avaliação diagnóstica: duas pessoas analisando dados escritos e digitais

Você sabe o que é avaliação diagnóstica, como fazer e sua importância para a IES? Descubra neste artigo

A avaliação diagnóstica é um conceito comum no dia a dia da educação básica. Entretanto, no ensino superior, muitas vezes ocorre de sua aplicação ser ignorada ou negligenciada.

Para compreendermos melhor esse conceito e como ele se aplica ao ensino superior, temos que enxergar as avaliações com uma nova perspectiva. Elas não devem servir apenas para classificar e dar notas aos estudantes. Mas sim, como uma ferramenta que auxilia discentes e docentes a avançar no processo de aprendizagem.

Tanto na educação presencial, quanto nas modalidades a distância e no ensino híbrido no ensino superior, a avaliação diagnóstica pode ser um importante instrumento para melhorar a aprendizagem dos alunos e oferecer uma educação de maior qualidade para cada estudante.

Sabendo da importância desse processo, preparamos este artigo especial para que você possa compreender melhor as aplicações da avaliação diagnóstica na sua instituição de educação superior (IES).

Continue a leitura e saiba mais sobre o que é a avaliação diagnóstica, qual seu objetivo, quando deve ser aplicada, como ela é feita, como os professores podem compor as avaliações, como fazer o relatório e mais!

O que é uma avaliação diagnóstica?

Antes de falarmos das partes práticas, é necessário compreender melhor a conceituação teórica que envolve esse termo e sua relevância no contexto da educação superior.

Podemos considerar a avaliação diagnóstica como um tipo de avaliação de aprendizagem que busca compreender e identificar os conteúdos e os conhecimentos que os estudantes já possuem

Com essa avaliação, é possível conhecer mais sobre o histórico educacional dos estudantes, com detalhes como:

  • O que o aluno sabe;
  • O que o aluno deveria saber, mas não sabe;
  • As expectativas do estudante em relação aos conteúdos.

Tal diagnóstico é importante para que os professores possam melhorar os processos de ensino e aprendizagem durante o período letivo para uma turma ou estudante específico.

Qual a diferença entre a avaliação diagnóstica e outros tipos de avaliação?

Agora que já temos o conceito da avaliação diagnóstico em mente, que tal entendermos como ela se distingue e se relaciona de outras avaliações?

Consideremos outros dois tipos de avaliações mais conhecidos, as avaliações somativas e formativas:

  • As avaliações somativas têm o objetivo de examinar se o estudante está acompanhando os processos de ensino e aprendizagem, e não traçar diagnósticos sobre seus pontos fortes ou limitações. Ela também cumpre uma função classificatória, agrupando os alunos de acordo com seu aproveitamento e rendimento nas atividades, além de atribuir notas ou conceitos para refletir essa classificação.
  • As avaliações formativas fazem parte de um processo contínuo que busca contribuir com a construção do aprendizado dos estudantes. Porém, elas não possuem caráter quantificativo, como as avaliações somativas. E, apesar de oferecer dados aos professores sobre seus procedimentos de ensino e aos alunos sobre seu desempenho, não há um papel de diagnóstico inicial como a avaliação diagnóstica.

Todos esses tipos de avaliação de aprendizagem são importantes e colaboram para os processos de ensino da IES. Elas precisam ser aplicadas de forma conjugada para que o processo de ensino e aprendizagem seja realizado de forma eficaz.

Entretanto, é importante ressaltar a importância da avaliação diagnóstica dentro desse contexto educacional. Isso porque esse tipo de avaliação vai além de uma função avaliativa classificatória, mas preza pela inclusão dos alunos e compreensão de suas dificuldades.

Ademais, a avaliação diagnóstica é ponto de partida que determina como o processo de aprendizagem vai se dar dentro do contexto daquela turma ou para um aluno específico. 

Leia também: Confira 8 competências do professor do futuro e como a sua IES pode capacitá-lo

Qual é o objetivo de uma avaliação diagnóstica?

A definição de avaliação diagnóstica que exploramos acima já dá pistas sobre o objetivo desse tipo de teste. Mas, para efeito de clarificação, vamos explorar essa questão de forma mais específica.

O principal objetivo de uma avaliação diagnóstica é reconhecer e caracterizar as etapas de aprendizagem em que os alunos estão posicionados. Com essa avaliação, é possível também identificar as limitações e aptidões de cada estudante, além de conceitos e habilidades dominadas ou negligenciadas por cada um.

Dessa forma, podemos fragmentar o objetivo geral das avaliações diagnósticas em três objetivos específicos:

  1. Identificar as realidades dos estudantes que estão inseridos nesse processo de aprendizagem;
  2. Apurar a presença ou ausência das habilidades dos alunos;
  3. Refletir sobre e reconhecer as causas, dificuldades e limitações de aprendizagem de cada aluno.

Com esses objetivos em mente, é importante ressaltar que a avaliação diagnóstica não tem como finalidade avaliar o estudante em si, mas sim o seu potencial de aprendizagem.

Desse modo, ao efetuar a avaliação diagnóstica e analisar seus resultados, os professores conseguem adaptar o plano de ensino para atender seus estudantes da melhor maneira.

Quando a avaliação diagnóstica deve ser aplicada?

De maneira geral, é indicado que a avaliação diagnóstica seja aplicada no início de um processo ou ciclo de ensino e aprendizagem.

E com isso, o início do processo ou ciclo é compreendido como início do ano ou semestre letivo, bem como início de uma nova unidade de ensino ou em outros pontos iniciais que os professores julgarem necessário.

Na visão de Benjamin S. Bloom, importante psicólogo e pedagogo americano, a avaliação diagnóstica deve ocorrer em dois momentos distintos:

  • O primeiro deles é no início dos processos de aprendizagem, em que o objetivo é averiguar se cada estudante possui os pré-requisitos necessários para o desenvolvimento das atividades previstas no plano de curso.
  • No segundo momento, que pode ocorrer em diferentes pontos do processo de aprendizagem, o objetivo é investigar e identificar as causas dos fracassos ou limitações dos processos de aprendizagem.

Note que, mesmo na abordagem de Bloom, a execução da avaliação diagnóstica já no início do processo de aprendizagem é mantida.

Afinal, esse tempo é coerente com o principal objetivo de uma avaliação diagnóstica: o de detectar os conhecimentos e habilidades que os alunos já possuem para determinar, a partir daí, as adaptações necessárias no plano de aula, de curso, etc.

Leia também: O professor como líder inovador: características da liderança inovadora nas Instituições de Ensino Superior (IES)

Qual a importância da avaliação diagnóstica na volta ao ensino presencial?

Com o decorrer da pandemia do novo coronavírus, toda a humanidade precisou se adaptar à nova realidade. O isolamento social foi a principal forma de combater a nova doença e, com isso, as interações entre as pessoas precisaram ser reduzidas — pelo menos de forma presencial.

O mundo do trabalho viu no home office uma saída. Já a educação, por sua vez, precisou passar o ensino presencial para o modelo remoto. O ensino remoto, de forma simplificada, é a aplicação do modelo presencial através de recursos digitais. Desse modo, seu conceito não deve ser confundido com a educação a distância (EaD), que possui uma metodologia específica.

Agora, com a volta do ensino presencial, é ainda mais necessária a realização de uma avaliação diagnóstica. Neste novo momento é imprescindível observar como anda a aprendizagem dos estudantes.

Um dos principais motivos para isso é analisar se o ensino remoto foi de fato eficiente. Com uma avaliação diagnóstica de qualidade, ficará perceptível se os alunos adquiriram os conhecimentos esperados durante a pandemia ou se as aulas online foram deficitárias.

Outro ponto central é que para muitos estudantes, o ensino superior se iniciará agora, durante a volta às aulas presenciais. É importante que a IES saiba se seus futuros alunos adquiriram os conhecimentos básicos para cursar uma graduação, seja em matérias como português, matemática, biologia, química, etc. 

Devemos lembrar que as aulas remotas não foram aplicadas nas escolas públicas com a mesma facilidade e recursos do ensino superior. Há uma lacuna no conhecimento de inúmeros estudantes que deve ser descoberta e corrigida

Como é feita a avaliação diagnóstica?

É possível efetuar a avaliação diagnóstica de diferentes formas. O modelo escolhido pode variar de acordo com a disciplina ensinada, turma, objetivos e estratégias de ensino, entre outros fatores.

Inclusive, é possível utilizar de diferentes testes para traçar uma avaliação diagnóstica. Assim, não é necessário se limitar a um tipo de exercício específico que não irá avaliar os potenciais dos alunos em sua totalidade.

É importante que as tarefas escolhidas para compor a avaliação diagnóstica exijam a aplicação de conhecimentos que os alunos tiveram contato em ciclos anteriores, e que são necessários para o avanço do processo de aprendizagem atual.

Além disso, incluir atividades que abordem temas a serem explorados durante o processo de aprendizagem atual também pode ser muito interessante. Isso permite que o professor descubra se alguns alunos ou a turma como um todo já tiveram algum contato com os temas que pretende explorar.

Um ponto de atenção importante diz respeito à repetição de atividades e alguns vícios causados pela rotina. Por exemplo: é comum que professores utilizem técnicas e formas de avaliação tradicionais ou até mesmo antiquadas, apenas por hábito. Ou, ainda, aplicam formatos de avaliação que são impostos pela IES, mas não cumprem seu papel de diagnóstico.

Reiteramos, então, a necessidade de escolher as técnicas de avaliação de acordo com os objetivos da avaliação de diagnóstico e do processo de aprendizagem de cada conteúdo.

Abaixo você confere alguns tipos de atividades que podem ser utilizadas para compor uma avaliação diagnóstica:

Testes discursivos e/ou redações

Provas discursivas e redações são algumas das estratégias mais tradicionais de avaliação. Entretanto, isso não quer dizer que sejam antiquadas ou ineficientes.

Através desse tipo de teste é possível analisar a capacidade dos alunos de relacionar contextos, elaborar seus raciocínios na forma escrita, indicar maneiras de solucionar problemas, além de seus conhecimentos na língua portuguesa, entre outras possibilidades.

Além de propostas de redações, os testes discursivos podem assumir forma de discussões, perguntas, provas com consultas ou até trabalhos a serem realizados em casa.

Provas objetivas

Os testes objetivos, ou provas fechadas, se configuram pela presença de questões de múltipla escolha. Outras opções incluem a classificação de afirmativas entre verdadeiro ou falso e até associar ou ordenar informações. 

Atividades práticas

Caso a disciplina ou ciclo de aprendizagem envolvem conhecimentos na área da saúde ou domínio psicomotor, por exemplo, as atividades práticas podem ser uma opção interessante de avaliação diagnóstica!

Provas orais

As avaliações orais podem oferecer excelentes diagnósticos sobre os conhecimentos dos alunos, suas opiniões, desenvoltura, habilidade de expressão, entre outras competências.

Leia também: Saiba como desenvolver o ensino por competências na educação profissional

Entrevistas

As entrevistas são um formato menos tradicional de efetuar avaliações diagnósticas. No entanto, dependendo dos objetivos, elas podem colaborar muito na definição de um bom diagnóstico!

Com elas, é possível conhecer mais a fundo a história do aluno, suas crenças, valores, padrões, maturidade emocional, entre outros pontos.

Trabalhos

Trabalhos como elaboração de artigos ou monografias auxiliam os professores a examinar a expressão verbal dos estudantes, suas habilidades de pesquisa, de argumentação, relação de conceitos, entre outras competências.

O que o professor precisa selecionar para compor uma avaliação diagnóstica?

Para compor uma boa avaliação diagnóstica, o professor deve considerar seus objetivos, o que deseja descobrir com a avaliação, e quais os tipos de questões são mais indicados para isso.

Como explicamos na seção acima, é possível selecionar mais de um tipo de questão para compor uma avaliação diagnóstica. Assim, o professor pode, por exemplo, selecionar questões discursivas e também objetivas. Ou propor um trabalho para ser feito em casa, e aplicar uma prova oral em sala, entre outras combinações.

No caso de cursos e disciplinas a distância (EaD), ou caso o professor opte por aplicar um teste online, a IES pode contar com uma plataforma digital de aprendizagem. Algumas delas possuem opções para efetuar testes personalizados.

O professor pode, assim, selecionar o formato e as questões que deseja aplicar virtualmente. Testes virtuais também podem gerar maior praticidade na hora de aplicar e permitir que os alunos façam a avaliação em um horário e/ou lugar mais tranquilo para cada um deles. Mas esse não é o único benefício!

Boas plataformas de aprendizagem oferecem relatórios completos com os resultados das avaliações. Em muitos casos, é possível analisar aluno por aluno, turma por turma, ou até comparar o desenvolvimento de um aluno em relação ao restante da classe.

8 dicas para realizar uma avaliação diagnóstica de sucesso

Mesmo que tenha um formato simples, a avaliação diagnóstica deve ser feita com qualidade. É importante construir mecanismos avaliativos que revelem informações precisas e, para isso, deve-se manter atenção aos detalhes.

Para auxiliar nesse processo de avaliação dos alunos, traremos agora uma lista com 8 dicas para o sucesso da sua avaliação diagnóstica.

1. Deixe evidentes os objetivos

É importante que os coordenadores de curso e os professores conheçam o porquê da realização da avaliação diagnóstica. É também primordial que exista um plano de atuação previamente definido e baseado nos resultados obtidos, pois a avaliação não pode se tornar um fim em si mesma.

Desse modo, para chegar aos objetivos propostos, é necessário que a IES se organize, observando o plano de ensino, a matriz curricular e o calendário acadêmico. Saber o que se quer — e como será feito — são passos necessários para o sucesso!

2. Delimite as prioridades

Para que a avaliação diagnóstica alcance seus objetivos, é necessário compreender o que é prioritário no processo. Após estabelecer o que é mais importante nas atividades, os professores poderão melhor aplicar essas prioridades e, assim, aferir melhor seus resultados.

Lembre-se: não se pode fazer tudo e o tempo é limitado. Uma avaliação diagnóstica de sucesso deve ser centrada naquilo que se propõe, respeitando suas limitações e atuando dentro de suas prioridades e possibilidades.

3. Se prepare para mudanças

Apesar de ser fundamental ter uma avaliação diagnóstica, um plano de atuação e de ensino bem definidos, os resultados podem implicar em modificações. Sendo assim, os professores precisam estar abertos à mudanças, sejam elas durante o processo de avaliação dos estudantes ou no decorrer das aulas.

Deve-se ter em mente que o ensino deve se moldar aos resultados obtidos com as avaliações diagnósticas, e não o contrário. Sempre que necessário, mudanças devem ser bem-vindas!

4. Escute os estudantes

Nesse processo de avaliação, é sempre uma boa estratégia ouvir os estudantes. Manter uma comunicação mais direta entre IES e alunos, explicando as atividades e aceitando sugestões, deixa os resultados mais próximos da realidade.

Com o hábito de escutar os estudantes, a IES cria um corpo discente mais participativo e preparado para avaliações orais. Além disso, os alunos focarão mais ao sentir que são parte da IES e que suas opiniões são respeitadas.

Leia também: 6 dicas de melhoria da experiência do aluno

5. Mescle os tipos de avaliação

Como já visto anteriormente, é possível realizar uma avaliação com diferentes tipos de questões. É interessante apostar em mesclar questões de múltipla escolha com dissertativas e também com orais.

Além de deixar a atividade mais rica, usar de diversos tipos de avaliação possibilita um resultado mais justo para o aluno. É importante lembrar que as pessoas aprendem de formas diferentes.

Assim, ser avaliado de diversas formas ajuda a perceber esse aprendizado, servindo a avaliação diagnóstica, inclusive, para observar quais são as atividades que melhor se aplicam de forma individual e coletiva.

6. Realize avaliações constantes

Já é sabido que o melhor momento para realizar a avaliação diagnóstica é o início de um período letivo. Entretanto, ela não precisa se resumir a esse tempo. Aplicar mais de uma avaliação dá ainda mais validação para os resultados.

Criando o costume de fazer o diagnóstico de aprendizagem do estudante de forma contínua, a IES passa a perceber também se suas propostas de intervenção são eficientes. Aqui, além de aferir o conhecimento do aluno, mensuramos também sua evolução.

7. Aproveite a tecnologia

Com os intensos avanços da educação, e também com o isolamento social, tem ficado cada vez mais comum a realidade da educação digital. Sendo assim, porque não aproveitar os recursos tecnológicos para realizar uma boa avaliação diagnóstica?

Além de contar com diversos sites gratuitos na internet, a IES pode se preparar dentro de sua plataforma digital de aprendizagem. Usar a tecnologia ajuda a perceber também o ganho de conhecimento dos estudantes quanto aos recursos online.

8. Dê respostas aos estudantes

Da mesma forma que se deve ouvir os estudantes, dar feedback também é fundamental. É importante que o aluno saiba de seus resultados, que entenda os pontos em que o conhecimento pode ser melhorado.

A tarefa de melhorar a aprendizagem deve ser de todos e o estudante é o principal interessado nisso. Especificar os resultados faz com que o esforço para se aperfeiçoar seja bem maior.

Como fazer um relatório de avaliação diagnóstica?

O relatório de avaliação diagnóstica é um documento que indica o desenvolvimento dos estudantes nos seus testes. Ele auxilia no registro das informações para guiar possíveis alterações no plano de aula, e também para efeito de comparações futuras.

Todo relatório de avaliação diagnóstica deve conter componentes como:

  1. Introdução.
  2. Descrição da atividade que foi objeto da avaliação.
  3. Descrição do processo de avaliação.
  4. Apresentação dos principais resultados.
  5. Análise e discussão dos resultados e da avaliação.
  6. Conclusões e recomendações.

Vale lembrar que o indicado é que seja realizado um relatório por aluno, além de um para toda turma. Ou, ao menos, um relatório para turma e outros que contemplam grupos de alunos com desempenhos semelhantes.

Na fase de análise e discussão dos resultados, é interessante analisar o rendimento de cada aluno em comparação com a média da turma. Outra sugestão é preparar gráficos e tabelas a fim de organizar com mais clareza as informações reveladas nas avaliações de cada estudante e a relação entre os resultados.

Já na etapa de conclusões e recomendações, temos o espaço para analisar e indicar o que pode ou vai ser adaptado no plano de aula após o diagnóstico dos alunos.

Lembramos mais uma vez que plataformas de aprendizagem, muitas vezes, já oferecem os dados necessários para enriquecer os relatórios de avaliação diagnóstica. É possível gerar tabelas e gráficos com essas informações, cruzar os dados, e assim gerar comparações de maneira mais prática e assertiva.

O que fazer após a realização da avaliação diagnóstica?

Como já dito anteriormente, a avaliação diagnóstica não pode ser um fim em si mesma. Mais importante do que investir em uma excelente avaliação é construir um ensino de qualidade e libertador com base nos resultados aferidos.

O primeiro passo após realizar a avaliação é o da análise de dados, no qual os professores devem pegar os resultados e interpretá-los. É interessante, nesse momento, trabalhar com relatórios individuais e coletivos e, sempre que possível, fazer comparações com outras avaliações diagnósticas já realizadas.

Com o relatório em mãos fica mais fácil observar o desempenho dos alunos. Compreender as dificuldades de cada um, e principalmente as suas origens, é um dos principais ingredientes para uma educação de qualidade.

Por fim, o foco deve estar no principal objetivo: solucionar déficits educacionais, tanto individuais quanto de toda uma turma. O conjunto da IES (professores e gestores) deve se preparar para implementar mecanismos que busquem sanar os problemas na aprendizagem dos estudantes.

Diversas atividades complementares podem ser aplicadas aqui, cabendo aos educadores avaliarem as que trarão os melhores resultados. Nesse contexto, a intervenção pedagógica possui um importante papel.

 Também é interessante pensar em um plano de nivelamento de aprendizagem, assunto que será melhor trabalhado em seguida.

O que é nivelamento de aprendizagem?

O nivelamento de aprendizagem é uma solução para a defasagem educacional, uma ferramenta que busca elevar os estudantes ao ponto necessário para acompanhar as aulas. Num contexto de avaliação diagnóstica, nivelar os alunos, de acordo com os resultados obtidos, é uma saída praticamente obrigatória.

Seu formato consiste basicamente em oferecer aulas específicas naquelas disciplinas em que se percebe um grau maior de dificuldade por parte dos estudantes. De forma geral, é oferecido um minicurso para o aluno com aquele conteúdo que não domina e precisa ser melhorado.

Apesar de o nivelamento ocorrer, na maioria das IES, no primeiro período do curso para corrigir as defasagens em matérias mais básicas do ensino médio, ele pode ser aplicado em diferentes momentos. É interessante pensar em nivelamentos durante o decorrer do curso, pois muitos conceitos podem ser “perdidos”.

Por se dar, de forma geral, no início da graduação, o nivelamento trabalha mais com um conteúdo do ensino médio que serve de base obrigatória para o curso em questão. As disciplinas principais são:

  • Língua portuguesa;
  • Matemática;
  • Química;
  • Biologia;
  • Informática;
  • Física;
  • Inglês, etc.

O nivelamento de aprendizagem também se faz muito importante agora no contexto de volta às atividades presenciais, com a redução dos casos graves de Covid-19. É interessante analisar o que foi retido dos estudos durante o ensino remoto, até mesmo para avaliar a possibilidade de se investir mais em um ensino híbrido no ensino superior.

É também importante tocar na evasão de alunos, um dos maiores problemas para educação na atualidade. Alunos que possuem dificuldades em acompanhar as aulas tendem a desistir de seus cursos. Por isso, o nivelamento ajuda a democratizar mais o ensino, ao possibilitar que todos possam aproveitar ao máximo um bom curso.

Qual a importância de personalizar o ensino?

Como já visto no decorrer do texto, é interessante tanto a confecção de um relatório com os dados da avaliação diagnóstica para cada aluno, de forma individual, quanto para toda a turma. Como esses resultados, é possível criar as estratégias que fortalecerão a aprendizagem nos tópicos em que a turma possui dificuldade, assim como traçar novos caminhos para cada estudante. 

Como as pessoas aprendem de forma diferente, e possuem dificuldade em coisas diferentes, nada mais justo do que personalizar as soluções para resolver as defasagens educacionais individuais. Não faz sentido focar em dificuldades particulares para toda uma turma — é importante que cada um possa se fortalecer naquilo em que precisa melhorar.

A personalização do ensino é uma tendência que vem ganhando bastante espaço na educação. Hoje é comum a aplicação de uma diversidade de metodologias, atividades e até mesmo avaliações para diferentes alunos.

Uma aula personalizada respeita as individualidades de cada um, valorizando seus pontos fortes e combatendo suas deficiências. É central que se perceba e respeite que as pessoas possuem habilidades diferentes, e saber que em cada caso é mais interessante desenvolver aspectos específicos, de acordo com o perfil do aluno.

Num processo de avaliação diagnóstica, seguida de nivelamento de aprendizagem, é imprescindível apresentar respostas personalizadas. Apesar de em vários casos ser necessário fortalecer algum conceito com toda a turma, as soluções para avançar com uma educação de qualidade passam também pela superação de problemas individuais.

Porque inserir trilhas de aprendizagem na IES?

Seguindo em um contexto de nivelamento e personalização do ensino, optar pela utilização de trilhas de aprendizagem se encaixa perfeitamente com esses dois conceitos.

As trilhas de aprendizagem são entendidas como um “conjunto integrado, sistemático e contínuo de desenvolvimento de pessoas e profissionais”. Ou seja, ela se trata de um caminho pelo qual o aluno deve percorrer, passando pelos pontos da disciplina e também pelas suas necessidades individuais.

Desse modo, o aluno pode estudar uma sequência de conteúdos que tenha mais dificuldade, melhorando, assim, cada vez mais o seu conhecimento sobre um assunto que anteriormente não dominava. 

Seguindo essa linha, sempre que possível, as disciplinas em que o estudante possui uma maior defasagem podem ser vistas de forma conjunta com outras que sejam mais fáceis para ele, deixando assim toda a aprendizagem mais fácil.

As trilhas de aprendizagem se dão de duas formas: com o modelo agrupado e o linear. O primeiro diz respeito a conteúdos que não tenham uma ordem pré definida, trazendo ao estudante a autonomia de organizá-los da forma que achar melhor.

O segundo modelo, que pode ser melhor aplicado após uma avaliação diagnóstica, é o linear. Aqui, para se adquirir um conhecimento é necessário possuir outros anteriores. Ou seja, há uma sequência lógica do que deve ser visto. 

Como o objetivo é sanar os déficits de aprendizagem de cada aluno, é importante trabalhar os conceitos iniciais desconhecidos, para que finalmente se alcance uma educação igualitária e emancipatória.

Agora que você já sabe o que é avaliação diagnóstica, como aplicar e organizar os relatórios, que tal saber mais sobre como elaborar uma avaliação online de forma prática para o ensino remoto e EaD?

Trancamento de curso: alunos estudam em grupo

Saiba como evitar o trancamento de curso e combater a evasão de alunos

O trancamento de curso, que se enquadra no contexto da evasão de alunos, não só gera vagas ociosas, como também pode trazer perdas financeiras para a sua instituição de educação superior (IES).

Contudo, é importante compreender que trancar a faculdade geralmente é também uma situação indesejada para os estudantes. Muitos o fazem por razões como falta de recursos para seguir custeando as mensalidades.

O cenário econômico incerto do pós-pandemia, por exemplo, pode contribuir para a diminuição de matrículas, abandono e aumento da evasão no ensino superior no país. A redução de salários e a perda de empregos são os fatores decisivos para este quadro.

De acordo com o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), as áreas que tiveram maior evasão e mantiveram a tendência na pandemia são:

  • Sociais aplicadas (administração, publicidade e propaganda e contabilidade);
  • Engenharias (civil, mecânica e produção);
  • Técnico em informática (TI).

O economista Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, indicou que os cursos de administração e contabilidade costumam atrair pessoas de renda menor. Esta é exatamente a faixa da população mais afetada pela pandemia em termos de renda.

Por sua vez, os cursos de engenharia são bastante buscados por sua atratividade para o mercado de trabalho. No entanto, tratam-se de cursos mais caros, e os estudantes encontram dificuldades em manter a recorrência dos pagamentos.

Já a área de TI atrai profissionais que têm certificações intermediárias, mas eles acabam abrindo mão da faculdade para priorizar o trabalho. Saiba mais nesta reportagem do G1.

Segundo um levantamento do Semesp, no primeiro semestre de 2020, a taxa de evasão no ensino superior privado foi de 10,1%. O valor é 14,7% maior do que o observado no mesmo período de 2019, em que o percentual era de 8,8%.

Isso significa, em números absolutos, que 608 mil alunos desistiram ou solicitaram o trancamento de curso só no primeiro semestre de 2020, 83 mil a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, a taxa de inadimplência nos primeiros seis meses de 2020 foi de 11%, representando um aumento de 29,9% em relação ao mesmo período de 2019. Estes dados foram obtidos a partir de uma pesquisa realizada com 53 instituições particulares de educação superior.

Preparamos, então, este artigo para explicar detalhadamente como funciona o trancamento de curso, o que diz a legislação sobre o tema e como evitá-lo em sua IES.

Continue a leitura!

Qual a diferença entre trancamento de curso, cancelamento e abandono de matrícula?

Lidar com a decisão de alunos que escolheram estudar na sua IES, mas não conseguiram seguir com a formação, certamente é difícil. 

Mais para frente, apresentaremos algumas dicas para a sua instituição de educação contornar este quadro. Mas, antes, é importante compreendermos as diferenças entre trancamento de curso, cancelamento e abandono de matrícula.

O que é trancamento de curso?

Trancamento de curso é a suspensão oficial das atividades acadêmicas devido à requisição pelo próprio estudante. Neste caso, é realizado o cancelamento momentâneo do estudante em todos os componentes curriculares em que esteja matriculado.

Ou seja, o aluno mantém a sua vaga reservada quando escolhe trancar o curso. Contudo, durante o afastamento, o seu vínculo com a IES estará suspenso temporariamente, sem cobrança de mensalidades.

O trancamento pode ser realizado durante um período determinado em regimento pela instituição de educação.

Geralmente, este tipo de solicitação é semestral e deve ser renovada a cada semestre, sendo que o estudante possui um tempo limite para permanecer afastado da IES.

As regras relacionadas ao trancamento de curso variam de uma instituição para outra. Ainda assim, é possível que o discente volte a estudar antes do prazo máximo estipulado. Basta procurar a IES para fazer a matrícula.

O que é cancelamento de matrícula?

Em caso de cancelamento de matrícula, o aluno perde totalmente o vínculo com a instituição de educação. Deste modo, a sua vaga poderá ser preenchida por outro estudante. Para retornar à mesma IES após o cancelamento, será necessário participar novamente de um processo seletivo.

Quando desiste do curso antes do início das aulas, o estudante tem direito à devolução integral do valor pago.

Isso porque o artigo 39, inciso V do Código de Defesa do Consumidor (CDC) proíbe o fornecedor de exigir vantagem excessiva do consumidor. E, como o serviço ainda não foi prestado antes do início das aulas, cabe à instituição reembolsar o valor.

Por outro lado, há a possibilidade de a IES reter parte deste valor, caso comprove que teve despesas administrativas com a contratação e o respectivo cancelamento, ainda que tenha sido realizado antes do início das aulas.

Neste caso, esta indicação precisa ser expressa de forma clara no contrato ou documento equivalente assinado pelo consumidor.

E o que é o abandono de curso?

O abandono de curso é a interrupção do vínculo do aluno com a instituição, diante da não renovação de sua matrícula. Caso o aluno deixe de frequentar as aulas antes do fim do semestre, a instituição entende que houve abandono de curso. 

Neste caso, as mensalidades continuam sendo cobradas até o fim do período letivo. Por isso, é importante que a desistência ou cancelamento seja realizada por escrito, como previsto em contrato.

O que diz a legislação sobre trancamento de curso?

O aluno tem o direito de trancar a matrícula sem que seja cobrado por qualquer taxa adicional pela instituição de educação.

De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE), a mensalidade do curso precisa abranger serviços como matrícula, boletins, cronogramas, certificados, entre outros. Por isso, taxas relacionadas ao trancamento de matrícula ou outras taxas de serviços cobradas de forma adicional à mensalidade são consideradas abusivas e, logo, ilegais.

Trancamento na educação a distância (EaD)

Assim como acontece com a modalidade de ensino presencial, os cursos no ensino superior a distância devem cumprir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, estabelecida pelo Ministério da Educação.

Portanto, os alunos da modalidade EaD possuem também o direito de realizar o trancamento de matrícula. De modo geral, o procedimento é similar ao requerido para cursos presenciais.

O que fazer diante da inadimplência?

Segundo a Lei nº 9.870, de 23 de dezembro de 1999, que dispõe sobre as mensalidades escolares, a instituição de educação não pode impedir que o aluno tenha acesso a todos os seus direitos acadêmicos, seja no semestre ou ano letivo, diante da alegação de inadimplência.

No entanto, o estudante inadimplente não poderá renovar a sua matrícula e poderá perder o vínculo com a instituição.

Esta garantia é conferida ao estabelecimento de ensino para que possa recorrer judicialmente a fim de executar o contrato firmado com o aluno e exigir o pagamento das mensalidades, o adimplemento das cláusulas estabelecidas e a inclusão nos serviços de proteção de crédito do devedor.

A instituição também não é obrigada a oferecer novas condições de pagamento aos alunos inadimplentes.

O atraso no pagamento da mensalidade é caracterizado como descumprimento do contrato de prestação de serviços educacionais, regido pela Lei nº 8.078/90 — Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Trata-se do acordo firmado entre o aluno e a sua IES, no ato da matrícula e por ocasião de sua renovação, realizada em cada período letivo.

Vale lembrar que a Lei nº 9.870/99, em seu artigo 6º, dispõe a proibição da suspensão de provas escolares, retenção de documentos escolares, assim como diploma de conclusão, ou a aplicação de quaisquer outras penalidades pedagógicas por razões relacionadas à inadimplência.

Em quanto tempo o aluno pode voltar após trancar o curso?

Como explicamos antes, depois de concluir um trancamento de curso, o prazo máximo para que o aluno permaneça afastado é definido pela própria instituição de ensino.

Contudo, a média geral é de dois anos. Ou seja, após o trancamento, o estudante tem a possibilidade de ficar até dois anos distante do curso. Durante este período, não precisará pagar mensalidades.

Leia também: Confira 7 ações comerciais para captação de alunos para desenvolver em sua IES

Como mensurar a evasão de alunos durante o ano? 

Um método técnico que pode ajudar a sua IES a mensurar a evasão de alunos ao longo do ano é a métrica cohort

Trata-se de um avaliador que divide as pessoas em grupos — de acordo com o seu perfil ou o que elas têm em comum —, a fim de realizar uma análise.

Estes grupos são divididos conforme o acontecimento de um evento e o período em que ele ocorreu. No caso da sua instituição de educação, a ideia seria considerar a data da matrícula ou o semestre em que uma determinada turma se encontra.

Ou seja, um grupo é analisado de forma apartada em relação ao total de estudantes da IES. Sendo assim, torna-se mais prático o acompanhamento da evasão de alunos dentro de um recorte de tempo.

Com esta análise, a instituição consegue identificar se a evasão tem aumentado de um semestre para outro ou entre diferentes turmas.

Mais do isso, tem a possibilidade de determinar um padrão para os diferentes tipos de cursos e/ou áreas do conhecimento.

Para tanto, basta calcular — para cada turma — o número total de alunos matriculados e quantos estudantes entre eles abandonaram ou trancaram a matrícula. Assim, chega-se facilmente ao percentual de evasão.

Este é um método eficiente para que os gestores das instituições de ensino não acabem deixando de lado aspectos que influenciam apenas uma ou outra turma, ao acompanharem os dados gerais da IES.

Tais aspectos podem ser diversos, indo desde a não identificação de uma turma com determinada disciplina ou docente até acréscimos no valor da matrícula.

Leia também:

Quais são os fatores determinantes para evasão e trancamento de curso?

Além dos fatores econômicos, de que falamos no início deste artigo, o absenteísmo universitário possui outros gatilhos. Muitas vezes, eles não aparecem de forma isolada, mas operam simultaneamente.

Entre estes fatores, podemos citar:

  1. Insatisfação;
  2. Indisponibilidade de tempo;
  3. Deficiências de aprendizagem;
  4. Não identificação com o método de ensino;
  5. Oportunidades no mercado de trabalho.

Vamos falar, em detalhes, sobre cada um deles.

1. Insatisfação

O trancamento de matrícula devido a algum tipo de insatisfação em relação ao curso é bastante comum. Pode acontecer de o estudante identificar uma lacuna entre a proposta de valor oferecida no momento da captação de alunos e o valor efetivamente entregue.

Aqui, vale a pena a instituição estar aberta a ouvir com atenção as queixas dos discentes e atuar de forma a buscar tornar o curso mais atraente.

Outro cenário possível é o estudante não se identificar com a formação escolhida. Neste caso, a IES pode oferecer a possibilidade de “reopção”, permitindo que o aluno migre de curso dentro da própria instituição de ensino.

2. Indisponibilidade de tempo

A renda domiciliar per capita do brasileiro caiu, no ano de 2020, para R$1.380,00, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor é 4,1% menor do que o rendimento médio nacional nominal registrado em 2019, sem considerar os efeitos da inflação. Estes dados se referem à população economicamente ativa, aquela que realiza alguma atividade profissional.

Portanto, podemos inferir que muitos estudantes precisam conciliar os estudos com o trabalho. E, como alguns modelos de ensino (sobretudo o presencial) exigem uma grande dedicação aos cursos em termos de carga horária, eles desistem das aulas.

Neste caso, vale fomentar a praticidade do ensino a distância ou mesmo oferecer maior flexibilidade de grade e/ou horários de aula.

O caminho aqui é aumentar a acessibilidade, por meio também de programas de financiamento estudantil privado.

3. Deficiências de aprendizagem

É comum que educação anterior do aluno não o prepare de forma adequada para o ingresso no ensino superior. Deste modo, ao começar um curso, muitos alunos apresentam dificuldades nas disciplinas que exigem um aprofundamento maior.

Identificar este tipo de defasagem a partir da avaliação diagnóstica pode ser uma boa opção. É uma maneira interessante de reunir informações para a realização de atividades e aulas de reforço antes do início de uma determinada disciplina, caso seja necessário.

A partir da identificação de eventuais dificuldades, o professor pode realizar uma intervenção pedagógica.

4. Não identificação com o método de ensino

O uso de métodos de ensino obsoletos, que não incorporam a transformação digital na educação, pode tornar o ambiente universitário pouco atrativo para os estudantes.

Considere que muitos alunos são nativos digitais, ou seja, já cresceram em um mundo ultraconectado, em que novas tecnologias e ambientes virtuais — como redes sociais — são imperativos.

Logo, aulas apenas expositivas e avaliações engessadas não atendem às expectativas destes jovens.

As instituições de educação precisam estar atentas às tecnologias educacionais e às metodologias ativas, como:

O uso destas metodologias ajuda os estudantes a assumirem o protagonismo no próprio processo de aprendizado.

Deste modo, a satisfação do corpo discente aumenta e, consequentemente, a retenção de alunos também.

Outros benefícios do emprego das metodologias ativa em sala de aula são:

  • Melhor percepção geral dos estudantes em relação à IES;
  • Maior reconhecimento da instituição no mercado educacional;
  • Além do apoio na captação de alunos.

5. Oportunidades no mercado de trabalho

Os alunos que ingressam no ensino superior o fazem, principalmente, a fim de progredirem na carreira ou darem início a uma jornada profissional de sucesso. Em outras palavras, eles estão investindo em sua trabalhabilidade e empregabilidade.

Sendo assim, se eles não conseguem enxergar perspectivas positivas neste sentido ao longo da formação, é possível que a sua inclinação ao trancamento de curso seja maior.

Por isso, é importante que a instituição de educação estabeleça parcerias com empresas e iniciativas que possam viabilizar bons programas de estágio para apoiar os estudantes em sua colocação no mercado.

Leia também: Saiba como garantir a empregabilidade dos alunos na IES

Como evitar o trancamento de curso na sua IES?  Confira 7 dicas valiosas!

Agora que já apresentamos as causas principais para que os estudantes tranquem as suas matrículas no ensino superior, chegou a hora de trazer dicas para evitar este cenário.

A retenção de alunos é, naturalmente, uma prioridade para as instituições de educação. Com o quadro de pandemia e todas as suas implicações para os diferentes setores da economia, inclusive para o mercado educacional, trabalhar para aumentar esta taxa se tornou ainda mais necessário para as IES.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) no ano passado indicou que 47% dos alunos da modalidade presencial estavam considerando desistir de suas matrículas, diante do cenário pandêmico.

Contudo, como você viu neste artigo, a pandemia de Covid-19 e as suas implicações não são as únicas razões para a baixa na retenção de alunos e para o trancamento de curso no ensino superior.

Por isso, estamos aqui para apresentar alguns passos que podem ajudar as IES a oferecerem uma experiência melhor para os estudantes e facilitarem a sua jornada na educação superior. A contrapartida para as instituições, claro, é a potencialização na retenção de estudantes.

Confira as dicas a seguir!

1. Revisão do planejamento pedagógico

O mercado de trabalho se transforma o tempo todo, com o surgimento de novas possibilidades de carreira que momentos antes sequer existiam. E, como já falamos por aqui, as diretrizes do Ministério da Educação para os cursos superiores também passam por mudanças frequentes.

Sendo assim, ainda que possuam um planejamento educacional bem estruturado e implementado, as IES devem reavaliá-lo periodicamente. Nas revisões, devem considerar todos os aspectos que influenciam tanto na adequação das aulas aos tempos atuais e no desempenho dos docentes quanto na adaptação dos alunos.

2. Auxílio na adaptação dos estudantes

Falando em adaptação, ajudar os estudantes na integração ao ambiente acadêmico é outro ponto fundamental para retê-los na instituição, evitando o trancamento de curso.

Criar uma espécie de onboarding pode ser uma ótima ideia para ajudar os novos entrantes a conhecerem os recursos e ferramentas disponíveis na IES, os materiais com que terão contato e toda a infraestrutura educacional, de forma geral.

3. Personalização do ensino

Já falamos, em nosso blog, sobre a importância da personalização do ensino e de colocar o aluno no centro de seu próprio processo de aprendizagem. 

Isso é possível com o ensino interativo, que utiliza recursos tecnológicos para ampliar o interesse dos estudantes. Seu objetivo é promover um processo educativo mais individualizado e que atenda às necessidades de cada aluno.

Os docentes, por seu lado, deixam de atuar como detentores do conhecimento e de transmiti-lo de forma unilateral. Passam a ser mediadores em sala de aula.

Para a aplicação eficiente desta metodologia, mais uma vez reforçamos a importância da realização do diagnóstico de aprendizagem. Esse recurso identifica os pontos fortes e de melhoria em cada aluno e turma, de modo a contribuir com a personalização do ensino.

4. Oferta de direcionamento profissional

Incentivar o aluno a adquirir vivências profissionais é outro ponto fundamental para o combate ao trancamento de curso e o foco na retenção de alunos. Nesse sentido, é essencial investir em estratégias de orientação profissional.

Programas de estágio, como apontamos, são uma forma muito efetiva de ajudar os discentes a validarem a sua escolha profissional, uma vez que eles vivenciarão na prática os desafios do mercado de trabalho.

Além de estágios, a possibilidade de os estudantes fazerem intercâmbios — por meio de parcerias da própria IES com instituições no exterior —, além de trabalhos voluntários ou temporários, são outras formas de ajudá-los a validar a sua escolha de carreira.

As empresas júnior também enchem os olhos dos alunos mais engajados, ajudando-os a experimentar plenamente as experiências universitárias. Elas favorecem o seu desenvolvimento nos âmbitos pessoal, acadêmico e profissional.

Eventos e mentoria

Não podemos esquecer também dos eventos — como feiras de carreira, visitas a empresas e oficinas —, que podem promover um contato-chave do aluno com o mercado de trabalho.

A oferta de mentorias de carreira também pode ser uma maneira interessante de aproximar os alunos de profissionais experientes do mercado e ajudá-los em seu processo de formação de contatos profissionais, o famoso networking.

 

5. Financiamento estudantil

Arcar com custos de mensalidade pode ser um desafio para muitos estudantes. Aqueles que estão inseridos na modalidade presencial ainda precisam investir em transporte, alimentação, materiais didáticos etc.

No início deste artigo, você viu que as dificuldades financeiras, que culminam em inadimplência, estão entre as principais causas para o trancamento de cursos no ensino superior.

Por isso, as instituições de ensino devem compreender o contexto de cada estudante, a fim de viabilizar algum programa de financiamento estudantil, baseado em empréstimos, descontos ou bolsas de estudo.

6. Realizar pesquisas de satisfação

Para se manterem relevantes no mercado e evitar o trancamento de curso, as IES precisam mensurar a satisfação dos alunos.

Entender a percepção do corpo discente sobre a instituição de educação é uma forma de estabelecer um diálogo construtivo com a comunidade acadêmica, que pode ajudar a IES a evoluir a partir da consideração de seus pontos de vista.

Avaliar o olhar de quem usufrui de seus serviços é fundamental para qualquer negócio, e o segmento educacional não foge disso. Por isso, nada de ignorar a opinião dos alunos e manter uma perspectiva unilateral.

Existe uma série de pesquisas qualitativas e quantitativas que podem ser adotadas para este propósito. O Net Promoter Score (NPS), por exemplo, é uma métrica de lealdade bastante utilizada para avaliar a satisfação e fidelidade de um cliente. Mais do que isso, este método analisa a probabilidade de um consumidor recomendar um serviço para outras pessoas.

O teste foi criado por Fred Heichheld em 2003, por meio da publicação de um artigo na revista da Universidade Harvard, com o título O número que você precisa para crescer.

A pontuação surge a partir da pergunta do NPS, que é a seguinte: “Em uma escala de 0 a 10, qual é a probabilidade de você recomendar nossa empresa a um amigo ou colega?”

Com base na nota que atribuem, os clientes são classificados em uma das seguintes categorias: “detratores”, “passivos” e “promotores”.

As pontuações funcionam da seguinte maneira:

  • 0 a 6: detratores
  • 7 a 8: passivos
  • 9 a 10: promotores

No caso de uma IES, a ideia é questionar o contentamento do estudante com um curso específico ou mesmo com a instituição como um todo.

Alunos promotores

Os alunos promotores são aqueles que estão muito satisfeitos com a IES e avaliam os serviços e a infraestrutura oferecidos como excelentes. 

Eles são fiéis à instituição e a recomendariam para outras pessoas. Inclusive, esses estudantes são mais propensos a ingressarem em outros cursos na IES, caso recebam este tipo de oferta.

Alunos neutros

Já os alunos neutros veem a instituição de ensino como satisfatória, mas não excelente. Enxergam pontos de melhoria que poderiam ser solucionados, mas alguns benefícios capazes de compensá-los. É possível que indiquem a instituição a terceiros, mas não são engajados o suficiente para promovê-la como referência.

Alunos detratores

Por fim, os alunos detratores estão insatisfeitos com o curso escolhido ou com a instituição de modo geral. São mais prováveis a solicitarem o trancamento de curso, já que possivelmente tiveram uma experiência negativa. 

Posição da IES na escala de satisfação

Bem, para compreender a posição da sua IES na escala de satisfação, basta subtrair o percentual de alunos detratores do de promotores.

Por exemplo, caso a instituição tenha 50% de alunos promotores, 20% de alunos neutros e 30% de alunos detratores, é só ignorar os neutros e realizar o cálculo: 50 (promotores) – 30 (detratores) = 20.

A pontuação pode variar entre -100 e +100.

As notas médias podem apresentar diferenças de acordo com a área de atuação das empresas. Porém, de modo geral, considera-se a seguinte classificação:

  • Excelente: NPS entre 75 e 100 
  • Muito bom: NPS entre 50 e 74
  • Razoável: NPS entre 0 e 49
  • Ruim: NPS entre -100 e -1 

Além do NPS, é importante também pedir que o estudante avalie cada disciplina cursada. Para isso, peça que ele responda um questionário com questões como:

  • Qualidade e relevância dos conteúdos apresentados;
  • Habilidade didática do docente;
  • Adequação ou não da metodologia empregada;
  • Exigência ou não de conhecimentos prévios que ele não possuía;
  • Adequação do ritmo de introdução de novos conceitos ao seu ritmo de aprendizado.

Ao utilizar o resultado destas avaliações para aprimorar continuamente os cursos e métodos de aprendizagem empregados, as IES conseguem assegurar maior satisfação por parte dos alunos e, consequentemente, aumentar a taxa de retenção.

7. Investir em canais de comunicação

Os canais de comunicação são essenciais para manter um ambiente acadêmico que atenda às necessidades de todos.

Por isso, as IES devem estabelecer mecanismos para monitorar em tempo real as demandas estudantis. É importante fazer com que os alunos se sintam seguros para reportar dúvidas e/ou reclamações.

Esta é uma maneira de solucionar gargalos antes que eles tomem uma proporção maior. 

Além disso, ao estabelecer uma comunicação transparente entre a instituição de ensino e os estudantes, estes desenvolvem um sentimento de lealdade em relação à IES. Saberão que as suas questões serão ouvidas e analisadas e que encontrarão auxílio para a resolução de potenciais problemas.

Portanto, desde o ingresso dos alunos, é preciso deixar claro quais são os canais de comunicação disponibilizados pela instituição e como acioná-los.

8. Investir em uma boa infraestrutura

Apostar em uma infraestrutura de qualidade é um passo chave para atrair mais alunos e evitar a evasão no ensino superior.

É fundamental oferecer ambientes adequados para salas de aula, laboratórios, bibliotecas e áreas de convivência, de modo a tornar mais agradável o dia a dia dos alunos.

Esperamos que este conteúdo sobre trancamento de curso tenha sido útil para você. Que tal aproveitar e conferir outro artigo sobre gestão de permanência?

Tipos de avaliação: fotografia de uma pessoa preenchendo o gabarito de uma prova

Conheça os principais tipos de avaliação e dicas para aplicá-los

Realizar avaliações é um passo muito importante para qualquer processo de aprendizagem. É com ele que os professores e coordenadores conseguem entender como está o desenvolvimento dos seus alunos, se estão indo bem, quais são os seus pontos fortes e fracos.

Mas engana-se quem pensa que a única forma de avaliar um aluno é através de uma simples prova, e que ela tem um único objetivo. Existem diversos tipos de avaliação que podem ser aplicados em sala de aula. Hoje vamos te mostrar cada um deles e como utilizá-los na sua IES. É só continuar a ler o artigo!

Importância dos tipos de avaliação na aprendizagem

As avaliações são muito importantes para fazer um diagnóstico completo de como está o desenvolvimento dos alunos no processo de aprendizagem. É a partir dessa análise que será possível identificar pontos de melhoria com os estudantes, e em qual ponto já pode ser explorado algo mais avançado.

Por isso, é necessário aplicar avaliações durante todo o tempo do ensino e não só no final dos períodos letivos. É preciso também entender que avaliar um aluno não está relacionado só à sua nota, vai muito além disso. É entender como está o seu domínio no assunto, como ele consegue fazer ligações com outras matérias, aplicar isso no dia a dia e muito mais.

Só uma prova não é algo efetivo, principalmente no ensino superior. O estudante sai da instituição direto para o mercado de trabalho, onde precisa colocar em prática tudo que aprendeu.

Portanto, abordar atividades práticas, contextualizadas com o futuro profissional também é essencial. É preciso sim aplicar avaliações teóricas, mas é necessário ter a prática também.

Na verdade, o que se observa é a necessidade de contar com múltiplos tipos de avaliação, para desenvolver competências diversas e alcançar melhores resultados para a IES.

Leia também: Dicas para a sua IES desenvolver atividades complementares e comunicá-las para os estudantes

Benefícios da avaliação no processo de aprendizagem 

Aplicar avaliações distintas no processo de aprendizagem é muito benéfico para os alunos e para a IES. Os estudantes conseguem identificar em quais pontos precisam melhorar, buscando mais aprendizado e soluções para os tópicos de maior dificuldade.

Para os professores, os diversos tipos de avaliação são benéficos porque providenciam uma noção nítida do desenvolvimento de cada aluno. A partir disso, eles conseguem buscar métodos para melhorar o aprendizado, aumentando a qualidade na educação superior e formando profissionais cada vez mais capacitados.

Em virtude disso, os tipos de avaliação também trazem benefícios para as IES, como melhores resultados no Enade. Vamos abordar, a seguir, outros benefícios de forma mais detalhada.

1. Desenvolvimento do corpo estudantil

Com os diversos tipos de avaliação, é possível entender como está o desenvolvimento de cada aluno. Conseguimos, assim, focar no que é necessário para fazer com que os estudantes melhorem sempre e assim aperfeiçoar a qualidade do ensino na IES. Dessa forma, trazemos uma boa visibilidade para a instituição no mercado.

2. Identificação de problemas e necessidades

As avaliações são muito importantes para identificar problemas e necessidades. Sem elas não será possível entender quais pontos do processo de aprendizagem precisam ser modificados. Se isso for feito de forma regular, é bem provável que ajude a evitar contratempos futuros, fazendo com que as metodologias e procedimentos se encaixem no que o aluno precisa.

3. Formar melhores profissionais

Ofertando um ensino de qualidade, que preze pelo desenvolvimento e necessidades dos alunos, com certeza a IES vai garantir uma formação muito mais completa, graduando ótimos profissionais. Isso também é uma ótima forma de conseguir uma boa visibilidade para a instituição, gerando assim mais resultados positivos.

Conheça os 4 tipos de avaliação

Como podemos perceber, o processo avaliativo é algo importante e complexo dentro de qualquer instituição de ensino. Por isso, existem diversos tipos e formas de avaliar o desempenho de um aluno. 

Em primeiro lugar, precisamos entender a diferença entre avaliações internas e externas. 

A avaliação interna é aquela aplicada dentro da instituição pelos professores, visando a acompanhar o desempenho do aluno em determinada matéria. Esse tipo de avaliação faz parte do planejamento pedagógico da instituição e é ele que vai pautar o trabalho dos docentes.

Já as avaliações externas são aquelas aplicadas fora do ambiente escolar e em larga escala, como é o caso do Enade, por exemplo. São aplicadas para analisar a qualidade do ensino de maneira mais abrangente, e para pautar o desenvolvimento de políticas públicas.

Vamos falar, a seguir, sobre os 4 principais tipos de avaliação interna.

1. Avaliação diagnóstica

A avaliação diagnóstica é aquela que busca analisar o desenvolvimento dos alunos ao longo do processo. A partir desse tipo de avaliação, é possível identificar os pontos fortes e fracos de cada estudante, gerando dados que servirão de base para as futuras decisões pedagógicas da instituição. Ela pode ser aplicada com: provas escritas, provas orais, avaliação online e simulados.

2. Avaliação formativa

Já a avaliação formativa tem como objetivo avaliar se as práticas pedagógicas aplicadas na sua IES estão gerando os resultados esperados. Ela identifica os principais gargalos na relação do aluno com os métodos de aprendizagem, fazendo com que os professores entendam o que está dando certo ou não.

A avaliação formativa pode ser aplicada com estudos de caso, lista de exercícios, seminários, autoavaliação, e qualquer abordagem que ajude a entender o perfil de cada aluno e de que forma ele se sente mais confortável aprendendo.

3. Avaliação somativa

A avaliação somativa irá examinar o desempenho dos alunos como um todo, entendendo se ele realmente tem domínio do conteúdo ou não. Por exemplo, a avaliação é aplicada todo fim de semestre ou do ano para ter uma ideia mais ampla de como foram os resultados, principalmente em comparação com períodos anteriores. Isso ajuda a entender se eventuais mudanças anteriores foram efetivas ou não;

Esse tipo de avaliação pode ser aplicado com: exames de múltipla escolha, exames que pedem respostas dissertativas, entre outros que foquem no conteúdo das disciplinas.

4. Avaliação comparativa

Como o próprio nome já diz, a avaliação comparativa vai entender o aproveitamento de um aluno, comparando um período com outro. E esse tempo a ser avaliado e comparado pode ser definido pelos profissionais da educação.

Pode ser, por exemplo, o começo de uma aula e seu fim, ou um semestre com outro, um ano com outro. Se o período de comparação for menor, fica mais fácil acompanhar os resultados de perto.

A avaliação comparativa pode ser aplicada com: resumos de conteúdo, testes rápidos, para os períodos curtos, relatórios, etc.

É sempre bom lembrar que os tipos de avaliação são complementares e, se possível, devem ser aplicados em conjunto na sua instituição. Ao pensar em seus processos avaliativos, pense em cada um desses tipos e tente sempre incluí-los.

Leia também: Ferramentas síncronas e assíncronas no ensino superior: entenda a diferença

3 Dicas para aplicar avaliações no ensino a distância

Com o crescimento e a força que o ensino superior a distância vem ganhando, é muito importante estar preparado para essa modalidade, principalmente para as avaliações. Por isso, vamos te ajudar a entender os principais pontos para aplicar avaliações nessa modalidade. Confira!

1. Conte com a ajuda da tecnologia

Contar com auxílio da tecnologia é muito importante para o ensino online, procure ferramentas e plataformas que possam melhorar os seus processos ou que ajudem no envolvimento dos alunos com a avaliação, como por exemplo, uma plataforma de gamificação.

2. Faça com que os alunos se envolvam

Um ponto muito importante nas avaliações na educação a distância (EaD) é o engajamento do aluno com a atividade.

O perfil do aluno EaD é muito conectado com informações e recebe estímulos o tempo inteiro. Pensar em algo que prenda a sua atenção é essencial para que ele faça a avaliação da melhor forma possível. Você pode, por exemplo, pensar em substituir alguns conteúdos em texto, no enunciado das questões, por vídeos.

3. Evite perguntas óbvias

O principal medo de professores e coordenadores na EaD é a cola. Muitos pensam que ao fazer uma prova o aluno vai copiar todo o conteúdo.

Para resolver esse problema, é preciso pensar em questões que não tenham perguntas e respostas óbvias, fazendo com que o aluno tenha que pensar e pesquisar a fundo para elaborar sua resolução. Além de evitar colas, isso faz com que o aluno tenha um papel de protagonista no processo.

Esperamos que você tenha entendido quais são os principais tipos de avaliação, suas características, importância e como aplicá-las na sua IES. Que tal aproveitar e conferir este outro texto sobre Avaliação no ensino a distância: possibilidades e desafios?

Retorno presencial: fotografia de duas mulheres estudando juntas. Elas estão usando máscara.

Veja como planejar o retorno presencial em sua IES

Qual é a melhor forma de promover o retorno presencial?

A pandemia do Covid-19 afetou diversos setores da sociedade. Hospitais lotados, ruas vazias, pessoas ficando em casa… Para muitas pessoas, a vida se resumiu às telas de computador, televisão e celular. Trabalho, estudo, confraternizações, tudo passou a acontecer no ambiente virtual, mas já em 2021 a realidade começou a mudar.

Com a chegada das vacinas, os números alarmantes de internações e óbitos começaram a cair. Algumas pessoas, assim, passaram a se sentir mais tranquilas para sair de casa e voltar com suas rotinas. A expectativa é que em 2022 tudo se normalize ainda mais, principalmente na área da educação.

Apesar de algumas instituições de educação superior (IES) terem adotado o modelo de ensino híbrido, um número considerável ainda não voltou às aulas de forma presencial. Existe uma série de dúvidas acerca do retorno presencial, como:

  • Qual é o momento ideal para voltar?
  • Como organizar o retorno presencial?
  • Como garantir sua segurança?
  • Como fazer uma boa comunicação neste processo?

Para responder a estas perguntas e auxiliar sua IES, preparamos esse texto com diversas dicas para se organizar e promover um retorno presencial seguro. Vamos solucionar cada uma das dúvidas acima.

Tenha uma boa leitura!

Como saber o momento ideal para o retorno presencial?

A primeira dúvida que você pode ter sobre o retorno presencial é saber qual o momento ideal para que ele aconteça.

Para saber a resposta, existem dois pontos importantes a ser observados:

  1. Decisões dos órgãos de saúde
  2. Como se sentem os alunos, professores e demais funcionários.

1. Decisões dos órgãos de saúde

Em primeiro lugar, é imprescindível acompanhar as decisões e dados emitidos pelos órgãos de saúde, municipais, estaduais e federais. Assim, você consegue entender como está a situação da pandemia: os números de óbitos, casos registrados da doença, taxa de transmissão do vírus, etc.

Com base nos comunicados oficiais e nos dados concretos sobre a situação, temos uma noção mais nítida sobre a possibilidade do retorno oficial.

2. Como se sentem os alunos, professores e demais funcionários

O segundo ponto é entender o momento alunos, professores e demais funcionários, pois sem eles as aulas não acontecem. Faça uma pesquisa e investigue sua opinião sobre a volta às atividades presenciais.

Algumas pessoas podem ser grupos de risco, ou morar com pessoas que são e por isso podem se sentir desconfortáveis com essa possibilidade. A partir da pesquisa, é possível compreender se o retorno presencial terá uma boa adesão ou não.

Analisando esses dois pontos, você conseguirá identificar de maneira mais fácil qual o momento ideal para o retorno presencial.

Leia também: Educação pós-pandemia: cenário e como superar os desafios na IES

Como organizar o retorno presencial?

Após descobrir o momento ideal para voltar às aulas presenciais na sua IES, é hora de organizar esse retorno.

Ele não será um volta às aulas comum, tudo precisa ser feito com muito cuidado. Confira agora algumas dicas para planejar esse momento:

1. Retorne gradativamente

O retorno presencial não pode ser feito todo de uma vez, é necessário fazer esse processo aos poucos. A pesquisa que sugerimos no tópico acima pode ajudar a definir este ritmo.

Uma dica neste sentido é voltar às aulas presenciais com algum espaçamento entre elas. Ao invés de realizá-las todos os dias da semana, pode ser mais interessante dar um intervalo de dias entre cada uma.

O retorno presencial gradativo é importante para a adaptação das pessoas, e também para que a IES consiga entender o que tem funcionado ou não, prezando pela segurança de todos.

2. Tenha os insumos necessários

Com a pandemia do Covid-19, diversos itens passaram a fazer parte do nosso dia a dia e dos estabelecimentos em geral, como:

  • Máscaras;
  • Álcool em gel;
  • Termômetros. 

Tudo isso é necessário para o retorno presencial. Dessa forma, é importante que a instituição de educação superior esteja preparada. Algumas sugestões neste sentido são:

  1. Instalar dispensers de álcool nos corredores, banheiros e até mesmo nas salas de aula;
  2. Deslocar um funcionário para aferir a temperatura de todos que entrarem na IES, logo na entrada;
  3. Disponibilizar máscaras descartáveis para imprevistos.

Sem esses insumos não é possível acontecer o retorno presencial. Por isso, são pontos essenciais de atenção.

Leia também: Principais passos para desenvolver o ensino híbrido no ensino superior

3. Oriente alunos, professores e demais funcionários

O funcionamento e algumas regras da instituição irão mudar com essa nova realidade. Orientar os alunos, professores e demais funcionários sobre o que pode ou não ser feito, quais protocolos devem ser seguidos, e passar as principais orientações sobre a doença é muito importante.

Em outras palavras, precisamos desenvolver uma boa estratégia de comunicação sobre o retorno presencial. Confira, abaixo, algumas sugestões nesse sentido:

  • Enviar orientações sobre a volta às aulas presenciais pelo e-mail institucional;
  • Elaborar cartilhas virtuais ou físicas sobre os cuidados que devemos ter;
  • Transmitir comunicados com essas informações nos alto-falantes da instituição.

Para ter o retorno presencial, todos devem colaborar e estar conscientes dos deveres e direitos de cada um. Os professores podem ajudar a cobrar dos alunos que eles sigam as normas, e os próprios alunos podem alertar a coordenação caso algum professor não esteja cumprindo as regras.

4. Avalie as ações

Avalie constantemente todas as ações que estão sendo feitas para a volta das aulas presenciais. Entenda o que a comunidade da IES tem achado, se tem algo que está faltando ou não está dando certo.

Essa também é uma forma de organização, pois vai ajudar a analisar a situação como um todo e tomar atitudes mais assertivas, para viabilizar o retorno 100% presencial. 

Voltar sem entender o contexto das pessoas e suas impressões não é muito interessante e pode causar até conflitos na relação entre aluno e instituição.

5. Repense o projeto pedagógico

É importante repensar o projeto pedagógico de curso da instituição no contexto do retorno presencial. Se ele ocorrer de forma gradativa, não será possível retomar, de uma vez, um projeto típico do ensino presencial.

Isso porque alguns tipos de atividade de aprendizagem dependem de maior acesso aos recursos físicos da IES, como por exemplo o uso de laboratórios.

Com o retorno gradual, esse acesso ainda sofre algumas restrições. Por isso, é necessário manter parte das atividades de cada disciplina no ambiente virtual — o estudo através de conteúdos digitais pode auxiliar nessa transição.

Como garantir a segurança do retorno presencial?

Como estamos falando de um vírus que é altamente contagioso e que ainda está circulando, pensar na segurança de todos é uma grande preocupação no retorno presencial. 

Para que a volta às aulas presenciais na instituição seja segura, é necessário prestar muita atenção nos pontos que listamos a seguir.

1. Uso obrigatório de máscaras

Todos sabemos que o uso de máscara foi essencial durante a pandemia, sendo um item que ajuda muito na diminuição do contágio não só do Covid-19, mas também de outras doenças respiratórias. Por isso, manter o seu uso, principalmente em espaços coletivos, como salas de aula e laboratórios, será muito importante.

2. Medir a temperatura

Aferir a temperatura de todos os alunos e funcionários que entrarem na IES é muito importante. A febre é um dos sintomas da doença — por isso, estar com a temperatura elevada é um fator de risco. Caso alguém esteja febril ou com febre, deve ser encaminhado para a casa.

3. Praticar o distanciamento

Outro ponto importante durante o isolamento social foi o distanciamento social, já que aglomerações são pratos cheios para que o vírus se espalhe. Por isso, é aconselhável evitar troca de abraços e beijos, ficar muito perto de colegas, principalmente em lugares que não tenham uma boa ventilação.

Nas salas de aula, uma sugestão é fazer com que os alunos se sentem em intervalos. Sinalize as carteiras que devem ficar vazias e aquelas em que pode se sentar, como ainda é feito em alguns estabelecimentos.

4. Ficar atento aos sintomas

Mesmo com a vacinação em dia, é extremamente relevante ficar atento aos sintomas da doença para evitar que ela se espalhe.

Oriente os alunos e funcionários para observar eventuais sintomas. Confira a seguir uma lista com os principais sintomas da doença, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS):

Sintomas mais comuns:

  • Febre
  • Tosse
  • Cansaço
  • Perda de paladar ou olfato

Sintomas menos comuns:

  • Dores de garganta
  • Dor de cabeça
  • Dores e desconfortos
  • Diarreia
  • Irritações na pele ou descoloração dos dedos dos pés ou das mãos
  • Olhos vermelhos ou irritados

Sintomas graves:

  • Dificuldade para respirar ou falta de ar
  • Perda da fala, mobilidade ou confusão
  • Dores no peito

Caso algum deles seja observado, é importante avisar e se abster de ir até a instituição, além de procurar ajuda médica.

5. Pedir comprovante de vacinação

Por último, mas não menos importante, é o comprovante de vacinação. Com o aumento de pessoas vacinadas, podemos perceber uma diminuição nos números de casos da doença e mortes, comprovando a sua eficácia. Por isso, garantir que todos da instituição estejam vacinados é essencial para promover um ambiente seguro!

Leia também: Informações e tendências sobre a volta às aulas — ensino superior

Como trabalhar a comunicação no retorno presencial?

O retorno presencial das aulas será um momento novo e diferente para todos da instituição. O coronavírus ainda gera muitas dúvidas e questionamentos, já que é muito recente e apresenta várias mutações.

Ou seja, trata-se de um cenário muito instável.

Por isso, é importante trabalhar bem a comunicação com a comunidade acadêmica neste período, de maneira leve, para estreitar os laços. Além disso, é fundamental mostrar que todos são essenciais para garantir a segurança do ambiente no retorno presencial. É um dever coletivo.

Manter a proximidade e sinceridade com os alunos é muito relevante para que todos estejam cientes do que está acontecendo. Esse é um momento frágil e incerto para todos, por isso, é necessário unir forças!

Esperamos que tenha gostado deste conteúdo sobre o retorno presencial. Que tal continuar a leitura e conferir nosso outro artigo sobre saúde mental dos estudantes: como cuidar no ensino superior?

Acessibilidade na educação superior: fotografia de um homem sorrindo enquanto fala por meio da língua de sinais.

Saiba como superar os desafios da acessibilidade na educação superior

A acessibilidade no ensino superior brasileiro ainda está muito abaixo do que poderia alcançar. Hoje, de acordo com o IBGE, cerca de 24% dos brasileiros possui algum tipo de deficiência. 

Mesmo em grupos expressivos, essas pessoas não obtêm o mesmo acesso ao conhecimento, principalmente após a educação básica. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, mais de 65% da população com deficiência não recebeu instrução, percentual que representa mais que o dobro da população geral, em que 70% concluiu o ensino fundamental.

Outra informação que mostra a disparidade e inequidade do acesso à educação brasileira foi citada pelo Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep. Nele, foi avaliado que apenas 0,56% das matrículas em instituições de educação superior (IES) são de pessoas com deficiência.

Isso significa que a presença de pessoas com deficiência auditiva, visual, física, intelectual e múltipla estão subrepresentadas nos ambientes de ensino e pesquisa, contribuindo para a manutenção de condições excludentes de formação e emprego.

Consequências da disparidade no acesso à educação

Em relação a essa falta de acesso à formação continuada, vemos a falta de emprego, a disparidade socioeconômica e a sub-representatividade em outras esferas da sociedade. Além disso, pessoas com deficiência não têm a mesma oportunidade de adquirir conhecimentos e participar de debates e discussões, o que contribui para sua estigmatização na sociedade.

Um levantamento da Base de Dados dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SP) concluiu que 35% estavam desempregados. Sobre educação, a deficiência intelectual foi a mais impactante: 54% dos portadores não receberam nenhum tipo de educação formal.

As deficiências mais comuns, física e auditiva, representam a falta de acesso ao emprego formal. Dos que se declararam desempregados, sem benefícios sociais nem têm os próprios negócios, 20% são deficientes auditivos e 47% têm deficiência física.

Em contrapartida, a pesquisa mostra que 83% dos entrevistados teriam interesse em cursos de formação acadêmica e profissional. Muitos preferem áreas relacionadas ao mundo digital: os cursos e áreas de atuação mais desejados são desenvolvimento web, programação e banco de dados.

Entre as pessoas não inseridas no mercado de trabalho, a falta de oportunidade é a principal razão, citada por 49%. Em comparação, apenas 10% se sente inapto a realizar atividade profissional em razão de sua deficiência.

A ascensão no mercado tem múltiplas barreiras. As 3 mais citadas são o fato de as empresas olharem mais para a deficiência do que para as habilidades profissionais, a falta de planos de carreira para PcDs e a exigência de formação específica.

Portanto, a falta de acesso às IESs tem uma relação direta na falta de colocação no mercado de trabalho. Como forma de promover maior igualdade socioeconômica, é papel das IES diminuir as lacunas e se tornarem mais acessíveis às pessoas com deficiência.

As barreiras para pessoas com deficiência no ensino

 A acessibilidade na educação superior ainda está muito abaixo do necessário. Entre as barreiras que se encontram no caminho para garantir um acesso mais democrático estão as dificuldades físicas, culturais e práticas, que impedem muitos estudantes de chegar ou permanecer nas instituições de ensino.

Em relação às barreiras físicas, existem diferentes contextos em que elas aparecem. Desde processos seletivos, que exigem, por exemplo, comparecimento à sede da instituição, até impossibilidade de realizá-los em formato de Libras ou Braille, o que pode afastar muitos alunos até de fazer inscrição no processo. 

As barreiras não terminam com a realização da matrícula. Muitos alunos com deficiências físicas acabam deixando seus estudos por conta de dificuldades de acessar as instituições e aproveitar o conteúdo visto.

Os alunos com dificuldade de mobilidade, por exemplo, podem não ter a capacidade física de acessar os prédios. Já alunos surdos ou com baixa visão lidam com barreiras de comunicação dentro e fora da sala de aula, impedindo que participem com a mesma capacidade que seus pares e sejam excluídos dos processos educativos e das atividades de interação.

Também existem as barreiras culturais. Isso é, estigmas socialmente construídos que contribuem para exclusão de pessoas com deficiência. No caso de pessoas com deficiência intelectual, por exemplo, ou transtornos neurobiológicos, a realização de atividades acadêmicas que não sejam compatíveis com suas limitações é uma grande barreira.

No caso de alunos com dislexia – que é um transtorno relativamente comum entre os brasileiros – cursos com uma disponibilidade de matérias com alta carga de leitura e produção de texto se tornam mais complexos de navegar e concluir.

No mesmo âmbito cultural também existe uma falta de conhecimento em relação às deficiências. Nem sempre os educadores estão preparados para as questões levantadas por seus alunos com deficiência, tornando o ambiente escolar menos convidativo e contribuindo para que os alunos se sintam hostilizados e deixem as comunidades escolares.

Em relação às barreiras práticas, elas são questões diárias que afetam o aproveitamento dos estudos por parte do aluno. Por exemplo, falta de acesso ao acervo da biblioteca, maior dificuldade de deslocamento no transporte até a IES, atividades avaliativas que contrariem suas habilidades e não permitem que o aluno demonstre seu conhecimento, etc.

Leia também: O que é transtorno de aprendizagem e quais são os principais tipos?

A legislação sobre inclusão no ensino superior

O incentivo à educação como forma de participação na sociedade veio com a Constituição Federal de 1988. Nela, o artigo 205 determina as diretrizes que o país deveria ter em relação ao acesso ao conhecimento:

“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Além disso, a busca por um ensino igualitário é vista como essencial para o desenvolvimento do conhecimento plural nacional:

“Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;

VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII – garantia de padrão de qualidade;

VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.

IX – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.”

Portanto, segundo os princípios legais brasileiros, a educação não somente é um direito fundamental de cada cidadão, mas ela deve ser assegurada em sua pluralidade, inclusive para pessoas com acesso reduzido às instituições de ensino.

O artigo 207 coloca como prioridade para a manutenção do bem-estar a proteção dos direitos de jovens com deficiência:

“II – criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.”

Em 2015, com a sanção à Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a busca por garantia dos direitos ficou ainda mais amparada pela legislação nacional. De acordo com o Artigo 2º do documento, “considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.”

Pensando no caráter educacional, portanto, a pessoa com deficiência encontra mais barreiras que seus pares para acessar e permanecer no ensino superior, dificultando a formação acadêmica, pessoal e profissional.

De acordo com essa lei, é também obrigação de instituições de ensino privadas garantir:

  • sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;
  • aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;
  • projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia;
  • adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino;
  • participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas instâncias de atuação da comunidade escolar;
  • adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e profissionais, levando-se em conta o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante com deficiência;
  • adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado;
  • formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio;
  • oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes, promovendo sua autonomia e participação;
  • acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas;
  • inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de conhecimento;
  • acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar;
  • acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino;
  • oferta de profissionais de apoio escolar;
  • articulação intersetorial na implementação de políticas públicas.

Histórico do Inep

Por meio da realização do Enem, o Inep tem implantado diferentes estratégias inclusivas em suas práticas. O instituto divulga que 52.598 inscritos no Enem 2020 solicitaram, em geral, algum tipo de atendimento especializado. 

Entre eles, estão a realização da prova em libras, leitores de tela, redação em braile e guias-intérpretes disponíveis.

PNE e a inclusão

A meta 12 do Plano Nacional de Educação, estabelecida em 2014, busca elevar as matrículas brutas de jovens no Ensino Superior a 50%. Para isso, entre as estratégias estão:

“12.5) ampliar as políticas de inclusão e de assistência estudantil dirigidas aos (às) estudantes de instituições públicas, bolsistas de instituições privadas de educação superior e beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil – FIES, de que trata a Lei no 10.260, de 12 de julho de 2001, na educação superior, de modo a reduzir as desigualdades étnico-raciais e ampliar as taxas de acesso e permanência na educação superior de estudantes egressos da escola pública, afrodescendentes e indígenas e de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, de forma a apoiar seu sucesso acadêmico;

12.9) ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos na educação superior, inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas, na forma da lei;

12.10) assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior, na forma da legislação;

12.15) institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficas e audiovisuais para os cursos de graduação, assegurada a acessibilidade às pessoas com deficiência;”

A acessibilidade na educação superior na prática

A acessibilidade na educação superior é, então, uma ferramenta de inclusão socioeconômica e possibilita que mais pessoas recebam conhecimento, utilizem o aprendizado na atuação profissional e contribuam para diferentes áreas do desenvolvimento científico e socioeconômico.

Mas, para que isso seja possível, é necessário que haja mudanças significativas nas instituições de ensino e que a acessibilidade seja vista como um passo essencial na criação e reformulação de projetos pedagógicos de cursos.

Processos seletivos

A desigualdade tem início no processo seletivo. Alunos que possuem baixa visão ou audição não são contemplados por modelos tradicionais de provas. É importante que haja cumprimento de leis e adaptações necessárias, tais como intérpretes, salas especiais com recursos tecnológicos como leitores de tela e braille.

Também é preciso que se leve em consideração os alunos com mobilidade reduzida. Por questões de deslocamento e falta de acessibilidade no transporte, é possível que eles também precisem de adaptações.

Nas inscrições para a seleção, inclua perguntas sobre necessidades específicas, para que tanto a equipe da IES quanto aplicadores de prova estejam cientes com antecedência das adaptações necessárias.

Modalidades de ensino

O crescimento das modalidades EaD e híbrida de cursos de graduação é um fator contribuinte para a democratização do ensino superior. Entre os grupos que se beneficiam de cursos com menor carga presencial estão os alunos com deficiência.

Isso porque, na maior parte das vezes, o deslocamento até a IES é mais lento e mais cheio de barreiras para esses alunos, devido à baixa acessibilidade em meios de transporte. Sendo assim, muitos acabam deixando a vida acadêmica devido ao desgaste necessário para frequentar a IES.

Ainda assim, há, claro, alunos com deficiência que preferem a modalidade presencial. Para isso, é importante que se considerem adaptações como revisão de regras de atrasos e faltas, já que nem sempre elas estão sob controle do aluno.

Atividades avaliativas

As atividades acadêmicas, em especial as que são avaliativas, podem estar contribuindo para a falta de acessibilidade na educação superior. Provas e trabalhos que exigem deslocamento, por exemplo, são prejudiciais a pessoas com mobilidade reduzida.

A realização de atividades apenas por escrito não contempla alunos com transtornos neurobiológicos, como a dislexia e o TDAH. Aqui, as atividades gamificadas e com base em projetos se destacam como opção. Por outro lado, cursos que contam com muitos seminários e aulas expositivas, em que o foco é o diálogo, podem ser excludentes para alunos de baixa audição.

É preciso que a IES consulte diretamente os alunos com deficiência e organizações ligadas à causa para entender quais adaptações são necessárias para seus alunos. Em linhas gerais, a flexibilidade de modelos de avaliação é a chave para que pessoas com vivências diferentes possam demonstrar a absorção do conhecimento.

Infraestrutura

A acessibilidade na educação superior também exige adequação das estruturas físicas. Ou seja, ela começa desde a instalação de áreas em que pessoas com equipamentos de mobilidade (como cadeiras de rodas ou bengalas) possam circular. 

Outras adaptações necessárias são recursos como sinalização em braille, avisos com letras maiores, cores com boa visibilidade para pessoas com daltonismo, por exemplo. Também inclusão de intérpretes de libras em ambientes e eventos acadêmicos, utilização de recursos de tecnologia assistiva em sala de aula, transmissão de videoaulas com legendas, etc.

As bibliotecas também são ambientes que exigem adaptações. Leitores de telas, livros adaptados, audiolivros, estações de pesquisa acessíveis e até mesmo a utilização de bibliotecas digitais são estratégias que permitem a maior participação do aluno com deficiência perante o acervo cultural da IES.

Cultura acadêmica

Outra parte fundamental das mudanças é a reflexão sobre a cultura da instituição. O capacitismo, ou seja, a crença equivocada de que PcDs são menos aptos a realizar atividades por conta de sua deficiência ainda é enraizado na sociedade.

Por isso, esse preconceito também surge nas IESs. É importante que outros alunos e os docentes estejam alinhados no combate a ele. Na prática, significa dar espaço para que PcDs participem de atividades, evitando criar momentos excludentes ou práticas que não levem em consideração a vivência de todos.

Também é importante estabelecer espaços para que os alunos com deficiência sejam acolhidos caso sua experiência na IES tenha momentos negativos. Além do apoio da equipe pedagógica, é possível criar também núcleos de apoio ao aluno com deficiência, entidades estudantis e até grupos de pesquisa.

A IES também deve ser aliada aos valores de inclusão: que tal promover treinamentos e palestras sobre a temática para a comunidade acadêmica? Os alunos e docentes também devem incluir a acessibilidade em suas discussões referentes à área de atuação.

Os cursos mais buscados no Brasil são Direito e Pedagogia. Neles, a discussão é fundamental, já que são futuros profissionais com impacto na legislação e no ensino, amplificando seu trabalho contra o capacitismo. Para isso, o repertório é essencial.

Como promover a inclusão na IES?

Portanto, podemos ver que a mudança no cenário da acessibilidade na educação superior exige diferentes mudanças em pequena e grande escala. É uma transformação física, cultural e social que tem inúmeros benefícios, tanto para os alunos com deficiência quanto para a comunidade acadêmica e a sociedade como um todo.

Para facilitar o processo, existem algumas mudanças práticas que podem ser implementadas para iniciar um cenário mais inclusivo e acessível em sua IES:

Acessibilidade linguística: 

Insira Libras, Braille, leitores de tela e outros recursos que permitem o acesso ao conteúdo escrito. Faça uso de legendas em vídeos, clareza nas sinalizações e textos do dia a dia. 

Para alunos com dislexia, a comunicação direta, com quebras de texto e hierarquização é fundamental. No virtual, os recursos de acessibilidade também são fundamentais para que todos consumam o conteúdo.

Na inclusão de alunos, o acesso ao acervo científico e a produção cultural da IES têm um papel importante. A digitalização da biblioteca e a oferta de conteúdos com legendas e audiodescrição facilitam o processo.

Acessibilidade física:

Tenha em mente a circulação e a participação de alunos PcD quando criar ou repensar espaços de aula, convívio e trabalho na IES. De largura de corredores e rampas de acesso, até sinalização e adaptação em eventos educacionais, pense na experiência desses alunos e consulte-os para tornar as atividades inclusivas.

Acessibilidade cultural:

Além de incentivar a participação de pessoas com deficiência na comunidade acadêmica, algumas atitudes podem transformar sua IES em um espaço inclusivo. Inserir temáticas de acessibilidade na matriz curricular dos cursos, trazer profissionais com deficiência para eventos (não somente sobre acessibilidade, mas para falar de suas vivências), incluir autores com deficiência em bibliografias, oferecer cursos de Libras, entre outras, são atitudes que demonstram o compromisso com esse setor da população e seus desafios.

Gostou de saber mais sobre a acessibilidade na educação superior? As bibliotecas também são espaços de debate, conhecimento e inclusão social. Saiba como elas podem se tornar mais acessíveis!

Motivação para alunos: fotografia de estudantes andando carregando seus livros. Uma estudante em foco sorri para a câmera.

10 dicas para aumentar a motivação para alunos no ensino superior

Gerar mais motivação para alunos costuma estar entre os principais desafios de qualquer instituição de educação superior (IES). E após um ano tão trabalhoso como foi 2020, essa dificuldade ganhou novas proporções.

Muitas instituições de ensino, que já tinham dificuldade em motivar seus alunos em aulas presenciais, se viram obrigadas a repensar suas estratégias educacionais para o contexto virtual do ensino remoto.

A pressão é ainda maior considerando que manter a motivação para alunos é essencial para reduzir a evasão dos estudantes. Além de, claro, garantir um ensino de qualidade. 

Por que manter os estudantes motivados?

Fazer com que os estudantes se mantenham com atenção e foco nas aulas não é importante apenas para garantir que eles absorvem a matéria da forma mais eficiente possível. A diminuição da evasão também não é o único ganho que as IES possuem com um corpo discente interessado.

Aumentar a motivação para alunos é positivo tanto para eles quanto para professores e instituições de ensino, além de repercutir até externamente. Abordaremos agora 8 vantagens de manter os estudantes motivados:

1. Aumenta o engajamento do aluno

Uma aula que motiva o estudante faz com que ele tenha mais foco e interesse na disciplina. Tais características são fundamentais para que o aluno seja engajado, se proponha a participar das atividades e se torne protagonista de sua própria educação.

2. Diminui a evasão estudantil

Segundo dados do Mapa da Educação Superior no Brasil, a evasão de 2019 para 2020 aumentou de 30 para 35,9% no ensino presencial e de 35 para 40% no ensino superior a distância. Investir na motivação dos estudantes é uma importante arma na luta contra a evasão.

3. Melhora a imagem da IES no mercado

Alunos motivados vão melhor nos estudos e, com isso, os indicadores de qualidade da educação superior, como o Enade, tendem a ser mais altos. Por sua vez, ser bem conceituada no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traz uma boa imagem no mercado para a instituição, pela demonstração da qualidade de seu ensino.

4. Atrai novos alunos

Uma IES bem conceituada pelo Inep – e bem vista no mercado – atrai novos estudantes. Ao escolher onde estudar, o aluno preza por qualidade e, além disso, ver bons relatos de conhecidos que estudam em um ambiente motivador também auxilia nessa pesquisa por instituições de ensino.

5. Melhora a relação da IES com o aluno

Ser bem vista para fora e aumentar seu alcance é bom, mas ter uma boa relação com seus estudantes é fundamental. As IES que investem em motivação criam um sentimento de pertencimento para os alunos, tornando a comunicação entre instituição, professores e alunos mais direta e, de fato, construindo uma educação mais horizontal.

6. Aproveita melhor o trabalho do professor

Com alunos mais motivados, as aulas podem fluir em um ritmo melhor. Desse modo, os professores são mais valorizados ao lecionarem um conteúdo que gera mais interesse, concentração e participação da turma, além de a aula ser mais rica e aprofundada.

7. Foca o ensino no aluno

Não tem como motivar sem colocar as necessidades e particularidades do aluno em primeiro lugar. Ao construir uma aula que pretenda motivar o estudante, é interessante que se observe as metodologias ativas de ensino, que entendem o aluno como protagonista de sua educação.

8. Facilita a percepção do crescimento do estudante

Um aluno motivado é mais participativo e preocupado com seu ensino. Sendo assim, ao investir em motivar o estudante, os processos educacionais da IES se tornam mais claros, e deste modo, tanto os professores, quanto os alunos, conseguem perceber a evolução da turma como um todo e também de forma individual.

Como gerar maior motivação para alunos?

Essa já era uma grande questão para as IES com aulas presenciais. Mas em um cenário de aulas online ou no ensino híbrido, as dúvidas e os desafios são outros e, muitas vezes, maiores: 

Para te ajudar a solucionar essas grandes questões, listamos abaixo 10 dicas para aplicar no ensino superior e garantir uma maior motivação para alunos!

Com elas, também é possível melhorar consideravelmente a qualidade de ensino da sua IES e reduzir as taxas de evasão. Confira!

1. Adote metodologias ativas

O uso de metodologias ativas no ensino superior é de grande ajuda na motivação para alunos. Elas transformam o modelo clássico das salas de aula e colocam os alunos como parte central e ativa do próprio aprendizado.

Existem diferentes estratégias de metodologias ativas, o que possibilita maior flexibilidade de aplicação por parte da sua IES. O mais importante é que todos os modelos do ensino ativo colocam os alunos em uma posição de protagonismo e personalizam a experiência de cada um.

Ao ter acesso a um ensino personalizado e com maior autonomia, os alunos ficam mais motivados. Afinal, passam a atuar em uma posição mais ativa dentro de seu próprio processo de aprendizagem.

A melhor parte é que as metodologias ativas não funcionam apenas no ensino presencial. Elas também podem ser aplicadas muito bem no ensino híbrido ou nos diferentes tipos de EaD!

2. Aproveite as ferramentas digitais

Atualmente, a grande maioria dos estudantes já está familiarizada com o uso de tecnologia. O smartphone, por exemplo, é um acompanhante constante dos alunos, tanto nas aulas presenciais quanto nas disciplinas online.

Por isso, sempre que possível, é interessante que os professores desfrutem das ferramentas e dispositivos digitais para se aproximar e motivar os alunos.

Desenvolver lições em ambientes virtuais permite que os estudantes possam estudar onde e quando quiserem, além de explorar linguagens e ferramentas que eles já conhecem e sabem como aproveitar.

Isso vale para redes sociais, grupos, blogs, e também para plataformas digitais de aprendizagem mais completas e personalizáveis.

3. Estimule a cultura de feedbacks

A cultura de feedbacks já é constante em empresas ao redor do mundo e pode também trazer muitos benefícios para as IES, inclusive na motivação para alunos.

O hábito de dar e receber feedbacks ajuda a estabelecer uma relação horizontal entre estudantes e professores. Esse diálogo entre eles pode auxiliar em um melhor caminho e desempenho em sala de aula.

4. Invista no ensino por competências

A aprendizagem por competências conecta diferentes áreas do saber para ir além da teoria. Esse tipo de ensino tem como objeto combinar conhecimentos, atitudes, recursos, valores e estímulos para desenvolver novas capacidades, como habilidades práticas, técnicas, cognitivas e socioemocionais.

Muitas vezes aliado às metodologias ativas, o ensino por competências faz com que os estudantes recebam uma formação contemporânea. Afinal, o mercado de trabalho não exige apenas conhecimentos técnicos, mas maturidade, proatividade, habilidades de comunicação e resolução de conflitos, autonomia, entre outras competências.

Projetos em grupos e multidisciplinares que simulam as atividades do dia a dia profissional podem ser iniciativas interessantes para motivar os alunos, além de promover uma formação mais completa.

5. Realize projetos interdisciplinares

Como vimos, os projetos interdisciplinares são uma ótima ideia para aplicar metodologias ativas e o ensino das competências.

Mas, mais do que isso, esse tipo de iniciativa permite que os alunos tenham uma visão melhor do todo e compreendam como uma disciplina A se relaciona com a B, C, e por aí vai.

Com essa visão, a motivação para os alunos é crescente, enquanto as taxas de evasão diminuem.

6. Invista na capacitação dos professores

Tanto nas aulas presenciais quanto no ensino online, a capacitação do corpo docente é essencial para que os professores possam motivar cada vez mais seus estudantes.

Para uma maior motivação para alunos e menor taxa de evasão, é preciso que os docentes saibam como construir pontes com seus estudantes, ajudando-os a evoluir e percebendo suas limitações para superá-las.

7. Personalize o ensino e as interações

Ao personalizar o ensino e a interação com os alunos, as IES criam um vínculo mais forte com seus alunos. É importante perceber que cada estudante tem uma realidade e necessidades diversas dos outros.

Isso vale desde os exercícios nas plataformas de ensino, e-mails e mensagens institucionais, interações nas redes sociais e, claro, pessoalmente!

Banner de divulgação do ebook gratuito "Tendências 2021 para o ensino superior". Link para download: https://materiais.saraivaeducacao.com.br/lp-ebook-tofu-tendencias-2021?utm_source=blog-saraiva-educacao&utm_medium=banner-artigo&utm_campaign=material-rico

8. Aprimore a Student Experience da sua IES

A experiência do estudante (SX) é uma das tendências de ensino de 2021. Esse conceito consiste na percepção que o futuro ou atual aluno tem dos serviços de uma IES. E isso engloba diferentes fatores, como ensino, interações, atendimento, uso de ferramentas atualizadas, entre outros.

Criar uma student experience positiva, faz com que a IES mantenha a motivação para alunos, reduza a evasão e ainda auxilia na captação de alunos!

9. Desafie os estudantes

Ser desafiado traz mais motivação para o ser humano, seja nas aulas ou em qualquer atividade realizada na vida. Dinâmicas que requerem mais dos estudantes tendem a fazer com que eles foquem mais no que é proposto para alcançar um bom resultado.

Os professores podem contar com inúmeros exercícios que impulsionam os alunos a sair de suas zonas de conforto. Dessa forma, o estudante vai se ver tentado a dar o máximo de si ao experimentar novas formas de estudar, desenvolvendo novas habilidades.

Mas, atenção! Todo desafio deve ser proposto com base no perfil e capacidade dos alunos. Metodologias que extrapolam as reais possibilidades de ensino e que não se conectam com os estudantes terão um efeito contrário, pois ao se ver diante de uma atividade extremamente complexa, que vai além de suas expertises, o indivíduo pode simplesmente desistir de concluí-la.

10. Priorize o processo de ensino como um todo, e não apenas os resultados

Por mais que a obtenção de bons resultados em um ambiente educacional seja primordial, o foco deve sempre estar no processo de aprendizagem como um todo e não apenas no final.

Ao dar atenção para todo o caminho percorrido pela turma na construção do conhecimento, os professores percebem de forma clara quais são os momentos em que os estudantes menos participam. Sendo assim, cada etapa do aprendizado pode ser aprimorada para ter uma educação ainda com mais qualidade.

É importante lembrar que não existem bons resultados saídos de processos deficitários.

Leia também: 10 dicas para manter a sua comunidade acadêmica engajada

E o que fazer com alunos desinteressados?

Mesmo com a aplicação das 10 dicas para aumentar a motivação dos estudantes e tendo uma turma mais engajada, ainda haverão alunos desinteressados com as aulas. Afinal, além de problemas gerais, diversas particularidades podem afetar os estudantes de forma individual e dificultar a sua aprendizagem.

Dar atenção aos estudantes desmotivados é importante para aumentar o ritmo de toda a turma e enriquecer o ensino da IES. Destacamos agora 5 atitudes para lidar com alunos desinteressados:

1. Converse com o estudante

O diálogo entre coordenadores, professores e alunos é a chave do sucesso de uma educação de qualidade. Ao invés de supor o que pode estar acontecendo com o estudante que apresenta desinteresse nas aulas, a IES pode ter uma conversa sincera e respeitosa sobre isso.

Compreender o ponto de vista do aluno ajuda a aperfeiçoar as aulas. Além de desenvolver os objetivos do ensino, é importante pôr em prática, também, o que o estudante espera desse processo.

2. Relacione a matéria lecionada com a realidade

Uma das práticas que mais apresenta resultados positivos para manter a atenção do corpo discente é apresentar exemplos reais nas explicações das disciplinas. Relacionar o objeto de ensino com situações que podem ser percebidas pelos estudantes deixa a formação palpável e mais prática.

Também pode ser proveitoso utilizar exemplos da vida cotidiana dos alunos durante as aulas, deixando-as mais tangíveis. Desse modo, os professores podem trazer de volta a atenção dos estudantes que estejam demonstrando desinteresse com os conteúdos lecionados, aproximando-os do ensino com exemplos práticos, tornando a disciplina mais compreensível. 

3. Invista em aulas diferenciadas

Manter sempre a mesma rotina tende a tornar as atividades cansativas, por isso as aulas precisam de inovação! A educação vem evoluindo de forma rápida no século 21 e, com isso, o perfil do estudante também vem mudando.

Investir em metodologias não convencionais, que tenham novas propostas para a educação, é uma ótima forma de trazer o interesse dos alunos de volta para a graduação. A utilização da internet ainda permite que as aulas possam aproveitar de diversos recursos multimídia, que enriquecem o conteúdo e atraem a atenção do estudante.

4. Demonstre a importância de aprender, e não decorar

Uma das principais razões que fazem com que os alunos percam o interesse nas aulas é a não compreensão da importância daquilo que está sendo lecionado. Pouca será a motivação do estudante que não compreende o porquê de aprender determinada matéria e sua utilização.

Para tanto, os professores devem deixar claro os motivos para os conteúdos serem trabalhados, sua relevância dentro da disciplina e sua aplicação na prática. Outro ponto central é incentivar que os alunos realmente aprendam o que é visto, e não apenas decorem para a realização de provas.

5. Proponha atividades que mostrem a evolução do estudante

Além de não entender o porquê de estudar determinado conteúdo, o aluno também pode ficar desinteressado por não ver evolução no seu conhecimento. Se sentir estagnado tira a motivação do aluno em aprender, afinal, por que ele irá se comprometer com uma atividade que não está dando retorno?

Deste modo, é extremamente valioso que o professor consiga demonstrar o crescimento da turma. A abordagem de atividades nas quais o estudante perceba que realmente está recebendo de forma eficaz o conhecimento o motiva a ir em frente e a construir uma educação de qualidade de forma conjunta.

7 metodologias ativas que ajudam na motivação para alunos

Como já visto anteriormente, as metodologias ativas são hoje uma das melhores formas de motivar os estudantes. O protagonismo proporcionado ao aluno cria uma educação mais horizontal, e assim, mais participativa.

Nesse sentido, destacamos a seguir 7 metodologias ativas que enriquecerão o ensino na sua IES e motivarão os alunos. Confira:

Aprendizagem baseada em projetos

Essa primeira metodologia foca na construção de um projeto durante as aulas. Com ela, o aluno é estimulado a trabalhar em grupo, de forma criativa e extremamente prática.

Além disso, aqui o aluno trabalha com a interdisciplinaridade e desenvolve o ensino por competências, ao lidar com uma situação real na qual deve experimentar diversas formas de concretizá-la. Colocando o aluno em um papel central de literal construção do ensino, a aprendizagem baseada em projetos é uma forma ótima de engajar a turma.

Aprendizagem baseada em problemas

Do inglês Problem Based Learning, a aprendizagem baseada em problemas é bastante similar à metodologia ativa anterior. Aqui, o foco está em solucionar um problema proposto para desenvolver os temas estudados.

Esse método de aprendizagem significativa motiva o aluno ao dar a ele maior autonomia e responsabilidade com a dinâmica de estudo. A resolução dos problemas e o sucesso da aula depende do envolvimento do estudante.

Sala de aula invertida

A sala de aula invertida propõe que o aluno receba o conteúdo da disciplina e estude de forma prévia individualmente, para que no momento da aula possa discutir e utilizar o que foi aprendido. Além de colocar o aluno na frente dos estudos, essa metodologia é uma forte motivadora por utilizar os recursos digitais de forma exemplar.

Nesse processo, o estudante ganha flexibilidade de tempo para acessar o conteúdo e aproveita o momento das aulas para melhor desenvolver o que foi visto. Desaa forma, os encontros entre professores e alunos se tornam mais enriquecedores, pois contam com mais debates, proposições e resolução de exercícios mais capacitadas.

Cultura maker

A cultura maker na educação é aquela que coloca o estudante para trabalhar na prática, colocando a mão na massa, com o famoso do it yourself (DIY). Essa metodologia dá ao estudante os recursos para construir novas ideias no âmbito educacional.

Essa possibilidade de que todos possam resolver seus problemas traz um estudante mais motivado para as aulas. O desenvolvimento da criatividade, da colaboração e o alinhamento da teoria com a prática deixa o ensino com ainda mais qualidade.

Gamificação

O processo de gamificação na educação é a utilização de elementos, estratégias e ferramentas próprias de jogos no processo de aprendizagem. Com essa metodologia ativa, o aluno adquire o conhecimento das disciplinas em formato de jogos, que são fortes incentivos para a participação discente.

Os principais pontos fortes da gamificação vêm de desafiar o estudante a concluir um objetivo, podendo ocorrer cooperação entre os alunos e também competições saudáveis que aumentam ainda mais o engajamento. Sendo assim, o estudante é motivado com uma atividade extremamente rica que desenvolve sua criatividade, foco, disciplina, etc.

Rotação por estações

Nesta metodologia ativa, a turma deve ser dividida em grupos menores que irão passar por um verdadeiro circuito do conhecimento. Cada grupo deverá passar por uma atividade que seja realizada com diferentes formas de aprendizagem: visual, auditivo, leitor e escritor e cinestésico, até completar todo o ciclo.

Com a rotação por estações de aprendizagem, o estudante desenvolve diversas formas de adquirir o saber, além de ser estimulado a trabalhar em grupo. Esse dinamismo proposto motiva o aluno a ter uma participação nas aulas e a colaborar com a turma.

Aprendizagem entre pares

Como já visto anteriormente, a principal motivação trazida com a aplicação das metodologias ativas vem de colocar o estudante no centro do ensino. Na aprendizagem entre pares não é diferente, pois aqui a turma deve trabalhar em duplas (os grupos) para debater os conhecimentos das disciplinas.

O aluno se engaja ao perceber que sua opinião é importante para os debates propostos e que o conhecimento é construído de forma conjunta. Também é desenvolvida a oralidade e a comunicação, pois além de discussões entre os pares, cabe também ao estudante apresentar pro resto da turma o que foi desenvolvido.

E agora que você já sabe como promover a motivação para alunos, que tal descobrir como trazer ainda mais estudantes para sua IES? Confira nosso artigo especial com 10 estratégias para captação de alunos e saiba como inovar em sua IES!

Educação antirracista: fotografia de dois estudantes utilizando o computador.

Entenda o que é e como construir uma educação antirracista

A cultura racista a que estamos expostos tem sido discutida há mais de um século no país. Apesar de a escravidão ter sido legalmente abolida do Brasil em 1888, os desdobramentos do tráfico negreiro e das transformações sociais a partir da chegada dos povos africanos é parte do nosso dia a dia até hoje.

Para além dos belíssimos traços culturais, religiosos e gastronômicos incorporados pelos povos africanos, é preciso entender que a sua vinda para o Brasil não parte de uma decisão autônoma, mas de uma imposição violenta, promovida por uma intensa atividade econômica, da venda de pessoas como itens servis.

Uma relação assim tão assimétrica, entre pessoas brancas e negras, deixou marcas inegáveis na nação. A abolição da escravidão não contemplou projetos de integração de ex-escravizados na sociedade, e consequentemente permaneceu o estigma do povo preto como algo diferente do humano

Mais de um século depois, pessoas negras sofrem, em diversos espaços, ações de segregação e humilhação, pelo simples fato de a cor de sua pele remeter a uma série de estigmas sociais e ideias sobre padrões comportamentais. 

O racismo é parte da narrativa de quem acredita na hierarquia entre pessoas a partir do seu tom de pele, e que reproduzem determinados comportamentos racistas, pela incorporação dessas práticas na nossa educação, que se dá em casa e nos outros espaços sociais que frequentamos. 

Um desses espaços, que inclusive está inserido formalmente em uma perspectiva de formação de pessoas, são as instituições escolares. Sejam escolas de ensino básico, técnicas ou instituições de educação superior (IES),  as pautas antirracistas podem, e devem, fazer parte do processo formativo. 

É preciso entender que, como um local de convívio das diferenças, os centros educacionais devem promover a compreensão dessas diferenças e combater quaisquer tipos de discriminação, incluisve as raciais, que povocam enormes feridas nas pessoas expostas a esse tipo de prática criminosa. 

Se por um lado o racismo está enraizado nas estruturas da sociedade, a educação antirracista pode agir como um passo importante para nos libertar de preconceitos e promover debates necessários entre as pessoas, para que possamos entender porque repetimos esses comportamentos e como podemos combatê-los. 

Vontade e intenção devem fazer parte desse processo, para que as IES consigam estruturar uma proposta pedagógica antirracista. Para promover relações igualitárias, sem estigmatização do potencial intelectual a partir da cor de pele, é preciso firmar um compromisso com essa pauta.

Continue essa leitura para saber mais sobre educação antirracista e como as IES podem trabalhar como aliadas da promoção de igualdade!

O que é educação antirracista?

Para promover uma educação comprometida com todas as pessoas, independente da cor da pele, é preciso entender que apesar de buscarmos a igualdade, neste momento não somos todos iguais. Isso porque as oportunidades são muito diferentes para pessoas brancas e não brancas. 

Pode parecer óbvio, mas para estar alinhado a uma pauta antirracista, é preciso compreender que o racismo existe, faz parte de todos nós que estamos expostos a uma sociedade racista e precisa ser visto para ser combatido.

A educação antirracista é aquela que está comprometida com a abolição da ideia de inferioridade e superioridade de raças e que, além disso, entende e valoriza as diferenças. Para isso, promove discussões sobre o assunto em vários níveis e plataformas. 

A igualdade é sim uma meta da educação antirracista, desde que ela não venha acompanhada do apagamento da diversidade, das diferenças entre as pessoas, mas pelo contrário que ela seja alcançada por meio de esforços coletivos de igualar as oportunidades. 

A educação antirracista também precisa contemplar um grande nível de empatia, para acolher situações que geram desconforto para as pessoas não brancas e buscar soluções para os impasses que envolvam processos discriminatórios. 

É muito mais do que um planejamento, é ação. E entre essas ações, o direcionamento pedagógico também se faz necessário, com a inclusão contextual dessas pautas na formação dos alunos.

Uma educação significativa preconiza a instrução dos futuros profissionais com o olhar atento para os fenômenos da sociedade. Dessa forma, essas pessoas estarão mais preparadas para a vivência profissional, principalmente em ambientes de valorização da diversidade, como várias empresas têm tentado criar. 

Outro passo imprescindível para fomentar uma educação antirracista é apostar na formação de professores, em cursos de licenciatura disponibilizadas pelas IES. Um professor preparado pode quebrar círculos viciosos de discriminação, seja na educação básica ou superior. 

Apesar de uma proposta de educação antirracista não ser um trunfo das IES, e sim uma obrigação, esses espaços podem se tornar referência em justiça e acolhimento.

A educação antirracista tem como proposta a quebra de um sistema complexo, e para isso é preciso estar comprometido com a causa. As instituições devem trabalhar inspirando o mercado a seguir essa proposta. 

Fazer uma proposta pedagógica antirracista é romper com o silêncio sobre o assunto e debater temas que podem ser incômodos para aqueles que não acreditam nas desigualdades implicadas pela cor de pele. É romper barreiras dolorosas que abafam temas importantes. 

Se silenciar diante do racismo, num contexto educacional, é impedir que vários talentos consigam florescer nas mais diversas áreas, apenas pela não aceitação da cor de pele como condizente para aquela função. 

A educação antirracista trabalha a empatia, para evitar que as pessoas que sofrem racismo acabem se machucando e se fechando cada vez mais em todas as fases de vida. A baixa autoestima, sensação de não pertencimento, baixa participação nas atividades escolares podem ser efeitos da discriminação.

Isso reforça os estigmas de inferioridade intelectual, e contribui para a evasão escolar. Ao mesmo tempo, é comum que isso reforce nos alunos brancos, mesmo que de forma sutil,  a sensação de superioridade. 

A educação antirracista deve ser uma premissa de qualquer curso, seja da área de humanas, exatas, biológicas, das artes, etc. Falar sobre a dignidade humana e sobre igualdade de oportunidades sempre deve ter espaço em qualquer disciplina que lida com dilemas da humanidade.

Por que buscar uma educação antirracista?

Ainda não temos como saber 100% do que ocorre com as pessoas que sofrem discriminação racial, mas algumas pesquisas dão conta de que os efeitos nocivos dessas práticas podem ir muito além do que as pessoas imaginam. 

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi responsável por um estudo que comprova a relação entre preconceitos sofridos e problemas de saúde, físicos e psicológicos. 

Pessoas que foram vítimas de discriminação possuem quatro vezes mais chance de desenvolver quadros de depressão e/ou ansiedade. Além disso, é possível traçar uma correlação com maior risco de picos de pressão, a partir da liberação de hormônios de estresse. 

Quem hostiliza também se expõe a uma situação de estresse, ou seja, o ódio só provoca efeitos nocivos, seja em quem pratica essas ações ou em quem é alvo delas. Apesar disso, é necessário reiterar que as vítimas de discriminação sofrem muito mais diante desses casos.

Quando falamos de racismo, não podemos separar um olhar estranho em uma loja de uma agressão diante de uma suspeita infundada de roubo, por exemplo. A população negra convive, diariamente, com o fim injusto de várias vidas de pessoas parecidas com elas mesmas.

Isso promove a sensação de medo e vigilância constantes. O acesso à saúde pública também se torna mais difícil. Uma herança do período da escravidão é a ideia de que pessoas negras suportam mais dor e são mais fortes e resilientes que as demais.

Com um atendimento mais precário e diante de problemas tão sutis quanto os de saúde mental, que podem ser confundidos com padrões comportamentais, pessoas negras estão sujeitas a lidar com grandes cargas de sofrimento, em silêncio. 

E por que esses dados são tão importantes para pensarmos uma educação antirracista? Porque as instituições de ensino, sejam de nível básico ou superior, são as que irão formar os profissionais do futuro.

Uma abordagem antirracista na educação tem impactos em todos os setores da sociedade, a partir da criação de um olhar empático para o sofrimento, do desenvolvimento do senso de justiça e da vontade de mudança das pessoas que buscam formação.

A possibilidade de transformação do mundo, por meio da educação, precisa sair da dimensão do discurso e atingir o nosso dia a dia, cada vez mais. E esse é um trabalho conjunto, que deve ser dividido entre toda a comunidade acadêmica.

Qual é o papel da IES na construção de uma educação antirracista?

A seguir, elencamos alguns pontos nos quais a sua IES pode atuar para construir uma educação antirracista. Confira!

1. Acolhimento

Para que as IES se comprometam com uma proposta educativa antirracista, é preciso que algumas ações sejam implementadas. A primeira delas diz respeito ao posicionamento da instituição

Se sua faculdade, universidade ou centro universitário não possui ações voltadas para mitigar processos discriminatórios, além de rever a postura, é preciso entender que há uma falha institucional e, portanto, a estratégia da IES deve estar alinhada à sua capacidade de oferecer um ambiente justo e seguro para todos. 

Isso porque, mesmo que você professor ou coordenador tente mudar a forma de atuar nesses casos, é necessário que haja um comprometimento a nível administrativo, institucional e operacional.

E para falarmos de uma educação mais inclusiva, que não reforça padrões de discriminação, é preciso que haja acolhimento institucional das demandas da comunidade acadêmica. E é aqui que se encontra um ponto chave da construção de um espaço seguro.

Quem é a minha comunidade acadêmica? Certamente você deve reconhecer que esse grupo é formado por muito mais do que discentes. É preciso que professores, funcionários da limpeza, portaria, administrativos e as pessoas da comunidade do entorno, sintam que a IES é um espaço que não compactua com processos discriminatórios. 

O acolhimento não é apenas uma boa atuação diante de casos de racismo, mas o compromisso da instituição de que esse tipo de comportamento não é tolerado. Campanhas educativas devem ser feitas durante todo o ano, não apenas em datas marcantes. 

2. Quebra de padrões

Como mencionado anteriormente, há certa dificuldade por parte da população na identificação de práticas racistas. Isso ocorre porque, no Brasil, há uma crença muito forte na democracia racial, ou seja, de que brancos e não brancos são iguais e possuem as mesmas oportunidades. 

Essa errônea ideia de igualdade e plena capacidade de ascensão social e econômica de pessoas não brancas nos faz reproduzir uma série de comportamentos meritocratas, que desconsideram as dificuldades impostas a parte da população, principalmente as pessoas negras. 

A quebra de padrões racistas precisa estar ancorada no projeto de gestão das IES. Com isso, é possível estabelecer diretrizes amplas de apoio a essa perspectiva, que vão desde o atendimento ao aluno, uso de materiais didáticos mais inclusivos, até formas de contemplar a valorização da diversidade no projeto de divulgação da IES.

3. Respeito à autopercepção da pessoa negra

Um fenômeno muito comum no Brasil é a dificuldade de parte da população em se autodeclarar negra. E essa é uma realidade que vem se transformando a partir do fortalecimento do movimento negro no país, das políticas identitárias, e da inclusão dessas pautas no dia a dia das pessoas.

Em cinco anos, entre 2012 e 2018, o número de pessoas autodeclaradas pretas e pardas no Brasil cresceu de 53,1% para 56,4%. O que explica isso não é o número de nascimentos, porque no mesmo período houve diminuição de pessoas autodeclaradas brancas. 

Mulheres negras são as principais vitimas de homicídio, sofrem mais violência no parto e os homens negros jovens também são parte preponderante das estatísticas de morte. Por mais que a autodeclaração não mude a cor da pele, muda a percepção de direitos, segurança, aceitação, entre outros. 

Para algumas pessoas o racismo deixou marcas, mas nunca foi um assunto discutido na família. Muitas delas notavam o tratamento distinto, mas não necessariamente vinculavam as vivências à cor da pele. 

 Muitas vezes chamadas morenas, ou mulatas, as mulheres negras por vezes alisaram os cabelos ou desejaram traços “mais finos”, mas seguiram sem compreender a gênese de seus pensamentos e da construção de sua autoestima. 

E qual o papel das IES diante disso? Ser um porto seguro para a descoberta e aceitação da identidade racial. As instituições precisam promover a pauta de igualdade, utilizar referências negras, para que haja um processo de identificação por parte dos estudantes.

Não falar sobre o racismo não diminui a dor de quem sofre. A promoção da autopercepção de forma natural e não estigmatizada pode ser um caminho para que a comunidade acadêmica não branca possa sentir pertencimento.  

4. Sensação de pertencimento

E por falar em pertencimento, como podemos criar um sentimento tão sutil, mas ao mesmo tempo tão potente, capaz de vincular pessoas e instituições? Para fazer parte, é preciso se sentir bem-vindo, e existem diversas ações que colaboram para que isso aconteça. 

Ter um corpo docente representativo demonstra aos alunos que outras pessoas negras conseguiram chegar em lugares importantes com a sua formação, apesar de todas as adversidades. Pessoas não brancas em cargos de destaque e liderança também podem surtir esse efeito.

Além disso, é reconfortante saber que existem pessoas que participam do seu processo formativo que compreendem as dificuldades inerentes a ser uma pessoa negra no Brasil. 

Já parou pra pensar quantas vezes, nas produções audiovisuais, nos deparamos com pessoas negras apenas representando cargos subalternos? Isso já melhorou ao longo dos anos, mas ainda enfrentamos situações inaceitáveis, como pessoas brancas representando personagens negros.

Pessoas negras devem ocupar, na ficção ou na vida real, espaços diversos, dos quais desejam participar. Existem excelentes profissionais que poderiam ter ainda mais destaque se a cor de sua pele, ou textura de seus cabelos, não fossem lidos como impeditivos para um potencial intelectual equivalente aos brancos

Essa presença de pessoas negras nas IES não diz respeito apenas à presença da comunidade acadêmica, mas também à organização do espaço. Quais imagens presentes nos corredores das IES, nas propagandas, nos quadros de avisos? Tudo isso cria um clima muito mais acolhedor.

5. Preparo do corpo docente

O principal caminho para uma sociedade menos racista é a educação das pessoas. E esse deve ser um dos objetivos dos docentes envolvidos em qualquer processo formativo. Para que isso ocorra da melhor forma possível, é necessário que essas pessoas tenham instrução adequada sobre o tema.

E não basta conhecer, é preciso saber ensinar! Muitos professores veem algum tipo de má conduta acontecendo em suas aulas, mas não sabem necessariamente como agir. E não se engane, é preciso agir. Fingir que não está acontecendo não tornará o mundo melhor.

Para que isso ocorra, no entanto, é preciso ter uma conduta coletiva, pautada nos valores da IES, que deve delimitar junto a seus docentes como atuar em certos casos. Isso dá segurança aos professores, vítimas de discriminação e ainda cria limites rígidos em torno do assunto.

Além disso, é preciso promover capacitações que contemplem a realidade do racismo no Brasil, para que a formação inicial dos professores não seja definidora das condutas empregadas. 

A proximidade com os alunos, nas salas de aula, faz com que professores possam intervir de forma efusiva, sem ter que romper vínculo com os discentes que possuem comportamento discriminatório. O papel do professor não é julgar, mas conduzir conversas e reflexões racionais a respeito do tema. 

É preciso lembrar que os alunos, mesmo aqueles não brancos, podem reproduzir uma série de comportamentos aprendidos e reforçados nos mais diferentes espaços e contextos, tornando-os parte de um complexo sistema que mantém desigualdades. 

6. Material antirracista

Uma prática educacional antirracista precisa estar amparada em materiais educativos igualmente comprometidos com a causa. Mas o que seria, exatamente, esse material? É possível saber quais materiais reproduzem racismo e quais não?

Infelizmente, salvo em casos que vêm a público, é muito difícil definir quais materiais estão comprometidos com essa perspectiva sem antes ter acesso a eles. Mas existem algumas diretrizes para as pessoas que os escolhem e montam os planejamentos educacionais.

A primeira delas é observar sob qual olhar a história é contada. Em basicamente todos os cursos há elementos históricos vinculados às práticas profissionais. O modo de contá-los é que delimita se há compromisso com perspectivas antirracistas ou não. 

Um exemplo clássico, dentro da história do Brasil, é a retratação de pessoas escravizadas e do processo de colonização. Para que possamos contar essa história de forma justa, é possível recorrer aos estudos decoloniais, que podem ser incorporados a quaisquer conteúdos que retratam esse período do país.

Um olhar atento vale muito! Professores, alunos, e demais participantes da comunidade acadêmica, devem desenvolver o pensamento crítico a respeito das questões de raça, para serem capazes de ver os desdobramentos da descriminação em quaisquer cenários.

Na educação antirracista, é preciso consumir conteúdo negro. Por isso as IES devem investir nas narrativas pretas em todas as frentes educativas. Uma biblioteca com títulos escritos por autores negros é imprescindível para marcar, cada vez mais, a presença desses autores na cena intelectual.

Palestras, aulas magnas, e eventos de abertura do semestre podem ser protagonizados por pessoas negras. E não apenas para falar sobre questões relativas ao racismo, mas também sobre o tema que lhes é caro, naturalizando a liberdade de pessoas negras em falar sobre quaisquer assuntos.

A partir de tudo que pudemos discutir, é notável que o racismo possui grandes alicerces na sociedade e que a educação é a ferramenta capaz de transformar essas estruturas para melhor, por isso faz-se necessário o comprometimento coletivo com as pautas antirracistas. 

A educação é a forma mais gentil e abrangente de atingir os objetivos de igualdade e de promoção da dignidade humana, em conjunto com as políticas públicas e questões culturais das pessoas não brancas. 

Como pudemos perceber, uma sociedade racista, com ações de ódio, só traz sofrimento e adoecimento a todos os envolvidos, e com ações simples, mas cheias de intenção e transformação, é possível mudar o pensamento de muitas pessoas, que irão se tornar multiplicadores de boas práticas. 

A beleza da educação está não apenas no ensinar determinada prática ou conteúdo, mas em deixar diretrizes de uma vida melhor para a humanidade. As questões de raça precisam de um olhar sensível, e do empenho sincero de todos nós. 

Esperamos que você tenha gostado deste artigo sobre educação antirracista. Para continuar lendo um pouco mais sobre a importância da diversidade, separamos este artigo sobre como promover a inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior.

fotografia de um estudante sorrindo enquanto segura um lápis em uma mão e utiliza o computador.

Saiba o que é e como desenvolver a autorregulação da aprendizagem

A aprendizagem tradicional está baseada na seguinte configuração: um professor, uma sala com pelo menos 20 ou 30 estudantes e conteúdos passados de forma expositiva, sem que o aluno tenha controle sobre seu próprio processo. 

Esse modelo vigora há tanto tempo que nos acostumamos com a ideia de que o aluno deve se adaptar ao conteúdo, e raramente consideramos que talvez a aprendizagem devesse fluir pelo modo contrário: que o aluno se coloque em posição protagonista dentro do próprio ciclo de estudos.

Entretanto, o avanço dos estudos sobre os processos de aprendizagem vêm se consolidando cada vez mais rumo ao entendimento de que o protagonismo do estudante não só é desejável, como também cada dia mais necessário. 

É nesse sentido que surge o conceito de autorregulação da aprendizagem, uma metodologia que potencializa e aprimora ainda mais os momentos e processos relacionados ao estudo individual.

Quer entender o que é, como funciona e como aplicar a autorregulação da aprendizagem? Continue lendo este artigo!

O que é a autorregulação da aprendizagem?

A autorregulação da aprendizagem, de maneira simples, é uma teoria de aprendizagem em que os estudantes estruturam, monitoram e avaliam o próprio aprendizado. O aluno delimita suas necessidades, planeja e cumpre as etapas de estudo e também tem condições de avaliar todo o processo para verificar o que funcionou ou não.

Em outras palavras, na autorregulação da aprendizagem, o estudante passa por etapas como:

  • Delimitar necessidades: a partir de autorreflexão e autoconhecimento, o estudante consegue identificar quais são suas necessidades de aprendizado;
  • Planejar caminhos e etapas de estudo: com as necessidades de aprendizagem claras, o estudante pode estruturar o próprio caminho que será seguido nos estudos, como definir prioridades, elaborar planos de ação, definir a melhor forma de apreender o conteúdo, entre outros;
  • Cumprir as etapas definidas: o estudante também deve garantir que as etapas planejadas para a aprendizagem sejam viáveis, para então cumpri-las da maneira prevista – realizando, se necessário, algumas alterações ao longo do processo;
  • Avaliar o planejamento feito para aperfeiçoá-lo: ao fim do cumprimento das etapas, o estudante pode avaliar o processo e identificar melhorias a serem implementadas nos próximos planejamentos.

A autorregulação da aprendizagem pode ser feita por estudantes em qualquer etapa do ensino, do básico ao superior, e é possível perceber que todos os passos visam ao aprimoramento da autonomia no estudo.

De acordo com pesquisas na área, estimular essa autonomia faz com que o aluno se envolva mais com o que está estudando isto é, passa a ver o estudo como algo que ele mesmo controla, ao invés de ser controlado pelo professor , com que o conteúdo seja retido de maneira mais eficaz e, consequentemente, com que o desempenho acadêmico seja potencializado.

Leia também: Saiba tudo sobre aprendizagem significativa e como aplicar em sua IES!

Quais são os fundamentos teóricos da autorregulação da aprendizagem?

Há muitos estudos na área da autorregulação da aprendizagem que dão embasamento a todas essas conclusões relativas aos benefícios. Abaixo, indicaremos alguns pontos principais desses estudos.

As quatro dimensões da aprendizagem

O primeiro deles está relacionado ao que é conhecido como as quatro dimensões da aprendizagem. De acordo com os estudos na área, a autorregulação implica uma boa relação entre essas dimensões. São elas: a cognitiva/metacognitiva, a motivacional, a emocional/afetiva e a social. 

Dimensão cognitiva/metacognitiva

Trata-se das estratégias usadas pelo estudante para aprender. As estratégias cognitivas são aquelas que apoiam na absorção do conteúdo, como fazer resumos e fichamentos, criar mapas mentais, sublinhar textos, entre outros.

As metacognitivas, por sua vez, estão associadas ao planejamento dos momentos de estudo, como organização da mesa, planejamento da semana, pedir ajuda a colegas e professores etc.

Dimensão motivacional

A dimensão cognitiva/metacognitiva depende bastante da dimensão motivacional, já que as técnicas de estudo e organização estão diretamente associadas à motivação do estudante em aplicá-las.

De acordo com os pesquisadores de Educação Richard M. Ryan e Edward L. Deci, da Universidade de Rochester (EUA), “a motivação, definida como aquilo que move uma pessoa à ação, é uma força motriz fundamental para iniciar e manter os esforços ao longo do aprendizado”. 

A motivação pode ser de vários tipos, como motivação espontânea de aprender sobre determinado tema, por interesses pessoais, ou motivação extrínseca, em que o aluno busca aquele aprendizado por obter boas notas, reconhecimento profissional etc.

É por isso que a dimensão motivacional interfere diretamente no modo como o aluno estuda e planeja seu estudo: seus objetivos variam, e com eles, a forma como ele se organiza também se modifica.

Dimensão emocional/afetiva

O impacto das emoções no processo de aprendizagem também é notório. Os estados emocionais se manifestam de maneira diferente em cada estudante e podem sofrer variações consideráveis em cada etapa do estudo (por exemplo, antes e depois de uma prova).

Esse impacto pode ser tanto negativo quanto positivo, e depende de questões internas do estudante (como o controle emocional próprio) e externas (como apoio de familiares, professores e das próprias instituições de ensino como um todo).

Assim, a dimensão emocional/afetiva da aprendizagem está vinculada ao autoconhecimento do estudante, à regulação e controle das emoções, à busca por melhorar e evoluir, entre outros fatores.

Dimensão social

A dimensão social da aprendizagem diz respeito ao ambiente externo em que o estudante está inserido, ou seja: família, contexto socioeconômico, amigos, professores, IES, entre todos os fatores externos que modificam a vida do aluno. Nesse aspecto, assim como nos outros, há forte influência das outras dimensões.

Modelo teórico de Albert Bandura

O primeiro modelo teórico sobre autorregulação da aprendizagem foi criado pelo psicólogo canadense Albert Bandura, professor da Universidade de Stanford. Muitos modelos foram criados posteriormente com base nos estudos dele.

O professor Bandura buscou explicar a autorregulação da aprendizagem a partir de três processos de gerenciamento pessoal, que ele denominou como: processo de auto-observação; processo de julgamento; e processo de autorreação.

  1. Auto-observação: trata-se das percepções que o próprio estudante tem a respeito do seu desempenho nas atividades que realiza. Por exemplo: ele pode verificar como está a qualidade do seu estudo, o ritmo em que realiza as tarefas, a originalidade das entregas etc.
  2. Julgamento: após a auto-observação, o estudante consegue julgar e avaliar esse desempenho, considerando seus objetivos e valores individuais, suas experiências anteriores, a comparação com outras pessoas etc. Aqui também pode entrar uma análise relacionada ao seu próprio contexto social.
  3. Autorreação: nesse ponto, considera-se as respostas emocionais dadas aos processos restantes. Por exemplo: o estudante pode ficar satisfeito com seu desempenho e buscar alguma recompensa, ou pode ficar chateado, desmotivado, e buscar alguma autopunição.

Autoeficácia e mentalidade de crescimento

Esse gerenciamento pessoal dividido em três etapas propõe verificar a autoeficácia de cada um. Autoeficácia, segundo Bandura, é a crença de cada um a respeito das próprias capacidades, isto é, o quanto cada pessoa considera que seja capaz de realizar as tarefas a que se propõe. 

É a melhoria dessa percepção da autoeficácia que motiva estudantes a persistirem nas tarefas e no processo de aprendizagem. Nesse sentido, vale destacar outro conceito fundamental, de outra pesquisadora: a mentalidade de crescimento.

A psicóloga Carol S. Dweck, professora da Universidade de Stanford (EUA), em seu livro “Mindset: A nova psicologia do sucesso”, define os conceitos de mentalidade de crescimento e mentalidade fixa.

Para a estudiosa, pessoas com mentalidade fixa são aquelas que acreditam que o conhecimento e as habilidades são, de certa forma, inatos, e têm pouco espaço de desenvolvimento por exemplo, aqueles que acreditam em pensamentos como “não consigo fazer X”, “não tenho capacidade para aprender Y”.

Em contraposição, há pessoas que têm o que ela chama de mentalidade de crescimento: pessoas que entendem que o processo de aprendizado é sempre contínuo, e que não há nada que não possa ser aprendido por alguém. 

Felizmente, a ciência respalda integralmente a mentalidade de crescimento, tudo graças ao que chamamos de neuroplasticidade: a capacidade que o cérebro tem de se adaptar estruturalmente de acordo com as novas experiências que vão ocorrendo, por toda a vida. Esse entendimento é fundamental para que a percepção da autoeficácia (e, consequentemente, a autorregulação da aprendizagem) seja aprimorado.

Como desenvolver a autorregulação da aprendizagem?

Embora a autorregulação da aprendizagem seja um processo realizado pelo próprio estudante, o papel das práticas pedagógicas em sala de aula e dos contextos de ensino-aprendizagem é essencial para que essa mentalidade se consolide nos alunos. 

Para apoiar nesse processo, há vários modelos educacionais (como o proposto por Bandura) que ajudam a instituir a autorregulação de forma eficaz. Aqui, falaremos do modelo PLEA, elaborado pelo psicólogo português Pedro Sales do Rosário, da Universidade do Minho.

PLEA é a sigla que se refere a Planejamento, Execução e Avaliação – as três fases da autorregulação de acordo com esse modelo.

1. Planejamento

Na fase de planejamento, o estudante analisa a tarefa à qual se dedicará e verifica quais são os recursos dos quais dispõe para realizá-la (por exemplo, tempo disponível, material teórico, entre outros). Após essa análise, ele pode então definir objetivos que estejam de acordo com seus propósitos ao aprender sobre o tópico. Por fim, cria um planejamento, considerando tempo limite da tarefa, marcos que o ajudem a verificar seu progresso etc.

2. Execução

Na fase de execução, o estudante deve cumprir o planejamento estabelecido na fase anterior, mantendo sempre em vista seus objetivos finais. Aqui é o momento de utilizar todas as estratégias possíveis para garantir que os resultados sejam atingidos e, ao mesmo tempo, monitorar seu progresso nas tarefas.

3. Avaliação

Na fase de avaliação, o estudante verifica a diferença existente entre objetivos e planejamentos pré-definidos e o real resultado ao qual está chegando, para então verificar se é necessário realizar algum ajuste, se o desempenho está satisfatório, entre outros.

Todos esses processos ocorrem de maneira cíclica: ao fim de uma fase, inicia-se imediatamente a outra, e assim por diante. Além disso, o fim do ciclo anterior coincide com o início do ciclo seguinte, sendo que um interfere diretamente no outro.

Agora que você conhece mais sobre autorregulação da aprendizagem, achamos que você vai gostar, também, do nosso artigo sobre os diferentes estilos de aprendizagem!

Estilos de aprendizagem: fotografia de uma sala de aula. Vários estudantes estão com o braço levantado.

Conheça os diferentes estilos de aprendizagem

Você certamente já percebeu que as pessoas têm maneiras diferentes de processar informações e construir conhecimentos. Esse modo pessoal de aprender pode ser identificado nos diferentes estilos de aprendizagem.

As habilidades para fixar uma informação variam de aluno para aluno, mesmo quando falamos em ensino superior. 

Enquanto algumas pessoas adquirem novos conhecimentos com mais facilidade a partir da leitura e da escrita, outras são muito mais visuais. São mais captadas por vídeos, imagens, símbolos, mapas etc.

Há diferentes formas de aprender novos assuntos. Por isso, viemos falar sobre o que são os estilos de aprendizagem e como podem ser empregados na sua instituição de educação superior (IES). 

Continue a leitura!

Conheça as teorias dos estilos de aprendizagem

Diversos estudos indicam que o processo de aprendizagem é individual e único para cada pessoa. Ou seja, cada um de nós tem um jeito próprio de aprender.

Diante disso, alguns autores criaram teorias que ajudam as instituições a tornar as metodologias de ensino mais eficientes para o aprendizado.

Tratam-se das teorias sobre as formas e classificações dos estilos de aprendizagem. Entre elas, estão o método VARK, o método de Kolb e o método de Honey-Alonso.

Prepara-se para entender melhor sobre cada um deles a seguir. Acompanhe!

Método VARK

Desenvolvido pelo professor neozelandês Neil Fleming (1992), o método Vark sugere que a aprendizagem acontece a partir de cinco habilidades: visual; auditiva; leitura e escrita; cinestésica; e multimodal (neste caso, por meio de duas ou mais das habilidades descritas).

Conheça algumas características atribuídas a esses estilos de aprendizagem!

Visual

Aqui o processo de aprendizagem está ligado à oferta de demonstrações visuais, tais como vídeos, fotografias, slides, figuras, diagramas, gráficos, pinturas, mapas, símbolos etc. As possibilidades imagéticas são vastas.

Estamos falando de alunos que gostam de aprender a partir de videoaulas, por exemplo.

O estudante absorve conteúdos por meio de estímulos visuais e tende também a se comunicar melhor graficamente, a partir de desenhos e construções imagéticas que sustentam seus argumentos.

Auditiva

Já aqui entram os estudantes que têm a tendência de aprender ouvindo as informações.

Diante disso, é uma boa ideia envolvê-los em discussões, assim como explicar conceitos para esses alunos em sala de aula e estimulá-los a: fazer leitura em voz alta, ouvir podcasts, escutar gravações de outras aulas etc.

Palestras e seminários também podem ser de grande ajuda em seu processo de construção do conhecimento.

Alunos com esse estilo de aprendizagem também costumam fazer perguntas com frequência, além de se expressar mais na aula e repetir o conteúdo publicamente para memorizá-lo.

Leitura e escrita

Neste caso, a aprendizagem é favorecida pela oferta de livros, apostilas, dicionários, pesquisas, artigos, manuais, relatórios e outros materiais do gênero.

Esse perfil de aluno costuma fazer anotações e criar planos para lembrar os conteúdos. Eles anotam as informações em sala de aula e fazem resumos dos conteúdos repassados pelos docentes.

A facilidade de se expressar por meio da linguagem escrita também é notável nesse caso.

Cinestésica

O perfil cinestésico está ligado à cultura maker, de aprender fazendo. Isso mesmo, colocar a mão na massa.

Enquadram-se aqui pessoas que adquirem conhecimentos por meio de todos os sentidos (audição, visão, tato, olfato e paladar).

Seja por meio de experiências em laboratórios, demonstrações ou atividades esportivas, tais pessoas precisam vivenciar o aprendizado na prática.

Elas devem ser estimuladas a formular hipóteses e chegar a conclusões a respeito de tarefas.

Simulações em sala de aula e dinâmicas podem ser bastante úteis para esse perfil de aluno.

Multimodal

Os sujeitos multimodais são aqueles que conseguem desenvolver uma determinada habilidade por meio do estilo de aprendizagem mais oferecido no ambiente acadêmico.

Leia também: guia completo para aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Método de Kolb

Desenvolvido por David Kolb (1976), este conceito propõe que os adultos possuem diferentes estilos de aprendizagem, que são influenciados pela maneira com que as pessoas percebem e processam a realidade.

Desse modo, sugere um ciclo de aprendizagem experiencial, que é baseado nas atitudes e sentimentos do indivíduo no momento em que está aprendendo. 

O ciclo apresenta quatro habilidades de aprendizagem: experiência concreta, observação reflexiva, conceitualização abstrata e experimentação ativa.

Partindo dessas habilidades, Kolb definiu quatro estilos de aprendizagem: acomodador, convergente, assimilador e divergente.

Saiba mais sobre eles a seguir!

Acomodador

São pessoas que preferem aprender a partir de desafios e novas experiências, em vez de teorias ou manuais.

As habilidades dominantes nestes indivíduos são a experimentação ativa e a experiência concreta.

No aspecto comportamental, eles gostam de assumir riscos e pôr a “mão na massa”.

Sendo assim, destacam-se em aulas de campo e projetos práticos, assim como em atividades gamificadas.

Convergente

Os estudantes com este estilo de aprendizagem têm como habilidades dominantes a experiência concreta e a observação reflexiva.

Eles têm maior facilidade na aplicação prática das ideias e gostam de resolver problemas e tomar decisões.

Aulas de simulações e projetos em laboratório estão entre os preferidos desses estudantes.

Geralmente assumem tarefas técnicas. Podem ser encontrados, por exemplo, no setor de engenharia das empresas.

Assimilador

É o perfil de pessoa que aprecia trabalhar mais com teorias do que com a parte prática.

Elas preferem reunir fatos e organizá-los de maneira lógica. Suas habilidades dominantes são a observação reflexiva e a conceituação abstrata.

Ou seja, gostam de ideias abstratas, números e associações de pensamentos.

Palestras e aulas de leitura atraem essas pessoas.

Muitos profissionais que acabam assumindo carreiras no campo científico ou na área de pesquisa e planejamento estratégico das empresas se enquadram neste estilo de aprendizagem.

Divergente

Esta categoria é composta por pessoas com forte viés criativo, que apresentam bom desempenho em situações que exigem a formulação de ideias.

As habilidades dominantes de tais indivíduos são a conceituação abstrata e a experimentação ativa. 

Destacam-se em modelos de construção e estudos de caso. São as pessoas certas para um brainstorming produtivo.

Costumam ser empáticas e preferem trabalhar em grupo. Deste modo, podem seguir carreiras artísticas e funções que envolvem criatividade dentro das companhias.

Método de Honey-Alonso

Elaborado pelo psicólogo Peter Honey e pela doutora em educação Catalina M. Alonso, o método de Honey-Alonso propõe um ciclo de aprendizagem que resulta da interação entre o ambiente, a experiência prévia vivenciada pelo adulto e os conhecimentos que são construídos individualmente.

A partir disso, os autores sugerem quatro estilos de aprendizagem: ativo, reflexivo, teórico e pragmático.

Entenda, a seguir, as características de cada um!

Ativo

O estudante com estilo ativo valoriza desafios que propiciam novas experiências. Prezam por tarefas novas e que demandam agilidade.

Possuem mente aberta e, logo que terminam uma atividade, já estão em busca de outra.

São espontâneos e se arriscam, além de serem criativos e bons de improviso.

Tratam-se de pessoas que se envolvem com os assuntos dos demais e concentram todas as atividades ao seu redor.

Reflexivo

Este perfil é típico de indivíduos que estudam, refletem e analisam. Gostam de considerar uma experiência a partir de diferentes perspectivas. 

Analisam dados detalhadamente até que cheguem a uma conclusão. Ou seja, preferem considerar todas as possibilidades antes de realizar algo.

Deste modo, tendem a ser ponderados, conscientes e analíticos.

Teórico

Aqui falamos de pessoas lógicas, que avaliam problemas de forma racional. Gostam de pensar intensamente sobre teorias, princípios e modelos.

Analisam e sintetizam as informações, tendendo ao perfeccionismo. Distanciam-se, assim, do que pode ser subjetivo ou ambíguo.

Pragmático

Indivíduos que levam as ideias para a prática. Ou seja, fazem experimentos.

Aproveitam a primeira oportunidade para experimentar as novas ideias. Tendem a ser impacientes com pessoas que teorizam.

São práticos, diretos, eficazes e realistas, pautados por filosofias como “sempre se pode fazer melhor”.

Conheça as vantagens de identificar os estilos de aprendizagem dos alunos

Conseguir mapear as formas com que os estudantes aprendem com mais facilidade traz benefícios tanto para os alunos quanto para a instituição de ensino, como:

  • Auxílio na conquista de maior sucesso nos estudos;
  • Obtenção de maior concentração dos estudantes, ampliando as possibilidades de construção do conhecimento;
  • Possibilidade de tornar as aulas mais atrativas e produtivas, contribuindo, inclusive, para a retenção de alunos.

Claro que, para tornar essa tarefa viável, é preciso que o corpo docente da IES tenha conhecimento sobre métodos e recursos alternativos, para que ensinem o mesmo conteúdo de diferentes maneiras.

Ou seja, precisam propor atividades que estimulem os diferentes estilos de aprendizagem.

A seguir, contamos um pouco mais sobre como trabalhar esses estilos em sua instituição de ensino.

Veja como trabalhar os diferentes estilos de aprendizagem no ensino superior

Precisar lidar com diferentes estilos de aprendizagem em sala de aula é bastante desafiador para os educadores, como você já deve ter percebido.

Segundo uma análise da professora Daniela Melaré Vieira Barros, considerando o ensino centrado no aluno, a abordagem focada nos diferentes estilos de aprendizagem é estruturada a partir das individualidades e das opções pedagógicas que visam atender às necessidades dos estudantes em paralelo com as necessidades do conteúdo a ser ensinado.

Neste caso, ela indica que o estilo de ensinar também é uma implicação importante. Isso porque cada educador tem seu próprio estilo de aprendizagem e, de modo geral, costuma ensinar como gostaria de aprender.

Tal dificuldade exige que os professores tenham a capacidade de considerar outras opções de estratégias e métodos de ensino.

Um primeiro passo importante, neste caso, é conhecer o perfil dos estudantes, identificando as principais características e comportamentos do grupo.

Para tanto, pode-se aplicar um questionário que ajude a identificar os diversos perfis presentes na classe.

A partir disso, ficará mais fácil planejar as aulas e realizar a delegação de tarefas e trabalhos em grupo, melhorando a aprendizagem dos alunos.

Segundo a professora, esse questionário deve abranger quatro aspectos importantes:

  • O educador precisa compreender quais as dimensões da forma de aprender dos alunos, considerando sua idade, maturidade e tema a ser estudado;
  • É preciso escolher um instrumento e métodos didáticos apropriados para as características dos alunos;
  • Também deve-se verificar como organizar a diversidade de estilos com os métodos e estratégias de aprendizagem;
  • É necessário avaliar as possibilidades de desenvolver um trabalho deste nível considerando as características do espaço da sala de aula.

Apoio da tecnologia

Os docentes da sua instituição de ensino também podem buscar variar os modelos empregados em sala de aula, indo de atividades mais teóricas a experiências práticas, debates, experimentos em laboratórios, entre outros.

A tecnologia oferece muitos recursos multimídia que são úteis para tal diversificação de formatos. 

Já falamos sobre o uso da gamificação, por exemplo, que permite a sincronia de estímulos diversos, como imagens, textos e situações práticas, para ajudar os alunos a assimilarem de forma mais lúdica conteúdos complexos.

Trata-se de uma abordagem que utiliza elementos dos jogos para tornar o processo de aprendizado mais leve e efetivo.

Para isso, pode-se, por exemplo, propor desafios e missões propostos aos estudantes durante uma aula que, a princípio, seria lecionada de uma forma mais tradicional.

Ao longo deste artigo, você viu que os estilos de aprendizagem correspondem às diferentes maneiras que as pessoas têm de processar informações e construir conhecimentos.

Falamos sobre as principais teorias dos estilos de aprendizagem, criadas para ajudar as instituições de ensino a tornar as suas metodologias mais eficientes para o processo de aprendizado.

Abordamos o método VARK, que propõe que a aprendizagem acontece a partir de cinco habilidades: visual; auditiva; leitura e escrita; cinestésica; e multimodal.

Depois nos debruçamos sobre o método de Kolb, que define quatro diferentes estilos de aprendizagem: acomodador, convergente, assimilador e divergente.

Por fim, chegamos ao método de Honey-Alonso, que também sugere quatro posturas diferentes observadas nos indivíduos durante a construção do conhecimento: ativa, reflexiva, teórica e pragmática.

Mostramos ainda as vantagens de identificar os estilos de aprendizagem nos alunos da sua IES e as possibilidades de trabalhá-los na instituição.

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil para você! 

Continue acompanhando o nosso blog para mais artigos criados justamente para levar a gestão da sua IES para o próximo nível.

Ah, e para te ajudar a trabalhar os diferentes estilos de aprendizagem em sua IES, aproveite para conferir também o conteúdo que produzimos sobre ensino interativo

Descomplicando o Plano de Desenvolvimento Institucional: um guia para as IES

Para que as instituições de educação superior (IES) funcionem da melhor forma possível, é necessário pensar cuidadosamente seus processos de gestão a curto, médio e longo prazo.

Também para alcançar esse objetivo, a legislação brasileira estabelece uma série de critérios formais que as IES devem observar. Nesse contexto, temos o Plano de Desenvolvimento Institucional — também conhecido pela sigla PDI.

Em linhas gerais, o PDI é um instrumento indispensável para que as instituições sejam credenciadas, consigam autorização de seus cursos e alcancem bons resultados na avaliação do MEC.

Neste artigo, vamos apresentar em detalhes o Plano de Desenvolvimento Institucional: sua definição, normas aplicáveis e dicas para elaboração. Ao final da leitura, você terá um arcabouço de informações úteis para aplicar em sua IES.

O que é o Plano de Desenvolvimento Institucional?

O Plano de Desenvolvimento Institucional é um documento que dispõe sobre a missão, valores e funcionamento geral das IES. Além disso, estabelece ações estratégicas para se alcançar metas da instituição, referentes à qualidade do ensino e de sua gestão.

Para que serve o Plano de Desenvolvimento Institucional?

O Plano de Desenvolvimento Institucional, como sugere seu nome, serve para planejar o funcionamento das instituições de educação superior (IES). Constitui-se, portanto, como um verdadeiro plano para melhorá-las, a partir da tomada de ações estratégicas.

A edição e a revisão do PDI contribui para levantar um diagnóstico de como andam as IES. Dessa forma, é possível tomar providências mais bem fundamentadas para manter a competitividade das instituições.

Além disso, o Plano de Desenvolvimento Institucional é uma obrigação legal das IES e possui várias funções mais específicas, relacionadas a processos de avaliação do MEC, autorização de cursos, credenciamento de instituições e outros procedimentos formais de que dependem as IES.

Vamos falar, a seguir, sobre os procedimentos que envolvem o PDI, a partir da legislação aplicável.

Avaliação do MEC

O PDI é o instrumento básico utilizado como referência pelos órgãos reguladores da educação brasileira em seus processos avaliativos.

Ele deve conter, por exemplo, informações sobre o processo de autoavaliação institucional, que é uma das etapas da avaliação do MEC conduzida pela Comissão Própria de Avaliação.

Além disso, o PDI também exerce impacto indireto nesses procedimentos de avaliação, uma vez que contribui para melhoria da IES em vários eixos — pedagógico, infraestrutural e tecnológico, para citar alguns.

Credenciamento e Recredenciamento de IES

Nos termos do art. 6º, §1º da Resolução nº 10, de 11 de março de 2002 do CNE/CES (Conselho Nacional de Educação/ Câmara de Educação Superior), o credenciamento e recredenciamento de IES ficam condicionados à aprovação de seu PDI pelo MEC.

Encontramos outra norma nesse sentido no Decreto nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017. Segundo dispõe seu art. 20, inciso II, alínea b, o pedido de credenciamento deverá ser instruído com o PDI.

Autorização ou reconhecimento de curso

Para solicitar autorização de curso superior ou seu reconhecimento, é indispensável que o curso em questão esteja expressamente previsto no PDI atualizado da instituição. É o que consta do art. 26, §1º da Portaria MEC nº 23, de 21 de dezembro de 2017.

Pedido de unificação de mantidas

Unificação de mantidas, em outras palavras, é a fusão de duas ou mais IES mantidas por uma mesma mantenedora e sediadas no mesmo município. 

Para que aconteça, é necessário fazer um pedido no Sistema e-MEC. Esse pedido, por sua vez, deve ser instruído com o PDI e o regimento em vigência da IES incorporadora, já com as adaptações necessárias ao processo de fusão.

É o que depreendemos do art. 63 da Portaria MEC nº 23 de 2017. Já nos termos do art. 66, determina-se que o limite territorial de atuação da IES resultante permanecerá inalterado — e isso deve estar especificado no PDI e no regimento interno apresentados por ocasião do pedido.

Pedido de credenciamento de campus fora da sede

Esse é outro pedido que depende do Plano de Desenvolvimento Institucional. Também ocorre direto no Sistema e-MEC e de acordo com os procedimentos que disciplinam o pedido de credenciamento institucional.

Nos termos do art. 74 do Decreto 9.235, esse pedido deverá ser instruído com o documento de alteração do PDI, relativo à ampliação da área de abrangência e indicação dos cursos previstos para o novo campus.

Leia também: Saiba quais são os indicadores de qualidade do MEC e como eles se relacionam

Quais são os objetivos do Plano de Desenvolvimento Institucional?

Em suma, o PDI é uma ferramenta para que as instituições de educação superior consigam efetivar um planejamento estratégico, imprescindível para elevar a qualidade da educação e sua rentabilidade.

Sendo assim, seus objetivos estão diretamente relacionados à otimização da gestão. Procura orientar de forma mais embasada a tomada de decisão dos coordenadores da cada instituição, melhorando seus processos e resultados de uma forma holística.

Banner de divulgação do ebook gratuito "Avaliação de gestão de acervo: como funciona, órgãos responsáveis e como alcançar uma boa nota". Link para download: https://materiais.saraivaeducacao.com.br/lp-ebook-tofu-avaliacao-gestao-acervo?utm_source=blog-saraiva-educacao&utm_medium=banner-artigo&utm_campaign=material-rico

Como elaborar o Plano de Desenvolvimento Institucional? 

Vamos apresentar, neste tópico, informações para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional. A partir delas, você conseguirá tomar os primeiros passos para redigir o documento de sua instituição.

Apesar de haver na legislação brasileira algumas diretrizes para elaborar o PDI, ela não apresenta uma metodologia específica para fazê-lo. Só o que há nessas normas são os elementos que devem constar no documento.

Vamos abordar todos esses elementos obrigatórios no presente tópico. No entanto, vamos dar logo abaixo uma dica útil para direcionar melhor seus esforços.

Existem algumas iniciativas tomadas para auxiliar as IES na redação de seu PDI. Temos, por exemplo, o ForPDI, uma plataforma aberta para gestão e acompanhamento dos Planos de Desenvolvimento Institucional, para universidades federais e outras instituições públicas.

O ForPDI elaborou, em 2017, este Guia de Conhecimento sobre o PDI, em parceria com diversas IES, órgãos públicos e outros colaboradores. É um verdadeiro manual que apresenta métodos para elaboração do plano.

Apesar de ter sido escrito especificamente para instituições públicas, o conteúdo deste guia é útil para qualquer IES, independente de sua natureza. Ele apresenta, inclusive, ferramentas típicas do contexto empresarial que podem ser aplicadas no PDI (como Planejamento Estratégico Situacional, Balanced Scoredcard, análise SWOT, dentre outras).

Recomendamos a leitura deste documento, para melhorar ainda mais os resultados de sua IES. A seguir, vamos abordar os principais tópicos para elaborar o PDI.

1. Quem elabora o Plano de Desenvolvimento Institucional?

Nos termos do art. 6º da Resolução CNE/CES nº 10, de 2002, o PDI deve ser elaborado em conjunto pela instituição mantenedora e a instituição mantida

2. Por quanto tempo vale o PDI?

O Plano de Desenvolvimento Institucional vale por um período de 5 (cinco) anos, também de acordo com o art. 6º da Resolução CNE/CES n º10 de 2002. Ou seja, é um documento que deve ser reeditado de 5 em 5 anos, para que a IES consiga rever seu conteúdo conforme se desenvolve. 

3. Quais são os documentos que devem constar no PDI?

A Resolução CNE/CES nº 10, de 2002, estabelece o rol de documentos que devem ser contidos no Plano de Desenvolvimento Institucional, em seu art. 6º. Confira, abaixo, a relação desses documentos:

  1. plano de implantação e desenvolvimento de seus cursos superiores, de forma a assegurar o atendimento aos critérios e padrões de qualidade para o corpo docente. Deve prever inclusive eventuais substituições, infraestrutura geral e específica e organização didático-pedagógica, bem como a descrição dos projetos pedagógicos a serem implantados até sua plena integralização, considerando as diretrizes curriculares nacionais aprovadas pelo CNE e homologadas pelo Ministro de Estado da Educação;
  2. critérios e procedimentos editados pelo Ministério da Educação, reguladores da organização, supervisão e avaliação do ensino superior;
  3. descrição e cronograma do processo de expansão da instituição, em relação ao aumento de vagas, abertura de cursos superiores, ampliação das instalações físicas e, quando for o caso, abertura de cursos fora de sede;
  4. projeto de qualificação da instituição, contendo, pelo menos, a descrição dos procedimentos de autoavaliação institucional, bem como os de atendimento aos alunos, incluindo orientação administrativa, pedagógica e profissional, acesso aos laboratórios e bibliotecas e formas de participação dos professores e alunos nos órgãos colegiados responsáveis pela condução dos assuntos acadêmicos.

Leia também: 8 dicas para quem está preparando sua biblioteca para avaliação do MEC

O que é necessário para elaborar o Plano de Desenvolvimento Institucional?

Para elaborar o PDI, precisamos saber aquilo que este documento deve conter. Encontramos esses elementos no art. 21 do Decreto 9.235. 

O art. 21 estabelece um rol de disposições que devem estar previstas, de forma expressa, no Plano de Desenvolvimento Institucional.

Vamos analisar esse artigo e seus incisos na lista do próximo tópico, discriminando tudo aquilo que deve estar contido no plano. Com o objetivo de auxiliar no preparo de sua IES, inserimos links ao longo da lista de elementos.

Ao clicar nestes links, você será redirecionado a outros artigos de nosso blog, que desenvolvem com maior profundidade cada um dos tópicos. Dessa forma, você conseguirá montar um plano que esteja de acordo com as determinações legais.

O que o PDI deve conter?

  1. missão, objetivos e metas da instituição em sua área de atuação e seu histórico de implantação e desenvolvimento, se for o caso;
  2. projeto pedagógico da instituição, que conterá, entre outros, as políticas institucionais de ensino, pesquisa e extensão;
  3. cronograma de implantação e desenvolvimento da instituição e de cada um de seus cursos, com especificação das modalidades de oferta, da programação de abertura de cursos, do aumento de vagas, da ampliação das instalações físicas e, quando for o caso, da previsão de abertura de campus fora de sede e de polos de educação a distância;
  4. organização didático-pedagógica da instituição, com a indicação de número e natureza de cursos e respectivas vagas, unidades e campus para oferta de cursos presenciais, polos de educação a distância, articulação entre as modalidades presencial e a distância e incorporação de recursos tecnológicos;
  5. oferta de cursos e programas de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, quando for o caso;
  6. perfil do corpo docente e de tutores de educação a distância, com indicação dos requisitos de titulação, da experiência no magistério superior e da experiência profissional não acadêmica, dos critérios de seleção e contratação, da existência de plano de carreira, do regime de trabalho, dos procedimentos para substituição eventual dos professores do quadro e da incorporação de professores com comprovada experiência em áreas estratégicas vinculadas ao desenvolvimento nacional, à inovação e à competitividade, de modo a promover a articulação com o mercado de trabalho;
  7. organização administrativa da instituição e políticas de gestão, com identificação das formas de participação dos professores, tutores e estudantes nos órgãos colegiados responsáveis pela condução dos assuntos acadêmicos, dos procedimentos de autoavaliação institucional e de atendimento aos estudantes, das ações de transparência e divulgação de informações da instituição e das eventuais parcerias e compartilhamento de estruturas com outras instituições, demonstrada a capacidade de atendimento dos cursos a serem ofertados;
  8. projeto de acervo acadêmico em meio digital, com a utilização de método que garanta a integridade e a autenticidade de todas as informações contidas nos documentos originais;
  9. infraestrutura física e instalações acadêmicas, detalhando algumas especificações (vamos falar delas nos próximos tópicos);
  10. demonstrativo de capacidade e sustentabilidade financeiras;
  11. oferta de educação a distância, detalhando algumas especificações (que serão abordadas em seguida).

Agora, vamos falar em termos mais específicos dos itens 8 e 11 da lista acima — infraestrutura física e oferta de educação a distância — que devem conter alguns detalhes adicionais.

Infraestrutura física e instalações acadêmicas

Nos termos do art. 21, inciso IX do Decreto 9.235, o PDI deve especificar alguns pontos sobre a infraestrutura física e instalações acadêmicas da IES. Esses pontos dizem respeito à biblioteca da instituição e também aos seus laboratórios.

Em relação à biblioteca, devem ser detalhados:

  1. o acervo bibliográfico físico, virtual ou ambos, incluídos livros, periódicos acadêmicos e científicos, bases de dados e recursos multimídia; 
  2. as formas de atualização e expansão do acervo, identificada sua correlação pedagógica com os cursos e programas previstos; e
  3. espaço físico para estudos e horário de funcionamento, pessoal técnico-administrativo e serviços oferecidos.

Já em relação aos laboratórios, devem ser detalhados:

  • instalações, equipamentos e recursos tecnológicos existentes e a serem adquiridos, com a identificação de sua correlação pedagógica com os cursos e programas previstos e a descrição de inovações tecnológicas consideradas significativas.

Oferta de educação a distância

Em relação à eventual oferta de educação a distância, o Decreto 9.235 estabelece, no art. 21, inciso XI, que devem ser especificadas:

  1. sua abrangência geográfica;
  2. relação de polos de educação a distância previstos para a vigência do PDI;
  3. infraestrutura física, tecnológica e de pessoal projetada para a sede e para os polos de educação a distância, em consonância com os cursos a serem ofertados;
  4. descrição das metodologias e das tecnologias adotadas e sua correlação com os projetos pedagógicos dos cursos previstos; e
  5. previsão da capacidade de atendimento do público-alvo. 

Elementos necessários no caso de recredenciamento

Além de todos os elementos mencionados até agora, são necessários alguns outros quando a IES pretender se recredenciar como centro universitário ou universidade. É o que observamos do art. 21, parágrafo único do Decreto 9.235.

Nos artigos 16 e 17 desse mesmo decreto, são estabelecidos alguns requisitos para efetivar o recredenciamento institucional.

Portanto, o PDI deverá conter as formas previstas para atender a esses requisitos, “no tocante às políticas ou aos programas de extensão, de iniciação científica, tecnológica e de docência institucionalizados, conforme a organização acadêmica pleiteada pela instituição”.

Esperamos que este conteúdo sobre Plano de Desenvolvimento Institucional tenha sido útil no preparo de sua IES! Que tal prosseguir na leitura e conferir também: Saiba quais são os critérios analisados na avaliação de bibliotecas pelo MEC