

Já é sabido que o melhor momento para realizar a avaliação diagnóstica é o início de um período letivo. Entretanto, ela não precisa se resumir a esse tempo. Aplicar mais de uma avaliação dá ainda mais validação para os resultados.

Criando o costume de fazer o diagnóstico de aprendizagem do estudante de forma contínua, a IES passa a perceber também se suas propostas de intervenção são eficientes. Aqui, além de aferir o conhecimento do aluno, mensuramos também sua evolução.

7. Aproveite a tecnologia

Com os intensos avanços da educação, e também com o isolamento social, tem ficado cada vez mais comum a realidade da educação digital. Sendo assim, porque não aproveitar os recursos tecnológicos para realizar uma boa avaliação diagnóstica?

Além de contar com diversos sites gratuitos na internet, a IES pode se preparar dentro de sua plataforma digital de aprendizagem. Usar a tecnologia ajuda a perceber também o ganho de conhecimento dos estudantes quanto aos recursos online.

8. Dê respostas aos estudantes

Da mesma forma que se deve ouvir os estudantes, dar feedback também é fundamental. É importante que o aluno saiba de seus resultados, que entenda os pontos em que o conhecimento pode ser melhorado.

A tarefa de melhorar a aprendizagem deve ser de todos e o estudante é o principal interessado nisso. Especificar os resultados faz com que o esforço para se aperfeiçoar seja bem maior.

Como fazer um relatório de avaliação diagnóstica?

O relatório de avaliação diagnóstica é um documento que indica o desenvolvimento dos estudantes nos seus testes. Ele auxilia no registro das informações para guiar possíveis alterações no plano de aula, e também para efeito de comparações futuras.

Todo relatório de avaliação diagnóstica deve conter componentes como:

  1. Introdução.
  2. Descrição da atividade que foi objeto da avaliação.
  3. Descrição do processo de avaliação.
  4. Apresentação dos principais resultados.
  5. Análise e discussão dos resultados e da avaliação.
  6. Conclusões e recomendações.

Vale lembrar que o indicado é que seja realizado um relatório por aluno, além de um para toda turma. Ou, ao menos, um relatório para turma e outros que contemplam grupos de alunos com desempenhos semelhantes.

Na fase de análise e discussão dos resultados, é interessante analisar o rendimento de cada aluno em comparação com a média da turma. Outra sugestão é preparar gráficos e tabelas a fim de organizar com mais clareza as informações reveladas nas avaliações de cada estudante e a relação entre os resultados.

Já na etapa de conclusões e recomendações, temos o espaço para analisar e indicar o que pode ou vai ser adaptado no plano de aula após o diagnóstico dos alunos.

Lembramos mais uma vez que plataformas de aprendizagem, muitas vezes, já oferecem os dados necessários para enriquecer os relatórios de avaliação diagnóstica. É possível gerar tabelas e gráficos com essas informações, cruzar os dados, e assim gerar comparações de maneira mais prática e assertiva.

O que fazer após a realização da avaliação diagnóstica?

Como já dito anteriormente, a avaliação diagnóstica não pode ser um fim em si mesma. Mais importante do que investir em uma excelente avaliação é construir um ensino de qualidade e libertador com base nos resultados aferidos.

O primeiro passo após realizar a avaliação é o da análise de dados, no qual os professores devem pegar os resultados e interpretá-los. É interessante, nesse momento, trabalhar com relatórios individuais e coletivos e, sempre que possível, fazer comparações com outras avaliações diagnósticas já realizadas.

Com o relatório em mãos fica mais fácil observar o desempenho dos alunos. Compreender as dificuldades de cada um, e principalmente as suas origens, é um dos principais ingredientes para uma educação de qualidade.

Por fim, o foco deve estar no principal objetivo: solucionar déficits educacionais, tanto individuais quanto de toda uma turma. O conjunto da IES (professores e gestores) deve se preparar para implementar mecanismos que busquem sanar os problemas na aprendizagem dos estudantes.

Diversas atividades complementares podem ser aplicadas aqui, cabendo aos educadores avaliarem as que trarão os melhores resultados. Nesse contexto, a intervenção pedagógica possui um importante papel.

 Também é interessante pensar em um plano de nivelamento de aprendizagem, assunto que será melhor trabalhado em seguida.

O que é nivelamento de aprendizagem?

O nivelamento de aprendizagem é uma solução para a defasagem educacional, uma ferramenta que busca elevar os estudantes ao ponto necessário para acompanhar as aulas. Num contexto de avaliação diagnóstica, nivelar os alunos, de acordo com os resultados obtidos, é uma saída praticamente obrigatória.

Seu formato consiste basicamente em oferecer aulas específicas naquelas disciplinas em que se percebe um grau maior de dificuldade por parte dos estudantes. De forma geral, é oferecido um minicurso para o aluno com aquele conteúdo que não domina e precisa ser melhorado.

Apesar de o nivelamento ocorrer, na maioria das IES, no primeiro período do curso para corrigir as defasagens em matérias mais básicas do ensino médio, ele pode ser aplicado em diferentes momentos. É interessante pensar em nivelamentos durante o decorrer do curso, pois muitos conceitos podem ser “perdidos”.

Por se dar, de forma geral, no início da graduação, o nivelamento trabalha mais com um conteúdo do ensino médio que serve de base obrigatória para o curso em questão. As disciplinas principais são:

  • Língua portuguesa;
  • Matemática;
  • Química;
  • Biologia;
  • Informática;
  • Física;
  • Inglês, etc.

O nivelamento de aprendizagem também se faz muito importante agora no contexto de volta às atividades presenciais, com a redução dos casos graves de Covid-19. É interessante analisar o que foi retido dos estudos durante o ensino remoto, até mesmo para avaliar a possibilidade de se investir mais em um ensino híbrido no ensino superior.

É também importante tocar na evasão de alunos, um dos maiores problemas para educação na atualidade. Alunos que possuem dificuldades em acompanhar as aulas tendem a desistir de seus cursos. Por isso, o nivelamento ajuda a democratizar mais o ensino, ao possibilitar que todos possam aproveitar ao máximo um bom curso.

Qual a importância de personalizar o ensino?

Como já visto no decorrer do texto, é interessante tanto a confecção de um relatório com os dados da avaliação diagnóstica para cada aluno, de forma individual, quanto para toda a turma. Como esses resultados, é possível criar as estratégias que fortalecerão a aprendizagem nos tópicos em que a turma possui dificuldade, assim como traçar novos caminhos para cada estudante. 

Como as pessoas aprendem de forma diferente, e possuem dificuldade em coisas diferentes, nada mais justo do que personalizar as soluções para resolver as defasagens educacionais individuais. Não faz sentido focar em dificuldades particulares para toda uma turma — é importante que cada um possa se fortalecer naquilo em que precisa melhorar.

A personalização do ensino é uma tendência que vem ganhando bastante espaço na educação. Hoje é comum a aplicação de uma diversidade de metodologias, atividades e até mesmo avaliações para diferentes alunos.

Uma aula personalizada respeita as individualidades de cada um, valorizando seus pontos fortes e combatendo suas deficiências. É central que se perceba e respeite que as pessoas possuem habilidades diferentes, e saber que em cada caso é mais interessante desenvolver aspectos específicos, de acordo com o perfil do aluno.

Num processo de avaliação diagnóstica, seguida de nivelamento de aprendizagem, é imprescindível apresentar respostas personalizadas. Apesar de em vários casos ser necessário fortalecer algum conceito com toda a turma, as soluções para avançar com uma educação de qualidade passam também pela superação de problemas individuais.

Porque inserir trilhas de aprendizagem na IES?

Seguindo em um contexto de nivelamento e personalização do ensino, optar pela utilização de trilhas de aprendizagem se encaixa perfeitamente com esses dois conceitos.

As trilhas de aprendizagem são entendidas como um “conjunto integrado, sistemático e contínuo de desenvolvimento de pessoas e profissionais”. Ou seja, ela se trata de um caminho pelo qual o aluno deve percorrer, passando pelos pontos da disciplina e também pelas suas necessidades individuais.

Desse modo, o aluno pode estudar uma sequência de conteúdos que tenha mais dificuldade, melhorando, assim, cada vez mais o seu conhecimento sobre um assunto que anteriormente não dominava. 

Seguindo essa linha, sempre que possível, as disciplinas em que o estudante possui uma maior defasagem podem ser vistas de forma conjunta com outras que sejam mais fáceis para ele, deixando assim toda a aprendizagem mais fácil.

As trilhas de aprendizagem se dão de duas formas: com o modelo agrupado e o linear. O primeiro diz respeito a conteúdos que não tenham uma ordem pré definida, trazendo ao estudante a autonomia de organizá-los da forma que achar melhor.

O segundo modelo, que pode ser melhor aplicado após uma avaliação diagnóstica, é o linear. Aqui, para se adquirir um conhecimento é necessário possuir outros anteriores. Ou seja, há uma sequência lógica do que deve ser visto. 

Como o objetivo é sanar os déficits de aprendizagem de cada aluno, é importante trabalhar os conceitos iniciais desconhecidos, para que finalmente se alcance uma educação igualitária e emancipatória.

Agora que você já sabe o que é avaliação diagnóstica, como aplicar e organizar os relatórios, que tal saber mais sobre como elaborar uma avaliação online de forma prática para o ensino remoto e EaD?

Avaliações contextualizadas: pessoa marca respostas em prova

Foco na realidade: descomplicando as avaliações contextualizadas

Você já sabe sobre a importância das avaliações contextualizadas?

O momento da avaliação constitui uma das etapas mais importantes de todo o processo de ensino-aprendizagem.

É por meio da avaliação que é possível verificar como cada estudante e a turma como um todo evoluíram ao longo do período que está sendo analisado. Por consequência, é possível traçar um bom planejamento educacional, com estratégias para melhorar o que tiver que ser melhorado.

Contudo, muitas vezes os processos avaliativos no sistema educacional brasileiro buscam meramente classificar os estudantes em uma ordem de desempenho — em outras palavras, buscam apenas atribuir pontuação a cada estudante e, se for o caso, determinar punições, como reprovação em disciplinas.

Com isso, acabam por perder o sentido e não contribuem efetivamente para o aprendizado.

Para mudar esse jogo e obter o máximo possível das avaliações, é necessário repensar as concepções pedagógicas sob as quais são construídos os processos de aprendizagem. É aqui que entram em cena as avaliações contextualizadas!

Quer saber mais sobre o que são as avaliações contextualizadas e como elas podem ser aplicadas no ensino superior? Continue lendo este artigo!

Qual é a diferença entre avaliação e prova?

Antes de conceituar devidamente as avaliações contextualizadas, daremos um passo atrás para explicar a diferença entre avaliação e prova.

  • As provas ou exames têm uma definição um pouco mais limitada de escopo: são ferramentas classificatórias, que medem um comportamento ou um conjunto de conhecimentos de forma isenta.
  • Já a avaliação trata de um contexto mais amplo, e procura contribuir para a construção de saberes ao invés de apenas medir o que foi aprendido até o momento. 

Assim, a avaliação é uma proposta muito mais ampla que desempenha um papel muito importante no processo de aprendizagem dos estudantes. E existem também vários tipos de avaliação.

Nos últimos anos, a inovação na educação superior tem levado em consideração a preferência pela avaliação educativa, em detrimento das práticas mais “enrijecidas”, menos flexíveis, dos exames e provas.

Assim, muito mais do que selecionar, julgar e excluir — processos que muitas vezes derivam de exames —, o papel da avaliação no mundo contemporâneo é ajudar e transformar. 

Quais são as características das avaliações, de forma geral?

Veja abaixo algumas características das avaliações:

1. Integram o processo de aprendizagem

Ao contrário de provas e exames desconectados entre si que medem, de uma maneira fixa, o conhecimento retido pelos alunos, as avaliações são parte de todo o processo de aprendizagem.

Têm como objetivo auxiliar o estudante a consolidar o que aprendeu ou a verificar o que ainda precisa ser trabalhado.

2. Sanam dúvidas

A avaliação aponta adequadamente quais são as dificuldades encontradas pelo aluno no processo de aprendizagem. Com essa informação, se torna muito mais fácil tanto para estudante quanto para professor buscar maneiras de sanar as dúvidas que restaram e criar oportunidades de aprendizagem que ajudem esse aluno a aprender melhor. 

O objetivo, portanto, não é dificultar a vida do estudante, e sim criar condições para que o aprendizado seja facilitado e mais significativo. Após identificação das dificuldades, é possível realizar uma intervenção pedagógica.

3. Reformulam-se a partir das necessidades dos alunos

As provas e exames, geralmente, são fixas e tendem a excluir ou reprovar aqueles que tiram notas baixas ou obtêm baixo desempenho. 

Na avaliação, ocorre o contrário: é importante avaliar as turmas de acordo com suas necessidades e particularidades, o que pode implicar, por exemplo, em uma reformulação dos processos avaliativos, caso aqueles já existentes não sejam suficientes para ajudar os estudantes a aprender.

Mas então o que são as avaliações contextualizadas?

As avaliações contextualizadas são aquelas que procuram auxiliar na construção do saber a partir de uma realidade prática, e da conexão com todo o processo de ensino-aprendizagem. Considerando, justamente, que a avaliação não é uma tarefa isolada, descolada do resto do processo, é fundamental que ela esteja sempre considerada dentro de um contexto.

Contexto, para os dicionários, significa “o que constitui o texto no seu todo”. Ou seja: contextualizar a avaliação, nesse sentido, significa colocá-la dentro desse todo que está sendo aprendido. 

Entretanto, o “todo” não é apenas o conjunto total do que foi aprendido no semestre ou no curso inteiro, por exemplo, mas também como esses conteúdos se conectam com a realidade do estudante.

O conhecimento não se mede por meio de uma aplicação abstrata, desconectada, mas sim pela aplicação concreta na realidade em que ele será utilizado.

Leia também: Conheça a aprendizagem experiencial e seus benefícios no ensino superior

Avaliações contextualizadas e teoria da aprendizagem significativa

A concepção pedagógica por trás das avaliações contextualizadas leva em consideração uma das grandes teorias-chave para a educação inovadora do século 21: teoria da aprendizagem significativa. Vamos relembrá-la?

A teoria da aprendizagem significativa foi criada pelo psicólogo estadunidense David Ausubel e é, hoje, uma das principais teorias educacionais vigentes. Ela norteia grande parte das concepções pedagógicas de educadores, instituições de educação e materiais didáticos. Mas, afinal, no que consiste essa teoria?

Segundo Ausubel, a aprendizagem significativa (ou seja, que é significante e produz significado) ocorre quando o aluno consegue conectar algo novo que está aprendendo a algo que já conhece.

Nas palavras do autor, no livro Psicologia educacional

Se eu tivesse que reduzir toda psicologia educacional a um único princípio, diria isto: O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele sabe e baseie nisso os seus ensinamentos“.

Nesse sentido, aprender envolve a utilização, pelo estudante, de estruturas mentais já conhecidas e existentes para realizar novas conexões, relacionando o que está sendo aprendido ao que ele já consolidou em sua mente antes.

Trata-se de aprender com contexto, com sentido, ampliando as relações na mente do aluno ao invés de apenas adicionar informações novas a esmo. Assim, o estudo tem muito mais condições de se consolidar e o aluno ganha em letramento.

Diferentemente dos métodos pedagógicos antigos e tradicionais (em que o conhecimento prévio do aluno raramente é levado em consideração) a aprendizagem significativa trabalha justamente do modo contrário: considerando o contexto do estudante, seu local social e de fala, seu histórico e sua própria observação do mundo que o rodeia.

Leia também: Entenda o conceito de educação disruptiva e quais são os seus benefícios

Quais são as principais características das avaliações contextualizadas?

  • Ocorrem com mais frequência do que um exame ou prova final, sendo distribuídas e fragmentadas ao longo de todo o período;
  • Trazem um tema geral que norteia os exercícios e atividades;
  • Estabelecem um vínculo nítido entre todas as atividades e sua aplicação prática;
  • Estão focadas mais em avaliar o desenvolvimento de habilidades (por exemplo, se o aluno sabe buscar o conhecimento e se sabe o que fazer com ele) do que da mera listagem de informações descontextualizadas (a “decoreba”);
  • Estão vinculadas a uma autoavaliação do estudante, que pode verificar como foi o seu próprio processo de aprendizagem e como é possível melhorá-lo, considerando suas questões individuais.

Quais são os benefícios das avaliações contextualizadas?

Como já mencionado, as avaliações contextualizadas têm como objetivo ajudar o estudante a aprender, e não puni-lo por não ter conseguido atingir uma pontuação específica. Com isso, uma avaliação contextualizada bem feita pode, inclusive, despertar o interesse pelo estudo daquela disciplina.

Isso acontece porque, uma vez rompida a lógica punitiva dos exames, o estudante pode passar a enxergar os processos avaliativos como uma chance de melhorar. Mas eles devem receber a oportunidade para que isso ocorra.

Assim, os bloqueios anteriormente provocados pela punição, como desmotivação diante da reprovação e consequente perda de interesse, dão espaço à significação do estudo, e à seguinte pergunta: “Se eu não consegui aprender esse conteúdo ou desenvolver essa habilidade, o que está faltando para que eu consiga a partir de agora?”.

Portanto, as avaliações contextualizadas:

  1. Se pautam em uma perspectiva interacionista, isto é, aquela que prioriza a interação no mundo real entre estudante, sociedade e cultura;
  2. Entendem que não há como separar o conteúdo teórico da vida prática, ou seja, ambos são indissociáveis;
  3. Consideram, a todo momento, o contexto socioeconômico e sociocultural em que os estudantes estão (ou seja, o contexto que molda a visão de mundo e as percepções de cada um);
  4. Buscam colocar o estudante, cada vez mais, como protagonista no processo de aprendizagem.

Nesse sentido, vale destacar as palavras do célebre educador Paulo Freire, quando aponta que a educação é um ato de conscientização e comprometimento. Isso significa que todos que nela atuam devem estar conectados à própria realidade, para que então sejam capazes de “refletir e agir”.

Leia também: Como funciona e como desenvolver a extensão universitária na IES

Como desenvolver avaliações contextualizadas? Dicas práticas para professores

Vimos como as avaliações contextualizadas são fundamentais para fomentar a motivação para alunos e ressignificar a aprendizagem. Mas como desenvolver avaliações contextualizadas no ensino superior?

Para responder a esta pergunta, vamos apresentar algumas dicas práticas logo a seguir.

1. Aumentar a frequência das avaliações

As avaliações contextualizadas e significativas devem ocorrer com mais frequência justamente porque, assim, ajudam o estudante a “errar mais rápido” para entender mais rápido o que precisa ser melhorado. 

Essas avaliações frequentes, sem o peso da reprovação por nota, ajudam a ressignificar o processo e tornar o aprendizado mais natural e instigante para o aluno. Isso pode, por exemplo, ajudar a melhorar os níveis de aprovação da turma!

2. Criar atividades práticas, que explorem habilidades

A conexão entre conhecimento teórico, sua aplicação prática e a realidade do estudante ocorre muito mais efetivamente quando são unidos e aplicados. Ou seja, as avaliações contextualizadas também podem ser construídas com base em várias atividades práticas. 

Além disso, essas atividades ajudam a avaliar outras habilidades que não sejam técnicas, como interação em grupo, empatia, comunicação, entre muitas outras.

3. Propor atividades de autoavaliação

Para que o estudante se sinta mais protagonista do processo, a avaliação contextualizada considera também uma etapa de autoavaliação. Nesse momento, o estudante pode, ele mesmo, dizer quais foram seus erros e acertos durante as experiências de aprendizagem, o que conseguiu consolidar e o que ainda precisa ser trabalhado. 

Mais uma vez, a redução da pressão por nota e desempenho, nesse contexto avaliativo, ajuda o estudante a se avaliar sem medo de ser “punido” por isso — o que contribui para aumentar a motivação.

Esperamos que este artigo te ajude a implementar as avaliações contextualizadas em sua IES. Leia nosso próximo artigo e saiba como elaborar uma avaliação online de forma prática para o ensino remoto e EaD!

Como chamar atenção dos alunos: estudantes se distraem em arquibancada

Quer saber como chamar atenção dos alunos? Conheça 10 métodos eficientes

Um dos maiores desafios dos educadores de instituições de educação superior (IES) é a conquista e manutenção do engajamento dos estudantes. Esse é um fator que influencia diretamente em vários indicadores de sucesso da IES, e levanta a pergunta: como chamar atenção dos alunos?

Um dos indicadores que podem sofrer alterações diante da perda do engajamento é a taxa de evasão de alunos, como consequência da perda de interesse dos estudantes, e a diminuição dos índices de qualidade dos cursos oferecidos.

Com uma grande diversidade de perfis de alunos, é natural que haja grande variedade na forma de lidar com o tempo de dedicação ao estudo. Sendo assim, não é possível elencar uma única causa que leve ao desengajamento, como algumas pessoas tendem a achar.

Alguns fatores que podem complicar a relação dos estudantes com o conteúdo precisam ser identificados e neutralizados. Da mesma forma, elementos que provocam maior engajamento podem ser mapeados e utilizados posteriormente, em planejamentos dos docentes. 

Pensando nisso, preparamos o presente artigo para auxiliar os professores de sua IES! Continue a leitura e descubra como chamar atenção dos alunos!

Como chamar atenção dos alunos? 10 dicas práticas para sua IES

Para que as instituições de educação superior possam descobrir como chamar atenção dos alunos e ampliar seu engajamento, separamos 10 dicas práticas, que podem ser aplicadas no planejamento acadêmico dos professores e tutores.

Vamos falar sobre os seguintes métodos:

  1. Aproveite os picos de atenção;
  2. Assuma uma postura que auxilie no engajamento;
  3. Use metodologias ativas;
  4. Promova experiências práticas;
  5. Controle o nível de dificuldade;
  6. Incorpore o uso de tecnologia;
  7. Promova debate em sala de aula;
  8. Empregue formas alternativas de avaliação;
  9. Experimente a sala de aula invertida;
  10. Dê autonomia aos aluno.

1. Aproveite os picos de atenção

Algumas teorias são dedicadas a responder questões centrais para o processo de ensino-aprendizagem, como chamar atenção dos alunos. Em 4h de aula, conseguimos mensurar quanto tempo de atenção plena os estudantes conseguem ter?

Muitos fatores estão envolvidos na definição de períodos de atenção dos alunos, como:

  • Seus objetivos pessoais;
  • As emoções acionadas;
  • A metodologia utilizada;
  • O tipo de atividade proposta. 

O processo de observação dos alunos em relação às aulas é de grande valia para definir o tempo para cada atividade. Apesar de não existir um tempo específico de retenção da atenção, é possível utilizar dicas e direcionamentos gerais para alcançar a melhoria da experiência do aluno.

Pesquisas indicam que a capacidade de se manter atento varia entre 10 e 20 minutos. Como pode haver variações, é interessante observar as reações da turma. A criação de blocos de 15 minutos, com quebras programadas, pode facilitar a assimilação do conhecimento.

Outra percepção tem relação com os minutos iniciais em sala de aula. Geralmente esse momento é utilizado para realizar a chamada, promover correção de atividades, entre outras tarefas iniciais. 

No entanto, os minutos iniciais são aqueles em que há um pico de atenção, logo o mais recomendado é que esse momento seja de apresentação de novos conceitos.

A revisão de conceitos centrais, que precisam de maior tempo e dedicação, também pode ser feita nesse momento. Essa prática facilita a conexão dos alunos com o restante da aula, despertando a curiosidade. Para corroborar com esse processo, é recomendado que os estudantes tenham estímulos de participação, como uma indagação a ser respondida. 

Já o meio da aula pode ser um momento propício para trabalhar metodologias como aprendizagem baseada em problemas ou aprendizagem baseada em projetos, como propostas de trabalho colaborativo.

Ao final da aula é possível revisar as informações e tirar as principais dúvidas que ficaram após a aplicação de atividades e da exposição de conceitos. 

2. Assuma uma postura que auxilie no engajamento

A postura do educador pode ser um estímulo ao engajamento, assim como pode atuar de forma contrária, inserindo os alunos em um contexto de passividade. Algumas ações simples podem ser empregadas para facilitar a tomada de protagonismo do estudante. 

Uma boa ideia é inserir aquecimentos mentais na aula: um desafio, uma pergunta ou um exercício que introduz o assunto, e estimulam a atenção plena. 

Muitos estudantes têm utilizado resumos para promover assimilação do conteúdo. Além de promover essa prática, o professor pode pedir que os alunos destaquem o ponto que mais chamou a atenção, ou que emitam sua opinião sobre determinado assunto que foi utilizado na exposição do conteúdo.

Outra dica é  mudar o tom e o volume da voz durante a aula. Alguns assuntos podem ser mais técnicos e detalhados, o que pode gerar um certo tédio. A forma de falar adequada a cada momento pode ser decisiva para manter o engajamento.

O humor também é uma dica importante. Se você se sente confortável com brincadeiras e um tom mais irreverente, não tenha medo de usá-lo, dentro dos limites do respeito e bom senso. Já aqueles que não se sentem confortáveis com essa postura podem buscar recursos de terceiros, como produções audiovisuais, tirinhas, podcasts, etc. 

Nada disso deve ser feito sem uma base contextual para promover uma aprendizagem significativa. Para tal, é preciso utilizar exemplos próximos da realidade dos estudantes, para que eles sejam capazes de enxergar a dimensão prática e aplicável do conhecimento.

3. Use metodologias ativas

E por falar nas metodologias ativas, elas são uma importante estratégia de engajamento dos estudantes do ensino superior. A aplicação de métodos ativos têm comprovação científica na promoção de mais momentos de atenção entre os alunos. 

Afinal de contas, muitos dos estudantes das IES fazem parte de uma geração que é nativa digital, ou seja, que já teve acesso a computadores e outros dispositivos desde sempre. Internet discada? Muitos desses jovens podem nem saber do que estamos falando!

Por isso, é importante entender que a dinâmica de atenção para pessoas que ficam conectadas o dia todo é muito diferente. Mas então como chamar atenção dos alunos hiperconectados? As metodologias ativas são uma solução.

Assim como nos dispositivos tecnológicos, nas aulas com metodologias ativas o estudante participa ativamente, tornando-se co-produtores de conhecimento, eliminando a ideia de que o professor é o único que detém essa capacidade. E não se engane, há métodos possíveis para vários tipos de aula! 

Inclusive, a variação de métodos também auxilia na melhor apreensão do conteúdo, como bem sugere a teoria de William Glasser, com a pirâmide de aprendizagem. 

Entre algumas técnicas das metodologias ativas, podemos citar a atividades gamificadas. Elas aproximam a dinâmica da sala de aula da prática dos jogos online e offline, capazes de manter a atenção e a participação dos estudantes. 

Outras duas técnicas muito atrativas para manter o engajamento no ensino superior são a aprendizagem baseada em problemas e em projetos. A resolução de uma questão, ou a proposição de um planejamento são capazes de motivar os alunos na busca por avanços em suas áreas. 

Opções não faltam para criar uma ponte entre conhecimentos teóricos e práticos!

4. Promova experiências práticas

Para complementar o que acabamos de constatar, é possível buscar ainda mais ferramentas para trazer as aulas para a dimensão prática do conhecimento. É só na prática que muitas dúvidas se revelam, por conta da interação com elementos da realidade. 

Entre esses fatores, podemos citar as questões geográficas, políticas, sociais, etc. Todos eles alteram a experiência do aluno com o conhecimento, e devem estar previstos no processo de aprendizado.

Um recurso muito interessante nesse sentido é a aprendizagem experiencial, que procura justamente situar o ensino-aprendizagem em uma abordagem mais prática e contextual.

5. Controle o nível de dificuldade

Quanto mais difícil, melhor? Nem sempre! Controlar o nível de dificuldade é essencial para manter o engajamento do aluno. E essa é mais uma das tarefas quase imperceptíveis dos docentes: avaliar a capacidade de assimilação de determinado conteúdo em uma turma, e para cada estudante. 

Tanto a hiperestimulação quanto a hipoestimulação podem ser danosas para o processo de aprendizagem. 

  • Na hiperestimulação, ou seja, na criação de um nível de dificuldade acima da capacidade do aluno, ocorre a desmotivação pela percepção das dificuldades, e o sentimento de incapacidade de vencê-las. 
  • Já na hipoestimulação, o aluno consegue captar todo o conteúdo e desenvolver todas as atividades, mas por se encontrar em um nível abaixo do que é capaz de desempenhar, sente-se desmotivado, o que pode até fazer com que o aluno desista da atividade, disciplina ou curso. 

Os professores podem fazer testes para mensurar este quadro, como a avaliação diagnóstica. A partir dela, é possível discutir os caminhos para adequar o conteúdo aos estudantes. 

6. Incorpore o uso de tecnologia

O uso de recursos digitais de aprendizagem ocupou, por alguns anos, um lugar marginal. O que antes era uma atividade desaconselhada passa a se tornar parte do planejamento pedagógico das instituições de educação, especialmente aquelas que trabalham com o ensino superior. 

Essas ferramentas possibilitam a inserção dos alunos em ambientes digitais, e a utilização de modos de aprender e ensinar distintos, mais amplos, e com acesso facilitado.

No caso dos estudantes, as simples proibições de uso não funcionam mais. O uso consciente pode ressignificar a relação com esses dispositivos em sala de aula, e beneficiar o processo de ensino — é preciso saber, por exemplo, como aproveitar o celular na sala de aula.

Um dos usos está ligado aos recursos audiovisuais, que podem ser criados ou replicados para ensinar ou reforçar um conteúdo. É uma forma de estimular a criatividade, e a capacidade de interagir de forma benéfica com a tecnologia.  

Além disso, os dispositivos móveis oferecem a possibilidade dos estudantes estarem presentes de forma remota, além de viabilizar uma comunicação mais fácil entre alunos, e com os professores e tutores.

7. Promova debate em sala de aula

Alguns professores acreditam que um aluno que fica em silêncio durante toda a aula, observando a exposição do conteúdo feita pelo educador, é sinônimo de atenção plena. Mas quem nunca passou pela situação de estar presente apenas de forma física, e com a mente vagando por aí?

Pois é, acontece mais do que se imagina! Como chamar atenção dos alunos e evitar que isso ocorra?

A participação ativa dos estudantes é fundamental. Os debates em sala de aula são essenciais para que essa participação fique consolidada, e passe a fazer parte da postura dos alunos.

Uma boa forma de incorporar essa prática é lançar questionamentos no início das aulas. Além disso, podemos identificar pontos de dissenso, ou impasses,  que possam gerar discussões valiosas. Nelas, diferentes pontos de vista podem ser apresentados, enriquecendo as perspectivas dos participantes.

Essa prática pode, ainda, resultar em uma atividade capaz de gerar engajamento. Para isso, basta dividir a sala em grupos, e promover um debate a partir de uma questão pré-definida. Em alguns casos, como no curso de Direito, é possível realizar um júri simulado.

Além dessa prática, que oferece oportunidades de aprendizagem entre pares, o estudante pode, e deve, fortalecer os laços com os colegas. Para isso, o educador precisa dosar o nível saudável de conversas durante as aulas, para evitar que isso atrapalhe o ensino, sem que vire um ambiente desconfortável.

8. Empregue formas alternativas de avaliação

Além de utilizar metodologias ativas, e atividades envolventes, é preciso que todo o planejamento das aulas esteja alinhado ao objetivo de cativar os estudantes. Um ponto de atenção são os tipos de avaliação utilizados.

É preciso que as avaliações contemplem o perfil de cada aluno, para que este se sinta valorizado. A diversificação dos modos de avaliar pode ser uma ferramenta para que diversos perfis de alunos sejam contemplados nesse processo tão necessário.

Muito além das provas, é possível pontuar a partir de uma observação profunda das dinâmicas entre grupos, nas atividades propostas de forma coletiva, além de avaliar o próprio engajamento em sala de aula, e a frequência do estudante.

Uma autoavaliação também é ferramenta potente para promover reflexões sobre o engajamento. Nela, o estudante pode avaliar critérios como o nível de dificuldade das aulas e das atividades, além de propor melhorias para dar um upgrade na experiência dos próximos estudantes. 

9. Experimente a sala de aula invertida

O método da sala de aula invertida é ideal para os professores que desejam estimular o engajamento de seus estudantes. A metodologia consiste na divisão do processo de aprendizagem em dois momentos chave:

  1. O primeiro ocorre em casa, com referências que podem ser indicadas pelo educador. O aluno estuda antes da aula.
  2. Em um segundo momento, já em sala, ocorre a discussão sobre o que foi estudado, com  comentários dos alunos e observações que o professor achar pertinente. É o momento ideal para tirar dúvidas que podem ter aparecido enquanto cada estudante fazia sua imersão individual no assunto.

A sala de aula invertida pode ser utilizada em todas as aulas, ou de forma pontual, de acordo com o planejamento da disciplina ou do curso. Ela faz com que o tempo em sala de aula seja utilizado de forma mais proveitosa, favorecendo as atividades e discussões. 

10. Dê autonomia aos alunos

A autonomia é essencial para que os alunos sintam-se mais engajados, especialmente no ensino superior, em que o público, em sua maioria de jovens e adultos, estão acostumados a cargas de responsabilidade maiores.

O ensino “mão na massa” é um grande estímulo à autonomia, e combina perfeitamente com todos os métodos e dicas que foram apresentadas anteriormente. Nosso contexto tecnológico também corrobora com essa perspectiva, já que a produção e o uso de recursos audiovisuais estimulam a autonomia dos estudantes.

A cultura maker na educação — movimento em que os alunos são convidados a criar suas próprias soluções e produtos — é parte da ideia de “faça você mesmo”, que prevê a plena capacidade de qualquer indivíduo adquirir conhecimento para construir, consertar ou criar.

Na área de tecnologia esse conceito é peça chave para inovações, e nos demais cursos torna-se um convite para promover melhorias contínuas na área de atuação. 

A criatividade, e liberdade de colocar suas ideias em prática, é o que prevê a cultura maker. É uma forma de materializar sua visão de mundo, e compartilhar essas perspectivas com as outras pessoas. Além de ser um trunfo do ponto de vista profissional, também pode tornar-se um grande ativo para questões sociais. 

A partir dessas 10 dicas, é possível melhorar o engajamento dos estudantes em sala de aula, e consequentemente a experiência desses alunos. Novos métodos, mais contextualizados e que promovem a autonomia precisam fazer parte de uma mudança de mentalidade e modo de operação dos educadores. 

É necessário estimular a participação dos alunos, sem medo das repercussões disso. Precisamos utilizar, de forma positiva, as conversas paralelas em sala de aula e as novas tecnologias.

O sucesso de uma instituição de educação superior tem relação direta com a qualidade do serviço oferecido, e esse é um dado que faz parte das rotinas dos estudantes. Um aluno satisfeito é uma ponte para alcançar outros potenciais estudantes. 

Esperamos que tenha gostado deste conteúdo sobre como chamar atenção dos alunos! Se você deseja saber mais sobre várias formas de ensinar e aprender, não deixe de conferir esse post sobre estilos de aprendizagem!

Aprendizagem experiencial: grupo de jovens anda ao ar livre

Conheça a aprendizagem experiencial e seus benefícios no ensino superior

Você conhece a aprendizagem experiencial?

A educação tem sofrido diversas modificações com o passar dos anos e, na atualidade, é cada vez mais comum vermos novas práticas e tecnologias ganharem espaço. Diversas metodologias estão surgindo, se implementando e se aperfeiçoando graças aos avanços nas pesquisas pedagógicas, nas inovações tecnológicas e também na visão da sociedade sobre o processo de ensino.

Com o passar do tempo, ficou cada vez mais nítido que ler e escutar são formas pouco eficientes de absorção de conhecimento para o ser humano. É, agora, o momento de ver e fazer, de entender a importância da atividade prática para uma educação mais qualificada.

Deste modo, chegamos à aprendizagem experiencial, uma metodologia que revoluciona a forma como a transmissão do conhecimento é entendida tradicionalmente. Neste artigo, veremos mais sobre seu conceito, eixos, benefícios e dicas para implementação. 

O que é aprendizagem experiencial?

A aprendizagem experiencial é um método pedagógico que consiste em assimilar o conhecimento de forma empírica, ou seja, aprender com as experiências. Ela parte do pressuposto de que a simples exposição e a memorização da matéria não significa realmente aprender, mas sim decorar um conteúdo específico para a realização de provas.

Aqui, na aprendizagem experiencial, o aluno vê na prática o objeto de seu estudo. É superado o modelo de transmissão expositiva do conhecimento, com conceitos abstratos, para que a vivência entre em campo e traga uma aprendizagem mais significativa e completa para o estudante.

Leia também: Como preparar as IES e o aluno do futuro

Quais são os fundamentos da aprendizagem experiencial?

Como as demais metodologias ativas no ensino superior, a aprendizagem experiencial possui características centrais para sua aplicação. Traremos agora cinco fundamentos que tornam esse método educacional tão rico e completo:

1. Aprender na prática

É a característica mais básica da aprendizagem experiencial, a questão primordial desta metodologia: o estudante deve aprender na prática o conteúdo que é lecionado.

Aqui, com a compreensão de que ver e fazer têm um poder maior de retenção de conhecimento do que ler e escutar, o aluno será levado a exemplos práticos e terá o entendimento do que é ensinado.

2. Mudança no papel do professor

Na aprendizagem experiencial, o estudante tem um papel central na educação, pois é na vivência prática de suas experiências que ele realmente estará retendo o conhecimento. As quatro etapas do processo, que serão explicadas mais à frente, dependem do envolvimento do aluno.

Deste modo, o papel do professor na atualidade, aqui, é diferente daquele entendido no modelo tradicional de ensino. As aulas expositivas, em que o mestre fala e a turma deve aprender ao ouvir e ler, são substituídas por atividades práticas.

O professor deixa de ser o detentor do conhecimento e se torna um facilitador nas experiências dos alunos, os guiando para que possam chegar a resultados satisfatórios. A educação se dá de forma mais horizontal, e com o protagonismo em quem mais precisa dela: o estudante.

3. Capacidade de replicar o conhecimento

A aprendizagem experiencial não é uma metodologia prática apenas por trazer a vivência do conhecimento para o aluno; ela também o possibilita replicá-lo. Importa ressaltar que o estudante, a partir dos exemplos concretos, consiga aplicar o conhecimento ali visto em uma nova atividade, gerada por ele.

É fundamental lembrar que, apesar de ver ser uma ótima forma de reter conhecimento, fazer é ainda mais potente. Essa experimentação é a que melhor indica o quanto a turma conseguiu aprender com a metodologia, se a experiência, a observação e a racionalização foram realmente realizados com sucesso.

4. Compreender os processos, além de teorias e conceitos abstratos

O ensino tradicional, com suas aulas expositivas, transmite o conhecimento ao apresentar teorias e conceitos de forma abstrata. Além de trabalhar com poucos exemplos práticos, o modelo de ensino em que o aluno deve ouvir e memorizar, para depois reproduzir em uma prova, não explica como conceitos já estabelecidos foram criados.

Aqui, o aluno, além de conhecer teorias e conceitos sobre o conteúdo, desenvolve a habilidade de compreender como surgiram. Afinal, só com o conhecimento de todo o processo, e bastante reflexão do que é visto, é que o estudante pode realmente replicar o que aprendeu e criar ainda mais conhecimento.

5. Utilizar de diversas formas de aprender

Não é novidade que o ser humano aprende de diversas formas, e que para cada um há um método mais eficiente. Com a aprendizagem experiencial, os alunos constroem seu conhecimento no decorrer de quatro etapas, tendo acesso a formas complementares de compreender o que está sendo ensinado (vamos falar sobre cada uma no próximo tópico!).

Enquanto alguns aprendem melhor ao viver aquilo, outros se saem melhor ao refletir o que aconteceu, assim como um grupo pode preferir recriar a experiência para melhor compreendê-la. É esse processo, que se dá de forma tão completa acerca de um conteúdo, que assegura os bons resultados da aprendizagem experiencial.

Leia também: Entenda a importância e os benefícios do ensino interativo

Quais são as etapas do ciclo da aprendizagem experiencial?

Como já visto anteriormente, uma aprendizagem experiencial de sucesso passa por quatro etapas que se completam. O conhecimento deve ser gerado através de uma experiência voltada para a aprendizagem, na qual a teoria deve ser superada para, ao final, o aluno colocar em prática o que foi visto.

1. Experiência concreta (agir)

Na primeira etapa do processo de aprendizagem experiencial, o aluno deve ser exposto a uma experiência significativa sobre aquilo que será visto. É interessante que essa vivência prática seja o mais próxima possível da realidade.

Neste momento, o aluno já estará realizando uma atividade prática, mesmo que ainda não a compreenda. É interessante trabalhar com:

  • Simulações;
  • Excursões e trabalhos de campo;
  • Recursos de realidade virtual e aumentada e demais práticas enriquecedoras de ensino.

2. Observação reflexiva (refletir)

Neste segundo momento, o estudante deve refletir sobre o que viu durante a experiência realizada anteriormente. Seja de forma individual ou em grupo, deve ser observado o que foi aprendido, assim como sua importância.

Este é um espaço para que se desenvolvam perspectivas diferentes, trazendo diversas possibilidades e também hipóteses do que poderia ter sido feito de outras formas. Algumas atividades úteis nessa etapa são:

  • Grupos de discussão;
  • Redações sobre as atividades;
  • Aplicação de questionários.

3. Conceituação abstrata (conceitualizar)

É chegado o momento de generalizar o que foi visto, de tirar conclusões e aplicar em outros casos. O conhecimento aprendido deve transpassar a experiência vivida pelo aluno para alcançar diferentes situações, para que seja verificada a aplicabilidade dos conceitos retidos.

Por meio de comparações, o estudante poderá averiguar se sua experiência poderá ser replicada, se o conceito aprendido é realmente válido. Aqui, é fundamental desenvolver atividades que incentivem uma análise lógica e o compartilhamento deste conhecimento. 

4. Experimentação ativa (aplicar)

Por fim, o que foi visto na prática, quando o aluno ainda não compreendia sua teoria, poderá ser replicado. Agora o estudante poderá aplicar seus conhecimentos em novas experimentações, inclusive em situações reais.

Neste momento, as reflexões e conceitos criados nas fases anteriores poderão finalmente ser verificadas e qualificadas. O uso de laboratórios e recursos virtuais que possibilitam a criação de projetos agregam muito nesta etapa.

Também é válido utilizar as atividades sugeridas no primeiro passo, agora com maior liberdade para desenvolvimento.

Leia também: O que é e como desenvolver a Cultura Maker na educação?

Quais são os benefícios da aprendizagem experiencial?

Agora que já sabemos mais sobre essa metodologia que acrescenta tanto no ensino, podemos analisar melhor as vantagens de sua utilização. Deste modo, elencamos aqui 7 benefícios da aplicação da aprendizagem experiencial:

1. Rapidez na aprendizagem

Apesar de possuir quatro etapas, o processo de aprendizagem experiencial é rápido. A tradicional transmissão do conhecimento — e principalmente sua memorização — requer mais tempo para ser realizada. Sendo assim, aprender por meio de experiências, além de mais eficaz, é mais rápido

2. Maior engajamento

Assim como as demais metodologias ativas, as atividades que colocam o estudante no centro do ensino conseguem engajar os alunos. A motivação se torna maior ao participar de uma atividade de forma prática, na qual sua percepção é determinante para o resultado.

Além disso, o engajamento também é maior quando o aluno percebe o tamanho de sua importância na criação do conhecimento. Outro ponto positivo, dentro desta perspectiva, é que o aluno, ao final do ciclo, será induzido a criar com aquilo que aprendeu, deixando a aula ainda mais interessante.

3. Protagonismo estudantil

Como já dito anteriormente, a aprendizagem experiencial dá protagonismo ao estudante. Isso ocorre pois o processo de ensino sai do modelo tradicional, em que o professor é o grande detentor do conhecimento. É possibilitado, agora, que os estudantes possam ter um papel ativo durante as aulas, se tornando a parte principal da educação.

4. Possibilidade de personalização do ensino

Outra tendência da educação atual é a personalização do ensino, que vai ao encontro do fato de que pessoas diferentes aprendem melhor de formas diferentes. Aqui, o estudante passa por quatro etapas complementares que desenvolvem o saber, e podem aproveitar com mais intensidade aquela que mais os acrescente.

Além disso, as experiências educacionais podem ser diferentes dentro de uma mesma turma. Vale lembrar que até experiências iguais são percebidas de formas diversas, de acordo com a personalidade de cada um.

5. Maior facilidade de avaliar

Fica mais fácil avaliar os estudantes, tanto sua participação quanto retenção de conhecimento. Por se tratar de atividades práticas, o envolvimento dos alunos é facilmente perceptível, pois sem ele nenhum resultado será possível. 

Além do mais, na última etapa, ao propor que o estudante aplique o que aprendeu em uma nova experiência, pode ser avaliado o quanto o conhecimento foi adquirido e desenvolvido.

6. Desenvolvimento de habilidades

Em geral, atividades práticas requerem mais dos estudantes, e aqui não é diferente! Como conta com quatro etapas bem distintas entre si, a aprendizagem experiencial proporciona o desenvolvimento de diversas habilidades, principalmente ligadas à observação, análise e racionalização dos acontecimentos, além da proposição de novas atividades práticas.

7. Ampliação do aprendizado

A diversidade de etapas faz com que se possa aprender de diversas formas. Essa metodologia ajuda os estudantes que gostam de ligar a teoria à prática, assim como aqueles que gostam de refletir mais sobre o que é visto. 

Com tantas atividades sendo realizadas em um ciclo, as formas de aprender são ampliadas, trazendo mais sucesso para a educação.

7 dicas para uma aplicação de sucesso da aprendizagem experiencial

Agora que você já conhece a aprendizagem experiencial, suas etapas, características e benefícios, traremos 7 dicas para uma aplicação de sucesso:

1. Escolha experiências reais

Experiências que conversam com a realidade são mais atrativas e envolventes, possibilitando, desse modo, uma maior retenção de conhecimento. Além disso, é preciso lembrar que os estudantes também devem propor novas práticas, e este processo se torna mais fácil ao ser iniciado com situações mais cotidianas.

2. Encoraje a participação

É fundamental lembrar que como metodologia ativa, a base da aprendizagem experiencial é a participação dos alunos. Não há como falar em experiência e em protagonismo estudantil sem que haja participação.

3. Complemente com materiais didáticos

A aula fica ainda mais rica ao ser complementada com diversos materiais didáticos. Além de material impresso, os professores podem utilizar de inúmeros conteúdos digitais que aperfeiçoam tanto a experiência quanto a reflexão sobre ela.

4. Treine os professores

Apesar de aqui os professores terem um papel diferente, é indispensável que eles sejam treinados.

Por ser uma dinâmica nova para muitos, é importante se preparar para isso. Deste modo, os professores devem estar prontos para mediar as atividades, além de saber os limites de sua interferência.

5. Incentive a colaboração

Mesmo sendo uma atividade que traz diversos resultados individuais, é importante que os estudantes colaborem com a turma. As experiências compartilhadas servem de base para discussões mais completas sobre o conteúdo visto, formando assim um melhor entendimento do todo.

6. Proponha autoavaliação

Como o aluno está à frente de todo o processo educacional, é bastante válido que ele também possa avaliar o seu crescimento. Essa autoavaliação deixa ainda mais perceptível os avanços e o que precisa ser aperfeiçoado pelo estudante.

7. Realize atividades fora da IES

As atividades práticas também podem ser realizadas fora de sala! Sair do espaço da IES pode dar uma dimensão maior às experiências educativas, tornando-as mais reais.

Esperamos que você tenha gostado do nosso material sobre a aprendizagem experiencial. Agora, que tal aprender como desenvolver as metodologias ativas com uso de tecnologias digitais?

Orientação profissional: duas mulheres conversando

Como e por que desenvolver orientação profissional na IES?

Muitos educadores do ensino superior podem acreditar que os alunos já chegam decididos sobre qual caminho querem seguir. Na verdade, há muitos alunos que ainda não descobriram qual será sua futura atuação profissional e é justamente por isso que orientação profissional tem um papel tão importante.

É preciso ter em mente que muitos alunos chegam às graduações com apenas ideias sobre seus interesses principais e qual vocação tem mais a ver com suas habilidades. Isso não significa, é claro, que eles tenham certeza sobre qual profissão seguir — muito menos quais das diferentes vertentes de cada profissão devem fazer parte do seu futuro. 

Então é muito importante que a instituição de educação superior (IES) também esteja preparada para auxiliar durante esse processo. Assim, é possível fazer da decisão do aluno uma tarefa muito melhor informada e disponibilizar as ferramentas necessárias para que ele possa fazer melhores escolhas. 

Não existe necessariamente uma escolha certa, mas a IES é um ambiente muito propício para encontrar profissionais e outros alunos que estejam dispostos a abrir o diálogo sobre as realidades de cada carreira: suas dificuldades, seus destaques e o que é necessário para ter sucesso naquele espaço.

Justamente por isso, o papel da orientação profissional é redobrado no interior das instituições de educação: os alunos fazem parte de uma comunidade acadêmica bastante interessada e engajada em promover o debate sobre quais são os caminhos de cada profissão. 

Os gestores da educação superior, por sua vez, devem criar os espaços para promover esse debate profissional. Através deles, podemos compreender quais são as dúvidas dos alunos e fazer com que eles tenham as ferramentas necessárias para fazer suas escolhas. 

Além de contribuir para um mercado de trabalho com profissionais mais preparados, a instituição de ensino também promove a melhoria da experiência do aluno através dessas iniciativas. 

No presente artigo, vamos falar sobre a importância e vantagens da orientação profissional no ensino superior, além de apresentar dicas práticas para implementá-la em sua IES.

Tenha uma boa leitura!

Qual é o perfil do ingressante na educação superior brasileira?

Antes de mais nada, é necessário conhecer melhor o perfil dos alunos que ingressam na educação superior. Assim, podemos desenvolver programas de orientação profissional mais bem direcionados.

Atualmente, jovens e adultos de variadas idades buscam o espaço das IES não só para qualificar-se, mas também para ampliar seus horizontes educacionais e conhecer as diferentes ferramentas que podem levar para a sua área de trabalho, seja ela qual for.

Essa diversidade é fruto da democratização do ensino. Contudo, podemos identificar algumas características predominantes entre os alunos ingressantes.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior do Brasil 2020, os ingressantes são constituídos, em sua maioria, por: 

  • Mulheres, entre 19 e 24 anos; 
  • Estudantes do turno da noite; 
  • Provenientes de escolas públicas,
  • Matriculadas em IES privadas;
  • Pessoas que precisam trabalhar para ter renda, apesar de não serem, em regra, as responsáveis financeiras de seu domicílio.

Os perfis de trabalho também merecem destaque. Na rede privada, os alunos do ensino superior tendem a trabalhar concomitantemente a seus estudos: 62% têm emprego, sendo que quase metade deles trabalha entre 40 e 50 horas por semana.

A renda é outro fator relevante: na maior parte dos ingressantes, era de até dois salários mínimos, explicando a necessidade de renda extra para alunos que custeiam total ou parcialmente seus estudos.

Leia também: 5 passos para montar um programa de financiamento estudantil 

Como desenvolver a empregabilidade dos alunos?

Pensando no futuro do aluno, é importante que a IES facilite o desenvolvimento de sua trabalhabilidade e empregabilidade. São características que resultam de uma soma de competências e habilidades, além de currículo e atuação profissional.

Como um dos pontos mais relevantes para o ingressante é desenvolver sua empregabilidade durante a graduação, é essencial que a IES tenha ferramentas necessárias para auxiliar nesse processo.

É preciso ajudar o aluno não somente a absorver o conteúdo das disciplinas, mas também a desenvolver:

  • Autonomia de estudos;
  • Proatividade em atividades;
  • Multidisciplinaridade de interesses;
  • Relações interpessoais, etc.

Essas e outras habilidades são as chamadas soft skills, tão relevantes para seu futuro quanto o destaque acadêmico.

Quais são os cursos mais atraentes em termos de atuação profissional?

Alguns cursos superiores são vistos como mais versáteis por futuros empregadores e justamente por isso atraem muitos alunos, quando pensam em qual curso escolher

É o caso, por exemplo, do curso de Direito, um curso multidisciplinar de grande popularidade atualmente. De acordo com o Censo da Educação Superior, o Direito é o curso mais popular na modalidade presencial. Quase 800 mil alunos estão matriculados, entre a rede privada e federal. 

Já no ensino superior a distância, a Pedagogia é o foco: mais de 500 mil matrículas na rede privada e mais de 15% do total dos alunos a distância da rede federal. 

A versatilidade explica esse cenário: no Direito, há uma ampla área de atuação profissional e o egresso pode se especializar, oferecendo maior empregabilidade. Já na Pedagogia, o aluno se prepara para atuar em diferentes contextos escolares.

Leia também: Saiba quais são os cursos com maior empregabilidade no Brasil

Compreenda a importância da orientação profissional

A presença de orientação profissional é uma ótima estratégia a ser executada pelas IES. Esse recurso, com o apoio de profissionais qualificados, pode fazer toda a diferença em manter o aluno motivado e ajudá-lo a escolher as próprias trilhas de aprendizado e carreira.

Orientação profissional e trabalhabilidade

Além de um currículo que leve à empregabilidade, é importante que o egresso de um curso em sua IES tenha trabalhabilidade, isso é, ter a capacidade de exercer sua função, não apenas se destacar como candidato.

Esse conceito, mais contemporâneo, também é o que permite ao profissional abstrair seus conhecimentos e aplicá-los em diferentes caminhos, não apenas na possibilidade de se candidatar a um emprego.

Um aluno que cursa Ciências Contábeis, por exemplo, pode ter um ótimo currículo, aliado a estágios, cursos de extensão, atividades voluntárias, pesquisa, etc. Isso o destaca dentro do mercado de trabalho.

Porém, um aluno que planeje abrir seu próprio negócio ou crescer um empreendimento depois da formatura pode querer buscar outros caminhos dentro da graduação. Se ele não encontrar espaço para desenvolver diferentes habilidades, pode acabar desmotivado.

Outro aluno, que entre no curso por seu interesse na teoria, pode estar perdido com os anos finais, sem entender qual profissão terá após a formatura e quais itens deve adicionar em seu repertório para alcançar seus objetivos.

Nesse sentido, a orientação profissional é fundamental: depois de alguns anos no curso, os alunos já começam a compreender quais facetas daquela área de atuação são mais interessantes, mas nem sempre conseguem encontrar os caminhos que façam sentido para eles. 

A orientação profissional pode ajudar a encontrar as atividades que o levem por esse caminho, desde a busca por estágios até as experiências dentro da IES.

Orientação profissional e soft skills

É na orientação profissional que o aluno entende quais competências intra e interpessoais (as soft skills) ele precisa desenvolver durante o restante de seu curso. Na sala de aula, muitas vezes, o foco é na parte do conteúdo, da teoria e da aplicabilidade.

Mas para a atuação profissional, muitas vezes o aluno se sente perdido entre as opções, quais habilidades ainda precisa desenvolver e como alcançá-las. 

O orientador profissional pode direcioná-lo nesse sentido, dialogando sobre cada possibilidade, sobre quais desafios estão pela frente e como cada um pode utilizar seus talentos e habilidades para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Orientação profissional e realidade do mercado

O processo de autoconhecimento, estimulado na orientação profissional, também é importante para os alunos que não se sentem pertencentes ao curso que escolheram. Muitas vezes, essa escolha ocorre durante uma fase da vida de várias mudanças. É possível que o aluno não tivesse, naquela época, um retrato fidedigno da realidade da profissão.

Na maior parte dos casos, quando esse perfil de aluno encara as partes específicas da atuação, suas barreiras e desafios, ele se sente incerto e inseguro, necessitando de uma ajuda para entender se aquele é mesmo seu caminho.

É comum que estudantes tenham uma pré-concepção errada do curso ou da profissão quando estão no Ensino Médio, então as mudanças bruscas do Ensino Superior trazem angústia. A orientação profissional, no entanto, pode ajudar esses alunos a entender se estão no caminho certo e o que fazer se não estiverem.

Leia também: Novas profissões do futuro exigem novas IES: saiba como ter uma instituição de educação superior inovadora

Quais são as vantagens da orientação profissional para a IES?

Apesar de ser uma estratégia voltada primariamente para os alunos, é inegável que a orientação profissional traz benefícios diretos para a IES. Vamos apresentá-los a seguir.

1. Melhoria da imagem do mercado de trabalho

Quando os alunos saem da IES, é importante que eles tenham boa atuação profissional para que possam utilizar sua formação e ampliar a reputação de seu curso. Uma das razões pelas quais futuros alunos optam por sua IES é a experiência de ex-alunos.

Mas é claro que o aluno não pode ser um bom exemplo se ele não se encontra na área em que cursou sua graduação, ou até mesmo demonstra arrependimento. A ideia, pelo contrário, é fazer com que todos os alunos matriculados encontrem caminhos com que se identificam.

2. Estímulo à formação continuada

Os alunos que optam pela pós-graduação precisam de uma base compatível. Por exemplo, um egresso do curso de Administração, considerado versátil pelo mercado, pode querer cursar um um mestrado. Mas para isso, ele precisa ter uma compreensão boa da matriz curricular de sua graduação e entender quais são seus objetivos com a pós.

Aqui, a orientação profissional também tem seu papel: ela direciona os alunos para aumentar sua formação, seja por meio de experiência profissional, seja pela pós. Levando em consideração as dúvidas de cada um, ela pode mostrar quais possibilidades existem e como atingi-las.

3. Redução das taxas de evasão

As taxas de evasão de alunos também são uma questão no segmento superior, e também estão relacionadas à falta de orientação profissional. De acordo com o Mapa do Ensino Superior, de cada 4 alunos que concluem o ensino fundamental, apenas 2 concluem o ensino médio e 1 termina o curso superior.

Entre as razões para o crescimento dessa taxa de evasão, podemos citar:

  • Altos custos de mensalidade;
  • Desemprego;
  • Falta de apoio financeiro (por meio de programas governamentais ou concessão de bolsas, por exemplo);
  • Falta de identificação com o curso.

Durante os anos, manter-se no curso passa a se tornar mais difícil por essas razões. Se esse cenário ocorre ao mesmo tempo que uma situação de desconexão com as disciplinas, o aluno fica desmotivado e pode desistir da graduação.

Entre outros fatores, essa falta de identificação pode estar atrelada a uma escolha errônea de curso ou até mesmo de incertezas em relação aos caminhos futuros. Nesse cenário, uma boa orientação profissional pode auxiliar a melhorar a retenção de alunos no ensino superior.

4. Identificar problemas e solucioná-los

Apesar de não ser o foco, a orientação profissional também é um espaço para que a IES note quais lacunas existem na formação. Isso porque os alunos perdem o interesse quando as aulas não os engajam, não fazem uso de metodologias de ensino inovadoras ou estão desconectadas do cenário contemporâneo. 

Com isso em mente e o diálogo aberto, é possível fazer alterações e reestruturações que permitam ao aluno um melhor aproveitamento do curso escolhido ou até mesmo a criação de novos cursos que ainda não existiam na IES, apesar da alta demanda dos alunos.

A orientação profissional é, portanto, uma estratégia que beneficia todas as esferas da educação superior. Ela melhora o aproveitamento, engaja a comunidade escolar, abre as portas para a difusão de conhecimento e, claro, auxilia o aluno a encontrar a trajetória profissional que faça mais sentido para ele. 

5 Dicas para implantar a orientação profissional na IES

Existem algumas estratégias para implementar a orientação profissional de forma produtiva e acolhedora na IES, que vamos apresentar neste tópico.

1. Entenda o perfil do aluno

Cada IES tem sua comunidade acadêmica e é importante atentar-se a cada realidade específica. 

A comunidade acadêmica é o foco de uma instituição, e deve ser vista em sua singularidade. Isso significa que para criar um programa de orientação profissional de qualidade, é preciso escutar os alunos que precisam dessa ferramenta.

Existem múltiplas formas de descobrir o que os alunos buscam, mas a mais comum é a realização de avaliações do curso. Nela, é possível questionar os alunos sobre seus interesses, sentimentos em relação ao curso, o quanto se sentem preparados para o mercado, entre outras perguntas.

A partir delas, a coordenação e a equipe pedagógica terão dados relevantes sobre quais queixas são comuns e poderão direcioná-las aos profissionais aptos.

2. Busque profissionais qualificados

Em segundo lugar, é importante que esse desafio seja enfrentado com o apoio de um profissional da área. De acordo com a Associação Brasileira de Orientação Profissional, é importante que este seja um profissional ético e comprometido com os serviços frente à população.

Em geral, os profissionais atuantes são pedagogos com especialização em orientação profissional, mas há também psicólogos cujo trabalho é voltado ao desenvolvimento profissional. Também, é claro, é importante alinhar a experiência do profissional com as demandas dos alunos: o ideal é alguém que esteja focado em trabalhos para adultos incertos de suas escolhas.

Além da orientação profissional, vale lembrar que a saúde mental dos estudantes é parte importante de uma formação adequada e de boas escolhas de carreira. Para isso, a IES deve oferecer apoio aos alunos que enfrentam este tipo de dificuldade.

Esse apoio é melhor desenvolvido com a criação de uma seção de orientação psicológica, voltada ao autoconhecimento e ao acolhimento do aluno que esteja passando por situações difíceis, inclusive as incertezas profissionais.

3. Desenvolva atividades de diálogo

Além de atividades e reuniões com profissionais, outra estratégia que pode ser utilizada é o diálogo direto com o mercado. Ex-alunos e outros profissionais atuantes são ideais, com muitas histórias para dividir com os alunos.

Essas pessoas, que vivenciam diretamente os desafios e as oportunidades da atuação profissional, podem ser convidadas para eventos, debates e palestras. Essa oportunidade é uma forma dos alunos, dentro da IES, observarem o lado de fora.

Além de explicar quais foram suas barreiras, esses profissionais sabem que o caminho depois da formatura não é tão óbvio, que existem inúmeras atividades que podem ser feitas e que um curso superior abre diferentes leques.

Com essa perspectiva em mente, eles mostrarão aos alunos que não existe somente uma forma de trabalhar após o final do curso. 

Esse aprendizado tem dois lados: o primeiro é mostrar aos atuais alunos que suas possibilidades são amplas. O segundo é que alunos de outros cursos, que estão incertos sobre suas escolhas, veem nesses depoimentos uma motivação para alterar o caminho dos estudos.

Leia também: Saiba como desenvolver o ensino por competências na educação profissional

4. Incentive a autonomia

Pensando na média de alunos, é provável que muitos deles tenham interesses que divergem de seu curso tradicional. No entanto, esses interesses não devem ser deixados de lado. Pelo contrário, um futuro profissional de horizontes amplos traz muitos benefícios, a partir da veiculação de novas ideias.

Quando os alunos vivenciam diferentes experiências de um mesmo curso, eles agregam ao repertório uns dos outros. Atividades extracurriculares, por exemplo, são uma forma de mostrar essa variedade.

A orientação profissional tem como papel incentivar que os alunos encontrem formas inovadoras de incluir seus próprios interesses na formação acadêmica, seja ela qual for.

5. Pense fora da caixa

A orientação profissional também tem como objetivo fazer com que o aluno use seu autoconhecimento para entrar em contato com novas ideias, que podem gerar novos planos. 

Por exemplo: imagine um aluno que entrou no curso de Direito porque se identificou com ele durante o ensino básico, mas não se identifica com qualquer caminho profissional e deseja, por isso, trocar de curso.

O orientador profissional pode ajudá-lo a entender qual parte do Direito o conquistou e realocar esses interesses. Por exemplo, se foi a leitura e o repertório cultural, o curso de Letras pode ser uma boa ideia. 

Se foi a busca por impacto social, há cursos como Ciência Social ou Psicologia. Se foi a vontade de fazer pesquisas, a Antropologia e a Filosofia poderiam ser caminhos. Da mesma forma, o orientador pode ajudar também a definir o que o aluno não busca em um curso.

É papel então da IES, em parceria com o orientador profissional, buscar as questões que estão sendo trazidas e solucioná-las, de forma a criar um ambiente educacional melhor para todos os alunos.

Esperamos que tenha gostado deste conteúdo sobre orientação profissional! Que tal aproveitar e descobrir como mapear a jornada do aluno em sua IES?

A importância da avaliação diagnóstica inicial: fotografia de uma pessoa realizando uma prova.

Compreenda a importância da avaliação diagnóstica inicial

Você sabe qual é a importância da avaliação diagnóstica inicial?

Bem, a avaliação é um método utilizado no dia a dia pelas instituições de educação superior (IES), a fim de identificar como os conteúdos vêm sendo assimilados pelos alunos. Trata-se, inclusive, de uma maneira de orientar o trabalho dos educadores. 

Contudo, o processo avaliativo deve ser contínuo e não pode se limitar à aplicação de provas, seguido da aprovação ou reprovação de estudantes.

Ao contrário, ele precisa ser útil para analisar como se dá o progresso dos alunos, apoiando-os no processo de construção do conhecimento.

Deste modo, a avaliação diagnóstica está muito mais ligada à promoção efetiva da aprendizagem do que à certificação realizada ao final de um determinado período.

Além disso, a familiarização com este tipo de exame pode auxiliar a conseguir melhores resultados em provas oficiais, a exemplo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade.

Neste artigo, você irá entender em detalhes o que é avaliação diagnóstica, para que serve, em que momento aplicar e qual a importância para a sua IES.

Tenha uma boa leitura!

O que é avaliação diagnóstica?

A avaliação diagnóstica é uma espécie de avaliação que procura levantar informações sobre a situação pedagógica de alunos e turmas. Em outras palavras, seu objetivo é descobrir quais conteúdos os alunos dominam ou não, além de identificar quais são as suas dificuldades.

As instituições de ensino utilizam, tradicionalmente, um processo avaliativo baseado em pontuação por notas. 

Via de regra, os alunos “correm atrás” da média necessária para passar de ano. Contudo, não é possível avaliar o seu aprendizado, de fato, observando apenas as notas conquistadas.

Um olhar focado em identificar as principais dificuldades e lacunas de conhecimento dos estudantes é imprescindível — e é justamente aí que entra a avaliação diagnóstica. 

Este método propõe uma adequação entre o programa de ensino e as necessidades reais de conhecimentos dos alunos.

Para tanto, traz informações sobre o quanto os estudantes da sua IES dominam determinados temas, a fim de levantar um panorama geral sobre os seus principais pontos de melhoria ou possíveis gargalos. Assim, fica muito mais fácil criar estratégias pedagógicas que atendam ao desenvolvimento dos alunos.

Leia também: Saiba o que é, importância e como elaborar um plano de ensino superior

Para que é utilizada a avaliação diagnóstica?

Podemos identificar três objetivos principais da avaliação diagnóstica:

  1. Identificar as proficiências e as necessidades de cada aluno, de modo a se avaliar, inclusive, a necessidade de um trabalho mais personalizado para a recuperação de eventuais lacunas de aprendizado;
  2. Avaliar o quanto a turma, enquanto grupo, domina conteúdos específicos, de forma que os professores consigam traçar estratégias que contemplem o maior número possível de alunos;
  3. Analisar as causas de dificuldades e definir ações para remediá-las.

É comum que a avaliação diagnóstica seja aplicada pelas instituições de ensino no início do ano letivo — nesse caso, falamos em avaliação diagnóstica inicial. Este momento é o mais propício para que os educadores façam correções de rota em seu planejamento educacional.

Tal planejamento precisa estar sempre flexível a revisões e ajustes posteriores, após a análise das evidências de aprendizagem obtidas a partir da avaliação.

Por que realizar a avaliação diagnóstica?

Mais do que uma nota ou um número, este tipo de avaliação permite a extração de análises diversas.

A partir dela, pode-se inferir, por exemplo, os pontos fortes e de melhoria de uma turma em termos de habilidades e aprendizados. No entanto, isso exige que se saiba exatamente o objetivo de cada item da avaliação.

Além disso, existem diferentes formas de aplicá-la em sua instituição de ensino. 

É importante ter em mente que, quanto mais as estratégias utilizadas forem diversificadas, mais completas serão as informações coletadas no diagnóstico do corpo discente.

Leia também: Como elaborar uma avaliação online de forma prática para o ensino remoto e EaD

O que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação?

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) apresenta as seguintes determinações, em seus artigos 1º e 24 (inciso V):

Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

  • 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
  • 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.

Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:

(…)

V – a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:

  1. a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
  2. b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
  3. c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;
  4. d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
  5. e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.

O que podemos extrair da Lei de Diretrizes e Bases da Educação?

Apesar dos direcionamentos para a educação básica, os sistemas de avaliação prescritos na LDB apresentam um princípio estratégico capaz de nortear as instituições de educação, inclusive no ensino superior.

A avaliação diagnóstica propõe a avaliação dos aprendizados prévios e do desempenho dos estudantes no presente. Vai, portanto, ao encontro das prescrições da LDB.

Realizar a mensuração de conhecimento e habilidades dos alunos é fundamental, não só no início do ano letivo, mas também na preparação para avaliações como o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade.

A partir dos resultados coletados no diagnóstico, os educadores podem entender o que precisa ser ensinado ou reforçado e, como falamos, planejar aulas e estratégias de ensino-aprendizagem — daí mais um aspecto sobre a importância da avaliação diagnóstica inicial.

Quando aplicar a avaliação diagnóstica?

No livro Avaliação do processo ensino-aprendizagem, a autora Regina Célia Cazaux Haydt diz o seguinte sobre a avaliação diagnóstica:

“[…] é aquela realizada no início de um curso, período letivo ou unidade de ensino, com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagem e identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los.”

Deste modo, podemos interpretar a avaliação diagnóstica como uma espécie de mapeamento da aprendizagem do aluno.

Como você viu até aqui, o início do ano letivo é um momento oportuno para aplicá-la. Mas, ela também pode ser útil para o preparo dos estudantes antes de um exame importante, como o Enade, ou até mesmo de algum tipo de teste de proficiência.

Leia também: O que é e quais são os benefícios do mapa de aprendizagem?

Como aplicar a avaliação diagnóstica?

Você já deve ter percebido que a avaliação diagnóstica não só é essencial para o sucesso na aprendizagem dos alunos da sua IES, mas também ajuda a instituição a manter um padrão elevado de ensino e boa reputação no mercado.

Bem, mas como, de fato, aplicar a avaliação diagnóstica na sua instituição?

Existem diversas formas de colocar em prática este tipo de avaliação na IES. O importante é ter como parâmetro o diálogo e o exercício da reflexão.

Tenha em mente que, quanto mais diversificadas forem as estratégias utilizadas, mais precisas e completas serão as informações levantadas no diagnóstico dos alunos.

Falando nos estudantes, é fundamental conscientizá-los sobre o objetivo da iniciativa, buscando desconstruir a ideia de que avaliação implica necessariamente em prova e nota. 

A partir daí, o diagnóstico pode ser realizado de diferentes maneiras, inclusive, de forma integrada. Veja a seguir!

1. Entrevistas com o aluno

O aluno certamente é o ponto focal da avaliação diagnóstica e, como dissemos, esta é uma forma de avaliar as necessidades dos estudantes também de forma individual.

Sendo assim, realizar uma entrevista com cada um dos alunos, questionando as suas dificuldades e pontos de melhoria, a partir de uma autoavaliação, é sempre uma boa ideia.

A prática pode ajudar o corpo discente a refletir sobre a forma como aprende e o seu próprio planejamento de estudos.

A instituição, por sua vez, poderá entender o cenário de cada um — incluindo a disponibilidade e/ou limitações dos estudantes para estudarem fora da sala de aula. 

Além da entrevista, um questionário de autoavaliação é outro método que pode ser empregado neste sentido.

Leia também: Já conferiu o ranking Enade? Saiba tudo o que você precisa sobre ele

2. Debates

Outro método de avaliação diagnóstica bastante interessante são os debates. A partir deles, os alunos conseguem desenvolver argumentações acessando os seus conhecimentos, experiências e vivências prévias.

O educador, por sua vez, pode observar o desempenho de cada um com cuidado, percebendo os níveis de desenvolvimento de cada aluno e tirando conclusões e ideias para o planejamento de aulas por meio destas análises.

3. Leitura e interpretação de textos

Em qualquer nível de ensino, inclusive na educação superior, a leitura e a interpretação de textos e cenários complexos ajudam o estudante a criar conexões entre diferentes assuntos e se expressar melhor sobre eles.

Por isso, propor este tipo de exercício em avaliações diagnósticas da sua instituição de ensino é uma ótima ideia.  Através dele, é possível conhecer as habilidades e eventuais gargalos do corpo discente nestes aspectos.

4. Jogos e desafios complexos

A gamificação na educação veio para ficar. Então, por que não utilizá-la na sua avaliação diagnóstica?

Bem, antes vamos dar um passo para trás e relembrar o que é gamificação!

Trata-se do emprego de técnicas e dinâmicas comuns em games em situações não relacionadas a jogos, como no ambiente educacional.

Uma característica encontrada em jogos é adaptada a este contexto, para motivar as pessoas (os alunos, neste caso) e tornar o cumprimento de uma tarefa mais prazerosa.

Pensando em avaliações diagnósticas, uma possibilidade seria utilizar quizzes e práticas típicas do ensino interativo para testar os conhecimentos dos estudantes, tornando este um momento divertido e de aprendizado.

5. Provas objetivas

Também entram aqui também as provas mais tradicionais, com possibilidade de múltipla escolha ou respostas abertas.

Leia também: A importância do design instrucional nas IES

A importância da avaliação diagnóstica inicial

Como falamos ao longo deste artigo, a avaliação diagnóstica se apoia na identificação das causas de dificuldades relacionadas à assimilação do conhecimento pelos estudantes.

A cada semestre, os educadores se deparam com novas turmas. São novos rostos e diferentes vivências, que precisam ser avaliados em sua individualidade, de modo que o processo de aprendizagem seja otimizado.

A partir da avaliação diagnóstica, o professor consegue entender qual o nível de conhecimento de cada aluno e, assim, ter um norte para correções de rota no planejamento das aulas.

Ou seja, este tipo de avaliação ajuda o educador a definir prioridades e assegurar a qualidade na educação superior. Isso porque possibilita a promoção de ações efetivas, que dão conta das dificuldades e dúvidas dos estudantes.

Quando o professor compreende os gargalos e consegue planejar ações para mitigar os seus impactos aos alunos, ele é capaz de estabelecer um ambiente de maior empatia e motivação, que favorece o aprendizado.

Quais são os outros tipos de avaliação?

Além da avaliação diagnóstica, há outras duas modalidades de avaliação mais importantes: a formativa e a somativa. Continue a leitura para entender mais sobre cada uma delas!

1. Avaliação formativa

Este tipo de avaliação é realizado durante todo o período do ano letivo, contemplando o decorrer do processo de ensino-aprendizagem.

A partir dele, a IES pode classificar o desempenho do estudante e trabalhar para aumentar a eficiência no aprendizado.

Tanto o aluno quanto os educadores conseguem ter feedbacks úteis com a avaliação formativa, de modo que ambos entendam o que precisa ser trabalhado para desenvolver as competências e habilidades pedagógicas que ainda faltam aos estudantes.

2. Avaliação somativa

Por sua vez, a avaliação somativa é realizada ao final de um curso, período letivo ou unidade de ensino. Sua função é realizar a classificação dos alunos, tendo como parâmetro os resultados da aprendizagem.

Sendo assim, faz um balanço somatório considerando os níveis de aproveitamento esperados durante o planejamento das aulas.

Esta avaliação indica, portanto, quais foram as habilidades e competências adquiridas pelo aluno ao final de um processo educacional.

Conclusão

Ao longo deste artigo, mostramos o que é avaliação diagnóstica e qual a sua importância para o preciso de ensino-aprendizagem na sua IES.

Você viu que esta avaliação ajuda a identificar as proficiências e dificuldades de cada aluno e, deste modo, melhorar o planejamento das aulas.

Também apresentamos formas de os professores da sua instituição de ensino aplicarem a avaliação diagnóstica, como a partir de entrevistas com os alunos, debates e desafios complexos.

Esperamos que este conteúdo tenha lhe mostrado a importância da avaliação diagnóstica inicial. Aproveite para conferir também este outro conteúdo e conheça 8 passos para saber como preparar os alunos para o Enade!

Qual curso escolher: fotografia de uma mulher pensativa olhando para um computador

Qual curso escolher: 11 estratégias para auxiliar futuros estudantes

O questionamento em relação a qual curso escolher paira sobre todos os estudantes que estão prestes a ingressar no ensino superior. A boa notícia é que a sua instituição pode ajudá-los nesta missão, com ações que, ao mesmo tempo, contribuem para a captação de alunos e prevenção contra a evasão de alunos.

Dentre essas ações, está a oferta de testes vocacionais, a participação em feiras de profissões e até mesmo orientações de carreira

Estas são maneiras de atuar na jornada do aluno com precisão desde o primeiro momento, em que o foco é a captação de leads.

Neste artigo, daremos um total de 11 dicas para a sua instituição de educação superior (IES) apoiar os estudantes neste momento que gera tanta dúvida e ansiedade, que é a escolha de um curso superior.

Tenha uma boa leitura!

Qual curso escolher: entenda como a sua IES pode atuar!

O momento de escolher uma faculdade é bastante desafiador, sobretudo para as pessoas que não têm a mínima noção sobre qual carreira seguir.

Esta é uma preocupação bastante fundamentada. Optar pelo curso errado pode implicar não só em perder tempo, mas também se envolver em um investimento financeiro sem retorno.

O ingresso na faculdade costuma representar um marco na vida do estudante que conclui o ensino médio. Ele vê diante de si a oportunidade de tomar decisões que podem ser determinantes para o seu futuro e o início da sua vida profissional.

Ou seja, trata-se de um momento que é empolgante e, na mesma medida, gerador de certa apreensão. Definir a área de estudo exige, portanto, bastante reflexão, para que se aumentem as chances de uma escolha bem-sucedida.

Leia também: 8 passos para desenvolver o marketing educacional em sua IES

Confira 11 estratégias para definir qual curso escolher

Conhecer o próprio perfil e entender as condições do mercado são alguns fatores que devem nortear a escolha do futuro profissional. Mas essa tomada de decisão envolve, na verdade, vários outros aspectos — vamos falar sobre todos eles a seguir!

1. Incentive o autoconhecimento

O autoconhecimento é um ponto-chave para qualquer decisão de nossas vidas. Se queremos ter sucesso e realização pessoal, precisamos saber o que nos motiva.

O estudante que está em dúvida sobre qual curso escolher precisa conseguir identificar os seus pontos fortes, propósitos e objetivos de longo prazo. É importante desconstruir também convicções capazes de limitar o seu potencial. 

A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do novo ensino médio apresenta, em sua oitava competência, a importância do autoconhecimento e do autocuidado. São formas de o estudante conhecer melhor a si mesmo, compreender o seu papel na diversidade humana e na relação com o meio ambiente.

Isso significa que a consciência pessoal, a consciência social e a consciência ambiental devem ser estimuladas desde a educação básica.

Ter o controle de si é imprescindível para a execução de tarefas complexas, como pensar nos outros, gerenciar incertezas ou conduzir outras pessoas, enquanto líder.

Mas, o que a sua IES pode fazer para ajudar o estudante a se conhecer melhor?

Uma possibilidade interessante é promover eventos abertos ao público, como palestras e workshops, com profissionais de diferentes áreas. Permitir aos estudantes nesse processo decisório que conheçam melhor o trabalho de profissionais formados e atuantes no mercado pode ajudar em sua escolha.

Esses profissionais podem não só compartilhar o seu escopo de atuação, mas também o que os motivou a escolherem o curso em que se formaram, quais foram as suas inseguranças na hora de tomar essa decisão e o que fizeram para contorná-las.

2. Disponibilize testes vocacionais

Sabemos o quanto pode ser difícil se identificar com apenas uma área ou carreira entre as inúmeras possibilidades que o mercado oferece. Outra forma de auxiliar os estudantes que estão decidindo qual curso escolher é disponibilizar um teste vocacional de forma online.

Trata-se de um instrumento que avalia as características de uma pessoa para indicar opções de carreiras que tenham match com suas características. Em outras palavras, ele auxilia para identificar o perfil dos ingressantes no ensino superior.

Para tanto, este tipo de teste leva em consideração qualidades e aptidões do estudante, para apresentar resultados que os levem a refletir sobre os cursos mais compatíveis.

Como trabalham com estímulos que ajudam as pessoas a pensarem em valores pessoais e interesses, os testes vocacionais envolvem também o autoconhecimento, de que falamos anteriormente.

Naturalmente, não há uma fórmula mágica que revelará a carreira perfeita para uma pessoa. No entanto, o teste evidencia as principais características do estudante e o ajuda a utilizá-las a seu favor na hora da escolha.

Portanto, oferecer um teste vocacional que ajude os alunos a descobrir seus pontos fortes e potencial profissional pode representar um diferencial interessante para a sua IES.

Disponibilizar gratuitamente esta ferramenta ajuda o aluno a construir uma imagem positiva da sua IES e do suporte que ela oferece aos estudantes, desde o início de sua trajetória acadêmica.

Ou seja, gera valor e pode ser mais uma possível porta de entrada para a instituição.

3. Veicule informações sobre a área

Depois de o potencial estudante da sua IES concluir o teste vocacional e receber o seu resultado, chegou a hora de oferecer informações detalhadas sobre o curso e/ou a área indicada no resultado.

Ainda que haja cursos de graduação, bacharelado e até mesmo tecnólogos bastante específicos, é importante que o aluno entenda as oportunidades profissionais que eles podem apresentar. Em outras palavras, é importante mostrar aos futuros ingressantes como garantir a empregabilidade.

Por isso, forneça informações sobre as áreas de atuação disponíveis para os diferentes cursos oferecidos em sua IES. Mostre que ao concluir um curso de nutrição, por exemplo, é possível atuar em clínicas, instituições de ensino, academia, indústrias e empresas de diferentes setores, além da área acadêmica.

Explique quais são as atividades-chave na rotina deste profissional, como orientações dietéticas, controle de qualidade em estabelecimentos, atuação como professor em cursos técnicos, etc.

Ao entender um pouco mais as possibilidades que o curso lhe reserva, o estudante conseguirá fazer uma escolha mais segura e confiante quanto à sua formação.

Vale sempre lembrar também que, além da faculdade em si, cursos complementares, treinamentos e programas voltados à área escolhida também poderão ser recursos úteis para ajudar o profissional a se especializar ainda mais no campo que escolher, reforçando a sua qualificação.

Leia também: Saiba quais são os cursos com maior empregabilidade no Brasil

4. Faça ou participe de feiras de profissão

As feiras de profissão são bastante procuradas por aqueles que estão se perguntando qual curso escolher e querem ficar por dentro do mercado de trabalho.

Então, é fundamental que a sua IES marque presença nestes eventos ou os realize internamente. Eles ajudam os futuros estudantes universitários a se inteirar melhor sobre as opções que os agradam (tanto de cursos quanto de IES) e obter informações sobre elas.

Anual, este tipo de evento é perfeito para que eles façam um primeiro contato com as instituições, entendendo melhor sobre a sua infraestrutura educacional e aproximando-se do ambiente acadêmico.

Promover feiras de profissão na própria IES é interessante para que os alunos conheçam as salas de aula, circulem pelo campus e interajam com os seus possíveis professores e colegas.

Mais do que isso, a instituição pode realizar uma série de atividades, como palestras, oficinas, workshops e até atividades de orientação vocacional, para promover maior interação com o público participante.

Criar um ambiente descontraído e leve, que ajude o aluno a aliviar um pouco a tensão do vestibular, é sempre uma boa ideia.

5. Dê informações sobre o mercado de trabalho

Para decidir qual curso escolher, sem dúvidas é preciso estar por dentro do mercado de trabalho.

A sua IES pode contribuir bastante com este tipo de informação, enviando notícias, relatórios de tendências, vídeos e outros materiais por e-mail para os alunos que concluírem o teste vocacional, por exemplo.

Outras informações relevantes são:

  • a média de horas trabalhadas por profissionais que atuam na área, 
  • a faixa salarial, 
  • a localização das empresas,
  • as habilidades que valorizam.

6. Apresente cada uma das modalidades oferecidas pela IES

O ensino superior a distância se tornou bastante popular nos últimos anos, principalmente diante do cenário de pandemia e da necessidade de isolamento social.

Diante disso, muitos estudantes devem estar se perguntando: que modalidade de ensino devo escolher? O que preciso levar em conta para esta decisão?

Cabe à sua IES apresentar o máximo de informações possível sobre as modalidades que oferece.

Educação Presencial

Deixe bem explicado que, ao escolher aulas presenciais, o aluno deverá ir diariamente até a instituição, cumprindo horários fixos para assistir às aulas, realizar provas, etc. Esta é uma boa escolha para aqueles que valorizam uma convivência mais próxima com colegas e professores.

Explique que o estudante tem a possibilidade de interagir intensamente com a comunidade acadêmica ao optar por este tipo de modalidade. Mas que, naturalmente, ela exige um comprometimento maior com horários e pode demandar um investimento mais considerável também (que ainda inclui transporte e alimentação diários).

A sua IES só tem a ganhar com a disseminação destas informações, uma vez que mostra seu comprometimento em ajudar o estudante a escolher da melhor maneira possível.

Isso também contribui, certamente, para o aumento da retenção de alunos no ensino superior.

Educação a distância

Como você bem sabe, a pandemia aumentou expressivamente a busca pela modalidade de ensino a distância, que vem crescendo em ritmo bastante acelerado.

Um estudo realizado pelo Censo da Educação Superior, em parceria com o Ministério da Educação, indica que o número de alunos ingressantes em cursos a distância já deve ultrapassar o presencial no próximo ano.

Segundo a pesquisa, entre 2009 e 2019, as matrículas nesta modalidade aumentaram 378,9%

Outro estudo, realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), mostrou que a busca por cursos online cresceu cerca de 59% entre os anos de 2020 e 2021.

A mesma pesquisa indicou que cursos da área da saúde estão entre os mais buscados, independentemente da modalidade escolhida (presencial ou a distância).

Profissionais que já atuavam na área, como técnicos de enfermagem, por exemplo, viram que poderiam se tornar mais valorizados pelo mercado de trabalho.

Dados da 11ª edição do Mapa do Ensino Superior 2021, divulgados pelo Instituto Semesp, mostraram ainda um crescimento de 9,8% da educação a distância no primeiro semestre deste ano, considerando apenas as matrículas realizadas em universidades privadas do país.

Em paralelo, os números de busca por aulas presenciais tiveram uma queda de 8,9% no mesmo período. Este contexto mostra que muitos estudantes precisam conciliar os estudos com outras atividades e, por isso, buscam por mais flexibilidade.

Híbrido

A sua instituição de ensino já oferece cursos híbridos? Se ainda não, talvez tenha chegado a hora de considerar esta possibilidade, que pode pesar na escolha de quem está em dúvida sobre qual curso escolher.

Cursos híbridos são aqueles que mesclam as modalidades presencial e a distância.

Este formato pode ser especialmente interessante para aqueles interessados em uma convivência mais próxima com professores e outros alunos, mas aproveitar também o conforto de estudar em casa.

Trata-se de uma modalidade semipresencial, composta por um percentual de carga horária que deve ser cumprido presencialmente, no polo EaD, e outro percentual a ser cumprido de forma remota.

É comum que os cursos híbridos ofereçam mais atividades a distância do que presenciais, o que é positivo para quem dispõe de pouco tempo para locomoção.

As aulas presenciais costumam acontecer de uma a duas vezes por semana, sendo que há IESs que as oferecem a cada 15 dias.

Muitos cursos híbridos seguem a dinâmica da sala de aula invertida, em que o professor destina o encontro presencial para a construção coletiva do conhecimento, a partir de conteúdos estudados previamente pelos alunos.

Neste caso, o educador se torna um mediador do encontro, e não mais um expositor.

Leia também: Saiba o que é e como funciona o vestibular digital

7. Apresente a grade curricular

Quem está em dúvida sobre qual curso escolher certamente buscará saber em detalhes sobre a grade curricular oferecida. Por isso, é imprescindível apresentar informações sobre o programa do curso no site da instituição.

Oferecer o material em PDF, para os interessados em baixá-lo, é, inclusive, uma forma de gerar leads para as ações de marketing da IES.

Indique as disciplinas que compõem a matriz curricular, para que o estudante entenda exatamente qual é o enfoque do curso. Este é um modo de evitar possíveis frustrações e se prevenir contra a evasão de alunos.

Também é interessante apresentar os professores responsáveis por ministrá-las, assim como a carga horária das aulas ao longo do semestre. Trazer algumas informações sobre a bibliografia básica do curso pode ser a cereja do bolo.

Assim, os estudantes poderão checá-la previamente, entender se há estágios obrigatórios. Além disso, podem buscar outras informações que o apoiarão no entendimento sobre o conteúdo do curso e sobre as competências e habilidades pedagógicas trabalhadas.

8. Melhore a reputação da instituição

Quando um estudante está pesquisando qual curso escolher e em que instituição de ensino ingressar, a reputação da IES pode ser determinante em seu processo de escolha.

Neste processo, ele poderá levar em consideração vários aspectos relacionados à avaliação do MEC (Ministério da Educação) e a outros fatores relacionados ao corpo docente. Vamos explicar cada um deles a seguir.

Selo de aprovação do MEC

Como você sabe, o MEC avalia anualmente critérios específicos de qualidade nas IES de todo o país e nos cursos de graduação que oferecem.

A partir disso, estes cursos podem ou não ser aprovados para oferta ao público.

Um diploma reconhecido pelo MEC é fundamental para a inscrição em concursos públicos que exigem curso superior, para o registro em conselhos de classe de profissão, assim como para o ingresso em programas de pós-graduação de diferentes instituições de ensino.

Por isso, destaque em seus canais de comunicação que os cursos ofertados pela sua IES possuem este reconhecimento e destaque o quanto a instituição está sempre alinhada às diretrizes do Ministério da Educação.

Indicadores de qualidade

Existem também critérios de qualidade que os alunos podem buscar quando estão pesquisando qual curso escolher, como o Índice Geral de Cursos (IGC). Esta nota é um dos instrumentos utilizados pelo governo federal para compreender o desempenho das IES do país.

É construída a partir de uma média ponderada das notas dos cursos de graduação e pós-graduação de cada instituição.

Sendo assim, fique de olho também em como está a classificação da sua IES e se há pontos de melhoria para a instituição a partir deste indicador.

Corpo docente

A qualificação do corpo docente também é um ponto que chama a atenção dos alunos que estão prestes a ingressar em um curso universitário.

Os educadores guiarão toda a formação destes estudantes. Então, é natural que eles queiram conhecer a sua bagagem profissional e experiências acumuladas. Estas informações também podem estar presentes nos programas de cursos disponibilizados no site da sua IES.

Indique a formação dos docentes, quais disciplinas lecionam, há quanto tempo atuam na área, seu envolvimento em projetos de pesquisa, experiências prévias etc.

Leia também: Confira 8 competências do professor do futuro e como a sua IES pode capacitá-lo

9. Faça convênios com programas de estágio

Muitos cursos de graduação exigem a realização de estágio. 

Neste sentido, a IES pode estabelecer parcerias com empresas para facilitar o acesso dos estudantes a essas experiências, que em muitos casos são o seu primeiro contato com o mercado de trabalho.

10. Apresente as atividades extracurriculares disponíveis

A sua instituição de ensino oferece atividades extracurriculares? Se sim, quais?

Responder a essas perguntas também ajuda o aluno que está em dúvida sobre qual curso escolher. Este tipo de atividade promove a integração entre os alunos e podem complementar de forma prática e prazerosa os conhecimentos transmitidos nas salas de aula.

Mais do que um atrativo para tornar a rotina dos estudantes mais dinâmica e interativa, as atividades extracurriculares podem ainda representar um diferencial para o currículo profissional dos alunos.

Empresa júnior

As empresas júnior, por exemplo, são associações civis sem fins lucrativos que enchem os olhos tanto de estudantes do ensino superior quanto de empresas.

Instituições de educação que oferecem este tipo de iniciativa ganham pontos com os alunos mais engajados, que desejam usufruir das experiências universitárias plenamente.

As empresas júnior aproximam o corpo discente do mercado de trabalho, favorecendo o seu desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional. 

Como não visam lucro, chamam a atenção também de empresas externas que contratam os seus serviços, já que estas sabem que receberão um trabalho de alta qualidade, supervisionado por professores experientes. 

Além disso, o investimento por parte delas será baixo, uma vez que as empresas júnior não têm o lucro como objetivo. Já a sua IES possui um grande retorno em imagem institucional com este tipo de iniciativa.

Outras atividades extracurriculares

Outros tipos de atividades extracurriculares que a sua IES pode oferecer são:

  1. Grupos esportivos de diferentes modalidades;
  2. Atividades artísticas, envolvendo música, dança, teatro etc.;
  3. Parcerias com universidades no exterior para a realização de programas de intercâmbio;
  4. Projetos de pesquisa e iniciação científica.

11. Tornar sua IES uma referência

Você sabe bem que escolher dentre as diversas instituições de ensino pode ser uma tarefa complexa e demorada para os estudantes que estão prestes a ingressar no ensino superior.

Justamente por isso, é muito importante que a sua IES se destaque como uma referência no mercado educacional.

Ao mesmo tempo em que o aluno se questiona sobre qual curso escolher, ele precisa eleger a IES com que mais se identifica para vivenciar este marco em sua trajetória: começar um curso superior.

A aparição de novos modelos de negócio, o aumento do número de instituições privadas e a expansão da modalidade de educação a distância, de que falamos, estão entre as mudanças expressivas pelas quais o mercado educacional vem passando.

A competitividade é alta. Por isso, é preciso trabalhar para destacar os diferenciais da sua instituição através de estratégias de marketing educacional.

Marketing de conteúdo para IES

Motivos não faltam para a sua instituição de ensino investir em marketing de conteúdo para educação. Além dos que citamos anteriormente, você também pode incluir no checklist:

  1. Fortalecer o relacionamento com os alunos;
  2. Aumentar a captação de potenciais estudantes;
  3. Transmitir credibilidade e confiança;
  4. Mensurar resultados com facilidade;
  5. Estar sempre presente na internet: 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Mas, afinal, do que se trata o marketing de conteúdo?

Trata-se de uma estratégia que visa à produção e distribuição de conteúdos educativos para o seu público-alvo (neste caso, o aluno que está buscando informações sobre qual curso escolher), no exato momento em que ele procura.

Considere um estudante que está pesquisando na internet as possibilidades de curso de graduação que mais têm a ver com seu perfil, por exemplo. É neste instante que o blog da sua instituição de ensino deve aparecer para este usuário, apresentando um conteúdo que esclareça as suas dúvidas.

Para alcançar este objetivo, é necessário compreender uma série de fatores sobre o funcionamento dos buscadores na internet (como Google) e sobre o funil de captação de alunos.

Para iniciar seus estudos sobre o tema, clique aqui!

Qual curso escolher: bacharelado, licenciatura ou curso tecnólogo?

Outro ponto fundamental para quem está em dúvida sobre qual curso escolher é entender as diferenças entre bacharelado, licenciatura e tecnólogo.

Deixe bem explanado, em sua estratégia de comunicação, quais destes formatos de curso a sua instituição oferece e as principais diferenças entre eles, de que falaremos a seguir!

Bacharelado

Esta é a formação superior tradicional, cuja duração varia de quatro a seis anos. 

O bacharel estuda todas as disciplinas que estão no escopo da profissão escolhida, de forma a adquirir um conhecimento mais superficial a respeito de todas as áreas relacionadas.

Deste modo, torna-se qualificado para atuar em diversas frentes, com a possibilidade de realizar um curso de aperfeiçoamento ou pós-graduação para se especializar.

Trata-se da modalidade ideal para aqueles que desejam construir um conhecimento profissional mais amplo e ter diferentes possibilidades de carreira.

Como pode se especializar no tema que lhe chamar mais a atenção, este profissional possui mais flexibilidade para realizar uma mudança de carreira, se desejar.

Licenciatura

Os cursos de licenciatura possuem a mesma duração dos de bacharelado. Contudo, são direcionados a profissionais cujo objetivo é ministrar aulas na educação básica (ensinos fundamental e médio).

A diferença curricular entre o bacharelado e a licenciatura está na presença de disciplinas de cunho pedagógico nos cursos de licenciatura.

Lembrando que bacharéis não são hábeis a ministrar aulas na educação básica.

Já o aluno formado em licenciatura apresenta esta possibilidade e pode também mudar de área ao fazer uma pós-graduação, por exemplo, dando enfoque à pesquisa ou atuando de forma mais técnica em seu campo de conhecimento.

Tecnólogo

A característica principal dos cursos tecnólogos é o seu foco em uma área de atuação específica. Para ingressar neste formato de curso, é preciso ter concluído o ensino médio.

Apesar de se tratar de uma formação superior, a sua duração é menor, em relação aos cursos de bacharelado e licenciatura, ficando entre dois e três anos. O motivo disso é justamente o fato de os cursos tecnólogos possuírem uma abordagem mais direcionada à área escolhida. Ou seja, não generalista.

Eles são o tipo de curso ideal para aqueles que já estão certos sobre o trabalho específico que desejam exercer dentro de uma determinada área.

Esperamos que este conteúdo sobre qual curso escolher tenha sido útil. Aproveite também para conferir também 7 ações comerciais para captação de alunos!

Curva de esquecimento: fotografia de duas pessoas estudando.

Afinal, o que é curva de esquecimento?

Mesmo diante de um esforço hercúleo para memorizar os conteúdos das disciplinas estudadas, é comum que alunos — em diferentes níveis educacionais, incluindo o ensino superior — tenham problemas para lembrar tudo aquilo que aprenderam. E o motivo disso pode ser explicado pela curva de esquecimento.

Às vezes, temos certeza de ter compreendido um assunto, mas vemos que algumas informações se perderam ao tentar resgatá-lo. Isso é absolutamente normal, e neste artigo vamos explicar o porquê.

Continue a leitura para entender como funciona a curva do esquecimento e o que a sua instituição de educação superior (IES) pode fazer para ajudar os estudantes a remediá-la.

Tenha uma boa leitura!

O que é a curva de esquecimento?

A curva do esquecimento é um fenômeno natural relacionado ao declínio da retenção de memória com o tempo. Esta verdade é difícil de aceitar, mas todos nós temos uma inclinação para esquecer cerca de 50% do que aprendemos em um dia de estudos. 

Por isso, revisões dos conteúdos vistos em sala de aula são imprescindíveis para ajudar os alunos a reter informações. Isso porque, com o passar do tempo, se os estudantes não revisitarem o que estudaram, o esquecimento do conteúdo tende a se agravar. 

O conceito de curva de esquecimento foi criado pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus (1850 – 1909). 

Ebbinghaus foi o primeiro a estudar a relação entre a capacidade/tempo de memorização e a facilidade de recuperação das informações retidas. A sua teoria sobre a curva do esquecimento busca apresentar o padrão com que uma informação nova que assimilamos costuma ser esquecida com o tempo.

Segundo essa teoria, as pessoas em geral começam a perder a memória em questão de horas, dias, semanas e meses após entrarem em contato com algo novo, a não ser que o revisitem várias vezes.

Gráfico ilustrativo sobre os efeitos da curva do esquecimento. Fonte: site Expresso3

A curva do esquecimento é, portanto, um óbice aos estudantes que precisam memorizar grandes quantidades de conteúdo. Muitos exames oficiais, como provas de concurso e o Exame OAB, possuem uma demanda significativa neste sentido.

Leia também: Entenda a relação entre neurociência e educação

Por que a curva de esquecimento acontece?

Como você viu até aqui, as informações retidas no nosso cérebro “escapam” muito rapidamente. Isso acontece porque o cérebro entende que é desnecessário registrar informações não utilizadas.

Portanto, quanto menos um conteúdo for revisitado, menos relevante ele se tornará para o cérebro. Entende onde queremos chegar?

É fundamental que a memória do estudante seja estimulada ao longo do processo de aprendizagem, para que as informações com que ele entra em contato em sala de aula não sejam descartadas.

Quanto mais forte é a memória para o aluno, ou seja, quanto mais ele se volta para aquela informação específica por meio de recursos como revisões sistemáticas, mais tempo este aluno será capaz de se lembrar dela.

É preciso revisar conscientemente o material aprendido para que este não seja majoritariamente esquecido dentro de dias ou semanas.

Como remediar a curva de esquecimento?

Já contamos o “segredo” para combater a curva do esquecimento: revisão constante!

É preciso estudar de forma consistente para que se tenha uma alta capacidade de absorver novos conhecimentos.

O psicólogo Hermann Ebbinghaus levantou a hipótese de que a velocidade de esquecimento depende de fatores diversos, que vão da dificuldade do material até questões de saúde mental dos estudantes, como estresse e sono.

Outro aspecto interessante abordado pelo estudioso é de que a informação pode ser lembrada mais facilmente quando é construída a partir de coisas que a pessoa já conhece. 

Por isso, é importante que o professor traga a aplicação do conhecimento teórico para a realidade dos estudantes, relacionando-o a situações práticas do dia a dia. Este é um dos alicerces da aprendizagem significativa, uma abordagem pedagógica muito importante no ensino superior.

Voltando às revisões, Ebbinghaus identificou que, ao aplicar treinamento frequente na aprendizagem, o conhecimento era solidificado por conta das recordações repetidas.

Mais uma vez, isso significa que, quanto mais as informações aprendidas em sala de aula forem aplicáveis ao dia a dia dos alunos, maior será a sua capacidade de lembrá-las.

Há consultores de aprendizagem que entendem que a revisão do material estudado nas primeiras 24 horas após a aprendizagem é ideal para reduzir o conhecimento esquecido.

Leia também: O que é e quais são os benefícios do mapa de aprendizagem?

Cronograma de revisões: como apoiar o aluno?

Até aqui, você já percebeu que, para que tenham sucesso no aprendizado, os alunos da sua instituição de ensino precisam de um bom plano de estudos, com objetivos e metas bem direcionados.

Isso envolve tanto uma organização do próprio estudante — que pode ser alcançada pela autorregulação da aprendizagem — quanto um incentivo das revisões pelos professores.

Revisar é essencial para reforçar a memória. E foi ao implementar revisões em seus experimentos sobre a curva do esquecimento que Ebbinghaus chegou nas repetições espaçadas.

O que são as repetições espaçadas?

Do inglês spaced repetitions, este termo remete a uma maneira de contornar a curva do esquecimento por meio de repetições programadas em determinados espaços de tempo.

Trata-se de uma tática para fortalecer a memória. Ebbinghaus observou em seus experimentos que as revisões em espaços de tempo ajudavam as pessoas a se lembrar do que tinham visto antes.

A ideia é que o fluxo de revisões siga em um ritmo como o seguinte:

  • Revisão 1: Feita um dia após o estudo inicial
  • Revisão 2: Após três dias
  • Revisão 3: Após sete dias
  • Revisão 4: após 15 dias

E assim por diante.

A informação retida em cada uma dessas revisões torna-se cada vez maior, driblando a curva do esquecimento.

Nas palavras do próprio Ebbinghaus, “não importa se uma pessoa aprendeu o alfabeto grego, ela nunca vai conseguir pronunciá-lo de trás para frente sem existir um treinamento“.

Neste contexto, é imprescindível que, ao assistir à aula, o aluno prepare em paralelo as suas anotações que servirão de material para as revisões posteriores.

Enquanto a aula traz o entendimento sobre um determinado assunto, que o estudante ainda não domina, o ato de estudar individualmente faz com que tal aluno crie a sua própria linha de raciocínio e fixe aquilo o que aprendeu.

Isso quer dizer que as revisões são o caminho certeiro para a memorização. Elas devem ser uma prática natural na rotina dos estudantes.

Leia também: Entenda a importância do planejamento educacional e como montá-lo em sua IES

Passo a passo para combater a curva do esquecimento

A seguir, apresentamos alguns passos que podem ajudar os alunos da sua IES a combater a curva do esquecimento através de um bom plano de estudos. Confira as recomendações e não deixe de compartilhá-las com os docentes e discentes da sua instituição!

Passo 1: Montar uma boa rotina do dia a dia

O planejamento de estudos precisa se adaptar ao dia a dia do estudante, sem deixar de respeitar o tempo de descanso e lazer.

É preciso mostrar aos seus alunos a necessidade de se avaliar, na própria rotina, o tempo disponível para se dedicar aos estudos, sem prejudicar as suas outras atividades.

Estabelecer um cronograma com as tarefas fixas do dia (importante incluir, inclusive, o momento das refeições) e os horários em que são realizadas pode ajudar bastante.

Assim, os alunos conseguem programar de forma mais certeira os períodos exclusivos para os estudos.

Passo 2: Definir os horários de estudo

O cronograma realizado pelos estudantes deve ser preenchido com os horários das aulas, sejam presenciais ou online.

Além disso, é interessante reservar um tempo logo após as aulas para organizar as anotações e se certificar de que está tudo certo para as revisões posteriores. 

Com tudo ordenado, o aluno pode estabelecer um horário para se aprofundar mais no assunto visto em aula. Exercícios de aprofundamento e estudo através de conteúdos digitais são outras formas de fixar melhor um conteúdo, e driblar assim a curva do esquecimento.

Passo 3: Escolha de método de estudo

Técnicas e métodos de estudos são uma forma de potencializar a capacidade de reter conhecimento.

Neste artigo, estamos focando na técnica de realizar revisões para deixar de lado aquela sensação de que todo o conteúdo estudado “escapou” da memória. 

Sendo assim, a partir do resumo que o próprio estudante fez durante a aula, a recomendação é de que ele estabeleça ao menos três revisões para cada conteúdo estudado. 

Elas podem ser realizadas, por exemplo, de acordo com o seguinte intervalo de tempo:

  1. Primeira revisão: 24 horas após a aula;
  2. Segunda revisão: 7 dias após a aula;
  3. Terceira revisão: 1 mês após a aula.

Ao usar as suas anotações, o aluno gastará menos tempo para relembrar o conteúdo da classe.

Um método que pode apoiar a concentração dos estudantes durante as revisões é o Pomodoro. Trata-se de uma técnica criada por um universitário italiano para melhorar a capacidade de concentração.

A ideia é reservar alguns momentos de foco total, sem qualquer tipo de interrupção, seguidos por períodos de descanso. O aluno utiliza um cronômetro para dividir os estudos em períodos de 25 minutos de foco, separados por breves intervalos, de cinco minutos.

Leia também: O que é transtorno de aprendizagem e quais são os principais tipos?

Passo 4: Tenha um ambiente adequado para estudar

Tão importante quanto organizar a rotina e criar um cronograma de estudos é ter um ambiente adequado para se voltar às revisões dos conteúdos.

Em vez do sofá ou da cama (que podem trazer desconforto e sonolência), o recomendável é definir um local com uma mesa exclusiva para os estudos. Na falta de um escritório em casa, vale montar uma mesa no próprio quarto ou em uma área mais tranquila da residência.

Além disso, deve-se manter o local limpo, ordenado e, de preferência, afastado de influências externas, como aparelhos de TV.

Passo 5: Considere os imprevistos

É importante que os estudantes considerem os imprevistos que podem comprometer o seu plano de estudos. 

Está tudo bem se o planejamento às vezes sair um pouco do imaginado. Problemas com deslocamento e outras questões afins são imprevisíveis. Exatamente por isso, pode ser uma boa ideia reservar um tempo livre no cronograma para esta margem de erro.

Passo 6: Descanse!

Já falamos sobre descanso, mas sempre vale o reforço. Estimular os estudantes da sua IES a reservar momentos para o descanso e o lazer é essencial para que eles criem uma rotina saudável.

Respeitar o próprio corpo e ritmo, incluindo no cronograma atividades recreativas, faz parte do processo de aprendizado.

Ainda que vá estudar aos fins de semana, o aluno deve separar em seu cronograma um período para sair com os amigos, assistir a séries, reunir-se com a família, etc.

E vale também dizer: o descanso é importante para todos! Alunos, professores, coordenadores e todas as pessoas precisam dedicar momentos para um sono saudável, descontração e relaxamento.

Leia também: Saiba como identificar e tratar a síndrome de Burnout em professores

Quais são as vantagens de um plano de estudos?

Ao montar um plano de estudos, os alunos de sua IES se deparam com vários benefícios, como:

  1. Foco;
  2. Ganho de senso de organização, importante também para projetos futuros;
  3. Maior capacidade de concentração;
  4. Aumento na produtividade;
  5. Motivação para continuar a estudar, diante dos avanços obtidos;
  6. Melhor gestão do tempo;
  7. Autonomia no próprio processo de aprendizado;
  8. Maior aproveitamento dos conteúdos vistos em aula.

Esperamos que tenha gostado deste conteúdo sobre a curva de esquecimento! Aproveite para conferir este outro artigo, sobre dicas para a elaboração de aulas interativas no ensino superior.

Diagnóstico de aprendizagem: fotografia de duas mulheres utilizando o computador.

Como fazer um diagnóstico de aprendizagem?

Realizar um diagnóstico de aprendizagem em uma nova turma é fundamental no início de um novo ano letivo ou semestre. Através dele, os docentes podem validar ou fazer correções de rota em seu planejamento educacional, e torná-lo mais efetivo em atender às necessidades dos alunos.

No retorno presencial, esta se torna também uma forma de verificar o quanto o ensino remoto atendeu ao processo de aprendizagem, identificando os seus possíveis gargalos.

A partir daí, os professores podem criar planos de ação para contornar defasagens e garantir que o processo de ensino-aprendizagem seja concretizado com sucesso ao longo do ano ou semestre.

Neste artigo, você irá entender o que é diagnóstico de aprendizagem, quando é necessário, como fazer e como a sua instituição de educação superior (IES) pode atuar a partir dele.

Tenha uma boa leitura!

O que é diagnóstico de aprendizagem?

O diagnóstico de aprendizagem é um processo avaliativo utilizado para compreender os conhecimentos e habilidades prévios dos estudantes, antes do início de um processo de aprendizagem. As informações que fornece podem apoiar o planejamento das aulas e a escolha dos métodos pedagógicos mais adequados para uma turma ou aluno específicos, a fim de resolver os pontos de dificuldade.

Ou seja, os resultados de uma avaliação diagnóstica ajudam as IES a adequarem o seu programa de ensino às necessidades de conhecimentos reais dos estudantes.

É possível, desta forma, que se chegue a ações para auxiliar o corpo discente a alcançar novos patamares em termos de conhecimento, mapeando as dificuldades centrais — assim como os pontos fortes — de cada aluno e compreendendo o nível em que se enquadram.

Ao se identificar os motivos que geram determinadas dificuldades de aprendizado, também fica mais fácil entender qual metodologia ou qual dos estilos de aprendizagem atende melhor às demandas de cada turma ou estudante.

O diagnóstico, portanto, é uma forma de os professores aperfeiçoarem o seu planejamento e desconstruírem as lacunas de aprendizagem apresentadas pelos alunos, para que não prejudiquem a assimilação do conhecimento.

Trata-se de uma maneira de identificar quais as intervenções pedagógicas mais propícias para cada necessidade encontrada.

Leia também: Saiba como montar uma trilha de aprendizagem no ensino superior

Quando deve ser feito o diagnóstico de aprendizagem?

O diagnóstico de aprendizagem é normalmente realizado no início de um processo de aprendizagem — quando se inicia um ano letivo, por exemplo. No entanto, é possível executá-lo também no meio do trajeto, a fim de recuperar o desempenho dos estudantes que apresentam maiores dificuldades até então.

Como você viu até aqui, este recurso auxilia na estruturação de estratégias pedagógicas para contornar desafios relacionados à assimilação dos conteúdos. Desse modo, é possível que todos os estudantes da turma alcancem o mesmo ritmo.

Depois do diagnóstico, o planejamento realizado pelos professores deve estar flexível a revisões e ajustes, que contemplem as informações levantadas a partir da avaliação.

Quais são os principais objetivos do diagnóstico de aprendizagem?

  1. Identificar as necessidades de desenvolvimento de cada aluno e/ou turma;
  2. Avaliar os fatores que motivam dificuldades de aprendizagem;
  3. Nortear o trabalho dos docentes;
  4. Avaliar a necessidade de um trabalho mais personalizado, para remediar eventuais lacunas de aprendizado;
  5. Analisar o quanto a turma domina conteúdos específicos, enquanto grupo, para que os educadores elaborem estratégias que beneficiem o maior número possível de estudantes;
  6. Prevenir a defasagem no processo de aprendizagem;
  7. Avaliar o ensino da IES de modo geral.

Por que realizar um diagnóstico de aprendizagem?

Se as razões para a realização de um diagnóstico de aprendizagem ainda não ficaram nítidas, vamos destacar mais alguns pontos para justificar sua aplicação.

As práticas de ensino em geral, e especialmente aquelas que se visam a trabalhar a aprendizagem ativa dos estudantes, precisam levar em consideração alguns pontos de partida básicos:

  • As experiências e conhecimentos prévios dos alunos;
  • O conteúdo que será ensinado e a sua natureza;
  • A variação de estratégias possíveis e o levantamento de diversas hipóteses didáticas.

Isso significa que a identificação prévia do que os alunos já sabem é um fator imprescindível para que se escolham as estratégias didáticas corretas.

Mas não basta simplesmente perguntar aos estudantes o que eles já sabem. Esta não é uma forma de se avaliar, efetivamente, os conhecimentos dos alunos e pode ser prejudicial para o seu aprendizado, dependendo do conteúdo que está em prova.

Para verificar o que os seus alunos realmente sabem sobre um determinado tema, é preciso examinar com profundidade os conhecimentos que possuem.

Vamos a uma analogia esportiva! Se queremos compreender se uma pessoa sabe ou não jogar futebol, por exemplo, é muito mais importante observar o seu desempenho em campo do que questionarmos o quanto ela domina o esporte.

Isso quer dizer que, para sabermos se um aluno realmente domina um conteúdo, a prática supervisionada faz-se necessária.

Leia também: Saiba o que é e a importância do plano de nivelamento de aprendizagem

Diagnóstico de aprendizagem na educação a distância

Trabalhar e estudar em casa se tornou uma realidade durante a pandemia do Covid-19, como ficou comprovado pelo crescimento do ensino superior a distância.

O estudo “Coronavírus e Educação Superior: o que pensam os alunos”, realizado pela empresa de pesquisas educacionais Educa Insight e divulgado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), trouxe dados que refletem este cenário.

Realizado em novembro de 2020, o levantamento — em sua quinta fase — reuniu 1.102 pessoas, entre homens e mulheres com idades de 17 a 50 anos. Eram provenientes de todas as regiões do Brasil, com interesse em ingressar em cursos presenciais e de educação a distância (EaD) ao longo de 18 meses.

Dos 38% dos entrevistados que demonstraram interesse em iniciar cursos de graduação no primeiro semestre de 2021, 46% davam preferência ao ensino a distância, contra 33% que preferiam o ensino presencial.

O fato é que o uso de plataformas digitais de aprendizagem na educação cresceu expressivamente nos últimos anos.

Estes espaços de ensino exigem a estruturação de novos métodos educativos, principalmente em relação à avaliação da aprendizagem.

Isso porque algumas dessas plataformas conseguem gerar dados, que podem e devem ser usados pelos professores para chegar a um modelo adequado de avaliação. A partir deles, é possível mensurar melhor o desempenho dos alunos.

Estes dados compreendem desde o acesso a recursos e materiais didáticos até a participação em atividades, discussões em grupo, questionários etc.

É especialmente importante garantir eficiência na identificação de problemas de aprendizagem dos alunos em cursos a distância. 

Isso porque questões como a grande quantidade de estudantes envolvidos na aula podem tornar mais complicado um acompanhamento e feedback personalizados, que contemplem as dificuldades de cada estudante.

Portanto, avaliar os dados gerados pelas plataformas de aprendizagem pode contribuir com informações relevantes sobre os alunos, indo desde o possível risco de evasão à identificação de dificuldades específicas.

Há, inclusive, um termo específico para se referir à análise de aprendizagem por meio da tecnologia: Learning Analytics.

Vamos saber mais sobre ele?

O que é e como funciona Learning Analytics?

Trata-se de uma forma de coletar e avaliar os dados de estudos, e mapear as dificuldades dos estudantes. A ferramenta foi criada, inicialmente, para lidar exclusivamente com alunos de cursos EaD.

Contudo, hoje já é utilizada também por instituições de educação superior com cursos presenciais, dada a facilidade atual de acesso a ferramentas tecnológicas.

Assim como o diagnóstico de aprendizagem, o Learning Analytics ajuda os professores a pensarem em estratégias de acordo com as dificuldades identificadas. Isso acontece por meio do uso de dados de aprendizagem para a realização de análises sobre o desempenho educacional dos estudantes.

Tais análises são viáveis a partir do Big Data, que consiste em um amplo conjunto de informações coletadas digitalmente e que demandam um sistema eletrônico capaz de interpretá-las.

Ou seja, diversos dados são interpretados para que se encontre finalmente informações relevantes sobre as especificidades de aprendizagem dos alunos.

Os dados analisados são adquiridos de diferentes formas: quando os estudantes assistem a videoaulas, ao realizarem uma avaliação ou exercícios online etc.

Já as plataformas de Learning Analytics disponíveis no mercado coletam e disponibilizam esses dados (a partir de dashboards, por exemplo), de modo a auxiliar as instituições de ensino na análise das informações.

O Learning Analytics pode ser bastante útil para ajudar educadores e estudantes a descobrir, de maneira objetiva, quais são os pontos fortes e de melhoria da turma — e de cada aluno — em cada disciplina.

Como fazer um diagnóstico de aprendizagem?

Voltando ao diagnóstico de aprendizagem, há diferentes maneiras de realizá-lo. Isso varia de acordo com a natureza do conteúdo cujo conhecimento se pretende avaliar.

Isso quer dizer que as atividades planejadas para investigar os conhecimentos dos estudantes podem ser estruturadas de diferentes formas, incluindo:

  1. Provas objetivas: uma relação de questões a serem respondidas pelos alunos sem consulta, seja de forma oral ou escrita;
  2. Listas de exercícios: atividades a serem desenvolvidas pelos estudantes de forma individual ou em grupo;
  3. Jogos e desafios: aqui pode-se utilizar quizzes e outras estratégias de gamificação para testar os conhecimentos dos alunos, de forma leve e divertida;
  4. Leitura e interpretação de textos: uma maneira de ajudar o estudante a criar conexões complexas entre diferentes assuntos e avaliar como ele se expressa sobre estes temas;
  5. Escrita: produção de um texto sobre o tema que se pretende avaliar;
  6. Conselho de classe: os próprios educadores se reúnem para analisar as competências e habilidades de cada turma e aluno, compartilhando percepções.

Estes são alguns exemplos de atividades que podem compor um diagnóstico de aprendizagem. Mas as possibilidades são vastas e podem incluir também (sem se limitar) a:

  • Portfolio;
  • Entrevistas individuais;
  • Debates;
  • Proposição de atividades de encenação;
  • Saraus; entre outras.

É importante ter em mente que, para mensurar a efetividade destes métodos, é preciso delimitar muito bem a sua finalidade antes de aplicá-los. Ou seja, saber exatamente o que se pretende avaliar.

Quando utilizados de forma conjunta, diferentes tipos de avaliação podem proporcionar um diagnóstico mais preciso.

Deste modo, junto às provas objetivas (que são a metodologia mais imediata quando pensamos em avaliação diagnóstica), as atividades mencionadas acima podem fornecer informações complementares importantes. Com base nelas, conseguimos fazer um bom mapeamento dos conhecimentos de cada aluno e/ou turma.

Após a avaliação, pode-se criar, de fato, um diagnóstico de aprendizagem e usá-lo de modo a favorecer o aprimoramento das práticas educativas até então empregadas.

A tríade a ser seguida, após a aplicação da avaliação diagnóstica é a seguinte: 

  1. mapear os resultados, 
  2. planejar os próximos passos e 
  3. acompanhar se as novas estratégias estão sendo efetivas.

Leia também: O que é e quais são os benefícios do mapa de aprendizagem?

Como construir um relatório do diagnóstico de aprendizagem?

Os relatórios do diagnóstico de aprendizagem são documentos importantes, que expressam de forma detalhada o desenvolvimento dos estudantes a partir dos testes aplicados.

Trata-se de uma maneira de nortear possíveis revisões no planejamento das aulas e acompanhar a evolução dos estudantes. Se sua produção torna-se uma rotina, é possível comparar relatórios e contar com uma base rica de informações.

Qual é a estrutura do relatório do diagnóstico de aprendizagem?

De modo geral, a construção de relatórios do diagnóstico de aprendizagem deve contemplar os seguintes elementos:

  1. Introdução: aqui deve aparecer em que consiste o relatório e qual o seu objetivo, ou seja, por que este documento foi elaborado.
  2. Sumário: breve resumo do conteúdo do relatório, explicando como está estruturado.
  3. Descrição da(s) atividade(s) realizada(s) durante a avaliação: incluir que tipo de atividade foi aplicada, sua finalidade, características, recursos empregados etc.
  4. Descrição do processo avaliativo: falar sobre o processo de avaliação desenvolvido, focando mais especificamente no conteúdo da avaliação. Como esta foi faseada? Quais os indicadores utilizados para mapear os seus resultados? Como foi o procedimento de análise das informações levantadas? 
  5. Apresentação dos resultados principais: neste caso, é importante mostrar de forma objetiva e de fácil compreensão os resultados obtidos. Recursos visuais, como gráficos e tabelas, podem ser úteis neste sentido.
  6. Discussão dos resultados e avaliação: mais do que apresentar os resultados, deve-se também compará-los às referências utilizadas para a avaliação — incluindo as necessidades e objetivos antes de aplicá-la.
  7. Conclusões e recomendações: aqui entram as possibilidades de tomada de decisões após a avaliação, como a proposição de aprimoramento no planejamento acadêmico para resolver lacunas de aprendizagem.

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O que fazer a partir das informações apresentadas pelo diagnóstico?

A partir das avaliações diagnósticas, a ideia é que os educadores proponham aos estudantes que desenvolvam situações-problema de naturezas diversas, a fim de acionar os seus conhecimentos para solucionar uma tarefa.

Ao observar a maneira como os alunos se organizam e as informações que utilizam para chegar a uma resposta ou solução, os educadores conseguem planejar atividades futuras mais efetivas para o percurso de aprendizagem dos alunos.

Deve-se lembrar que, durante um longo período, a avaliação foi um instrumento utilizado para rotular os alunos entre bons e ruins. Este definitivamente não é o objetivo do diagnóstico de aprendizagem. Muito pelo contrário!

A avaliação, aqui, é utilizada para ajudar a fazer com que todos os estudantes evoluam. Deve servir como norteadora de melhorias no sistema de ensino.

A ideia é que os professores elaborem aulas partindo daquilo que os alunos já aprenderam e vivenciaram, oferecendo uma continuação neste ensino. Isso significa que a avaliação diagnóstica não possui caráter classificatório, diferente de outros tipos de avaliações utilizados pelas instituições de ensino.

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Por que aplicar metodologias ativas após o diagnóstico de aprendizagem?

Aplicar metodologias ativas após a realização do diagnóstico de aprendizagem pode trazer uma série de vantagens para o desenvolvimento dos alunos.

A principal delas consiste na transformação na forma de construção do aprendizado. O aluno sai de um lugar de conforto e exercita a resolução de problemas e a conexão entre ideias que, em um primeiro momento, podem parecer distantes entre si.

Outros benefícios para os alunos são:

  1. Adquirir autonomia;
  2. Trabalhar a autoconfiança;
  3. Exercitar a resolução de problemas;
  4. Alcançar maior qualificação e valorização profissional;
  5. Assumir o protagonismo no próprio processo de aprendizado.

Em relação aos benefícios para as IES, podemos destacar:

  1. Maior satisfação dos alunos e, consequentemente, maior retenção de estudantes;
  2. Melhor percepção geral em relação à instituição;
  3. Maior reconhecimento da IES no mercado educacional;
  4. Apoio na captação de alunos.

Lembrando que as metodologias ativas de aprendizagem devem acompanhar os objetivos traçados no diagnóstico.

Esperamos que este artigo sobre o diagnóstico de aprendizagem tenha sido útil para você. Aproveite e confira também: Veja o que são ferramentas de metodologias ativas e como fazer a melhor escolha para sua IES

Intervenção pedagógica: fotografia de uma professora escrevendo em um quadro branco.

Tudo o que você precisa saber sobre intervenção pedagógica: conceito, pesquisa e prática

Como resolver as dificuldades acadêmicas dos meus alunos?

Essa é uma pergunta que provavelmente todo profissional da educação já se fez. E ela pode ser respondida de milhares de formas diferentes.

Isso porque, com toda a tecnologia de nossos tempos, não faltam recursos e abordagens para aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem. Em outras palavras, existem inúmeras modalidades de intervenção pedagógica que podemos adotar.

No presente artigo, vamos apresentar as intervenções pedagógicas sobre vários aspectos, passando pelos seguintes tópicos:

  • O que é intervenção pedagógica
  • A intervenção pedagógica enquanto pesquisa
  • O que é um plano de intervenção pedagógica e como montá-lo, passo a passo
  • 10 ações de intervenção pedagógica para aplicar em sua sala de aula

Ao final do texto, você terá um conhecimento técnico, aprofundado e prático sobre a intervenção pedagógica, contando com todas as informações para colocá-la em prática o mais cedo possível.

Tenha uma boa leitura!

1. O que é intervenção pedagógica

A intervenção pedagógica é uma interferência no processo de ensino-aprendizagem, realizada pelo professor quando se identifica alguma dificuldade pelos alunos. Dizendo de outra maneira, é uma forma de aplicar iniciativas para superar obstáculos na construção do conhecimento.

É muito comum que o corpo estudantil, em toda sua diversidade, aprenda em ritmos diferentes e de formas diferentes. Por isso, os profissionais da educação devem adaptar seus métodos de ensino de forma a garantir que todos os alunos tenham boas oportunidades durante o curso.

As intervenções pedagógicas contribuem, portanto, para a personalização do ensino, retenção de alunos e melhoria dos resultados acadêmicos de uma IES. Mas, para que estes resultados sejam alcançados, é necessário conferir-lhes certa seriedade acadêmica.

2. A intervenção pedagógica enquanto pesquisa

Aproveitar todo o potencial de uma intervenção pedagógica requer que se reconheça, antes de tudo, seu caráter científico. Isso significa que pedem por um cuidado metodológico típico das pesquisas acadêmicas, porque elas de fato são pesquisas acadêmicas.

Para explicar melhor essa ideia, vamos nos reportar a um artigo científico, intitulado “Discutindo pesquisas do tipo intervenção pedagógica”, publicado nos Cadernos de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Trata-se de um marco teórico importante para aprofundar o debate relacionado às intervenções pedagógicas. Foi elaborado por uma equipe multidisciplinar de seis pesquisadores, especializados em diversos campos educacionais:

  • Magda Floriana Damiani, psicóloga, Mestre em Psicologia Educacional e Doutora em Educação. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas.
  • Renato Siqueira Rochefort, professor de Educação Física, Mestre em Ciência do Movimento Humano e Doutor em Educação. Professor Associado da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas.
  • Rafael Fonseca de Castro, Cientista da Computação (UCPel); Especialista, Mestre e Doutorando em Educação (UFPel); Especialista em Linguagens Verbais e Visuais (IF-Sul); Coordenador Pedagógico EaD e Gerente Moodle do Departamento de Medicina Social (UFPel).
  • Marion Rodrigues Dariz, graduada em Letras (UCPel), Especialista em Educação (FURG) e Mestre em Educação (UFPel). Professora da Rede Pública Municipal de Ensino de Pelotas e Técnica em Assuntos Educacionais (IF Sul).
  • Silvia Nara Siqueira Pinheiro, psicóloga, Doutoranda em Educação, Mestre em Saúde e Comportamento. Professora Assistente do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Pelotas.

Vamos abordar, neste tópico, alguns pontos de destaque apresentados no artigo em comento, para subsidiar nosso entendimento sobre o assunto.

Leia também: Entenda a relação entre projeto pedagógico e as atividades de ensino, pesquisa e extensão

Compreendendo as pesquisas do tipo intervenção pedagógica

Pesquisas do tipo intervenção pedagógica são “investigações que envolvem o planejamento e a implementação de interferências (mudanças, inovações) – destinadas a produzir avanços, melhorias, nos processos de aprendizagem dos sujeitos que delas participam – e a posterior avaliação dos efeitos dessas interferências” (Discutindo pesquisas, pág. 58).

Como podemos perceber, o termo “intervenção”, neste contexto, está associado a interferências planejadas no processo de ensino-aprendizagem. 

Alguns autores sinalizam que “intervenção” e “interferência” são termos dotados de certa carga pejorativa. É o entendimento de Szymanski e Cury, que os associam à ideia de autoritarismo ou cerceamento, e de Fernando Becker, que atribui essa conotação negativa à perspectiva comportamentalista da Psicologia (Discutindo pesquisas, pág. 58).

Apesar deste pano de fundo etimológico, os autores do artigo em análise propõem uma ressignificação do termo “intervenção” para designar um tipo específico de pesquisa.

A ideia, portanto, é despir o conceito de sua carga pejorativa e passar a enxergá-lo como um instrumento de investigação pedagógica. Assim, não se trata apenas de uma ação espontânea, feita por professores ou tutores, por exemplo, para tentar melhorar o ensino.

O termo deve refletir, na verdade, ações planejadas e cujos efeitos são posteriormente avaliados, seguindo certo rigor metodológico típico da área acadêmica.

A compreensão da intervenção pedagógica enquanto pesquisa colabora também para que haja uma comunicação efetiva dentro da comunidade acadêmica e pedagógica. Se a execução e resultados das intervenções pedagógicas são documentados e sistematizados, de forma organizada, fica mais fácil compartilhar a experiência com outras pessoas.

Pesquisas de caráter aplicado

Em função do caráter prático da intervenção pedagógica, os autores do artigo relatam certa resistência no mundo educacional em considerá-las como pesquisas. Contudo, esse problema passa por uma percepção equivocada do que se entende por pesquisa. 

Existem, certamente, as chamadas pesquisas básicas, que buscam ampliar conhecimentos sem necessariamente se preocupar com seus benefícios aplicados. Mas, ao lado dessa categoria, encontramos também as pesquisas aplicadas, que o autor Colin Robson denomina como “pesquisas no mundo real” (Discutindo pesquisas, pág. 58).

A intervenção pedagógica cairia, então, na segunda categoria. Robson chama atenção também para uma distância existente, na área da Educação, entre produção acadêmica e a prática profissional nas instituições de ensino, o que aumenta a importância deste tipo de pesquisa.

A questão é que muitos professores repetem práticas feitas por outras pessoas, em contextos diversos, sem que haja uma preocupação de avaliar os efeitos dessas práticas. Se houvesse, para cada intervenção pedagógica, um relatório científico, discriminando seus resultados, seria mais fácil selecionar as práticas corretas.

Essa discussão nos revela uma orientação importante aos professores de IES: é preciso investigar e refletir mais sobre nossas práticas no contexto educacional. A construção de mais bibliografia nesse sentido pode contribuir, inclusive, para promover transformação social, no entendimento de Zeichner e Diniz-Pereira (Discutindo pesquisas, pág. 59).

Relatórios de pesquisas do tipo intervenção pedagógica

Os autores do artigo em análise também chamam muita atenção para os relatórios de intervenções pedagógicas:

Os relatórios das intervenções devem ser elaborados de tal forma que permitam ao leitor reconhecer suas características investigativas e o rigor com que as pesquisas foram levadas a cabo, para que não sejam confundidas com relatos de experiências pedagógicas” (Discutindo pesquisas, pág. 60).

Quando não há um relatório bem feito, é mais difícil enxergar com nitidez os efeitos reais de cada iniciativa dos professores. Ele é fundamental, neste contexto, também para que outras pessoas possam averiguar a eficácia de cada intervenção e, eventualmente, aplicá-la em sua realidade.

Em face disso, os autores propõem um verdadeiro roteiro para relatório de intervenção pedagógica. Vamos apresentá-lo no próximo tópico, quando explicarmos os passos para fazer um plano de intervenção pedagógica.

Leia também: Saiba o que é e como elaborar um plano de aula ensino superior

3. O que é um plano de intervenção pedagógica?

O plano de intervenção pedagógica consiste na aplicação mais sistemática e organizada dessa estratégia pedagógica. Em outras palavras, como o nome indica, é a intervenção pedagógica planejada.

Como vimos no último tópico, é comum que as intervenções pedagógicas sejam aplicadas de uma maneira desorganizada. Os professores identificam problemas de aprendizagem, ficam sabendo de alguma abordagem e aplicam em sua sala de aula, sem que haja uma pesquisa prévia ou registro durante o processo.

Nesse contexto, tomar ações mais estruturadas é uma forma de garantir que as iniciativas tenham sucesso. Por isso, vamos falar agora sobre como montar um plano de intervenção pedagógica.

Passo a passo para montar um plano de intervenção pedagógica

  1. Identifique o(s) problema(s) de aprendizagem
  2. Selecione a intervenção mais adequada ao caso
  3. Execute e registre
  4. Elabore e publique um relatório sobre a intervenção pedagógica

Passo 1: Identifique o(s) problema(s) de aprendizagem

O primeiro passo da intervenção pedagógica é identificar eventuais problemas ou dificuldades de aprendizagem.

Isso pode ocorrer de uma forma mais intuitiva, com base na observação geral da turma pelo professor, ou de maneiras mais direcionadas, como as que listamos abaixo:

  1. Avaliações: são os indicadores clássicos sobre o conteúdo que foi de fato apreendido pelos alunos, e sobre o que ficou para trás.
  2. Relatórios virtuais: diversas plataformas digitais de aprendizagem conseguem emitir relatórios sobre o rendimento dos alunos. Isso é feito com base na interação de cada um com a plataforma: quais atividades foram realizadas, qual o índice de acerto em cada questão, e etc.
  3. Formulários: outra sugestão é enviar formulários virtuais aos alunos, por onde eles podem falar sobre os principais problemas enfrentados no ensino, quais foram os tópicos de maior dificuldade, e outras questões sobre seu processo de aprendizado.

É importante lembrar, também, que o tutor possui uma importância fundamental nesta etapa e pode contribuir muito para acompanhar a trajetória de cada aluno com mais proximidade.

Passo 2: Selecione a intervenção mais adequada ao caso

Depois de conhecer em maiores detalhes o problema de aprendizagem, é hora de procurar pela intervenção pedagógica que mais se adeque à sua resolução.

Neste mesmo artigo, compilamos um total de dez intervenções pedagógicas que têm apresentado bons resultados no ensino superior brasileiro. Você pode conferir esta lista, que será apresentada ao final do texto, e começar seus estudos!

Lembre-se: é importante pesquisar com bastante afinco antes de tomar uma decisão. Nossa atuação, enquanto professores, deve ser pautada por critérios científicos para conseguir os melhores resultados.

Também é possível pensar fora da caixa e aplicar intervenções pedagógicas personalizadas, conforme a sua realidade. Uma boa dica nesse sentido é utilizar o método design thinking na educação.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Superior

Passo 3: Execute e registre

Agora que já selecionamos a intervenção pedagógica, é hora de colocá-la em prática.

A parte mais importante desta etapa é efetuar um registro detalhado de todo o processo — é importante, inclusive, que as etapas anteriores também sejam documentadas, desde a identificação do problema.

Tire fotos, mantenha um registro escrito, peça aos alunos que escrevam depoimentos (antes, durante e após a intervenção) e use outros recursos disponíveis. O objetivo dessa documentação é fazer com que tenhamos material o suficiente para avaliar a intervenção, e para que a comunidade científica também tenha condições de fazê-lo.

Passo 4: Elabore e publique um relatório sobre a intervenção pedagógica

Com todo o registro da iniciativa em mãos, é hora de tomar o passo final e elaborar um relatório completo. Esse é talvez o passo mais importante do plano, pelo que vamos explicá-lo em detalhes mais profundos.

No artigo “Discutindo pesquisas do tipo intervenção pedagógica”, que apresentamos ao início do texto, os autores nos deixam uma grande contribuição: um roteiro para o relatório da intervenção pedagógica.

Na verdade, a preocupação principal do artigo, neste ponto, é auxiliar a desenvolver o método da pesquisa e seus achados. Por isso, ele não se preocupa em propor uma padronização de estrutura para os relatórios; ela pode variar conforme o caso.

Como vimos, defende-se que a intervenção pedagógica seja dotada de certo rigor metodológico para qualificá-la enquanto pesquisa. Isso pede que algumas técnicas e procedimentos sejam obedecidos ao longo da execução da prática e de seu registro.

O método das pesquisas do tipo intervenção pedagógica possui dois componentes principais, que devem ser identificados e separado ao longo do relatório:

  1. Método da intervenção (método de ensino) e
  2. Método de avaliação da intervenção (método de pesquisa propriamente dito).

Entender a diferença e dividir bem esses dois componentes é essencial para garantir a devida compreensão do processo investigativo. Por isso, vamos detalhar sua constituição e o que cada um deve conter.

Método da intervenção pedagógica

O método da intervenção pedagógica deve descrever a abordagem de ensino levada a cabo. Ou seja, deve apresentar o método de ensino eleito pelo professor para combater os problemas de aprendizagem.

Essa descrição deve não somente pormenorizar a prática, mas mostrar o embasamento teórico que justifica sua escolha. 

Isso revela outro caráter importantíssimo da intervenção pedagógica: sua escolha não deve ser arbitrária ou apenas seguir alguma tendência. Ela deve, na verdade, ser precedida de estudos sobre a eficácia e modo de execução de cada intervenção pedagógica. 

Nessa parte do relatório, o foco está na atuação pedagógica do professor. Ou seja, preocupa-se em descrever a prática enquanto agente da intervenção, evitando incluir informações referentes à sua atuação como pesquisador (elas vêm no próximo item).

Isso significa que não é ideal, por agora, falar sobre métodos de pesquisa, como procedimentos para análise e coleta de dados. O objetivo é descrever a intervenção pedagógica em detalhes, mas evitando muitas repetições.

Método de avaliação da intervenção

Aqui, o objetivo é descrever os aspectos metodológicos e científicos utilizados para analisar os resultados da intervenção pedagógica. É uma parte fundamental do relatório, já que seu desenvolvimento correto permite que tenhamos uma ideia nítida do sucesso de nossas iniciativas.

O agente da intervenção deve, portanto, focar na sua atuação enquanto pesquisador. Nessa parte, serão apresentados os instrumentos científicos escolhidos para coleta e análise de dados, além de justificar essa opção.

Essa justificativa passa por referenciais teóricos sobre metodologia científica. Ou seja, é ideal que o professor-pesquisador esteja familiarizado com esse tipo de conhecimento.

Importa ressaltar, também, outra sugestão que o artigo nos apresenta: é interessante separar os achados da avaliação em duas partes:

  • Achados relativos aos efeitos da intervenção sobre seus participantes, que diz respeito às alterações observadas nos alunos após a prática;
  • Achados relativos à intervenção propriamente dita, que tenta realizar as características da intervenção pedagógica responsáveis por operar os efeitos observados. A ideia é listar os pontos fortes e fracos da iniciativa com relação aos objetivos traçados.

Leia também: 4 estratégias para otimizar a gestão acadêmica de sua IES

10 ações de intervenção pedagógica para aplicar em sua sala de aula

Agora que já possuímos o arcabouço teórico sobre a intervenção pedagógica, vamos apresentar dez iniciativas que você poderá aplicar na prática.

Muitas dessas ações são ferramentas de metodologias ativas. Ou seja, são intervenções pedagógicas que valorizam a construção de maior autonomia por parte dos alunos.

Quando o corpo estudantil toma as rédeas do próprio aprendizado, seus resultados acadêmicos melhoram consideravelmente.

Várias das ações que listamos também estão associadas à aplicação de tecnologia na educação, o que também é outra tendência crescente e muito benéfica ao aprendizado.

A equipe Saraiva Educação elaborou artigos específicos para algumas das intervenções pedagógicas que iremos sugerir a seguir. Clicando nos links inseridos em cada tópico, você será redirecionado para estes conteúdos, onde se encontram mais detalhes sobre cada uma.

Navegando por nossos conteúdos, você encontrará referências científicas que amparam cada uma das intervenções. No entanto, aconselhamos que você vá além e procure outras fontes, além daquelas que apresentamos!

Isso porque, conforme vimos, investir no aspecto acadêmico da intervenção pedagógica é garantir seus bons resultados.

Vamos em frente!

Quais são as principais ações de intervenção pedagógica atualmente?

  1. Aulas de revisão de conteúdos-chave
  2. Conteúdos em microlearning
  3. Gamificação
  4. Sala de aula invertida
  5. Plataforma digital de aprendizagem
  6. Aprendizagem baseada em projetos
  7. Aprendizagem baseada em problemas
  8. Aprendizagem entre pares
  9. Formação de grupos de estudo
  10. Aplicação de conteúdos digitais

1. Aulas de revisão de conteúdos-chave

Esta intervenção pedagógica é bem simples, e consiste em dedicar aulas à explicação de conteúdos específicos em que foram identificados problemas de aprendizagem.

Enquanto ministram as aulas, é comum que os professores identifiquem os temas em que alunos tiveram mais ou menos dificuldades. Isso pode ser observado de várias formas.

Nas aulas presenciais ou aulas síncronas, é uma boa ideia observar, por exemplo, o índice de perguntas sobre cada tema ou as expressões faciais dos alunos.

Mas é possível reconhecer as maiores dificuldades de maneira ativa. Os professores podem perguntar à turma quais foram os temas de mais dúvidas e planejar a aula de revisão com base nesse feedback direto.

Outra sugestão é disponibilizar uma espécie de “caixinha de sugestões” para definir o conteúdo da aula de revisão. Pode ser tanto uma caixinha física quanto uma caixinha virtual, feita a partir de formulários eletrônicos.

Lembrando que, para que a intervenção pedagógica seja eficaz, é necessário investigar sobre a apreensão do conteúdo antes e depois da abordagem. Além disso, é importante ministrar o conteúdo de formas diferentes na aula de revisão, e não apenas repetindo o que foi dito antes.

2. Conteúdos em microlearning

Microlearning (ou microaprendizagem, no português) diz respeito a um formato específico de conteúdo em vídeo. É uma intervenção pedagógica que faz uso de tecnologia digital a fim de otimizar a absorção de conteúdo.

Com a ampliação do acesso à rede no Brasil, o ensino superior a distância se consolidou e passou a ter grande demanda. Em função disso, o uso de conteúdo audiovisual na educação também foi popularizado.

Na verdade, o microlearning é aplicável em todas as modalidades de ensino (seja a distância, híbrido ou presencial). A ideia é que sejam produzidos vídeos-pílula, de curta duração, para abordar tópicos pontuais e mais simples de cada disciplina.

Existe vasta bibliografia científica comprovando a eficácia desta intervenção pedagógica, como este estudo publicado no Diário Internacional de Pesquisa Educacional. A questão é que, quando assistem a conteúdos pela rede, os alunos não apresentam rendimentos tão bons quando os vídeos são longos.

3. Gamificação

A gamificação na educação é outra tendência crescente, que também aplica tecnologia nos processos de ensino-aprendizagem.  De forma resumida, essa intervenção pedagógica procura aplicar elementos, ferramentas e estratégias típicas de jogos no campo educacional. 

Os jogos virtuais já fazem parte da vida de muitos alunos, desde a popularização da internet e dos dispositivos eletrônicos. Por isso, aproveitar sua lógica e design em atividades educacionais é uma forma de dialogar com a realidade do corpo estudantil.

Também por isso, a gamificação é uma ótima maneira de elevar o engajamento dos estudantes. Quando a tarefa que deve ser executada toma uma forma mais lúdica, aumenta o interesse em completá-la.

Os jogos virtuais na educação também seguem uma lógica de recompensa, que na verdade já esteve presente no ensino há anos. É a ideia das “estrelas douradas” atribuídas aos alunos no ensino básico — similar a passar de nível em algum videogame, para ilustrar.

O ensino, com essa abordagem, torna-se mais interativo e divertido.

Leia também: Confira 12 dicas sobre como fazer aulas interativas no ensino superior

4. Sala de aula invertida

A sala de aula invertida é outra intervenção pedagógica muito comum no contexto das metodologias ativas.

Foi idealizada a partir de pesquisas das renomadas universidades americanas de Harvard e Yale, nos anos 90. A partir dos anos 2000, o autor J. Wesley Baker amadureceu o conceito e apresentou o modelo da “Flipped Classroom”, que foi amplamente disseminado em várias IES pelo mundo.

A lógica dessa abordagem é realizar uma verdadeira inversão das atividades realizadas dentro e fora da sala de aula, considerando o modelo tradicional das aulas expositivas. Ou seja, o aluno passa a chegar na sala já tendo estudado parte do conteúdo.

Assim, o momento da aula é dedicado a dialogar sobre o conteúdo com professor e demais alunos, realizar projetos e aplicar aquilo que foi aprendido de antemão. Cresce o interesse na problematização do objeto de aprendizado, ao invés de sua apreensão passiva e acrítica.

Em outras palavras, o aluno deixa de ser um mero receptor do conhecimento, ao mesmo passo em que o professor deixa de ser um mero transmissor.

É importante ressaltar que, para que esta intervenção pedagógica surta bons efeitos, o material didático precisa ser acessível. Não adianta estimular a autonomia do estudante sem que haja conteúdo de qualidade que ele consiga acessar antes das aulas.

Por isso, contar com uma biblioteca digital ou com outros conteúdos digitais é uma boa opção. Ao optar por este tipo de material, contribuímos para aumentar a acessibilidade do ensino.

5. Plataforma digital de aprendizagem

A plataforma digital de aprendizagem é outra intervenção pedagógica interessante, e surge também no sentido de tornar os materiais de estudo mais acessíveis.

Existem vários recursos para se aprender por meio do ambiente virtual. Leitura digital, vídeos e aulas em áudio são alguns deles, focados na transmissão do conhecimento por diversos formatos.

As plataformas de aprendizagem, por outro lado, contam com recursos que auxiliam em estudos mais práticos e na identificação de problemas de aprendizagem. Por isso, são ferramentas muito interessantes quando falamos em intervenções pedagógicas.

Dentre as diversas plataformas existentes, há também diversos recursos que variam de uma para outra. Mas as funcionalidades mais comuns são:

  • Banco de questões e conteúdos interativos, relacionados à matriz curricular de cada situação;
  • Suporte pedagógico para os docentes (como, por exemplo, geração de relatórios gerenciais de desempenho dos alunos).

Ao utilizar uma dessas plataformas, você consegue não só introduzir outras ferramentas de estudo, mas também obter acesso a dados concretos sobre a compreensão de cada tópico.

6. Aprendizagem baseada em projetos

A aprendizagem baseada em projetos tem como principal objetivo situar o processo de ensino-aprendizado no contexto concreto de vivências do corpo estudantil. Dizendo de outra forma, procura aliar teoria à prática na educação.

Trata-se, também, de uma metodologia ativa, também conhecida pelo termo em inglês: “Project Based Learning” (PBL). A ideia é apresentar problemas materiais aos alunos, para que sejam resolvidos com base nas competências apreendidas ao longo de cada curso.

O aprendizado através de projetos desenvolve uma série de habilidades, como adaptabilidade, protagonismo, pensamento crítico e consciência social.

De forma resumida, essa intervenção pedagógica passa pelas seguintes etapas:

  1. o professor sugere um problema para a turma; 
  2. os alunos investigam possíveis causas e elaboram hipóteses sobre esse problema;
  3. após conhecer melhor o problema e suas origens, eles definem como propor uma solução;
  4. estabelecem um plano de ação e o apresentam;
  5. executam as ações e demonstram os resultados alcançados;
  6. recebem a avaliação do professor.

7. Aprendizagem baseada em problemas

A aprendizagem baseada em problemas surgiu no final da década de 60, com aplicação pioneira nas universidades McMaster, no Canadá e Maastricht, na Holanda. Seu embasamento teórico remonta aos ensinamentos do psicólogo Jerome Seymour Bruner e do filósofo John Dewey.

De forma sintética, Jerome Bruner entendia que os estudantes deveriam ser colocados em contato com problemas durante sua educação. O exercício de levantar problemas e buscar sua resolução eram as premissas centrais da Aprendizagem pela Descoberta (Learning by Discovery, no inglês). 

Já o filósofo John Dewey defendia que os processos educacionais deveriam ser orientados por uma reconstrução da experiência. Nessa linha, o estudante que é colocado em maior contato com sua realidade material aprenderia melhor.

Confira, a seguir, os pilares desta intervenção pedagógica:

  • organização por temas em torno de problemas e não de disciplinas;
  • integração interdisciplinar;
  • combinação entre teoria e prática, com a aplicação do conhecimento para a solução de problemas;
  • ênfase no desenvolvimento cognitivo;
  • abordagem centrada no aluno.

Leia também: Entenda o que é, desafios e oportunidades da inovação curricular no ensino superior

8. Aprendizagem entre pares

A aprendizagem entre pares, por sua vez, é uma intervenção pedagógica que procura estimular o espírito de colaboração entre os alunos.

Também conhecida como peer instruction, consiste em uma metodologia ativa que incentiva debate e construção conjunta do conhecimento — um dos principais paradigmas atuais da educação.

Podemos localizar as origens desta intervenção nos anos 90, na Universidade estadunidense de Harvard. Foi desenvolvida por Eric Mazur, um professor de física da IES.

Este docente sentiu a necessidade de rever o modelo tradicional de aulas na instituição, baseado em palestras, para conseguir uma postura mais ativa dos alunos.

De fato, a divisão de uma turma em pares traz vários benefícios pedagógicos. Os alunos conseguem treinar suas aptidões de comunicação, argumentação e pensamento crítico. Além disso, podem melhorar a própria empatia e sensibilidade ao aprender em conjunto com seus colegas.

9. Formação de grupos de estudo

As turmas do curso também podem ser divididas em grupos maiores ao invés de duplas, formando-se grupos de estudos pontuais ou permanentes.

Quando optamos por esta abordagem, conseguimos potencializar os benefícios da aprendizagem baseada em pares. Afinal, se mais pessoas trabalham juntas na formação do conhecimento, é possível ter acesso a mais ideias e opiniões para enriquecer a experiência de aprendizado.

No entanto, o estudo através de grupos pode ser mais difícil de administrar do que a atividade entre pares. É o que muitos alunos sentem quando realizam trabalhos em grupo, por exemplo.

Mas, por ser uma proposta mais desafiadora, pode acarretar grandes desenvolvimentos para os alunos e para toda a turma.

Ao exercitar a construção do conhecimento em grupos, os alunos adquirem aptidões importantes para sua vida pessoal e profissional. Aprendem a escutar mais, a ter mais  paciência e podem, inclusive, descobrir seu potencial de liderança.

10. Aplicação de conteúdos digitais

Aplicar conteúdos digitais no ensino é outra intervenção pedagógica essencial no atual contexto da educação. No cenário atual de disrupção tecnológica em que vivemos, não se pode pensar a educação sem inovar e fazer uso das redes.

Para ter certeza disso, basta olhar a demanda crescente pela educação superior a distância. Os novos alunos estão interessados em acessibilidade. Ou seja, querem estudar de qualquer lugar, fazer seus próprios horários, e aproveitar também do potencial que os conteúdos digitais possuem em termos pedagógicos.

Estudar por meio dos inúmeros recursos virtuais é uma necessidade para qualquer IES que queira manter sua sustentabilidade e competitividade no mercado.

Os conteúdos digitais são uma intervenção pedagógica que usa multimídia e hipermídia na educação. Essa iniciativa é ideal porque os alunos, em toda sua diversidade, aprendem de formas diferentes. 

Por isso, se investimos em conteúdos digitais multiformatos, conseguimos abarcar todas essas formas de aprendizado. Textos e livros digitais, vídeos, jogos educacionais, podcasts, simulados com correção automática… são várias possibilidades.

Quando optamos por essa abordagem, temos uma ótima estratégia para alcançar um dos objetivos das intervenções pedagógicas: a personalização do ensino.

Pensando, ainda, de forma mais ampla, é uma estratégia para alcançar um objetivo maior da educação brasileira: a democratização do ensino.

Esperamos que tenha gostado deste texto sobre intervenção pedagógica! Que tal seguir aprofundando seus conhecimentos e conferir este outro artigo, sobre como montar uma trilha de aprendizagem?