Como é a avaliação do MEC nas instituições de Ensino Superior?

SINAES, Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, é um conjunto de práticas com o objetivo de assegurar o processo nacional de avaliação das Instituições de Educação Superior (IES). O regulatório é complexo e envolve uma série de dados que avaliam as mais diversas facetas das IES e dos seus processos de ensino-aprendizagem-avaliação.  

Essa análise é feita por meio de indicadores e parâmetros pré-estabelecidos, que buscam mensurar a qualidade do ensino e compreender os desempenhos organizacional e acadêmico da instituição diante do cenário brasileiro. 

O diagnóstico é construído pelos Indicadores de Qualidade do Ensino Superior e, de acordo com a Portaria nº 40, “são obtidos com base no Enade e em demais insumos constantes das bases de dados do MEC, segundo metodologia própria, aprovada pela Conaes (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior) e atendidos os parâmetros da Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004.”.  

Os aspectos avaliados são divididos em vários eixos, como o ensino, a administração da instituição, a pesquisa, a extensão, o desempenho dos alunos, a responsabilidade social, o corpo docente e as instalações físicas.   

Existem três segmentos principais:  

  • Resultados sobre as instituições de educação superior, o Índice Geral e Cursos Avaliados da Instituição (IGC). 
  • Resultados sobre os cursos superiores, o Conceito Preliminar de Curso (CPC). 
  • Resultados sobre o desempenho dos estudantes, o conceito ENADE e o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). 

O conceito contínuo versus o conceito em faixa 

A maioria dos índices obtidos durante as etapas do processo avaliativo é representado em um valor numérico contínuo que varia de 0 (zero) a 5 (cinco), ou, em alguns casos, de 0 (zero) a 500 (quinhentos), sendo que o 0 (zero) representa um valor preocupante e o 5 (cinco), ou 500 (quinhentos), representa um valor considerado de referência e excelência. 

Porém, para melhorar os efeitos comparativos desejados com essas avaliações, o MEC categoriza as IES de acordo com faixas, que agrupam os conceitos contínuos. Essas faixas variam de 1 (um) a 5 (cinco), sendo que valores de 1 (um) e 2 (dois) são considerados resultados insatisfatórios, enquanto valores de 3 (três) e 4 (quatro) são considerados satisfatórios e o 5 (cinco) são valores considerados como excelência. Ou seja, as IES/cursos que detiverem esse resultado são vistas como referência pelas demais. 

Para a conversão dos valores contínuos em faixas, o MEC utiliza a Tabela 1 a seguir: 

Tabela 1: Tabela de conversão de valores contínuos para os valores de faixa. (Fonte: INEP) 

Índice Geral e Cursos Avaliados da Instituição (IGC) 

O Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) é o indicador que avalia diretamente as IES. Seus resultados são calculados e divulgados anualmente e, segundo o Inep, três aspectos são levados em conta:  

  • média dos CPC’s (Conceito Preliminar do Curso) dos últimos três anos, relativos aos cursos avaliados da instituição e ponderada pelo número de matrículas em cada um dos cursos computados; 
  • média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para escala compatível e ponderada pelo número de matrículas em cada um dos programas de pós-graduação correspondentes; 
  • distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino, graduação ou pós-graduação stricto sensu, excluindo as informações do item b) para as instituições que não oferecerem pós-graduação stricto sensu. 

O IGC, referindo-se sempre aos últimos três anos da Instituição de Ensino, aborda todas as áreas e eixos tecnológicos avaliados e previstas no Ciclo Avaliativo do Enade.

Conceito Preliminar de Curso (CPC)

O Conceito Preliminar de Curso (CPC) é um parâmetro que avalia os cursos de graduação de cada Instituição de Ensino. Ele é dividido em quatro dimensões principais, sendo elas as condições do processo formativo, o desempenho dos estudantes no Enade, o corpo docente e o valor agregado pelo processo formativo. É possível observar na Tabela 2 a seguir as componentes de cada divisão e seu respectivo peso no cálculo do indicador.     

Tabela 2: Notas utilizadas para o cálculo do CPC e seus respectivos pesos. 

Portanto, é necessário que o curso tenha pelo menos dois alunos concluintes realizando a prova Enade. Caso o curso não tenha, seu CPC será considerado SC (Sem Conceito). Os resultados são publicados no ano após a realização do Enade e seus dados são utilizados para os atos de renovação de reconhecimento de cursos de graduação pelo MEC.  

O conceito ENADE 

O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) analisa o desempenho dos alunos concluintes dos cursos de graduação de acordo com as competências, os conteúdos e as habilidades desenvolvidas durante a sua graduação. Seu objetivo é mensurar a qualidade dos cursos das IES brasileiras e ser referência em fonte de consulta e desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a Educação Superior.  

As notas obtidas pelos alunos no Enade representam insumos essenciais para o cálculo dos outros indicadores de qualidade da educação superior: o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC). Além disso, o exame também serve como base para dois outros importantes parâmetros de avaliação: o Conceito Enade e o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).  

Dessa maneira, o Conceito Enade avalia os cursos de acordo com o desempenho dos alunos no exame. Seu cálculo e divulgação ocorrem anualmente para os cursos com pelo menos dois estudantes concluintes participantes do Exame. 

Saiba mais sobre o modelo Enade de questões clicando aqui.

Resultados sobre o desempenho dos estudantes, o IDD 

O Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) é um parâmetro de qualidade que mede o valor agregado pelo curso ao desenvolvimento dos estudantes concluintes. Ao aplicar medida proxy (aproximação), esse indicador utiliza o desempenho dos estudantes no Enade e no Enem para avaliar as características de progressão do aluno durante o curso de graduação.  

A partir de 2014, foi estabelecido que o cálculo do IDD acontece para todos os alunos que realizaram o Enade e o Enem, por meio do número do CPF. Seu cálculo é realizado utilizando-se: 

  • Dados dos desempenhos dos estudantes concluintes no Enade. 
  • Estimativa do desempenho do estudante concluintes no Enade decorrente de suas características quando ingressante no curso.

O IDD também é um indicador utilizado para o cálculo de outros indicadores de qualidade da educação superior: o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e, consequentemente, o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC). 

Entender como é a avaliação do MEC sobre as Instituições de Ensino Superior é apenas o primeiro passo para aumentar a classificação e a nota dos seus cursos e da sua IES. Agora, é necessário reconhecer quais são seus indicadores com maiores e piores notas e, assim, buscar possibilidades para aumentar o desempenho desses parâmetros.

Quer saber mais sobre como a Saraiva Educação pode te ajudar a atender e melhorar esses importantes requisitos regulatórios? Envie um email para falecom@saraivaeducacao.com.br e entraremos em contato.

Transferência de faculdade: por que você está perdendo alunos?

Pedidos de transferência de faculdade fazem parte da rotina das IES e constituem um direito do aluno previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Todavia, quando a porcentagem de migração aumenta muito, significa um problema de gestão a ser enfrentado com visão estratégica. 

As razões para um pedido de transferência são múltiplas e resultam tanto de questões pessoais quanto de fatores acadêmicos, administrativos e estruturais. Pensando nisso, neste post vamos ajudar você, gestor, a identificar motivos que levam à transferência de faculdade e propor algumas medidas empreendedoras para ampliar a permanência dos estudantes até a conclusão dos cursos em que estão matriculados. Acompanhe! 

Principais motivos para a transferência de faculdade 

De acordo com o MEC (1996), transferências de curso ou IES caracterizam-se como uma das formas de evasão na educação superior. Nesse sentido, a problemática da migração estudantil também deve ser discutida estrategicamente com todos os envolvidos na IES, desde as áreas acadêmica e administrativo-financeira até os representantes de alunos (LOBO, 2012). 

O MEC (1996) também afirma existirem três fatores básicos de evasão na educação superior, os quais coincidem com estudos de caso em IES privadas sobre solicitações de transferência. São eles: 

  • fatores internos às instituições (deficiências no projeto pedagógico e na qualidade do ensino, corpo docente desvalorizado e infraestrutura obsoleta para as atividades); 
  • fatores externos às instituições (concorrência no mercado, conjuntura econômica, dificuldade de atualização diante do cenário sociopolítico e tecnológico); 
  • fatores individuais dos estudantes (dificuldade de acompanhar os conteúdos, escolha precoce da carreira, desencanto com o curso escolhido, personalidade, dificuldades de adaptação à vida universitária, reprovações ou baixa frequência, desconhecimento da metodologia do curso, problemas financeiros, mobilidade). 

Falha na escolha do curso 

Na pesquisa “O valor do cliente como elemento de marketing para instituições de ensino superior” (FARIAS, GOMES e JÚNIOR, 2006), baseada em estudo de caso sobre transferências externas em uma IES privada de Fortaleza (CE), os autores observam que escolher equivocadamente o curso é um dos principais motivos para transferência. 

Corroboram esse equívoco um corpo docente desqualificado e sem grandes vínculos interpessoais com os alunos, falta de orientação vocacional, frustração com as expectativas do curso, metodologias de ensino defasadas e segunda opção de carreira. 

Dificuldades no aprendizado 

As dificuldades no aprendizado são relativas tanto ao resultado de uma educação básica deficiente quanto a questões de metodologia. Soma-se ainda a predominância de disciplinas teóricas no currículo, nos períodos iniciais, sem interação com a prática. Há, ainda, uma grade curricular inflexível ou desatualizada — fatores igualmente evidenciados por pesquisa sobre evasão do curso de Ciências Contábeis de uma IES mineira. 

Circunstâncias socioeconômicas 

Políticas de descontos desfavoráveis e valores altos nas mensalidades também podem resultar em pedidos de transferência, especialmente se os estudantes não tiverem renda robusta. Não raro, universitários necessitam trabalhar para custear os estudos, e os ajustes das mensalidades não acompanham os salariais. 

Somam-se, ainda, valores com materiais didáticos e de apoio, moradia, alimentação. E há acadêmicos que desistem de estudar na instituição por não terem condições de arcar com gastos de transporte, ou não terem tempo para as viagens rotineiras (KAFURI e RAMON, 1985). 

Incômodo com a infraestrutura 

Banheiros quebrados, salas de aula malcuidadas, laboratórios sem manutenção e com falta de insumos ou equipamentos para as atividades, biblioteca desatualizada são alguns dos grandes problemas sobre infraestrutura (MEC/ SESU, 1997). Sem uma infraestrutura impecável, a IES desmotiva os alunos, os professores e os funcionários e pode registrar ampla evasão estudantil, além prejudicar a avaliação institucional perante os indicadores do MEC. 

Atendimento ruim ou demasiadamente burocrático 

Um funcionário que trabalha insatisfeito certamente oferecerá atendimento de baixa qualidade. Especialmente no atual cenário, em que o comportamento do consumidor é imediatista, movido por ampla informação advinda do acesso irrestrito à internet, essa deve ser uma preocupação constante das IES. 

Por muito pouco, um estudante — independentemente do grau de independência financeira e idade — pode simplesmente migrar para outra instituição se sua experiência dentro da faculdade não for de alto nível. 

O que fazer diante dessa situação? 

Para aumentar as taxas de retenção de alunos, a IES precisa desenvolver estratégias de gestão que despertem no estudante o engajamento com a instituição, a fim de que ele enxergue na faculdade valores indispensáveis à sua formação pessoal e profissional. Para tanto, algumas atitudes são primordiais. Veja a seguir. 

Conhecimento das expectativas dos alunos 

É importante conhecer as expectativas dos alunos com relação à IES. Para isso, existem diversos métodos e tecnologias que permitem a compilação dos dados de interesse da instituição. 

Mensurados esses dados, é importante separar os estudantes por similaridade de perfis. Por exemplo: calouros, primeira graduação, formandos, segunda graduação. A partir de então, desenvolvem-se políticas de relacionamento voltadas a cada grupo, conforme suas necessidades e expectativas. 

Vale lembrar a importância de gerenciar esses dados permanentemente e criar um sistema de autoavaliação periódica. Para auxiliar os gestores, ferramentas de CRM são amplamente utilizadas. 

Construção de um relacionamento de respeito 

Para haver lealdade à IES, a cultura organizacional precisa construir uma relação de confiança, tanto do ponto de vista administrativo como, principalmente, acadêmico. Alguns fatores a considerar: 

  • educação no tratamento pessoal; 
  • facilidade de acesso aos funcionários e professores; 
  • atendimento personalizado; 
  • dinamismo e pontualidade nos prazos; 
  • transparência; 
  • comprometimento; 
  • ambiente escolar envolvente; 
  • diálogo aberto com estudantes. 

Políticas de desconto e bolsas de estudo 

Ações permanentes de descontos para pagamentos antecipados ou integrais, bem como oferecimento de descontos progressivos para alunos mais antigos são formas de fidelizar o público. 

Além disso, o estabelecimento de convênios com entidades e empresas para a concessão de descontos nas mensalidades pode aumentar retenção de alunos. 

Por fim, além dos programas de bolsa de estudo do governo (como o FIES e ProUni), a IES pode construir suas próprias políticas por meio de fundos sociais de incentivo ao estudo e parceria com entidades de concessão de crédito universitário. 

Relacionamento com inadimplentes 

Compreender o que leva à inadimplência é fundamental para uma gestão de cobranças eficaz. Primeiramente, faz-se necessário um conhecimento da situação socioeconômica dos estudantes e o perfil dos inadimplentes (efetivos e potenciais). De posse dessas informações, é necessário o estabelecimento de ações de relacionamentos humanizadas que permitam redirecionar esses alunos devedores à adimplência. 

Por fim, antever atrasos no pagamento é fundamental. Para tanto, mensagens personalizadas com lembretes do vencimento das parcelas pode ser uma saída interessante. Sistemas de comunicação automatizados facilitam esse trabalho de gestão. Podem ser utilizados diferentes dispositivos, como e-mail marketing, SMS, URA, WhatsApp etc. 

Investimento em tecnologia e infraestrutura 

Primeiramente, a infraestrutura da IES precisa estar em excelentes condições. Isso significa garantir manutenção constante de todas as instalações. Vale ressaltar que a estrutura deve ser adequada a um projeto pedagógico arrojado, a fim de favorecer a aplicação de novas metodologias de ensino e inovações tecnológicas para a educação. 

Do ponto de vista administrativo, a adoção de novos sistemas de informação desburocratiza processos e evita a lentidão de retornos dos alunos. 

Capacitação profissional para o corpo docente e funcionários 

Manter os corpos docente e administrativo atualizados é indispensável ao aumento do desempenho da IES. Para isso, a gestão estratégica precisa incluir ações de formação profissional continuada e incentivo ao estudo. Por exemplo: 

  • apresentação de feedbacks periódicos; 
  • investimento em treinamentos presenciais e a distância; 
  • coaching para lideranças; 
  • aprendizado por times para alinhamento de conceitos; 
  • criação de um mapa de desempenho do corpo docente; 
  • incentivo à produção científica e à pesquisa; 
  • incentivo ao ingresso de professores e funcionários em cursos de graduação ou programas de pós-graduação e mestrado; 
  • parcerias com consultorias educacionais para mentoria universitária. 

Embora a transferência de faculdade seja inerente a todas as IES, diferenciar a flutuação natural do número de alunos de um contexto acadêmico e empresarial desfavorável é importante para garantir maior retenção. Por esse motivo, o foco de qualquer gestão é promover a melhor experiência possível ao aluno para que ele crie laços afetivos com a instituição. 

Para saber mais sobre como melhorar a gestão de sua IES e garantir maior competitividade no mercado, assine nossa newsletter agora mesmo! 

Gestão de tempo: 3 dicas para docentes

Estamos vivendo um tempo em que o Google tomou o lugar da Barsa; os tablets e notebooks, dos cadernos e canetas; os E-books, dos livros físicos; e, muitas vezes, as videoaulas e metodologias ativas, das aulas convencionais. As salas de aula são invertidas, as aulas são online, o ambiente de aprendizagem é virtual

Em se tratando de docência, já é de se saber que são muitos os desafios: engajar os alunos, oferecer aulas dinâmicas e didáticas, estar em consonância com as inovações tecnológicas, oferecer conteúdo relevante e atualizado, e, por fim, o mais desafiador, gerir o tempo dentro e fora das quatro paredes da sala de aula para não ficar para trás nesse contexto de transformação socioeducacional. 

Tendo em vista, todas essas mudanças na educação, cada vez mais, as Instituições de Ensino Superior (IES) buscam profissionais que consigam acompanhar as transformações e se destacar com qualidade e organização frente aos desafios e as suas rotinas apertadas, para que sejam capazes de formar alunos aptos a serem profissionais competentes e, principalmente, para que contribuam com o aumento do conceito avaliativo do MEC, por meio da melhora no desempenho em avaliações como o ENADE, por exemplo. 

Parece impossível obter um desempenho excelente em todas as esferas, conseguindo, como Professor, equilibrar a profissão, vida privada, os estudos e o desenvolvimento pessoal. No entanto, vamos provar que é possível fazer com que todos os compromissos caibam nas 24 horas do dia, e que é possível ser um diferencial na docência com três dicas práticas.

1. Cuidado com os “ladrões de tempo”

Se o dia tem 24 horas para todo mundo, por que algumas pessoas conseguem exercer diversas atividades com alta produtividade e capacidade de execução, e você não? É simples! Você pode estar sendo “roubado” e nem se deu conta disso.  

O tempo é o único bem que, após perdido, não se pode recuperar. Por isso, é fundamental fazer a gestão do seu tempo: fique atento às principais situações que podem desvirtuá-lo, como o entretenimento, as redes sociais, as interrupções, e a falta de organização, de rotina e de disciplina.  

A internet e as redes sociais podem ser suas aliadas, se usados de maneira correta e temperada, pois, além do tempo de descanso e entretenimento também serem fundamentais, as tecnologias podem ser (e já estão sendo) grandes aliadas para alguns Professores para engajar os alunos, promover o seu networking, e se atualizar frente às transformações mundiais.  

Existem ferramentas de gestão de tempo online como o Monday, o Trello o WunderList, entre outras, que ajudam na organização de tarefas em rotinas lotadas de afazeres e compromissos. Essas ferramentas baseiam-se no método de “Kanban, surgido nos ambientes de produção industrial, e auxiliam no ajuste de fluxos. Invista nelas! 

Existem também, produtos e metodologias ativas de intervenções pedagógicas que podem auxiliar o Professor que se vê sobrecarregado frente à obrigação de elaborar atividades de aprendizagem, montar provas, simulados, trabalhos, avaliações diagnósticas e ainda ter que corrigir tudo isso depois. Esses serviços permitem que todo esse tempo que seria direcionado às atividades operacionais seja investido em estudos, aprofundamento prático e teórico, e desenvolvimento pessoal e profissional. 

2. Conheça as características de suas turmas 

Não adianta você estar totalmente organizado, ter uma rotina bem definida, seu tempo cronometrado e cada uma de suas atividades pessoais e microtarefas direcionadas, se você não estiver antenado às necessidades específicas de seus alunos! 

Isso, porque se você for capaz de discernir os pontos fortes e fracos deles, não desperdiçará o seu tempo investindo em temas, assuntos e detalhes que eles já dominam, nem deixando de investir em aspectos que ainda têm dificuldades, aspectos estes, basais para a construção do aprendizado sistemático e organizado de que eles precisam naquele momento.  

Dessa forma, você evita “surpresas” com dúvidas muito amplas durante as aulas (que podem fazer com que o tempo seja o maior inimigo de sua produtividade em sala de aula) e intervenções improdutivas, impedindo que o seu tempo dentro de sala de aula seja totalmente direcionado àquilo que é mais importante de se tratar.  

Algumas estão mais à frente do que as demais. Outras, entretanto, precisam de nivelamento e intervenções pedagógicas mais específicas, que podem ser aplicadas por meio de simulados diagnósticos e outras intervenções pedagógicas para se identificar a verdadeira necessidade daqueles alunos. 

Essa segunda dica é também um grande desafio, porque demanda relatórios e análises das classes, o que vai exigir de você atenção, observação e alguns testes diagnósticos. Certas classes se dão melhor com aulas mais expositivas primeiro e debates ao final, outras, com trabalhos coletivos e grupos de estudo, etc. 

É preciso ter proximidade com os discentes para atacar os problemas e aprimorar as qualidades, com vistas a desenvolver as suas competências e habilidades e alcançar os objetivos de aprendizagem necessários para o alcance do seu sucesso como futuros profissionais, e de seu sucesso como um Professor competente e eficaz em seu ensino e intervenções.  

3. Aproveite de maneira inteligente o seu tempo fora da sala de aula 

Para que um Professor ministre uma aula completa, bem elaborada, adequada com as realidades e necessidades pedagógicas de seus alunos, atual e didática, é, por óbvio, necessário que ele invista tempo nisso fora do tempo em que está em sala de aula, e não somente controle o tempo enquanto está lecionando.  

É necessário que haja, em reforço ao que já foi dito aqui, organização, planejamento e, principalmente, gestão inteligente de tempo. Principalmente quando se trata desse tempo que será gasto fora da sala de aula, porque é ele quem vai determinar a qualidade do ensino oferecido. 

Para que esse tipo de gestão aconteça, é preciso que o máximo de tarefas e microtarefas, em especial as mais operacionais, (como a elaboração, montagem, e correção de provas e trabalhos, a aferição dos níveis de participação e engajamento dos alunos, etc.) sejam auxiliadas por algum tipo de ferramenta, seja uma plataforma, um serviço de acompanhamento/consultoria, ou um produto, que te ajude a fazer aquilo que é necessário, mas que nem sempre você tem tempo de qualidade para fazer. 

É, dentre outras, por essa razão que essas ferramentas, em especial as que envolvem metodologias ativas, têm ganhado cada vez mais espaço nas IES, visto que proporcionam ao aluno um processo de aprendizagem emancipatório, construtivo e dinâmico, colocando-o como protagonista de seu próprio aprendizado, sem, todavia, deixar de lado a importância da intervenção pedagógica do Professor nesse processo de obtenção e desenvolvimento do conhecimento.  

Isso permite ao docente otimizar ao máximo o seu tempo e fazer aquilo que é essencial: investir em seu desenvolvimento pessoal, aprimorar os seus conhecimentos e habilidades, inteirar-se sobre as novas ferramentas de tecnologia educacional, engajar os alunos, conhecer as suas turmas, utilizar os dados advindos dos diagnósticos que precisar aplicar e manter-se apto a alcançar o auge de todo o seu potencial profissional. 

Como fazer um bom plano de aula?

Em qualquer atividade que fazemos, para que atinjamos o objetivo, é extremamente importante que realizemos um planejamento. Isso nos ajuda a prever possíveis falhas, a lidar com os imprevistos que porventura possam aparecer e a praticar a atividade com eficiência. Para o professor não é diferente. O sucesso da sua carreira como professor será atingido quando você conseguir colocar em prática aquilo que você se propõe a fazer em sala, ou seja, quando cumpre seu Plano de Aula. 

É comum observarmos professores insatisfeitos com o gerenciamento de tempo da sua aula. Terminar a aula antes do horário, dar muitas informações em um pequeno período ou, ainda, por ter gerado muitas dúvidas, ter que repetir o mesmo conteúdo na aula seguinte. Estes são alguns indícios de que sua aula não está sendo bem aproveitada. 

Então, como atender as necessidades das diferentes turmas ou mesmo de diferentes locais de trabalho, apresentar conteúdos de forma inovadora e atrativa para os alunos e ainda fazer com que o seu tempo lecionando em sala seja otimizado? 

O plano de aula é um importante aliado na busca por atingir esses objetivos. Ele fará com que o seu tempo dentro e fora de sala sejam otimizados, contribuindo para que você entenda o perfil do aluno, atenda aos objetivos da IES, consiga se organizar para estar em constante capacitação e, também, fazer o que se propõe em sala. 

Dicas para fazer um bom planejamento 

O maior desafio do professor, principalmente quando se tem mais de uma turma, é entender que nem sempre o Plano dado para uma turma funcionará bem com a outra. Além disso, metodologias que são muito produtivas com um público, podem não ser com o outro. Para identificar o quê usar e como usar em sala de aula, basta seguir os seguintes passos: 

Conheça o perfil do aluno 

O primeiro passo para a construção de um plano de aula é alinhar as expectativas dos seus alunos. Em outras palavras, é necessário saber o que eles esperam de você e da sua aula e analisar se isso condiz com o tipo de aula que você pretende dar. 

Para isso, é necessário conhecer o perfil do seu aluno: saber quem ele é, entender o seu estágio de desenvolvimento e o período em que eles se encontram, a familiaridade de cada um com o tema proposto, o percurso que percorreram até ali, entre outros. 

Defina o tema 

Após saber exatamente o que seus alunos esperam de você, é possível definir o tema da sua aula. É comum haver temas que se estendem para mais de uma aula. Tudo depende, como dissemos anteriormente, do perfil do seu aluno e da sua turma no geral.  

Dessa forma, é imprescindível que cada aula tenha um tema específico.  

Mesmo que, no fim do período de três dias, por exemplo, você pretenda que os alunos adquiram um conhecimento, o objetivo específico da primeira aula será diferente do da terceira. Os objetivos específicos serão gradativos e acumulativos para o objetivo final, mas são independentes entre si. 

Principais componentes de um plano de aula impecável

Um plano de aula eficiente contém os seguintes tópicos: duração, objetivos, conteúdo, metodologia, recursos e avaliação. 

Duração 

Para que você possa entender e delimitar o seu tema, é necessário que você tenha definido bem a duração que aquela aula terá. Isso influenciará diretamente no tanto de conteúdo que você passará naquele encontro, bem como ajudará a gerenciar o tempo que você deixará para cada um dos momentos da sua aula.  

Objetivos 

Também é necessário que você saiba o que exatamente você quer que os alunos aprendam. Ou seja, os objetivos da aula. 

Tente pensar até onde você pretende levar os seus alunos naquela aula. Não estamos falando aqui dos objetivos gerais do curso. Estes normalmente são definidos pela IES e é aquilo que você pretende concluir para que sua disciplina tenha sido bem-feita.  

Entretanto, para que tais objetivos sejam concluídos, serão necessárias várias aulas e em cada aula você deve ter também um objetivo.  É importante que o conhecimento seja gradativo. 

Por exemplo, se você é professora de português e pretende que os seus alunos aprendam a escrever bem, isso é um objetivo, mas um objetivo geral. Para atingi-lo, precisaremos destrinchar quais objetivos específicos nos levarão até esse objetivo geral. Então, na primeira aula, a professora de português pode apresentar os elementos coesivos que são ótimos aliados na construção do texto. Dessa forma, o objetivo dessa aula será “aprender os elementos coesivos”. O da segunda, “aplicar os elementos coesivos no texto”, e por aí vai. 

Os objetivos vêm com os verbos no infinitivo para indicar a ação que será aplicada naquela aula. Tendo definido esses pontos, procure repassar o conteúdo em questão. 

Conteúdo 

Agora que já você já definiu qual o seu público e já sabe o que pretende que ele aprenda, você precisa, agora, atentar-se ao que será passado. Para isso, se você tem dificuldade em saber por onde começar, você pode procurar o auxílio de outros profissionais da área a fim de obter trocas de experiências. Outra sugestão é se basear em aulas já dadas e tentar encontrar os pontos que foram proveitosos da sua aula ou identificar outros que precisam melhorar. 

Metodologia 

Na metodologia, procure pensar qual abordagem (tradicional, sociocultural, humanista, entre outras) você usará na sua aula para aplicar aquele conteúdo. Será uma aula expositiva? Haverá discussão em grupo? Você vai usar recursos audiovisuais?  

Não deixe de considerar a adição de atividades online, uma vez que você pode contar com o auxílio de plataforma digitais, de e-mails e até mesmo do celular. 

Dica: use o seu plano de aula para permitir que você tenha flexibilidade. Não pense em algo rígido, mas sim em um norteador das suas tarefas em sala. 

Material – recursos didáticos 

A metodologia te dirá quais materiais ou recursos didáticos serão necessários para aquela aula. Isso é extremamente importante, pois te ajudará a saber o que você vai precisar antes e durante a sua aula.  

Caso você precise, por exemplo, imprimir alguma folha, ou reservar o laboratório de informática, ou, ainda, solicitar o uso de celular, deixe indicado no seu plano de aula. Isso te fará lembrar do que fazer e consequentemente te fará ganhar tempo de aula. 

Deixe indicado, também, a bibliografia necessária para o encontro, bem como onde encontrá-la. Isso serve como lembrete a fim de que você não se esqueça de levar para o encontro os seus livros, tablet ou notebook, ou mesmo evitar de levá-los desnecessariamente.  

Avaliação 

Por fim, não se esqueça de reservar um tempo para a avaliação da turma. Não precisa, necessariamente, ser algo formal, para que os alunos escrevam ou entreguem. Apenas algumas perguntas ao fim da aula já garantem a retomada de tudo ensinado naquele dia e pode te dar o retorno tanto sobre o que os alunos de fato aprenderam quanto para o ponto de retomada da próxima aula. 

Dica: sempre que o tema da aula se estender, procure reservar um pequeno período no início da aula subsequente, para a recapitulação do conteúdo dado na aula anterior. Isso garante que o fio condutor entre as aulas não se perca e que aquela aula em questão não fique desconexa.  

Seguindo esses passos para a montagem de um plano de aula, você verá a sua rotina aliviada e suas aulas melhor aproveitadas.  

Diferença de gerações: manter a tradição ou se adaptar aos nativos digitais?

Um mundo de informações ao alcance das mãos por meio de smartfones e tablets. Conexão ininterrupta e de alta velocidade. Agilidade ao digitar, fotografar, gravar, postar, curtir, compartilhar. Todas essas características são marca das gerações Y e Z, que agora têm chegado à educação superior. 

A nova geração de estudantes das Instituições de Ensino Superior (IES) apresenta especificidades que precisam ser levadas em consideração. Cada vez mais, professores universitários sentem dificuldade em manter esse público concentrado em suas aulas convencionais. Inclusive, um dos fatores causadores de evasão no ensino superior é a estagnação do método de ensino. 

Esse cenário revela que, em meio à Era Digital do século 21, educar é uma tarefa que envolve novos desafios e mudanças de paradigma. Por isso, talvez seja a hora de rever metodologias e posturas. 

Neste post, vamos refletir sobre quais caminhos trilhar, se o objetivo é superar a diferença de gerações. Investir em estratégias pedagógicas criativas e na formação de um corpo docente bem preparado para lidar e atender a diferença de gerações é um bom começo. 

Acompanhe! 

Geração Y 

Nascidos após a década de 1980 até meados de 1990, em meio ao apogeu da era digital e da virtualidade, os jovens que compõe a geração Y são multitarefas e multifocais. Além de convergirem conteúdos por meio de diferentes plataformas, são, também, críticos, dinâmicos e, muitos deles, autodidatas. A geração do milênio, como também é chamada, cresceu experimentando um mundo com mercado aquecido e globalizado. Encontraram, em desenvolvimento, certa prosperidade econômica e acessibilidade a dados e informações. 

Tal contexto socioeconômico influenciou os costumes, hábitos e gostos desses jovens. Além disso, impactou nos modos como eles se relacionam, se comunicam e, claro, aprendem. Um estudo realizado pelo Bank of America Merrill Lynch com jovens da geração Y revelou que grande parte desse público prefere trabalhar e estudar fazendo uso de tecnologias digitais. Estar conectado é uma prioridade para eles. 

Conhecidas como nativos digitais, as pessoas da geração Y têm uma percepção de ensino, de trabalho e de carreira bem diferente das gerações que as antecederam. Por vezes, pode haver choque de ideias e de comportamento entre pessoas de épocas distintas. Assim, é preciso superar esse enfrentamento, os preconceitos, e perceber as inúmeras contribuições que o diálogo entre as gerações pode oferecer. 

Diferença de gerações 

Segundo o diretor do Centro de Ensino e Aprendizagem da Universidade do Chile, Oscar Jerez Yañez, antigamente, os saltos geracionais ocorriam a cada 25 anos. Hoje, esses saltos ocorrem, no máximo, a cada 10 anos, e são muito influenciados pelo momento socioeconômico vivido pela sociedade. 

O contexto social, segundo o educador chileno, impacta de forma direta sobre a forma como as pessoas consomem, trabalham e aprendem. Esse entendimento precisa ser levado em consideração pela sociedade e pelas IES, para que a diferença de gerações seja algo que enriqueça os processos interpessoais e de ensino-aprendizagem. 

Segundo o pesquisador, pensando nisso, os educadores têm desenvolvido com seus alunos um aprendizado multilugar, ou seja, um processo de formação que extrapola o espaço físico e contempla ambientes diversificados. Nesses novos moldes, a ideia é promover um diálogo entre o ensino formal e conteúdos dinâmicos, apostando no uso de dispositivos digitais. 

Investir em mudanças 

Mais do que pensar em infraestrutura, adequar a instituição ou o currículo à geração Y requer disponibilidade. No entanto, antes de adquirir aparatos tecnológicos e fazer grandes investimentos financeiros, é preciso atentar-se para mudanças de comportamento. Isso diz respeito à atitude e ao apoio que os gestores podem oferecer aos docentes para reverem suas práticas e inovarem as metodologias. 

Criar canais de comunicação é um importante passo a ser dado nessa direção. É preciso ficar atento para estabelecer rotinas de feedback e diálogo constantes. Numa perspectiva de aprendizagem colaborativa, o uso de redes sociais, tão familiares aos jovens da geração Y, pode estimular diferentes possibilidades de trocas, para que os alunos exercitem argumentação e pensamento crítico — habilidades muito importantes no mundo do trabalho em qualquer carreira. 

A propósito, as redes sociais são um ótimo canal, inclusive, para interagir com outros seguidores e captar novos alunos. Posts pertinentes divulgam a IES e isso pode resultar em um número maior de matrículas. 

Há educadores que investem em blogs para ensinar e aprender, e essa é uma estratégia que não exige muitos dispêndios. É possível, por exemplo, divulgar conteúdos que enriqueçam o tema das aulas e também fotos e trabalhos dos alunos. Por meio dos blogs, também é possível ir além do currículo e refletir com a turma sobre segurança na internet — discussão importante em tempos de comunicação em rede. 

A consolidação de uma IES no mercado atual é impactada por esse tipo de disponibilidade. Afinal, um dos equívocos que podem comprometer a instituição é a falta de adaptação às necessidades do mercado — nesse caso, o erro seria ignorar a diferença de gerações. 

Sala de aula invertida 

Participar das aulas em um espaço físico limitado, entre quatro paredes, não é suficiente para os nativos digitais. Por isso, vários educadores pesquisam formas de transpor essa configuração tradicional e desenvolver metodologias mais dialógicas e dinâmicas com suas turmas. 

Em 2007, os professores Jonathan Bergmann e Aaron Sams desenvolveram uma abordagem de ensino chamada sala aula invertida (ou flipped classroom), que tem como objetivo tornar o aluno protagonista de sua aprendizagem. 

A sala de aula invertida é uma das formatações pedagógicas resultantes da utilização da internet e de diversos recursos tecnológicos. O professor continua sendo o responsável por orientar os estudantes em suas aprendizagens e construção de saberes. No entanto, todo conteúdo é oferecido numa perspectiva interacionista, dialógica, diferente da convencional. 

Nos últimos anos tem crescido vertiginosamente a procura por metodologias didáticas dessa natureza. Uma curiosidade: no Google Trends (ferramenta que analisa a evolução de pesquisa de uma palavra-chave) houve um forte crescimento na busca por aula invertida e flipped classroom

Portanto, é possível desenvolver estratégias criativas para lidar com a diferença de gerações presente na sala de aula da educação superior. Com um pouco de empenho, é possível encontrar diversos caminhos que atraiam e envolvam os jovens, o que é positivo para todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. 

Se este conteúdo foi útil para você, compartilhe com seus pares nas redes sociais e troque opiniões. Muitas e boas ideias podem surgir e inspirar novas práticas. 

Gestão de cobranças: como lidar com a inadimplência em IES?

O elevado número de alunos com mensalidades atrasadas tem preocupado o setor educacional. Menos dinheiro em caixa gera desequilíbrio nas previsões orçamentárias, dificuldade em honrar compromissos financeiros e pode levar as instituições até mesmo à quebra, se essa situação não for controlada. 

Como manter a inadimplência na instituição de ensino superior num nível baixo? Que decisões precisam ser tomadas para uma gestão de cobranças eficiente? 

Um dos principais vilões para o aumento do calote nas mensalidades continua sendo a crise econômica e o desemprego. Estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), de abril de 2019, sobre o perfil dos inadimplentes em geral no país revelou que aproximadamente 62,6 milhões de pessoas estão endividadas, sendo que mais da metade dos inadimplentes estão na faixa entre 30 e 39 anos. 

De acordo com o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), 8,93% das mensalidades em 2017 tiveram mais de 90 dias de atrasado no pagamento. O setor de educação superior privada permanece o mais afetado, estando acima da inadimplência total das pessoas físicas, que registrou 5,25% no mesmo período. 

Outro agravante foi o fato de o Governo Federal ter imposto restrições ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). O modelo aplicado até abril de 2019 registrou a marca de 500 mil estudantes inadimplentes, com ônus bilionário exclusivo do governo. Em 2018, o número de alunos matriculados em cursos superiores por meio das linhas de crédito do FIES despencou: apenas 80,3 mil das 310 vagas foram preenchidas, o equivalente a 26% da meta. Ou seja, muito mais gente sem financiamento tendo que custear pelo menos parte da mensalidade. 

Mas esse cenário não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde as universidades não costumam ser gratuitas, nem mesmo as públicas, a dívida estudantil chegou a US$ 1,6 trilhão de dólares em 2019. O Banco Central Americano (Federal Reserve) afirma que esse montante é devido por mais de  40 milhões de pessoas. 

Novas regras do FIES 

Um dos objetivos das novas regras do FIES, que entraram em vigor em 2018, é reduzir a inadimplência e garantir coparticipação das IES no aporte dos recursos financeiros. O fundo de financiamento foi estruturado em três modalidades (FIES 1, 2 e 3). Entenda como vai funcionar a seguir. 

Fies 1 

  • sucede o modelo atual; 
  • destinado a estudantes com até três salários-mínimos de renda familiar per capita
  • taxa de juros real zero; 
  • os pagamentos deverão começar a ser feitos assim que o aluno se formar. Fim da carência de 18 meses; 
  • as IES são responsáveis por manter obrigatoriamente um fundo garantidor, com aportes proporcionais à sua taxa de inadimplência. A União poderá depositar até R$ 3 bilhões nesse fundo. 

Fies 2 

  • nova modalidade; 
  • exclusivo para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a fim de reduzir a desigualdade; 
  • para estudantes com até cinco salários-mínimos de renda familiar de per capita
  • os recursos são provenientes de bancos regionais e de fundos constitucionais de financiamento dessas regiões — os contratos são gerenciados por esses bancos; 
  • taxas de juros utilizadas para empréstimos dos fundos regionais. 

Fies 3 

  • nova modalidade; 
  • para estudantes com até cinco salários-mínimos de renda familiar de per capita
  • recursos disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — os contratos são gerenciados por bancos privados; 
  • abrange o país todo. 

Prouni 2019 

Estima-se que o Programa Universidade para Todos (Prouni) 2019 siga sem grandes alterações em relação ao ano anterior. 

O Prouni dá bolsas de estudos integrais ou parciais de 50% em IES privadas. É exclusivo para quem não tem diploma de nível superior. Os valores são destinados a famílias com rendas entre um e três salários-mínimos por integrante. 

Outras linhas de crédito estudantil 

Além das linhas de crédito governamentais, existe o crédito universitário privado, concedido normalmente por bancos e empresas especializadas. Funciona como um empréstimo. 

As taxas são mais altas que no FIES, por exemplo, mas a vantagem é que englobam cursos a distância e pós-graduação. O tipo de curso financiado depende dos critérios de parceria entre a empresa de crédito e a IES. 

Gestão de adimplência eficiente 

As mensalidades estão entre as principais fontes de recursos financeiros das IES particulares, tornando-se fator determinante à sua sobrevivência. Isso gera alta competitividade entre as instituições, e é necessária grande quantidade de alunos matriculados — adimplentes — para evitar problemas financeiros. 

Por essa razão, a gestão global da IES deve estar empenhada em gerar uma sensação de pertencimento em toda a comunidade estudantil, incutindo tal cultura organizacional nos seus corpos docente e administrativo. 

É preciso que a universidade constantemente reforce seus valores, de maneira a conquistar aluno e torná-lo importante para a universidade, de maneira que o índice de confiança na instituição se eleve. 

Soma-se a isso um modelo de gestão estratégica de adimplência que compreenda a situação dos alunos inadimplentes e possibilite meios de esses estudantes se manterem em seus objetivos educacionais. Por consequência a evasão escolar é evitada. 

Realizar uma gestão estratégica dos processos de cobrança garante maior dinamismo e gera velocidade nos resultados para a instituição. Trata-se de um modelo de atuação preventiva com ações permanentes de relacionamento que cuidam tanto dos alunos inadimplentes, para que quitem seus débitos, como também os adimplentes, a fim de que não contraiam pendências financeiras. 

Para tanto, uma rede de ações administrativas e comunicacionais integradas deve ser estabelecida, com o auxílio de recursos humanos e tecnológicos. Destacam-se as seguintes: 

  • CRM (Costumer Relationship Management) para o acompanhamento de resultados e visão global de todo o processo; 
  • marketing direto com mensagens personalizadas em diferentes dispositivos (e-mail marketing, SMS, URA e WhatsApp); 
  • multimeios de comunicação; 
  • call center humanizado. 

Dicas para reduzir a inadimplência 

Além das inúmeras questões pessoais e socioeconômicas que levam à inadimplência, também é comum serem encontrados problemas administrativos nos setores financeiros das IES. Listamos aqui boas práticas que podem contribuir para melhor fluxo de caixa. Confira: 

Facilite o recebimento da mensalidade 

Possibilite que o aluno pague as parcelas por diferentes canais. Boletos aceitos em todos os bancos, pagamento na própria instituição, envio do código de pagamento via SMS são alternativas. 

Crie programas de descontos para pagamento adiantado ou integral 

Estipule diferentes datas de vencimento para o pagamento. Quanto mais cedo o aluno pagar a mensalidade, maior será o desconto. Estabeleça preços especiais para quem quiser pagar o valor integral do período cursado. 

Utilize diferentes canais para avisar do vencimento 

Use os recursos tecnológicos e dispositivos possíveis para avisar da data de vencimento da mensalidade (SMS, e-mail, WhatsApp, por exemplo). 

Renegocie dívidas 

Ofereça opções de negociação das mensalidades pendentes. Antes de realizar protesto, dê opções de pagamento dos valores atrasados. Parcelamento das parcelas, com assinatura de confissão da dívida são opções para reduzir a resistência ao pagamento. 

Gere boletos automaticamente 

Se o pagamento está atrasado, e o aluno precisa do boleto, gere-o de forma automática, já com juros e multas calculados. Utilize canais para informar que o novo boleto foi gerado. 

Separe os alunos em grupos 

Conheça o perfil socioeconômico dos alunos. Assim, é possível identificar quem paga as mensalidades sozinho ou depende dos pais e, ainda, os alunos que atrasam constantemente ou esporadicamente, entre outros perfis. 

Utilize meios legais para evitar o prolongamento da dívida 

Em último caso, inclua o nome do inadimplente no SPC ou Serasa. Às vezes, basta o aviso de negativação do nome para que o aluno pague o que deve. Além disso, esteja atento às leis que protegem as IES de manter alunos inadimplentes estudando na instituição. 

Para evitar que o fluxo de caixa da sua instituição fique em desequilíbrio por conta de mensalidades em atraso, entenda um pouco mais sobre gestão de cobranças e inadimplência na instituição de ensino superior conhecendo estratégias de gestão acadêmica para melhorar seus resultados financeiros. 

Transformações da educação superior e as práticas docentes

A concorrência é acirrada: alunos munidos de smartphonestablets e notebooks de alto desempenho, em meio a notificações das redes sociais e aplicativos que controlam cada atividade do dia. Diante da sala, professores universitários tentam estimular o interesse dos discentes, mas sentem que lhes faltam ferramentas necessárias para aproximar o aluno do conhecimento transmitido. 

Além disso, com acesso imediato à informação, os conteúdos curriculares teóricos ministrados em aulas expositivas tornam-se um pesadelo para o aluno que as considera “do século passado”. 

Temos aqui um cenário real e factível: 

a) O perfil do estudante no contexto das TIC (tecnologias de informação e comunicação) reflete uma “pressa” de aprender: querem ter acesso ao conhecimento de maneira ágil, sem muito aprofundar em leituras que consideram “desnecessárias” e nesse processo, frente a milhares de outros estímulos tecnológicos, perdem o interesse pelas aulas, reduzindo o aprendizado a um nível raso e superficial. 

b)  A graduação e os cursos de pós-graduação que embasam a formação dos docentes no ensino superior têm se tornado insuficiente para desenvolver o repertório de atividades, avaliações e trabalhos conduzidos dentro e fora da sala de aula, diante do contexto de transformações do cenário escolar. Saber o conteúdo já não basta.  

Não há, de fato, uma receita de bolo para mudar completamente os fatores que têm causado esse desalinhamento entre a perspectiva aluno-professor. A boa notícia é que é possível reduzir essa distância de aprendizado. O que buscamos com esse texto é justamente indicar três caminhos que vão auxiliar os docentes a lidar com esse novo contexto de transformações no ensino superior.

O professor como mediador: uma mudança de mindset

O ensino tradicional tem sido marcado pela transmissão do conteúdo com um enfoque puramente informativo. Paulo Freire (1987), em sua conhecida obra Pedagogia do Oprimido, traz o conceito de educação bancária como a imposição ou o depósito do conhecimento realizado pelo professor sobre os alunos. Para Freire, a educação se torna libertadora na medida em que seja superada a contradição entre educador-educando, de forma que ambos se façam e se reconheçam como educadores e educandos. Essa relação entre teoria e prática é permanente e deve subsidiar a dinâmica humana da “ação-reflexão-ação” que possibilita a mudança transformadora em algum grau da realidade, por meio da ação mais consciente. 

O clássico modelo de aulas expositivas, em que se vislumbra um professor, detentor do conhecimento, e os alunos, ouvintes, meros receptáculos do conteúdo exposto, em um processo de pouquíssimo dialógico, ainda é uma constante no ensino superior. Em decorrência disso, o aluno tem se tornado um receptor passivo das informações que deve repetir de maneira literal nas avaliações de ensino. Nesse contexto, torna-se essencial ressaltar a importância do papel do professor como mediador do conhecimento na relação com os alunos, e não mais os de “donos” do saber. 

Nessa seara, a mudança de mindset é importante para que o aluno esteja no centro do processo de aprendizagem, de forma que o professor promova sua participação contínua, contribuindo na indicação de informações de qualidade para o estudante que está rodeado de vários conteúdos.  

O desenvolvimento de habilidades: por que isso é importante?

Além de compreender o seu papel de mediador no processo de ensino e aprendizagem, o docente deve buscar orientar suas aulas em desenvolver determinadas habilidades em seus alunos, muito mais do que se preocupar em transmitir a totalidade dos conteúdos previstos nos programas pedagógicos.  

Isso porque o contexto de transformações pelo qual passa o cenário mercadológico e o exercício das profissões têm revelado que o egresso deve ser adaptável a esse contexto de mudanças velozes e que estará mais bem preparado se tiver desenvolvido skills, do que ter decorado todos os conceitos teóricos do curso. Desenvolver habilidades é um desafio para a educação superior de uma forma geral, que não deve ser desconsiderado no processo de aprendizagem. 

Além disso, as avaliações externas como o ENADE, por exemplo, têm seus itens elaborados no intuito de verificar se determinadas competências, previstas para o perfil do egresso no curso superior foram, de fato, desenvolvidas. Os itens buscam ser interdisciplinares e não questionam dados memorizados ao estudante, de modo que os conteúdos são trabalhados como instrumento para a resolução do item, em que o seu conhecimento puro e simples não é suficiente para resolver a questão, na qual são exigidas operações mentais mais complexas, como reflexão crítica e análise de situações práticas.  

Diante deste cenário de intensas transformações, o World Economic Forum (WEF) apresentou em 2018 um estudo bastante aprofundado sobre o futuro das profissões no mundo, o “The Future of Jobs Report”, de modo que o relatório expõe as diversas transformações da força de trabalho ao longo dos últimos anos, bem como a necessária janela de mudança que deverá envolver governos, instituições públicas e privadas e os trabalhadores a partir dos avanços tecnológicos da chamada “Quarta Revolução Industrial.” 

Assim, foi apresentada uma lista de habilidades que deveriam ser desenvolvidas até o ano de 2022 para atender às expectativas do futuro do mercado de trabalho em diversas áreas do conhecimento: 

Essas habilidades demonstram o quão relevante é investir em práticas docentes e atividades que estimulem o seu desenvolvimento. Elas promovem o pensamento crítico e analítico e a necessidade de resolver problemas complexos. Além disso, demonstram a necessidade de incluir o aluno no processo de aprendizagem de maneira ativa, por meio da criatividade e iniciativa. 

Como despertar o interesse no aluno?

Mediar o conhecimento e desenvolver habilidades só será efetivo se houver um elemento muito importante dos alunos: o desejo de aprender. 

O interesse estudantil, baseado no “querer”, é um elemento essencial para que o aprendizado ocorra. Não basta ter um professor disposto a ensinar, é necessário despertar o desejo nos ouvintes. E a solução é uma só: trazer o conteúdo teórico para a realidade prática dos estudantes. 

Chamar a atenção dos alunos não exige teatro ou stand-up, mas uma conexão entre o que se fala e o que se vive. A conexão da teoria conteudista e a vivência dos conceitos na realidade promovem um aprendizado natural, baseado em experiências sensoriais que fixam o aprendizado de maneira duradoura. Mas como fazer isso? 

Em primeiro plano, é preciso esclarecer que a aula teórica é importante, sim! Não será possível promover dinâmicas, atividades e metodologias inovadoras com estudantes que não têm aporte teórico sobre os conteúdos ministrados nas disciplinas. 

Os conteúdos devem ser trabalhados em sala de aula de maneira didática, explicativa, e minuciosa em um primeiro momento, com atividades de fixação.  

Em um segundo momento é preciso promover atividades que permitam ao aluno estar no centro do processo de aprendizagem, de modo que ele se sinta agente do seu processo e não apenas o receptor das informações postas. Para isso é indicado o desenvolvimento de novas metodologias de ensino, chamadas “metodologias ativas” com recursos didáticos inovadores, que propõem uma nova perspectiva de learning, para o aluno e para o professor. 

Diante deste cenário de transformações na educação superior, movidas pelas TIC (tecnologias de informação e comunicação), é preciso que os três pilares descritos sejam trabalhados conjuntamente na sala de aula: o papel do professor deve ser alinhado com uma mudança de mindset: de “dono” a “mediador” do saber, as práticas docentes devem estar consonantes a um aprendizado baseado no desenvolvimento de habilidades nos estudantes e o aluno deve ser trazido para o processo de ensino e aprendizagem por meio da conexão entre o conhecimento teórico e a sua realidade prática. 

Alunos do ensino superior: perfil dos ingressantes e desafios para atendê-los

Perfil dos ingressantes no ensino superior: uma abordagem analítica

O ingresso no ensino superior brasileiro, seja em bacharelado, licenciatura ou tecnólogo, apresentou crescimento considerável nas últimas décadas. As matrículas na rede pública saltaram de aproximadamente 1,3 milhão, em 2007, para mais de 2 milhões, em 2017, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). As instituições privadas também viram os números dispararem, já que, no mesmo período, seu número de alunos matriculados subiu de 3,6 milhões para 6,2 milhões. Essas instituições, só em 2017, concentraram mais de 80% dos alunos que ingressaram no superior em todo o país. Foi uma porcentagem semelhante ao número de matrículas totais naquele ano, uma vez que 75% estavam concentradas na rede privada. 

Diversos fatores estão envolvidos no crescimento desses números, como o aumento no número de instituições públicas do país e no número de oferta de vagas. Por outro lado, quanto às instituições privadas, programas, como o Universidade para Todos (PROUNI) e o Financiamento Estudantil (FIES), possibilitaram a uma grande parcela da sociedade a chance de ingressar no ensino superior, que, ao longo dos anos, tornou-se diferencial ou quase obrigatoriedade no currículo para inserção no mercado de trabalho. Tem-se também diversas Instituições de Ensino Superior (IES) privadas que, além de métodos de ingresso próprios, aceitam a nota do Enem como entrada. 

A análise de estudos, como o Censo da Educação Superior, divulgado anualmente pelo MEC, permite-nos um olhar detalhado sobre o perfil dos alunos matriculados e dos ingressantes no ensino superior. Além disso, o cruzamento com outros dados divulgados pelo governo, como Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), as notas para acesso ao PROUNI, ao FIES e ao SISU (Sistema de Seleção Unificado) e os indicadores da Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD), dá-nos mais insumos para entender a realidade dos graduandos brasileiros.

Idade, ocupação e turno 

Segundo dados referentes ao ano de 2017 e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após os jovens de 14 a 17 anos, a faixa etária com maior grau de desocupação entre as pessoas aptas ao trabalho, com cerca de 25% sem emprego, é composta por aqueles que têm entre 18 e 24 anos. Dentre os motivos apontados para esse alto percentual, estão a falta de experiência exigida pelo mercado de trabalho e a falta de formação acadêmica. No entanto, os dados do Censo da Educação Superior de 2017, o último divulgado pelo MEC, mostram que, também naquele ano, dos alunos matriculados no ensino superior, metade tinha entre 18 e 24 anos. Ou seja, trata-se justamente da parcela da população que busca o aprendizado de uma profissão para entrada no mercado de trabalho. 

Outro dado relevante, possível de ser visualizado a partir dessas correlações de indicadores, é que, dentre esses jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior, mais de 70% estavam associados a alguma IES privada. São os alunos que ingressaram na graduação por meio dos programas citados (PROUNI e FIES) ou dos métodos de entrada aplicados pelas instituições (vestibular, seleção pela nota do Enem etc.) e que, portanto, têm sob sua responsabilidade arcar com os custos do curso, integralmente ou com auxílio de bolsas. Assim, os 3 milhões de jovens dessa faixa etária que, em 2017, estavam matriculados no ensino superior e que representavam a faixa com maior índice de desocupação no mercado de trabalho, são justamente aqueles que mais dependem de uma renda fixa para bancar seu estudo. 

Há outros indicadores que corroborem essa situação? No mesmo censo, há dados sobre o número de matrículas nos cursos de graduação por turno. Nas IES públicas, aproximadamente 64% dos alunos estavam matriculados no período diurno, enquanto os restantes frequentavam o noturno. Os números indicam que apenas 1/3 estava vinculado ao período noturno. A situação, quando o foco passa a ser IES privadas, é completamente diferente. Nelas, 69% dos alunos estava vinculado ao período noturno, o que representava mais de 2/3 dos estudantes totais. Esses números, associados aos dados da PNAD, os quais indicavam em 2017 que cerca de 90% dos postos de trabalho no país estão distribuídos entre 5h e 22h, fortalecem a conclusão apresentada anteriormente. 

Também de acordo com o MEC, as idades médias de ingresso são 21 anos para aqueles que operam pelo ensino presencial e 28 anos para os que optam pelo ensino à distância (EaD). Entre 2007 e 2017, os cursos à distância viram o número de alunos saltar de aproximadamente 300 mil alunos para quase 1,8 milhão, sendo que mais de 90% das vagas estavam vinculadas a instituições privadas.  

Millennials e geração Z 

Tecla a tecla, as informações sobre uma criança foram digitadas, e numa tela de computador iam sendo imediatamente visualizadas pela funcionária do hospital responsável pelo registro de nascimento dos novos bebês. O ano era 2001, e a humanidade entrava no terceiro milênio da era cristã. A partir desse dia, essa criança esteve rodeada por tecnologias: seus pais orgulhosos fizeram fotos e vídeos, primeiro em câmeras digitais e depois em smartphones, a cada etapa vencida por ela (a primeira palavra, o primeiro passo, o primeiro dia na escola, a primeira vez que escreveu etc.); prontuários pediátricos e boletins escolares foram registrados nos sistemas de hospitais e escolas; jogos multiplayer foram desbravados, e redes sociais frequentadas. Hoje, o bebê do milênio faz a inscrição para o vestibular ou Enem e aguarda o dia de matrícula online na instituição na qual iniciará sua graduação. 

A grande exposição às tecnologias da informação e comunicação (TICs) e a facilidade de acesso à informação fazem das gerações de millennials (ou geração Y) e da geração Z um grupo de jovens acostumados ao ritmo acelerado do mundo atualmente. Tomar um ônibus e seguir ao Centro da cidade para realizar pesquisas na biblioteca pública não é mais uma realidade dos alunos de qualquer nível. Basta alguns cliques, para que os variados mecanismos de busca da internet mostrem dezenas de milhões de resultados relacionados a uma busca. Essas facilitações otimizam os processos, mas trazem consigo efeitos colaterais com relação ao comportamento das pessoas. A dificuldade de concentração é uma das principais consequências da imersão no mundo tecnológico, o que acarreta a impaciência e a necessidade de se resolver as coisas cada vez mais rápido. Nesse sentido, torna-se um desafio garantir o engajamento dos estudantes. 

Como observado a partir dos dados anteriormente analisados, os alunos do ensino superior no Brasil não têm apenas as atribuições da faculdade como responsabilidades diárias. Eles conciliam o trabalho com o estudo, e o fazem muitas vezes por necessidade. Por isso, é preciso que os modelos de ensino-aprendizagem sejam bem pensados. Os cursos à distância dispararam no país diante dessa realidade. Apenas aulas tradicionais, com professores sendo vistos como transmissores de conhecimento e alunos como meros receptores, não são mais suficientes. É preciso se valer da fome de conhecimento, do interesse pela tecnologia, da necessidade de resposta imediata e da abertura à flexibilização dessas gerações para compor com elas um novo cenário de ensino que proporcione a apreensão do conhecimento de forma concreta e prazerosa. Entretanto, antes disso, é essencial atentar-se a um terceiro ponto. 

O ensino básico 

É extremamente importante que as IES públicas e privadas pensem em como aprimorar continuamente seu processo de ensino-aprendizagem. Levando isso em conta, adicionar à equação as experiências e o conhecimento anteriores do aluno é preciso. Seguindo a análise com dados oficiais de 2017, o Saeb daquele ano indicou que apenas 1,62% dos alunos que cursavam o terceiro ano do ensino médio apresentavam os níveis indicados como adequados pelo MEC em Língua Portuguesa. Em Matemática, 4,52% apresentavam esses níveis.  

Diante desse cenário, a defasagem dos alunos ingressantes no ensino superior deve ser um ponto de cuidado das IES, sobretudo nas privadas. Programas públicos de ingresso, como PROUNI e FIES, demandam que os alunos apresentem médias no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de no mínimo 450. Esta é uma média baixa, mas a situação pode se mostrar ainda mais preocupante, quando se leva em conta que algumas instituições privadas indicam médias menores como requisito de entrada, ou mesmo aplicam testes muito simples para ingresso. Ou seja, não há um filtro que garanta que todos aqueles que iniciam a graduação apresentam o nível básico necessário para bom desempenho no curso. 

Para saber mais 

Como pode-se perceber, há muitos fatores a serem levados em conta se espera-se entender o perfil dos ingressantes no ensino superior, ou mesmo do conjunto total de alunos matriculados. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) realiza um amplo estudo a respeito do perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação nas instituições federais. A associação desenvolve atualmente um novo estudo, ainda sem previsão de divulgação. A IV Pesquisa, e última divulgada, em 2014, apresenta números interessantes no que diz respeito à renda dos estudantes, à cor, à idade, ao gênero e muitos outros dados que valem a pena ser conhecidos.

Entender o perfil e os anseios do público que se acolhe em sua instituição é indispensável quando se deseja oferecer o melhor serviço e as melhores condições de aprendizado e desenvolvimento.

Ensino híbrido: novas perspectivas para a educação superior

Como seria se a sala de aula acompanhasse as inovações tecnológicas do século XXI? Qual o impacto desse movimento na aprendizagem dos alunos? 

Como uma forma de colocar a educação inserida no contexto tecnológico de inovações constantes, o ensino híbrido (ou, em inglês, blended learning) é uma proposta para reestruturar o contexto educacional e torná-lo mais alinhado à revolução tecnológica que acontece no mundo de hoje. Nesse texto, você vai descobrir mais sobre essa revolucionária metodologia de ensino e como aplicá-la em sala de aula. 

O que é o Ensino Híbrido? 

A metodologia híbrida de aprendizagem também é conhecida como semipresencial por ter, como característica principal, a fusão do ensino a distância (EAD) com o ensino presencial. O objetivo é incentivar uma reorganização do espaço e tempo de aula, bem como do papel do professor e do aluno. Dessa maneira, a metodologia busca engajar todos os envolvidos no processo educacional e proporcionar um aprimoramento das habilidades dos estudantes e educadores.

A união das modalidades presencial e a distância permite que os alunos desfrutem de novas oportunidades de aprimoramento. Por um lado, o ensino presencial estimula os alunos a interagir, debater ideias e trabalhar em grupo. Por outro, a parcela a distância fornece autonomia ao aluno, que passa a ser responsável por gerir seu próprio tempo e priorizar suas atividades, realizando-as no ritmo e local que achar mais adequado. Além disso, a inserção de plataformas digitais no ensino permite a coleta de dados com maior facilidade, facilitando o diagnóstico e acompanhamento do progresso dos alunos. Tais informações podem ser utilizadas como forma de retroalimentação no processo pedagógico.

Outro grande benefício da modalidade híbrida é uma maior possiblidade de personalização do ensino. No modelo tradicional de educação, os alunos têm acesso a uma informação única, criada e direcionada para a turma como um todo. Já em um modelo híbrido, por conta do acesso às tecnologias, o aluno tem a possibilidade de buscar formas que facilitem seu próprio aprendizado, além de estudar conteúdos que têm por objetivo sanar dificuldades específicas.  

Apesar de o termo ensino híbrido estar muito em voga nos últimos anos, a ideia por trás do conceito não é nova. A primeira iniciativa de se criar um curso a distância aconteceu na Europa em 1840, onde Isaac Pitman se dispôs a ensinar taquigrafia via correspondência. Já nos anos 1970 e 1980, as primeiras iniciativas de ensino utilizando a tecnologia tiveram início. Empresas começaram a fornecer treinamentos para seus funcionários através de computadores, bem como instruções começaram a ser passadas por meio de vídeos gravados e exibidos em TV’s. Dessa maneira, não era mais necessário que o instrutor responsável estivesse presente na empresa naquele momento para executar o treinamento. Já nos anos 90, cursos vendidos por meio de CD-ROM se tornaram cada vez mais populares, juntamente com a popularização do computador pessoal que tornou essa realidade possível. A partir dos anos 2000, com a explosão da internet, modalidades de ensino a distância ficaram cada vez mais acessíveis e difundidas. Hoje, com o constante avanço tecnológico e popularização da internet, fica mais fácil adaptar um currículo de ensino tradicional para um de ensino híbrido. 

Ensino Híbrido nas universidades

Atualmente, o ensino híbrido encontra cada vez mais espaço nas universidades brasileiras. Ao final de 2018, o governo brasileiro publicou a Portaria Nº 1.428, que amplia para até 40% a carga horária EAD em cursos presenciais. Com essa expansão, a hibridização do ensino se torna uma realidade cada vez mais possível para as universidades brasileiras, com a possibilidade de adaptação do currículo escolar.  

As vantagens da metodologia híbrida vão desde fornecer maior autonomia para os alunos, aumentar o engajamento, melhorar o monitoramento de dificuldades dos alunos e até mesmo possibilitar uma alocação mais eficiente do tempo do educador.  

Em um estudo publicado em 2016, os autores avaliam o estado da arte das pesquisas envolvendo ensino híbrido ao redor do mundo e mostram que, nas pesquisas mais recentes, os alunos que têm contato com a modalidade híbrida de ensino se saem melhor do que os estudantes de modalidades tradicionais. Ainda, o artigo aponta que a diferença em performance não é devida somente à tecnologia, mas sim a agregação desta ao contato presencial com o professor. Ou seja, a metodologia híbrida, que alia tecnologia ao contato face-a-face com o instrutor, é de fato benéfica no desempenho dos estudantes.  

Formas de aplicação do Ensino Híbrido 

Veja agora as formas mais comuns de aplicação da metodologia híbrida de ensino, e como você pode implementar, desde já, algumas dessas práticas no currículo já existente em sua instituição de ensino! 

Modelos sustentados

A categoria dos modelos sustentados possui maior familiaridade e proximidade ao ensino tradicional. Por esta razão, é uma excelente opção para instituições que desejam adaptar o seu currículo já existente incorporando novas práticas, sem a necessidade de uma reformulação curricular completa. Os principais modelos sustentados são: rotação por estações, laboratório rotacional e sala de aula invertida.

  • Rotação por estações

O objetivo central da aula é dividido em estações de trabalho independentes. Cada estação é destinada a cuidar de uma parte relativa ao objetivo central da aula. As estações permanecem fixas e cada aluno ou grupo de alunos passa pelas estações por um determinado tempo. Como característica do modelo híbrido de ensino, uma ou mais estações fazem uso de recursos digitais e podem até mesmo acontecer em ambientes virtuais, ou seja, a distância. Dessa maneira, os estudantes têm flexibilidade e autonomia para o trabalho em diferentes estações. Esse modelo ainda depende fortemente da mediação do professor, que tem o trabalho de orientar os estudantes em seu caminho através das estações.  

  • Laboratório Rotacional

Neste modelo, os alunos rotacionam por diferentes espaços dentro da escola, não sendo limitados à sala de aula. Basicamente, dois ambientes de aprendizagem são criados: o online e o offline. No ambiente online, os alunos podem se dirigir para um laboratório de informática para aprender sobre um assunto (geralmente, a parte teórica) utilizando recursos tecnológicos. Enquanto isso, em outro ambiente, que pode ser por exemplo um laboratório de ensino, os alunos têm contato com a parte prática e experimental do conteúdo abordado na aula. Em uma aula de física, por exemplo, os alunos podem pesquisar os conceitos e teorias no laboratório online, e depois ter contato com os experimentos relacionados àqueles conceitos no laboratório de ensino (offline). A ideia aqui é dividir a turma em dois grupos. Enquanto um grupo realiza as atividades no laboratório online, o outro grupo estuda no laboratório offline, e vice-versa.  

  • Sala de aula invertida

No modelo de sala de aula invertida, o estudante fica responsável por aprender o conteúdo das aulas em casa. Normalmente, um ambiente virtual de interação é criado entre o professor e os alunos, em que referências de estudo são indicadas. Fica a cargo do estudante acessar esse material e aprender o conteúdo sozinho, totalmente online, no seu ritmo. A aula presencial, então, tem o papel de fornecer um espaço para debate de ideias e solução de dúvidas. A sala de aula se torna um espaço de interação ativo entre professor e aluno e também entre os próprios alunos. Com essa metodologia híbrida, o aluno pode adquirir o conhecimento em casa e compartilhá-lo com os colegas durante a aula.  

Modelos disruptivos

Os modelos de ensino híbrido disruptivos têm como característica principal romper com a forma tradicional de se pensar o ambiente educacional. Nesses modelos, o processo de aprendizagem acontece quase que inteiramente por iniciativa do aluno, sendo a presença do professor bastante reduzida. Como consequência, exige que o currículo de ensino seja estruturado de forma totalmente diferente do que normalmente é feito nas instituições de ensino. 

  • Rotação individual

É um modelo bem parecido com o de rotação por estações. Contudo, ao contrário do que é feito em sua forma sustentada, na rotação individual cada aluno possui seu próprio roteiro de aprendizagem personalizado. Assim, não há a necessidade de passar por todas as estações. O caminho do aluno pelas estações se faz a partir de sua necessidade. Esse modelo traz como benefícios uma grande personalização do ensino e autonomia.  

  • Modelo Flex

Este modelo permite que os próprios estudantes construam objetivos de aprendizagem individuais, com o auxílio de um tutor. Esses objetivos são totalmente personalizados para os interesses e aptidões do estudante, cabendo a ele trilhar o caminho da aprendizagem conforme suas necessidades. O papel do professor é de fornecer tutoria quando o estudante julgar necessário. Nesse modelo, normalmente a divisão dos alunos não é feita por turmas e séries com conteúdo fixado para cada ano. Dessa forma, o estudante ganha um alto grau de controle sobre suas atividades. 

Quais mudanças são necessárias?

Mais do que saber quais são os principais modelos de ensino híbrido e como funcionam, a aplicação da metodologia no ensino superior exige algumas mudanças por parte da instituição para que seja possível criar um ambiente favorável à aplicação do modelo híbrido. Como todos os modelos se baseiam na alternância entre um ambiente offline e um ambiente online, é necessário que a IES possua uma plataforma digital em que a interação dos alunos com os professores e as atividades propostas seja possível.   

Nessa plataforma, o aluno pode ter acesso a conteúdos relativos às disciplinas em formas de textos complementares ou videoaulas. Aplicar o modelo de sala de aula invertida, por exemplo, tendo como base um repositório de conteúdo digital fica muito mais fácil e interessante!  

Da mesma forma, o modelo de laboratório rotacional poderia ser também facilmente aplicado se, nessa plataforma, o aluno tivesse acesso à exercícios e simulados dos conteúdos que está aprendendo. Além de poupar tempo do professor com a presença de um repositório de questões já prontas, o ambiente digital favorece a autonomia e o engajamento dos alunos. Portanto, a aplicação de modelos híbridos de ensino se torna mais viável e assertiva quando a prática é sustentada por uma plataforma digital eficiente.  

Conclusão 

A hibridização do ensino é uma tendência crescente a nível global. O ensino superior precisa se tornar um aliado, e não um opositor, das inovações tecnológicas. Caminhar de mãos dadas com a tecnologia só traz benefícios para as instituições que já o fazem. Além disso, o cenário brasileiro é animador para as instituições que desejam apostar na modalidade híbrida de ensino, dada a flexibilização recente da carga horária definida pelo MEC. Podendo ser adaptada ao currículo tradicional, a metodologia é uma forma inovadora de aumentar o engajamento e performance dos alunos, incentivar o docente e, em muitos casos, reduzir custos operacionais das IES. Cada modalidade de aplicação do ensino híbrido pode ser utilizada da melhor forma para atender as demandas específicas da sua instituição. Contudo, a presença de uma plataforma digital eficiente que possa centralizar as soluções da parte online da metodologia é extremamente necessária. Quer conhecer mais sobre nossas soluções digitais? Clique aqui.