Afinal, o que é curva de esquecimento?

É possível melhorar a fixação do conteúdo lecionado em sala de aula entendendo o conceito de curva de esquecimento e como remediá-lo. Saiba mais neste artigo!
Curva de esquecimento: fotografia de duas pessoas estudando.

Mesmo diante de um esforço hercúleo para memorizar os conteúdos das disciplinas estudadas, é comum que alunos — em diferentes níveis educacionais, incluindo o ensino superior — tenham problemas para lembrar tudo aquilo que aprenderam. E o motivo disso pode ser explicado pela curva de esquecimento.

Às vezes, temos certeza de ter compreendido um assunto, mas vemos que algumas informações se perderam ao tentar resgatá-lo. Isso é absolutamente normal, e neste artigo vamos explicar o porquê.

Continue a leitura para entender como funciona a curva do esquecimento e o que a sua instituição de educação superior (IES) pode fazer para ajudar os estudantes a remediá-la.

Tenha uma boa leitura!

O que é a curva de esquecimento?

A curva do esquecimento é um fenômeno natural relacionado ao declínio da retenção de memória com o tempo. Esta verdade é difícil de aceitar, mas todos nós temos uma inclinação para esquecer cerca de 50% do que aprendemos em um dia de estudos. 

Por isso, revisões dos conteúdos vistos em sala de aula são imprescindíveis para ajudar os alunos a reter informações. Isso porque, com o passar do tempo, se os estudantes não revisitarem o que estudaram, o esquecimento do conteúdo tende a se agravar. 

O conceito de curva de esquecimento foi criado pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus (1850 – 1909). 

Ebbinghaus foi o primeiro a estudar a relação entre a capacidade/tempo de memorização e a facilidade de recuperação das informações retidas. A sua teoria sobre a curva do esquecimento busca apresentar o padrão com que uma informação nova que assimilamos costuma ser esquecida com o tempo.

Segundo essa teoria, as pessoas em geral começam a perder a memória em questão de horas, dias, semanas e meses após entrarem em contato com algo novo, a não ser que o revisitem várias vezes.

Gráfico ilustrativo sobre os efeitos da curva do esquecimento. Fonte: site Expresso3

A curva do esquecimento é, portanto, um óbice aos estudantes que precisam memorizar grandes quantidades de conteúdo. Muitos exames oficiais, como provas de concurso e o Exame OAB, possuem uma demanda significativa neste sentido.

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Por que a curva de esquecimento acontece?

Como você viu até aqui, as informações retidas no nosso cérebro “escapam” muito rapidamente. Isso acontece porque o cérebro entende que é desnecessário registrar informações não utilizadas.

Portanto, quanto menos um conteúdo for revisitado, menos relevante ele se tornará para o cérebro. Entende onde queremos chegar?

É fundamental que a memória do estudante seja estimulada ao longo do processo de aprendizagem, para que as informações com que ele entra em contato em sala de aula não sejam descartadas.

Quanto mais forte é a memória para o aluno, ou seja, quanto mais ele se volta para aquela informação específica por meio de recursos como revisões sistemáticas, mais tempo este aluno será capaz de se lembrar dela.

É preciso revisar conscientemente o material aprendido para que este não seja majoritariamente esquecido dentro de dias ou semanas.

Como remediar a curva de esquecimento?

Já contamos o “segredo” para combater a curva do esquecimento: revisão constante!

É preciso estudar de forma consistente para que se tenha uma alta capacidade de absorver novos conhecimentos.

O psicólogo Hermann Ebbinghaus levantou a hipótese de que a velocidade de esquecimento depende de fatores diversos, que vão da dificuldade do material até questões de saúde mental dos estudantes, como estresse e sono.

Outro aspecto interessante abordado pelo estudioso é de que a informação pode ser lembrada mais facilmente quando é construída a partir de coisas que a pessoa já conhece. 

Por isso, é importante que o professor traga a aplicação do conhecimento teórico para a realidade dos estudantes, relacionando-o a situações práticas do dia a dia. Este é um dos alicerces da aprendizagem significativa, uma abordagem pedagógica muito importante no ensino superior.

Voltando às revisões, Ebbinghaus identificou que, ao aplicar treinamento frequente na aprendizagem, o conhecimento era solidificado por conta das recordações repetidas.

Mais uma vez, isso significa que, quanto mais as informações aprendidas em sala de aula forem aplicáveis ao dia a dia dos alunos, maior será a sua capacidade de lembrá-las.

Há consultores de aprendizagem que entendem que a revisão do material estudado nas primeiras 24 horas após a aprendizagem é ideal para reduzir o conhecimento esquecido.

Leia também: O que é e quais são os benefícios do mapa de aprendizagem?

Cronograma de revisões: como apoiar o aluno?

Até aqui, você já percebeu que, para que tenham sucesso no aprendizado, os alunos da sua instituição de ensino precisam de um bom plano de estudos, com objetivos e metas bem direcionados.

Isso envolve tanto uma organização do próprio estudante — que pode ser alcançada pela autorregulação da aprendizagem — quanto um incentivo das revisões pelos professores.

Revisar é essencial para reforçar a memória. E foi ao implementar revisões em seus experimentos sobre a curva do esquecimento que Ebbinghaus chegou nas repetições espaçadas.

O que são as repetições espaçadas?

Do inglês spaced repetitions, este termo remete a uma maneira de contornar a curva do esquecimento por meio de repetições programadas em determinados espaços de tempo.

Trata-se de uma tática para fortalecer a memória. Ebbinghaus observou em seus experimentos que as revisões em espaços de tempo ajudavam as pessoas a se lembrar do que tinham visto antes.

A ideia é que o fluxo de revisões siga em um ritmo como o seguinte:

  • Revisão 1: Feita um dia após o estudo inicial
  • Revisão 2: Após três dias
  • Revisão 3: Após sete dias
  • Revisão 4: após 15 dias

E assim por diante.

A informação retida em cada uma dessas revisões torna-se cada vez maior, driblando a curva do esquecimento.

Nas palavras do próprio Ebbinghaus, “não importa se uma pessoa aprendeu o alfabeto grego, ela nunca vai conseguir pronunciá-lo de trás para frente sem existir um treinamento“.

Neste contexto, é imprescindível que, ao assistir à aula, o aluno prepare em paralelo as suas anotações que servirão de material para as revisões posteriores.

Enquanto a aula traz o entendimento sobre um determinado assunto, que o estudante ainda não domina, o ato de estudar individualmente faz com que tal aluno crie a sua própria linha de raciocínio e fixe aquilo o que aprendeu.

Isso quer dizer que as revisões são o caminho certeiro para a memorização. Elas devem ser uma prática natural na rotina dos estudantes.

Leia também: Entenda a importância do planejamento educacional e como montá-lo em sua IES

Passo a passo para combater a curva do esquecimento

A seguir, apresentamos alguns passos que podem ajudar os alunos da sua IES a combater a curva do esquecimento através de um bom plano de estudos. Confira as recomendações e não deixe de compartilhá-las com os docentes e discentes da sua instituição!

Passo 1: Montar uma boa rotina do dia a dia

O planejamento de estudos precisa se adaptar ao dia a dia do estudante, sem deixar de respeitar o tempo de descanso e lazer.

É preciso mostrar aos seus alunos a necessidade de se avaliar, na própria rotina, o tempo disponível para se dedicar aos estudos, sem prejudicar as suas outras atividades.

Estabelecer um cronograma com as tarefas fixas do dia (importante incluir, inclusive, o momento das refeições) e os horários em que são realizadas pode ajudar bastante.

Assim, os alunos conseguem programar de forma mais certeira os períodos exclusivos para os estudos.

Passo 2: Definir os horários de estudo

O cronograma realizado pelos estudantes deve ser preenchido com os horários das aulas, sejam presenciais ou online.

Além disso, é interessante reservar um tempo logo após as aulas para organizar as anotações e se certificar de que está tudo certo para as revisões posteriores. 

Com tudo ordenado, o aluno pode estabelecer um horário para se aprofundar mais no assunto visto em aula. Exercícios de aprofundamento e estudo através de conteúdos digitais são outras formas de fixar melhor um conteúdo, e driblar assim a curva do esquecimento.

Passo 3: Escolha de método de estudo

Técnicas e métodos de estudos são uma forma de potencializar a capacidade de reter conhecimento.

Neste artigo, estamos focando na técnica de realizar revisões para deixar de lado aquela sensação de que todo o conteúdo estudado “escapou” da memória. 

Sendo assim, a partir do resumo que o próprio estudante fez durante a aula, a recomendação é de que ele estabeleça ao menos três revisões para cada conteúdo estudado. 

Elas podem ser realizadas, por exemplo, de acordo com o seguinte intervalo de tempo:

  1. Primeira revisão: 24 horas após a aula;
  2. Segunda revisão: 7 dias após a aula;
  3. Terceira revisão: 1 mês após a aula.

Ao usar as suas anotações, o aluno gastará menos tempo para relembrar o conteúdo da classe.

Um método que pode apoiar a concentração dos estudantes durante as revisões é o Pomodoro. Trata-se de uma técnica criada por um universitário italiano para melhorar a capacidade de concentração.

A ideia é reservar alguns momentos de foco total, sem qualquer tipo de interrupção, seguidos por períodos de descanso. O aluno utiliza um cronômetro para dividir os estudos em períodos de 25 minutos de foco, separados por breves intervalos, de cinco minutos.

Leia também: O que é transtorno de aprendizagem e quais são os principais tipos?

Passo 4: Tenha um ambiente adequado para estudar

Tão importante quanto organizar a rotina e criar um cronograma de estudos é ter um ambiente adequado para se voltar às revisões dos conteúdos.

Em vez do sofá ou da cama (que podem trazer desconforto e sonolência), o recomendável é definir um local com uma mesa exclusiva para os estudos. Na falta de um escritório em casa, vale montar uma mesa no próprio quarto ou em uma área mais tranquila da residência.

Além disso, deve-se manter o local limpo, ordenado e, de preferência, afastado de influências externas, como aparelhos de TV.

Passo 5: Considere os imprevistos

É importante que os estudantes considerem os imprevistos que podem comprometer o seu plano de estudos. 

Está tudo bem se o planejamento às vezes sair um pouco do imaginado. Problemas com deslocamento e outras questões afins são imprevisíveis. Exatamente por isso, pode ser uma boa ideia reservar um tempo livre no cronograma para esta margem de erro.

Passo 6: Descanse!

Já falamos sobre descanso, mas sempre vale o reforço. Estimular os estudantes da sua IES a reservar momentos para o descanso e o lazer é essencial para que eles criem uma rotina saudável.

Respeitar o próprio corpo e ritmo, incluindo no cronograma atividades recreativas, faz parte do processo de aprendizado.

Ainda que vá estudar aos fins de semana, o aluno deve separar em seu cronograma um período para sair com os amigos, assistir a séries, reunir-se com a família, etc.

E vale também dizer: o descanso é importante para todos! Alunos, professores, coordenadores e todas as pessoas precisam dedicar momentos para um sono saudável, descontração e relaxamento.

Leia também: Saiba como identificar e tratar a síndrome de Burnout em professores

Quais são as vantagens de um plano de estudos?

Ao montar um plano de estudos, os alunos de sua IES se deparam com vários benefícios, como:

  1. Foco;
  2. Ganho de senso de organização, importante também para projetos futuros;
  3. Maior capacidade de concentração;
  4. Aumento na produtividade;
  5. Motivação para continuar a estudar, diante dos avanços obtidos;
  6. Melhor gestão do tempo;
  7. Autonomia no próprio processo de aprendizado;
  8. Maior aproveitamento dos conteúdos vistos em aula.

Esperamos que tenha gostado deste conteúdo sobre a curva de esquecimento! Aproveite para conferir este outro artigo, sobre dicas para a elaboração de aulas interativas no ensino superior.

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