Transferência de faculdade: por que você está perdendo alunos?

Pedidos de transferência de faculdade fazem parte da rotina das IES e constituem um direito do aluno previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Todavia, quando a porcentagem de migração aumenta muito, significa um problema de gestão a ser enfrentado com visão estratégica. 

As razões para um pedido de transferência são múltiplas e resultam tanto de questões pessoais quanto de fatores acadêmicos, administrativos e estruturais. Pensando nisso, neste post vamos ajudar você, gestor, a identificar motivos que levam à transferência de faculdade e propor algumas medidas empreendedoras para ampliar a permanência dos estudantes até a conclusão dos cursos em que estão matriculados. Acompanhe! 

Principais motivos para a transferência de faculdade 

De acordo com o MEC (1996), transferências de curso ou IES caracterizam-se como uma das formas de evasão na educação superior. Nesse sentido, a problemática da migração estudantil também deve ser discutida estrategicamente com todos os envolvidos na IES, desde as áreas acadêmica e administrativo-financeira até os representantes de alunos (LOBO, 2012). 

O MEC (1996) também afirma existirem três fatores básicos de evasão na educação superior, os quais coincidem com estudos de caso em IES privadas sobre solicitações de transferência. São eles: 

  • fatores internos às instituições (deficiências no projeto pedagógico e na qualidade do ensino, corpo docente desvalorizado e infraestrutura obsoleta para as atividades); 
  • fatores externos às instituições (concorrência no mercado, conjuntura econômica, dificuldade de atualização diante do cenário sociopolítico e tecnológico); 
  • fatores individuais dos estudantes (dificuldade de acompanhar os conteúdos, escolha precoce da carreira, desencanto com o curso escolhido, personalidade, dificuldades de adaptação à vida universitária, reprovações ou baixa frequência, desconhecimento da metodologia do curso, problemas financeiros, mobilidade). 

Falha na escolha do curso 

Na pesquisa “O valor do cliente como elemento de marketing para instituições de ensino superior” (FARIAS, GOMES e JÚNIOR, 2006), baseada em estudo de caso sobre transferências externas em uma IES privada de Fortaleza (CE), os autores observam que escolher equivocadamente o curso é um dos principais motivos para transferência. 

Corroboram esse equívoco um corpo docente desqualificado e sem grandes vínculos interpessoais com os alunos, falta de orientação vocacional, frustração com as expectativas do curso, metodologias de ensino defasadas e segunda opção de carreira. 

Dificuldades no aprendizado 

As dificuldades no aprendizado são relativas tanto ao resultado de uma educação básica deficiente quanto a questões de metodologia. Soma-se ainda a predominância de disciplinas teóricas no currículo, nos períodos iniciais, sem interação com a prática. Há, ainda, uma grade curricular inflexível ou desatualizada — fatores igualmente evidenciados por pesquisa sobre evasão do curso de Ciências Contábeis de uma IES mineira. 

Circunstâncias socioeconômicas 

Políticas de descontos desfavoráveis e valores altos nas mensalidades também podem resultar em pedidos de transferência, especialmente se os estudantes não tiverem renda robusta. Não raro, universitários necessitam trabalhar para custear os estudos, e os ajustes das mensalidades não acompanham os salariais. 

Somam-se, ainda, valores com materiais didáticos e de apoio, moradia, alimentação. E há acadêmicos que desistem de estudar na instituição por não terem condições de arcar com gastos de transporte, ou não terem tempo para as viagens rotineiras (KAFURI e RAMON, 1985). 

Incômodo com a infraestrutura 

Banheiros quebrados, salas de aula malcuidadas, laboratórios sem manutenção e com falta de insumos ou equipamentos para as atividades, biblioteca desatualizada são alguns dos grandes problemas sobre infraestrutura (MEC/ SESU, 1997). Sem uma infraestrutura impecável, a IES desmotiva os alunos, os professores e os funcionários e pode registrar ampla evasão estudantil, além prejudicar a avaliação institucional perante os indicadores do MEC. 

Atendimento ruim ou demasiadamente burocrático 

Um funcionário que trabalha insatisfeito certamente oferecerá atendimento de baixa qualidade. Especialmente no atual cenário, em que o comportamento do consumidor é imediatista, movido por ampla informação advinda do acesso irrestrito à internet, essa deve ser uma preocupação constante das IES. 

Por muito pouco, um estudante — independentemente do grau de independência financeira e idade — pode simplesmente migrar para outra instituição se sua experiência dentro da faculdade não for de alto nível. 

O que fazer diante dessa situação? 

Para aumentar as taxas de retenção de alunos, a IES precisa desenvolver estratégias de gestão que despertem no estudante o engajamento com a instituição, a fim de que ele enxergue na faculdade valores indispensáveis à sua formação pessoal e profissional. Para tanto, algumas atitudes são primordiais. Veja a seguir. 

Conhecimento das expectativas dos alunos 

É importante conhecer as expectativas dos alunos com relação à IES. Para isso, existem diversos métodos e tecnologias que permitem a compilação dos dados de interesse da instituição. 

Mensurados esses dados, é importante separar os estudantes por similaridade de perfis. Por exemplo: calouros, primeira graduação, formandos, segunda graduação. A partir de então, desenvolvem-se políticas de relacionamento voltadas a cada grupo, conforme suas necessidades e expectativas. 

Vale lembrar a importância de gerenciar esses dados permanentemente e criar um sistema de autoavaliação periódica. Para auxiliar os gestores, ferramentas de CRM são amplamente utilizadas. 

Construção de um relacionamento de respeito 

Para haver lealdade à IES, a cultura organizacional precisa construir uma relação de confiança, tanto do ponto de vista administrativo como, principalmente, acadêmico. Alguns fatores a considerar: 

  • educação no tratamento pessoal; 
  • facilidade de acesso aos funcionários e professores; 
  • atendimento personalizado; 
  • dinamismo e pontualidade nos prazos; 
  • transparência; 
  • comprometimento; 
  • ambiente escolar envolvente; 
  • diálogo aberto com estudantes. 

Políticas de desconto e bolsas de estudo 

Ações permanentes de descontos para pagamentos antecipados ou integrais, bem como oferecimento de descontos progressivos para alunos mais antigos são formas de fidelizar o público. 

Além disso, o estabelecimento de convênios com entidades e empresas para a concessão de descontos nas mensalidades pode aumentar retenção de alunos. 

Por fim, além dos programas de bolsa de estudo do governo (como o FIES e ProUni), a IES pode construir suas próprias políticas por meio de fundos sociais de incentivo ao estudo e parceria com entidades de concessão de crédito universitário. 

Relacionamento com inadimplentes 

Compreender o que leva à inadimplência é fundamental para uma gestão de cobranças eficaz. Primeiramente, faz-se necessário um conhecimento da situação socioeconômica dos estudantes e o perfil dos inadimplentes (efetivos e potenciais). De posse dessas informações, é necessário o estabelecimento de ações de relacionamentos humanizadas que permitam redirecionar esses alunos devedores à adimplência. 

Por fim, antever atrasos no pagamento é fundamental. Para tanto, mensagens personalizadas com lembretes do vencimento das parcelas pode ser uma saída interessante. Sistemas de comunicação automatizados facilitam esse trabalho de gestão. Podem ser utilizados diferentes dispositivos, como e-mail marketing, SMS, URA, WhatsApp etc. 

Investimento em tecnologia e infraestrutura 

Primeiramente, a infraestrutura da IES precisa estar em excelentes condições. Isso significa garantir manutenção constante de todas as instalações. Vale ressaltar que a estrutura deve ser adequada a um projeto pedagógico arrojado, a fim de favorecer a aplicação de novas metodologias de ensino e inovações tecnológicas para a educação. 

Do ponto de vista administrativo, a adoção de novos sistemas de informação desburocratiza processos e evita a lentidão de retornos dos alunos. 

Capacitação profissional para o corpo docente e funcionários 

Manter os corpos docente e administrativo atualizados é indispensável ao aumento do desempenho da IES. Para isso, a gestão estratégica precisa incluir ações de formação profissional continuada e incentivo ao estudo. Por exemplo: 

  • apresentação de feedbacks periódicos; 
  • investimento em treinamentos presenciais e a distância; 
  • coaching para lideranças; 
  • aprendizado por times para alinhamento de conceitos; 
  • criação de um mapa de desempenho do corpo docente; 
  • incentivo à produção científica e à pesquisa; 
  • incentivo ao ingresso de professores e funcionários em cursos de graduação ou programas de pós-graduação e mestrado; 
  • parcerias com consultorias educacionais para mentoria universitária. 

Embora a transferência de faculdade seja inerente a todas as IES, diferenciar a flutuação natural do número de alunos de um contexto acadêmico e empresarial desfavorável é importante para garantir maior retenção. Por esse motivo, o foco de qualquer gestão é promover a melhor experiência possível ao aluno para que ele crie laços afetivos com a instituição. 

Para saber mais sobre como melhorar a gestão de sua IES e garantir maior competitividade no mercado, assine nossa newsletter agora mesmo! 

Gestão de tempo: 3 dicas para docentes

Estamos vivendo um tempo em que o Google tomou o lugar da Barsa; os tablets e notebooks, dos cadernos e canetas; os E-books, dos livros físicos; e, muitas vezes, as videoaulas e metodologias ativas, das aulas convencionais. As salas de aula são invertidas, as aulas são online, o ambiente de aprendizagem é virtual

Em se tratando de docência, já é de se saber que são muitos os desafios: engajar os alunos, oferecer aulas dinâmicas e didáticas, estar em consonância com as inovações tecnológicas, oferecer conteúdo relevante e atualizado, e, por fim, o mais desafiador, gerir o tempo dentro e fora das quatro paredes da sala de aula para não ficar para trás nesse contexto de transformação socioeducacional. 

Tendo em vista, todas essas mudanças na educação, cada vez mais, as Instituições de Ensino Superior (IES) buscam profissionais que consigam acompanhar as transformações e se destacar com qualidade e organização frente aos desafios e as suas rotinas apertadas, para que sejam capazes de formar alunos aptos a serem profissionais competentes e, principalmente, para que contribuam com o aumento do conceito avaliativo do MEC, por meio da melhora no desempenho em avaliações como o ENADE, por exemplo. 

Parece impossível obter um desempenho excelente em todas as esferas, conseguindo, como Professor, equilibrar a profissão, vida privada, os estudos e o desenvolvimento pessoal. No entanto, vamos provar que é possível fazer com que todos os compromissos caibam nas 24 horas do dia, e que é possível ser um diferencial na docência com três dicas práticas.

1. Cuidado com os “ladrões de tempo”

Se o dia tem 24 horas para todo mundo, por que algumas pessoas conseguem exercer diversas atividades com alta produtividade e capacidade de execução, e você não? É simples! Você pode estar sendo “roubado” e nem se deu conta disso.  

O tempo é o único bem que, após perdido, não se pode recuperar. Por isso, é fundamental fazer a gestão do seu tempo: fique atento às principais situações que podem desvirtuá-lo, como o entretenimento, as redes sociais, as interrupções, e a falta de organização, de rotina e de disciplina.  

A internet e as redes sociais podem ser suas aliadas, se usados de maneira correta e temperada, pois, além do tempo de descanso e entretenimento também serem fundamentais, as tecnologias podem ser (e já estão sendo) grandes aliadas para alguns Professores para engajar os alunos, promover o seu networking, e se atualizar frente às transformações mundiais.  

Existem ferramentas de gestão de tempo online como o Monday, o Trello o WunderList, entre outras, que ajudam na organização de tarefas em rotinas lotadas de afazeres e compromissos. Essas ferramentas baseiam-se no método de “Kanban, surgido nos ambientes de produção industrial, e auxiliam no ajuste de fluxos. Invista nelas! 

Existem também, produtos e metodologias ativas de intervenções pedagógicas que podem auxiliar o Professor que se vê sobrecarregado frente à obrigação de elaborar atividades de aprendizagem, montar provas, simulados, trabalhos, avaliações diagnósticas e ainda ter que corrigir tudo isso depois. Esses serviços permitem que todo esse tempo que seria direcionado às atividades operacionais seja investido em estudos, aprofundamento prático e teórico, e desenvolvimento pessoal e profissional. 

2. Conheça as características de suas turmas 

Não adianta você estar totalmente organizado, ter uma rotina bem definida, seu tempo cronometrado e cada uma de suas atividades pessoais e microtarefas direcionadas, se você não estiver antenado às necessidades específicas de seus alunos! 

Isso, porque se você for capaz de discernir os pontos fortes e fracos deles, não desperdiçará o seu tempo investindo em temas, assuntos e detalhes que eles já dominam, nem deixando de investir em aspectos que ainda têm dificuldades, aspectos estes, basais para a construção do aprendizado sistemático e organizado de que eles precisam naquele momento.  

Dessa forma, você evita “surpresas” com dúvidas muito amplas durante as aulas (que podem fazer com que o tempo seja o maior inimigo de sua produtividade em sala de aula) e intervenções improdutivas, impedindo que o seu tempo dentro de sala de aula seja totalmente direcionado àquilo que é mais importante de se tratar.  

Algumas estão mais à frente do que as demais. Outras, entretanto, precisam de nivelamento e intervenções pedagógicas mais específicas, que podem ser aplicadas por meio de simulados diagnósticos e outras intervenções pedagógicas para se identificar a verdadeira necessidade daqueles alunos. 

Essa segunda dica é também um grande desafio, porque demanda relatórios e análises das classes, o que vai exigir de você atenção, observação e alguns testes diagnósticos. Certas classes se dão melhor com aulas mais expositivas primeiro e debates ao final, outras, com trabalhos coletivos e grupos de estudo, etc. 

É preciso ter proximidade com os discentes para atacar os problemas e aprimorar as qualidades, com vistas a desenvolver as suas competências e habilidades e alcançar os objetivos de aprendizagem necessários para o alcance do seu sucesso como futuros profissionais, e de seu sucesso como um Professor competente e eficaz em seu ensino e intervenções.  

3. Aproveite de maneira inteligente o seu tempo fora da sala de aula 

Para que um Professor ministre uma aula completa, bem elaborada, adequada com as realidades e necessidades pedagógicas de seus alunos, atual e didática, é, por óbvio, necessário que ele invista tempo nisso fora do tempo em que está em sala de aula, e não somente controle o tempo enquanto está lecionando.  

É necessário que haja, em reforço ao que já foi dito aqui, organização, planejamento e, principalmente, gestão inteligente de tempo. Principalmente quando se trata desse tempo que será gasto fora da sala de aula, porque é ele quem vai determinar a qualidade do ensino oferecido. 

Para que esse tipo de gestão aconteça, é preciso que o máximo de tarefas e microtarefas, em especial as mais operacionais, (como a elaboração, montagem, e correção de provas e trabalhos, a aferição dos níveis de participação e engajamento dos alunos, etc.) sejam auxiliadas por algum tipo de ferramenta, seja uma plataforma, um serviço de acompanhamento/consultoria, ou um produto, que te ajude a fazer aquilo que é necessário, mas que nem sempre você tem tempo de qualidade para fazer. 

É, dentre outras, por essa razão que essas ferramentas, em especial as que envolvem metodologias ativas, têm ganhado cada vez mais espaço nas IES, visto que proporcionam ao aluno um processo de aprendizagem emancipatório, construtivo e dinâmico, colocando-o como protagonista de seu próprio aprendizado, sem, todavia, deixar de lado a importância da intervenção pedagógica do Professor nesse processo de obtenção e desenvolvimento do conhecimento.  

Isso permite ao docente otimizar ao máximo o seu tempo e fazer aquilo que é essencial: investir em seu desenvolvimento pessoal, aprimorar os seus conhecimentos e habilidades, inteirar-se sobre as novas ferramentas de tecnologia educacional, engajar os alunos, conhecer as suas turmas, utilizar os dados advindos dos diagnósticos que precisar aplicar e manter-se apto a alcançar o auge de todo o seu potencial profissional. 

Como fazer um bom plano de aula?

Em qualquer atividade que fazemos, para que atinjamos o objetivo, é extremamente importante que realizemos um planejamento. Isso nos ajuda a prever possíveis falhas, a lidar com os imprevistos que porventura possam aparecer e a praticar a atividade com eficiência. Para o professor não é diferente. O sucesso da sua carreira como professor será atingido quando você conseguir colocar em prática aquilo que você se propõe a fazer em sala, ou seja, quando cumpre seu Plano de Aula. 

É comum observarmos professores insatisfeitos com o gerenciamento de tempo da sua aula. Terminar a aula antes do horário, dar muitas informações em um pequeno período ou, ainda, por ter gerado muitas dúvidas, ter que repetir o mesmo conteúdo na aula seguinte. Estes são alguns indícios de que sua aula não está sendo bem aproveitada. 

Então, como atender as necessidades das diferentes turmas ou mesmo de diferentes locais de trabalho, apresentar conteúdos de forma inovadora e atrativa para os alunos e ainda fazer com que o seu tempo lecionando em sala seja otimizado? 

O plano de aula é um importante aliado na busca por atingir esses objetivos. Ele fará com que o seu tempo dentro e fora de sala sejam otimizados, contribuindo para que você entenda o perfil do aluno, atenda aos objetivos da IES, consiga se organizar para estar em constante capacitação e, também, fazer o que se propõe em sala. 

Dicas para fazer um bom planejamento 

O maior desafio do professor, principalmente quando se tem mais de uma turma, é entender que nem sempre o Plano dado para uma turma funcionará bem com a outra. Além disso, metodologias que são muito produtivas com um público, podem não ser com o outro. Para identificar o quê usar e como usar em sala de aula, basta seguir os seguintes passos: 

Conheça o perfil do aluno 

O primeiro passo para a construção de um plano de aula é alinhar as expectativas dos seus alunos. Em outras palavras, é necessário saber o que eles esperam de você e da sua aula e analisar se isso condiz com o tipo de aula que você pretende dar. 

Para isso, é necessário conhecer o perfil do seu aluno: saber quem ele é, entender o seu estágio de desenvolvimento e o período em que eles se encontram, a familiaridade de cada um com o tema proposto, o percurso que percorreram até ali, entre outros. 

Defina o tema 

Após saber exatamente o que seus alunos esperam de você, é possível definir o tema da sua aula. É comum haver temas que se estendem para mais de uma aula. Tudo depende, como dissemos anteriormente, do perfil do seu aluno e da sua turma no geral.  

Dessa forma, é imprescindível que cada aula tenha um tema específico.  

Mesmo que, no fim do período de três dias, por exemplo, você pretenda que os alunos adquiram um conhecimento, o objetivo específico da primeira aula será diferente do da terceira. Os objetivos específicos serão gradativos e acumulativos para o objetivo final, mas são independentes entre si. 

Principais componentes de um plano de aula impecável

Um plano de aula eficiente contém os seguintes tópicos: duração, objetivos, conteúdo, metodologia, recursos e avaliação. 

Duração 

Para que você possa entender e delimitar o seu tema, é necessário que você tenha definido bem a duração que aquela aula terá. Isso influenciará diretamente no tanto de conteúdo que você passará naquele encontro, bem como ajudará a gerenciar o tempo que você deixará para cada um dos momentos da sua aula.  

Objetivos 

Também é necessário que você saiba o que exatamente você quer que os alunos aprendam. Ou seja, os objetivos da aula. 

Tente pensar até onde você pretende levar os seus alunos naquela aula. Não estamos falando aqui dos objetivos gerais do curso. Estes normalmente são definidos pela IES e é aquilo que você pretende concluir para que sua disciplina tenha sido bem-feita.  

Entretanto, para que tais objetivos sejam concluídos, serão necessárias várias aulas e em cada aula você deve ter também um objetivo.  É importante que o conhecimento seja gradativo. 

Por exemplo, se você é professora de português e pretende que os seus alunos aprendam a escrever bem, isso é um objetivo, mas um objetivo geral. Para atingi-lo, precisaremos destrinchar quais objetivos específicos nos levarão até esse objetivo geral. Então, na primeira aula, a professora de português pode apresentar os elementos coesivos que são ótimos aliados na construção do texto. Dessa forma, o objetivo dessa aula será “aprender os elementos coesivos”. O da segunda, “aplicar os elementos coesivos no texto”, e por aí vai. 

Os objetivos vêm com os verbos no infinitivo para indicar a ação que será aplicada naquela aula. Tendo definido esses pontos, procure repassar o conteúdo em questão. 

Conteúdo 

Agora que já você já definiu qual o seu público e já sabe o que pretende que ele aprenda, você precisa, agora, atentar-se ao que será passado. Para isso, se você tem dificuldade em saber por onde começar, você pode procurar o auxílio de outros profissionais da área a fim de obter trocas de experiências. Outra sugestão é se basear em aulas já dadas e tentar encontrar os pontos que foram proveitosos da sua aula ou identificar outros que precisam melhorar. 

Metodologia 

Na metodologia, procure pensar qual abordagem (tradicional, sociocultural, humanista, entre outras) você usará na sua aula para aplicar aquele conteúdo. Será uma aula expositiva? Haverá discussão em grupo? Você vai usar recursos audiovisuais?  

Não deixe de considerar a adição de atividades online, uma vez que você pode contar com o auxílio de plataforma digitais, de e-mails e até mesmo do celular. 

Dica: use o seu plano de aula para permitir que você tenha flexibilidade. Não pense em algo rígido, mas sim em um norteador das suas tarefas em sala. 

Material – recursos didáticos 

A metodologia te dirá quais materiais ou recursos didáticos serão necessários para aquela aula. Isso é extremamente importante, pois te ajudará a saber o que você vai precisar antes e durante a sua aula.  

Caso você precise, por exemplo, imprimir alguma folha, ou reservar o laboratório de informática, ou, ainda, solicitar o uso de celular, deixe indicado no seu plano de aula. Isso te fará lembrar do que fazer e consequentemente te fará ganhar tempo de aula. 

Deixe indicado, também, a bibliografia necessária para o encontro, bem como onde encontrá-la. Isso serve como lembrete a fim de que você não se esqueça de levar para o encontro os seus livros, tablet ou notebook, ou mesmo evitar de levá-los desnecessariamente.  

Avaliação 

Por fim, não se esqueça de reservar um tempo para a avaliação da turma. Não precisa, necessariamente, ser algo formal, para que os alunos escrevam ou entreguem. Apenas algumas perguntas ao fim da aula já garantem a retomada de tudo ensinado naquele dia e pode te dar o retorno tanto sobre o que os alunos de fato aprenderam quanto para o ponto de retomada da próxima aula. 

Dica: sempre que o tema da aula se estender, procure reservar um pequeno período no início da aula subsequente, para a recapitulação do conteúdo dado na aula anterior. Isso garante que o fio condutor entre as aulas não se perca e que aquela aula em questão não fique desconexa.  

Seguindo esses passos para a montagem de um plano de aula, você verá a sua rotina aliviada e suas aulas melhor aproveitadas.  

Como melhorar a gestão financeira da sua instituição de ensino?

Um dos principais objetivos de uma IES é diferenciar-se no mercado através de qualidade e desenvolvimento de seus alunos. A gestão eficiente da área acadêmica e da infraestrutura é essencial neste processo, mas não se pode descuidar da gestão financeira. 

A falta de planejamento frente a oscilações de demanda, inadimplência ou aplicação ineficiente dos eventuais excedentes de caixa pode gerar problemas na operação da IES, afetando a qualidade entregue aos discentes. 

Confira os tópicos a seguir para conhecer estratégias que você pode colocar em prática e indicadores de desempenho que auxiliam na gestão financeira. 

Profissionalize a gestão financeira 

A gestão profissional é tradicionalmente apontada como responsável por ganhos efetivos nos processos decisórios de empresas, sejam eles complexos ou não (FAMA e JENSEN, 1983). Em instituições de ensino superior, especialmente as de menor porte, é comum que diretores administrem sozinhos as questões financeiras, ainda que precisem lidar com inúmeras responsabilidades diárias na IES. 

A separação entre a gestão acadêmica e administrativa permite, dentre outros benefícios, que alguém analise os indicadores financeiros de forma consistente e direcione o trabalho da equipe auxiliar. Se automatizadas tarefas rotineiras, a análise de dados pode ainda direcionar estratégias da instituição e propiciar inteligência estratégica acerca de captação de alunos, evasão e projeções de resultados. 

Assim, é aconselhável investir em tecnologias desenhadas para tais instituições, pois elas possuem recursos específicos voltados ao ramo de educação. 

Tenha um plano de ação contra a inadimplência 

As taxas de inadimplência no Ensino Superior, no Brasil, em 2017, foram superiores às de demais setores da economia, de acordo com a Pesquisa de Inadimplência realizada pelo SEMESP e divulgada em 2018. Para Machado (2009), a falta de profissionalismo e informalidade nos processos de cobrança são os maiores propulsores da inadimplência das IES, juntamente aos efeitos da legislação – que por vezes é severa com as instituições de ensino ao proteger fortemente os direitos dos alunos. 

De forma preventiva, a instituição pode realizar ações para evitar a inadimplência, como: 

  • descontos para pagamentos adiantados; 
  • concessão de benefícios para alunos com pagamentos em dia; 
  • possibilidade de pagamento através de cartão de crédito; 
  • intermediação de fiadores para alunos mais novos ou com baixa classificação de crédito. 

Para reduzir o número de pendências financeiras, uma estratégia de negociação que considere o perfil dos alunos, aliada a cobranças online nos dias seguintes ao vencimento da mensalidade também pode auxiliar o setor. 

Calcule corretamente o custo por aluno 

Para oferecer um produto ou serviço, é importante que sua precificação envolva uma análise detalhada de despesas e fatores críticos. Outros fatores, além do custo de corpo docente, podem ser considerados: 

  • custo individual projetado para manutenção da infraestrutura; 
  • despesas com inovações e melhorias no ensino; 
  • trabalho gerado aos setores administrativos; 
  • despesas com possíveis prestadores de serviços da instituição. 

As mensalidades, que são a principal fonte de receita das IES, precisam equilibrar demanda, custos e qualidade percebida pelos alunos. 

Faça orçamentos anuais prévios 

O planejamento orçamentário é uma ferramenta relevante que pode auxiliar diretores a planejar despesas, levando em consideração a continuidade das atividades e o investimento necessário em inovação. Caso haja necessidade de captação de recursos, a diretoria da IES pode planejar antecipadamente de que forma irá recorrer a financiamento, obtendo melhores taxas e garantindo a continuidade das operações. 

Dica: para planejar estratégias de captação e expansão de cada curso, é importante analisar os dados disponibilizados pelo Inep.

Mantenha um fluxo de caixa projetado 

Apesar de não ser algo exato, boas projeções podem nortear a tomada de decisão e oferecer cenários hipotéticos – positivos, negativos e neutros – para subsidiar planos de ação na ocorrência de cada um deles. 

Estabeleça e acompanhe indicadores financeiros 

Indicativos sobre a saúde financeira da IES são essenciais para medir seu desempenho e oferecer diretrizes para ações de outras áreas. Veja, a seguir, três importantes indicadores financeiros para sua instituição de ensino, além do índice de inadimplência e custo por aluno: 

Relação entre despesas e receitas por curso 

Além do custo por aluno, pode-se avaliar as despesas gerais de cada curso em relação ao faturamento total. Caso o indicador demonstre que algum curso não colabora com os custos gerais da instituição, o gestor acadêmico pode avaliar se ele, estrategicamente, faz sentido, e de que forma outros cursos podem compensar seu déficit. Isso é bastante comum em instituições que possuem cursos stricto sensu: apesar de muitas vezes eles serem deficitários, possuem valor estratégico, agregando publicações científicas e conhecimento acadêmico relevante. 

Lifetime Value (LTV) 

Lifetime revela qual é o período médio de relação entre os alunos e a IES e qual é a receita gerada, em média, por matrícula. Ele é uma ferramenta de gestão financeira e acadêmica, pois um LTV baixo pode ser resultado da insatisfação com métodos de ensino, por exemplo. 

Como a duração dos cursos costuma ser de poucos anos, o ideal é que o indicador mostre um lifetime alto. Portanto, caso ele esteja baixo e/ou diminua com o tempo — devido à evasão —, é preciso entender os motivos pelos quais isso ocorre. 

Ticket médio 

Saber quanto, em média, cada aluno gera de faturamento mensalmente à IES é fundamental para entender se os custos por aluno e por curso estão adequados à realidade da instituição.

E então, depois de ler sobre o assunto, como você considera a situação e a gestão financeira da sua instituição? Acompanhe o blog da Saraiva Educação. Semanalmente publicamos conteúdos com dicas de gestão para IES.

Gestão de cobranças: como lidar com a inadimplência em IES?

O elevado número de alunos com mensalidades atrasadas tem preocupado o setor educacional. Menos dinheiro em caixa gera desequilíbrio nas previsões orçamentárias, dificuldade em honrar compromissos financeiros e pode levar as instituições até mesmo à quebra, se essa situação não for controlada. 

Como manter a inadimplência na instituição de ensino superior num nível baixo? Que decisões precisam ser tomadas para uma gestão de cobranças eficiente? 

Um dos principais vilões para o aumento do calote nas mensalidades continua sendo a crise econômica e o desemprego. Estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), de abril de 2019, sobre o perfil dos inadimplentes em geral no país revelou que aproximadamente 62,6 milhões de pessoas estão endividadas, sendo que mais da metade dos inadimplentes estão na faixa entre 30 e 39 anos. 

De acordo com o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), 8,93% das mensalidades em 2017 tiveram mais de 90 dias de atrasado no pagamento. O setor de educação superior privada permanece o mais afetado, estando acima da inadimplência total das pessoas físicas, que registrou 5,25% no mesmo período. 

Outro agravante foi o fato de o Governo Federal ter imposto restrições ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). O modelo aplicado até abril de 2019 registrou a marca de 500 mil estudantes inadimplentes, com ônus bilionário exclusivo do governo. Em 2018, o número de alunos matriculados em cursos superiores por meio das linhas de crédito do FIES despencou: apenas 80,3 mil das 310 vagas foram preenchidas, o equivalente a 26% da meta. Ou seja, muito mais gente sem financiamento tendo que custear pelo menos parte da mensalidade. 

Mas esse cenário não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde as universidades não costumam ser gratuitas, nem mesmo as públicas, a dívida estudantil chegou a US$ 1,6 trilhão de dólares em 2019. O Banco Central Americano (Federal Reserve) afirma que esse montante é devido por mais de  40 milhões de pessoas. 

Novas regras do FIES 

Um dos objetivos das novas regras do FIES, que entraram em vigor em 2018, é reduzir a inadimplência e garantir coparticipação das IES no aporte dos recursos financeiros. O fundo de financiamento foi estruturado em três modalidades (FIES 1, 2 e 3). Entenda como vai funcionar a seguir. 

Fies 1 

  • sucede o modelo atual; 
  • destinado a estudantes com até três salários-mínimos de renda familiar per capita
  • taxa de juros real zero; 
  • os pagamentos deverão começar a ser feitos assim que o aluno se formar. Fim da carência de 18 meses; 
  • as IES são responsáveis por manter obrigatoriamente um fundo garantidor, com aportes proporcionais à sua taxa de inadimplência. A União poderá depositar até R$ 3 bilhões nesse fundo. 

Fies 2 

  • nova modalidade; 
  • exclusivo para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a fim de reduzir a desigualdade; 
  • para estudantes com até cinco salários-mínimos de renda familiar de per capita
  • os recursos são provenientes de bancos regionais e de fundos constitucionais de financiamento dessas regiões — os contratos são gerenciados por esses bancos; 
  • taxas de juros utilizadas para empréstimos dos fundos regionais. 

Fies 3 

  • nova modalidade; 
  • para estudantes com até cinco salários-mínimos de renda familiar de per capita
  • recursos disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — os contratos são gerenciados por bancos privados; 
  • abrange o país todo. 

Prouni 2019 

Estima-se que o Programa Universidade para Todos (Prouni) 2019 siga sem grandes alterações em relação ao ano anterior. 

O Prouni dá bolsas de estudos integrais ou parciais de 50% em IES privadas. É exclusivo para quem não tem diploma de nível superior. Os valores são destinados a famílias com rendas entre um e três salários-mínimos por integrante. 

Outras linhas de crédito estudantil 

Além das linhas de crédito governamentais, existe o crédito universitário privado, concedido normalmente por bancos e empresas especializadas. Funciona como um empréstimo. 

As taxas são mais altas que no FIES, por exemplo, mas a vantagem é que englobam cursos a distância e pós-graduação. O tipo de curso financiado depende dos critérios de parceria entre a empresa de crédito e a IES. 

Gestão de adimplência eficiente 

As mensalidades estão entre as principais fontes de recursos financeiros das IES particulares, tornando-se fator determinante à sua sobrevivência. Isso gera alta competitividade entre as instituições, e é necessária grande quantidade de alunos matriculados — adimplentes — para evitar problemas financeiros. 

Por essa razão, a gestão global da IES deve estar empenhada em gerar uma sensação de pertencimento em toda a comunidade estudantil, incutindo tal cultura organizacional nos seus corpos docente e administrativo. 

É preciso que a universidade constantemente reforce seus valores, de maneira a conquistar aluno e torná-lo importante para a universidade, de maneira que o índice de confiança na instituição se eleve. 

Soma-se a isso um modelo de gestão estratégica de adimplência que compreenda a situação dos alunos inadimplentes e possibilite meios de esses estudantes se manterem em seus objetivos educacionais. Por consequência a evasão escolar é evitada. 

Realizar uma gestão estratégica dos processos de cobrança garante maior dinamismo e gera velocidade nos resultados para a instituição. Trata-se de um modelo de atuação preventiva com ações permanentes de relacionamento que cuidam tanto dos alunos inadimplentes, para que quitem seus débitos, como também os adimplentes, a fim de que não contraiam pendências financeiras. 

Para tanto, uma rede de ações administrativas e comunicacionais integradas deve ser estabelecida, com o auxílio de recursos humanos e tecnológicos. Destacam-se as seguintes: 

  • CRM (Costumer Relationship Management) para o acompanhamento de resultados e visão global de todo o processo; 
  • marketing direto com mensagens personalizadas em diferentes dispositivos (e-mail marketing, SMS, URA e WhatsApp); 
  • multimeios de comunicação; 
  • call center humanizado. 

Dicas para reduzir a inadimplência 

Além das inúmeras questões pessoais e socioeconômicas que levam à inadimplência, também é comum serem encontrados problemas administrativos nos setores financeiros das IES. Listamos aqui boas práticas que podem contribuir para melhor fluxo de caixa. Confira: 

Facilite o recebimento da mensalidade 

Possibilite que o aluno pague as parcelas por diferentes canais. Boletos aceitos em todos os bancos, pagamento na própria instituição, envio do código de pagamento via SMS são alternativas. 

Crie programas de descontos para pagamento adiantado ou integral 

Estipule diferentes datas de vencimento para o pagamento. Quanto mais cedo o aluno pagar a mensalidade, maior será o desconto. Estabeleça preços especiais para quem quiser pagar o valor integral do período cursado. 

Utilize diferentes canais para avisar do vencimento 

Use os recursos tecnológicos e dispositivos possíveis para avisar da data de vencimento da mensalidade (SMS, e-mail, WhatsApp, por exemplo). 

Renegocie dívidas 

Ofereça opções de negociação das mensalidades pendentes. Antes de realizar protesto, dê opções de pagamento dos valores atrasados. Parcelamento das parcelas, com assinatura de confissão da dívida são opções para reduzir a resistência ao pagamento. 

Gere boletos automaticamente 

Se o pagamento está atrasado, e o aluno precisa do boleto, gere-o de forma automática, já com juros e multas calculados. Utilize canais para informar que o novo boleto foi gerado. 

Separe os alunos em grupos 

Conheça o perfil socioeconômico dos alunos. Assim, é possível identificar quem paga as mensalidades sozinho ou depende dos pais e, ainda, os alunos que atrasam constantemente ou esporadicamente, entre outros perfis. 

Utilize meios legais para evitar o prolongamento da dívida 

Em último caso, inclua o nome do inadimplente no SPC ou Serasa. Às vezes, basta o aviso de negativação do nome para que o aluno pague o que deve. Além disso, esteja atento às leis que protegem as IES de manter alunos inadimplentes estudando na instituição. 

Para evitar que o fluxo de caixa da sua instituição fique em desequilíbrio por conta de mensalidades em atraso, entenda um pouco mais sobre gestão de cobranças e inadimplência na instituição de ensino superior conhecendo estratégias de gestão acadêmica para melhorar seus resultados financeiros.