Como os nativos digitais aprendem: vários dispositivos em cima de uma mesa

Adaptando-se aos novos tempos: descubra como os nativos digitais aprendem!

Nossos alunos mudaram radicalmente. Os alunos de hoje não são os mesmos para os quais o nosso sistema educacional foi criado.

As palavras acima foram ditas há mais de vinte anos, mas permanecem aplicáveis a nossa realidade atual. São de autoria do professor e escritor estadunidense Marc Prensky, que ficou reconhecido por ter cunhado as expressões “nativo digital” e “imigrante digital”.

Suas publicações tratam de assuntos muito relevantes para o atual contexto pedagógico, naturalmente permeado pelas tecnologias de acesso à rede. Podem nos auxiliar, portanto, a responder à seguinte pergunta: como os nativos digitais aprendem?

A questão é que as novas gerações, via de regra, são fruto de uma realidade distinta de seus educadores. Elas conheceram, desde o nascimento, um mundo onde smartphones, tablets e computadores são tão comuns quanto outros objetos, como fogão e geladeira.

Desse fenômeno podem surgir algumas questões:

  • De que forma o ensino deve ser (re)pensado para dialogar com a natividade digital?
  • Como manter a atenção e interesse destes novos alunos?
  • Qual é o papel dos professores diante desse conflito de gerações?

Pensando em fomentar a discussão sobre essas perguntas tão relevantes hoje em dia, preparamos o presente texto. 

Vamos nos reportar aos ensinamentos de Prensky e às atuais abordagens pedagógicas tecnológicas para auxiliar sua instituição de educação superior (IES) a lidar com o aluno do futuro — que, a bem da verdade, já se encontra no presente.

Tenha uma boa leitura!

O que é um aluno nativo digital?

Um aluno nativo digital é um estudante que nasceu em contextos em que as tecnologias digitais, como internet e videogames, já estavam presentes. Ou seja, são pessoas que cresceram em contato com essas novas tecnologias, de forma que esse contato passa a ser um dos aspectos formadores de sua identidade.

Trata-se de uma expressão difundida pelo autor Marc Prensky, no artigo “Nativos Digitais, Imigrantes Digitais”. Em suas palavras, “nossos estudantes de hoje são todos “falantes nativos” da linguagem digital dos computadores, vídeo games e internet.

Você encontra, clicando aqui, uma tradução do artigo feita pela professora Roberta de Moraes Jesus de Souza. Vamos utilizar essa publicação de Prensky para compreender melhor as características dessa nova geração de alunos.

Nesse sentido, confira o trecho abaixo:

Os alunos de hoje — do maternal à faculdade — representam as primeiras gerações que cresceram com esta nova tecnologia. Eles passaram a vida inteira cercados e usando computadores, videogames, tocadores de música digitais, câmeras de vídeo, telefones celulares, e todos os outros brinquedos e ferramentas da era digital. Em média, um aluno graduado atual passou menos de 5.000 horas de sua vida lendo, mas acima de 10.000 horas jogando videogames (sem contar as 20.000 horas assistindo à televisão). Os jogos de computadores, e-mail, a Internet, os telefones celulares e as mensagens instantâneas são partes integrais de suas vidas” (Prensky, 2001, destaques nossos).

Essas palavras ilustram bem como os nativos digitais aprendem, ou pelo menos como se entretêm. O contato frequente, rápido e intenso com estímulos visuais e auditivos é uma parte importante da equação.

Como os nativos digitais aprendem: charge de um bebê mexendo no computador

Charge de Airon Barreto. Um bebê, dentro de seu berço, digita no teclado de um computador.

Mas vamos falar melhor sobre as características destes alunos.

Leia também: Entenda o que é, desafios e oportunidades da inovação curricular no ensino superior

Quais são as principais características dos alunos nativos digitais?

De acordo com Marc Prensky, os alunos nativos digitais:

  1. Estão acostumados a receber informações de forma muito acelerada;
  2. Gostam de realizar múltiplas tarefas a um só tempo;
  3. Preferem analisar gráficos antes de ler textos, e não o oposto;
  4. Gostam do recurso hipertexto;
  5. Trabalham melhor quando estão ligados a uma rede de contatos;
  6. Têm sucesso com gratificações instantâneas e recompensas frequentes;
  7. Possuem afinidade com jogos.

Quais são as principais dificuldades dos alunos nativos digitais?

As dificuldades apresentadas pelos alunos nativos digitais estão relacionadas principalmente ao foco.

Como cresceram bombardeados por estímulos visuais e sonoros, eles aprendem em ritmos e frequências diferentes. Assim, a dificuldade de concentração é uma questão muito comum entre esse tipo de estudante.

Uma pessoa que cresceu em outros contextos, apartada das tecnologias digitais, pode apresentar mais facilidade em manter o foco e se distrair menos. Além disso, como os nativos digitais são adeptos do multitasking, é também comum que não executem todas as suas tarefas com tanto afinco. 

É interessante, então, pensar nessas questões ao lidar com o aluno nativo digital. Podemos, por exemplo, propor atividades e recursos que colaborem para exercitar foco e concentração.

Mas é importante entender que, junto a essas dificuldades, vêm algumas facilidades. O papel do docente é aproveitar também as aptidões típicas do nativo digital, para que o processo de ensino-aprendizagem transcorra de forma mais fluida.

Leia também: Confira 8 competências do professor do futuro e como a sua IES pode capacitá-lo

E o que são os imigrantes digitais?

Imigrantes digitais são outro conceito disseminado por Marc Prensky. São definidos como “Aqueles que não nasceram no mundo digital, mas em alguma época de nossas vidas, ficou fascinado e adotou muitos ou a maioria dos aspectos da nova tecnologia” (Prensky, 2001).

Ou seja, em contraponto aos nativos digitais, os imigrantes não tiveram contato com a linguagem digital desde o início de suas vidas. Em algum ponto, depois de mais velhos, tiveram acesso às novas tecnologias e as incorporaram em sua realidade, adaptando-se.

Daí o uso do termo “imigrante”: são pessoas que fizeram a passagem, a travessia para um outro mundo diverso daqueles que conheceram até então. 

Em função disso, Prensky fala sobre o “sotaque” que eles possuem, como uma metáfora para as barreiras de compreensão da linguagem digital:

O ‘sotaque do imigrante digital’ pode ser percebido de diversos modos, como o acesso à internet para a obtenção de informações, ou a leitura de uma manual para um programa ao invés de assumir que o programa nos ensinará como utilizá-lo.

Atualmente, os mais velhos foram “socializados” de forma diferente das suas crianças, e estão em um processo de aprendizagem de uma nova linguagem. E uma língua aprendida posteriormente na vida, os cientistas nos dizem, vai para uma parte diferente do cérebro.” (Prensky, 2001).

O autor menciona, ainda, alguns exemplos cômicos deste sotaque:

  • Quando se imprime um e-mail para realizar sua leitura;
  • Quando se mostra presencialmente uma página na internet para outra pessoa, ao invés de lhe encaminhar o link;
  • Quando se faz marcações no texto digital impresso, e não no arquivo original.

Humor à parte, Marc Prensky ressalta também que os imigrantes digitais não são piores ou melhores do que os nativos. Como em qualquer conflito geracional, são apenas pessoas diferentes, nascidas em contextos diferentes e que possuem características diferentes.

Mas, independente disso, uma coisa é certa: os imigrantes digitais não devem insistir em impor os métodos clássicos de ensino, sem que haja alguma cessão.

Apenas insistir nas metodologias antigas e engessadas é um tiro no pé e não é como os nativos digitais aprendem. Eles representam apenas as primeiras de várias gerações que virão pela frente.

Para abraçar esses alunos e manter sua sustentabilidade, a IES deve apostar na inovação na educação superior.

Como promover um diálogo efetivo entre nativos e imigrantes digitais?

Para alcançar a melhor forma como os nativos digitais aprendem, é imprescindível que exista um diálogo entre as gerações.

As metáforas utilizadas por Prensky não falam de barreiras linguísticas à toa. Às vezes, realmente parece que se fala línguas diferentes com sotaques distintos.

Lidar com esse tipo de aluno, então, requer um exercício de empatia por parte dos imigrantes digitais. É preciso entender que a cabeça do nativo digital funciona de forma diferente; todos somos frutos de nosso tempo.

Os nativos digitais também precisam de alteridade para compreender seus professores, e entender que a forma tradicional de fazer as coisas também têm seu valor.

Todo diálogo é uma troca, e toda troca envolve uma cessão. Se ambas as partes conversarem de forma aberta e respeitosa, o processo de ensino-aprendizagem verá muitos benefícios.

Falando agora de forma mais prática, existem alguns recursos que podem auxiliar a captar e a lecionar para os alunos nativos digitais. Investir em tecnologia educacional é uma forma de capturar seu interesse.

Assim, podemos conciliar essas soluções com as abordagens clássicas. Mantemos, dessa forma, o interesse do aluno nativo digital e garantimos que ele aprenda da melhor forma possível.

Leia também: Diferença de gerações: manter a tradição ou se adaptar aos nativos digitais?

Conheça 5 recursos pedagógicos para nativos digitais!

Agora que já conhecemos melhor como os nativos digitais aprendem, vamos passar para nossas dicas práticas.

Neste tópico, iremos apresentar 5 recursos pedagógicos tecnológicos para garantir seu aprendizado eficiente. São ferramentas inovadoras e muito demandas no atual contexto educacional.

Vamos passar pelos seguintes recursos:

  1. Conteúdos digitais
  2. Gamificação
  3. Microlearning
  4. Multimídia e hipermídia
  5. Metodologias ativas

1. Conteúdos digitais

Os conteúdos digitais, certamente, são recursos ideais para responder à forma como os nativos digitais aprendem.

Aulas expositivas presenciais, grandes livros físicos e avaliações impressas são desinteressantes do ponto de vista destes alunos, e estão ficando no passado. Por outro lado, materiais virtuais interativos são opções que conseguem fisgar a escorregadia atenção dos nativos digitais.

Ao contrário do que se costuma pensar, os conteúdos digitais não são restritos ao ensino superior a distância. Essa modalidade foi, de fato, responsável pela sua difusão, mas eles agora alcançam todo o universo educacional.

Isso porque os conteúdos digitais apresentam uma série de vantagens, como:

  1. Maior acessibilidade aos alunos, já que precisam, basicamente, de dispositivos de acesso à rede;
  2. Maior rentabilidade para alunos e IES, já que os custos de produção e manutenção destes conteúdos são reduzidos;
  3. Contemplação de diferentes formas de aprendizado, por meio de materiais em diversos formatos;
  4. Facilitação de metodologias ativas, que estimulam o protagonismo dos estudantes, entre outras.

Optar por este tipo de conteúdo é uma forma certeira de capturar o interesse das novas gerações de alunos. Como os nativos digitais aprendem por meio das tecnologias digitais, oferecer conteúdos baseados nessas tecnologias é uma ótima ideia.

2. Gamificação

Como ensinar gerações que cresceram jogando videogames? Por meio dos videogames!

A gamificação na educação é uma das principais tendências educacionais dos últimos anos. Ela vem sendo aplicada desde a educação básica até a educação superior, em função dos seus diversos benefícios.

Essa iniciativa pedagógica consiste em aplicar elementos, ferramentas e estratégias típicas de jogos no contexto educacional. Adota-se, assim, lógica, regras e até mesmo o design dos jogos em atividades de aprendizagem.

Como os nativos digitais aprendem por meio de estímulos acelerados, utilizar recursos típicos de jogos é uma boa opção para captar sua atenção. Além disso, conforme leciona Prensky, estes jovens alcançam bons resultados com gratificações instantâneas e recompensas frequentes, como ocorre quando se passa de nível em um game, por exemplo.

Por isso, o principal objetivo da gamificação na educação é aumentar o engajamento dos estudantes, além de trabalhar as seguintes habilidades socioemocionais:

  • Proatividade
  • Organização
  • Autonomia
  • Responsabilidade
  • Curiosidade
  • Capacidade de pesquisa
  • Independência
  • Cooperação
  • Disciplina
  • Pensamento crítico, entre outras.

Através dela, conseguimos tornar o processo de ensino-aprendizagem mais atrativo, dinâmico e lúdico. Os imigrantes digitais mais tradicionalistas possuem resistência à ideia de trazer diversão às IES, mas os resultados podem convencê-los de sua eficiência.

3. Microlearning

O microlearning é outra tendência que dialoga perfeitamente com a forma como os nativos digitais aprendem. Isso porque, para responder ao fluxo acelerado e intenso de informações de nosso paradigma, precisamos repensar o tempo do nosso aprendizado.

Pense na figura típica do aluno nativo digital, navegando entre milhares de páginas, vídeos, comentários, jogos e memes durante um único dia. A atenção desse estudante é muito volátil: ela vai e vem na velocidade de um clique (ou de um toque na tela).

Com esse aluno em mente, faz sentido insistir em aulas ininterruptas de uma hora e meia de duração?

No ensino presencial, com professor e alunos no mesmo ambiente físico, já é difícil prender sua atenção por todo esse tempo. Os alunos se distraem, dormem, conversam entre si ou saem da sala. Pode ser que não mexam no celular nesse caso (pelo menos não de forma explícita), mas sua atenção ainda escapa por outros meios.

Na educação a distância, então, torna-se quase impossível. Se o conteúdo é muito denso ou extenso, o aluno desiste e basta um movimento de dedos para abrir outra página.

Mas, então, se essa é a forma como os nativos digitais aprendem, como chamar atenção dos alunos?

Por meio de conteúdos chamativos, interativos, dinâmicos e, principalmente, curtos. Pode parecer estranho investir nos chamados “conteúdos pílula”, mas as pesquisas pedagógicas atestam a eficiência deste método. 

A ideia, portanto, é fazer materiais objetivos e mais sucintos. Se for uma videoaula, por exemplo, a prática orienta que sua duração não ultrapasse 20 minutos.

Para trabalhar temáticas mais densas e complexas, você pode utilizar outras abordagens pedagógicas, como a sala de aula invertida.

4. Multimídia e hipermídia

A multimídia e a hipermídia na educação são outras ferramentas plenamente compatíveis com a realidade dessa nova geração de alunos. Através de diferentes estímulos é como os nativos digitais aprendem.

A introdução das tecnologias digitais revolucionou a comunicação, de forma geral. A transmissão e a recepção de informações ocorre agora por inúmeras formas distintas, e de forma simultânea.

Essa é a noção por trás de multimídia — quando diversas mídias (sons, imagens, vídeos, animações, fotografias, etc.) são utilizadas ao mesmo tempo, para transmitir informações de forma interativa.

Já a hipermídia trata da fusão de multimídia com hipertexto. Isso significa que diversos conteúdos se conectam, de forma interativa e não linear. Dessa maneira, o aluno consegue navegar pelos conteúdos da forma que bem entender.

Suponha, então, que você faça ou adquira um mapa mental virtual que contenha, ao longo de seu desenvolvimento, links para:

Esse seria o material perfeito para o aluno nativo digital. Ele primeiro terá contato com uma visão holística sobre o tema lecionado, para depois explorar suas vertentes e poder se aprofundar em cada um dos tópicos.

Como os nativos digitais aprendem por meio de uma navegação dinâmica e por múltiplos estímulos, essa opção é ideal. Ela replica a experiência desses estudantes em outros momentos de suas vidas.

5. Metodologias ativas

As metodologias ativas são outra dica valiosa — como os nativos digitais aprendem de forma dinâmica, aulas expositivas tradicionais não são uma boa ideia.

Neste modelo clássico, o aluno assume uma postura passiva diante do conteúdo ministrado. Ele é um mero receptor do conhecimento depositado pelos professores, que se situam ao centro do processo de ensino-aprendizado.

Faz sentido dar esse tipo de aula para alunos dispersos, cujo pensamento é bem mais fluido e fugaz? Pode até ser que funcione, a depender da habilidade de cada professor, mas é bem mais provável que não.

O aluno nativo digital precisa de um incentivo maior. Se ele é convidado a assumir o centro de seu aprendizado, há bem mais chances de sucesso. Essa é justamente a ideia das metodologias ativas.

Através delas, o estudante abandona o posto de receptor passivo de conteúdo para trabalhar ativamente na compreensão de cada disciplina. 

A ideia é aproveitar todas as suas habilidades natas de pesquisa e interação com as redes. Através destas competências, o estudante nativo digital consegue correr atrás do conhecimento por conta própria.

Isso não significa, entretanto, que o aluno vai aprender sozinho. Nós alteramos apenas o método pelo qual ele aprende. Para ilustrar, vamos tomar o exemplo clássico da sala de aula invertida.

Nessa espécie de metodologia ativa, a ideia é justamente inverter o modelo clássico de aula. Ou seja, ao invés de expor o conteúdo em sala e deixar os estudos individuais para o momento posterior, faz-se o contrário.

O professor propõe alguns conteúdos de base, que os alunos estudam por conta própria antes da aula. O momento de interação dos alunos entre si e com o professor, então, é dedicado à discussão desse conteúdo e resolução de dúvidas.

Os docentes, nesse contexto, possuem uma importância enorme. Eles devem dirigir o aprendizado dos alunos, além de mediar os momentos de diálogo, debate e construção conjunta do conhecimento.

Estas e outras iniciativas relacionadas às metodologias ativas aproveitam a autonomia em potencial nos nativos digitais, e por isso são muito adequadas ao seu aprendizado.

Gostou deste conteúdo sobre como os nativos digitais aprendem? Aproveite e confira também: como aproveitar o celular na sala de aula no ensino superior?

Papel das TDICs na especialização: acadêmicas utilizam tecnologia

Compreenda qual é o papel das TDICs na especialização

As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDCIs) vem sendo muito utilizadas no ensino superior, como recursos importantes na criação de diferentes experiências de aprendizagem. Mas, quando falamos sobre especialização, como será que elas podem contribuir para a construção do conhecimento?

Neste artigo, falaremos sobre o papel das TDCIs na especialização, como elas impactam o ensino e quais são seus efeitos quando aplicadas a cursos como os de pós-graduação. Acompanhe a seguir.

O que são TDICs?

TDICs é um termo utilizado para se referir a todas as formas de tecnologia digital da comunicação e informação, como:

  • Computadores;
  • Internet;
  • Wi-fi;
  • Smartphones;
  • Softwares;
  • Redes sociais, entre outras. 

Elas permitem que as pessoas se comuniquem e acessem, transmitam, armazenem e compartilhem informações. 

Qual é o papel das TDCIs na educação?

Quando aplicadas à educação, essas tecnologias são utilizadas em conjunto para apoiar e melhorar não só a aprendizagem no ambiente acadêmico, mas também as metodologias utilizadas pelos professores.

Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Educação Multimídia no Japão, quando as TDCIs são utilizadas de forma integrada ao currículo, têm um impacto muito positivo nas conquistas dos alunos. 

Inclusive, alguns resultados mostraram que a exposição constante à tecnologia através da educação os ajudou a desenvolver habilidades de apresentação e capacidade de inovação, além de demonstrarem maior esforço para aprender.

Em outras palavras, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação são meios comprovados de potencializar a construção do conhecimento na escola e nas universidades.

E qual é o papel das TDICs na especialização?

Como vimos, a educação superior pode ser muito beneficiada quando os professores são capacitados para integrar as tecnologias digitais ao currículo. 

O mesmo pode acontecer quando falamos da pós-graduação. Entenda, a seguir, qual 3 pontos principais sobre o papel das TDICs na especialização.

1. Ampliar o acesso aos cursos de especialização

Um dos papéis mais importantes das TDCIs é a facilitação do acesso dos alunos a essa etapa do ensino superior. 

Para termos uma ideia, segundo dados do Censo de Educação Superior, coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre os anos de 2009 e 2019 a porcentagem de estudantes do ensino superior a distância passou de 16% para 43%.

Nesse sentido, as plataformas de aulas online e de gerenciamento de desempenho viabilizam a educação a distância (EaD) e permitem que cada vez mais profissionais passem a apostar nessa modalidade de ensino.

Ou seja, as TDCIs garantem aos alunos uma oportunidade de cursar uma pós-graduação sem que seja necessário se deslocar por grandes distâncias ou até mesmo sacrificarem suas rotinas pessoais e profissionais.

2. Diversificar os métodos de ensino

TDICs como videoaulas, softwares, podcasts e recursos de leitura digital são meios de diversificar o ensino. Além disso, a biblioteca digital e o acesso às plataformas de pesquisa também são recursos fundamentais para aprofundar o conhecimento dos alunos de especialização.

A pesquisa nessas bibliotecas, em wikis e documentos armazenados em nuvem, por exemplo, colaboram para que os estudantes possam complementar o aprendizado, seja através da leitura ou do compartilhamento de ideias e das descobertas com uma comunidade virtual.

Sendo assim, o ensino nos cursos de especialização deixa de se limitar apenas às aulas expositivas e passa a se multiplicar por outros meios, tornando o processo de aprendizagem centrado no aluno.

3. Aumentar o engajamento dos alunos

Diferente da graduação, nos cursos de especialização os alunos têm muito mais liberdade e responsabilidade sobre seus estudos e sobre o desenvolvimento das habilidades que os tornarão especialistas em suas áreas.

Nesse ponto, as tecnologias digitais da informação e comunicação facilitam muito a capacidade de os alunos aprenderem uns com os outros e de colaborarem em projetos. Ferramentas como os softwares e aplicativos de armazenamento em nuvem são essenciais para que isso aconteça.

Além disso, os estudantes acreditam que as tecnologias digitais podem facilitar bastante a compreensão do conteúdo, e que lidar com diferentes recursos digitais pode ajudar no desenvolvimento de habilidades que hoje são tão desejadas pelo mercado de trabalho.

Portanto, integrar as TDICs ao currículo dos cursos de pós-graduação não apenas permite que os alunos desenvolvam habilidades e atinjam o sucesso acadêmico, como também os preparam para a realidade profissional.

Sendo assim, para que isso aconteça, as instituições de educação que ofertam cursos de especialização precisam capacitar os professores não só para o uso dessas tecnologias, mas também para que eles façam das TDICs ferramentas potencializadoras de suas práticas pedagógicas.

Este artigo foi produzido pela equipe do Blog Portal Pós.

Podcast como ferramenta educacional: homem anda com fone de ouvido

Como trabalhar o podcast como ferramenta educacional? Confira nossas dicas!

O podcast como ferramenta educacional é uma tendência que tem apresentado crescimento intenso e acelerado. Conteúdos em áudio ocupam cada vez mais espaços: entretenimento, jornalismo e também o universo do ensino.

Por isso, as instituições de educação superior (IES) agora investem nessa ferramenta como forma de estudo, avaliação e comunicação entre os atores educacionais. O podcast pode ser utilizado tanto no ensino superior a distância quanto no ensino presencial ou híbrido.

Se você ainda não faz uso do podcast como ferramenta educacional, não se preocupe! Preparamos o presente texto para te ajudar. Vamos falar desde sua definição, passando por formas de trabalhá-lo em sala e seus benefícios, até 11 sugestões de podcasts para incluir desde já em suas estratégias.

Tenha uma boa leitura!

O que são os podcasts?

Os podcasts são mídias em áudio, lançadas digitalmente em feeds de conteúdo. Os programas existem em vários formatos, de entrevistas a histórias narradas, sendo divididos em episódios. Como os programas de rádio, eles podem ser consumidos onde a audiência estiver.

Ficam disponíveis em plataformas de streaming e agregadores de conteúdo. O usuário pode assinar os feeds de seus podcasts favoritos e receber notificações a cada episódio. 

Como são programas versáteis, têm se tornado cada vez mais populares. No ensino, tem crescido muito o uso do podcast como ferramenta educacional.

Como anda o crescimento dos podcasts no Brasil?

O crescimento dos podcasts entre o público brasileiro vem se tornando cada vez mais impactante nos últimos anos. 

A pesquisa Podcast realizada pelo Ibope (em parceria com a Globo), apontou que em 2020, com o isolamento social, a audiência cresceu significativamente: 57% dos ouvintes declararam ter começado durante a pandemia. No ano passado, mais de 7 milhões de brasileiros passaram a consumir essa forma de mídia.

Essas mudanças estão atreladas ao crescimento tecnológico: com a disseminação dos smartphones e a alta qualidade de conteúdos produzidos, fica fácil notar o quanto um podcast pode engajar sua audiência — mesmo que ela esteja escutando enquanto faz outra atividade.

Outro ponto importante é que cada vez mais brasileiros produzem podcasts. Por ser uma transmissão de baixo custo e que não exige tantos equipamentos, o produtor de conteúdo opta por este formato na hora de transmitir suas informações. 

Nesse sentido, os podcasts auxiliam na democratização de informações: veículos de mídia, produtores independentes e especialistas fazem parte de uma ampla gama de produtores de conteúdo informativo e de entretenimento multiplataformas.

A pesquisa do Ibope também apontou uma facilidade para encontrar conteúdo de interesse: 41% dos novos ouvintes descobriram o formato porque estavam em busca de informação extra sobre seus hobbies, profissões e até formas de lazer.

Outro ponto importante é que o podcast pode ser consumido diretamente no smartphone, em uma plataforma de conteúdo como Spotify e Deezer ou até mesmo em agregadores de feed nativos do iOS e Android. 44% dos entrevistados afirmaram escutar podcasts enquanto fazem tarefas domésticas, o que é mais um exemplo da facilidade de inserção dessa mídia no dia a dia.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre a aprendizagem conectada

Quais são as principais temáticas procuradas em podcasts?

Os conteúdos dos podcasts também fazem toda a diferença na hora de conquistar a audiência:

  • 51% dos jovens até 24 anos escutam para aprender mais sobre os assuntos
  • 38%  escutam para se manter informados e
  • 26% para auxiliar nos estudos.

Na faixa etária dos 25 aos 34 anos:

  • 56% dos ouvintes querem aprender
  • 44% buscam informações relevantes
  • 30% usam a mídia para entrar em contato com análises de especialistas

Mas em todas as faixas etárias, os podcasts são fontes de informação, discussão e entretenimento, em um formato acessível e prático.

Quais são os principais formatos de um conteúdo em podcast?

Não existe apenas um estilo de podcast. Assim como em programas de rádio, TV e vídeo sob demanda, há um grande leque de possibilidades que os criadores de conteúdos digitais podem explorar.

1. Entrevista

O mais popular entre os brasileiros é o formato de entrevista. Essa é uma oportunidade para que os programas tenham pessoas convidadas em seus episódios, dando espaço a histórias interessantes ou dialogando com pessoas célebres sob nova ótica. Um dos mais populares atualmente é o podcast “Mano a Mano”, em que o rapper Mano Brown entrevista personalidades conhecidas.

2. Narração

Os fãs de podcast também apreciam conteúdos mais narrativos, principalmente de histórias reais. “Praia dos Ossos”, produzido pela Rádio Novelo, é um dos mais escutados de true crime no Brasil, e reconta a trajetória de um crime que ficou famoso.

3. Mesa redonda

Outro destaque fica para a mesa-redonda. Formato já tradicional na TV, ele envolve várias pessoas conversando e é popular entre os ouvintes pela proximidade com os locutores. 

Há mesas redondas sobre esportes, política, música, cultura e qualquer outro tema que o ouvinte gostar. Um dos mais populares é o “Café da Manhã”, mesa-redonda com jornalistas da Folha de São Paulo sobre as notícias mais importantes do dia.

Leia também: Veja 14 opções de podcasts sobre educação para o seu dia a dia

Como trabalhar o podcast como ferramenta educacional?

Pensando nesse próspero cenário de crescimento, muitos educadores buscam utilizar o podcast como ferramenta educacional. Há vários benefícios que podem ser encontrados nessa prática. 

Em primeiro lugar, o podcast é uma mídia muito mais próxima da audiência média dos alunos do ensino superior. Isso porque os jovens, de forma geral, já escutam podcasts do seu próprio interesse há muitos anos. 

Além disso, com o leque de possibilidades que os podcasts oferecem, há uma oportunidade para explorar os temas vistos em aula em diferentes formas, óticas e perspectivas. Isso, por si só, já é uma forma de engajar melhor o aluno, mas também traz como proposta a diversidade de estratégias de consumir o conteúdo. 

Como cada pessoa tem suas facilidades ao aprender, a multiplicidade de abordagens faz com que mais alunos fiquem confortáveis ao aprender sobre o tema.

Uso do podcast para promover engajamento

Promover engajamento e motivação para alunos é um dos grandes desafios dentro da sala de aula. Seja no ensino presencial, remoto ou híbrido, é importante que o docente tenha a capacidade de manter os alunos interessados nos diferentes temas durante uma disciplina.

No ensino superior, com a interdisciplinaridade das aulas, é cada vez mais importante que o aluno tenha uma informação diversa e ampla. Isso, por sua vez, exige que o curso tenha uma matriz curricular diferenciada. É o que atrai novos alunos e mantém a atenção de quem já está na IES.

Sendo assim, considerando o seu interesse nas áreas de estudo, é importante que o diálogo entre alunos e docentes priorize o engajamento. Uma das estratégias para que isso aconteça é inserir, nas aulas, formatos e metodologias que estejam mais alinhadas à realidade dos alunos. 

Isso, por exemplo, pode ser feito via podcasts: uma mídia difundida e utilizada como entretenimento e fonte de informação de jovens, que são a maioria no ensino superior.

Inclusão do podcast na bibliografia do curso

Como complemento parte das ferramentas assíncronas, o professor também pode deixar bibliografias em formatos digitais. 

Os podcasts podem entrar, portanto, como parte da bibliografia. Ou seja, a ideia é pedir para que os alunos consumam de maneira regular esse conteúdo, que deve ser relacionado ao tema das aulas e possuir embasamento de especialistas. Isso ajuda a trazer os debates sociais para dentro da sala de aula. 

Por exemplo: se os alunos estão acompanhando temáticas de Ciências Sociais e Direitos Humanos, recorrer a podcasts relacionados pode ajudar e muito na abordagem pedagógica.

Por exemplo, após uma aula sobre um conceito econômico, o docente indica que os alunos escutem o podcast sobre economia brasileira. Assim, eles podem contextualizar aquilo que aprenderam e, em seu próprio tempo, otimizar o aprendizado e revisar os conteúdos de uma forma muito mais leve.

Outro ponto importante é que os alunos já consomem podcasts. Isso faz toda a diferença na hora de inserir esse tipo de conteúdo na bibliografia, tornando mais fácil de trazer novas ideias do que outros formatos. É claro que os formatos multimídia devem ser somados e não excluir uns aos outros, mas mesmo assim, podem fazer parte de uma biblioteca de conteúdo cada vez mais diversa.

Produção de podcast como atividade avaliativa

Se o objetivo objetivo é tornar o podcast uma estratégia de aprendizado faça-você-mesmo, por que não propor a criação de um conteúdo nesse formato? Em outras palavras, este recurso pode ser aproveitado como uma forma de avaliação online.

A ideia de criar um roteiro e montar uma produção em áudio pode ser um desafio para os alunos do ensino superior, mas, por outro lado, também é uma forma de engajá-los para tornar a comunicação científica mais acessível para comunidade acadêmica e externa.

Também é válido como estratégia de interdisciplinaridade da comunidade escolar. Se em cada curso em cada disciplina os alunos estão em contato constante com diferentes conteúdos, por que não aproveitá-los para estreitar os laços entre cada área de conhecimento? 

Proponha aos alunos, por exemplo, a criação de podcasts que serão divulgados dentro do ambiente da instituição de ensino, tornando assim a difusão de conhecimento mais prática e acessível.

Podcast como forma de aproximação entre professor e alunos

Como os podcasts têm uma barreira de entrada menor, os ouvintes se relacionam com os locutores, que fazem um papel de um leigo querendo aprender mais sobre assunto – ou até mesmo uma roda de conversa entre amigos.

Essa aproximação torna a digestão de conteúdo denso ainda mais fácil. Ali, o aluno escuta especialistas, trazendo novos conhecimentos de uma forma prática e que seja melhor explicada. 

Essa é uma ótima estratégia para tornar o assunto mais leve: se o aluno entra em contato por meio de podcast em sua residência, quando chega a sala de aula já está mais preparado para entrar em debates mais profundos e entrar em contato com explicações mais densas.

É o caso, por exemplo, dos podcasts de ciência. Muitos conceitos científicos podem parecer pouco alcançáveis para os alunos, principalmente os alunos de graduação. Mas se eles escutam profissionais da área falando sobre suas pesquisas em um podcast, conseguem abstrair as ideias de uma forma muito mais produtiva

A partir daí, as conversas em salas de aulas são mais embasadas, o que, por sua vez, torna o aprendizado muito mais produtivo. Isso faz com que o podcast seja uma ótima estratégia para aplicação da sala de aula invertida.

Também é uma ótima aliada das turmas de ensino superior a distância. Mesmo com o crescimento nos últimos anos, ele ainda vive um estigma causado pela falta de contato presencial entre professor e aluno — mas existem outras formas de promover essa interação;

Nesse sentido, a plataforma digital de aprendizagem é um ambiente onde essa interação pode acontecer, por meio de conversas em vídeo ou fóruns de discussão, por exemplo. Através dela, também é possível disponibilizar o podcast como ferramenta educacional.

4 Vantagens da aplicação do podcast como ferramenta educacional

Na educação, o podcast traz uma perspectiva diferenciada: por meio dele, o docente pode propor a criação de conteúdo a difusão de conhecimento científico e a informação atualizada e constante sobre as novidades na área de interesse.

Também é uma forma de manter os alunos e docentes atualizados das notícias e do contexto social, econômico e cultural que eles estão vivendo, o que, por sua vez, impacta a área de estudo em que se especializam.

A inserção de podcast dentro da sala de aula tem diversas vantagens para o professor: é por meio dele que novos diálogos são abertos e estratégias educacionais podem ser implementadas de formas muito facilitadas e cada vez mais diversas.

Vamos apresentar, agora, alguns benefícios da inclusão do podcast como ferramenta educacional.

1. Aplicação de metodologias ativas

Uma das inovações educacionais que tem ganhado espaço nos últimos anos é a inserção de metodologias ativas no ensino superior. Essas metodologias buscam colocar o aluno como protagonista e agente em seu próprio aprendizado. Ao invés do modelo tradicional em que o professor lidera aulas expositivas e o aluno apenas escuta, nas metodologias ativas ele faz parte na geração de conhecimento.

Há diferentes formas de executar metodologias ativas, desde aprendizagem baseada em projetos até a sala de aula invertida, em que o aluno tem uma base do conteúdo antes de chegar a aula expositiva.

Aqui, os podcasts são bons exemplos, já eles podem funcionar como uma prévia do conteúdo que vai ser abordado ou também como projetos e atividades a serem realizadas em grupos. Nesse contexto, os podcasts também funcionam como uma rede de difusão de informações que os alunos podem explorar durante a disciplina, para entender como e quando outras pessoas aprendem.

2. Captação do interesse de nativos digitais

A maior parte dos alunos atualmente matriculados no ensino superior está na geração conhecida como millennials ou geração Z. Isso significa que são nativos digitais, ou seja, pessoas que cresceram ou nasceram dentro da realidade digital contemporânea.

Os podcasts se popularizaram nos últimos anos, principalmente considerando que a maior parte das pessoas acessam a internet por meio de smartphones, dispositivos ideais para escutar os episódios, não importa onde esteja. 

Hoje, muito do acesso à internet no Brasil é realizado via celulares, o que faz toda a diferença no conteúdo consumido:

“Entre 2017 e 2018, o percentual de pessoas de 10 anos ou mais que acessaram a internet pelo celular passou de 97% para 98,1%. O aparelho é usado tanto na área rural, por 97,9% daqueles que acessam a internet, quanto nas cidades, por 98,1%.”  (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Tecnologia da Informação e Comunicação, realizada pelo IBGE e divulgada pela Agência Brasil).

Como os podcasts são geralmente arquivos mais rápidos de serem baixados e podem ser assinados num formato de feed, eles ficam sempre visíveis e novos episódios se destacam para os ouvintes. 

Dessa forma, muitos deles já começaram a criar uma rotina, definindo quais dias da semana escutam quais episódios. Existe, por isso, uma preferência por podcasts diários, semanais ou quinzenais e até mesmo por durações específicas: os favoritos dos brasileiros costumam ser episódios curtos de até 30 minutos, mas há mesas redondas de até 2 horas que também conquistaram seu nicho.

3. Learn from anywhere

Com toda essa facilidade, o uso do podcast como ferramenta educacional é estimulado. 

Uma das barreiras presentes na educação é a dificuldade do acesso físico e intelectual aos espaços do ensino superior. Significa, por exemplo, que pessoas de zonas rurais ou de baixa renda não necessariamente conseguem frequentar as faculdades e fazer melhor uso de todos os recursos, mesmo quando estão matriculadas. 

Desde bibliotecas até aulas extracurriculares, muitas vezes os alunos que precisam trabalhar em tempo integral ou moram distantes dos polos educacionais acabam perdendo parte dos recursos que a instituição tem a oferecer.

Os educadores ainda precisam, portanto, quebrar essas barreiras e priorizar a inclusão. Promovendo maior acessibilidade na educação superior.

O conceito learn from anywhere (no português: aprenda de qualquer lugar) faz toda diferença para esse tipo de aluno. Além de promover sua inclusão, os podcasts permitem que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento.

4. Diversidade de focos

Uma das chaves para a identificação do ouvinte com os locutores é a parte democrática dos podcasts. Há programas feitos por veículos de mídia, mas também há produtores independentes e até IESs que lançam seus próprios podcasts.

Também é uma mídia que abre espaço para vozes diversas, o que, por sua vez, faz com que o público se identifique mais com a experiência abordada e a forma de enxergar o mundo. Nesse sentido, é uma ótima oportunidade para diversificar a bibliografia para além dos cânones acadêmicos e incentivar os alunos a conhecer mais perspectivas.

Leia também: Veja os benefícios da utilização da multimídia e hipermídia na educação

11 Dicas de podcasts como ferramenta educacional

Com todas as vantagens que um podcast pode trazer para uma disciplina, muitos docentes têm inserido episódios em suas bibliografias ou até mesmo como sugestão de entretenimento e informação para seus alunos.

Nas IES eles são, ao mesmo tempo, um conteúdo já acessível para os alunos e uma forma de difundir novos conhecimentos. Para ajudar os docentes a escolher podcast como ferramenta educacional, trouxemos algumas dicas de programas que valem a pena ser escutados.

Confira-as a seguir!

1. Ciência USP

Um podcast dedicado às descobertas, debates e novidades do mundo da ciência. É publicado quinzenalmente, às terças-feiras, pela equipe da editoria de ciências do Jornal da USP.

Episódio para conhecer: #19 Como nosso cérebro consegue aprender? 

2. Sinapse

Sinapse é o podcast oficial do Ciência Todo Dia. Apresentado por Pedro Loos e Greg de Souza, os episódios exploram curiosidades, fatos interessantes (mas muitas vezes aleatórios) e discussões hipotéticas.

Episódio para conhecer: #44 A aceleração exponencial da tecnologia 

3. Rádio escafandro

Com uma hora de duração, os episódios são um mosaico de entrevistas inéditas, gravações em campo e áudios de arquivo, costurados pela narração do jornalista Tomás Chiaverini.

Episódio para conhecer: #35 Planeta plástico

4. Ciência suja

O podcast conta histórias de fraudes científicas que geraram grandes prejuízos para a sociedade. E mostra como a própria ciência resolveu esses crimes. O projeto é fruto da parceria entre a produtora audiovisual NAV Reportagens e os jornalistas especializados na área de saúde e divulgação científica, Thais Manarini e Theo Ruprecht.

Episódio para conhecer: AIDs, epidemia de preconceito

5. Vidas negras

Vidas negras importam. E, aqui, elas são celebradas. No Vidas Negras, o jornalista Tiago Rogero analisa e entrelaça a trajetória e a obra de personalidades da história e da atualidade.

Episódio para conhecer: A educação liberta

6. Próxima parada

Produzido pela Spotify em parceria com a Agência Mural de Jornalismo das Periferias, o Próxima Parada é um podcast jornalístico diário sobre o que acontece nas periferias do Brasil e, em especial, da região metropolitana de São Paulo. 

De forma descomplicada e com episódios curtos, apresenta histórias, notícias e relatos sobre os mais diversos temas, como educação, emprego, saúde, segurança, habitação, cultura e lazer, e conta com a participação da rede de correspondentes da Mural, formada por mais de 70 profissionais da comunicação que vivem nas periferias.

Episódio para conhecer: Victor Tapuya, o menino que leva cultura indígena a escolas

7. O assunto

Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Renata Lo Prete conversa com jornalistas e analistas do Grupo Globo para contextualizar, explicar e trazer um ângulo diferente dos assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo, além de contar histórias e entrevistar especialistas e personagens diretamente envolvidos na notícia.

Episódio para conhecer: Violência obstétrica: como se proteger?

8. 451 MHz

Um programa sobre livros, com as novidades das livrarias, entrevistas com grandes autores, notícias e informação para o leitor de livros no Brasil. Apresentação do editor da revista literária Quatro cinco um, Paulo Werneck.

Episódio para conhecer: #45 Duas vezes Lina

9. Noites gregas

Para fãs de mitologia grega e exploradores da tradição, o professor Claudio Moreno aborda as histórias dos heróis e anti heróis mais célebres dessa cultura. De forma leve e narrativa, o podcast nos aproxima de mitos já conhecidos e aprofunda os desconhecidos.

Episódio para conhecer: #24 Hades e Héstia: os esquecidos

10. Astronomia em meia hora

Um podcast com uma linguagem simplificada que tenta te ajudar a montar o quebra-cabeça do universo. Perfeito para explorar novas ideias e contextualizar nossas dúvidas em tom leve e fácil de entender, com o apoio de especialistas curiosos.

Episódio para conhecer: Como a astronomia sabe o que sabe?

11. Saraiva Educação Cast

Este é o podcast da equipe Saraiva Educação, preparado para auxiliar professores e coordenadores de IES em suas estratégias educacionais. Os episódios são dedicados a apresentar metodologias, tecnologia, marcos regulatórios, gestão de instituições e outros assuntos do universo da educação.

Todo mês, um especialista é convidado para abordar temas relacionados ao ensino superior. Clique abaixo para conferir um de nossos episódios!

Esperamos que tenha gostado deste texto sobre podcast como ferramenta educacional! Que tal aproveitar e conferir este outro conteúdo, sobre melhoria da experiência do aluno?

WebQuest: fotografia com foco nas mãos de uma pessoa digitando em um notebook.

Entenda o que é WebQuest e sua importância para o ensino superior

Com as vantagens da tecnologia na educação, cada vez mais os coordenadores trazem ideias diferenciadas para as instituições de educação superior (IES). Essas ideias ajudam a transformar o ambiente acadêmico, incentivar a equipe, criar novas ideias e engajar os alunos. Uma das inovações que tem ganhado muito espaço é a metodologia WebQuest.

Preparamos o presente artigo para apresentar essa abordagem em detalhes, além de explicar como colocá-la em prática.

Vamos em frente!

O que é WebQuest?

A WebQuest é uma metodologia de ensino que, em tradução livre, significa busca pela Web. A ideia é incorporar o aprendizado a uma atividade feita totalmente online, em que os alunos devem acessar informações e recursos digitais para completar a proposta do professor.

Esses recursos digitais serão a fonte de informações para uma pesquisa, valorizando a busca multimídia e multifatorial, abrindo espaço para que o aluno, frente à atividade proposta, busque trilhar caminhos próprios.

A WebQuest ajuda os alunos a se engajar melhor com o conteúdo e surgiu nos anos 90, fazendo uso das tecnologias disponíveis na época de sua criação.

Apesar de simples, webquests têm como característica em comum a presença de recursos web de fácil acesso a qualquer tipo de aluno — geralmente apenas um processador de texto inserido em um site, de formato HTML. A partir daí o professor libera as informações necessárias para que os alunos façam a pesquisa e entrem em maior contato com o tema.

Hoje, é claro, as tecnologias digitais e os recursos digitais de aprendizagem são muito mais desenvolvidos do que eram nos anos 90. Mesmo assim, é possível utilizar a metodologia WebQuest no século XXI, focando em sua estratégia simples, porém efetiva de tornar o conteúdo mais acessível para os alunos.

Ao mesmo tempo, seu uso contribui para inserir o uso da tecnologia, já frequente na vida dos alunos, para o aprendizado.

Pesquisa, autonomia e futuro profissional

A metodologia também está relacionada a outras estratégias educacionais. Isso porque está diretamente ligada às metodologias ativas. Ou seja, a ideia de que o aluno é um protagonista de seu próprio aprendizado, e não apenas alguém que está assistindo uma aula expositiva.

Hoje, a tendência de uma IES voltada para o futuro é pensar no aluno como alguém dotado de autonomia e autogestão necessárias para entrar em contato com o conteúdo educativo. O professor, nesse cenário, assume o papel de facilitador, promovendo debates e novas atividades, não apenas expondo os temas para alunos pouco engajados.

É evidente que este método também pode ajudar a desenvolver a autonomia do aluno. Muitos chegam ao ensino superior cientes de seu amplo repertório cultural e científico, mas poucas habilidades socioemocionais. Também conhecidas como soft skills, elas são muito importantes para o desenvolvimento pessoal e profissional de qualquer pessoa.

Mas durante as estratégias de ensino tradicionais, essa prioridade pode acabar ficando de lado, quando existe um foco apenas no conteúdo ministrado. Na prática, muitos alunos saem do ensino superior conhecedores de seu mercado de trabalho, porém sem as habilidades socioemocionais necessárias para se destacar profissionalmente.

É a partir desse contexto que as IESs têm buscado, cada vez mais, estratégias educacionais que permitam ao aluno desenvolver esse tipo de competência, como autonomia, empatia e senso crítico.

Leia também: A importância da psicologia positiva no processo de ensino

Como a WebQuest foi criada?

Apesar de parecer um conceito novo, o surgimento da WebQuest é de 1995. Na época, o professor Bernie Dodge, da Universidade de San Diego, criou a proposta com a intenção de aliar as estratégias de ensino que valorizam a autonomia do aluno e a facilidade de acesso aos conteúdos digitais.

Confira, abaixo, um trecho de Dodge sobre a proposta das WebQuests:

“Uma WebQuest é uma atividade orientada para a pesquisa, em que alguma ou toda a informação com que os alunos interagem provém de recursos na Internet, opcionalmente suplementados por videoconferência.”

Ele também propôs a ideia de duas WebQuests diferentes: uma modalidade mais curta, e uma modalidade mais longa.

Modalidade curta

Na WebQuest curta, cuja execução deve levar apenas algumas aulas, o objetivo é que o aluno conclua o processo tendo entrado em contato o suficiente com o tema para ter um bom repertório e integrá-lo a seus conhecimentos.

Modalidade longa

Já no modelo de WebQuest mais longa, a ideia é que o aluno tenha tempo para pensar mais profundamente sobre a temática. Aqui, ao longo de até um mês de aulas, ele deve não só absorver o conhecimento, mas também utilizá-lo para criar algo com que os outros possam interagir.

Qual é a relação entre WebQuest e a Taxonomia de Marzano?

O pesquisador Robert Marzano, com base na Taxonomia de Bloom e suas limitações, desenvolveu uma nova e atualizada hierarquia da aprendizagem para o século XXI. Essa estratégia é utilizada por educadores em conjunto com as WebQuests ,e elas se relacionam na proposta multifatorial do aprendizado.

De acordo com sua pesquisa, o conhecimento seria baseado em três domínios: 

  1. Domínio interno;
  2. Domínio metacognitivo;
  3. Domínio cognitivo.

1. Domínio interno

O domínio interno é a autorreflexão, a motivação perante o aprendizado. Aqui, o aluno mostra suas crenças sobre a importância do conteúdo e as emoções associadas a ele. É importante considerar essa esfera porque o aluno precisa valorizar o conteúdo e ter autoconfiança necessária para poder aprender.

2. Domínio metacognitivo

Já na esfera metacognitiva, o foco é o monitoramento: aqui, o estudante desenvolve suas metas de aprendizagem, questiona seu progresso e a clareza com que compreende a temática.

3. Domínio cognitivo

A seção cognitiva da aprendizagem é o processo de aquisição do conhecimento em si. Assim como na Taxonomia de Bloom, a ideia é que o aluno passe por atividades que estimulem a compreensão completa da temática.

Esse processo de aquisição do conhecimento passaria pelas quatro etapas explicadas abaixo:

  1. Recuperação da informação: aluno entra em contato com o conteúdo ao executar atividades e lembrar de uma informação passada em aula;
  2. Compreensão: é a etapa de sintetização e categorização da informação
  3. Análise: aqui, o importante é comparar, classificar, generalizar e especificar as informações;
  4. Utilização: a última etapa é usar o conhecimento para tomar decisões, resolver problemas, investigar e realizar pesquisas experimentais

E o que isso tem a ver com as WebQuests?

Se o aluno tem em mãos as ferramentas de aquisição, compreensão e análise da informação, ele pode utilizar o que aprendeu para a realização de pesquisas e experimentos. Daí a relação dessa proposta com as WebQuests.

Na web, onde muitas informações são facilmente acessíveis, o processo cognitivo é beneficiado pela criação de projetos que englobam a aprendizagem como um todo. 

Marzano também propôs o domínio do conhecimento por 3 fatores: informação, procedimentos mentais e procedimentos físicos. Nessa visão, o aluno precisaria tanto compreender o conteúdo quanto agir em torno dele. 

É a mesma proposta, por exemplo, da gamificação na educação: se o aluno interage de forma mental e prática com a aula, ele terá melhor compreensão do tema.

Assim, colocando no contexto da WebQuest, a ideia é que a criação e solução de projetos seja um caminho para o aluno “colocar a mão na massa” e interagir com o conteúdo, proporcionando uma compreensão mais ativa da disciplina.

Leia também: Passo a passo para elaborar um plano de aula com metodologia ativa

Guia estrutural para criação de WebQuests

Para a criação de WebQuests, é preciso seguir uma estrutura básica que permita a difusão e a compreensão da informação dada. Ainda que as tecnologias variem e tenham evoluído desde 1995, a simplicidade é a chave desse processo.

Vamos indicar, neste tópico:

  • No que consiste a estrutura básica das WebQuests;
  • Como ampliar esta estrutura e aprofundar a WebQuest.

Qual é a estrutura básica para criação de WebQuests?

Como estrutura básica, Bernie Dodge propõe:

  1. Introdução
  2. Tarefa
  3. Informações
  4. Instruções
  5. Guia
  6. Conclusão

O professor deverá criar um guia de atividade acessível por meio dos recursos digitais da IES, como a plataforma digital de aprendizagem. Lá, a tarefa será organizada segundo a estrutura delineada acima, e complementada por bibliografias e dicas.

Vamos explicar em mais detalhes cada um dos pontos da estrutura da WebQuest.

1. Introdução

A introdução irá conter as informações básicas sobre o tema, a relação com os estudos e a importância da abordagem para a formação do aluno. Se for um tema novo, é importante explicar sua relevância dentro da disciplina.

2. Tarefa

Aqui, o docente explica qual é a atividade proposta. É preciso criar tarefas interessantes e que possam ser concluídas no prazo estipulado, com metas mensuráveis. Projetos de pesquisa são a modalidade típica, mas o professor pode trazer novos procedimentos.

3. Informações

Um ponto muito importante das webquests. Ainda que os recursos bibliográficos e informativos sejam abundantes na internet, é essencial que o docente faça uma curadoria, ou seja, indique fontes confiáveis. 

Além de sites e artigos online, pode-se fazer uso de e-Books, podcasts, vídeos, entre outros recursos educacionais. O ideal é que eles estejam linkados na página ou acessíveis dentro da plataforma de aprendizagem.

4. Instruções

O docente deve explicar, com clareza, quais passos os alunos devem seguir para realizar a atividade. Seja um projeto de pesquisa ou uma atividade faça-você-mesmo, é importante delimitar todas as etapas que precisam ser concluídas.

5. Guia

Como organizar o conteúdo adquirido? É aqui que o professor deve orientar seus alunos a classificar e analisar o que foi visto. Proposta de escrita, questões e até fluxos de pensamento podem ser utilizados nessa etapa.

6. Conclusão

Lembre aos alunos o que foi visto, as metas atingidas e quais aprendizados surgiram desse trabalho. Também é importante abrir espaço para a reflexão e encontrar formas de incorporar o conteúdo ao repertório, levando-o para outras esferas após a conclusão do projeto.

Esses são os passos principais de uma WebQuest curta, prevista para durar entre uma e três aulas da disciplina. Em linhas gerais, esse tipo de WebQuest funciona para introduzir uma temática relevante e torná-la parte da matriz curricular, de uma forma mais acessível.

Mas, para WebQuests mais longas, há diferentes estratégias educacionais que auxiliam o aluno a compreender mais profundamente o conteúdo, pensando mais a longo prazo.

Leia também: Saiba o que é e como desenvolver a rotação por estações no ensino superior

Como ampliar a WebQuest e aprofundar em seus temas?

Pensando em estratégias de aprofundamento, se uma WebQuest for utilizada durante um período mais longo, ela deve incluir mais reflexão e ponderação. Dessa forma, exigirá mais pensamento crítico e, portanto, melhor difusão da informação.

Entre as habilidades utilizadas neste processo, podemos citar:

  • Comparação, 
  • Classificação, 
  • Indução, 
  • Dedução, 
  • Análise de erros, 
  • Embasamento, 
  • Abstração
  • Perspectiva. 

Isso significa que o aluno deve entrar em contato com a informação, compará-la com seu repertório, classificar o conteúdo e induzir ligações. Com isso, ele passa a deduzir significados e práticas.

Essa iniciativa é importante, porque a partir dela o estudante analisa seus erros e falhas de interpretação, o que, aliado ao embasamento científico, faz com que chegue às conclusões corretas. Esse processo é um espelho do método científico: observar um fato, ter uma hipótese, testá-la e chegar a uma conclusão (positiva ou negativa).

Se essas etapas forem concluídas, o aluno terá informações diversas para abstrair a teoria e conseguir aplicá-la em mais contextos. Tendo em mente a prática já feita, ele pode levar o conhecimento para outras áreas.

Além da aplicação desta metodologia, outra forma de redimensionar a WebQuest é incluir elementos complementares à atividade.

Elementos complementares das webquests

Além da estrutura básica da metodologia, também existem alguns elementos complementares às WebQuests. Eles não necessariamente alteram seu formato, mas mantêm a ideia e o foco inicial e adicionam novos desafios.

WebQuests em grupo

A WebQuest pode ser uma atividade coletiva. Torna-se, assim, um instrumento para incentivar os alunos a trabalhar em grupos, para que encontrem a solução buscada unindo os conhecimentos entre si. 

Isso é uma forma de facilitar a colaboração e aprendizagem entre pares, o que pode tornar o conhecimento mais acessível.

WebQuest estilo simulação

A segunda forma de complementar a WebQuest é inserir uma motivação ao projeto. Por exemplo, se os alunos fazem o papel de investigadores em relação ao tema, é importante dar a eles uma meta ou um cenário em que possam dialogar sobre as questões abordadas.

Metas tangíveis, como por exemplo solucionar uma questão socioeconômica em uma simulação, fazem com que os alunos entrem em seus papéis e tenham um objetivo final, incorporando elementos de gamificação à atividade.

Essa inclusão de narrativas ajuda a organizar os passos, motivar os alunos e tornar o processo de aprendizado mais leve.

Webquests e multidisciplinaridade

A tendência para o aluno do futuro é que ele vá além de ideias preconcebidas do que deve ser seu foco profissional. Isso porque um profissional completo e diverso tem em seu repertório conhecimentos de múltiplas áreas relacionadas a seus interesses, além de ter planos e ideias de outros aspectos de sua vida.

Essa característica se reflete em um profissional (e uma pessoa) mais interessante e com visão ampla, o que se transforma em ideias inovadoras e capacidade de trazer perspectivas diversas para o ambiente de trabalho.

A IES pode ser uma aliada no desenvolvimento dessas habilidades, por meio de um projeto pedagógico de curso que incentive a integração entre as disciplinas, além de incorporar outros interesses dos alunos. 

Por exemplo: em um curso de Direito, é importante relacionar disciplinas como Ciências Sociais, Antropologia, Economia e Relações Internacionais, além de valorizar atividades como extensão universitária, trabalho voluntário, estágios e afins.

Quais são os objetivos educacionais de uma WebQuest?

A webquest possui vários objetivos educacionais:

  1. Modernizar a educação
  2. Promover a colaboração
  3. Desenvolver habilidades cognitivas
  4. Promover a criatividade
  5. Valorizar o professor
  6. Democratizar o conhecimento

De acordo com Dodge, são baseados na ideia de um aprendizado contemporâneo, efetivo e que faz o melhor uso do tempo do aluno e da internet. Vamos falar mais sobre cada um desses objetivos logo a seguir.

1. Modernizar a educação

Na Internet (em fontes seguras, claro), o aluno pode encontrar informações atualizadas geradas por cientistas das mais variadas áreas. Isso significa que ele poderá ter contato direto com o conhecimento de qualidade, atrelado à realidade vivida. Também é uma forma de acessar a produção científica e cultural de outras IES, o que facilita a colaboração.

2. Promover a colaboração

O acesso à rede também potencializa a comunicação e colaboração. Alunos trabalham em grupos e ao lado de comunidades científicas, buscando contextualizar suas ideias em meio a uma geração maior de informações. Essa colaboração é uma habilidade importante para o futuro acadêmico.

3. Desenvolver habilidades cognitivas

Além de difundir o conteúdo, o desafio das WebQuests é que o aluno precisa realizar uma autorreflexão e discernir os métodos utilizados. Isso leva ao “aprender sobre como aprender”, em que o aluno analisa seus próprios processos cognitivos, o que funciona, como criar condições melhores para aprender e quais benefícios cada tarefa traz.

Nesse sentido, é uma tarefa benéfica para toda a graduação, já que um aluno autônomo e ciente de suas habilidades pode fazer escolhas melhores em relação aos próprios estudos e especializações.

4. Promover a criatividade

As WebQuests são exercícios criativos. Isso porque são cenários experimentais e investigativos em que o aluno é transportado para uma tarefa, um projeto, sem as mesmas predisposições de uma sala de aula tradicional.

Portanto, as resoluções serão mais criativas. Essa iniciativa faz com que o aluno implemente mais ideias originais, tanto durante a atividade quanto posteriormente.

5. Valorizar o professor

Ainda que a WebQuests tenha modelos de funcionamento, a criatividade e a curadoria do professor são os principais fatores determinantes de como ela será. Além de facilitador, o professor assume também tarefas típicas do design instrucional.

Ele pode determinar as etapas, as características e os guias de cada WebQuest de acordo com o que espera que os alunos aprendam, tornando a estratégia muito mais personalizável do que uma aula comum.

6. Democratizar o conhecimento

Uma das propostas da Internet é a democratização do acesso à informação e, ainda que o cenário seja bem diferente do que era em 1995, o projeto pode ajudar e muito nessa tarefa.

Recursos digitais abertos, como o Google Scholar, o Internet Archive e vídeos/podcasts educativos estão sendo constantemente publicados, com acesso livre, gratuito e simples. Com a indexação, fica ainda mais simples acessar de qualquer dispositivo o conteúdo necessário.

Então, as WebQuests podem – e devem – fazer uso dessas ferramentas e buscar criar também conteúdo acessível para outras pessoas. Essa valorização de uma ciência livre também é um aprendizado para o futuro acadêmico e profissional dos alunos.

Leia também: Importância e dados sobre a democratização do ensino superior no Brasil

Confira: exemplos de WebQuests para implementar em sua IES

Existem infinitas formas de desenvolver uma WebQuest eficiente para seus alunos. Tudo depende da disciplina, dos recursos utilizados e das habilidades que precisam ser desenvolvidas durante a atividade.

Para auxiliar coordenadores e docentes, reunimos algumas propostas de WebQuests que podem ser adaptadas para uso em diferentes planos de aula, criando ambientes de aprendizagem efetivos e bem planejados.

1. Bases de dados

O uso de dados nas mais diversas áreas de conhecimento tem ganhado muito espaço nos últimos anos. 

Mas apenas números e informações não contam histórias completas. Por isso, é importante que os alunos desenvolvam o pensamento crítico e a capacidade de categorização necessários para reunir e interpretar os dados.

Uma WebQuest interessante, nessa linha, pode ser propor uma pesquisa em censos da população por informações que chamem a atenção dos grupos. A partir daí, eles podem reorganizar e analisar os dados adquiridos de forma a apresentar suas próprias conclusões.

Por exemplo, os censos mostram que as pessoas com deficiência são pouco representadas nos ambientes de trabalho. Que tal questionar os alunos sobre o histórico social e legal dessa realidade e aumentar a base de dados sobre o assunto?

Além de ser uma atividade de aprendizado, pode ser utilizada posteriormente como bibliografia para outros alunos.

2. Debates

No mundo contemporâneo, estamos sempre cientes de conflitos e questões sociais que atingem grupos próximos ou distantes de nós, graças ao avanço da tecnologia.

Pensando nisso, uma opção de WebQuest é utilizar um documento (como uma reportagem ou relatório) sobre uma situação controversa e propor aos alunos uma busca por argumentos em recursos digitais.

Com esses argumentos, os alunos podem debater a situação com embasamento, incluindo fontes confiáveis e legítimas em seu repertório.

3. Entrevistas

Se a disciplina estiver focando em uma personalidade importante, como um cientista da área, pode ser interessante realizar uma WebQuest com dois papéis. 

Um grupo pode representar os investigadores, que criarão uma série de perguntas que gostariam de fazer a essa pessoa. O outro grupo representará, então, a personalidade, então terá como tarefa estudar tanto suas publicações quanto as publicações feitas a seu respeito. 

Assim, ambas as partes se aprofundarão no conteúdo, ainda que de lados opostos, para que a turma como um todo possa compreender, de diferentes ângulos, o contexto em que aquela teoria científica surgiu.

4. Estudo de caso

Outra proposta interessante de WebQuest, potencializada pelas facilidades do século XXI, é o estudo de caso. Aqui, os alunos podem partir de uma situação marcante do mercado em que pretendem atuar, como uma empresa de sucesso, uma estratégia de marketing ou até mesmo um julgamento relevante.

Nessa WebQuest, o objetivo é recriar os passos do caso, analisando o que deu certo (e o que deu errado), para então poder abstrair desses exemplos o conhecimento que será abordado em sala de aula. 

Por exemplo, se um produto explode no mercado, é interessante fazer com que os alunos, via web, tentem incorporar as estratégias utilizadas pela empresa para obter esse sucesso. Nessa experiência, eles aprenderão sobre planejamento, barreiras e metas que terão que atingir.

As webquests têm diferentes facetas e podem ser planejadas de acordo com a necessidade de cada curso, IES e turma. Por isso, são uma estratégia de ensino importante e que trazem enormes benefícios para a formação do aluno.

Além da WebQuest, existem mais métodos interativos que aumentam o engajamento e trazem inovação para a sala de aula. Que tal conferir, nesse sentido, nosso texto sobre como desenvolver as metodologias ativas com uso de tecnologias digitais?

Aprendizagem adaptativa: fotografia de um estudante sorrindo enquanto utiliza o computador.

Guia da aprendizagem adaptativa: o que é e por que adotar esse método

Existe uma grande demanda, na educação, por um ensino que seja mais flexível e personalizado.

Com o intenso desenvolvimento tecnológico de nossos tempos, corresponder a essa demanda se tornou mais fácil. Muitos recursos pedagógicos surgem a partir daí, e dentre esses recursos se encontra a aprendizagem adaptativa.

Neste artigo, vamos apresentar um guia sobre a aprendizagem adaptativa, que será desenvolvido nos seguintes tópicos:

  1. O que é a aprendizagem adaptativa?
  2. Para quais alunos é destinada a aprendizagem adaptativa?
  3. Qual é a relação entre tecnologia e aprendizagem adaptativa?
  4. Como anda o crescimento da aprendizagem adaptativa?
  5. Quais são as principais características da aprendizagem adaptativa?
  6. Qual é a diferença entre ensino adaptativo e ensino personalizado?
  7. Quais são os benefícios da aprendizagem adaptativa?
  8. Como implantar a aprendizagem adaptativa em minha IES? Passo-a-passo
  9. Como a aprendizagem adaptativa contribui para resolver problemas estruturais na educação?

Tenha uma boa leitura!

1. O que é a aprendizagem adaptativa?

A aprendizagem adaptativa é uma estratégia de ensino baseada no aproveitamento de cada aluno. Com a utilização da tecnologia nas instituições de ensino, a equipe pedagógica tem a possibilidade de inserir adaptações de acordo com a necessidade de seus alunos.

Essa estratégia tem como benefício utilizar as habilidades já desenvolvidas de cada aluno. Busca, também, evitar que alguns modos de aprendizado prejudiquem o acompanhamento produtivo do conteúdo.

Por exemplo: no caso de alunos com dislexia, pode ser difícil acompanhar grandes volumes de conteúdo escrito. Pela barreira da compreensão linguística, esses alunos costumam ter dificuldade em consumir textos longos e escrever suas próprias conclusões.

Nesse contexto, então, a aprendizagem adaptativa envolve utilizar recursos tecnológicos para tornar os conteúdos educacionais mais acessíveis a cada tipo de aluno.

2. Para quais alunos é destinada a aprendizagem adaptativa?

A aprendizagem adaptativa não se trata de um recurso utilizado apenas para alunos com transtornos de aprendizagem ou com dificuldade em adquirir alguma competência educacional. Pelo contrário, ela é um recurso educacional que pode ser utilizado em diferentes esferas e segmentos escolares.

Em outras palavras, ela atende às diferentes necessidades de cada aluno, não importa quais sejam.

Na modalidade tradicional de ensino, o professor tem o papel de expor e relacionar o conteúdo com os alunos. Isso se manifesta em aulas expositivas, provas e atividades por escrito, em que o professor avalia o quanto o aluno compreendeu. 

Isso faz com que alguns alunos tenham certa defasagem na absorção do conteúdo: se, por exemplo, algo ficou confuso na primeira explicação da matéria, o aluno pode se sentir perdido e não conseguir acompanhar o ritmo no restante das aulas. A partir daí, a situação vai crescendo: não é apenas uma parte do conteúdo que o aluno não absorveu, mas ele inteiro, prejudicando a compreensão daquela matéria a longo prazo.

Para os educadores, por outro lado, a dificuldade é personalizar a circunstância de ensino para que mais alunos possam aproveitar o conteúdo. É claro, existem algumas barreiras em relação a isso, principalmente pela grande quantidade de tarefas que o professor tem no dia a dia escolar.

3. Qual é a relação entre tecnologia e aprendizagem adaptativa?

Os professores são um dos profissionais que mais sofrem com síndrome de Burnout, pela alta carga de trabalho e grande espectro de responsabilidades em sua vida profissional. Isso significa, então, que não há muito tempo para ser dedicado à personalização do ensino de acordo com as demandas de cada aluno, principalmente no caso de turmas maiores.

Em uma sala de 50 ou 100 alunos é impossível o professor ter tempo para desenvolver uma trilha de aprendizagem linear para cada um deles, com atividades que possam auxiliar o aluno a passar por todo o conteúdo dado em sala de aula.

Portanto, é necessário contar com apoio da tecnologia educacional, desenvolvida justamente para auxiliar educadores a fechar lacunas que ainda existem no aprendizado de seus alunos.

No caso do ensino superior, a aprendizagem adaptativa envolve o uso de recursos tecnológicos, como: 

  • Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA),
  • Conteúdos em multimídia;
  • Formas diversas de avaliação, para criar trilhas de aprendizado mais produtivas dentro e fora da sala de aula.

A proposta da aprendizagem adaptativa é organizar os recursos educacionais em torno do estilo de aprendizagem, o perfil de conhecimento e o melhor aproveitamento do aluno. Em plataformas de aprendizagem exclusivas, o estudante pode trilhar seu caminho para o conhecimento de forma mais adequada ao que ele busca.

4. Como anda o crescimento da aprendizagem adaptativa?

A inserção da tecnologia nos espaços educacionais tem crescido nos últimos anos. Isso porque hoje, com mais acesso aos dispositivos digitais, a implementação dessas técnicas fica mais fácil.

Isso também é uma consequência do crescimento da tecnologia de uso pessoal: hoje, os alunos já possuem, desde cedo, um contato próximo com informática, redes sociais e algoritmos de conteúdo. Ao acessar espaços de entretenimento online, os usuários consomem textos, vídeos e podcasts recomendados de acordo com seus interesses e conhecimentos.

A lógica de conteúdos recomendados por algoritmos já faz parte do dia a dia da maioria das pessoas, inclusive crianças e jovens em idade escolar. 

Hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 81% da população brasileira acessa a internet regularmente. Com a ampliação do número de celulares (hoje 1,6 aparelhos por habitante), essa tendência tende a aumentar. 

Sendo assim, adaptar o ensino para atender a essa realidade significa convergir o ambiente de aprendizado com o ambiente virtual, tornando as estratégias e metodologias mais atentas à realidade do século XXI.

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Pandemia e os ambientes virtuais de aprendizagem

Com o surgimento do ensino remoto emergencial durante a pandemia, muitas instituições de ensino tornaram-se usuárias de recursos digitais de forma inesperada. A adaptação a esses sistemas pode ter causado estranhamento aos docentes e/ou aos alunos, o que prejudica o aproveitamento dos cursos.

Isso porque, apesar do seu potencial transformador, as plataformas de aprendizagem não devem ser usadas somente como substitutas diretas ao ensino presencial. Pelo contrário, elas possibilitam maior personalização do ensino e não apenas a reprodução de aulas expositivas, em que os estudantes são apenas parte da audiência. 

Na verdade, é possível oferecer atividades com diferentes vertentes de aprendizado, como:

  • inserir estratégias de gamificação na educação;
  • utilizar os fóruns de discussão dos AVAs;
  • incluir uma bibliografia multimídia, aproveitando sites, vídeos e podcasts que se relacionam ao curso e à matéria.

Durante a experiência com ensino remoto emergencial, muitos educadores conseguiram visualizar as transformações pedagógicas necessárias à inclusão de mais alunos no ensino superior.

O crescimento do ensino a distância

Mesmo antes da pandemia, o ensino superior a distância já estava em crescimento. Em 2019, o Censo da Educação Superior mostrava que as matrículas nessa modalidade crescem exponencialmente. De acordo com os dados do Inep, a participação no total de ingressantes foi de 16,1% em 2009, para 43,8% em 2019.

Essa tendência é explicada por diferentes fatores, como acesso físico (muitas IES estão em grandes centros urbanos), custo de vida, trabalho em tempo integral e conveniência. 

É, então, mais uma possibilidade para as IES. Com o aumento das matrículas em educação a distância (EaD), é possível ampliar a autonomia do aluno, utilizando plataformas de aprendizagem que permitam a personalização de acordo com sua realidade

5. Quais são as principais características da aprendizagem adaptativa?

O principal ponto de destaque dessa modalidade de aprendizagem é o foco no aluno. As trilhas de aprendizagem devem ser criadas de acordo com seu aproveitamento, nível de conhecimento e dificuldades, evitando lacunas no conteúdo. Conforme o aluno vai progredindo no seu tempo, ele pode seguir no conteúdo.

Para o professor, a vantagem é poder receber as análises de performance de seus alunos e detectar as lacunas sem ter que criar cada trilha individualmente, o que não seria viável na rotina comum.

Vamos comentar, a seguir, as características mais específicas da aprendizagem adaptativa.

Leia também: Saiba como montar uma trilha de aprendizagem no ensino superior

Aprender no próprio tempo

Uma das maiores dificuldades em ambientes de estudo, principalmente para as instituições de ensino a distância, é sobre como engajar alunos. O engajamento é uma parte fundamental do aprendizado, já que o aluno precisa ter um grau maior de interesse para aprender totalmente e incorporar o conteúdo a seu repertório.

Porém, com as demandas socioeconômicas, nem sempre é possível engajar com aulas síncronas e expositivas, o que diminui a motivação do aluno médio. A partir daí, ele acaba tendo menor absorção do conteúdo e perde passos importantes de sua formação acadêmica e profissional.

Com a aprendizagem adaptativa, o aluno aprende no tempo que faz mais sentido para ele: mais ou menos tempo, em diferentes horários e dias. Se uma parte do conteúdo está mais simples, o aluno consegue aprendê-la logo.

Além disso, há uma busca ativa por diferentes metodologias: se uma não engajar o aluno, é possível que outra abordagem seja mais produtiva.

Organização do conteúdo em fases

A aprendizagem acontece por fases, de acordo com os especialistas. Por isso, é importante respeitá-las e evitar pular etapas. 

De acordo com a Taxonomia de Bloom, teoria desenvolvida por educadores e psicólogos, o aluno percorre as seguintes fases do processo de ensino-aprendizagem:

  1. Contato inicial com a matéria;
  2. Compreensão e análise de seu conteúdo; 
  3. Relação da matéria a outras ideias e elaboração das próprias conclusões, o que só ocorre quando adquire maior autonomia e repertório.

Por isso, nas diferentes modalidades de aprendizado, é preciso respeitar cada uma dessas fases, tendo a certeza de que o aluno teve contato o suficiente com o conteúdo para poder fazer análises e reflexões cuidadosas e incorporá-lo ao repertório.

Gamificação das aulas

A gamificação também é aplicada nesse contexto. Ao contrário de modelos tradicionais, nesse caso a trilha está baseada em narrativas de jogos. 

Assim como nos jogos tradicionais, os cursos são divididos em fases de dificuldade, com recursos como prêmios e rankings que parabenizam desempenhos e conquistas.

Além de engajar o aluno, isso também se reverte em uma forma prática de o docente avaliar as dificuldades encontradas. Se muitos alunos apresentam lacunas de aprendizado em determinado tema, é hora de rever planos de aula e metodologias aplicadas.

Leia também: Como aproveitar o celular na sala de aula no ensino superior?

6. Qual é a diferença entre ensino adaptativo e ensino personalizado?

No ensino personalizado, o conteúdo e as demandas são ditadas pelos próprios estudantes e seus facilitadores. No caso da aprendizagem adaptativa, é um contexto diferente: ainda que o conteúdo se molde frente às facilidades e dificuldades em relação ao conteúdo, ele prevê o mesmo aprendizado para a turma toda, podendo ser usado inclusive em cursos de graduação universitária.

O docente cria os objetivos de aprendizado e o sistema molda o caminho até essas conquistas, com atividades e propostas que se adequam à realidade de cada aluno. Assim, é possível ter certeza de que todos os egressos da disciplina terão acesso à mesma informação, mas de formas e ordens que contemplem sua necessidade. 

Mesmo assim, também são atendidas as demandas contemporâneas de formação profissional: os alunos saem do curso sabendo todo o conteúdo necessário para sua atuação no mercado de trabalho ou para continuar os estudos na pós-graduação.

Estilos de aprendizagem

Além disso, os alunos não aprendem todos da mesma maneira. Alguns conseguem compreender melhor quando assistem a filmes, outros quando participam de debates, outros quando escrevem ensaios e até quando explicam para os colegas e pares.

Por isso, é importante valorizar os diferentes formatos e estruturas de conteúdo para que mais alunos se sintam motivados e participem das atividades educacionais.

Leia também: Veja os benefícios da utilização da multimídia e hipermídia na educação

7. Quais são os benefícios da aprendizagem adaptativa?

Apesar dos avanços tecnológicos, a ideia da aprendizagem adaptativa já trazia benefícios às comunidades escolares desde suas primeiras versões. No inícios, as atividades eram feitas com base em níveis de compreensão do conhecimento, de forma analógica.

Com os avanços da tecnologia nos ambientes educacionais, desde os primeiros anos formativos até as IES, foram abertas possibilidades mais interessantes para a implementação de estratégias digitalizadas de ensino.

Além disso, com a popularização do ensino superior a distância, torna-se ainda mais importante fazer com que as plataformas de aprendizagem reflitam as estratégias de ensino.

A aprendizagem adaptativa possui múltiplas vantagens, tanto para discentes quanto para docentes. Promove, por exemplo, a maior absorção do conteúdo e facilita a estrutura da sala de aula.

Vamos falar, a seguir, sobre os principais benefícios da aprendizagem adaptativa para alunos, para professores e para as instituições de ensino.

Benefícios para os alunos

Na perspectiva do aluno, a aprendizagem adaptativa pode ser um grande ponto de destaque na hora de escolher em qual IES ele vai investir para ganhar conhecimento.  Na captação de alunos, então, destacar as vantagens de um aprendizado mais alinhado com suas demandas pode fazer toda a diferença para a IES e sua comunidade escolar.

Algumas dessas vantagens podem ser vistas desde o início do curso, como as que detalharemos a seguir.

1. Autonomia

Durante a graduação, é importante que os alunos desenvolvam também habilidades socioemocionais, além do repertório acadêmico. São essas habilidades que vão possibilitar a entrada e o destaque no mercado de trabalho, além de impulsionar novas atividades futuras.

Entre essas habilidades está a autonomia. Ao contrário do ensino básico, que prevê uma interferência maior do docente, no ensino superior ele pode – e deve – atuar cada vez mais como um facilitador. 

Nesse contexto, então, é papel do professor escolher as estratégias de ensino que mais fazem sentido, dentro da proposta de cada disciplina. Porém, o aluno não precisa que o professor o direcione aos estudos e tarefas: se ele desenvolve a autonomia necessária, poderá gerir o próprio tempo, organizar demandas e cumprir com os requisitos em seu próprio ritmo.

Esse desenvolvimento é fundamental para completar sua formação: é importante que o aluno chegue ao mercado de trabalho preparado também para realizar a autogestão, autoavaliação e reconhecimento das próprias lacunas.

Leia também: Saiba como garantir a empregabilidade dos alunos na IES

2. Acessibilidade

Outro ponto importante nessa mudança é o aumento da acessibilidade do curso. Isso afeta tanto a acessibilidade física quanto social de uma graduação, abrindo portas para alunos com as mais diversas vivências.

Por exemplo: pessoas que têm pouco tempo e trabalham em período integral nem sempre podem dedicar uma grande quantidade de horas seguidas a um curso e suas tarefas. Pessoas com transtornos de aprendizagem, por sua vez, enfrentam barreiras extras, como dislexia e discalculia.

Com a aprendizagem adaptativa, esses grupos podem encontrar uma trilha de aprendizado mais adequada a suas necessidades, sem perder de vista a importância de um ensino completo. 

3. Protagonismo

O modelo de aprendizagem adaptativa está baseado no protagonismo do aluno. Essa estratégia coloca o professor como um dos agentes, não o único, da difusão de conhecimento.

Na verdade, o aluno tem mais participação direta em sua própria busca pelo conhecimento. Além de aumentar o engajamento, isso também permite que o desempenho e a retenção do conteúdo melhorem com o tempo.

Como consequência, a comunidade acadêmica mais interessada também traz novas ideias para a sala de aula e gera novos conhecimentos e projetos.

4. Aprendendo a aprender

Com o ensino tradicional, muitos alunos chegam ao nível superior com conhecimentos, mas sem saber como de fato aprender o que lhes interessa. Esse desafio, idealmente, é enfrentado ao longo do curso superior, para que o aluno encontre suas formas mais produtivas e prazerosas de entender e rever o conteúdo das aulas.

Porém, para que isso ocorra, é preciso que ele saiba a melhor forma de estudar, ou seja, é uma questão de aprender a aprender. O aluno passa a encontrar aquilo que desperta seu interesse e descobre como estimular maior ganho de conhecimento, aptidões que pode aplicar em diferentes segmentos de sua vida.

Leia também: Guia completo para a aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Benefícios para os professores

Os alunos não são os únicos que sentem diretamente as mudanças causadas pela aprendizagem adaptativa. Do lado do professor, ela pode ser uma grande aliada na otimização das estratégias pedagógicas e na execução de diferentes projetos educacionais.

1. Automação de tarefas

Algumas das atividades rotineiras de docentes são mecânicas e levam mais tempo do que está disponível para serem concluídas. A correção de provas teste, a organização de notas, a avaliação de desempenho, todas elas fazem parte de uma demanda importante, mas que acaba prejudicando o rendimento do profissional.

A ideia da inserção de plataformas inteligentes de ensino é automatizar parte dessas tarefas. Assim, surge mais tempo para que o professor se dedique ao desenvolvimento de conteúdos e difusão de ideias, diminuindo o foco em tarefas repetitivas.

2. Obtenção de dados sobre o ensino

A pedagogia se beneficia muito da ciência de dados. É com base nela que novas decisões são tomadas em relação aos cursos e às trilhas formativas. 

Porém, para avaliar o rendimento e a aceitação de mudanças, estratégias e novidades, é preciso dedicar um tempo à análise dos dados.

A obtenção e visualização desses dados fica mais simples se aliada à tecnologia. Por exemplo, se o professor consegue acompanhar, de forma gráfica, o rendimento de seus alunos nas atividades de avaliação, ele pode detectar lacunas de aprendizagem e planejar intervenções efetivas.

Os dados também podem aproximar o professor do entendimento de seus alunos. É Possível, por exemplo, analisar o tempo que eles dedicam às atividades, quais prendem melhor o interesse, que recursos não combinam com o estilo de aprendizagem, entre outros.

4. Otimização da rotina e gestão

Manter uma disciplina não é uma tarefa fácil. Justamente por isso, os docentes se beneficiam de recursos digitais. Além de fazer as decisões didáticas, os professores são responsáveis por organizar e gerir um cronograma, atendendo aos alunos e à instituição.

Tendo isso em vista, é fácil notar que a rotina desses profissionais seria beneficiada por sistemas de ensino que valorizem uma organização constante, de acordo com análises minuciosas.

Para as instituições de ensino

As IES também encontram vantagens com a implementação da aprendizagem adaptativa. A primeira vantagem é na captação de alunos: com a natividade digital das novas gerações e o crescimento da EaD, as instituições que se destacam nas ferramentas online terão mais espaço no mundo educacional.

A segunda vantagem é que esse modelo oferece informações valiosas na elaboração e revisão dos cursos oferecidos na IES. Durante o processo de elaboração do Projeto Pedagógico de Curso, os gestores e docentes muitas vezes não sabem da magnitude dos desafios que irão encontrar na construção. Justamente por isso, esse documento servirá de guia para mudanças futuras.

A aprendizagem adaptativa permite justamente que a performance e o aproveitamento do aluno seja outra ferramenta nas futuras mudanças. Em caráter estrutural, é importante que os gestores de IES estejam atentos às alterações que serão feitas e às bases em que se apoiam. Com os relatórios dos alunos, o cenário fica mais claro.

Leia também: Entenda a importância do planejamento educacional e como montá-lo em sua IES

8. Como a aprendizagem adaptativa contribui para resolver problemas estruturais na educação?

A aprendizagem adaptativa pode também ajudar os gestores a solucionar algumas questões educacionais estruturais. Entre elas está a evasão de alunos, que atinge todos os segmentos. 

Com nossa atual realidade socioeconômica, muitos alunos deixam seus cursos superiores para poder se dedicar a empregos de tempo integral. A EaD tem contribuído para a volta de profissionais aos estudos, mas ainda assim a questão do tempo é uma barreira.

Já na aprendizagem adaptativa, o aluno pode aprender no próprio ritmo, com o tempo que ele tem disponível a cada dia, passando por suas fases de aquisição de conhecimento.

Diversidade no ensino superior

Além da evasão escolar, a realidade socioeconômica contribui para outro problema dentro dos ambientes educacionais. É a falta de diversidade do corpo discente. 

Apesar da inclusão de mais diversidade nos ambientes de estudo, eles ainda são dominados majoritariamente por pessoas de grandes centros urbanos, alto poder aquisitivo e pouca diversidade racial.

Também, é claro, há uma grande barreira em relação a alunos com deficiência. As barreiras físicas, que os impedem de frequentar os espaços, mas também as barreiras logísticas, como a pouca pluralidade de atividades em sala de aula.

Nesse sentido, a aprendizagem adaptativa está preparada para refazer as trilhas de acordo com o que cada aluno demanda, o tempo que pode dedicar, as dificuldades recorrentes e muito mais informações.

Inteligência artificial no ensino

Ainda que pareça futurista, a ideia de inteligência artificial nas IES não é nova. Desde os anos 70, pesquisadores analisam a implementação de estratégias de ensino diversas, alternadas de acordo com os alunos.

Além de divergir em nível de dificuldade, também contemplam mais formas de aprendizado e avaliação, o que aumenta os alunos participantes.

É também por meio da inteligência artificial que os alunos tomam suas decisões: com a experiência da plataforma, podem ver em quais setores enfrentam mais dificuldades e reforçar os estudos nele.

A tecnologia da aprendizagem adaptativa trará mais inovação para a educação atual. Para saber melhor o que esperar das mudanças, leia também este artigo sobre IES e os alunos do futuro!

Jogos educativos para ensino superior: fotografia de dois alunos utilizando o notebook em sala de aula.

Descubra 8 jogos educativos para ensino superior

A noção de jogos educativos para ensino superior pode causar certo estranhamento em setores mais clássicos. No entanto, os dados confirmam o enorme potencial desta área.

O Brasil se destaca quando o assunto é o consumo de video-games. A  7ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), de 2020, mostrou que 73,4% dos brasileiros jogam games eletrônicos, em plataformas diversas. O isolamento só potencializou o contato com os jogos, já que houve crescimento de mais de 7% em relação ao ano anterior.

O perfil do consumo de jogos no Brasil é, em grande parte, relacionado aos adultos de 25 a 34 anos, que correspondem a 33,6%, seguidos dos jovens de 16 a 24 anos, que são 32,5% dos gamers brasileiros.

Se engana quem acredita que é um mundo masculino. Desde 2016 os dados apontam que as mulheres são a maioria do público gamer, e em 2020 isso se confirmou: elas alcançaram mais de 53% do total de jogadores. 

Diante de um cenário como este, é possível inferir que as relações com a tecnologia, e consequentemente com os games, tornam outros mercados extremamente afetados pelos novos hábitos. E a educação pode ser um deles.

Mas como é possível incorporar uma prática ligada ao lazer e entretenimento à formação de novos profissionais? Se você se perguntou isso, talvez seja interessante revisar o que entendemos por processo educacional. Aprender pode, e deve, ser prazeroso, e os jogos educativos podem ser um caminho para isso.

No presente texto, vamos explicar como funcionam os jogos educativos para ensino superior e por que aplicá-los em sua instituição de educação superior (IES). Além disso, vamos apresentar uma lista de 8 destes jogos, para que você coloque esta iniciativa em prática desde já.

Por que e como utilizar jogos educativos para ensino superior?

Há algum tempo as universidades, faculdades e centros universitários já lidam com uma geração nativa digital. Ou seja, são pessoas que têm tecnologias próximas, no dia a dia, desde que nasceram e, portanto, interagem com estas de forma fluída e natural. A gamificação na educação aparece, neste contexto, como uma ótima aposta.

Ela é compreendida como uma metodologia ativa, capaz de transformar as relações nas salas de aula. Com focos diversos, os jogos podem ser centrados na relação direta com o conteúdo, ou até mesmo no desenvolvimento de habilidades individuais e coletivas, como a melhoria nas relações interpessoais. 

Para que tenha fins educativos, os jogos precisam estar atrelados a um propósito, diretamente conectado ao percurso formativo do estudante. É necessário saber o que se precisa ensinar, para delimitar o melhor modo de aplicar as técnicas de gamificação. 

O entendimento do conceito é uma premissa para que a questão, apresentada no jogo, seja resolvida pelo estudante. 

Além disso, o desafio é um ponto muito importante na criação e utilização de jogos educativos, já que estes precisam oferecer dificuldades a serem superadas. Ou seja, são verdadeiras oportunidades de melhoria, seja através da aquisição de novas habilidades, novas capacidades de operacionalizar ferramentas, etc.

Para utilizar games no dia a dia das IES, também é necessário oferecer conteúdo que faça sentido para o estudante, dentro de uma premissa de aprendizagem significativa. Para isso, é preciso compreender se aquele jogo será capaz de engajar pessoas de determinado curso ou período, ou se está muito além (ou aquém) de suas habilidades atuais. 

E uma coisa é certa: quem engaja se inspira, e quem se inspira quer espalhar as boas novas. Dessa forma, a gamificação funciona como fator de atratividade, ligada à qualidade e investimento da instituição. 

A gamificação não necessariamente está ligada a conteúdos digitais. É possível criar, em salas de aula tradicionais, jogos que façam sentido para o processo educativo dos estudantes. A contribuição ativa dos alunos na construção dos jogos, inclusive, é uma forma de aumentar as chances de sucesso e replicação desses modelos. 

Leia também: Entenda como aplicar a gamificação na educação

Melhorias pedagógicas com jogos educativos

A melhoria do processo de ensino-aprendizagem é resultado do engajamento e do despertar da criatividade e curiosidade dos estudantes. Isso faz com que ele se sinta parte ativa do seu processo de formação, e os jogos educativos para ensino superior podem ajudar muito nisso.

A gamificação ressignifica a relação com as inovações, e até mesmo com a tecnologia, fazendo com que os estudantes saibam operacionalizar essas ferramentas, para que se tornem parte do seu processo de crescimento (seja na sua trajetória acadêmica, ou profissional).

Uma verdadeira ponte com a realidade, os jogos educacionais permitem que a fixação e apresentação dos conteúdos seja mais rápida e eficaz. São verdadeiros desafios, em que os alunos precisam aprender a lidar com dificuldades, com eventuais falhas, e aprender a tomar decisões. 

O tempo de envolvimento com a atividade também é consideravelmente maior, quando comparado à capacidade de concentração em uma atividade ou aula expositiva tradicional. 

Importante compreender que, para que a gamificação seja um artifício de melhoria do ensino-aprendizagem, é preciso que seja estabelecida a partir da intencionalidade. Não adianta fazer simples transposição de atividades para um modelo gamificado. 

É interessante olhar para a produção de games já existentes. Existe uma gama de títulos que aparentemente não são voltados para o cenário educacional, mas que trabalham habilidades necessárias ou de importante discussão em sala de aula.

Leia também: Como desenvolver as metodologias ativas com uso de tecnologias digitais?

Quais são os principais jogos educativos para ensino superior?

  1. Elude
  2. KNTE (Keep Talking and Nobody Explodes)
  3. Village City
  4. Jogo de Empresas
  5. Carcará: Asas da Justiça
  6. Insuonline
  7. Kahoot
  8. Valentes ao mar

Conheça em detalhes 8 jogos educativos para aplicar e se inspirar!

Para compreendermos mais sobre a capacidade de incorporação de jogos educativos no ensino superior, vamos explicar em detalhes como funcionam cada um dos jogos listados acima.

Alguns deles podem ser indicados aos alunos, a depender da realidade de cada curso. Além disso, você pode utilizar os conceitos de cada um para desenvolver games próprios em sua instituição de ensino.

Acompanhe!

1. Elude

Lançado em 2010 em uma parceria entre o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, e universidades de Cingapura, Elude pode ser jogado online. Trata sobre a empatia diante dos sofrimentos mentais, tão comuns nos dias de hoje, como a depressão. 

A palavra “Elude” origina-se da palavra latina “e-ludere que significa “longe de” e é derivada de “ludo” com os significados “brincar” e “enganar”.

Compreendendo que a vida é composta de várias lutas, e consequentemente variações de humor, o jogo propõe uma luta contra a depressão, e a busca por um caminho de felicidade. Em um tradicional jogo de plataforma, elementos encontrados no caminho podem ajudar o personagem a sair de estados mais sombrios, e são lidos como paixão pela vida.

As “paisagens emocionais” ajudam na conexão com o personagem, assim como as alterações de humor que são características da doença. A jogabilidade muda de acordo com essas variações, assim como os cenários.

Com cenários que demonstram como é o estado mental de quem se encontra em um quadro depressivo, o game pode ativar a capacidade empática de quem precisa lidar com pessoas em situação semelhante, mas não necessariamente passaram, ou compreendem as nuances da doença. 

Pode ser usado, inclusive, em contexto clínico, como parte de um pacote de psicoeducação. Isso auxilia amigos, parentes e grupos que trabalham com gestão de pessoas, além de educadores, a lidar com indivíduos que estejam passando por momentos difíceis.  

Leia também: Como cuidar da saúde mental dos estudantes na IES?

2. KTNE (Keep Talking and Nobody Explodes) 

Com um nome um tanto quanto peculiar, que na tradução do inglês significa “Continue Falando e Ninguém Explode”, este jogo já ganhou nove prêmios de destaque e pode ser utilizado como instrumento educativo em sala de aula.

Disponível em 15 plataformas (android, iOS, Windows, macOS, Linux, Switch, PS4, Xbox One, entre outras), o jogo é um verdadeiro coringa para desenvolver habilidade de comunicação em vários percursos formativos.

No jogo, um dos participantes deve desarmar as bombas com ajuda dos demais participantes. O desarmador, no entanto, não sabe como fazê-lo, isso fica a cargo dos especialistas, únicos que possuem o manual para desarmar as bombas. 

Dessa forma, o desarmador precisa estar muito atento às indicações dos especialistas — que, por sua vez, não conseguem ver a bomba — e para identificá-la precisam confiar e compreender na descrição do desarmador. 

Se o contador chega a zero, a bomba explode e todos perdem. Outra forma de explodir a bomba é atingir o máximo de faltas para cada módulo. Por isso, é preciso continuar falando, se comunicando, e tentando entender uns aos outros, para que a operação tenha sucesso.

Agilidade, entendimento, trabalho em equipe, capacidade de liderar e fornecer instruções, além de organização e saber tomar decisões sob pressão são algumas das habilidades desenvolvidas com as partidas. 

Também é uma forma de aprender com os erros, estabelecer métodos de sucesso e novas formas de interação que garantam a meta para o time.

O jogo conta com uma bomba diferente a cada vez e os quebra-cabeças gerados por procedimentos mantêm a atividade sempre renovada. Além disso, é possível jogar remotamente, com serviços de bate-papo ou videochamadas para manter a interação.

É possível definir o padrão de dificuldade e criar missões que aumentam o desafio gradativamente, além de configurar suas próprias bombas. E o mais importante: é impossível ganhar sozinho!

3. Village City

Criado pela Sparkling Society Games B.V, Village City é um daqueles clássicos jogos capazes de nos manter por horas na plataforma. Talvez a inclusão do game nesta lista gere algum estranhamento. Não seria esse tipo de jogo um convite para a distração

O jogo consiste na construção de cidades, em que o jogador compra casas para os seus cidadãos, prédios comunitários e decorações, com objetivo de promover a felicidade dos moradores. 

É possível inserir hotéis, cinemas, escritórios, padarias, restaurantes e até plataformas de petróleo. Ambientes coletivos também promovem a felicidade das pessoas, como parques, escolas, igrejas, bibliotecas, museus, etc. 

Mais pessoas felizes na cidade significa que ela se tornará um espaço mais atrativo para que a população cresça, fazendo com que novas casas e empregos sejam criados, assim como novos prédios, tornando a cidade cada vez maior. É possível gerar lucro com prédios comerciais, e melhorá-los com o decorrer do jogo.

Com classificação etária para todas as idades, e incluso na categoria família e crianças, esse jogo pode ser incorporado ao ensino superior, e consequentemente tornar-se uma ferramenta de gamificação em cursos como arquitetura e urbanismo. 

O simulador de construção de cidades já foi incorporado à disciplina “Planejamento Urbano e Regional” em uma universidade. A atividade consistiu na criação de uma cidade virtual por meio do aplicativo Village City.

Para que a experiência educacional estivesse completa, os alunos deveriam seguir os instrumentos da legislação urbanística e os conceitos de planejamento urbano e desenvolvimento sustentável. Dessa forma, eles criaram, cada um a seu modo, um planejamento urbano estratégico. 

O game auxilia os alunos a pensarem, de forma prática, em quais desafios são enfrentados ao fazer um planejamento urbano, além de como resolvê-los observando as normas aplicáveis.

Leia também: Como desenvolver a Aprendizagem Baseada em Projetos na IES?

4. Jogo de Empresas

A rotina de uma empresa é muito complexa. Quem administra deve ter uma visão macro do negócio, e para auxiliar no aprendizado das habilidades necessárias para gerenciar um negócio, a Simulare criou o Jogo de Empresas. 

Desde 2008 a Simulare, empresa de Florianópolis (SC), atua com simulações de gestão de negócios, os jogos empresariais, que apesar de terem esse nome, podem e devem ser utilizados nas aulas das instituições de ensino superior. Os jogos são desenvolvidos por  professores, consultores, analistas, e programadores, com vasta experiência no assunto. 

Em um momento que a formação empreendedora é tão crucial, o game pode auxiliar IES e donos de negócios a treinar pessoas para as questões do dia a dia da gestão.  A origem dessa atuação da Simulare está, inclusive, em uma universidade, já que é fruto do grupo de pesquisa do Laboratório de Jogos de Empresas do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O jogo funciona como uma simulação, em que o usuário precisa encontrar o equilíbrio financeiro em um cenário de investimentos em recursos, como máquinas, insumos, pessoas, crédito, clientes, etc. Os participantes fazem a gestão de empresas fictícias, competindo entre si, em equipe com até 5 participantes.

As regras podem ser conferidas no “Manual dos Diretores”, mas em suma, o jogo consiste em analisar relatórios financeiros, gerenciais e contábeis. Além disso, é necessário entender a situação atual da empresa, tendo sempre em mente os desdobramentos contextuais que podem ser acessados no portal de notícias e fatos relevantes. Todas essas informações são importantes para o cenário empresarial.

A análise de cenários do game ajuda os usuários na tomada de decisões, que resulta na melhor rentabilidade possível, a partir do direcionamento dos investimentos e precificação. Ao final, a plataforma processa a simulação e gera um ranking das equipes. O feedback sobre cada rodada serve como base para as equipes em uma nova simulação. 

5. Carcará: Asas da Justiça

Com três prêmios ligados à área educacional, Carcará: Asas da Justiça  é uma Visual Novel sobre Direito. Esse gênero de jogos eletrônicos é baseado em uma história e seu desenrolar, onde a tomada de decisões sobre os eventos da trama se encontra nas mãos do jogador. 

A história, neste caso, é relacionada às aventuras do advogado idealista, Fábio Carcará, em busca de justiça. As atividades do jogo de lógica consistem em investigar, coletar evidências, apurar segredos e disputar com seus argumentos em um tribunal.

Para isso, Carcará conta com uma assistente para coletar evidências capazes de absolver e provar o ponto de seus clientes. Para concluir seu objetivo, eles precisam questionar testemunhas, e contradizer seus opositores com as evidências coletadas. 

Para dificultar um pouco a vida do jovem advogado Carcará, e dar um tom ainda maior de realidade para o game, no tribunal ele enfrentará donos de empresas que vão tentar manipular a corte, de forma a condenar seus clientes com mentiras. 

Em sua trajetória Carcará conhece diversos perfis de advogados, o que torna o jogo ainda mais interessante. Ele está disponível nas plataformas Windows, Mac OS, Linux, Android, e iOS.

Uma excelente forma de se exercitar com questões de lógica, explorar as possibilidades de argumentação, e aprender mais sobre Direitos do Consumidor em um app totalmente gratuito. 

6. Insuonline

O diabetes atinge 425 milhões de pessoas em todo o mundo. Só no Brasil são registradas 14 milhões de pessoas diabéticas. Por isso, a doença é considerada uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O tratamento, em muitos casos, envolve a aplicação de insulina, para controlar o índice glicêmico no sangue.

É comum, nas clínicas e postos de saúde, que médicos não especialistas — como clínicos gerais — acabam sendo responsáveis pelo acompanhamento desses pacientes. Mas e se houvesse uma forma de simular a interação com esse medicamento, aumentando a experiência de médicos, enfermeiros, e futuros profissionais?

O jogo Insuonline é uma forma de aprender e praticar os princípios do uso da medicação no tratamento de pessoas diabéticas. Desenvolvido por endocrinologistas e equipe técnica de programação, design e educação, o game é uma ferramenta de ensino em relação ao tratamento da diabetes mellitus. 

O Insuonline pode ser incorporado na formação dos profissionais de saúde, o que garante maior engajamento e interação com o conteúdo, que é baseado nas diretrizes clínicas publicadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), American Diabetes Association (ADA) e European Association for Study of Diabetes (EASD), adaptadas à realidade da Atenção Primária à Saúde no Brasil.

Leia também: Veja 8 estratégias de metodologia ativa para você aplicar em sua IES

7. Kahoot

O Kahoot é uma plataforma online e gratuita para computadores Windows, macOS e Linux, além de celulares Android e iPhone (iOS), que oferece uma outra vertente de gamificação no ensino superior: os quizzes. Eles são excelentes formas de engajar os alunos de modo mais simples, e adaptável para conteúdos de diversos cursos.

Os conjuntos de perguntas a serem respondidas podem fazer parte do conteúdo desenvolvido pela comunidade que utiliza a plataforma. Mas também há quizzes específicos, criados por amigos, professores, líderes, etc. Ao responder as questões de forma correta, o jogador ganha pontos.

Na plataforma, o usuário pode encontrar questionários desenvolvidos por editoras, como Disney, National Geographic, Cambridge University Press, entre outras. Além disso, através da comunidade Academy, é possível criar uma rede mundial de colaboração na construção e compartilhamento de conteúdos. 

O grande trunfo do Kahoot é a jogabilidade, já que qualquer usuário pode criar um quiz em minutos, e combinar perguntas com slides, enquetes, puzzles, e perguntas de um banco de questões. Além disso, é possível utilizar a plataforma nas videoconferências, para dinamizar as salas de aula síncronas

É possível criar e compartilhar o conteúdo gerado no Kahoots com alunos pelo Microsoft Teams, além de criar competições entre equipes. Com a plataforma é possível introduzir novos tópicos, revisar conteúdos, alcançar alunos que não estão na escola, dar aulas interativas, reforçar o conhecimento, quebrar gelo, etc.

O Kahoot também permite o feedback, a partir de avaliações formativas. É possível usar análises de relatórios de jogos para avaliar o progresso do aprendizado da classe, além de coletar opiniões dos alunos.

8. Valentes ao mar

Vencedor do Serious Play Awards 2020, o game Valentes ao Mar é uma iniciativa brasileira. Criado pela Expansão Consultoria em Educação Corporativa, o jogo tem como objetivo oferecer uma experiência de aprendizado voltado para a inovação. Ele pode ser usado em empresas, ou até mesmo na formação profissional das IES. 

É ideal para ser desenvolvido com equipes remotas e presenciais, tem característica de ser um game multiplayer, com desafios crescentes.A ideia é mostrar os comportamentos necessários para se sair bem em um cenário de transformação digital, em que o mundo muda constantemente e exponencialmente. 

O jogo ainda pode incorporar, em sua apresentação para as equipes, recursos de realidade virtual, já que foi desenvolvido para estimular a imersão. Uma verdadeira viagem ao passado, para inspirar comportamentos de sucesso no futuro. 

Jogos educativos para um aprendizado efetivo

Se tem uma coisa que conseguimos comprovar com essas 8 dicas de jogos educativos para o ensino superior é que não existe idade para aprender de forma lúdica. Da alfabetização infantil à educação permanente e continuada, sempre é possível incorporar novas metodologias de ensino-aprendizagem. 

Ampliação e fixação dos conhecimentos, aumento do tempo de concentração, criação de vínculos, fortalecimento da comunicação, lógica, e trabalho em equipe, são apenas alguns dos benefícios da incorporação de jogos educativos nas rotinas das instituições de ensino superior. 

Uma educação com mais significado diminui a evasão de alunos e melhora os resultados acadêmicos da IES. Há recursos para todos os gostos e bolsos, e ainda é possível estimular os próprios alunos na criação de soluções.

Se a vida já possui muitas adversidades, as instituições de ensino superior podem ser um verdadeiro refúgio, um momento de dedicação ao crescimento pessoal, e não uma fonte de aborrecimento e de uma educação tradicional, que não contempla as demandas e o perfil dos estudantes. 

Muito além da simples reprodução de conteúdos, a gamificação oferece uma possibilidade de interação com o conhecimento, e até mesmo de cocriação. Os desafios a cada fase demonstram que todos podem traçar seu próprio caminho, em uma verdadeira escalada de crescimento.

Esperamos que tenha gostado deste texto sobre jogos educativos para ensino superior. Para continuar sua jornada em busca de conhecimento e melhoria contínua para sua IES, confira essas 12 dicas sobre como fazer aulas interativas no ensino superior.

Ferramentas para sala de aula invertida: fotografia de uma mulher sorrindo enquanto utiliza o notebook.

Conheça 13 ferramentas para sala de aula invertida

As tecnologias digitais oferecem diversas novas formas de desenvolver o processo de ensino-aprendizado. A sala de aula invertida, uma estratégia de ensino inovadora e que se desenvolve muito com a tecnologia, tem como base a inversão do modo tradicional de ensinar.

Neste artigo, falaremos um pouco sobre essa maneira de construir o conhecimento. Além disso, apresentaremos 13 ferramentas para sala de aula invertida, que facilitam a aplicação na sua instituição de educação superior (IES).

O que é a sala de aula invertida?

É uma metodologia de ensino criada nos anos 2000. Nela, a sala de aula deixa de ser um espaço de exposição do conhecimento para se transformar em um ambiente de trocas e dinamicidade.

A sala de aula invertida propõe que o conteúdo a ser aprendido pelos alunos seja estudado em casa. Por outro lado, as atividades — trabalhos, tarefas etc. — são feitos em sala de aula. 

Isso faz com que o estudante assuma uma postura central no seu processo de ensino-aprendizagem, uma vez que se torna responsável pelo próprio aprendizado. Além disso, o professor efetivamente deixa de ser um expositor, tornando-se um mediador.

Por isso, a sala de aula invertida se constitui enquanto uma das principais metodologias ativas em aplicação atualmente.

Em que se baseia a sala de aula invertida?

Atualmente, a sala de aula invertida é uma metodologia que articula espaços online e presenciais. Essa forma de ensino é crescente em todo o mundo e apresenta uma série de vantagens para as instituições e para os estudantes.

Além disso, a sala de aula invertida está associada à aprendizagem invertida. Nessa abordagem pedagógica, a aula expositiva passa da dimensão coletiva (a sala de aula) para a individual. 

Assim, o espaço comum aos alunos pode ser transformado em um ambiente dinâmico e interativo, onde passam a ser realizadas atividades antes desempenhadas individualmente. Discussões sobre o conteúdo, experimentos, projetos… tudo isso é deslocado para o ambiente da sala.

A sala de aula invertida também se baseia nos pilares centrais da aprendizagem invertida.

Quais são os pilares da aprendizagem invertida?

  • Ambiente flexível: a proposta é criar espaços nos quais os estudantes têm liberdade para decidir quando e onde aprendem, o que flexibiliza sua sequência de aprendizagem e contribui para alcançar uma maior personalização do ensino.
  • Cultura de aprendizagem: quando criada, passa a responsabilidade da instrução para o próprio estudante, o que o ajuda a desenvolver sua autonomia.
  • Conteúdo dirigido: o modelo invertido faz com que sejam determinados, com antecedência, quais conceitos e materiais precisam ser ensinados aos alunos e quais eles podem acessar por conta própria, o que otimiza a rotina dos professores e desenvolve a independência estudantil.
  • Educador profissional: o professor pode assumir uma postura mais exigente, mas também passa a ser continuamente demandando pelos estudantes, lidando com feedbacks contínuos e na sala de aula.

Leia também: Saiba o que é e as características da educação dialógica

Quais são as vantagens da sala de aula invertida?

A sala de aula invertida apresenta uma série de vantagens, tanto para professores quanto para alunos. Abaixo, separamos as principais delas.

Para professores:

  • Deixam de ser “o centro das atenções” e se transformam em mentores, auxiliando o estudante no processo de ensino-aprendizagem;
  • Possuem mais liberdade para desenvolver e utilizar recursos didáticos diferenciados;
  • Torna-se mais fácil identificar necessidades específicas de ensino e avaliação, o que melhora o direcionamento das aulas.
  • Há um aumento da produtividade, uma vez que a interação com os alunos é mais frequente.
  • Há uma redução na perda de tempo, já que os estudantes ficam menos dispersos.
  • Possibilita a adoção de diversas outras metodologias ativas no ensino superior.

Para alunos:

  • Tornam-se protagonistas do processo de ensino-aprendizagem.
  • Lidam com um modelo de ensino que se adequa à sua realidade, podendo desenvolver outras atividades e dando maior liberdade para que organizem seus estudos.
  • Ganham mais tempo com o professor para tirar dúvidas, o que auxilia inclusive alunos com dificuldades de aprendizagem.
  • É o aluno quem adequa o professor à sua velocidade, e não o contrário.
  • Estimula o trabalho em equipe, melhorando a relação entre estudantes.

Quais são os desafios da sala de aula invertida e como resolvê-los?

Apesar de ser uma metodologia muito benéfica, a sala de aula invertida não está isenta de desafios. Isso porque é um modelo de ensino muito atrelado à tecnologia e à autonomia dos estudantes. Assim, é preciso estar atento a algumas questões, como:

  • O material didático deve ser disponibilizado com antecedência, o que significa que o professor deve ter uma boa organização no seu plano de curso;
  • Muitos estudantes não possuem acesso à internet em casa, então a Instituição de Ensino Superior deve conseguir suprir essa necessidade (com laboratórios de informática no polo EaD, por exemplo);
  • O estudante pode compreender conceitos de forma errada, e cabe ao professor conseguir avaliar essas questões e corrigi-las;
  • O estudante também deve ter grande disciplina para visualizar os materiais por conta própria, compreender o conteúdo mesmo quando ele parece difícil, etc;
  • O professor deve atender às dúvidas de forma individual na sala de aula, o que pode tomar mais tempo (e, nesse contexto, o tutor EaD pode ajudar muito);

Leia também: Saiba o que é aprendizagem personalizada

Como aplicar a sala de aula invertida?

Para começar a aplicar a metodologia da sala de aula invertida na sua turma ou instituição de ensino, é preciso estar atento a três momentos principais: antes, durante e depois da aula. Cada um deles trará demandas diferentes para professores e alunos e, por isso, devem ser pensados separadamente.

Antes da aula

O momento antes da aula é quando devem ser feitas as preparações para as atividades que serão desenvolvidas. Suponha, por exemplo, que a sua aula acontece duas vezes por semana, às terças e quintas. Isso significa que nos outros cinco dias, os alunos terão acesso ao material disponibilizado, irão separar as suas dúvidas e estarão ativamente construindo conhecimento.

Cabe ao professor, dessa maneira, ter um plano de aula muito bem construído, para que todo o conteúdo seja disponibilizado no momento certo. Também é importante revisá-lo e preparar a aula seguinte com base em possíveis dúvidas.

Durante a aula

Já o momento durante a aula é quando são dados os feedbacks dos alunos acerca dos materiais estudados e dos recursos disponibilizados. É aqui que eles dirão se sentiram muitas dificuldades, se acharam as leituras e demais conteúdos muito difíceis, ou se tudo ocorreu como o planejado pelo professor.

Também é durante a aula que o docente pode realizar atividades práticas relacionadas ao conteúdo estudado. Este é o momento de construir debates e dinâmicas que façam com que os alunos compreendam melhor o que pode ter ficado confuso num momento anterior. E é uma oportunidade de acompanhar o desenvolvimento desses estudantes.

Depois

Quando a aula termina, é hora do professor realizar uma revisão do que foi ensinado e começar a preparar as aulas seguintes. Com base nos feedbacks recebidos, ele pode reavaliar o conteúdo que deixará para os alunos e as atividades dos próximos dias.

Da mesma maneira, cabe ao aluno fazer uma revisão do que foi aprendido durante a aula e compará-la ao que ele mesmo havia aprendido em seus estudos individuais. Assim, garante uma maior aprendizagem e se prepara melhor para as aulas seguintes.

Leia também: Conheça 8 metodologias de ensino inovadoras para sua IES

Quais são as principais ferramentas para sala de aula invertida?

  1. TEDEd
  2. Crash Course
  3. Screencast-o-matic
  4. PowToon
  5. Educreations
  6. Animaker
  7. Canva
  8. Helppier
  9. Saraiva Solução de Aprendizagem (SSA)
  10. Google Forms
  11. Poll Everywhere
  12. Quizlet
  13. Biblioteca Digital Saraiva (BDS)

Conheça melhor 13 ferramentas para sala de aula invertida

A aplicação da sala de aula invertida pode não ser tão fácil ou imediata. Por isso, é importante começar a introduzir a dinâmica invertida de forma leve e gradativa. Além disso, os professores e alunos precisam de tempo para se adaptar às novas rotinas de estudo e para construir uma autonomia eficaz. 

Abaixo, separamos 13 ferramentas para sala de aula invertida. Da sua introdução à turma até a construção de atividades elaboradas, elas com certeza auxiliarão docentes e discentes. E a melhor parte: a maioria das ferramentas são gratuitas!

Para apresentá-las de forma mais organizada, dividimos as ferramentas nas seguintes seções:

  • Para introduzir o conceito de sala de aula invertida
  • Para montar ou criar videoaulas
  • Para aprimorar os slides e as apresentações
  • Para testar os conhecimentos
  • Para tornar a leitura acessível

Vamos lá!

Para introduzir o conceito de sala de aula invertida

Nada melhor do que começar a aplicação dessa metodologia com conteúdos digitais de qualidade, e que podem ser vistos em casa pelos alunos. Para isso, professores podem contar com duas ferramentas centrais:

1. TEDEd

A TEDEd é a primeira das ferramentas para sala de aula invertida. É uma plataforma focada em lições e palestras para estudantes, professores e pais. Embora seja em inglês, seus vídeos em microlearning contam com legendas em português e são abertos para qualquer idade. 

Os conteúdos disponíveis contemplam diferentes disciplinas e possuem abordagens atualizadas. Assim, podem ser usados como complementos às aulas, ou como pontos de partida para atividades mais elaboradas.

2. Crash Course

Os cursos do Crash Course são ministrados no Youtube, em inglês. No entanto, são muito completos e também abrangem diferentes temas. Feitos de forma interativa e dinâmica, se propõem a responder mesmo as questões mais complexas, o que faz com que sejam ótimos complementos educacionais.

A legendagem desses vídeos ficaria a cargo dos professores. Contudo, é um conteúdo rico e que estimula a pesquisa aprofundada de temas.

Para montar ou criar videoaulas

Uma dificuldade comum na transição para a sala de aula invertida é construir o conteúdo que será estudado pelos alunos em casa. Para isso, professores podem contar com livros, vídeos, áudio e uma série de plataformas. 

Dessas abordagens, uma das mais comuns é disponibilizar aulas pré-gravadas, que devem ser assistidas e pareadas com materiais extras, como artigos e textos acadêmicos. Por isso, abaixo, apresentamos as principais ferramentas para ajudar docentes nesse processo.

Lembrando, entretanto, que você pode também aplicar a sala de aula invertida com materiais tradicionais (como livros da biblioteca) ou optar também por conteúdos EaD prontos para aquisição.

3. Screencast-o-matic

O Screencast-o-matic é uma plataforma gratuita de gravação e edição de vídeos, e mais uma das ferramentas para sala de aula invertida. Na sua versão mais básica e sem custos, permite criar um vídeo de até 15 minutos e colocá-lo no Youtube. 

Além disso, oferece uma série de ferramentas e informações durante a gravação, o que guia o professor no seu processo de exposição.

4. PowToon

O PowToon é uma ferramenta que permite criar vídeos animados de forma gratuita. Ele melhora a dinâmica de apresentações, tornando o conteúdo mais atrativo. Apesar de ser em inglês, a plataforma é intuitiva e não exige conhecimentos prévios em animação.

5. Educreations

O Educreations é um aplicativo exclusivo para Ipads e também pode ser utilizado como uma das ferramentas para sala de aula invertida. Ele transforma a tela em um quadro digital gravável, o que permite a criação de uma sala de aula completamente virtual. Além disso, possibilita o uso de texto e imagens durante uma explicação. 

6. Animaker

Com uma proposta semelhante ao PowToon, o Animaker é uma plataforma online de criação “faça-você-mesmo” de vídeos animados. Também é bastante intuitiva e a construção dos desenhos pode ser personalizada de várias maneiras. Na sua versão gratuita, possibilita o download de até cinco vídeos mensais.

Leita também: Conheça 10 ferramentas para dar aula online

Para aprimorar os slides e as apresentações

Também existem vários recursos virtuais para transformar as apresentações dos professores. É hora de abandonar o retroprojetor e descobrir formas mais atrativas de mostrar o conteúdo aos alunos!

Confira, a seguir, algumas ferramentas para sala de aula invertida que auxiliam neste processo.

7. Canva

O Canva é uma plataforma já bastante conhecida, que permite a criação de diferentes formatos (imagens, slides, folhetos etc.) com um design aprimorado. A versão gratuita é bastante completa, oferecendo diferentes templates, imagens, animações e ferramentas úteis para a criação de slides mais atrativos para os alunos.

8. Helppier

A Helppier é uma plataforma focada em UX que possibilita criar guias interativos, tutoriais e mensagens contextuais. Possui um teste gratuito de 14 dias, podendo ser usado por professores para construir uma linha do tempo do curso, estruturar materiais, etc.

Para gerenciar a aprendizagem

Uma vez que os estudantes são os principais responsáveis pela aprendizagem, é preciso auxiliá-los nesse processo. Para isso, existem diversas ferramentas online que possibilitam a construção de exercícios e fóruns de diálogo. 

9. Saraiva Solução de Aprendizagem (SSA)

A Saraiva Solução de Aprendizagem, também conhecida como SSA, é uma plataforma digital com atividades de apoio à leitura, estudo e aprendizagem. Possui diversos conteúdos alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais de cada curso, e também vários recursos de comunicação entre alunos e professores.

Através dela, é possível gerenciar a aplicação de questões virtuais aos alunos, obter acesso a um acervo de livros digitais e também um kit de livros físicos.

Leia também: Ferramentas síncronas e assíncronas no ensino superior: entenda a diferença

Para testar os conhecimentos

A sala de aula invertida também possibilita a criação de diferentes metodologias de avaliação online e presencial. De acordo com os objetivos de aprendizagem de cada módulo ou turma, o professor pode definir como avaliá-la. Abaixo, separamos algumas ferramentas para sala de aula invertida que contribuem para essa tarefa.

10. Google Forms

Gratuito, de fácil acesso e com uma enorme facilidade para verificar respostas e entradas, o Google Forms é uma ferramenta de testagem bastante inteligente. Embora esse não seja o seu objetivo inicial, ela pode contribuir para a análise individual dos alunos e ainda oferece um panorama de toda a turma, indicando pontos comuns de dificuldade.

11. Poll Everywhere

A ferramenta Poll Everywhere permite a criação de reuniões interativas e a adição de atividades em apresentações já existentes. É ótima para acompanhar o desenvolvimento dos estudantes e testar conhecimentos durante as aulas, de forma dinâmica e divertida.

12. Quizlet

A Quizlet é uma plataforma de criação de quizzes online e gratuita. Ela possibilita, além de maior testagem dos alunos, a aplicação de outras metodologias ativas, como a gamificação na educação. Com isso, os estudantes interagem melhor com os conteúdos aprendidos e se sentem motivados a continuar realizando as atividades.

Para tornar a leitura acessível

Apesar de todos os benefícios da multimídia e hipermídia na educação, uma coisa é certa: a leitura será sempre uma das principais formas de se aprender. É um recurso realmente indispensável em qualquer instituição de ensino.

Com o desenvolvimento tecnológico, os livros tornam-se bem mais acessíveis a partir da leitura digital. É importante, portanto, contar com soluções que garantam esse recurso indispensável para a educação superior.

13. Biblioteca Digital Saraiva (BDS)

A Biblioteca Digital Saraiva, também conhecida como BDS, é uma plataforma virtual com um dos melhores acervos de livros digitais para o ensino superior. Ao adotá-la, você garante que os alunos tenham acesso fácil a uma vasta bibliografia, para estudar antes do encontro com a turma e aplicar, assim, a sala de aula invertida.

Vamos explicar em mais detalhes, a seguir, como a BDS funciona.

Você já conhece a Biblioteca Digital Saraiva?

Para construir uma sala de aula invertida e eficaz, uma das ferramentas mais úteis disponíveis no mercado são as bibliotecas digitais. Feitas para facilitar o acesso a materiais de qualidade, a qualquer momento e em qualquer lugar, elas podem funcionar como uma valiosa fonte de estudo para os alunos.

Pensando nisso, a Saraiva desenvolveu a Biblioteca Digital Saraiva. Com obras selecionadas, ela pode ser integrada ao ambiente virtual de aprendizagem (AVA) da instituição e conta com diversas vantagens.

Como a Biblioteca Digital Saraiva funciona?

De modo geral, a BDS funciona como uma biblioteca comum: os alunos da IES têm acesso a livros digitais e podem realizar sua leitura pelo computador ou através de dispositivos móveis. Esses livros ficam disponíveis a qualquer momento, e a plataforma da BDS conta com ferramentas que permitem fazer anotações e marcações.

O acervo de livros é pensado de modo a complementar a bibliografia básica de cada área de ensino. São mais de 2.800 livros disponíveis e atualizados constantemente, garantindo-se assim que eles continuem relevantes para as áreas a que são destinados.

Quais são os benefícios da BDS?

Além de ser pensada para se integrar aos planos de ensino de cada curso, a Biblioteca Digital Saraiva oferece uma série de outros benefícios. Dentre eles, destacamos:

  • maior eficiência nos processos pedagógicos;
  • redução de custos com a manutenção de livros físicos;
  • redução de problemas logísticos, como a indisponibilidade dos exemplares e de pessoal;
  • otimização do tempo do professor;
  • promoção do acesso a materiais de qualidade de forma simplificada;
  • equipe de suporte disponível.

Além disso, a BDS também tem uma série de vantagens no sentido de facilitar o acesso aos seus materiais. Por isso, possibilita:

  • redimensionamento da página;
  • navegação diretamente pelos capítulos dos livros;
  • mudança no tamanho e cor das letras;
  • fazer marcações e notas nas obras.

Por fim, a BDS ajuda a instituição de ensino a cumprir as exigências dos órgãos governamentais, melhorando os resultados da instituição na avaliação do MEC. Isso também contribui para construir uma melhor reputação para a IES.

Leia também: Saiba quais são os critérios analisados na avaliação de bibliotecas pelo MEC

Como a BDS auxilia na sala de aula invertida?

Como dissemos, a sala de aula invertida parte do princípio de que o aluno está no centro do seu processo de ensino-aprendizagem. Por isso, a absorção dos conteúdos e conceitos é feita em casa, enquanto o ambiente estudantil é utilizado como um espaço dinâmico de debates.

Nesse sentido, uma das alternativas para professores deve ser a recomendação de leituras da bibliografia básica e de materiais extras. Esse processo ajuda na absorção dos conteúdos e prepara os alunos para lidar com situações diversas. Além disso, incentiva a leitura no ensino superior.

A Biblioteca Digital Saraiva é, portanto, uma ótima solução para instituições que utilizam o modelo de sala de aula invertida. Ao possibilitar o acesso facilitado aos materiais, ela estimula a autonomia dos estudantes, o seu engajamento e a personalização do ensino.

Mais do que isso, a BDS também promove uma maior otimização do tempo de aula. Afinal, os alunos podem ter acesso aos materiais de que precisam com facilidade, o que deixa mais tempo para os debates e dúvidas. 

A importância de uma estratégia de ensino como a sala de aula invertida é inegável. As suas vantagens são visíveis, sobretudo quando tratamos de alunos com rotinas apertadas e que precisam de uma maior flexibilização do ensino. E com a Biblioteca Digital Saraiva, os benefícios podem ser ainda maiores.

Agora que você já está familiarizado com todas as ferramentas para sala de aula invertida, clique aqui e conheça melhor a Biblioteca Digital Saraiva. Um especialista estará pronto para explicar todas as vantagens dessa solução e tirar todas as suas dúvidas!

Como gravar videoaula: fotografia de uma pessoa assistindo a uma aula online pelo computador.

Veja como gravar videoaula do zero com equipamentos que você tem em casa

A pandemia trouxe um grande desafio para os professores: adaptar o conteúdo e a didática das aulas presenciais para o formato digital. Especialmente para quem tem menos familiaridade com a tecnologia, isso pode ser bastante complexo. 

Por isso trouxemos esse post prático, com um total de 13 dicas sobre como gravar videoaula. Elas se encontram organizadas nos seguintes tópicos:

  • Dicas pedagógicas
  • Dicas técnicas
  • Ferramentas úteis
  • Boas práticas

Ao final da leitura, você contará com um vasto leque de orientações para colocar em prática hoje mesmo. Vamos lá?

Dicas Pedagógicas

Para começar nossas dicas, vamos apresentar algumas diretrizes pedagógicas que auxiliam na gravação de videoaulas.

1. Prepare suas aulas 

O grande diferencial das aulas online é não ter a interação presencial. Principalmente no caso de aulas gravadas, é só você e a câmera no momento da gravação. 

Então, para que haja um aproveitamento maior das aulas, é necessário fazer algumas mudanças. Você deverá planejar suas aulas pensando neste formato, que é diferente de uma aula presencial.

Não haverá momentos para que os alunos façam intervenções, perguntas ou comentários. Por isso, tente selecionar quais partes da disciplina serão dedicadas às videoaulas: talvez seja interessante dedicar aulas presenciais ou virtuais síncronas para temas mais complexos, por exemplo.

2. Faça blocos menores

Se ficar focado numa aula de uma ou duas horas já é difícil presencialmente, imagina em um ambiente digital. A técnica Pomodoro, por exemplo, uma das mais utilizadas para o aumento da produtividade, estipula 25 minutos de trabalho e 5 de pausa. 

Assim, ao invés de preparar uma hora ininterrupta de aula, é interessante dividir seu conteúdo em 4 aulas menores de 15 minutos, por exemplo.

Essa organização de videoaulas está relacionada ao microlearning, cujos efeitos pedagógicos positivos possuem comprovação científica.

3. Intercale teoria e prática 

Prestar atenção em um conteúdo teórico e realizar exercícios ativam partes diferentes do nosso cérebro. Isso faz com que ele se canse menos e, novamente, a aula se torna mais produtiva

Segundo um estudo divulgado no site da revista Consumidor Moderno, conseguimos ficar focados em uma atividade por 20 minutos em média. Porém, esse tempo pode diminuir muito com o uso exagerado da tecnologia — uma tendência comum de nossos tempos. 

Portanto, é preciso usar todas as técnicas disponíveis a nosso favor.

4. Escreva um roteiro

Fazer um roteiro é essencial para disponibilizar aulas que não sejam ao vivo. Ele permite que você dê aula com mais segurança, não se esqueça de nenhum tópico e, dessa forma, aumente muito a qualidade das aulas.

Leia também: O que são, para que servem e como aplicar as TICs na educação

Dicas Técnicas

Além do aspecto pedagógico das videoaulas, é importante atentar também para seu aspecto técnico. Quais são os melhores equipamentos para gravá-las? Qual é a melhor forma de utilizá-los?

Essas são algumas dúvidas frequentes relacionadas a como gravar videoaula e vamos respondê-las a seguir.

5. Usando o celular

Se antes da pandemia o uso do celular já era indispensável, agora sua importância é ainda maior. Ele é um dos maiores aliados para a gravação e reprodução das videoaulas.

Por meio do celular, você pode produzir conteúdo audiovisual das seguintes formas:

  • utilizando a câmera do celular e salvando os vídeos no aparelho;
  • gravar aulas por aplicativos de videoconferência (Google Meet, Zoom, Hangouts, etc)
  • gravar aulas e disponibilizá-las no Youtube.

Como qualquer outro recurso, o uso dos smartphones apresenta vantagens e desvantagens. Vamos apresentá-las a seguir e falar sobre formas de contornar as desvantagens.

Vantagens da gravação pelo celular

Confira alguns dos benefícios de utilizar o celular para a gravação das videoaulas:

1. Qualidade da câmera

Mesmo que o seu celular seja de um modelo mais básico, é muito provável que a câmera dele seja melhor do que a do seu computador.

Isso ocorre em função da durabilidade de cada um dos aparelhos. Celulares são normalmente trocados com maior frequência. Seus recursos tecnológicos, portanto, são atualizados a cada troca. 

2. Praticidade

Gravar aulas no celular também permite que você faça sua edição de maneira mais fácil. Os aplicativos de edição de vídeo em aparelhos móveis são mais intuitivos e fáceis de utilizar.

Desvantagens da gravação pelo celular — e dicas para diminuí-las!

E, afinal, como superar os desafios? Veja a seguir!

1. Armazenamento 

Caso você opte por gravar as aulas utilizando a memória do celular, vale a pena comprar um cartão de memória para aumentar a capacidade de armazenamento do seu dispositivo. 

Isso porque os vídeos, especialmente os vídeos longos, são muito pesados e você não conseguirá salvar muita coisa com espaço de armazenamento pequeno. É recomendado que seu aparelho tenha pelo menos 32 gigas de memória.

2. Ergonomia

O celular também não é o melhor aliado para a sua saúde, já que para utilizá-lo é muito comum ficarmos em posturas prejudiciais para a coluna, além da musculatura e tendões como um todo. Porém, com algumas dicas isso fica um pouco mais fácil de administrar:

  • Coloque o celular num tripé e procure utilizá-lo sempre sentado, para que sua coluna fique reta.
  • Quando você for utilizá-lo em pé, estique o antebraço mais para cima para que ele fique de frente para o seu rosto, ou o mais próximo possível da altura dos olhos. Assim, você não força o pescoço. 
  • Para digitar, procure fazer isso posicionando o celular na horizontal. Com as teclas maiores você evita erros de digitação e pode utilizar outros dedos além do dedão, evitando tendinites.
3. Funcionalidades

Finalmente, existem duas desvantagens relacionadas a certas funcionalidades da gravação de videoaulas, que são menos exploradas quando gravamos pelo celular.

Em primeiro lugar, é mais difícil trocar a tela quando utilizamos os celulares.

No computador, é muito mais fácil manter a videoaula aberta e mudar para uma outra aba, que pode ser um chat no WhatsApp ou Telegram Web, um site de pesquisa ou mesmo uma apresentação de Power Point. 

Isso pode facilitar a comunicação entre você e os seus alunos em diversas circunstâncias, principalmente quando houver algum problema técnico — o que pode transmitir uma segurança importante, evitando que o foco na aula seja perdido. 

Por fim, em função do tamanho da tela dos celulares, a visibilidade do professor fica prejudicada quando utilizamos o recurso de fazer apresentações durante a gravação.

Uma possibilidade bastante utilizada pelos professores em videoaulas é transmitir uma apresentação (ao projetar um esquema ou Power Point, por exemplo), enquanto sua imagem na câmera ocupa um espaço menor, porém visível, na lateral da tela. 

Esse pode ser o modelo perfeito para muitas disciplinas, já que é como se o professor tivesse o auxílio de uma “lousa”. Ou seja, uma transposição da sala presencial sem perder nenhuma ferramenta de apoio.

Ao utilizar os celulares, essa funcionalidade fica um pouco prejudicada em função do tamanho da tela. Dependendo do aparelho, pode ser impossível para o professor ver ao mesmo tempo sua apresentação e a própria imagem.

Leia também: Como aproveitar o celular na sala de aula no ensino superior?

6. Fones de ouvido

Para quem escolhe gravar as aulas pelo celular, os fones de ouvido são essenciais. Eles têm dois usos principais: abafar os ruídos externos e melhorar a qualidade do som emitido.

Diferente de um ambiente profissional, a aula realizada em home office pode ser prejudicada por sons típicos de nossas casas. Barulhos de tarefas domésticas, vozes de outras pessoas conversando ou ainda de ruídos da vizinhança podem atrapalhar bastante a qualidade da aula e tornar ainda mais difícil para os alunos manter o foco.

Os fones de ouvido são objetos acessíveis, fáceis de usar e uma solução simples para este problema. Além disso, alguns modelos vêm com microfones embutidos e botões de volume, recursos que podem aumentar ainda mais a qualidade da sua aula. 

Ferramentas

Agora que já passamos pelas dicas técnicas e pedagógicas, vamos apresentar várias ferramentas virtuais para auxiliar na gravação de suas videoaulas.

7. Parrot Teleprompter

O Parrot Teleprompter é uma ótima ferramenta para que você possa acompanhar o roteiro escrito — exatamente como os jornalistas fazem na televisão. 

É só baixar o aplicativo no celular e a tela do dispositivo vai mostrando o roteiro preparado, para que você possa ir lendo sem ter que forçar o olhar e se desconcentrar da própria aula. Contudo, cabe ressaltar que será difícil utilizar esse aplicativo e gravar a aula pelo mesmo aparelho, pelo que aconselhamos utilizar dois celulares ou câmeras distintas.

Você pode aumentar ou diminuir o tamanho das fontes e a velocidade das palavras. Bem simples! Mas atenção: posicione o celular perto da câmera que estará te filmando, para que você não apareça de lado na gravação.

8. OBS Studio

Outra ferramenta gratuita que auxilia muito na hora de gravar videoaulas é o OBS Studio. Com foco justamente na transmissão aberta de conteúdos em vídeo, ele funciona tanto para captar a sua imagem numa webcam ou projetar a imagem da sua tela. É um ótimo recurso para mostrar apresentações no Power Point, por exemplo.

Para utilizá-lo, você precisa fazer o download e configurar sua gravação. Para configurar você vai escolher o tipo de stream utilizado, a plataforma onde a aula será disponibilizada (Youtube, Twitch, Facebook) e acessar a senha de cada plataforma.

Iniciar a gravação é simples e bastante similar a uma conversa no Zoom ou Google Meet. Certifique-se de estar com os fones de ouvido conectados, o microfone (caso você tenha um) bem posicionado para evitar chiados e a apresentação que você vai utilizar aberta na tela do computador. Aí é só clicar no botão “Iniciar Transmissão”  para começar a aula!

9. Windows G

Mais uma ferramenta de gravação de vídeo é o Windows G. Assim como o OBS Studio, ele grava a tela do computador com a possibilidade de gravar a sua imagem em conjunto. Sua maior vantagem, além de também ser gratuito, é que ele não requer instalação.

Isso porque ele é um software que já vem no Windows. Isso faz com que o seu computador fique bem menos lento e travando, já que programas como o anterior costumam ser muito pesados, o que atrapalha o desempenho da máquina em geral.

Ele é uma ferramenta originalmente desenvolvida para a gravação de jogos, mas funciona perfeitamente bem para aulas online. O único ponto de atenção é que ele grava apenas a tela escolhida no início da aula. Ou seja, se você abrir outro site, os alunos não conseguirão ver essa segunda tela. 

10. Legendas automáticas

A utilização de legendas automáticas pode ser bastante importante, especialmente como ferramenta de inclusão de alunos surdos. Entre as várias ferramentas possíveis, duas delas merecem destaque: o Google Meet e o CapCut. 

Google Meet

Este aplicativo, que você usa para fazer videoconferências ou mesmo gravar suas aulas online é o único da categoria que disponibiliza a opção de legendas automáticas. Por isso, ele merece um lugar de destaque.

Para ativar o recurso, basta clicar no ícone do menu, selecionar a opção “Legendas” (ou “Captions”, em inglês) e escolher o idioma – note que existem as opções “Português (Portugal)” e “Português (Brasil)”.

CapCut

Já entre os editores de vídeos, o preferido dos professores e produtores de conteúdo tem sido o CapCut. Diferente do Meet, ele permite que você insira legendas automáticas apenas em vídeos gravados.

Seu diferencial é que ele pode ser baixado também no celular. Ou seja, você pode legendar todo tipo de vídeo: de aulas longas a vídeos curtos, que podem ser pequenas dicas, explicações ou materiais complementares. 

Depois de instalar, você precisa selecionar, na galeria, o vídeo que gostaria de legendar. Feito isso, é só selecionar a opção “Texto” na parte inferior do aplicativo e em seguida “Legendas automáticas”. Mantenha a seleção “Som Original” e espere alguns minutos até que o novo vídeo, agora com legendas, esteja disponível no seu celular.

Leia também: O que é e como utilizar a tecnologia assistiva na educação

Boas práticas: como a gestão da IES deve apoiar professor e alunos neste processo

Para além de toda essa readequação das atividades educacionais a partir dos professores, é responsabilidade da instituição de ensino superior viabilizar as aulas online. 

Vamos apresentar, agora, algumas das boas práticas que devem ser desempenhadas pela gestão da IES para auxiliar os professores em como gravar videoaula.

11. Investir em plataformas para o ensino a distância e treinamento dos profissionais

Para que as aulas remotas ocorram, é necessário que exista um espaço digital onde elas possam ser disponibilizadas. Algumas plataformas cumprem essa função, além de disponibilizar conteúdos prontos.

12. Facilitar o acesso a materiais didáticos

Também é obrigação da instituição encontrar meios para fornecer material didático aos alunos durante o período de isolamento social. A partir do isolamento social em função do covid-19, muitas IES tiveram que repensar este ponto.

Quando falamos em gravação de videoaulas, é necessário pensar também em quais conteúdos bibliográficos serão indicados aos alunos e em como os alunos terão acesso a estes materiais, como uma biblioteca digital.

Leia também: Saiba como aproveitar a relação entre tecnologia e livros no ensino superior

13. Garantir o acesso às tecnologias

O acesso às tecnologias é imprescindível quando falamos em videoaulas, tanto para o professor (que irá produzir o conteúdo) quanto para o aluno (que irá consumi-lo).

Por isso, a IES deve pensar em estratégias para garantir este acesso. Muitas instituições estão investindo, por exemplo, em verdadeiros estúdios de gravação de videoaulas, para profissionalizar seus conteúdos digitais.

Do lado dos alunos, deve haver infraestrutura para que os alunos tenham acesso a computadores e internet de qualidade. No caso da educação a distância, o polo EaD assume um papel fundamental para garanti-lo.

Esperamos que você tenha gostado de todas essas dicas! Agora que já sabe como gravar videoaula, que tal se aprofundar ainda mais no assunto com nosso artigo sobre conteúdos digitais?

Guia completo de conteúdos digitais: do conceito à elaboração

Seja no ensino superior a distância, no ensino híbrido ou presencial, os conteúdos digitais são recursos ideais para melhorar a experiência dos estudantes e, consequentemente, elevar seus índices de captação de alunos.

A aplicação de tecnologia no ensino é um movimento que foi alavancado pela pandemia do covid-19, e que veio para ficar. Neste cenário, o material didático das instituições de educação superior (IES) se transformou.

O uso de materiais impressos cede espaço a materiais multiformatos, jogos interativos e comunicação virtual. No presente texto, vamos explicar em detalhes: o que são esses conteúdos digitais, suas espécies, funções, dados relevantes do contexto brasileiro e, ao fim, dicas para sua elaboração!

Tenha uma boa leitura!

O que são conteúdos digitais?

Conteúdos digitais são os materiais produzidos a partir das tecnologias de informação e comunicação (TICs). No contexto educacional, representam uma tendência crescente no ensino, muito associada à modalidade da educação a distância (EaD).

No entanto, os conteúdos digitais não são restritos à EaD. Podem ser aplicados também no ensino híbrido ou mesmo no ensino presencial.

O uso de tecnologia de ponta nos conteúdos educacionais é sempre uma ideia interessante do ponto de vista pedagógico. Já se passou o tempo das aulas expositivas, em que aluno e professor não interagem verdadeiramente.

Através dos recursos informacionais do mundo digital, conseguimos atender às diferentes formas de se apreender conhecimentos, que variam de aluno para aluno. Além disso, é possível também desenvolver uma comunicação rápida e efetiva entre os atores do mundo educacional.

Quais são os conteúdos digitais?

Confira, abaixo, uma lista com os principais tipos de conteúdos digitais:

  • Textos e livros virtuais;
  • Videoaulas e vídeos complementares às aulas;
  • Podcasts e gravações de áudio sobre o conteúdo;
  • Mapas mentais
  • Jogos interativos
  • Plataformas de questões e simulados de exames oficiais;
  • Conferências virtuais;
  • Softwares de aprendizagem;
  • Infográficos e ilustrações, entre outros.

Leia também: Conheça o passo a passo da elaboração de conteúdos EaD

Qual é a função dos conteúdos digitais?

A função básica dos conteúdos digitais é auxiliar no processo de ensino-aprendizagem por meio da aplicação de tecnologia. A partir deles, os alunos têm uma experiência melhor e mais completa em seus cursos, e conseguem ter acesso a uma formação de qualidade.

Além dessa função básica, os conteúdos digitais possuem funções mais específicas de acordo com o contexto em que são aplicados.

Conteúdos digitais no ensino a distância

No ensino superior a distância, os conteúdos digitais ganham uma posição de destaque. Como essa modalidade é trabalhada no meio virtual em sua maior parte, contar com esse tipo de conteúdo é essencial para construir um bom curso.

Portanto, podemos utilizar os conteúdos digitais com maior frequência, inclusive na avaliação online e outros tipos de atividades.

Os conteúdos, aqui, vão consistir em ferramentas síncronas e assíncronas. Ambas devem ser utilizadas, na proporção correta, para compor a grade curricular de cada disciplina.

Conteúdos digitais no ensino presencial e híbrido

Já nas modalidades do ensino presencial e híbrido, também é plenamente possível e benéfico fazer uso dos conteúdos digitais. No entanto, isso acontecerá de forma diferente.

Os conteúdos digitais deverão complementar as atividades desenvolvidas presencialmente. Portanto, podem servir como materiais de apoio aos estudantes. É interessante, portanto, que os professores indiquem esse tipo de material como referência para aprofundar os estudos.

Dados sobre os conteúdos digitais no ensino

Para compreender melhor a realidade dos conteúdos digitais no contexto educacional brasileiro, vamos observar alguns dados provenientes do Censo Ead 2019/2020.

Trata-se de um estudo anual realizado pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) para compreender melhor a realidade dessa modalidade de ensino no Brasil. Na última edição do estudo, que vamos abordar a seguir, existem várias informações relevantes sobre os conteúdos digitais.

Quais são os conteúdos digitais oferecidos pelas IES?

O primeiro dado digno de nota diz respeito aos tipos de conteúdos digitais oferecidos pelas IES. A pesquisa comparou a incidência de cada tipo de conteúdo em duas áreas: graduação EaD e pós-graduação EaD.

Confira, abaixo, o gráfico com os resultados:

Gráfico sobre a relação de conteúdos digitais oferecidos pelas IES brasileiras, na graduação 100% EaD e pós-graduação 100% EaD. Fonte: Censo EaD 2019/2020, pág. 51.

Gráfico sobre a relação de conteúdos digitais oferecidos pelas IES brasileiras, na graduação 100% EaD e pós-graduação 100% EaD. Fonte: Censo EaD 2019/2020, pág. 51.

Como podemos observar do gráfico acima, os cursos de pós-graduação a distância foram mais efetivos na incorporação de recursos tecnológicos. Além disso, os formatos de conteúdos digitais mais comuns são textos e vídeos virtuais.

Textos digitais e livros digitais são opções interessantes não só no ensino a distância, mas também nas outras modalidades. É muito mais fácil para os alunos acessar conteúdo em texto pelo celular, computadores, tablets ou pelo Kindle.

Por isso, a biblioteca digital surge como uma tendência interessante para as IES que queiram alcançar um ensino inovador e mais acessível. Ademais, a logística de empréstimo de livros é revolucionada e os gastos com manutenção da biblioteca física são drasticamente reduzidos.

Os conteúdos digitais em vídeo são o segundo tipo mais abundante. Isso vai ao encontro de uma tendência forte identificada na pesquisa Video Viewers 2018, realizada pelo Google. Ela teve como objetivo compreender melhor a forma como os brasileiros consumiam conteúdos em vídeo.

Dentre os dados levantados por este estudo, temos um aumento de 135% no consumo de vídeos na web entre os anos de 2014 e 2018. No entanto, a informação mais relevante para nós é o uso da plataforma YouTube nos estudos:

Infográfico sobre o uso da plataforma YouTube para desenvolver estudos. Fonte: Video Viewers 2018.

Infográfico sobre o uso da plataforma YouTube para desenvolver estudos. Fonte: Video Viewers 2018.

Como podemos observar do infográfico acima, 9 em cada 10 pessoas realizaram seus estudos por meio de vídeos no YouTube. Os principais conhecimentos obtidos não diziam respeito, necessariamente, a estudos acadêmicos, mas uma coisa é certa: os conteúdos audiovisuais possuem enorme potencial nos processos de ensino-aprendizagem.

Entretanto, cabe aqui uma ressalva: apesar da popularidade e eficiência dos conteúdos em vídeo e texto, existem vários outros formatos em que as IES podem investir. Na verdade, uma das principais potencialidades dos conteúdos digitais é justamente isso: os multiformatos.

E quais são as principais ações de aprendizagem dos conteúdos digitais?

A partir da disponibilidade de conteúdos digitais, os alunos são convidados a realizar ações ou atividades de aprendizagem. O Censo EaD 2018/2019 também procurou investigar quais dessas atividades eram as principais no contexto brasileiro à época.

Gráfico sobre ações de aprendizagem nos cursos brasileiros de graduação EaD, pós-graduação EaD e cursos presenciais. Fonte: Censo EaD 2019/2020.

Gráfico sobre ações de aprendizagem nos cursos brasileiros de graduação EaD, pós-graduação EaD e cursos presenciais. Fonte: Censo EaD 2019/2020.

Este gráfico revela um dado muito interessante: práticas relacionadas a certos conteúdos digitais, como assistir a conteúdo em vídeo e elaborar materiais multimídia, são perfeitamente compatíveis com os cursos presenciais.

De fato, a pesquisa mostra que os cursos presenciais se saem melhor do que os cursos EaD no desenvolvimento das ações de aprendizagem, de um modo geral. Mas isso não significa que exista qualquer empecilho para desenvolvê-las no ensino a distância, visto que a pós-graduação EaD também apresentou ótimos índices.

Transcrevemos, abaixo, a interpretação destes dados contida no Censo EaD, que explica perfeitamente este cenário:

Em termos de ações de aprendizagem que se convidam os alunos a realizar, observa-se que os cursos de pós-graduação têm uma oferta similar aos de graduação presencial, demandando um índice mais alto de leitura, acesso a vídeos e participação em discussões, realização de trabalhos acadêmicos e elaboração de conteúdos multimídia, o que revela uma solicitação mais rica e variada dos alunos de pós-graduação e de cursos presenciais em comparação com cursos de graduação. 

“Não há, no entanto, motivos relacionados à modalidade que impeçam a solicitação de atividades diferenciadas e sofisticadas em EAD, visto que elas são possíveis na pós. Trata-se de escolha das instituições que oferecem cursos EAD nesses níveis.

“Para entender os aspectos onde ainda se vê uma discrepância entre presencial e EAD, é necessário observar onde os cursos presenciais se destacam: solicitação de participação em discussões, solução de problemas e realização de atividades relacionadas à prática profissional. Seja por hábito ou por que realmente é mais difícil realizar essas ações a distância, observa-se que estes são os pontos em que os alunos de cursos presenciais têm mais vantagem do que os de EAD. É preciso divulgar e praticar mais estratégias EAD que permitam realizar discussões, solução de problemas e práticas profissionais com conforto. (Censo EaD, pág. 51).

Leia também: Como funciona a matéria online em curso presencial?

Quais são os benefícios de usar conteúdos digitais no ensino superior?

Agora que já conhecemos os conteúdos digitais, suas funções e dados pertinentes, vamos falar um pouco sobre os benefícios de aplicá-los em sua IES.

1. Garantia de maior acessibilidade

Independente da modalidade de ensino dos cursos, muitos dos estudantes desenvolvem seus estudos por meio das tecnologias digitais.

Seja por meio da leitura digital, assistindo vídeos, escutando podcasts ou através dos inúmeros recursos disponíveis, aprender com as TICs é uma tendência que veio para ficar. A questão é que os conteúdos digitais são mais acessíveis ao corpo estudantil.

Atualmente, muitas pessoas já possuem smartphones, tablets, computadores ou outros equipamentos por meio dos quais é possível acessar a rede e, assim, os conteúdos digitais.

De fato, o número de usuários de internet cresceu significativamente ao longo dos anos, como podemos observar na pesquisa TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic):

Gráfico sobre a quantidade de usuários de Internet no Brasil, entre 2008 e 2019, por áreas urbanas e rurais. Fonte: TIC Domicílios 2019, Resumo Executivo.

Gráfico sobre a quantidade de usuários de Internet no Brasil, entre 2008 e 2019, por áreas urbanas e rurais. Fonte: TIC Domicílios 2019, Resumo Executivo.

Como a maioria dos brasileiros possui acesso à internet, é possível acessar os conteúdos digitais de ensino. Além disso, muitos estudantes já estão acostumados a executar seus estudos através da rede.

Outra pesquisa do Cetic, sobre as TICs na Educação, confirma essa afirmação. Ela analisou o uso das tecnologias digitais na educação de alunos do ensino fundamental e médio: 93% afirmaram utilizar a internet para fazer pesquisas para trabalhos escolares.

A realidade do ensino superior também é perfeitamente compatível com esse paradigma, visto que os alunos apresentam mais maturidade e habilidades no meio virtual. Por todos esses motivos, o uso de conteúdos digitais contribui para a democratização do ensino.

2. Mais rentabilidade para alunos e IES

Outra grande vantagem dos conteúdos digitais diz respeito à maior rentabilidade. Em outras palavras, fica mais barato investir nesse tipo de material didático.

Vamos explicar este benefício tomando por base os dois principais tipos desses conteúdos: textos digitais e vídeos.

Em relação aos textos digitais, a redução de custos fica bem nítida. Imagine que o professor precise que os alunos leiam certo texto para complementar os conteúdos ministrados durante a aula.

Se optar por distribuí-lo fisicamente, será necessário imprimir centenas de cópias daquele material. Além de representar um gasto enorme com dinheiro, tinta e papel, essa opção também terá um impacto ambiental negativo.

O mesmo se aplica a eventuais provas, questionários e trabalhos. É mais interessante que essas atividades sejam enviadas e respondidas pelo meio digital, para poupar eventuais custos com o material físico.

Em relação a livros, o problema fica ainda maior. Muitos estudantes não conseguem arcar com os custos de obter obras físicas de qualidade (que costumam ser muito caras), e nem a IES consegue cobrir esse valor para os estudantes.

Uma biblioteca digital, por outro lado, garante acesso às mesmas obras por um preço consideravelmente menor. Seus materiais também são frequentemente atualizados, poupando tempo e trabalho dos bibliotecários e recursos financeiros da instituição.

Quando falamos em videoaulas ou outros conteúdos digitais em vídeo, a rentabilidade vem de outras formas.

Em relação às videoaulas síncronas, existe uma economia de gastos em relação ao transporte de professores e alunos, que podem participar de suas casas.

A IES pode optar, também, por gravar vídeos complementares às aulas, que ficam disponíveis para visualização pelo aluno. Esse material dura por muito tempo (enquanto seu conteúdo estiver atualizado, refletindo o estado-da-arte daquela disciplina).

Quando houver alguma mudança científica no conteúdo do vídeo, o gasto será apenas para gravar partes específicas e proceder à sua devida atualização.

Leia também: Saiba como fazer a captação de alunos EaD em sua IES

3. Alunos diversos aprendem de formas diversas

Uma característica dos conteúdos digitais é sua multiplicidade de formatos. Eles podem ser escritos, em áudio, vídeo, ilustrados, interativos…

No contexto de uma sociedade marcada por sua diversidade natural, essa gama de formatos contribui para que todos os estudantes sejam contemplados. Dizendo de outra forma: cada pessoa aprende melhor de um jeito diferente.

Alguns alunos possuem mais facilidade em apreender informações pela audição. Assim, escutar uma aula ou um podcast, por exemplo, é ideal para que estes estudantes consigam fixar o conteúdo.

Outros alunos possuem uma memória mais visual, tendo mais facilidade em lembrar de alguma informação se ela é associada à imagem do professor, à gesticulação que faz ou a recursos como mapas mentais.

Existem também os alunos mais habituados à leitura; os alunos que aprendem muito bem se ensinam a matéria para outra pessoa; os que se adaptam melhor à resolução de questões; os que gostam mais de escrever, ou fazer trabalhos, ou participar de simulações.

Enfim, se a IES investe em conteúdos digitais diversos, que refletem também a diversidade de seu corpo estudantil, certamente ele será contemplado em sua variedade de formas de aprendizado.

Além disso, falando em diversidade num aspecto mais específico, cabe dizer sobre a acessibilidade dos conteúdos digitais para pessoas com deficiência.

Muitos desses materiais já são adaptados para atender a esse público, ou são compatíveis com softwares desenvolvidos para garantir essa acessibilidade. É comum, por exemplo, que vídeos tenham legendas embutidas, ou que materiais escritos possuam recursos de conversão do texto em som.

Leia também: Como promover a inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior?

4. Facilitação das metodologias ativas

Por fim, outro benefício importante que iremos destacar diz respeito à aplicação de metodologias ativas.

Trata-se de uma estratégia muito efetiva nos processos de ensino-aprendizagem. Em síntese, as metodologias ativas buscam dar mais protagonismo ao aluno em sua formação.

Elas vêm, portanto, para quebrar o paradigma clássico do ensino tradicional, em que o estudante é um mero receptor do conhecimento doutrinado pelo professor. Nesse modelo já ultrapassado de aulas apenas expositivas, a informação é transmitida de forma unidirecional, por meio de um verdadeiro monólogo.

Atualmente, sabe-se que a verdadeira construção do conhecimento surge de um diálogo entre os atores do contexto educacional. Isso só é possível se o aluno possui autonomia, iniciativa e toma as rédeas do próprio aprendizado.

Usando recursos como a sala de aula invertida, conseguimos promover esse desenvolvimento dos estudantes e oportunizar seu protagonismo.

Além disso, vários conteúdos educacionais tornam esse processo muito mais fácil. Podemos citar, a exemplo, os fóruns de discussão disponíveis em vários Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), jogos interativos e simulações virtuais.

Aplicando mais inovação e tecnologia no ensino, naturalmente os alunos ficam mais engajados e participam de forma mais ativa nas aulas. Daí surge outro ponto positivo relacionado aos conteúdos digitais.

Podemos destacar, ainda, a relevância dos conteúdos assíncronos neste contexto. Quando são disponibilizados conteúdos que os alunos podem estudar em seu próprio tempo, também promovemos maior autonomia do corpo estudantil.

Na verdade, este aspecto também se relaciona aos outros benefícios descritos neste tópico, Quando o aluno tem certa flexibilidade para desenvolver seus estudos, no seu próprio tempo, contribuímos para garantir mais acessibilidade.

Os alunos aprendem a controlar melhor os próprios horários, e isso pode ajudar inclusive a concluir seus cursos. Diminuindo-se, assim, as taxas de evasão da IES, sua rentabilidade também é otimizada.

Como criar conteúdos digitais? 4 dicas valiosas para IES

Vamos agora abordar os conteúdos digitais sob uma perspectiva mais prática, oferecendo neste tópico quatro dicas para você elaborar seus próprios materiais.

1. Utilize o método design thinking

O design thinking na educação é uma metodologia de resolução de problemas aplicada no contexto do ensino. Trata-se de um processo muito utilizado para abordar diferentes questões educacionais.

Por meio das etapas do design thinking, você consegue encontrar soluções criativas para diversos aspectos do funcionamento de sua IES e seus cursos, e também para criação de conteúdos digitais.

Em síntese, trata-se de uma “abordagem de inovação centrada no ser humano que utiliza o kit de ferramentas de design para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades tecnológicas e os requisitos para o sucesso dos negócios”.

A definição acima é de autoria de Tim Brown, um dos principais nomes no assunto. Clicando aqui, você confere um texto nosso sobre o assunto, para conhecer mais detalhes e colocá-lo em prática em seus conteúdos.

2. Conte com uma equipe multidisciplinar

Nos termos dos referenciais de qualidade para a educação superior brasileira, contar com uma equipe multidisciplinar é essencial para a produção dos conteúdos digitais.

Nesse contexto, o MEC destaca que a experiência de professores em cursos presenciais não é suficiente para produção deste tipo de material didático, que:

atende a diferentes lógicas de concepção, produção, linguagem, estudo e controle de tempo. Para atingir estes objetivos, é necessário que os docentes responsáveis pela produção dos conteúdos trabalhem integrados a uma equipe multidisciplinar, contendo profissionais especialistas em design instrucional, diagramação, ilustração, desenvolvimento de páginas web, entre outros.” (Referenciais, pág 13/14).

Leia também: Saiba como fazer avaliação no ensino a distância, possibilidades e desafios

3. Conheça o perfil dos alunos

Integrar o corpo estudantil na elaboração de conteúdos digitais também é uma ótima ideia! Afinal, eles são os destinatários destes materiais, e envolvê-los no processo é uma forma de aumentar sua motivação e estimular os estudos.

É possível, por exemplo, convidar a representação discente de cada curso para trabalhar junto com docentes e demais profissionais na criação de conteúdos digitais. Ela será encarregada de investigar a demanda estudantil e fazer essa ponte de comunicação com os alunos.

Outra sugestão é enviar formulários virtuais aos alunos, questionando sobre o tipo de conteúdo a que eles mais gostariam de ter acesso. Assim, você consegue levantar dados mais objetivos.

4. Conheça os recursos existentes

Vamos indicar, por fim, alguns recursos pedagógicos e tecnológicos existentes para auxiliar na sua criação de conteúdos digitais. Clicando no título de cada um, você será encaminhado para outras páginas com mais informações.

  • Gamificação na educação: trata-se de promover o estudo através de jogos interativos. É uma estratégia certeira para promover mais engajamento e estimular estudos mais dinâmicos.
  • Microlearning: diz respeito à melhor forma de se produzir conteúdos em vídeo. De acordo com estudos científicos sobre o tema, o ideal é que estes conteúdos sejam mais curtos, dividindo determinados assuntos nos chamados “vídeos-pílula”.
  • Multimídia e hipermídia na educação: como dissemos ao longo do texto, contar com conteúdos digitais multiformatos é uma forma de fazer com que todo o corpo estudantil seja contemplado pelos materiais.

Lembre-se, também, que você pode optar por conteúdos EaD prontos para aquisição, ao invés de criar seus conteúdos digitais por conta própria.

Esperamos que você tenha gostado deste artigo sobre conteúdos digitais! Que tal aproveitar e conferir este outro material sobre 10 ferramentas para dar aula online?

O papel do professor na atualidade: fotografia de uma professora sorrindo em frente ao quadro branco.

Entenda quais são os desafios e a importância do papel do professor na atualidade

Ao longo de muitas e muitas décadas, as instituições de ensino (da educação básica à superior) eram consideradas verdadeiros templos do conhecimento, e seus professores os mestres detentores de tudo aquilo que era realmente importante de ser levado para a vida.

Entretanto, nos últimos anos, com as revoluções tecnológicas, esse cenário vem se alterando profundamente. A escola ou a faculdade não são mais os únicos lugares onde é possível aprender: o conhecimento está em toda parte, e foi democratizado principalmente por meio da internet. Com isso, se antes o professor era o principal transmissor do conhecimento, hoje ele vem assumindo papéis e funções diferentes – e não menos importantes!

Pelo contrário: o papel do professor, na atualidade, está muito mais associado à mediação do processo de construção autônoma do conhecimento por parte dos estudantes, o que muda o jogo para muitos docentes e faz com que eles trabalhem com muito mais dinamismo do que antes.

Neste artigo, você entenderá melhor qual é esse novo papel, quais são seus desafios e quais são as competências necessárias para desempenhá-lo. Continue lendo para saber mais!

Os desafios do mundo contemporâneo para a prática docente

Antes de refletir a respeito dos novos papéis que o professor desempenha hoje, vale discutir os desafios contemporâneos para a prática docente como um todo.

A princípio, é necessário pontuar que, embora os alunos (e suas necessidades) estejam em processo de constante e rápida evolução nas últimas décadas, nem sempre as práticas pedagógicas e as instituições de ensino os acompanham com a mesma rapidez e dinamismo.

Escolas, faculdades e universidades vêm preparando seus estudantes considerando habilidades e competências que seriam úteis nos dias de ontem. Quando melhor, os preparam para os dias de hoje – o que também não é interessante.

Estudantes devem ser preparados para a transição entre o hoje e o amanhã e para o próprio amanhã, ainda que este seja incerto e passível de mudanças, justamente porque é nesse espaço em que exercerão sua cidadania e se tornarão profissionais capazes de melhorar a sociedade.

Para fazer essa mudança, é fundamental entender os desafios que se colocam à frente das IES e dos docentes. Veja abaixo!

1. Alunos da geração Z (em maioria)

Em sua maioria, os estudantes das IES são da geração Z, isto é, geração dos nascidos a partir do fim da década de 1990 do século 20. Eles são nativos digitais, ou seja, nasceram e cresceram com tecnologia acessível como parte de seu cotidiano e, por isso, estão permanentemente conectados. 

Com isso, práticas pedagógicas mais antigas, que desconsideram completamente o uso de tecnologias digitais, têm mais probabilidade de gerar desinteresse nesses alunos. O uso constante de smartphones e redes sociais traz muitos estímulos diferentes que disputam a atenção do estudante, e é necessário refletir a respeito de como utilizar esses recursos a favor das práticas pedagógicas.

2. Adaptação a metodologias novas e engajantes

Também pela mudança de perfil dos estudantes, um dos grandes desafios à prática docente contemporânea é a adaptação a novas metodologias, que engajem os estudantes e proporcionem experiências de aprendizagem suficientes para o desenvolvimento de habilidades e competências pertinentes às novas realidades. 

Essas novas metodologias devem levar em consideração, por exemplo, as necessidades de aprendizagem particulares de cada aluno, possibilitando que cada um possa desenvolver seu próprio caminho de aquisição de conhecimento. Assim, é necessário romper com metodologias e práticas ultrapassadas, que já não motivam e não fazem sentido nos tempos atuais.

3. Motivação de docentes

Além dos desafios dentro da sala de aula, na relação entre professor e aluno, há também um desafio relacionado à motivação do próprio docente. Tantas adaptações a serem feitas requerem um esforço contínuo, e é imprescindível que os professores se sintam motivados durante esse processo. 

Há uma tendência na sociedade recente de diminuir – e até contrapor – o valor da profissão docente, o que se traduz em exaustivas cargas de trabalho, baixos reajustes salariais, entre outros. Com isso, um dos grandes desafios das IES é reverter esse processo.

O papel do professor na atualidade

Os desafios para a prática docente discutidos acima dizem respeito, sobretudo, à dinâmica que se estabeleceu no mundo contemporâneo – regido, principalmente, pelas relações que se dão a partir da tecnologia. Nesse mundo, a instituição de ensino deixa de ocupar seu papel de templo absoluto do conhecimento e passa a se tornar um dos espaços onde é possível construí-lo!

Não é necessário ir muito longe para entender o porquê: basta alguns poucos toques dos dedos em um smartphone ou computador para acessarmos infinitas fontes de conhecimento, como livros, videoaulas, tutoriais, entre muitos outros. Com isso, se antes o docente era mestre, detentor e transmissor do conhecimento, hoje a relação se modifica: o papel do professor na atualidade é o de mediador do conhecimento, aquele que acompanha e orienta seu estudante no próprio processo de aprendizagem.

Esse papel se desdobra em um tripé que pode ser considerado a base da atuação do professor com seus alunos. Veja abaixo!

Facilitar a aprendizagem

A primeira “perna” do tripé é a facilitação da aprendizagem. Com isso, queremos dizer que o professor deve ter a habilidade de mediar, facilitar o processo de aquisição do conhecimento do estudante, muito mais do que apenas transmitir o que já sabe.

Facilitar está relacionado a estimular o estudante, criar oportunidades que o permitam construir seu caminho diante do conhecimento. Também está relacionado à criação de experiências de ensino que favoreçam a consolidação do conhecimento por meio da aprendizagem significativa – isto é, quando a aprendizagem ocorre baseada em conhecimentos prévios do estudante, expandindo seu repertório e ressignificando o que ele já sabe.

Como estudantes conseguem acessar todo tipo de conteúdo com muita facilidade, torna-se papel do professor auxiliá-lo a entender o que fazer com todo esse material disponível.

Desenvolver habilidades e competências

Vimos que é importante que as instituições de ensino preparem o estudante para o futuro, considerando habilidades e competências que os tornarão cidadãos atuantes e bons profissionais. Com isso, é imprescindível considerar que um dos papéis do professor na atualidade é, justamente, promover experiências que possibilitem que o estudante desenvolva essas habilidades.

Entre as habilidades mais exigidas pelo mercado e pelas empresas estão empatia, flexibilidade e capacidade de autogerenciamento, colaboração em equipes, valores éticos, senso forte de cidadania e justiça social, entre outros. Assim, além de facilitar o conhecimento, é fundamental que docente e IES estimulem o fortalecimento dessas competências nos futuros profissionais que estão formando.

Ensinar a conviver

Uma das funções basilares de toda instituição de ensino, desde a pré-escola até as faculdades e universidades, é justamente ensinar a conviver.

Esse é um dos pilares que se mantém firme também na perspectiva do educador: além de facilitar a aprendizagem e de promover o desenvolvimento de habilidades para o exercício da cidadania e do trabalho, é papel dele estimular o convívio saudável, a construção da cidadania em si e do pensamento crítico.

As competências necessárias para ser professor na atualidade

Vimos que todas as transformações pelas quais o mundo passou nas últimas décadas tornam necessária uma mudança profunda nas práticas pedagógicas, no papel do professor e na relação professor-aluno. Entretanto, nada disso é possível sem uma grande e constante preparação do docente – em outras palavras, a formação continuada.

Conforme escreveu o célebre educador Jean Piaget, “a preparação dos professores constitui a questão primordial de todas as reformas pedagógicas, pois enquanto ela não for resolvida de forma satisfatória, será totalmente inútil organizar belos programas ou construir belas teorias a respeito do que deveria ser realizado”.

Portanto, da mesma maneira que o papel do professor na atualidade é, entre outros, ajudar a formar competências para o futuro, para que ele consiga desempenhá-lo, ele mesmo deve desenvolver algumas habilidades. Veja quais são as principais!

1. Criatividade e inovação

Conseguir inovar e usar da própria criatividade (e de recursos criativos) constantemente é um dos grandes diferenciais dos professores preparados para lidar com o mundo contemporâneo. No caso, inovação e criatividade estão associados a conseguir se adaptar ao ritmo dos jovens estudantes da geração Z, que têm seu próprio ritmo e exigem estímulos muito mais dinâmicos do que os que se estabeleciam no formato tradicional de transmissão de conhecimento.

Agora, muito mais do que isso, é necessário construir espaços seguros de construção do saber, o que exige capacidades de criar e inovar por parte do docente. Uso de metodologias significativas, que coloquem o estudante no centro do processo de aprendizagem (como condutor e protagonista dele), é uma parte desse percurso. Além disso, incorporar de maneira inteligente a tecnologia em sala de aula (muito mais do que simplesmente bani-la ou restringi-la, como é a tendência dos modelos tradicionais) pode ser um dos grandes diferenciais para que estudantes se mantenham engajados e tenham qualidade no próprio aprendizado.

2. Estímulo ao pensamento crítico

Uma educação que preza pelo desenvolvimento de habilidades como autonomia passa necessariamente pelo estímulo ao pensamento crítico, isto é, estímulo ao pensamento que reflete, analisa e critica, de forma responsável, todas as informações e opiniões com as quais se depara.

Diante de um oceano de informações que parece infinito, uma das habilidades fundamentais para o professor voltado ao futuro não é mais apenas buscar transmitir o conhecimento “certo”, e sim auxiliar seus alunos a construir parâmetros e critérios robustos que os permitam “navegar” por esse oceano sem cair em informações falsas ou deturpadas. Pelo contrário: o estudante deve ter autonomia suficiente para não apenas reproduzir conteúdos de forma automática, e sim consumi-los com consciência. 

Com isso, essa autonomia bem construída que leva ao pensamento crítico pode tornar seus estudantes pessoas que têm boa capacidade de tomar decisões, que sabem atuar de maneira cidadã.

3. Letramento tecnológico e curadoria de conteúdo

Como as necessidades relacionadas ao dinamismo das novas gerações estão intimamente vinculadas ao uso das tecnologias, é importante que o professor desenvolva seu próprio letramento tecnológico, que possibilite que ele consiga utilizar as tecnologias em sala de aula com autonomia e da maneira correta para engajar os estudantes. No momento que vivemos, não dá mais para desassociar completamente as experiências de aprendizagem do uso dos recursos digitais, por isso a necessidade.

Além disso, o bom letramento tecnológico do professor também o ajuda a realizar uma curadoria de conteúdo de aula mais eficiente, que engaje e se conecte melhor com seus alunos, fortalecendo a aprendizagem significativa.

4. Empatia

Essa é uma habilidade essencial para qualquer pessoa que viva em sociedade no mundo contemporâneo. Desenvolver a empatia é fundamental para que o professor desenvolva um senso de profundo respeito e parceria com seus estudantes, entendendo suas facilidades e dificuldades, suas aspirações e limitações. Saber se colocar no lugar do aluno, mesmo que ele seja de uma geração muito diferente da sua, é essencial para o desempenho do papel do professor na atualidade.

Esperamos que este artigo te ajude a compreender melhor os desafios e as habilidades necessárias para desempenhar o papel do professor na atualidade, em meio às complexas relações contemporâneas. Leia nosso próximo artigo e entenda a importância dos recursos digitais de aprendizagem.