Diferença de gerações: manter a tradição ou se adaptar aos nativos digitais?

Um mundo de informações ao alcance das mãos por meio de smartfones e tablets. Conexão ininterrupta e de alta velocidade. Agilidade ao digitar, fotografar, gravar, postar, curtir, compartilhar. Todas essas características são marca das gerações Y e Z, que agora têm chegado à educação superior. 

A nova geração de estudantes das Instituições de Ensino Superior (IES) apresenta especificidades que precisam ser levadas em consideração. Cada vez mais, professores universitários sentem dificuldade em manter esse público concentrado em suas aulas convencionais. Inclusive, um dos fatores causadores de evasão no ensino superior é a estagnação do método de ensino. 

Esse cenário revela que, em meio à Era Digital do século 21, educar é uma tarefa que envolve novos desafios e mudanças de paradigma. Por isso, talvez seja a hora de rever metodologias e posturas. 

Neste post, vamos refletir sobre quais caminhos trilhar, se o objetivo é superar a diferença de gerações. Investir em estratégias pedagógicas criativas e na formação de um corpo docente bem preparado para lidar e atender a diferença de gerações é um bom começo. 

Acompanhe! 

Geração Y 

Nascidos após a década de 1980 até meados de 1990, em meio ao apogeu da era digital e da virtualidade, os jovens que compõe a geração Y são multitarefas e multifocais. Além de convergirem conteúdos por meio de diferentes plataformas, são, também, críticos, dinâmicos e, muitos deles, autodidatas. A geração do milênio, como também é chamada, cresceu experimentando um mundo com mercado aquecido e globalizado. Encontraram, em desenvolvimento, certa prosperidade econômica e acessibilidade a dados e informações. 

Tal contexto socioeconômico influenciou os costumes, hábitos e gostos desses jovens. Além disso, impactou nos modos como eles se relacionam, se comunicam e, claro, aprendem. Um estudo realizado pelo Bank of America Merrill Lynch com jovens da geração Y revelou que grande parte desse público prefere trabalhar e estudar fazendo uso de tecnologias digitais. Estar conectado é uma prioridade para eles. 

Conhecidas como nativos digitais, as pessoas da geração Y têm uma percepção de ensino, de trabalho e de carreira bem diferente das gerações que as antecederam. Por vezes, pode haver choque de ideias e de comportamento entre pessoas de épocas distintas. Assim, é preciso superar esse enfrentamento, os preconceitos, e perceber as inúmeras contribuições que o diálogo entre as gerações pode oferecer. 

Diferença de gerações 

Segundo o diretor do Centro de Ensino e Aprendizagem da Universidade do Chile, Oscar Jerez Yañez, antigamente, os saltos geracionais ocorriam a cada 25 anos. Hoje, esses saltos ocorrem, no máximo, a cada 10 anos, e são muito influenciados pelo momento socioeconômico vivido pela sociedade. 

O contexto social, segundo o educador chileno, impacta de forma direta sobre a forma como as pessoas consomem, trabalham e aprendem. Esse entendimento precisa ser levado em consideração pela sociedade e pelas IES, para que a diferença de gerações seja algo que enriqueça os processos interpessoais e de ensino-aprendizagem. 

Segundo o pesquisador, pensando nisso, os educadores têm desenvolvido com seus alunos um aprendizado multilugar, ou seja, um processo de formação que extrapola o espaço físico e contempla ambientes diversificados. Nesses novos moldes, a ideia é promover um diálogo entre o ensino formal e conteúdos dinâmicos, apostando no uso de dispositivos digitais. 

Investir em mudanças 

Mais do que pensar em infraestrutura, adequar a instituição ou o currículo à geração Y requer disponibilidade. No entanto, antes de adquirir aparatos tecnológicos e fazer grandes investimentos financeiros, é preciso atentar-se para mudanças de comportamento. Isso diz respeito à atitude e ao apoio que os gestores podem oferecer aos docentes para reverem suas práticas e inovarem as metodologias. 

Criar canais de comunicação é um importante passo a ser dado nessa direção. É preciso ficar atento para estabelecer rotinas de feedback e diálogo constantes. Numa perspectiva de aprendizagem colaborativa, o uso de redes sociais, tão familiares aos jovens da geração Y, pode estimular diferentes possibilidades de trocas, para que os alunos exercitem argumentação e pensamento crítico — habilidades muito importantes no mundo do trabalho em qualquer carreira. 

A propósito, as redes sociais são um ótimo canal, inclusive, para interagir com outros seguidores e captar novos alunos. Posts pertinentes divulgam a IES e isso pode resultar em um número maior de matrículas. 

Há educadores que investem em blogs para ensinar e aprender, e essa é uma estratégia que não exige muitos dispêndios. É possível, por exemplo, divulgar conteúdos que enriqueçam o tema das aulas e também fotos e trabalhos dos alunos. Por meio dos blogs, também é possível ir além do currículo e refletir com a turma sobre segurança na internet — discussão importante em tempos de comunicação em rede. 

A consolidação de uma IES no mercado atual é impactada por esse tipo de disponibilidade. Afinal, um dos equívocos que podem comprometer a instituição é a falta de adaptação às necessidades do mercado — nesse caso, o erro seria ignorar a diferença de gerações. 

Sala de aula invertida 

Participar das aulas em um espaço físico limitado, entre quatro paredes, não é suficiente para os nativos digitais. Por isso, vários educadores pesquisam formas de transpor essa configuração tradicional e desenvolver metodologias mais dialógicas e dinâmicas com suas turmas. 

Em 2007, os professores Jonathan Bergmann e Aaron Sams desenvolveram uma abordagem de ensino chamada sala aula invertida (ou flipped classroom), que tem como objetivo tornar o aluno protagonista de sua aprendizagem. 

A sala de aula invertida é uma das formatações pedagógicas resultantes da utilização da internet e de diversos recursos tecnológicos. O professor continua sendo o responsável por orientar os estudantes em suas aprendizagens e construção de saberes. No entanto, todo conteúdo é oferecido numa perspectiva interacionista, dialógica, diferente da convencional. 

Nos últimos anos tem crescido vertiginosamente a procura por metodologias didáticas dessa natureza. Uma curiosidade: no Google Trends (ferramenta que analisa a evolução de pesquisa de uma palavra-chave) houve um forte crescimento na busca por aula invertida e flipped classroom

Portanto, é possível desenvolver estratégias criativas para lidar com a diferença de gerações presente na sala de aula da educação superior. Com um pouco de empenho, é possível encontrar diversos caminhos que atraiam e envolvam os jovens, o que é positivo para todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. 

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Transformações da educação superior e as práticas docentes

A concorrência é acirrada: alunos munidos de smartphonestablets e notebooks de alto desempenho, em meio a notificações das redes sociais e aplicativos que controlam cada atividade do dia. Diante da sala, professores universitários tentam estimular o interesse dos discentes, mas sentem que lhes faltam ferramentas necessárias para aproximar o aluno do conhecimento transmitido. 

Além disso, com acesso imediato à informação, os conteúdos curriculares teóricos ministrados em aulas expositivas tornam-se um pesadelo para o aluno que as considera “do século passado”. 

Temos aqui um cenário real e factível: 

a) O perfil do estudante no contexto das TIC (tecnologias de informação e comunicação) reflete uma “pressa” de aprender: querem ter acesso ao conhecimento de maneira ágil, sem muito aprofundar em leituras que consideram “desnecessárias” e nesse processo, frente a milhares de outros estímulos tecnológicos, perdem o interesse pelas aulas, reduzindo o aprendizado a um nível raso e superficial. 

b)  A graduação e os cursos de pós-graduação que embasam a formação dos docentes no ensino superior têm se tornado insuficiente para desenvolver o repertório de atividades, avaliações e trabalhos conduzidos dentro e fora da sala de aula, diante do contexto de transformações do cenário escolar. Saber o conteúdo já não basta.  

Não há, de fato, uma receita de bolo para mudar completamente os fatores que têm causado esse desalinhamento entre a perspectiva aluno-professor. A boa notícia é que é possível reduzir essa distância de aprendizado. O que buscamos com esse texto é justamente indicar três caminhos que vão auxiliar os docentes a lidar com esse novo contexto de transformações no ensino superior.

O professor como mediador: uma mudança de mindset

O ensino tradicional tem sido marcado pela transmissão do conteúdo com um enfoque puramente informativo. Paulo Freire (1987), em sua conhecida obra Pedagogia do Oprimido, traz o conceito de educação bancária como a imposição ou o depósito do conhecimento realizado pelo professor sobre os alunos. Para Freire, a educação se torna libertadora na medida em que seja superada a contradição entre educador-educando, de forma que ambos se façam e se reconheçam como educadores e educandos. Essa relação entre teoria e prática é permanente e deve subsidiar a dinâmica humana da “ação-reflexão-ação” que possibilita a mudança transformadora em algum grau da realidade, por meio da ação mais consciente. 

O clássico modelo de aulas expositivas, em que se vislumbra um professor, detentor do conhecimento, e os alunos, ouvintes, meros receptáculos do conteúdo exposto, em um processo de pouquíssimo dialógico, ainda é uma constante no ensino superior. Em decorrência disso, o aluno tem se tornado um receptor passivo das informações que deve repetir de maneira literal nas avaliações de ensino. Nesse contexto, torna-se essencial ressaltar a importância do papel do professor como mediador do conhecimento na relação com os alunos, e não mais os de “donos” do saber. 

Nessa seara, a mudança de mindset é importante para que o aluno esteja no centro do processo de aprendizagem, de forma que o professor promova sua participação contínua, contribuindo na indicação de informações de qualidade para o estudante que está rodeado de vários conteúdos.  

O desenvolvimento de habilidades: por que isso é importante?

Além de compreender o seu papel de mediador no processo de ensino e aprendizagem, o docente deve buscar orientar suas aulas em desenvolver determinadas habilidades em seus alunos, muito mais do que se preocupar em transmitir a totalidade dos conteúdos previstos nos programas pedagógicos.  

Isso porque o contexto de transformações pelo qual passa o cenário mercadológico e o exercício das profissões têm revelado que o egresso deve ser adaptável a esse contexto de mudanças velozes e que estará mais bem preparado se tiver desenvolvido skills, do que ter decorado todos os conceitos teóricos do curso. Desenvolver habilidades é um desafio para a educação superior de uma forma geral, que não deve ser desconsiderado no processo de aprendizagem. 

Além disso, as avaliações externas como o ENADE, por exemplo, têm seus itens elaborados no intuito de verificar se determinadas competências, previstas para o perfil do egresso no curso superior foram, de fato, desenvolvidas. Os itens buscam ser interdisciplinares e não questionam dados memorizados ao estudante, de modo que os conteúdos são trabalhados como instrumento para a resolução do item, em que o seu conhecimento puro e simples não é suficiente para resolver a questão, na qual são exigidas operações mentais mais complexas, como reflexão crítica e análise de situações práticas.  

Diante deste cenário de intensas transformações, o World Economic Forum (WEF) apresentou em 2018 um estudo bastante aprofundado sobre o futuro das profissões no mundo, o “The Future of Jobs Report”, de modo que o relatório expõe as diversas transformações da força de trabalho ao longo dos últimos anos, bem como a necessária janela de mudança que deverá envolver governos, instituições públicas e privadas e os trabalhadores a partir dos avanços tecnológicos da chamada “Quarta Revolução Industrial.” 

Assim, foi apresentada uma lista de habilidades que deveriam ser desenvolvidas até o ano de 2022 para atender às expectativas do futuro do mercado de trabalho em diversas áreas do conhecimento: 

Essas habilidades demonstram o quão relevante é investir em práticas docentes e atividades que estimulem o seu desenvolvimento. Elas promovem o pensamento crítico e analítico e a necessidade de resolver problemas complexos. Além disso, demonstram a necessidade de incluir o aluno no processo de aprendizagem de maneira ativa, por meio da criatividade e iniciativa. 

Como despertar o interesse no aluno?

Mediar o conhecimento e desenvolver habilidades só será efetivo se houver um elemento muito importante dos alunos: o desejo de aprender. 

O interesse estudantil, baseado no “querer”, é um elemento essencial para que o aprendizado ocorra. Não basta ter um professor disposto a ensinar, é necessário despertar o desejo nos ouvintes. E a solução é uma só: trazer o conteúdo teórico para a realidade prática dos estudantes. 

Chamar a atenção dos alunos não exige teatro ou stand-up, mas uma conexão entre o que se fala e o que se vive. A conexão da teoria conteudista e a vivência dos conceitos na realidade promovem um aprendizado natural, baseado em experiências sensoriais que fixam o aprendizado de maneira duradoura. Mas como fazer isso? 

Em primeiro plano, é preciso esclarecer que a aula teórica é importante, sim! Não será possível promover dinâmicas, atividades e metodologias inovadoras com estudantes que não têm aporte teórico sobre os conteúdos ministrados nas disciplinas. 

Os conteúdos devem ser trabalhados em sala de aula de maneira didática, explicativa, e minuciosa em um primeiro momento, com atividades de fixação.  

Em um segundo momento é preciso promover atividades que permitam ao aluno estar no centro do processo de aprendizagem, de modo que ele se sinta agente do seu processo e não apenas o receptor das informações postas. Para isso é indicado o desenvolvimento de novas metodologias de ensino, chamadas “metodologias ativas” com recursos didáticos inovadores, que propõem uma nova perspectiva de learning, para o aluno e para o professor. 

Diante deste cenário de transformações na educação superior, movidas pelas TIC (tecnologias de informação e comunicação), é preciso que os três pilares descritos sejam trabalhados conjuntamente na sala de aula: o papel do professor deve ser alinhado com uma mudança de mindset: de “dono” a “mediador” do saber, as práticas docentes devem estar consonantes a um aprendizado baseado no desenvolvimento de habilidades nos estudantes e o aluno deve ser trazido para o processo de ensino e aprendizagem por meio da conexão entre o conhecimento teórico e a sua realidade prática. 

Ensino híbrido: novas perspectivas para a educação superior

Como seria se a sala de aula acompanhasse as inovações tecnológicas do século XXI? Qual o impacto desse movimento na aprendizagem dos alunos? 

Como uma forma de colocar a educação inserida no contexto tecnológico de inovações constantes, o ensino híbrido (ou, em inglês, blended learning) é uma proposta para reestruturar o contexto educacional e torná-lo mais alinhado à revolução tecnológica que acontece no mundo de hoje. Nesse texto, você vai descobrir mais sobre essa revolucionária metodologia de ensino e como aplicá-la em sala de aula. 

O que é o Ensino Híbrido? 

A metodologia híbrida de aprendizagem também é conhecida como semipresencial por ter, como característica principal, a fusão do ensino a distância (EAD) com o ensino presencial. O objetivo é incentivar uma reorganização do espaço e tempo de aula, bem como do papel do professor e do aluno. Dessa maneira, a metodologia busca engajar todos os envolvidos no processo educacional e proporcionar um aprimoramento das habilidades dos estudantes e educadores.

A união das modalidades presencial e a distância permite que os alunos desfrutem de novas oportunidades de aprimoramento. Por um lado, o ensino presencial estimula os alunos a interagir, debater ideias e trabalhar em grupo. Por outro, a parcela a distância fornece autonomia ao aluno, que passa a ser responsável por gerir seu próprio tempo e priorizar suas atividades, realizando-as no ritmo e local que achar mais adequado. Além disso, a inserção de plataformas digitais no ensino permite a coleta de dados com maior facilidade, facilitando o diagnóstico e acompanhamento do progresso dos alunos. Tais informações podem ser utilizadas como forma de retroalimentação no processo pedagógico.

Outro grande benefício da modalidade híbrida é uma maior possiblidade de personalização do ensino. No modelo tradicional de educação, os alunos têm acesso a uma informação única, criada e direcionada para a turma como um todo. Já em um modelo híbrido, por conta do acesso às tecnologias, o aluno tem a possibilidade de buscar formas que facilitem seu próprio aprendizado, além de estudar conteúdos que têm por objetivo sanar dificuldades específicas.  

Apesar de o termo ensino híbrido estar muito em voga nos últimos anos, a ideia por trás do conceito não é nova. A primeira iniciativa de se criar um curso a distância aconteceu na Europa em 1840, onde Isaac Pitman se dispôs a ensinar taquigrafia via correspondência. Já nos anos 1970 e 1980, as primeiras iniciativas de ensino utilizando a tecnologia tiveram início. Empresas começaram a fornecer treinamentos para seus funcionários através de computadores, bem como instruções começaram a ser passadas por meio de vídeos gravados e exibidos em TV’s. Dessa maneira, não era mais necessário que o instrutor responsável estivesse presente na empresa naquele momento para executar o treinamento. Já nos anos 90, cursos vendidos por meio de CD-ROM se tornaram cada vez mais populares, juntamente com a popularização do computador pessoal que tornou essa realidade possível. A partir dos anos 2000, com a explosão da internet, modalidades de ensino a distância ficaram cada vez mais acessíveis e difundidas. Hoje, com o constante avanço tecnológico e popularização da internet, fica mais fácil adaptar um currículo de ensino tradicional para um de ensino híbrido. 

Ensino Híbrido nas universidades

Atualmente, o ensino híbrido encontra cada vez mais espaço nas universidades brasileiras. Ao final de 2018, o governo brasileiro publicou a Portaria Nº 1.428, que amplia para até 40% a carga horária EAD em cursos presenciais. Com essa expansão, a hibridização do ensino se torna uma realidade cada vez mais possível para as universidades brasileiras, com a possibilidade de adaptação do currículo escolar.  

As vantagens da metodologia híbrida vão desde fornecer maior autonomia para os alunos, aumentar o engajamento, melhorar o monitoramento de dificuldades dos alunos e até mesmo possibilitar uma alocação mais eficiente do tempo do educador.  

Em um estudo publicado em 2016, os autores avaliam o estado da arte das pesquisas envolvendo ensino híbrido ao redor do mundo e mostram que, nas pesquisas mais recentes, os alunos que têm contato com a modalidade híbrida de ensino se saem melhor do que os estudantes de modalidades tradicionais. Ainda, o artigo aponta que a diferença em performance não é devida somente à tecnologia, mas sim a agregação desta ao contato presencial com o professor. Ou seja, a metodologia híbrida, que alia tecnologia ao contato face-a-face com o instrutor, é de fato benéfica no desempenho dos estudantes.  

Formas de aplicação do Ensino Híbrido 

Veja agora as formas mais comuns de aplicação da metodologia híbrida de ensino, e como você pode implementar, desde já, algumas dessas práticas no currículo já existente em sua instituição de ensino! 

Modelos sustentados

A categoria dos modelos sustentados possui maior familiaridade e proximidade ao ensino tradicional. Por esta razão, é uma excelente opção para instituições que desejam adaptar o seu currículo já existente incorporando novas práticas, sem a necessidade de uma reformulação curricular completa. Os principais modelos sustentados são: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida.

  • Rotação por estações

O objetivo central da aula é dividido em estações de trabalho independentes. Cada estação é destinada a cuidar de uma parte relativa ao objetivo central da aula. As estações permanecem fixas e cada aluno ou grupo de alunos passa pelas estações por um determinado tempo. Como característica do modelo híbrido de ensino, uma ou mais estações fazem uso de recursos digitais e podem até mesmo acontecer em ambientes virtuais, ou seja, a distância. Dessa maneira, os estudantes têm flexibilidade e autonomia para o trabalho em diferentes estações. Esse modelo ainda depende fortemente da mediação do professor, que tem o trabalho de orientar os estudantes em seu caminho através das estações.  

  • Laboratório Rotacional

Neste modelo, os alunos rotacionam por diferentes espaços dentro da escola, não sendo limitados à sala de aula. Basicamente, dois ambientes de aprendizagem são criados: o online e o offline. No ambiente online, os alunos podem se dirigir para um laboratório de informática para aprender sobre um assunto (geralmente, a parte teórica) utilizando recursos tecnológicos. Enquanto isso, em outro ambiente, que pode ser por exemplo um laboratório de ensino, os alunos têm contato com a parte prática e experimental do conteúdo abordado na aula. Em uma aula de física, por exemplo, os alunos podem pesquisar os conceitos e teorias no laboratório online, e depois ter contato com os experimentos relacionados àqueles conceitos no laboratório de ensino (offline). A ideia aqui é dividir a turma em dois grupos. Enquanto um grupo realiza as atividades no laboratório online, o outro grupo estuda no laboratório offline, e vice-versa.  

  • Sala de aula invertida

No modelo de sala de aula invertida, o estudante fica responsável por aprender o conteúdo das aulas em casa. Normalmente, um ambiente virtual de interação é criado entre o professor e os alunos, em que referências de estudo são indicadas. Fica a cargo do estudante acessar esse material e aprender o conteúdo sozinho, totalmente online, no seu ritmo. A aula presencial, então, tem o papel de fornecer um espaço para debate de ideias e solução de dúvidas. A sala de aula se torna um espaço de interação ativo entre professor e aluno e também entre os próprios alunos. Com essa metodologia híbrida, o aluno pode adquirir o conhecimento em casa e compartilhá-lo com os colegas durante a aula.  

Modelos disruptivos

Os modelos de ensino híbrido disruptivos têm como característica principal romper com a forma tradicional de se pensar o ambiente educacional. Nesses modelos, o processo de aprendizagem acontece quase que inteiramente por iniciativa do aluno, sendo a presença do professor bastante reduzida. Como consequência, exige que o currículo de ensino seja estruturado de forma totalmente diferente do que normalmente é feito nas instituições de ensino. 

  • Rotação individual

É um modelo bem parecido com o de rotação por estações. Contudo, ao contrário do que é feito em sua forma sustentada, na rotação individual cada aluno possui seu próprio roteiro de aprendizagem personalizado. Assim, não há a necessidade de passar por todas as estações. O caminho do aluno pelas estações se faz a partir de sua necessidade. Esse modelo traz como benefícios uma grande personalização do ensino e autonomia.  

  • Modelo Flex

Este modelo permite que os próprios estudantes construam objetivos de aprendizagem individuais, com o auxílio de um tutor. Esses objetivos são totalmente personalizados para os interesses e aptidões do estudante, cabendo a ele trilhar o caminho da aprendizagem conforme suas necessidades. O papel do professor é de fornecer tutoria quando o estudante julgar necessário. Nesse modelo, normalmente a divisão dos alunos não é feita por turmas e séries com conteúdo fixado para cada ano. Dessa forma, o estudante ganha um alto grau de controle sobre suas atividades. 

Quais mudanças são necessárias?

Mais do que saber quais são os principais modelos de ensino híbrido e como funcionam, a aplicação da metodologia no ensino superior exige algumas mudanças por parte da instituição para que seja possível criar um ambiente favorável à aplicação do modelo híbrido. Como todos os modelos se baseiam na alternância entre um ambiente offline e um ambiente online, é necessário que a IES possua uma plataforma digital em que a interação dos alunos com os professores e as atividades propostas seja possível.   

Nessa plataforma, o aluno pode ter acesso a conteúdos relativos às disciplinas em formas de textos complementares ou videoaulas. Aplicar o modelo de sala de aula invertida, por exemplo, tendo como base um repositório de conteúdo digital fica muito mais fácil e interessante!  

Da mesma forma, o modelo de laboratório rotacional poderia ser também facilmente aplicado se, nessa plataforma, o aluno tivesse acesso à exercícios e simulados dos conteúdos que está aprendendo. Além de poupar tempo do professor com a presença de um repositório de questões já prontas, o ambiente digital favorece a autonomia e o engajamento dos alunos. Portanto, a aplicação de modelos híbridos de ensino se torna mais viável e assertiva quando a prática é sustentada por uma plataforma digital eficiente.  

Conclusão 

A hibridização do ensino é uma tendência crescente a nível global. O ensino superior precisa se tornar um aliado, e não um opositor, das inovações tecnológicas. Caminhar de mãos dadas com a tecnologia só traz benefícios para as instituições que já o fazem. Além disso, o cenário brasileiro é animador para as instituições que desejam apostar na modalidade híbrida de ensino, dada a flexibilização recente da carga horária definida pelo MEC. Podendo ser adaptada ao currículo tradicional, a metodologia é uma forma inovadora de aumentar o engajamento e performance dos alunos, incentivar o docente e, em muitos casos, reduzir custos operacionais das IES. Cada modalidade de aplicação do ensino híbrido pode ser utilizada da melhor forma para atender as demandas específicas da sua instituição. Contudo, a presença de uma plataforma digital eficiente que possa centralizar as soluções da parte online da metodologia é extremamente necessária. Quer conhecer mais sobre nossas soluções digitais? Clique aqui.