Taxonomia de Bloom: fotografai de um grupo de estudantes sentados em uma mesa e conversando.

O que é e como aplicar as estratégias da Taxonomia de Bloom no ensino superior?

Com o avanço da tecnologia e das pesquisas no campo educacional, ficou mais fácil perceber que o processo de ensino-aprendizagem não é igual para todos os estudantes, tampouco se dá de maneira linear. Por isso, é necessário buscar ferramentas e estratégias que permitam uma educação mais estruturada e clara e que otimizem o trabalho de alunos e professores.

Uma dessas estratégias é a Taxonomia de Bloom. Embora tenha sido pensada para uma aplicação nos ensinos fundamental e médio, ela apresenta uma organização que pode auxiliar também o ensino superior e servir como base para metodologias ativas. Neste artigo, falaremos mais sobre essa estratégia e te ensinaremos a aplicá-la na sua IES.

O que é a Taxonomia de Bloom?

A Taxonomia de Bloom, também conhecida como taxonomia dos objetivos educacionais, é uma estratégia educacional definida por uma hierarquia de objetivos para o ensino e o aprendizado. Foi desenvolvida nos anos 1950 pelo psicólogo e educador Benjamin Bloom, com auxílio de pesquisadores de múltiplas universidades norte-americanas.

A hierarquia previa a divisão dos objetivos de aprendizado em três domínios: cognitivo, afetivo e psicomotor, sendo o cognitivo o principal e mais trabalhado deles. Em cada um desses domínios, os objetivos educacionais eram classificados por uma pirâmide que previa diferentes níveis de aprendizado. 

Dessa forma, o princípio norteador era que o aluno percorresse as diferentes fases dessas pirâmides, completando ciclos de aprendizado. Para passar para o nível seguinte, portanto, o estudante deveria dominar o nível em que se encontrava, e assim sucessivamente, garantindo uma educação mais consistente.

Em 2001, em decorrência das mudanças em relação às metodologias de ensino na educação, a Taxonomia dos Objetivos Educacionais foi modificada pela primeira vez. Essa revisão deixou a taxonomia mais prática ao substituir substantivos por verbos no domínio cognitivo, e mais completa ao incluir a dimensão do conhecimento. Esses assuntos serão desenvolvidos em mais detalhes no decorrer do texto. 

Já em 2009, a Taxonomia de Bloom recebeu novas mudanças para ser aplicada de forma digital. Foi percebida aqui a importância e o aumento do ensino a distância, além de aproveitar de suas tecnologias para aprimorar ainda mais o processo de construção do conhecimento.

Leia também: Conheça 8 metodologias de ensino inovadoras para sua IES

Para que serve a Taxonomia de Bloom?

O principal objetivo da Taxonomia de Bloom é o desenvolvimento de uma formação mais completa para os alunos, em que eles possuem um papel ativo no próprio aprendizado. Por meio da valorização de outras esferas do conhecimento, além da acadêmica, a divisão em domínios propicia diferentes oportunidades educacionais.

Nesse contexto, os educadores adquirem uma visão mais completa de seus estudantes, baseada na psicologia e na individualidade desses indivíduos. Idealmente, segundo a teoria de Bloom, os alunos se tornariam capazes não só de compreender conceitos, mas também interpretá-los e solucionar problemas.

Com o avanço do diálogo sobre metodologias ativas no ensino superior, coordenadores e educadores buscam incluir em suas propostas pedagógicas estratégias que visam humanizar e ampliar o acesso dos alunos a diferentes formas de conhecimento, seja ele acadêmico, social ou pessoal. A Taxonomia de Bloom contribui para esse objetivo, fornecendo as ferramentas necessárias ao corpo docente.

A Taxonomia de Bloom, quando aplicada com base em necessidades contemporâneas na educação, é uma forma de priorizar estratégias educacionais cientificamente comprovadas para que os alunos tenham contato mais profundo com o conteúdo.

Também é um fator determinante na construção de planos de aula. Espera-se que, antes de trazer novos conteúdos, o aluno saiba reconhecer, analisar, aplicar e avaliar a informação anterior.

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Qual é a estrutura da Taxonomia de Bloom?

O conceito desenvolvido por especialistas é baseado na ideia de uma pirâmide, ou seja, em cada domínio de conhecimento há diferentes níveis de compreensão e interação com o conteúdo educacional.

Originalmente, a taxonomia de Bloom compreendeu três domínios diferentes: domínio cognitivo, domínio afetivo e domínio psicomotor. Eles se completam em relação a uma formação mais dinâmica, mas as estratégias de compreensão de cada um são diferentes.

No domínio cognitivo estão as etapas de aprendizado de conteúdo do aluno. Ele visa organizar os objetivos educacionais e é dividido em seis níveis diferentes, aqui representados da base para o topo:

  • Conhecimento: o aluno pode reconhecer ou lembrar de conteúdos previamente discutidos, tais como dados, fatos, regras, critérios e classificações. Nesse nível, ele não precisa entender o que esses conteúdos significam.
  • Compreensão: diz respeito à habilidade de interpretar, relacionar, comparar e organizar fatos e pensamentos trabalhados em sala de aula
  • Aplicação: nesse nível, o aluno coloca em prática o conhecimento adquirido, como na resolução de problemas e na utilização dessas informações em outros contextos.
  • Análise: faz referência à habilidade de processar e examinar informações em partes, criando relações entre elas. Além disso, esse nível foca em saber interpretar evidências, motivos e causas, criando uma base que justifique afirmações genéricas.
  • Síntese: é o momento em que o estudante pode categorizar, modificar e relacionar informações diversas em torno de um mesmo conhecimento. É nesse nível que ele aprende a juntar partes para formar um todo.
  • Avaliação: capacidade de exprimir julgamento, ter opiniões, questionar, ter critérios para analisar as informações recebidas.

Já no domínio afetivo, o objetivo educacional é conferir ao estudante habilidades socioemocionais necessárias para sua formação. É aqui que ele aprende a interagir, em um nível individual, com a informação recebida. Os seus estágios são:

  • Recepção: em primeiro lugar, o aluno adquire consciência de suas emoções e ações.
  • Resposta: então, o aluno passa a ter papel ativo na aprendizagem, respondendo aos estímulos feitos pelo professor ou por colegas.
  • Avaliação: neste estágio, o aluno tem a habilidade de atribuir valor às informações e acontecimentos. Este nível representa um comportamento mais consciente e internalizado.
  • Organização: com todos os níveis anteriores completos, esta é a fase da pirâmide em que o aluno pode comparar e relacionar as informações, priorizando aquelas que considera mais importantes.
  • Caracterização: por fim, o aluno se torna consciente de que o aprendizado de determinada informação faz parte de quem ele é. Aqui, suas características pessoais passam a ser mais nítidas. Além disso, são construídas crenças que influenciam o seu comportamento.

 O terceiro domínio é o psicomotor, que abrange a parte física e sensorial do aprendizado. Ele se constituiu como uma peça relevante para educadores e alunos por compreender as mudanças de comportamento frente ao conteúdo. É dividido em cinco estágios:

  • Percepção: em primeiro lugar, o aluno utiliza os sentidos para perceber o mundo exterior.
  • Predisposição: depois, ele desenvolve a habilidade de se preparar física, mental e emocionalmente para absorver a informação, demonstrando que está pronto para fazer o que foi proposto.
  • Resposta guiada: aqui, o aluno é instruído pelos educadores a completar tarefas e absorver as informações. Suas respostas a perguntas são, portanto, guiadas.
  • Resposta mecânica: agora, as instruções não são mais necessárias e o aluno consegue formular respostas automáticas ao estímulo.
  • Resposta completa e clara: no topo da pirâmide está a habilidade de realizar as ações completa e individualmente. Conseguem, desse modo, dar respostas claras sem nenhum tipo de ajuda.

Como a Taxonomia de Bloom foi adaptada para o séc. XXI?

Em 2001, algumas diretrizes da proposta original, feita em 1956, foram revisadas por psicólogos cognitivos e especialistas em educação. Eles trabalharam em um modelo mais contemporâneo da estratégia. Nessa versão, a Taxonomia se torna menos estática. 

Além disso, o domínio cognitivo é totalmente reformulado. No lugar de substantivos, entram os verbos, que sinalizam cada estágio de aprendizado. Assim, a lista oficial (novamente, da base para o topo) desse domínio passa a ser a seguinte:

  • Lembrar: em um primeiro momento, o aluno pode memorizar e repetir conceitos.
  • Entender: em seguida, é possível explicar e comparar ideias.
  • Aplicar: aqui, entra a aplicação de conceitos na resolução de problemas.
  • Analisar: depois, o aluno pode conectar ideias, levantar hipóteses e conduzir experimentos.
  • Sintetizar: com o conhecimento adquirido, o aluno tem habilidade de justificar e avaliar pontos de vista relacionados.
  • Criar: por fim, o estudante adquire a habilidade de formular e trazer novas ideias para a discussão.

Entretanto, essas não foram as únicas mudanças observadas na Taxonomia de Bloom original. A sua estrutura também se transformou: antes, ela era formada por apenas uma dimensão, chamada de “dimensão do conhecimento”. Essa dimensão dizia respeito ao tipo de conhecimento a ser aprendido pelo aluno e é dividida em quatro níveis:

  • Conhecimento factual: diz respeito ao conhecimento de terminologias e detalhes específicos de um determinado conteúdo.
  • Conhecimento conceitual: faz referência ao conhecimento de classificação, princípios e generalizações, além de teorias e modelos gerais de um conteúdo.
  • Conhecimento procedural: que se relaciona ao conhecimento de habilidades específicas de uma disciplina, além de suas técnicas e modos.
  • Conhecimento metacognitivo: que se refere a um conhecimento estratégico acerca de um conteúdo, além do autoconhecimento.

Com as alterações feitas em 2001, no entanto, surge uma segunda dimensão, que identifica o processo cognitivo, isto é, o modo como os alunos aprendem. Assim, os professores visam responder três perguntas principais: “o que aprender?” (dimensão do conhecimento) e “como e para quê aprender?” (dimensão cognitiva).

O que é a Taxonomia Digital de Bloom?

A educação segue sempre em constantes mudanças. Novas metodologias estão surgindo, e, com a internet, isso tem ficado cada vez mais comum. Logo, a Taxonomia de Bloom também se reinventou.

O Ensino Superior a Distância (EaD) já se tornou, em 2019, a modalidade de ensino com o maior número de estudantes nas universidades. Para além disso, a Portaria nº 2.117, de 6 de dezembro de 2019, permitiu que as instituições de educação superior (IES) ofertassem até 40% da carga horária de seus cursos presenciais na modalidade EaD, fortalecendo, assim, o ensino híbrido nas graduações.

Com todas essas modificações no ensino ocorrendo de forma tão rápida, o educador Andrew Churches, propôs, em 2009, a Taxonomia Digital de Bloom. Esse novo formato se utiliza dos avanços feitos pela revisão da Taxonomia de Bloom em 2001 e soma a eles o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação, que já vinham sendo aplicadas para aprimorar a sua forma online.

Com a inserção da internet na Taxonomia de Bloom, outros verbos precisaram ser adicionados para retratar essa nova realidade. Termos como twittar, upar, blogar e etc foram introduzidos para que cada nível do aprendizado pudesse ser expandido com o uso das inovações tecnológicas.

Vamos ver, agora, como essas inovações podem se inserir em cada nível do domínio cognitivo:

1º Nível — Lembrar

Nesse primeiro aspecto, o estudante deve se recordar de conhecimentos básicos e fundamentais e, aqui, a internet pode ter uma grande inserção.

A utilização de vídeos, jogos, animações e aplicativos que podem, por exemplo, trazer cards de conteúdo e jogos da memória, são ferramentas muito potentes para esse nível de aprendizagem. Aqui, termos como googlar, favoritar, marcar (bookmark, ou seja, grifar texto online), participar de redes sociais e pesquisar trazem muito sentido para a Taxonomia de Bloom.

2º Nível – Compreender

Neste momento, o aluno deve entender o conteúdo que foi visto. Para isso, o uso de recursos visuais são bastante recomendados no processo de afixar o conhecimento.

Podem ser usados aqui, por exemplo, gráficos, tabelas e demais imagens com fins educativos, além de questionários e avaliações online. Palavras como taguear (etiquetar), blogar e comentar são neste momento inseridas.

3º Nível – Aplicar

Neste ponto, o estudante, com o auxílio do professor, deve conseguir pôr em prática o que aprendeu. Jogos virtuais (gamificação), simulações e testes online são bons exemplos de recursos que ajudam o aluno a colocar o conhecimento adquirido em prática.

No terceiro nível, o estudante tem mais interação prática com a matéria, devendo ser instigado ao máximo a solucionar problemas reais com o que aprendeu nas aulas. Aqui trazemos verbos como jogar, compartilhar, desenhar, operar, roteirizar, editar, exibir, integrar, etc.

4º Nível – Analisar

Aqui, o aluno já possui um amplo domínio do conteúdo estudado. É o momento de interagir com outros estudantes e também com os professores para que se possa relacionar o que foi aprendido e formular um conhecimento mais aprofundado.

Os recursos chave aqui são aqueles que nos trazem interação, como, por exemplo, os próprios Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), os chats e os fóruns de discussão. Linkar, mapear, recombinar, embedar (utilizar embed, que significa incorporar conteúdo) e ilustrar são as novidades do nível da análise no meio digital.

5º Nível – Avaliar

Após ter adquirido conhecimento suficiente das etapas anteriores, chega a hora em que o aluno é capaz de avaliar o seu desempenho e o de seus colegas.

De forma ainda mais colaborativa, aqui os estudantes devem fazer bastante uso de chats e fóruns de discussão, buscando sempre construir um conhecimento coletivo e a protagonizarem cada vez mais o ensino. Articular, revisar, comentar em blog, revisar e moderar são as novas ações praticadas no penúltimo nível.

6º Nível – Criar

Com a junção de tudo que foi aprendido nos níveis anteriores, chegou o momento em que o aluno deve formular coisas novas. A criação de projetos deve ser feita aqui, aproveitando o conhecimento previamente adquirido e o uso das tecnologias no meio digital.

Editores de imagem, podcasts, editores e aplicativos de hospedagem de vídeos e etc são ótimas ferramentas que contribuem para que o conhecimento e a criatividade do estudante sejam postos em prática. Palavras como blogar, gravar, twittar, mixar, programar, upar, animar e filmar se inserem aqui, como possibilidades para o processo de criação do aluno.

Quais são as vantagens da Taxonomia de Bloom?

Agora que você já conhece essa estratégia de ensino mais profundamente, é hora de entender quais são as suas vantagens e por que você deve aplicá-la na sua IES. Por isso, separamos alguns dos pontos positivos:

1. Promove um aprendizado mais completo

A Taxonomia de Bloom, quando aplicada com base em necessidades contemporâneas na educação, é uma forma de priorizar essas estratégias educacionais cientificamente comprovadas para que os alunos tenham contato mais profundo com o conteúdo. 

Afinal, ao hierarquizá-lo, ela aumenta as chances de garantir que o processo de ensino-aprendizagem está se dando de maneira mais eficaz, já que os estudantes só chegam ao nível seguinte quando dominam aquele em que se encontram. 

2. Ajuda a planejar e definir objetivos de aprendizagem

Essa estratégia também é um fator determinante na construção de planos de aula. Essa é uma parte fundamental da organização docente, e a Taxonomia permite que os professores a realize de forma mais otimizada.

Uma vez que a Taxonomia de Bloom ajuda a definir as etapas pelas quais o aluno precisa passar, os educadores podem elaborar suas aulas de modo mais claro e objetivo. Assim, criam planos mais bem direcionados, otimizam o tempo de aula e conseguem aplicar todo o conteúdo.

3. Auxilia na escolha de ferramentas e estratégias pedagógicas

Com um plano de aula mais claro, é mais fácil para os professores determinar quais ferramentas e estratégias serão usadas em suas aulas. Essa escolha mais assertiva permite alcançar um objetivo educacional com mais facilidade, ter maior engajamento dos alunos e construir salas de aulas mais dinâmicas e funcionais.

4. Permite avaliar o aprendizado de forma contínua

Na Taxonomia de Bloom, espera-se que, antes de aprender novos conteúdos, o aluno saiba reconhecer, analisar, aplicar e avaliar a informação anterior. Diante dessa continuidade educacional, é possível identificar, a longo prazo, a evolução individual dos alunos. 

Com isso, os professores e coordenadores podem avaliar melhor como se deu o processo de ensino-aprendizagem, como ele pode melhorar e como os alunos estão respondendo a ele.

5. Estimula o desenvolvimento de diversas habilidades

Uma vez que é dinâmica, a Taxonomia de Bloom incentiva que os alunos desenvolvam uma série de habilidades. Estas serão úteis não apenas nos contextos acadêmicos, mas também fora da sala de aula, quando os estudantes estiverem lidando com o mundo real. Como exemplo, podemos citar o pensamento crítico, a resolução de problemas e a autonomia.

Como desenvolver a Taxonomia de Bloom na prática?

Como mostramos ao longo deste artigo, essa estratégia educacional apresenta grande valor para a proposta pedagógica no ensino superior. 

Considerando as demandas por uma formação multidisciplinar, os planos de aula nas IES devem contemplar não só o conteúdo de cada disciplina, mas a forma como ele é difundido. Desse modo, apresentaremos, a seguir, três formas de desenvolver a Taxonomia de Bloom no ensino superior:

1. Hierarquizando conteúdos para aprofundar a compreensão

O educador pode usar as divisões hierárquicas para determinar o nível de compreensão dos alunos, as dificuldades apresentadas e unir conhecimentos. Essas atividades podem ser feitas por meio de perguntas que incentivem os alunos a pesquisar e relacionar conceitos, trabalhos em grupo etc.

Em uma aula laboratorial, por exemplo, os alunos podem, primeiro, memorizar um conceito para, em seguida, levantar hipóteses, ter embasamento e emitir opiniões. Da mesma forma, aulas expositivas podem levar a seminários de alunos, após análise e síntese do tema. 

2. Associando a Taxonomia de Bloom às metodologias ativas

A Taxonomia de Bloom permite a aplicação de metodologias ativas específicas, como o Método PBL (que é composto pela Aprendizagem Baseada em Problemas e pela Aprendizagem Baseada em Projetos) e a Gamificação

O primeiro é focado na resolução de problemas, de modo que professor e alunos podem dividir um projeto em partes, compreendendo-as uma a uma, até que se chegue a uma noção geral.

Já a gamificação também é estruturada de maneira hierárquica. Por isso, o professor pode construir um conteúdo de maneira direcionada, começando com fases mais simples e tornando-as mais difíceis conforme a disciplina se desenvolve e aprofunda. 

3. Avaliando de maneira mais detalhada

Outro ponto central para o uso da Taxonomia de Bloom nas IES é o processo de avaliação: o educador pode, com base nela, compreender quais lacunas acontecem durante o percurso da pirâmide e, então, analisar os fatores afetivos e psicomotores que as causam. 

Por exemplo: um plano de aula teórico pode não contemplar as necessidades psicomotoras de todos os alunos. Da mesma forma, uma aula puramente prática pode interferir no domínio cognitivo de alguns estudantes. 

É importante ressaltar que o processo de avaliação não deve ser entendido com um fim em si. Ou seja, ele não deve ser aplicado apenas no final do semestre para aferir a quantidade da matéria que foi aprendida pelo aluno. 

As atividades avaliativas são um meio de compreender o que o estudante está retendo do conteúdo ensinado, quais didáticas e ferramentas funcionam melhor para cada nível do aprendizado e, também, quais são os melhores métodos para analisar, de forma mais próxima da realidade, se o aluno está desenvolvendo o conhecimento da disciplina em questão, de forma quantitativa e qualitativa. Por isso, é importante que sejam realizadas durante todo o percurso de aprendizagem do estudante, e não apenas no final.

A partir desse tipo de diagnóstico, podem ser implementadas mudanças, tomando como base, por exemplo, estratégias de ensino inovadoras, que auxiliem nas diferentes formas de compreensão, contemplem alunos com diversas aproximações do conteúdo e tornem a experiência pedagógica mais rica e os alunos mais responsáveis pelo próprio aprendizado.

As avaliações realizadas com a Taxonomia de Bloom também podem ser aplicadas de forma digital, seja na EaD ou nas matérias online do ensino presencial

Leia também: como ensino híbrido e metodologias ativas se relacionam?

E como elaborar conteúdos a partir da Taxonomia de Bloom?

Os domínios cognitivo, afetivo e psicomotor devem ser observados e contemplados no planejamento de todas as atividades, e, também, do plano de aula como um todo, assim como os objetivos específicos de cada nível devem ser respeitados e desenvolvidos em ordem hierárquica. Ao trazer um novo conteúdo, os professores devem se atentar ao verbo que deve ser trabalhado naquele momento, para que a Taxonomia de Bloom seja utilizada de forma correta, trazendo assim um processo educacional completo.

O plano de aula deve ser pensado com antecedência, observando sempre qual o objetivo educacional de cada etapa, determinado pela taxonomia, que será alcançado. No decorrer das aulas, é de extrema importância que o corpo docente vá avaliando de forma contínua os avanços no aprendizado individual e coletivo da turma, para que possa perceber qual o melhor momento de usar cada ferramenta. Essas metodologias de aula devem ser preparadas com base em três perguntas, sendo elas: 

1) “O quê?” – aborda aqui o conceito do que será desenvolvido na aula, delimitando o que o estudante deve saber nesse nível para chegar ao seguinte.

2) “Como?” – nesse ponto, o professor deve selecionar seu método, o processo que será utilizado para que o assunto seja passado para o aluno.

3) “Para quê?” – aqui é analisado o motivo pelo qual o estudante deve absorver o conhecimento em questão, sendo sempre importante relacionar o que é aprendido com outros assuntos e com o mundo real.

Leia também: saiba o que é, importância e como elaborar um plano de ensino superior

6 Dicas para aplicar a Taxonomia de Bloom

Agora que já sabemos mais sobre a Taxonomia de Bloom, veremos dicas centrais para que sua aplicação seja certeira! 

1. Focar no aluno

É de extrema importância sempre lembrar que a parte central da educação é o aluno. Na Taxonomia de Bloom, grande parte de seus métodos levam em consideração a individualização do estudante, afinal, o ensino depende do ritmo de aprendizagem dele.

Também se deve respeitar a autonomia e o protagonismo do estudante. Um ensino descentralizado da figura do professor é o modelo que mais vem crescendo em termos de metodologia do ensino, e, na EaD, sua aplicação tem se tornado indispensável.

2. Utilizar recursos online

A internet, e seus incontáveis recursos, são aliados importantíssimos da educação no século 21. Um bom uso das plataformas de aprendizagem facilita o processo de implementação da Taxonomia de Bloom nas aulas.

Ferramentas como fóruns de discussão, vídeos, testes online e gráficos, por exemplo, servem para melhorar a qualidade do ensino, assim como para realizar avaliações mais precisas do avanço dos estudantes.

3. Ser realista

É indispensável que o tempo do estudante seja respeitado, sem que o processo de aprendizagem seja atropelado pelo plano de ensino. Lembre-se que o estudante está no centro da aula, e que o seu desenvolvimento deve ser incentivado, e não forçado.

É importante, também, observar as atividades propostas para cada etapa da Taxonomia de Bloom. Recursos muito complexos – aplicados em atividades simples – podem dificultar, mais do que ajudar, no processo de aprendizagem.

4. Avaliar constantemente o processo educacional

As tecnologias aplicadas no ensino não servem apenas para avaliar os alunos, como também para avaliar os procedimentos usados durante as aulas. Compreender quais são as metodologias que funcionam em cada etapa e para cada um dos estudantes é uma tarefa contínua e central para que o ensino seja realmente de sucesso.

5. Manter objetivos claros

Se o aluno é o protagonista do ensino, é importante que ele entenda como e porquê sua educação se dará daquela forma. Deixar claro os objetivos de cada etapa para o aluno facilita com que eles sejam alcançados de forma satisfatória.

6. Respeitar a hierarquia da Taxonomia de Bloom

Lembre-se que a Taxonomia de Bloom é uma metodologia de ensino de eficácia comprovada, fruto do desenvolvimento de muitas pesquisas na área da educação. Entender e respeitar a ordem hierárquica dos níveis é necessário para que o modelo funcione.

Em diversos momentos, os próprios estudantes, de forma inconsciente, poderão alterar a ordem de cada objetivo no seu aprendizado. É indispensável que o professor esteja atento aos seis níveis do domínio cognitivo para trazer o aluno para o ponto correto sempre que alguma etapa do caminho seja pulada.

Exemplo prático de aplicação da Taxonomia de Bloom

Para finalizar o artigo, vamos agora exemplificar o uso da Taxonomia de Bloom. Para isso, utilizaremos a Segunda Guerra Mundial como assunto para ser aplicado em atividades em cada etapa do aprendizado:

  • Lembrar: Neste primeiro nível, o aluno deve memorizar conceitos. Como atividade, pode ser proposto que ele identifique as datas de início e término da guerra e enumere os principais países que compunham as alianças militares (Aliados e Eixo).
  • Entender: Aqui, ele deve explicar algo do conteúdo, podendo, por exemplo, ter que descrever as motivações de cada aliança na guerra.
  • Aplicar: Agora, é importante que o aluno possa aplicar o que viu em casos práticos. Uma boa ideia seria desenvolver um texto sobre como seria o mundo se os países do Eixo tivessem vencido a guerra.
  • Analisar: Com o domínio de conceitos menores dentro da disciplina, o professor pode pedir que o estudante explique qual a influência do fascismo nos dias de hoje por meio de recursos audiovisuais.
  • Sintetizar: Ao desenvolver a capacidade de ligar pontos da disciplina que se conectam, uma boa atividade seria pedir para o aluno construir uma relação do fim da Segunda Guerra Mundial com a transformação dos EUA e da URSS em superpotências e, também, com o início da Guerra Fria.
  • Criar: No último momento, o estudante deve propor coisas novas. Ele pode, aqui, ter que produzir simulações de reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) com seus colegas, com a finalidade de impedir o acontecimento de novas guerras, utilizando os conhecimentos adquiridos anteriormente sobre as motivações e as sanções impostas às nações.

Esperamos que você tenha gostado de nosso conteúdo sobre a Taxonomia de Bloom! Se você quer aplicá-la em sua instituição de educação superior, aproveite para entender melhor sobre como as ferramentas digitais facilitam a implementação de metodologias ativas em sala de aula!

Entenda como desenvolver a gestão da permanência em sua instituição de educação superior

O Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgado pelo Instituto Semesp em 2020, indicou que 608 mil estudantes desistiram ou trancaram suas matrículas em instituições de educação superior. Esse número representa uma taxa de evasão de 10,1%, cerca de 3% a mais do que o observado em 2019. 

Para as IES, é muito importante contar com boas estratégias de captação de alunos. No entanto, elas podem não ser suficientes: é preciso investir também em estratégias para mantê-los matriculados e evitar trancamentos. A gestão da permanência é uma prática que pode contribuir para esse objetivo. Neste artigo, explicaremos o que ela é, como funciona, e daremos 8 dicas para implementá-la.

Entenda a gestão da permanência

O processo de evasão de um aluno da IES acontece quando, depois de já matriculado, ele para de frequentar a instituição e abandona os estudos. Embora não seja desejado, é um processo cada vez mais comum e, com a pandemia, se tornou ainda mais recorrente.

A evasão pode ser motivada por diferentes fatores. Apesar disso, há ferramentas que permitem não só identificá-los, mas também combatê-los. Uma dessas ferramentas é a gestão da permanência.

A gestão da permanência atua de forma coordenada e sistêmica, sendo responsável por identificar os motivos que levaram à evasão e por apresentar soluções para eles. Desse modo, sua ação é preventiva e focada nos resultados a longo prazo. Além disso, ela promove um olhar mais detalhado sobre a IES, elencando pontos que precisam de melhorias.

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Conheça a importância de fazer a gestão da permanência

Por oferecer um panorama completo dos pontos positivos e negativos da instituição de ensino, a gestão da permanência auxilia a IES a perceber e solucionar problemas.

É ela que identifica as causas da evasão, o que possibilita aos gestores investir em melhorias específicas e bem direcionadas. Se os alunos deixam a instituição devido à sua infraestrutura educacional, por exemplo, é possível pensar em reformas ou atualizações. 

Também é a gestão da permanência que previne problemas recorrentes, uma vez que foca em resolvê-los tão logo eles se apresentam. Nesse sentido, se é identificado que um dos motivos para a evasão é a falta de um programa de financiamento estudantil, pode-se pensar em ações para montá-lo.

A gestão da permanência também auxilia no acompanhamento dos estudantes, promovendo um espaço aberto para feedbacks. Assim, é possível otimizar a jornada do aluno e torná-la mais atraente para ele, o que estimula a sua permanência na IES. 

Veja os principais indicadores para a gestão da permanência

Como uma boa ferramenta, a gestão da permanência possui alguns indicadores aos quais os gestores devem estar atentos. Eles ajudam no processo de mapeamento das causas para a evasão dos alunos da IES e, consequentemente, na elaboração de planos de ação para resolvê-los. 

Abaixo, separamos os 5 principais indicadores.

1. Inadimplência

Nos últimos anos, a taxa de alunos inadimplentes aumentou consideravelmente. A inadimplência é um indicador da saúde financeira da IES, mas também pode ser usado para entender a evasão dos alunos. 

 Afinal, quanto mais mensalidades atrasadas, maior a chance de o estudante estar enfrentando dificuldades financeiras, o que pode levá-lo a abandonar o curso. 

Por isso, quando esse indicador está muito alto, talvez seja hora de investir em processos que evitem o acúmulo de dívidas, como o financiamento estudantil privado.

2. Frequência

Os motivos para um aluno ter um alto número de faltas pode variar muito, especialmente no caso do ensino a distância. No entanto, é indiscutível que a baixa frequência pode interferir no desempenho do estudante, o que o desmotivaria a permanecer na instituição.

 Por isso, quando esse indicador chama a atenção dos gestores, é hora de pensar em planos de ação individualizados, que foquem em entender o contexto (familiar, profissional e pessoal) daquele aluno. Assim, será possível alcançar soluções mais eficazes, além de a IES se tornar um local de apoio para o estudante.

3. Desempenho acadêmico

Quando notas baixas se tornam frequentes, é natural que um aluno se sinta desmotivado a continuar os estudos. Por isso, é importante verificar quais e quantos alunos estão abaixo da média em uma IES e se essa queda de desempenho é momentânea ou constante. 

 Dessa maneira, será possível entrar em contato com esses alunos e verificar a que essa diminuição do desempenho está relacionada. A partir das respostas, pode-se criar ações para evitá-la, como uma comissão acadêmica responsável por amparar e auxiliar os alunos em seus processos.

4. Comportamento estudantil

Alunos desmotivados ou pouco interessados nas aulas podem ser mais propícios a evadir. Isso porque talvez não estejam se adaptando às metodologias estudantis, não entendam a função de determinados conteúdos na sua formação ou simplesmente não se conectem aos valores da IES.

Por isso, é importante identificar esses estudantes e compreender as razões dos seus comportamentos. Desse modo, será possível pensar em ações direcionadas a atendê-los. Os professores podem ser importantes aliados, seja identificando esses comportamentos, seja elaborando planos de aula com metodologias ativas mais eficazes.

5. Satisfação do aluno

Para compreender os índices de satisfação do corpo estudantil de uma IES, é preciso observar vários fatores: a qualidade do ensino, a estrutura da IES, o corpo docente, o atendimento, o relacionamento etc. Por isso, é importante permitir aos estudantes que expressem suas opiniões.

Para isso, a IES pode criar ferramentas que deem a esses alunos um espaço para indicar pontos positivos e negativos. Desse modo, além de um panorama completo de pontos positivos e negativos da instituição, seria possível criar ações que melhorassem os problemas antes que os índices de evasão aumentassem.

Confira as e tapas da evasão estudantil

Como todo processo, a evasão estudantil não se dá do dia para a noite. Na verdade, ela é um processo longo e motivado por diversas razões. Por isso a gestão da permanência é tão importante: para identificar em que etapa o aluno se encontra e prevenir que a evasão efetiva ocorra.

Dessa maneira, é possível identificar algumas etapas, caracterizadas pelo perfil do aluno. São elas: 

  • Potencial evasor. Nesse caso, o aluno ainda não sabe se quer mesmo sair da IES. Por isso, deve ser abordado estrategicamente. É importante compreender suas insatisfações e apresentar razões para que ele fique.
  • Evasor declarado. O aluno, aqui, já decidiu que quer sair da IES, mas ainda não iniciou esse processo. É importante que haja, portanto, um contato direto entre o gestor e esse estudante, para apresentar soluções para os problemas identificados.
  • Evasor em processo. Nessa fase, o aluno já solicitou os documentos necessários para se desligar da IES. É essencial que, para tentar mantê-lo matriculado, a IES já esteja resolvendo os problemas apontados. No entanto, também é muito importante não dificultar o processo, fazendo com que o estudante perceba que a instituição o respeita.
  • Evadido. Finalmente, este é o caso em que o aluno já saiu da IES. Contudo, ele não deve ser abandonado. Suas razões para deixá-la servem como parâmetro para as construções de melhorias. Deve-se trabalhar para que ele deseje voltar.

8 dicas para implementar a gestão da permanência

Agora que você já sabe identificar os potenciais evasores da sua IES e já compreende a importância da gestão da permanência, é hora de conhecer algumas dicas para implementá-la. 

Importa lembrar, porém, que essa ferramenta proporciona uma experiência significativa de aprendizagem, minimizando tanto a saída de alunos da instituição de ensino, quanto os problemas recorrentes que a IES pode apresentar. 

Por isso, o foco da gestão da permanência não são apenas as ações imediatas, mas aquelas que apresentarão um resultado positivo ao longo dos anos seguintes.

1. Conheça seus alunos

Para entender por que seus alunos saem da sua IES, é importante saber quem eles são e quais as suas prioridades. Por isso, conhecê-los é o principal fator para implementar ações e ferramentas efetivas. Seja através de formulários, seja efetivamente conversando com esses indivíduos, invista em mecanismos que permitam que eles se expressem e ajudem o seu time de gestão a identificar possíveis interesses, desejos e sonhos. Desse modo, será mais fácil oferecer soluções para eventuais problemas.

2. Tenha uma boa presença online

Hoje em dia, tudo acontece no digital. Por isso, tornou-se essencial ter uma boa presença online. Investir em ações de marketing já não é o suficiente: sua IES precisa oferecer bons conteúdos e se comunicar diretamente com os alunos

Isso significa que ela precisa estar presente nas redes sociais, oferecer informações relevantes e manter o interesse desse público elevado. Desse modo, será mais fácil entender o que eles buscam, o que pode auxiliar tanto no processo de captação, quanto na retenção desses estudantes.

3. Invista em tecnologia

Mais do que presença online, sua IES deve ser capaz de oferecer aos alunos boas experiências, dentro e fora de sala de aula. A tecnologia é uma ferramenta indispensável para isso. Tanto porque possibilita a implementação de novas metodologias, quanto porque faz com que o aprendizado seja muito mais dinâmico

Por isso, foque em equipar a sua instituição: computadores, bibliotecas digitais e laboratórios podem ser um ótimo começo.

4. Invista em educação digital

Em um mundo globalizado, é impossível se manter alheio a todos os benefícios da tecnologia. Investir em educação digital é uma maneira de garantir que professores, alunos e demais integrantes da IES terão acesso a todas as ferramentas de que precisam para chegar aos melhores resultados possíveis

Isso significa tanto ser capaz de otimizar serviços, como o envio de mensagens e lembretes, quanto melhorar o desempenho e a participação em sala de aula. A educação digital deve ser um dos pilares da sua IES.

5. Foque em metodologias ativas

Caminhando de mãos dadas com a tecnologia e a educação digital estão as metodologias ativas. Elas são ferramentas e práticas pedagógicas que têm como objetivo incentivar um maior engajamento do estudante e possibilitar um aprendizado mais personalizado e efetivo

Dessa maneira, podem ser ótimas aliadas no combate à evasão, desde que aplicadas corretamente. Por isso, pensar em metodologias ativas específicas para as modalidades presencial e EaD pode ser uma maneira de manter os alunos interessados na IES e evitar a sua evasão.

6. Tenha um sistema de gestão educacional

Para que todo o processo de gestão da permanência funcione, é preciso ter um sistema e equipe de gestão educacional muito bem preparados. Por isso, invista em profissionais interessados, preparados e proativos para gerenciar a qualidade do ensino e da IES. 

Otimizar a gestão é uma maneira de garantir que todos os processos importantes da instituição serão realizados por uma equipe confiável e dedicada.

 7. Invista em ambientes e práticas inclusivas

Uma característica importante para as instituições de ensino é ser mais inclusiva. Caso essa não seja uma prioridade na sua IES ainda, pare tudo e foque em como promovê-la de maneira efetiva

Isso porque os alunos podem se sentir desestimulados a continuar em um espaço que não garante que eles tenham as mesmas oportunidades que os demais, tanto de acesso aos ambientes, quanto de inclusão nas atividades. E lembre-se que, quando pensamos em inclusão, falamos também sobre alunos com TDAH e dislexia.

8. Tenha uma cultura sólida

Para que a gestão da permanência funcione e seja efetiva, é imprescindível que todos os integrantes da sua instituição de educação superior estejam na mesma página. Por isso ter uma cultura sólida é tão importante. Ela garante que os valores e objetivos da sua IES estão sendo postos em prática e são claros para todo mundo. Assim, com mais pessoas caminhando na direção de um objetivo comum, é muito mais fácil alcançá-lo.

Agora que você já sabe o que é e como aplicar a gestão da permanência na sua IES, não deixe de aprender tudo sobre a personalização do ensino! Essa prática também auxilia a diminuir a evasão e torna o processo de ensino-aprendizagem mais eficaz.

Infraestrutura educacional: fotografia de uma biblioteca bem equipada com diversos alunos.

Compreenda a infraestrutura educacional e como ela influencia no aprendizado em sua IES

A infraestrutura educacional da sua instituição de educação superior (IES) acolhe efetivamente os alunos e funcionários?

Edifício Beecroft, que integra o Departamento de Física da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Foto de Jim Stephenson.

Edifício Beecroft, que integra o Departamento de Física da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Foto de Jim Stephenson.

Quando analisamos as instalações de universidades de referência no mundo, é comum encontrarmos prédios modernos, tecnológicos e espaços verdes. Mas sua infraestrutura vai muito além disso, especialmente no atual contexto informatizado.

Na verdade, ela compreende aspectos mais amplos, desde o fornecimento de água potável e energia elétrica até o ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Se a instituição investe recursos de forma inteligente e aprimora esses aspectos, é muito provável que seu funcionamento seja aperfeiçoado no todo.

O aluno devidamente acolhido pela infraestrutura educacional tem mais chances, por exemplo, de permanecer na instituição e concluir sua graduação. Esse é um fator de atenção quando levamos em conta as atuais taxas de evasão:

Gráfico sobre evolução média dos indicadores de trajetória dos ingressantes de 2010 em cursos de graduação no Brasil, entre 2010 e 2019. Fonte: Censo Nacional da Educação Superior.

Gráfico sobre evolução média dos indicadores de trajetória dos ingressantes de 2010 em cursos de graduação no Brasil, entre 2010 e 2019. Fonte: Censo Nacional da Educação Superior.

No intuito de te ajudar a combater essas taxas de evasão, aumentar a captação de alunos e manter a sustentabilidade de sua IES, preparamos o presente texto. Ele irá apresentar e descrever o conceito de infraestrutura educacional, além de situá-lo no contexto da educação a distância (EaD) e apontar estratégias de investimento.

O que é infraestrutura educacional?

A infraestrutura educacional é o conjunto de recursos necessários ao bom desenvolvimento de uma instituição de educação. Ela compreende uma série de recursos físicos, materiais, humanos e tecnológicos, como biblioteca, espaço de convivência, salas de aula e ambiente virtual de aprendizagem.

O aspecto tecnológico da infraestrutura educacional ganhou destaque nos últimos tempos, em função do desenvolvimento acelerado nessa área. Um exemplo disso é a popularidade crescente de bibliotecas digitais, mais acessíveis e práticas do que seu equivalente físico.

Um dos fatores relacionados a essa transformação é a demanda volumosa por cursos a distância. Na verdade, os espaços virtuais ganham proeminência também no ensino presencial, uma vez que o uso de tecnologias de informação e comunicação (TICs) na educação aumenta em todas as modalidades.

Índice de Infraestrutura Escolar (IIE)

Existe um indicador mais técnico para avaliar a infraestrutura educacional, denominado Índice de Infraestrutura Escolar (IIE).

O modelo que apresentaremos a seguir foi proposto por pesquisadores do Centro de Microeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (C-Micro/FGV) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e seu desenvolvimento pode ser consultado através deste documento disponível no portal do Inep.

Nos seus termos, a infraestrutura educacional seria composta pelas seguintes variáveis:

  • Água
  • Água filtrada
  • Esgoto
  • Prédio escolar
  • Coleta de lixo
  • Energia Elétrica
  • Quadra
  • Biblioteca ou sala de leitura
  • Sanitário
  • Sanitário PNE
  • Dependências PNE
  • Sala de atendimento especial
  • Televisão
  • Copiadora
  • Impressora
  • Cozinha
  • Sala da diretoria
  • Sala dos professores
  • Laboratório de Informática
  • Laboratório de Ciências
  • Razão de alunos por professor
  • Razão de alunos por funcionários
  • Razão alunos por salas

Apesar de ter sido desenvolvido no contexto de análise da educação presencial básica e fundamental, as variáveis do IIE podem ser utilizadas como parâmetro para que as IES avaliem a própria infraestrutura.

No contexto do ensino a distância, as instalações físicas da instituição ficam em segundo plano. Vamos abordá-lo também ao longo deste texto.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre inovação na educação superior

Como a infraestrutura educacional influencia no aprendizado?

A infraestrutura educacional é um fator diretamente relacionado ao desempenho dos estudantes. Para que eles alcancem sucesso acadêmico, é necessário voltar nossa atenção para aspectos que vão além das aulas e atividades curriculares.

Existem diversas referências acadêmicas que corroboram com essa afirmação. Uma delas é o artigo “Infraestrutura escolar e investimentos públicos em Educação no Brasil: a importância para o desempenho educacional”.

Foi analisada a relação entre esses dois fatores no contexto da educação básica nos municípios brasileiros, que depende de investimentos governamentais para ter um funcionamento saudável.

Concluiu-se existir uma relação íntima entre infraestrutura escolar e desempenho escolar. Em outras palavras, o desempenho do aluno não depende apenas de seu próprio esforço, mas da existência de insumos para exercer as atividades acadêmicas. Se existe um ambiente favorável à aprendizagem, as desigualdades no ensino são reduzidas e a atuação dos alunos melhora como um todo.

Neste outro artigo científico, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) buscaram identificar os principais aspectos da infraestrutura educacional, do ponto de vista dos estudantes. Dessa forma, procurou-se compreender melhor as expectativas dos alunos.

Por meio da aplicação de questionários e tratamento de dados, o estudo concluiu que os aspectos mais importantes obedecem à seguinte ordem:

  • Restaurante universitário;
  • Salas de aula;
  • Biblioteca;
  • Informatização;
  • Serviços de reprografia (xerox);
  • Ambiente acolhedor.

A iniciativa desta IES viabiliza um melhor direcionamento de recursos, para investir nos pontos de real demanda dos estudantes. Conferindo o estudo, você consegue levantar essas informações no contexto de sua instituição!

O aluno que conta com um aparato estrutural desenhado para lhe proporcionar a melhor experiência de aprendizado se mantém engajado, e possui altas chances de alcançar melhores resultados acadêmicos.

Por isso, melhora também o desempenho da instituição, em indicadores relacionados à avaliação do MEC, como o Enade.

Como deve ser a infraestrutura de uma IES inclusiva?

Diversidade é um termo importante quando falamos em educação nos tempos atuais. Os alunos que integram as instituições de educação superior vêm das mais variadas realidades de vida.

Dentre esses alunos, não se pode deixar de lado as pessoas com deficiência (PCD). Durante muito tempo, elas não receberam a devida atenção do Estado brasileiro, que agora se adapta ao novo paradigma de inclusão e toma providências para concretizar a igualdade material no país.

Exemplo disso é o Estatuto da Pessoa com Deficiência, também conhecido como Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. Foi instituído para assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais dessas pessoas, visando à sua inclusão social e cidadania.

Confira o que dispõe o art. 27 desta lei:

“Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.” (grifo nosso)

Como você pode ver, investir na infraestrutura educacional para PCD é uma obrigação legal. Para entender melhor como fazer isso, é importante primeiro entender melhor a realidade desse grupo no contexto da educação superior.

O Censo da Educação Superior dá algumas informações sobre isso, como podemos observar no gráfico abaixo:

Gráfico sobre o total de matrículas de graduação por PCD, em 2019, conforme o tipo de deficiência, transtorno global do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação declarados. Fonte: Censo Nacional da Educação Superior.

Gráfico sobre o total de matrículas de graduação por PCD, em 2019, conforme o tipo de deficiência, transtorno global do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação declarados. Fonte: Censo Nacional da Educação Superior.

A grande maioria das pessoas com deficiência nas IES é constituída por indivíduos com deficiência física e problemas de visão, além de deficiência auditiva e intelectual. Por isso, as instituições devem se preocupar, prioritariamente, com a adaptação voltada para esses alunos específicos.

Isso envolve, por exemplo, instalação de rampas de acesso em IES que oferecem cursos presenciais ou híbridos. Em todas as modalidades, deve haver materiais de estudo desenvolvidos especialmente para cegos e surdos.

Leia também: Como promover a inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior?

E na Educação a Distância, como deve ser trabalhada a infraestrutura educacional?

Na Educação a Distância, o conceito de infraestrutura educacional precisa ser repensado. As instalações físicas da instituição, evidentemente, ficam em segundo plano no caso das IES que ofertam apenas cursos EaD.

Nesse quadro, a infraestrutura digital ganha proeminência. É necessário que os ambientes virtuais da IES acolham o aluno, com usabilidade e interface desenhados para lhe conferir a melhor experiência de aprendizado.

Mas como se constitui, em mais detalhes, a infraestrutura educacional da EaD?

Podemos citar, em resposta, este estudo intitulado “EaD aplicada ao ensino superior: análise da infraestrutura relacionada à qualidade”. Seu objetivo é contribuir para a definição de infraestrutura, diretrizes e critérios que sirvam de referenciais para as instituições que oferecem cursos nessa modalidade de ensino.

Na opinião dos pesquisadores, a infraestrutura educacional neste contexto seria composta pelos recursos pedagógicos, humanos e sistemas operacionais envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

O artigo ainda chama atenção para a necessidade de que as instituições alterem a própria concepção de conceitos como educação, suas políticas e procedimentos para alcançar a excelência do ensino na nova conjuntura tecnológica. Torna-se, então, imprescindível investir em:

  • Capacitação permanente de professores-tutores e outros agentes pedagógicos;
  • Apoio e acompanhamento constante ao alunato;
  • Estudos de interatividade e design instrucional;
  • Usabilidade das ferramentas virtuais.

É interessante, nessa linha, deslocar recursos para aprimorar o ambiente virtual de aprendizagem (AVA), os conteúdos virtuais disponibilizados ao aluno e a biblioteca digital da instituição, dentre outros.

Por fim, um último ponto relacionado a este tópico merece destaque: a qualidade dos equipamentos utilizados pelo alunato. 

É certo que os estudantes realizam o estudo, na maioria dos casos, através dos próprios dispositivos tecnológicos. Entretanto, é preciso levar em conta que alguns desses estudantes não possuem condições financeiras para comprar um bom computador, tablet ou serviço de internet, por exemplo.

Por isso, é interessante pensar em estratégias de empréstimos desses dispositivos, pela IES, ou em investir em laboratórios de informática, para onde os alunos possam se deslocar e realizar seus estudos.

Como investir na melhoria da infraestrutura educacional?

Neste tópico, vamos apresentar sugestões mais práticas para aprimorar a infraestrutura educacional em sua instituição de ensino e, assim, desfrutar dos benefícios dessa iniciativa. Trouxemos 3 passos principais para desenvolver uma estratégia nesse sentido

Passo 1: Conheça as demandas da sua instituição

Antes de mais nada, é preciso investigar melhor sobre as reais demandas que a IES possui em termos de infraestrutura, tomando como foco o corpo estudantil. Contudo, é importante contemplar também as necessidades de seus funcionários.

Como fazer isso? Uma solução prática e eficiente é a distribuição de questionários, que pode ocorrer inclusive por meio do e-mail institucional. Você pode confeccioná-los por meio do Google Forms.

Inclua questionamentos sobre os vários aspectos que abordamos neste post, conforme a realidade de sua instituição de ensino. 

Uma sugestão é fazer perguntas objetivas, que atribuam nota a cada indicador. Por exemplo:

“Qual é a sua avaliação do funcionamento de nossa biblioteca?

  • Nota 1: Muito ruim
  • Nota 2: Ruim
  • Nota 3: Mediana
  • Nota 4: Boa
  • Nota 5: Muito boa”

Podem ser acompanhadas também por campos de resposta aberta, para que o entrevistado desenvolva melhor a justificativa de cada nota.

A importância da aplicação de questionários vem da necessidade de se tomar decisões orçamentárias com base em dados objetivos, ao invés de meras suposições.

Passo 2: Pesquise casos reais e busque inspiração

Após levantar dados sobre as demandas de infraestrutura, que tal pesquisar sobre IES de referência nesse assunto? Dessa forma, você consegue se deparar com soluções criativas para resolver problemas semelhantes à realidade de sua instituição.

É certo que muitas iniciativas que encontrar não serão exequíveis num primeiro momento. Construir um prédio moderno, como aquele da foto na introdução deste texto, está fora da realidade orçamentária de muitas IES.

Por outro lado, é possível investir em espaços verdes, como aquele em que o prédio da foto está situado. Essa é uma iniciativa que também contribui para o bem-estar dos alunos.

Da mesma forma, se não for possível alocar os alunos em auditórios modernos, você pode reorganizar a configuração das carteiras da sala de aula, substituí-las por modelos mais confortáveis ou investir em equipamentos multimídia, como projetores.

A boa notícia é que, no caso dos equipamentos de educação a distância, os investimentos são mais rentáveis. Você dificilmente irá gastar a mesma quantia de construção e manutenção de espaços físicos, e irá obter bons retornos.

Passo 3: Defina prioridades e monte um planejamento

Depois de entender a demanda e pesquisar suas opções, é hora de definir um planejamento.

É uma boa ideia montar estratégias de infraestrutura educacional a curto, médio e longo prazo. Para fazer isso, defina quais investimentos são prioritários e a viabilidade de cada um no tempo.

Tal planejamento deve conciliar as demandas com a política de sua instituição de ensino. A título de exemplo, você pode observar que existe uma demanda baixa para investir em rampas de acesso. Apesar disso, esse é um investimento prioritário, uma vez que alunos com deficiência física terão seu acesso à educação obstruído pela falta de acessibilidade.

Gostou deste conteúdo sobre infraestrutura educacional? Aproveite para conferir também nosso conteúdo sobre como otimizar a gestão de polos EaD!

Rematrícula: fotografia de uma mulher segurando uma pilha de livros e sorrindo para a câmera.

Saiba como otimizar o processo de rematrícula no ensino superior

Uma boa estratégia de captação de alunos é crucial para qualquer instituição de educação superior (IES). Entretanto, garantir a permanência do estudante na IES também deve estar entre os principais objetivos da gestão, uma vez que o processo de rematrícula, muitas vezes, representa um gargalo que pode ou não direcionar para a evasão escolar.

Esse problema se revela importante principalmente no contexto da pandemia de covid-19. Um estudo do Datafolha, publicado em janeiro de 2021, mostra que a evasão no ensino superior foi de 16,3% após o início da pandemia.

Outro estudo de 2020, do Semesp, indica que a taxa de inadimplência no ensino superior privado do estado de São Paulo chegou a 10,1% no 1º semestre, número quase 50% maior do que o do mesmo período em 2019.

Sem dúvidas, o contexto de crise econômica e sanitária contribui para a elevação desses números. Porém, os gestores não estão de mãos atadas para lidar com a evasão: é possível construir campanhas de rematrícula eficientes, que facilitem o processo para os alunos e contribua para mantê-los matriculados. Continue lendo para acompanhar as dicas!

Qual é o momento certo para iniciar a campanha de rematrícula?

A campanha de rematrícula é um momento bastante estratégico para a IES: é nele em que o aluno confirma seu interesse em prosseguir os estudos na instituição, o que serve como uma espécie de validação do caminho que está sendo traçado pela gestão.

Entretanto, quando as rematrículas observam uma taxa mais alta de evasão, isto é, de alunos que trancam o curso ou simplesmente optam por não renovar a matrícula, é possível apontar uma série de fatores diferentes, como:

  • Situação de crise econômica e alta nas taxas de desemprego;
  • Perda de interesse do estudante pelo curso escolhido;
  • Falta de apoio da IES (ocorre principalmente em cursos EaD);
  • Cursos mal estruturados ou de baixa qualidade;
  • Captação do estudante por IES concorrentes.

Há muitos outros fatores que podem estar envolvidos na evasão do estudante, sendo que alguns não necessariamente podem ser resolvidos pela IES (como instabilidades econômicas a nível nacional).

Entretanto, é possível perceber que vários dos fatores não aparecem de um dia para o outro, e podem ser identificados a partir de um trabalho ativo da gestão. Trata-se do que é chamado de gestão da permanência, que consiste em manter equipes trabalhando para combater preventivamente a redução da taxa de adesão à rematrícula.

Banner de divulgação do ebook gratuito: Captação de alunos: saiba como estruturar uma campanha de sucesso. Link para download: https://materiais.saraivaeducacao.com.br/lp-e-book-tofu-captacao-de-alunos?utm_source=blog-post&utm_medium=banner&utm_campaign=material-rico

Qual é a importância da gestão da permanência?

A gestão da permanência está associada a uma série de ações que buscam, principalmente, melhorar continuamente os processos da instituição, ouvir e acompanhar as queixas e preocupações do estudante e buscar aprimorar sempre a sua experiência na IES

Não se trata de esperar o estudante demonstrar insatisfação e evadir, mas sim de evitar, com o máximo de antecedência, que ele faça isso.

Alguns benefícios da gestão da permanência são:

1. Acompanhamento direto de potenciais evasores

São, geralmente, estudantes com baixo rendimento, inadimplentes, ou que tenham baixa frequência. A IES pode identificá-los com facilidade e buscar ativamente prestar apoio para auxiliar o estudante a continuar no curso. 

Mas atenção: alunos com essas características não necessariamente são evasores, portanto é importante acompanhar todos os estudantes, mesmo os que tenham alto desempenho ou se enquadrem em outras características.

2. Melhoria contínua na qualidade dos cursos e dos benefícios

A gestão da permanência bem feita está associada diretamente ao acompanhamento das reclamações, elogios e outras impressões dos estudantes, para monitorar possíveis insatisfações que levem à não renovação da matrícula. 

Assim, com esse monitoramento constante, a IES tem uma ótima oportunidade de manter os níveis de contentamento com os cursos a partir dos feedbacks coletados.

3. Construção de uma relação próxima com estudantes

O acompanhamento próximo ajuda a construir uma relação próxima e que pode ser muito benéfica tanto para a IES quanto para o aluno, uma vez que ajuda a fidelizá-lo e a se sentir amparado pelos gestores e docentes.

Com base nesses pontos, é possível indicar que não há uma resposta única para quando a campanha de rematrícula deve começar – isso pode ficar a critério do planejamento estratégico de captação que a IES adota para iniciar o período de admissão.

Contudo, pode-se dizer que é de extrema importância que a campanha esteja atrelada diretamente a uma boa gestão da permanência, que deve ser ininterrupta ao longo de todo o ano – ou seja, a campanha por rematrícula, na prática, faz parte de uma estratégia permanente.

Isso faz com que seja imprescindível que o planejamento da campanha de rematrícula ocorra com o máximo de tempo de antecedência, para que ele esteja alinhado à gestão da permanência como um todo e para que atenda aos interesses estratégicos da IES.

Como fazer uma boa campanha de rematrícula para o estudante?

Você já deve ter notado que o processo de rematrícula está totalmente centrado na experiência do estudante. E isso não ocorre à toa: um processo de rematrícula que considere, previamente, as dores e necessidades do estudante tem muito mais chances de dar certo do que um que não dê tanta importância a essas questões.

Como apontamos, cuidar de todas essas necessidades requer um planejamento prévio que seja o mais antecipado possível. A IES deve considerar, nesse processo, a definição de alguns elementos essenciais para uma boa campanha:

  • Quais são os objetivos da campanha? Eles podem ser bastante variados, mas um deles, por exemplo, poderia ser: reduzir a taxa de evasão em relação ao período anterior em uma porcentagem específica.

 

  • Qual é o orçamento para a campanha? Quais recursos podem ser utilizados? É importante que a IES defina com antecedência quanto pode gastar na campanha para mobilizar adequadamente os melhores recursos, como contratação de agências especializadas. Também é o momento de decidir como a rematrícula será promovida: por meio de canais digitais, físicos, ou os dois?
  • Quais benefícios a IES está disposta a oferecer na rematrícula? Nesse ponto, é importante avaliar se a IES oferecerá descontos, bolsas de estudo, descontos por mérito etc. Tudo que possa fazer o estudante se interessar mais pela renovação do contrato deve ser analisado.
  • Qual será a estratégia de marketing utilizada? Trata-se de uma definição vital para o sucesso da campanha, já que as operações de marketing são o diferencial na venda que a IES faz da qualidade de seus cursos, dos benefícios que o estudante tem ao optar por continuar seus estudos etc.
  • Como a adesão será monitorada? Toda campanha bem estruturada propõe métodos eficientes de avaliação e metrificação dos resultados, para que a gestão consiga estudar com profundidade o que deu certo ou não e, assim, manter ou repensar a estratégia.

É válido lembrar que muitos desses processos podem ser automatizados. Em uma IES que tenha um número muito alto de estudantes, fazer o acompanhamento de cada um pode ser um desafio. 

Entretanto, há vários recursos digitais que permitem a automatização da construção de uma régua de relacionamento com os alunos: envio de pesquisas pelas plataformas virtuais, criação de canais de comunicação mais eficientes (como uma conta comercial automatizada no WhatsApp, por exemplo), entre outros.

A importância e os benefícios da rematrícula online

Além da automatização dos processos de construção de relacionamento, é fundamental apontar que uma campanha de rematrícula eficiente e que facilite a vida do aluno passa, necessariamente, por sua informatização.

Em outras palavras, a IES deve priorizar ao máximo a comodidade do estudante, desburocratizando o processo e tornando-o tão rápido quanto dar alguns toques no celular.

Para isso, o planejamento eficiente da renovação de matrícula deve levar em consideração o investimento na plataforma digital, de modo a modernizá-la e torná-la o mais intuitiva possível.

Há alguns pontos que devem ser levados em consideração ao estruturar a rematrícula online, os quais descreveremos em detalhes abaixo.

1. Criação de estratégia de marketing eficiente para o digital

Essa é uma premissa essencial para qualquer campanha de matrícula, seja de captação, seja de renovação. Uma estratégia de marketing eficiente pode ajudar a fidelizar o estudante e fazê-lo querer se rematricular, uma vez que terá contato recorrente com todos os benefícios que tem ao estudar na instituição, e com reiteração da qualidade dos cursos oferecidos.

Além disso, a estratégia de marketing deve ser pensada de modo a evidenciar todas as facilidades da rematrícula por meio dos canais virtuais, como: matrícula rápida, a poucos cliques, processo com burocracia reduzida ao mínimo etc. Os mais diversos meios podem ser utilizados para isso, como redes sociais, e-mail marketing, entre outros.

2. Aplicação prévia de uma pesquisa de intenção de matrícula

Uma possibilidade interessante para a campanha de rematrícula online é realizar uma pesquisa prévia de intenção de matrícula. A pesquisa pode ser bastante simples, perguntando se o estudante tem interesse em renovar a matrícula e, se a resposta for negativa, quais são os motivos.

Isso pode ajudar a IES a monitorar, de antemão, qual é o nível de satisfação dos matriculados e quais podem ser os evasores durante a campanha de matrícula. Essa pesquisa também facilita o processo de coleta de feedbacks, apoiando a gestão de permanência na avaliação das ações necessárias para combater a evasão.

3. Simplificação de pagamentos e de ajuste de inadimplência

Se o objetivo é ajudar o estudante, é imprescindível pensar quais são as maneiras que podem facilitar ao máximo alguns dos principais problemas associados à evasão, como a inadimplência.

Oferecer meios flexíveis de pagamento, renegociações e possibilidades de quitação digital de dívidas são alguns benefícios dos quais os estudantes podem desfrutar de imediato e, a partir daí, renovar a matrícula.

Outra possibilidade é o oferecimento de descontos para o pagamento da taxa de rematrícula, ou do próprio acordo de negociação de débitos em aberto.

4. Implementação de assinatura digital de contrato

Por fim, um dos pontos mais importantes que facilitam o processo de rematrícula para o estudante é a implementação de contratos digitais, que possam ser assinados em segundos.

Isso é benéfico tanto para a IES, quanto para o estudante: livra a instituição do trabalho de manipular e conferir inúmeros contratos e livra o estudante do transtorno de ter que tirar cópias de documentos e ir presencialmente à IES para realizar um processo que pode ser feito em segundos no próprio celular.

Agora que você já viu alguns métodos para aprimorar sua campanha de rematrícula, que tal conhecer algumas dicas de ações comerciais de captação de alunos para aplicar em sua IES?

Competências e habilidades pedagógicas: fotografia de uma professora auxiliando dois alunos. Todos sorriem.

Saiba como desenvolver as competências e habilidades pedagógicas para o ensino superior

O universo da educação vem passando por diversas mudanças. Novas gerações estão chegando às instituições de educação superior (IES), a tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço e o acesso à informação está cada vez mais abrangente.

Por isso, os professores e coordenadores passam por vários desafios no dia a dia da IES.É necessário se atentar ainda mais ao engajamento do aluno, ao novo mercado de trabalho e pensar em uma educação que seja mais voltada à vida do estudante.

Hoje, vamos falar sobre competências e habilidades pedagógicas no ensino superior, como os professores e coordenadores podem desenvolvê-las para superar os desafios e, assim, garantir um ensino de qualidade. Para saber mais sobre o assunto é só continuar a leitura do artigo!

Quais são os desafios dos professores e coordenadores na IES?

Sabemos que os desafios dentro de uma IES são diversos, mas alguns têm sido constantes nessa nova realidade que a educação está inserida, como a mudança de comportamento dos alunos, aulas online e diversas tecnologias. Confira com mais detalhes sobre os desafios.

Engajamento dos estudantes

A nova geração de estudantes que têm ingressado no ensino superior são os nativos digitais. São alunos muito conectados à internet e às tecnologias e que têm acesso à informação facilitado.

Dessa forma, eles buscam entender como o conhecimento será aplicado de forma prática. O professor não pode ser um mero repassador de conteúdo, mas sim um mentor, que será responsável por guiar o aluno.

Nesse sentido, o engajamento dos alunos se torna um grande desafio para as IES. Ele é fundamental para que os estudantes aproveitem o conteúdo e permaneça até o fim do curso.

Uso de tecnologias

Como já sabemos, as novas gerações estão muito conectadas às tecnologias. Por isso, um outro desafio para as IES é levar ferramentas tecnológicas para dentro da instituição e fazer com que os professores saibam manuseá-las. 

Isso é importante para que os professores possam utilizar de todas as vantagens que as ferramentas podem oferecer. Assim, a qualidade e aproveitamento das aulas será muito melhor!

O que são competências e habilidades?

Agora que você já sabe quais são os principais desafios dos professores e coordenadores na IES, é importante entender quais competências e habilidades pedagógicas são necessárias para melhorar a qualidade do ensino ofertado. Mas, antes disso, veja mais sobre a diferença entre habilidades e competências.

Habilidades

As habilidades são capacidades que as pessoas aprendem ao longo da vida nos estudos ou em determinada profissão. Por exemplo: ler e escrever são habilidades adquiridas pelos estudantes. Boa comunicação e trabalho em equipe são exemplos de habilidades  que podem ser desenvolvidas no meio profissional.

Competências

as competências são um conjunto de habilidades que também são desenvolvidas ao longo da vida. Elas são uma combinação não só de habilidades, mas também de atitudes e conhecimentos que a pessoa adquire em diversos espaços. Como exemplos de competências podemos pontuar a liderança e a inteligência emocional.

Para que a diferença fique ainda mais clara, vamos pensar em um doutorado em matemática.  A pessoa estará apta a dar aula em uma universidade, ou seja, ela estudou e adquiriu as habilidades necessárias. Já as competências dizem respeito à sua aula, ou seja, como colocar suas habilidades em prática, como, por exemplo, ter boa didática para ensinar.

Quais competências e habilidades pedagógicas são necessárias para um professor?

Veja quais competências e habilidades pedagógicas são importantes para um professor do ensino superior.

Aprimoramento constante

É muito importante que o professor se aprimore cada vez mais, entenda mais sobre sua disciplina, sobre novas metodologias que estão surgindo, sobre as gerações que os seus alunos fazem parte, entre outras coisas. O professor não para nunca de estudar e de buscar conhecimento, isso é essencial para a profissão.

Comunicação

Manter uma boa comunicação com os coordenadores, diretores, alunos e também com os outros professores é fundamental. É esse relacionamento que faz com que o professor seja bem visto na IES e também consiga trocar ideias com todos que estão envolvidos no processo de aprendizagem.

Escuta ativa

Os professores precisam ter uma escuta ativa, principalmente com os alunos. Entender o que eles estão achando da disciplina, dos métodos utilizados na aula, das avaliações, sobre o que eles têm dúvida, suas sugestões. Tudo isso, irá fazer com que o professor tenha noção de como está sua aula e assim possa se aprimorar ainda mais.

Tecnologia

O professor precisa adquirir conhecimentos sobre tecnologia no geral, saber mexer nos dispositivos e ferramentas que a instituição proporciona ou que têm ganhado espaço no mercado. 

Inovação

Inovar, conhecer novas metodologias e ferramentas é muito importante para qualquer professor do ensino superior, é isso que vai ajudar a engajar os alunos na aula. O professor não pode mais continuar só passando slides e falando a matéria, ele precisa se reinventar, ser criativo e buscar novas formas de abordar os conteúdos.

Liderança

Com as mudanças na educação, o aluno tem se tornado cada vez mais o protagonista desse processo. Mas o professor precisa continuar exercendo um papel de liderança para eles, mas não de uma forma autoritária e sim de uma maneira que consiga encaminhá-los para o necessário a partir de cada perfil ou dificuldade que o estudante tenha.

Pensamento crítico

Com tanto acesso à informação, muitas vezes fica difícil entender o que é verídico ou não. Dessa forma, o professor precisa trabalhar o pensamento crítico e levar isso para a sala de aula, auxiliando seus alunos a também desenvolverem essa competência que é tão importante nos dias de hoje.

Empatia

A empatia é muito importante para a interação, seja com os alunos ou com os colegas de trabalho. Por isso, o professor precisa  trabalhar o seu olhar mais empático, entendendo as dificuldades dos alunos. Isso favorece uma aproximação, melhorando a relação entre professor e estudante.

Como trabalhar as competências e habilidades pedagógicas no ensino superior?

Para desenvolver as competências e habilidades pedagógicas no ensino superior, é fundamental que a IES invista no corpo docente. Veja agora algumas ações que você pode colocar em prática:

Treinamentos

Ofereça treinamentos constantes para o seu corpo docente. Invista em cursos, workshops e palestras. Isso tudo é importante para que os professores estejam sempre se aprimorando e adquirindo novos conhecimentos. Com o auxílio da IES, os professores se sentem valorizados e engajados para continuarem aprendendo.

Feedbacks

Dar feedbacks e ter uma escuta ativa é essencial para que a IES entenda o que os professores estão sentindo e precisando para desenvolver as competências e habilidades pedagógicas necessárias. É preciso que exista um espaço de escuta, para assim o corpo docente se manifestar e se sentir acolhido.

Inovação

Investir em novas ferramentas, dispositivos e metodologias é importante para estimular os professores e alunos. Com os avanços e mudanças no mundo da educação, ficar parado em coisas antigas pode não incentivar as pessoas que fazem parte do processo e ainda ser prejudicial para a IES.

Valorização

Valorizar os professores é um ponto relevante também. Proporcione um bom ambiente e boas condições no ambiente de trabalho, como salários melhores, infraestrutura de qualidade e reconhecimento. Isso faz com que os professores desenvolvam melhor suas competências e habilidades.

Esperamos que você tenha entendido um pouco mais sobre competências e habilidades pedagógicas no ensino superior. E para continuar melhorando a qualidade do ensino em sua IES, confira também o nosso artigo sobre personalização do ensino!

Atividades para alunos com TDAH: fotografia de uma sala de aula com foco em uma fileira de alunos escrevendo.

Saiba como desenvolver atividades para alunos com TDAH

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que tem diversas facetas. Pode afetar o rendimento acadêmico, sendo necessárias atividades para alunos com TDAH que permitam que eles demonstrem conhecimento de forma mais próxima à sua expressão.

Muitas pessoas acreditam que o TDAH é um transtorno que afeta somente crianças em idade escolar, principalmente meninos. No entanto, esse mito é prejudicial à compreensão da condição: pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade.

Para desmistificar algumas ideias sobre o transtorno e auxiliar no processo de adaptação de atividades para alunos com TDAH em sala de aula, neste artigo vamos explorar um pouco mais sobre a condição e como ela afeta estudantes no ensino superior.

O que é TDAH?

O TDAH, também conhecido por DDA, é chamado Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. É uma condição neurobiológica, de forte influência genética e, de acordo com a Associação Brasileira do TDAH, ocorre em até 5% das crianças pelo mundo.

Ainda assim, é importante levantar que não acontece somente na infância. Em grande parte dos casos, os sintomas acompanham o paciente na vida adulta, ainda que sejam visíveis de outras formas. Por isso, muitas vezes, tem sinais menos claros.

Alguns sinais, porém, são típicos: falta de atenção a detalhes “simples”, desorganização, impulsividade nas decisões, perder itens importantes, não terminar tarefas, impaciência, incapacidade de seguir instruções, dificuldade em ficar parado, etc.

Por ser um transtorno neurobiológico, ele está atrelado à composição química cerebral. Nesse caso, o lobo frontal do paciente não apresenta resposta adequada aos estímulos, por falta de comunicação dos neurotransmissores, como a dopamina e a noradrenalina.

Na prática, isso significa que o cérebro com TDAH tem dificuldade em reconhecer a intensidade, o que o leva a buscar situações de adrenalina ou gratificação. Por isso, pode levar ao desinteresse acadêmico (já que os estímulos não despertam a gratificação) e problemas mais graves, como dependência química e depressão.

Como é feito o diagnóstico do TDAH?

Para que o diagnóstico de TDAH seja obtido, é importante que o paciente passe por uma avaliação cuidadosa de profissionais de saúde mental. Com rastreamento de sintomas, é possível identificar padrões cognitivos que expliquem o transtorno.

Quantos tipos de TDAH existem?

Existem 3 principais facetas do TDAH. Para pensar nas atividades para alunos com TDAH que incluam e contemplem suas habilidades, é essencial diferenciar cada uma delas.

Na modalidade de desatenção, o aluno enfrenta dificuldade em manter o foco, terminar tarefas, se distrai facilmente, tende a ser “avoado”, perde objetos, etc.

A pessoa com TDAH impulsivo/hiperativo tem mais dificuldade em controlar seus impulsos: aqui, as decisões impensadas, a falta de regulação emocional e a impaciência são sintomas comuns. E no caso do TDAH misto, enfrenta dificuldades de ambos os lados.

Para o manual DSM-V, que avalia transtornos psicológicos, existem 18 critérios básicos para o diagnóstico do TDAH:

Sintomas de desatenção:

  • Não presta atenção a detalhes ou comete erros descuidados em trabalhos escolares ou outras atividades
  • Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas na escola ou durante jogos
  • Não parece prestar atenção quando abordado diretamente
  • Não acompanha instruções e não completa tarefas
  • Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
  • Evita, não gosta ou é relutante no envolvimento em tarefas que requerem manutenção do esforço mental durante longo período de tempo
  • Frequentemente perde objetos necessários para tarefas ou atividades escolares
  • Distrai-se facilmente
  • É esquecido nas atividades diárias

Sintomas de hiperatividade e impulsividade:

  • Movimenta ou torce mãos e pés com frequência
  • Frequentemente se movimenta pela sala de aula ou outros locais
  • Corre e faz escaladas com frequência excessiva quando esse tipo de atividade é inapropriado
  • Tem dificuldades de brincar tranquilamente
  • Frequentemente se movimenta e age como se estivesse “ligado na tomada”
  • Costuma falar demais
  • Frequentemente responde às perguntas de modo abrupto, antes mesmo que elas sejam completadas
  • Frequentemente tem dificuldade de aguardar sua vez
  • Frequentemente interrompe os outros ou se intromete

Para que profissionais diagnostiquem uma criança a partir destes critérios, é necessário que os sintomas se apresentem há pelo menos seis meses, não possam ser atribuídos a problemas de saúde física ou mental e afetem as relações e o desempenho do paciente em mais de um ambiente.

O TDAH na vida adulta

Ainda que muitos diagnósticos sejam feitos no início da vida escolar, há pessoas que mascaram seus sintomas, principalmente no caso do TDAH desatento, até a idade adulta. No contexto do ensino superior e do mercado de trabalho, as dificuldades podem se potencializar.

Existe um questionário de autoavaliação produzido pela OMS, o ASRS-18. Não substitui consultas médicas e psicológicas, mas pode ajudar adultos a identificar em si mesmos os sinais de atenção. As perguntas são:

Parte A

  1. Com que frequência você comete erros por falta de atenção quando tem de trabalhar num projeto chato ou difícil?
  2. Com que frequência você tem dificuldade para manter a atenção quando está fazendo um trabalho chato ou repetitivo?
  3. Com que frequência você tem dificuldade para se concentrar no que as pessoas dizem, mesmo quando elas estão falando diretamente com você?
  4. Com que frequência você deixa um projeto pela metade depois de já ter feito as partes mais difíceis?
  5. Com que frequência você tem dificuldade para fazer um trabalho que exige organização?
  6. Quando você precisa fazer algo que exige muita concentração, com que frequência você evita ou adia o início?
  7. Com que frequência você coloca as coisas fora do lugar ou tem dificuldade de encontrar as coisas em casa ou no trabalho?
  8. Com que frequência você se distrai com atividades ou barulho à sua volta?
  9. Com que frequência você tem dificuldade para lembrar de compromissos ou obrigações?

Parte B

  1. Com que frequência você fica se mexendo na cadeira ou balançando as mãos ou os pés quando precisa ficar sentado (a) por muito tempo?
  2. Com que frequência você se levanta da cadeira em reuniões ou em outras situações onde deveria ficar sentado (a)?
  3. Com que frequência você se sente inquieto(a) ou agitado(a)?
  4. Com que frequência você tem dificuldade para sossegar e relaxar quando tem tempo livre para você?
  5. Com que frequência você se sente ativo (a) demais e necessitando fazer coisas, como se estivesse “com um motor ligado”?
  6. Com que frequência você se pega falando demais em situações sociais?
  7. Quando você está conversando, com que frequência você se pega terminando as frases das pessoas antes delas?
  8. Com que frequência você tem dificuldade para esperar nas situações onde cada um tem a sua vez?
  9. Com que frequência você interrompe os outros quando eles estão ocupados?

Assim como no caso do diagnóstico infantil, os sintomas devem ser presentes há pelo menos seis meses, afetando diferentes setores da vida cotidiana e não podem ser atribuídos a outras questões de saúde.

Comorbidades do TDAH

O transtorno está ligado a outras condições que podem prejudicar o rendimento escolar e o engajamento em atividades do dia a dia. A Dislexia, por exemplo, ocorre de forma concomitante ao TDAH e afeta a expressão escrita. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, pode chegar a até 60% dos casos.

O que significa ser neuroatípico?

Um dos principais pontos de adultos com transtornos neurobiológicos é a referência a comportamentos neurotípicos e neuroatípicos. O termo teve origem na comunidade autista, mas hoje “neuroatípico” é usado para se referir a pessoas com atividade cognitiva atípica, fora do esperado. Como por exemplo, as pessoas com TDAH.

No contexto acadêmico, essa nomenclatura se torna ainda mais relevante: a melhor forma de incluir alunos com TDAH nas atividades e nos projetos pedagógicos é analisar de que forma seu cérebro funciona.

Como trabalhar com alunos com TDAH?

Muitas vezes os alunos chegam ao ensino superior sem saber que têm TDAH ou incapazes de lidar com as dificuldades causadas pelo transtorno. Além de gerar estresse, também prejudica o aproveitamento do ambiente acadêmico.

Por isso, é importante, em primeiro lugar, oferecer apoio psicológico na instituição de educação superior (IES) para os alunos que estejam enfrentando dificuldades nos estudos, sejam elas ligadas ao TDAH ou não. 

Adaptar atividades para alunos com TDAH

A principal barreira imposta pelo TDAH é a disfunção executiva, ou seja, o aluno fica paralisado diante de uma situação que não estimule sua cognição. Por isso, para que as aulas sejam mais cativantes, é importante que o projeto pedagógico de curso inclua modalidades diversas de ensino e aprendizagem.

Os alunos com TDAH podem se destacar em atividades como debates, pesquisas, aulas laboratoriais e, principalmente, em situações de estudo em que eles tenham clareza. A sala de aula invertida, por exemplo, é uma ideia que permite aos alunos ter certo envolvimento com o tema antes da aula expositiva. Isso ajuda a despertar o interesse contra o TDAH. Atividades com gamificação do conteúdo prendem a atenção e auxiliam a reter as informações.

Avaliação de alunos com TDAH

Assim como nos transtornos de aprendizagem, o aluno com TDAH enfrenta dificuldades para uma boa performance escolar em provas padronizadas e cronometradas. Por conta de sua dificuldade em manter o foco em uma só tarefa, tendem a ficar dispersos e impacientes, não conseguindo demonstrar seu conhecimento.

Avaliações em diferentes formas, como por exemplo seminários, questionários orais, trabalhos em grupo e simulações são estratégias diferentes para que o aluno mostre que absorveu o conteúdo, sem a mesma pressão de provas.

Caso elas precisem ser feitas, é importante auxiliar os alunos a ter um ritmo produtivo: textos menos densos, linguagem clara, quebra nas informações e avaliações por partes são ideias úteis para uma estratégia de avaliação mais preparada para alunos com TDAH. Diminuir estímulos visuais e auditivos no ambiente evita a interrupção das atividades.

Qual o papel do professor em relação ao TDAH?

Os docentes têm um papel fundamental na desmistificação do TDAH e na inclusão dos alunos neuroatípicos no ambiente do ensino superior. Ao elaborar atividades para alunos com TDAH, eles oferecem oportunidade para difusão de conhecimento e incentivam outros docentes e coordenadores a fazer o mesmo.

Estratégias pedagógicas para alunos com TDAH

Tornar a sala de aula, remota ou presencial, mais receptiva não é uma tarefa complexa. Com algumas adaptações ao plano de aula e objetivos de aprendizado, todos podem obter mais conhecimento daquele conteúdo.

Como os alunos com TDAH demonstram dificuldade em se lembrar de datas e obrigações, vale colocar em prática um calendário bem direcionado e relembrar com antecedência as datas de entrega das atividades. Docentes que estabelecem um cronograma do semestre ajudam e muito a evitar o desgaste.

Também vale a pena repensar a comunicação. Como a dificuldade em se “prender” no assunto é recorrente no TDAH, textos mais claros e diretos estabelecem um canal de comunicação muito mais rentável entre aluno e professor.

Esses alunos também se beneficiam de variedade, por conta de sua busca por estímulos. Um ensino multimídia, por exemplo, é uma estratégia pedagógica interessante, já que permite que o mesmo tema seja visto sob diferentes meios e óticas.

Incentivar o aluno e oferecer feedbacks também têm enormes ganhos na aprendizagem. A falta de controle emocional faz com que o TDAH leve a desânimo e falta de interesse caso o desempenho seja abaixo do esperado. Se o docente incentiva o empenho, ao invés de focar em notas ou performance, acaba auxiliando a desenvolver autoestima para o aluno enfrentar futuras dificuldades.

Outro ponto importante é a inserção da tecnologia em sala de aula. Um aluno poder fotografar ou filmar a aula, por exemplo, ajuda a ter mais tempo para absorver o conteúdo depois. Um aluno que se distrai facilmente com estímulos pode ficar mais focado se puder escutar uma música enquanto trabalha. 

Contrariando os mitos em relação ao TDAH

Na sociedade, ainda existe muita desinformação em torno do transtorno. Em alguns setores, acredita-se que os alunos são apenas preguiçosos e desmotivados. Mas a verdade é que os processos cognitivos fazem com que o conteúdo seja captado e reproduzido de forma diferente.

Respeitar as diferenças no ensino e na aprendizagem é uma forma de o professor mover o diálogo em torno do TDAH para o acolhimento dos alunos e a inovação nas estratégias de ensino.

Como promover inclusão e diversidade no ensino superior?

Para que o ambiente acadêmico seja mais proveitoso e gere cada vez mais conhecimento, é importante dar espaço para uma diversidade de vozes e experiências. O ensino superior brasileiro ainda é desigual e contempla poucas pessoas.

Mas com a inovação e a implantação de diferentes ferramentas e metodologias de aprendizagem, cada vez mais as IES se tornam aliadas na inclusão e na criação de um desenvolvimento sociocultural e científico de qualidade e pluralidade.

Esperamos que você tenha aproveitado este conteúdo e já esteja trabalhando em atividades para alunos com TDAH em sua IES! Aproveite para ver mais dicas sobre inclusão com o nosso artigo sobre atividades para alunos com Dislexia.

Atividades para alunos com dislexia: fotografia e estudantes em uma sala de aula, foco em uma estudante sorrindo para a câmera.

Como desenvolver atividades para alunos com dislexia?

Apesar do mito que diz que dislexia é uma condição que aparece somente na infância, os estudantes que lidam com esse transtorno de aprendizagem também estão no ensino superior. As atividades para alunos com dislexia exigem um entendimento da condição por parte dos docentes.

Por isso, é fundamental esclarecer as dúvidas frente à dislexia, desmistificar os estereótipos e oferecer ferramentas para que as salas de aula sejam mais receptivas e inclusivas nas instituições de educação superior (IES).

O que é dislexia?

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que faz com que a pessoa tenha dificuldade na leitura de material escrito. Pode se apresentar em diferentes graus e afetar áreas como ortografia, leitura em voz alta, gramática, mistura de informações e dificuldade geral em processar conteúdo.

É um transtorno do neurodesenvolvimento, ou seja, as condições fisiológicas afetam a forma como as informações são difundidas pelo sistema nervoso central. Por alteração nos neurotransmissores (moléculas que permitem a passagem de sinais de um neurônio a outro), a pessoa enfrenta dificuldades em compreender o que lhe é apresentado de forma escrita.

O CID-10 classifica a dislexia como um prejuízo na compreensão escrita que não pode ser explicado por dificuldades acadêmicas, transtornos emocionais, deficiência visual ou outros fatores. Também não pode ser considerada uma falta de inteligência: não é que o aluno não compreende o assunto, mas tem dificuldade de ler e escrever sobre ele.

Entre os principais efeitos visíveis da dislexia estão a troca de sílabas, letras e fonemas. O disléxico apresenta dificuldade em relacionar a grafia aos sons, além de ter problemas com ortografia e gramática. Confundir letras simétricas, como b e d, ou confundir palavras similares são casos comuns.

Também podem surgir sinais como dificuldade na fluidez da leitura (principalmente em voz alta) e escrita, além de sinais menos reconhecidos, como baixo vocabulário, frases pouco claras, “comer” palavras e até alterar sua ordem.

Em geral os sinais surgem no início da vida escolar, mas os sintomas perduram na vida adulta, principalmente se não houver intervenção terapêutica prévia. Como a leitura se mostra essencial para o aprendizado, o aluno disléxico frequentemente lida com dificuldades acadêmicas, mesmo que demonstre conhecer o que é estudado.

Nos adultos, existem alguns sintomas como dificuldade em anotar informações, seguir instruções, gerir o tempo e planejamento de tarefas, o que prejudica não só o ambiente de estudos, como outras áreas da vida do paciente.

Isso faz com que o aluno tenha lacunas de aprendizado durante a vida, o que afeta seu desempenho, além de dificuldades com atividades, entre elas provas cronometradas e trabalhos escritos. Isso afeta a saúde mental do aluno e contribui para a evasão escolar.

Além disso, o mito de que o aluno disléxico é apenas preguiçoso persiste: infelizmente muitas instituições de ensino não oferecem o apoio necessário ao desenvolvimento cognitivo dos alunos com transtornos de aprendizagem. O baixo rendimento é atribuído a desleixo e falta de foco, enquanto, na verdade, está ligado à forma de processar incompatível com a forma de ensino.

O que causa a dislexia?

A dislexia é um transtorno multifatorial, assim como os outros transtornos do neurodesenvolvimento. 

Hoje, acredita-se que a formação do cérebro ocorre de forma diferenciada e que a condição é hereditária. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Dislexia, o fator genético afetou 84% dos entrevistados.

Como é feito o diagnóstico da dislexia?

O diagnóstico da dislexia deve ser feito por uma equipe especializada, de preferência multidisciplinar. Como é uma condição que afeta diferentes partes da vida, é importante ter avaliação psicológica, pedagógica, neurológica, fonoaudiológica, entre outras.

Por meio de avaliações da linguagem, testes e questionários, envolvendo o paciente e relatórios de familiares e educadores, a equipe irá investigar habilidades e dificuldades na compreensão de texto. De acordo com o Instituto ABCD, as habilidades são:

  • Consciência fonológica – habilidade para reconhecer e manipular sons da língua falada.
  • Memória fonológica – habilidade para lembrar e utilizar sons, sílabas e palavras.
  • Nomeação automática rápida – habilidade para nomear objetos, cores, letras e dígitos de forma rápida.
  • Vocabulário receptivo – compreensão de palavras ouvidas.
  • Associação fonema-grafema  – compreensão da relação entre os sons e seus símbolos (letras e sequências de letras).
  • Decodificação – habilidade para utilizar as associações entre sons e letras a fim de identificar e pronunciar palavras escritas.
  • Leitura oral fluente – habilidade para ler de forma correta, com fluência e entonação apropriada, facilitando a compreensão.
  • Compreensão leitora – competência de interpretar e compreender informações de um texto escrito.
  • Soletração e ortografia.
  • Escrita.

Com essas informações, os profissionais elaboram um laudo diagnóstico, que servirá como norteador das dificuldades do paciente. Por meio dele, é possível oferecer o acompanhamento adequado para lidar com as dificuldades e solicitar, no caso de estudantes, apoio das instituições de ensino. Dessa forma, as atividades para alunos com dislexia levarão em conta suas limitações e capacidade.

Quais são os tipos de dislexia?

Existem três tipos principais de dislexia e cada um deles tem suas especificidades. A dislexia visual é a forma que apresenta dificuldades na leitura de textos. A má visualização de palavras e letras leva a erros como confundir a ordem de cada informação, ler ao contrário, confundir letras parecidas como m e w, entre outras.  

Já no caso da dislexia auditiva, o processo acontece de forma mais pronunciada nos textos orais e diálogos. O estudante não faz associações corretas entre fonemas, sílabas e seus respectivos sinais na escrita. Pode ter dificuldade em anotar conteúdos dados em aula, ler em voz alta e soletrar, por exemplo.

É comum, porém, que disléxicos encontrem dificuldades tanto na compreensão visual quanto auditiva da leitura e escrita, conhecido como dislexia mista. O efeito é um embaralhamento de informações, o que prejudica o acompanhamento do conteúdo, a realização de provas e a participação em atividades pedagógicas.

Como trabalhar com alunos disléxicos?

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos estudantes que têm dislexia, muitos lidam com profissionais da educação que não têm o conhecimento adequado. As consequências são instituições de ensino menos inclusivas e preparadas para atender a diferentes demandas de aprendizado.

Isso porque as atividades para alunos com dislexia devem levar em conta as barreiras para o processamento de informações que esses alunos apresentam, não forçá-los a contrariar suas tendências.

Por exemplo, muitas vezes os alunos precisam reler o conteúdo de livros didáticos ou apresentações realizadas por professores em aula, o que leva mais tempo do que um aluno que não seja disléxico. 

Outros podem misturar informações e não ter clareza na expressão quando respondem a perguntas de avaliação por escrito, demoram a realizar provas porque precisam de tempo extra para entender as perguntas e até há casos em que cometem erros simples por conta do processamento diferenciado.

Nesse contexto, repensar as atividades para alunos com dislexia é uma forma de incluí-los de forma mais produtiva no ambiente de estudos, o que não só faz com que retenham melhor o aprendizado, como contribuam para a difusão de informações em sala.

Para simular os efeitos da dislexia, profissionais criaram uma ferramenta que mostra as dificuldades de ler com o transtorno (em inglês).

As avaliações para o aluno com dislexia

Uma das grandes dificuldades de alunos com dislexia, principalmente no ensino superior, é que as formas de avaliação exigem o processamento de informação com fluidez, tarefa que é impedida pelo transtorno.

Confundir letras e sinais gráficos, pular palavras e a velocidade das informações pode atrapalhar muito o desempenho, mesmo que o aluno tenha estudado. Por isso, é importante que as avaliações levem essas limitações em conta.

Em primeiro lugar, uma técnica adotada no ensino básico que pode transformar a experiência do ensino superior é garantir um tempo extra para a realização de atividades escritas. Torná-las menores também pode ajudar, além de colocar o aluno em um ambiente mais quieto, em que ele possa se concentrar mais. 

Estratégias que auxiliem o aluno a não confundir o conteúdo, como uso de uma régua para acompanhar as linhas de texto, calculadora para evitar confusão de sinais de operações em provas de exatas e evitar enunciados longos demais também podem ser ideias úteis.

Se possível, realizar avaliações orais. Se não for viável eliminar as escritas por completo, o ideal é adotá-las juntamente com outras formas de avaliação. Um aluno que tem dificuldade em expressar as informações em um trabalho escrito pode se destacar em seminários ou atividades de debate, por exemplo.

Um projeto pedagógico que envolva diferentes técnicas de avaliação contempla as diferentes formas de aprender e de difundir conhecimento, o que torna o ambiente educacional mais rico.

A atitude do professor perante à dislexia

Mas, além da adaptabilidade do aluno e da IES, é importante que os docentes estejam alinhados à missão de realizar atividades para alunos com dislexia que contemplem suas necessidades.

Com o avanço dos métodos de docência e de metodologias ativas, existem novas possibilidades para os alunos, inclusive os alunos com dislexia. Nesse contexto, uma IES preparada para dar o protagonismo ao corpo discente também é mais funcional para os disléxicos.

A aprendizagem baseada em projetos, por exemplo, pode ser uma boa oportunidade de o aluno se sentir à vontade, desde que compreenda corretamente as instruções. Em qualquer atividade, é essencial que o docente fale com clareza e explique todos os passos, tendo certeza de que o aluno consegue colocar as ideias em prática.

Em relação ao conteúdo, é fundamental que o aluno tenha tempo para anotá-lo e tenha fácil acesso às informações. Slides passados rapidamente, por exemplo, não vão ajudar, mas o docente pode disponibilizá-los por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem, para que o aluno possa acessar mais tarde.

Uma ideia que auxilia muito na elaboração de atividades para alunos com dislexia é contar com o avanço tecnológico e uso de ferramentas multimídia de aprendizado: além dos livros de referência, as bibliografias podem lançar mão de filmes, podcasts, vídeos e outras formas de explicar o conteúdo visto em aula. 

A interatividade e a gamificação do aprendizado também facilitam a participação dos alunos disléxicos: se eles se sentem motivados a contribuir, mesmo que de forma não tradicional, se engajam mais com o conteúdo e, consequentemente, absorvem melhor as aulas.

Para que isso ocorra, é importante que os docentes tenham em mente que o aluno disléxico está apto para aprender, desde que sua diferença cognitiva seja respeitada. Caso não seja, ele pode ter falta de confiança em seu conhecimento e desempenho.

Leia também: O que é e como aplicar as estratégias da Taxonomia de Bloom no ensino superior?

Dicas e estratégias para elaborar atividades para alunos com dislexia

Existem alguns princípios que devem ser levados em conta ao tornar o aprendizado mais acessível e respeitoso ao aluno disléxico. O CIPAS (Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Atenção à Saúde), orgão da UFRGS, orienta docentes a:

  • não permitir que o aluno seja ridicularizado pelos erros ortográficos que são inevitáveis;
  • não solicitar que leia em público em voz alta. Quando isso for absolutamente necessário, fornecer, antecipadamente, uma cópia do material a ser lido para que ele se familiarize com o texto;
  • oportunizar local tranquilo para realizar trabalhos escritos;
  • avaliá-lo preferencialmente pela modalidade oral;
  • não reprová-lo por dificuldades em língua estrangeira;
  • oferecer mais tempo para as tarefas curriculares e avaliativas.

Para os alunos disléxicos, a leitura e a escrita comprometidas significam pouca absorção e aproveitamento do conteúdo que encontram de forma escrita. Com algumas mudanças, os textos adotados em sala de aula (online e ao vivo) podem se tornar mais acessíveis. Confira algumas dicas:

  • Linguagem clara e direta: evite uso de metáforas e simbolismo confuso
  • Parágrafos: evite parágrafos longos e insira respiros no conteúdo
  • Hierarquização: diferencie títulos, intertítulos, texto corrido, coloque palavras-chave em negrito, etc
  • Tamanho do texto: não use texto pequeno demais e evite usar caixa alta além de termos que devem ser destacados
  • Fontes: as letras separadas são mais fáceis de serem lidas, o que evita confusões. Opte por fontes sem serifa (Arial, Helvetica, Calibri) e, quando escrever à mão, evite cursiva 
  • Contraste: evite textos pretos em fundos brancos, já que isso aumenta a percepção de letras “saltando”. Opte, se possível, por tons de cinza. Evite também cores muito próximas entre o fundo e o texto
  • Alinhe o texto à esquerda: o leitor disléxico, quando vê um texto que enche a página, nota os espaços irregulares. Isso faz com que se perca na leitura
  • Adicione imagens, listas e outros recursos visuais

Como melhorar a acessibilidade no ensino superior?

Uma das razões que impedem a democratização do ensino superior e a permanência dos alunos, em especial alunos de grupos marginalizados, é a falta de acessibilidade das instituições. Isso inclui alunos com deficiências físicas, alunos de minorias sociais, alunos de baixa renda, de zonas rurais e também alunos com transtornos de desenvolvimento. 

O educador que elabora atividades para alunos com dislexia, portanto, é um educador que trabalha ativamente na construção de um ensino mais igualitário. Assim, é uma forma recorrente de possibilitar o acesso ao conhecimento. 

Quanto mais alunos, em suas diferentes formas de aprendizagem, se veem dentro dos ambientes acadêmicos, mais vivências diversas fazem parte da produção de novos conhecimentos. 

Alunos mais diversos tornam a IES mais diversa e isso se reflete na ampliação da produção cultural e científica. Todo o conhecimento é levado para fora da instituição, nos caminhos profissionais que os egressos seguem, o que por sua vez contribui para sua difusão perante a sociedade.

Esperamos que você esteja mais preparado para elaborar atividades para alunos com dislexia! Aproveite também para conferir nosso artigo sobre como promover a inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior!

Transtorno de aprendizagem: fotografia de uma sala de aula. Em foco, um professor está orientando um aluno em sua carteira.

O que é transtorno de aprendizagem e quais são os principais tipos?

O transtorno de aprendizagem, em geral, é abordado principalmente nos primeiros anos escolares. As crianças, em fase de desenvolvimento, já mostram características que levantam suspeitas de familiares e docentes, levando ao acompanhamento pedagógico.

Porém, esses transtornos de aprendizagem não são exclusividade da infância. Não só atingem também jovens e adultos, como, em muitos casos, a condição se agrava com o tempo.

Parte da questão é a falta de atenção do ensino superior para sinais de dificuldades nos estudos e ferramentas que possam auxiliar a identificar o problema. Além disso, as dificuldades estão enraizadas no aluno desde sua infância, o que gera uma dificuldade contínua.

Em muitos casos, também, o aluno é afetado psicologicamente pelo prejuízo na aprendizagem, sentindo-se incapaz e inferior perante o resto da sala. Por isso, mesmo nas instituições de educação superior (IES), o olhar atento aos sinais ajuda o desenvolvimento educacional e socioemocional dos estudantes.

O que é um transtorno de aprendizagem?

A denominação transtorno de aprendizagem é, na verdade, um termo generalista, que inclui diferentes dificuldades cognitivas relacionadas ao processamento de informações. Pode afetar a leitura, a ortografia, a motricidade, a expressão, o raciocínio e o senso numérico do aluno, levando a dificuldades dentro e fora do ambiente acadêmico.

O DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, considera que o transtorno de aprendizagem é  caracterizado por “dificuldades na aprendizagem e no uso de habilidades acadêmicas, que tenha persistido por pelo menos 6 meses, apesar da provisão de intervenções dirigidas a essas dificuldades”.

Esses transtornos não estão ligados à falta de compreensão do conteúdo em si, inabilidade intelectual ou fisiológica. São questões persistentes, que colocam o aluno abaixo do esperado para sua fase de desenvolvimento e idade, prejudicando o desempenho escolar e profissional.

Uma característica chave dos transtornos de aprendizagem é que eles têm origem neurobiológica e podem aparecer desde a primeira infância, mas é com a adição de barreiras limitantes para o aluno que se mostram de forma mais clara. Alta carga de trabalho, provas e testes cronometrados, além de leitura de textos longos são alguns exemplos dessas barreiras.

Transtorno de aprendizagem x dificuldade acadêmica

É fundamental diferenciar as duas inabilidades de obter uma boa performance acadêmica e a distinção entre elas. Enquanto no caso de uma dificuldade o estudo reforçado e apoio educacional ajudam, no transtorno de aprendizagem a questão é outra.

O aluno não tem a capacidade cognitiva de lidar com algumas das demandas acadêmicas, mesmo que ele conheça o assunto abordado. Por exemplo, se o transtorno afeta a leitura, o processamento das informações dadas por escrito fica comprometido.

Além disso, no transtorno de aprendizagem, a dificuldade não está restrita ao ambiente de estudo. Um aluno que apresenta falha ao se expressar corretamente pode ter como impacto dificuldade de se relacionar com outras pessoas. 

Quais são os diferentes tipos de transtorno de aprendizagem?

De acordo com o Instituto ABCD, organização social voltada para a educação de pessoas com dislexia, o termo “transtorno de aprendizagem” engloba três pilares diferentes de dificuldades: comprometimento da escrita, comprometimento da leitura e comprometimento da matemática.

São chamados de transtorno da aprendizagem porque, com a presença deles, o aluno tem dificuldade de adquirir conhecimentos básicos escolares. 

Dislexia e a leitura

O aluno disléxico apresenta dificuldade na fluidez, precisão, velocidade e compreensão de conteúdo escrito. Pode apresentar troca de letras, dificuldade com fonemas, se atrapalhar com palavras e ortografia. 

Mesmo os conceitos mais simples podem ficar de lado nesse aluno. No ensino superior isso se manifesta, por exemplo, na dificuldade de manter o foco por longo tempo em livros referência, dificuldade em elaborar ensaios e teses, erros simples em respostas por leitura equivocada, etc.

Copiar conteúdo, ler em voz alta, fazer anotações específicas, buscar auxílio de dicionários e repetição de palavras são momentos em que o aluno pode apresentar dislexia com mais intensidade.

É o transtorno de aprendizagem mais comum, que, de acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, pode atingir até 17% da população.

Disortografia, disgrafia e a escrita

Aqui, o aluno apresenta dificuldade em colocar de forma escrita o que deseja expressar. No caso da disortografia, há erros básicos de ortografia e gramática, de assimilar a melhor forma de escrever. Na disgrafia, é uma questão de clareza: as anotações podem parecer ilegíveis e desconexas, sendo pouco úteis para o aluno depois.

Um dos impactos desse tipo de transtorno de aprendizagem é que ele afeta diferentes partes da vida. Tanto nos estudos quanto na vida profissional, se expressar de forma clara e prática tem grandes benefícios. No caso da pessoa com o transtorno, a habilidade cognitiva abaixo do esperado pode gerar estresse e falta de motivação.

Discalculia, números e lógica

Já em relação aos números, existe a discalculia. De acordo com o DSM-V, afeta “senso numérico, memorização de fatos aritméticos, precisão ou fluência de cálculo e precisão no raciocínio matemático”. 

A pessoa com discalculia apresenta dificuldades tanto em assimilar conceitos básicos matemáticos quanto em compreender operações em contexto. Outros pontos em que sua vida é afetada diretamente pelo transtorno? Ler as horas, compreender gráficos e tabelas, calcular tempo e distância, estimar grandezas, gerenciar dinheiro no cotidiano, etc.

É comum que esse transtorno seja concomitante à dislexia, o que torna o diagnóstico ainda mais essencial, já que pode auxiliar o paciente a identificar os padrões de dificuldade.

Quais são as comorbidades que afetam a aprendizagem?

Não são somente os transtornos de aprendizagem que afetam o rendimento do aluno. Existem outros fatores neurobiológicos que podem explicar as dificuldades, tanto acadêmicas quanto pessoais, dos estudantes.

TDAH, foco e desatenção

O caso do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) é outro pouco compreendido na vida adulta. Enquanto instituições de ensino básico estão atentas aos sinais do transtorno, sua incidência na vida adulta é pouco discutida.

Os três tipos de TDAH são: impulsivo, desatento e misto. 

No impulsivo, podem ser vistos sintomas como interrupção de fala dos outros, inquietude ao esperar, decisões sem pensar, dificuldade em ficar parado, tendência a vícios, dificuldade em se expressar e propensão ao tédio.

O tipo desatento costuma apresentar dificuldades como falta de foco em tarefas longas, desorganização, perda de objetos importantes, falta de gestão produtiva do tempo, etc. 

O tipo combinado inclui ambas as vertentes em diferentes proporções, de acordo com cada pessoa.

Apesar de o TDAH não ser um transtorno de aprendizagem em si, ele tem muitas dificuldades em comum e afeta a vida escolar de forma semelhante. Um aluno com TDAH, por exemplo, apresenta falta de foco em leituras longas, enquanto o aluno disléxico perde o fio da leitura por misturar letras. 

Uma pessoa com TDAH impulsivo se sente desmotivada se não há estímulos o suficiente, enquanto alguém com dificuldade de compreender conceitos matemáticos perde a motivação para resolver problemas lógicos.

Também é importante frisar que esses transtornos são frequentemente concomitantes: de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Dislexia, 34% dos entrevistados disléxicos também tinham TDAH.

Transtorno do Processamento Auditivo Central

O paciente que apresenta esse transtorno não tem dificuldade em escutar sons. Não é uma perda auditiva, mas uma perda no processo cerebral de absorver e transmitir informações recebidas por sons. Portanto, se há perda nesse sentido, parte das informações não é detectada e/ou absorvida corretamente.

Quais são os sinais do transtorno de aprendizagem no ensino superior?

Apesar dos mitos e estereótipos, os transtornos de aprendizagem não são condições unicamente da infância. Na vida adulta, continuam afetando o processamento de informações, principalmente em alunos que nunca tiveram o diagnóstico.

Um aluno pode estar sofrendo com esses quadros se apresenta dificuldades como: demora na leitura, velocidade de processamento reduzida, ideias desestruturadas em textos ou diálogos, falhas em ortografia e conceitos simples matemáticos, problemas de concentração, entre outros.

Esses transtornos afetam muito os jovens e adultos porque geram situações em que eles sabem a resposta certa ou o que dizer, mas têm dificuldades para expressar seu conhecimento. Alunos que parecem compreender o conteúdo mas repetidamente tiram notas baixas em provas podem apresentar um transtorno de aprendizagem.

Outro sinal é a autoestima: por medo de erros e de soarem diferentes do que querem expressar, muitos alunos no ensino superior não lidam com suas dificuldades, o que leva ao baixo rendimento e estresse.

O docente, ao notar esses padrões, não deve imediatamente atribuir a dificuldades com o conteúdo, mas indicar ao aluno que converse com profissionais especializados. Será feita uma avaliação sobre seus processos cognitivos e como trabalhar para aproveitar melhor a educação superior.

Quais são as causas do transtorno de aprendizagem?

Também existem muitos mitos  sobre o que causa um transtorno de aprendizagem, desde temperos e corantes até famílias disfuncionais. No entanto, a ciência não apresenta evidências o suficiente para isso.

Assim como outros transtornos neurobiológicos, um transtorno de aprendizagem é o resultado de alteração no processamento de informações, causada pela transmissão entre neurônios.

Hoje, cientistas acreditam que a principal causa dos transtornos é a genética. Associada a alterações estruturais no cérebro, ela afeta a formação do sistema nervoso central, o que, por sua vez, afeta como ocorre a comunicação entre neurônios. 

Assim, há dificuldade para compreender e executar tarefas aparentemente simples, o que é chamado de disfunção executiva.

Quais são as consequências do transtorno de aprendizagem no ensino superior?

Muitas crianças levantam suspeitas de transtorno de aprendizagem ao iniciar a alfabetização na escola. Ali, sinais como dificuldade na compreensão fonológica e fluência da leitura são mais visíveis, portanto, equipes pedagógicas notam se a criança está abaixo dos padrões e do esperado para seu desenvolvimento.

No entanto, há diferentes graus dos transtornos. Em muitos casos, a criança só aparenta ser desorganizada ou ser menos inteligente e dedicada que os colegas. Em outros, a criança mascara as dificuldades durante a vida escolar.

Porém, na vida adulta, essas dificuldades tendem a ficar exacerbadas pelas circunstâncias. No ensino superior, a alta demanda de trabalho e a rotina mais exigente começam a cobrar maior dedicação, foco e atenção.

Nesse contexto, o aluno que já apresenta disfunção executiva se sente ainda mais “perdido” em relação às expectativas, o que afeta sua saúde mental e rendimento acadêmico.

Dificuldades do acesso à permanência nas IES

Provas e vestibulares são uma grande barreira para a entrada dos alunos com transtorno de aprendizagem no ensino superior. As IES realizam testes cronometrados, atividade que é dificultada pela leitura lenta e sem fluidez.

Cursos superiores com conteúdo muito denso e teórico, por exemplo, podem ser especialmente difíceis para alunos disléxicos. A dificuldade em processar informações escritas faz com que eles percam conteúdos importantes. 

Durante a rotina dos estudos, o aluno pode parecer preguiçoso e pouco dedicado, o que o afasta da comunidade acadêmica. Muitas vezes por falta de compreensão, docentes e coordenadores não sabem diferenciar esses quadros de falta de estudos, desmerecendo os esforços e as dificuldades diárias do aluno.

Assim, ele pode acabar desistindo dos estudos, desenvolvendo quadros de ansiedade em relação à educação superior e não recebendo conhecimento suficiente para sua formação pessoal e profissional.

Princípios da educação e a missão do ensino superior

De acordo com a Constituição, Art. 3º:

O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;

entre outros fatores para promover a democratização da informação e a pluralidade do corpo docente e discente nas instituições de ensino.

No ensino superior, não deve ser diferente: ainda que alunos com diagnóstico de transtorno de aprendizagem apresentem dificuldades, seu processo também deve ser respeitado e acolhido.

Diferentes formas de avaliação, modalidades ativas de ensino e aprendizagem, estratégias de assimilação de conteúdo variadas e diálogo são a chave para garantir a efetividade da transmissão de informações.

Além de tornar o ambiente educacional muito mais inclusivo, as diferentes formas de pensar e aprender contribuem para o surgimento de novas ideias e conhecimentos a serem compartilhados.

Como o transtorno de aprendizagem é diagnosticado?

A avaliação multidisciplinar não é diferente na vida adulta em relação aos pacientes infantis. A diferença está nos sinais e na forma com que a pessoa enfrenta ou mascara seu transtorno no dia a dia.

Se há suspeita, tanto por parte do aluno quanto do docente ou de coordenadores, o próximo passo é buscar ajuda especializada. Profissionais como médicos, psicólogos, psicopedagogos e fonoaudiólogos fazem avaliações do nível de processamento das informações.

Nesses testes, de acordo com o HCor, é possível notar os padrões e a dificuldade em compreender conteúdos, além de testar memória, foco e raciocínio. Também é hora de descartar outros fatores que possam causar a dificuldade acadêmica, como deficiências físicas (auditivas e visuais), transtornos psicológicos, problema de alfabetização ou fluência no idioma, entre outros.

Opções de tratamento

Existem várias estratégias para que a pessoa consiga manejar os sintomas do transtorno. Apesar de não ter cura, com as intervenções certas, o paciente consegue lidar melhor com o processamento de informações e adquirir conhecimento sem prejudicar sua saúde mental.

A psicoterapia auxilia o aluno a falar sobre suas dificuldades e a desenvolver estratégias alternativas para otimizar seu aprendizado. Além disso, lida com o aspecto emocional do transtorno. Também há intervenções de fonoaudiólogos, que podem ajudar no processamento auditivo. 

Solicitar programas especiais de aprendizagem às IES é o que auxilia muitos alunos a aproveitar melhor a formação: extensão de prazos, provas com tempo extra e modalidades de ensino híbridas ou digitais são algumas das soluções.

Em alguns casos, mais severos, o psiquiatra pode aconselhar o uso de medicação que beneficia o aprendizado cotidiano, para garantir o melhor aproveitamento a longo prazo.

Para que o ambiente de estudos seja mais benéfico, a gestão e a coordenação da IES devem estar atentas aos alunos em sua multiplicidade e garantir que, acima de tudo, todos tenham acesso à educação de qualidade.

Agora que você já conhece melhor o que é o transtorno de aprendizagem e deve estar pensando em formas de melhorar a experiência dos alunos em sua IES, entenda também como promover maior inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior!

Extensão universitária: fotografia de um grupo de pessoas reunidas em uma reunião.

Como funciona e como desenvolver a extensão universitária na IES

A extensão universitária é um dos três pilares da educação superior, composta também pelo ensino e pela pesquisa. Por serem instituições educacionais pluridisciplinares, as universidades se diferenciam de faculdades e centros educacionais em seu impacto perante a sociedade. A extensão é parte fundamental na abertura do espaço universitário e na multiplicação do conhecimento.

Além de formar alunos em várias áreas de atuação, as universidades investem em pesquisa e pós-graduações (tanto profissionalizantes quanto acadêmicas), o que leva a contribuições no desenvolvimento científico especializado. 

O pilar da extensão completa o trio, visando a ampliação do conhecimento e do espaço da instituição de educação superior (IES) para o exterior, difundindo conhecimentos e práticas para a comunidade e visando o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade mediante a aplicação de práticas acadêmicas e profissionais dos alunos.

Isso pode se manifestar na forma de cursos livres e abertos ao público, oficinas, entidades estudantis, conferências, empresas juniores, projetos sociais e outras iniciativas que se utilizam dos recursos intelectuais e estruturais da universidade em benefício à comunidade externa.

Além disso, a extensão traz benefícios também para alunos e docentes, possibilitando a troca e aplicação de conhecimentos, além de ampliar o impacto do que é discutido em salas de aula e auxiliar no desenvolvimento de competências importantes para a formação e a atuação no mercado de trabalho.

Por isso, cada vez mais as atividades extensionistas têm se tornado diferenciais curriculares nas IES. Elas criam a identidade de cada organização perante os alunos, o mercado de trabalho e a sociedade, exemplificando na prática a qualidade do ensino, o impacto da pesquisa e o compromisso da gestão e da coordenação com a responsabilidade social do ensino superior.

As diretrizes legais das atividades de extensão universitária

De acordo com o MEC (portaria 1.350, 2018), as atividades de extensão devem buscar: 

“I – a contribuição na formação integral do estudante, estimulando sua formação como cidadão crítico e responsável; 

II – o estabelecimento de diálogo construtivo e transformador com os demais setores da sociedade brasileira e internacional, respeitando e promovendo a interculturalidade; 

III – a promoção de iniciativas que expressem o compromisso social das instituições de ensino superior com todas as áreas, em especial, as de comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, e trabalho, em consonância com as políticas ligadas às diretrizes para a educação ambiental, educação étnico-racial, direitos humanos e educação indígena; 

IV – a promoção da reflexão ética quanto à dimensão social do ensino e da pesquisa; 

V – o incentivo à atuação da comunidade acadêmica e técnica na contribuição ao enfrentamento das questões da sociedade brasileira, inclusive por meio do desenvolvimento econômico, social e cultural; 

VI – o apoio em princípios éticos que expressem o compromisso social de cada estabelecimento superior de educação; 

VII – a atuação na produção e na construção de conhecimentos, atualizados e coerentes, voltados para o desenvolvimento social, equitativo, sustentável, com a realidade brasileira.”

Segundo a legislação, as diretrizes para a implantação da extensão universitária no ensino superior têm como objetivo “a interação dialógica da comunidade acadêmica com a sociedade por meio da troca de conhecimentos, da participação e do contato com as questões complexas contemporâneas presentes no contexto social”. 

Além de possibilitar uma formação mais cidadã dentro do contexto acadêmico, o diálogo deve levar a avaliações e transformações internas da IES, com a valorização da interdisciplinaridade, do acesso ao conhecimento e do desenvolvimento científico e cultural da sociedade por meio da aplicação de conhecimentos.

Os benefícios de atividades de extensão universitária

O Ministério da Educação (MEC) avalia a implantação de projetos de extensão em 5 diretrizes: Interação Dialógica; Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade; Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão; Impacto na Formação do Estudante; Impacto e Transformação Social.

É, portanto, uma estratégia que afeta não só sua área de atuação, como os pilares de ensino e pesquisa, além de impactar diretamente o corpo docente e discente de cada instituição.

O impacto social da extensão universitária

No caso da interação dialógica, a ideia é quebrar as barreiras de acesso ao conhecimento acadêmico. Como ambientes de estudo podem ser muito restritos, é relevante pensar em estratégias que envolvam a comunidade externa.

Na prática, o Impacto e Transformação Social são obtidos quando aquele conhecimento é aplicado em forma de benefícios a setores menos privilegiados da sociedade. Há projetos de extensão, por exemplo, que prestam serviços de assistência jurídica a pessoas de baixa renda. Uma ideia implementada na USP, por exemplo, é o Projeto Redigir, que ensina língua portuguesa por meio de debates sociais e conceitos de gramática, para incentivar a expressão cidadã de populações marginalizadas.

Os benefícios para os estudantes

A Interdisciplinaridade e a Interprofissionalidade são conceitos para um setor de educação mais humanizado e preparado para os desafios contemporâneos. Ao invés de formar alunos aptos apenas no conteúdo específico ao qual seus estudos foram voltados, o foco em formar relações de troca de conhecimento contribui no perfil do egresso.

A extensão, nesse contexto, envolve alunos com diferentes competências e habilidades, muitas vezes unindo estudantes de múltiplos cursos. No espaço de extensão, por exemplo, um aluno de saúde aprende sobre fatores geográficos de risco, enquanto um aluno de sociologia pode compreender o impacto da falta de acesso a cuidados médicos.

Da mesma forma, portanto, esses alunos também veem na colaboração entre pessoas de diferentes áreas uma atuação mais completa e humanizada, o que é um fator de Impacto na Formação do Estudante e determina egressos muito mais focados em encontrar soluções criativas, efetivas e multifacetadas para os desafios atuais da sociedade.

A pluralidade da extensão universitária nas IES

Além da quebra no mito da universidade inacessível, as IES se beneficiam dos projetos de extensão universitária em vários sentidos. Levando em conta a Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão, a qualidade de cada pilar afeta o outro.

Por exemplo, alunos que buscam desenvolver conhecimentos em sala levam a aplicação melhor das práticas profissionais. Projetos de extensão, por outro lado, fazem com que os alunos tenham contato com problemas e busquem soluções em suas linhas de pesquisa, o que auxilia na produção científica da IES.

Outro ponto é que esses projetos contam com o envolvimento direto dos alunos, o que amplia a autonomia, foco das metodologias de ensino ativas dentro de sala de aula. Portanto, todas as atividades curriculares e complementares inseridas na grade curricular têm seu papel na criação de um ambiente acadêmico mais efetivo, tanto no âmbito educacional como no impacto social a longo prazo.

A responsabilidade social do ensino superior não contempla somente políticas de acesso e permanência estudantil. Apesar destes fatores auxiliarem e muito no impacto a longo prazo da instituição na sociedade, os projetos pedagógicos de curso, ao inserir atividades relevantes de extensão, também contribuem para impactos a curto prazo.

O desenvolvimento de projetos de extensão universitária

Com a nova obrigatoriedade das atividades de extensão universitária na grade curricular com pelo menos 10% da carga horária, gestores e coordenadores buscam as melhores formas de implementar projetos em suas instituições, adequadas às diretrizes legais, à missão educacional da IES, às demandas sociais da região onde ela está localizada e aos recursos disponíveis.

Para auxiliar neste processo, temos algumas orientações na hora de montar projetos de extensão:

Legislação vigente

O processo de implantação de atividades de extensão deve estar de acordo com as Diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) e seguir os passos previstos na legislação. Para a viabilização do registro junto ao MEC, as instituições devem incluir em seu Plano de Desenvolvimento Educacional:

“I – a concepção de extensão, que se ajuste aos princípios estabelecidos na presente Resolução, a ser aplicado na formulação dos projetos pedagógicos dos cursos superiores, quando necessários; 

II – o planejamento e as atividades institucionais de extensão; 

III – a forma de registro a ser aplicado nas instituições de ensino superiores, descrevendo as modalidades de atividades de extensão que serão desenvolvidas; 

IV – as estratégias de creditação curricular e de participação dos estudantes nas atividades de extensão; 

V – a política de implantação do processo autoavaliativo da extensão, as estratégias e os indicadores 

VI – a previsão e as estratégias de financiamento das atividades de extensão.

Como criar o projeto

Para a criação de um novo projeto de extensão universitária, é necessário avaliar as diretrizes do Projeto Pedagógico de cada curso de graduação. Qual é o perfil do egresso do curso? Que impacto a formação dele tem na sociedade? Que competências e habilidades são desenvolvidas dentro do curso e como elas podem ser produzidas em atividades de extensão?

Todos esses fatores devem ser levados em conta, para adequar as atividades perante a área de conhecimento dos alunos. Assim, mesmo sob supervisão, eles terão autonomia para coordenar e participar de projetos, o que estimula a prática de conhecimentos.

Os fatores essenciais na criação de um projeto são docentes responsáveis, financiamento por meio da IES, qual o perfil do aluno participante e quais pessoas o projeto visa atender. Também é importante analisar quais recursos de infraestrutura serão utilizados na execução do projeto.

Ideias de projetos de extensão universitária

Existem diferentes formas de executar atividades de extensão que contemplem a necessidade formativa e social. Uma ideia frequentemente aplicada em IES é a de cursos abertos ao público. Essa ferramenta, que inclusive pode ser feita de forma online, é uma forma de democratizar o acesso à informação.

Alunos de graduação e pós-graduação, sob orientação de docentes, criam planos de aula que divulgam conhecimentos científicos em sua área de estudo, de forma a torná-los mais acessíveis para pessoas sem conhecimento prévio. A partir disso, podem ser realizados cursos de introdução aos temas.

Outros cursos que são interessantes são os cursos de idiomas. Com a ampla gama de alunos com conhecimento didático nas universidades, as aulas oferecidas são uma forma de difundir os idiomas para a complementação curricular do público participante.

Uma ideia de grande impacto social são programas de extensão voltados aos direitos humanos de populações vulneráveis. Podem envolver alunos de diversas áreas, como saúde, educação e direito, visando criar oportunidades de acesso da população a seus direitos.

Workshops e cursos sobre direitos das mulheres, serviços de assistência jurídica a vítimas de violência, cursos de educação financeira e sobre saúde, auxílio fiscal e de acesso à moradia a pessoas de baixa renda, incentivo à busca de políticas públicas que promovam proteção a populações vulneráveis, tutoria e monitoria de alunos de ensino básico em situação de risco, orientação profissional e escolar, apoio psicológico gratuito para pessoas com transtornos psicológicos, etc. São muitas as vertentes em que a extensão pode transformar a vida da comunidade externa.

A importância da avaliação crítica da extensão

Para a formação de atividades de extensão, a IES obrigatoriamente deve envolver comitês de autoavaliação, que, frequentemente, se voltem para o aperfeiçoamento das atividades a fim de contemplar as estratégias de ensino e pesquisa. Essa comissão avalia não só a pertinência das atividades propostas aos projetos pedagógicos e à formação do estudante, como também os efeitos e o aproveitamento do público participante.

Também há avaliação do SINAES (Sistema Nacional de Avaliação), que prevê fiscalização do cumprimento das diretrizes, da adequação curricular e dos docentes responsáveis pelas atividades de extensão.

A curricularização da extensão para os novos desafios educacionais

A partir de 2018, fica estabelecida a obrigatoriedade da curricularização da extensão perante o MEC. Isso significa que as IES devem determinar 10% da carga horária dos cursos de graduação para a realização de projetos de extensão. As IES têm até dezembro de 2021 para atualizar os projetos pedagógicos visando a adequação às novas demandas.

Os projetos devem ser um complemento à formação, incluindo oportunidades de colocar em prática o aprendizado, dialogar sobre o conteúdo e contribuir para a aplicação do conhecimento em prol da sociedade.

Essa mudança contribui para o engajamento dos estudantes e a formação multifacetada de profissionais que consideram o desenvolvimento social parte essencial de qualquer área de atuação. 

Além disso, reforça a importância do diálogo entre a IES e a sociedade e a colaboração interprofissional entre diferentes áreas de atuação. Todos esses benefícios levam à humanização da formação, o que tem grande impacto na esfera pessoal e social.

Esperamos que você tenha gostado deste artigo sobre extensão universitária! Aproveite para conferir também o nosso conteúdo sobre a integração da comunidade acadêmica.

Educação dialógica: fotografia de um grupo de estudantes conversando. O foco está em uma estudante sorrindo.

Saiba o que é e as características da educação dialógica

Pensar no que é a prática de ensino, em suas mais variadas manifestações, pode nos direcionar a uma imagem de uma sala de aula convencional, com um professor à frente e os alunos enfileirados enquanto o docente expõe o conhecimento a ser apreendido pelos discentes. Reconhece essa cena, de algum momento da sua formação? É porque esse modo de ensinar faz parte da nossa história como aprendizes.

Paulo Freire, um dos grandes pensadores da educação brasileira, disse em sua obra, Pedagogia da Autonomia, que “ensinar não é transmitir conhecimento mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”

A ideia do conhecimento como algo vivo, mutável e passível de ser construído a partir de processos coletivos nos faz imaginar como encaixar uma prática mais alinhada  às trocas entre professores e alunos, mesmo em ambientes que normalmente funcionam a partir de modelos mais tradicionais.

Em uma sociedade cada vez mais ligada à troca de informações e à interação, como construir um modelo de ensino que abrace a capacidade dos discentes e docentes de traçar correlações entre suas rotinas, experiências, conhecimentos e o conteúdo que precisa ser trabalhado em determinadas formações?

Podemos dizer que, para abarcar essa dimensão interacional da educação, é preciso estabelecer diálogos, e é sobre isso que falaremos neste post. Quer conhecer um pouco sobre a educação dialógica? Então continue essa leitura!

O que é educação dialógica?

Segundo Paulo Freire podemos entender a educação dialógica como um encontro de sujeitos, em que se busca o conhecimento. Para ele, a capacidade de estabelecer diálogos na educação é o que pode elevar o processo educacional a uma esfera libertadora para os sujeitos que dela fazem parte. 

Sendo assim, todos nós, homens e mulheres, somos, para Freire, sujeitos do conhecimento, o que não necessariamente tem a ver com uma relação entre aprendiz e aprendizado, mas com as redes que se formam entre as pessoas e o conhecimento. Dessa forma nos tornamos coparticipantes no processo de conhecer algo, utilizando a comunicação como base, por meio de sistemas linguísticos. 

O conhecimento é o objeto que media a relação entre as pessoas, e é impossível não ser impactado pelas transformações promovidas por essa rede formada entre sujeitos e objeto.  E, para isso, o diálogo é essencial! O saber é comunicativo e, por isso, permite a criação de relações, por isso essa forma de ensinar foi nomeada educação dialógica.

Mas o que é contrário à educação dialógica? Para Freire, a educação tradicional é considerada educação bancária, ou seja, um modelo de transmissão e reprodução de conhecimento

Isso faz com que as perspectivas apresentadas aos alunos fiquem descontextualizadas, e muito afastadas do mundo como eles conhecem. Na educação bancária, o professor atua como protagonista da aprendizagem, com um papel central como provedor do conhecimento. Aos alunos cabe apenas a recepção do conteúdo e sua posterior repetição.

Mas como aprender a aplicar e relacionar o saber quando ele é tão desconectado da vida, do dia a dia do aprendiz? Para propor um novo modo de conexão entre objetos de estudo e estudantes, vamos conhecer mais sobre a educação dialógica?

Quais as suas características?

A educação dialógica foi abordada, além de Paulo Freire, por Lev Vygotsky, Jerome Bruner, Gordon Wells, Jurgen Habermas. Entre seus princípios estão:

  1. O diálogo igualitário, que ocorre quando o argumento se sobressai em relação a quem o profere. Para que haja diálogo é preciso que os sujeitos se encontrem em situação de igualdade, para que nenhuma hierarquia se sobreponha ao desejo e à necessidade de promover diálogos;
  2. A inteligência cultural, que diz respeito à capacidade, de todos os seres humanos, de agir e refletir diante a saberes de variadas origens, seja ele cunhado nos ambientes de ensino ou no dia a dia.
  3. A transformação, que coloca a educação como promotora das mudanças dos sujeitos, não o educador. É ela que vai ser objeto da interação entre as pessoas;
  4. Com a criação de sentido, o processo de aprendizagem precisa estar diretamente conectado com a vida, as expectativas, e os usos que serão feitos pelos sujeitos envolvidos.  
  5. A Solidariedade é  que garante que o espírito comunitário será parte do processo educativo que, por ser relacional, é construído a partir do empenho e das relações estabelecidas intra e extra instituição de ensino.
  6. Em sua dimensão instrumental a educação dialógica permite que os sujeitos envolvidos possam operacionalizar conceitos para se integrarem à sociedade. 
  7. Na igualdade de diferenças, ninguém precisa ser igual, pois as dessemelhanças enriquecem o processo de aprendizado. Mas, para isso, é preciso garantir que todos estejam munidos das ferramentas necessárias, que promovam equidade. 

Como desenvolvê-la? 

Promover a aprendizagem dialógica propõe que as escolas substituam o modelo bancário e tradicional para buscar metodologias mais conectadas a um novo modelo, mais participativo e ligado à interação. 

Ao compreender a realidade como uma construção social, própria dos seres humanos, é preciso valorizar os sujeitos que estão envolvidos nessa relação. Os alunos precisam ter seu potencial de aprendizado coletivo estimulado, seja no ambiente escolar ou não.

Para estabelecer o ensino de base dialógica é preciso conhecer seus estudantes, para que todos consigam alcançar o melhor nível de aprendizagem que conseguirem. Por isso, é preciso que haja um currículo construído levando em consideração as características dos discentes e a sociedade em que estão inseridos. 

Como um dos atores no processo de ensino, cabe aos educadores evitar quaisquer metodologias que possam gerar prejuízo ao aprendizado de todos os grupos de estudantes envolvidos. Um exemplo disso é a cobrança de conhecimentos anteriores, que podem não estar acessíveis a todos eles. 

As instituições de educação superior (IES) podem oferecer boa estrutura para que esses educadores possam estimular a conexão do saber acadêmico à comunidade, à família, e todos os vínculos possíveis entre sociedade e conhecimento. É preciso que a premissa de uma interação dialógica chegue, ainda, às esferas administrativas das instituições de educação superior. 

A capacidade de participar ativamente do processo educativo e de sentir que sua vivência se encaixa na realidade de sua IES faz com que os alunos desenvolvam comportamentos melhores, com uma melhor auto imagem e maior capacidade de atuar em sua comunidade.  

Leia também: Entenda o que é e a importância da tríade ensino, pesquisa e extensão

Qual é a relação entre a educação dialógica e as metodologias ativas?

Compreendendo que os métodos ativos, ou metodologias ativas, são uma possibilidade de repensar os modos tradicionais de ensino a partir da promoção da autonomia dos estudantes, independente do campo de atuação, é possível imaginar se elas são semelhantes à educação dialógica. 

Quando falamos da educação dialógica, pensamos em interação e, naturalmente, em comunicação. E isso as metodologias ativas têm de sobra! Elas também consistem em uma oposição a um modelo expositivo de ensino e consideram os alunos como agentes ativos de seu próprio processo de aprendizado

Promover o acesso mais rápido à informação e motivar os estudantes a manterem um bom nível de participação, com o estímulo à curiosidade, participação em projetos e desenvolvimento pessoal e técnico, é um dos objetivos das metodologias ativas. 

Dessa forma, podemos considerar que as metodologias ativas são uma ótima aplicação prática de uma educação ancorada nos princípios da autonomia, diálogo e igualdade

É interessante lembrar que as metodologias ativas estão, por muitas vezes, ligadas ao uso de tecnologias digitais. Isso faz com que os autores que utilizaram a educação dialógica em suas pesquisas fiquem mais limitados, por não terem esses meios à disposição na época de suas investigações. 

De qualquer forma, se falamos sobre a retirada de um papel de protagonista dos docentes, o estabelecimento da sala de aula como um espaço de troca e uma educação contextualizada à rotina, com certeza estamos falando de um modelo educacional ligado à importância do diálogo

Nesse sentido, a educação dialógica é uma linha teórica que pode, e deve, embasar as metodologias ativas, que não podem funcionar sem uma sólida base de diálogo e capacidade de estabelecer interação entre os envolvidos no processo de aprendizagem. 

Ambos são de extrema importância para que o ambiente de ensino se torne, cada vez mais, um espaço de diversidade, que promova as boas relações entre toda a comunidade acadêmica e que supra as necessidades de seus discentes. 

Educação dialógica na Educação a Distância (EaD)? 

E se estamos falando de uma perspectiva que contempla o diálogo, é possível replicar isso em um sistema de ensino a distância? Muitas pessoas têm a ideia de que a EaD não consegue, necessariamente, ser um local de busca por interação, mas por um conhecimento específico, segmentado e especializado.

Obviamente, a valorização do ensino técnico é parte dos objetivos ao buscar uma formação em uma instituição de educação superior. Mas não precisa se pautar apenas nisso! O uso de práticas dialógicas pode ser incorporado em várias etapas do processo de formação.

A educação bancária no ensino superior a distância se dá de forma similar no modelo presencial. Nesse caso, o que muda é o meio em que a transmissão unilateral do conhecimento se dá. 

No ensino a distância é comum que uma educação não pautada pelo diálogo seja aplicada por meio de unidades de curso, fitas de vídeo, televisão e rádio, e até mesmo por tutoria pelo telefone, videoconferência, e-mail, entre outros.

A história da educação a distância dá pistas sobre isso, quando em sua primeira geração, ainda no estudo por correspondência, o conhecimento era selecionado e despachado pelos correios, de forma que o estudante não era considerado na formulação desse material, pois não havia possibilidade de estabelecer uma conversa anterior.  

Ainda voltada para os meios impressos, a segunda geração poderia ter dado largos passos com o uso das TICs, mas ainda estava muito ligada a uma formação de massa. Na terceira geração, apesar da possibilidade do uso de conferências em computadores, os métodos de educação bancária para a transmissão de conhecimento continuaram sendo utilizados

Apesar de uma formação mais individual, a EaD pode ser utilizada em um processo de promoção de conexões, assim como podemos perceber em várias redes sociais. A educação libertadora, que Paulo Freire propõe, é construída na apropriação que fazemos dos meios e métodos que estão disponíveis.

Estimule seu corpo docente a conhecer os discentes que farão parte de suas salas de aula. Isso é absolutamente necessário dentro de uma perspectiva dialógica. É preciso que o tempo e as atividades para conhecer os discentes façam parte do tempo dedicado ao ensino. 

Promova, ainda, a interação entre alunos e professores e entre os próprios estudantes, por meio de eventos digitais e momentos de troca, para que o sentimento de participação desigual no ambiente de ensino possa ser superado.

Faça uso de metodologias ativas, como a prática de resolução de problemas ou desenvolvimento de projetos. Os alunos podem ter vidas muito distintas e experiências interessantes para trocar, que podem ser operacionalizadas para construir um saber comum, além de promover empatia e compreensão sobre o universo alheio. Autonomia para aprender não significa isolamento.

Independente do meio, a educação dialógica é uma postura a ser assumida. Não promover ou reforçar a instrumentalização, em uma sociedade que demanda por métodos prontos e cada vez mais rápidos, é um movimento ativo de pensar uma evolução no campo da educação em nossas IES

Nenhuma tecnologia, por si só, é capaz de anular ou promover uma educação cada vez mais voltada ao diálogo. Pensar os projetos pedagógicos das instituições de ensino é, também, considerar as mediações promovidas pela educação presencial ou a distância.

Independente do lugar escolhido como sala de aula, ou da metodologia utilizada, a educação dialógica é uma oportunidade de observar e ouvir as necessidades e experiências de seus alunos. Para te auxiliar a se abrir para promover uma educação pautada no diálogo em sua instituição, conheça nosso guia sobre metodologias ativas!