10 dicas para manter a sua comunidade acadêmica engajada

Comunidade acadêmica: fotografia de um grupo de estudantes sentados na escadaria de uma universidade.
Manter a comunidade acadêmica engajada proporciona diversos benefícios para a IES: melhora a qualidade do ensino, aumenta a captação de alunos, diminui a evasão, dentre outras. Confira as nossas dicas neste artigo!

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O que você pensa quando ouve a palavra comunidade? Esqueça a ideia de grupos unidos por uma cultura específica, geralmente participantes de uma mesma sociedade, dividindo um espaço geográfico próprio. Uma comunidade pode, e deve, ir muito além de qualquer marco espacial. 

Podemos dizer que o novo conceito de comunidade tem ligação com uma cultura, não uma determinada pelo local onde você nasceu, mas aquela que você decide se integrar, como em uma empresa ou escola, por exemplo.

Compartilhar algo em comum, seja uma história, uma meta, ou um sonho: isso mantém uma comunidade unida. Dessa forma, foi possível adequar o termo para novas possibilidades, que surgem com a tecnologia, como a capacidade de formar laços, ainda que a distância, entre pessoas que comungam de uma mesma perspectiva de vida. 

Logo, uma comunidade possibilita a formação de vínculos para a vida, mas como promover uma ligação tão forte? É possível criar isso em um ambiente de ensino? Quer dicas sobre como estabelecer um ambiente favorável ao fortalecimento de sua comunidade acadêmica? Separamos 10 dicas importantes para esse processo:

1. Entenda quem faz parte de sua comunidade acadêmica

Um exemplo muito comum de comunidade acadêmica pode ser observado nas instituições de educação superior (IES) norte-americanas. É comum que ex-alunos continuem se encontrando, ao longo dos anos, para fazer networking, e rever pessoas que marcaram uma fase tão única de suas vidas.

O orgulho da instituição de ensino não se restringe aos alunos, mas aos professores e aos demais membros das faculdades e universidades, que são respeitados por fazerem parte de um ambiente afetivamente caro para os que ali estão.

Logo, é possível estender a noção de comunidade acadêmica para além de um grupo de alunos. Uma comunidade acadêmica pode conter outros grupos, como alunos, funcionários administrativos, operacionais e docentes, comunidade do entorno da IES (comércios e moradores), etc. 

Cada grupo pode conter uma pauta, um objetivo que os une na formação de novas comunidades, como congregações de professores, ou de alunos. Mas se há um objetivo comum, em relação à IES, é possível que se forme uma comunidade acadêmica a partir da união de vários segmentos

2. Cuide das pessoas

Mas por que gastar tempo e recursos para promover uma comunidade que pode se formar sem sua ajuda? Uma IES é extremamente dependente do equilíbrio de uma estrutura que contempla alunos, funcionários, sociedade e instituições, públicas ou privadas

Por isso, é muito importante que a gestão da IES esteja integrada no processo de formação e manutenção da comunidade acadêmica. Os assuntos que esse segmento trata são pistas sobre a qualidade dos serviços prestados. 

Estar por dentro da satisfação, ou insatisfação, pode prevenir crises relacionadas a esses públicos. É uma oportunidade de ir além das manifestações de desagrado ao prever o que pode gerar engajamento positivo na comunidade. Balizar essas relações não significa controlá-las, mas se mostrar disponível para esclarecer quaisquer dúvidas. 

3. Ouça sua comunidade

Então, como conhecer os objetivos que unem as pessoas e criam uma noção de comunidade? Que tal perguntar a eles? Sentir-se ouvido é uma forma de reforçar que, para aquela instituição de ensino superior, os membros que a compõem são mais que números, são parte de algo maior, uma comunidade. 

A ideia de consultar membros da comunidade acadêmica sobre temas variados, como seus objetivos, expectativas, sobre quem eles consideram ser a comunidade em questão, pode ser uma fonte de dados a ser utilizada não apenas no fortalecimento desse objetivo comum, mas também para desenvolver indicadores de satisfação adequados, e propor novas métricas de sucesso. 

Além da possibilidade de aplicar censos e pesquisas, transforme qualquer membro da IES ou da comunidade em um possível captador de sugestões. Crie canais para que essas comunicações se tornem mais espontâneas e sempre dê retornos aos relatores. 

4. Crie espaços de construção coletiva

Compreendendo a gestão de uma IES como um trabalho jamais finalizado, é preciso estabelecer quem serão os parceiros na construção de uma instituição que ofereça um espaço acolhedor e integrativo.

É bastante desafiador tentar se colocar no lugar dos segmentos que compõem sua IES, isso porque são pessoas que estão vivendo fases de vida muito distintas daquela que o gestor provavelmente vive. Para enriquecer esse processo e fazer com que seu trabalho flua melhor, que tal se aproximar de sua comunidade no exercício da sua gestão

Isso pode ser feito a partir de uma premissa das IES, como a Comissão Própria de Avaliação (CPA). Legalmente, esse grupo conduz, junto à instituição de educação superior, os processos de avaliação internos da instituição, de sistematização e de prestação das informações solicitadas pelo INEP.

Através da CPA está assegurada a participação de todos os segmentos da comunidade universitária e da sociedade civil organizada. Além disso, fica estabelecido que nenhum grupo deve ser beneficiado em detrimento de outro, logo é preciso estabelecer uma participação igualitária e autônoma. 

Esse grupo já estará familiarizado com vários processos correntes da instituição, como seu plano de desenvolvimento institucional, sua política de ensino, pesquisa, pós-graduação e extensão, sua responsabilidade social, políticas de carreira dos empregados, infraestrutura física, políticas de atendimento, entre outros. 

Os participantes da Comissão Própria de Avaliação (CPA) podem ser engajados para fornecer pistas sobre o clima comunitário e de quais ações podem ser tomadas para mitigar problemas e potencializar ganhos em envolvimento dos membros da comunidade acadêmica. 

Dessa forma, é possível criar um espaço de escuta além do estabelecido por lei, que seja receptivo às opiniões dos segmentos e, principalmente, que os encaminhamentos sejam dados e acompanhados por todos, para demonstrar que o compromisso de escuta  firmado seja cumprido.

5. Integre grupos diversos

Como citamos anteriormente, uma comunidade pode conter vários segmentos, grupos com interesses em comum, e até mesmo alguns conflitos em relação aos seus objetivos específicos. Mas como engajar professores, alunos, funcionários e demais membros da IES, de forma que haja ganhos para todos e para o clima institucional?

É preciso lembrar, aos diferentes grupos, qual objetivo comum, em relação à IES, os mantém unidos. Mesmo em funções ou cursos distintos, as histórias, metas ou sonhos podem ser algo que conecta esses indivíduos. 

Uma ação solidária ou um projeto coletivo podem ser uma forma de unir pessoas diferentes em um propósito único. Aliar essa proposta aos valores da instituição promove a cultura institucional, não apenas para a comunidade acadêmica, mas também para outros públicos externos e alunos que estão no processo de deliberação sobre a escolha de um curso ou instituição para se matricular. 

Também é possível estabelecer pontos de convergência entre os objetivos específicos de cada grupo. Por exemplo, se os professores e corpo administrativo desejam estabelecer uma relação mais humanizada junto aos alunos, é possível criar um protocolo de atendimento às solicitações dos discentes a partir desses dois grupos.

6. Promova união além do presencial 

Quando falamos de ensino a distância, principalmente a partir da experiência de ensino remoto na pandemia, parece um grande desafio promover engajamento da comunidade acadêmica. É possível transpor essa distância entre colegas, ter uma conversa olho no olho com um coordenador ou professor?

Apesar das dificuldades, é preciso lembrar que não foram apenas as relações de ensino que se transformaram neste período. Muitas pessoas estão há quase dois anos utilizando outros recursos, além dos presenciais, para se sentirem mais próximas de familiares e amigos.

Para as IES que disponibilizam cursos EaD, é preciso desenvolver uma metodologia de ensino e participação na vida acadêmica que seja transponível para as plataformas online. Como exemplo disso, está a criação de eventos online, seja de palestras ou de confraternização da comunidade. Ofereça mais do que conhecimentos específicos da área, aposte em eventos que tragam informações importantes para o seu público. 

7. Estimule a presença nas redes

O que te faz voltar a um site para deixar uma avaliação positiva? Qual produto ou serviço te faz ligar a câmera para fazer um vídeo ou foto para serem postados nas redes sociais? Esperar que esse seja um movimento orgânico dos membros de sua comunidade pode fazer com que você perca a oportunidade de fomentar a participação das pessoas. 

Agora que você já sabe a importância de transpor o presencial para promover vínculos, que tal criar uma campanha para que a comunidade acadêmica possa participar através das redes sociais? Estimule esse grupo a se conectar com os demais membros e, também, a divulgar suas ações em relação à IES, por meio de layouts e hashtags que podem ser incorporados às fotos.

Isso promove a IES para pessoas de fora da comunidade acadêmica, além de demonstrar que, mesmo em sistema de ensino a distância, a instituição continua ativa, mantendo e promovendo vínculos entre seus públicos

Desafios podem ser criados como forma de estimular as postagens, datas comemorativas podem ser lembradas não apenas pela direção e comunicação oficiais, mas também pelos alunos e funcionários. Crie prêmios e brindes como recompensa pelo engajamento, isso demonstra que a IES deseja estimular conexões entre as pessoas. 

Afinal de contas, uma instituição de ensino superior é composta por alunos, professores, demais funcionários, comunidade e conhecimento, uma composição de muitos elementos vivos, que demandam afeto e movimento

8. Dê motivos para ficar

O que te faz ficar em um serviço de prestação contínua? Ter um bom serviço prestado é, definitivamente, o melhor dos estímulos. Engajar para melhor servir pode se tornar um obstáculo, mas, para quem aplica boas práticas, esse já é um caminho consolidado

Os alunos são parte de uma grande cadeia que compõe as IES. Logicamente, sua evasão é um grande problema que pode afetar a sobrevivência do setor. Claramente, a desmotivação dos alunos pode ter vários motivos, como, por exemplo, as mudanças de vida que ocorrem nos 4 ou 5 anos de uma graduação. 

Mas não se esqueça de que é preciso avaliar o clima institucional que pode levar à prestação precária dos serviços educacionais, grande fonte de desestímulo para quem participa de sua comunidade acadêmica.  

Preze pelo bem-estar de alunos, docentes, funcionários administrativos e operacionais, além da comunidade ao redor da instituição. Bons serviços contemplam não apenas boas notas em avaliações, mas também a gentileza com que as pessoas são tratadas e se são reconhecidas por seus papéis. 

Ofereça soluções para os problemas enfrentados por todos os seus públicos, se você estabelecer bons canais de comunicação, será possível ouvir para buscar caminhos que relembrem à sua comunidade acadêmica os objetivos comuns que a une.

9. Dê o que falar 

E se a comunicação não fosse um problema para a sua IES, mas uma solução? Dê o que falar! Mas não se esqueça, é preciso selecionar os fatos comunicáveis, isto é, o que você quer que as pessoas saibam e falem sobre sua instituição. Promova isso por meio de seus canais de comunicação interna e externa.

Esteja atento aos fatos não comunicáveis, ou seja, aqueles assuntos que não são publicáveis, e podem ser fonte de transtorno para a IES. Discuta esses tópicos em círculos de confiança, como seu setor de gestão de marketing, e proponha soluções para uma possível crise. Ter uma grande presença na vida de sua comunidade certamente passa por uma comunicação adequada.

10. Promova seus embaixadores

E se cada aluno pudesse ser um embaixador da sua marca? Uma das formas de impulsionar a captação de alunos e promover a imagem da instituição é estimular o compartilhamento da experiência do aluno.

Uma das opções é criar um programa de embaixadores, que seleciona alunos com perfil adequado para demonstrar aos futuros estudantes as vantagens de se unir à instituição. Com um programa de recompensas, cada novo aluno que integra a comunidade gera benefícios aos embaixadores envolvidos. 

O fortalecimento da presença digital vai além das novas matrículas, é uma forma de promover os pontos fortes da sua IES, informações que ficarão disponíveis para públicos ainda mais diferenciados a partir da participação de diferentes embaixadores. 

Agora que você já conhece 10 dicas para conhecer melhor e engajar sua comunidade acadêmica, é preciso pensar em quais soluções são adequadas para a sua instituição de ensino superior. Nada de fórmulas prontas, é preciso conhecer o que pode funcionar para o seu segmento. E aproveite para conferir também 6 dicas de melhoria da experiência do aluno!

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