A importância do design instrucional nas IES

Entenda a importância do design instrucional para a qualidade do processo educacional e saiba quais são os passos para desenvolvê-lo em sua instituição!
Design instrucional: fotografia de um professor ajudando duas estudantes que estão utilizando o computador.

O design instrucional tem um papel fundamental nos espaços de educação. Esse conceito abrange as técnicas de arquitetura da informação para desenvolver programas de aprendizagem mais eficientes.

É com base no design instrucional, também conhecido como design educacional, que os profissionais desenvolvem materiais didáticos, atividades, processos avaliativos e refletem sobre os gaps de informação que devem ser supridos pelo produto final.

A diferença do design instrucional e o que destaca esse método dentro dos ambientes de ensino e aprendizagem é a análise cuidadosa de cada parte da implementação de um novo projeto educacional.

Arquitetar as informações que devem ser abordadas e as formas como elas chegarão ao aluno torna o processo mais efetivo: assim, é mais fácil garantir que o conteúdo seja absorvido.

Essa metodologia de desenvolvimento é utilizada em diversos segmentos educativos. Pode ser aplicada em escolas, universidades, programas institucionais, cursos livres, treinamentos profissionais, etc.

Um ponto relevante é que as estratégias do design instrucional são embasadas nos conhecimentos científicos desenvolvidos por profissionais e pesquisadores. Isto é, a melhor forma de elaborar programas de aprendizagem é olhar para as dificuldades e encontrar uma maneira científica e eficaz de lidar com elas.

Por isso, é um conceito fundamental para as instituições de educação superior (IES). No ensino superior, a aprendizagem deve ser ainda mais específica e dedicada ao desenvolvimento de competências por parte dos alunos. Com o design instrucional, os educadores podem atingir as principais demandas do corpo discente e ainda incentivá-lo com materiais de desenvolvimento mais elaborados.

Outro ponto importante é a difusão de cursos de graduação EaD. Pela acessibilidade, eles têm se popularizado entre os universitários. O mesmo acontece com cursos livres, muitos deles ofertados por IES.

Aqui, com a distância entre aluno e professor, o design instrucional se torna fundamental: é por meio dele que as informações são organizadas para auxiliar a transmitir as mensagens necessárias.

O que é design instrucional?

O design instrucional é, em linhas gerais, o planejamento da transmissão de informações para potencializar os efeitos do aprendizado. É parte da elaboração de planos de aula, materiais didáticos, métodos de avaliação, etc.  

É aplicado principalmente na hora de desenvolver um novo curso. Isto é, quando uma instituição está em busca de uma nova formação e pretende construí-la da forma mais eficiente possível.

Para isso, utiliza-se a expertise de profissionais chamados de designers instrucionais. Porém não é apenas esse profissional que deve estar atento às demandas na construção de um programa de ensino.

Os educadores e gestores de instituição de ensino superior também devem atentar para as dificuldades e aplicabilidade de cada atividade desenvolvida para matriz curricular.

O design instrucional tem alguns propósitos norteadores que devem ser levados em conta na hora de criar a engenharia de ensino de qualquer programa. É importante que os materiais e os programas desenvolvidos sejam eficientes na transmissão da mensagem aos alunos, ou seja, devem atingir o objetivo de fazer com que a pessoa consiga dominar o conteúdo ao final da atividade. 

Essa eficiência também deve ser levada em consideração na hora de analisar a gestão do tempo. Uma das funções do design instrucional é evitar longas passagens de tempo em que o aluno não consegue obter o conteúdo de forma eficiente. Ou seja, o ideal é que ele consiga absorver o essencial em um tempo mais curto e tenha espaço para praticar, não apenas passe por longas aulas expositivas sem feedback.

Outro ponto importante do design instrucional é a facilidade de atingir o público-alvo, ou seja, tem que ser uma experiência agradável e positiva para quem está aprendendo. Um programa de ensino não deve ser desgastante, mas sim despertar a curiosidade e o engajamento dos alunos – em qualquer segmento de estudos.

Por fim, o design educacional tem como função a viabilidade econômica da estratégia de ensino. Projetar os processos de aprendizagem de um programa faz com que os recursos – financeiros, pessoais e educacionais – sejam melhor utilizados. Com isso, a viabilidade econômica de um projeto fica mais clara e evita perdas ao longo do tempo, além de garantir a escalabilidade do programa.

Por isso, traz enormes vantagens para coordenadores e professores em instituições de educação superior: a incorporação de estratégias bem planejadas de ensino potencializa a matriz curricular e ainda traz inovação para a sala de aula.

Como o design instrucional funciona nas IES?

Um grande desafio dos gestores de IES é captar alunos enquanto mantém uma estratégia de ensino unificada, inovadora e preparada para o mercado de trabalho. Com a ampla gama de ofertas, tanto na modalidade presencial quanto no ensino a distância, é necessário apresentar ao potencial aluno as vantagens daquele espaço.

Por isso, durante a captação de alunos, a avaliação dos problemas que a instituição pode resolver é fundamental: é por meio dela que a equipe educacional descobre as lacunas que os alunos buscam preencher e consegue planejar as melhores estratégias para oferecer cursos adequados.

Mas a questão não termina na captação dos alunos. Durante a execução de cursos de graduação, é essencial estar sempre à frente das novidades educacionais e incorporar metodologias que façam sentido em cada grade.

Aqui entra o design instrucional: é com a elaboração de conteúdo adequado que a IES consegue ter o engajamento dos alunos e sua participação na busca ativa pelo conhecimento. 

Se o material didático, a bibliografia, as atividades avaliativas e as propostas de aula fazem sentido dentro das demandas do mercado e da comunidade acadêmica, elas trarão um resultado mais benéfico para a sala de aula.

Nos cursos EaD, em especial, essa aplicação tem um benefício ainda maior: como muitas atividades são feitas de forma assíncrona, é importante que o aluno possa absorver o conteúdo de forma prática e eficaz.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2019, realizado pelo Inep, a quantidade de matrículas em cursos EaD teve um alto crescimento. Entre os ingressantes, saltou de 16,1% em 2009, para 43,8% em 2019.

Ou seja, torna-se cada vez mais relevante a discussão sobre o design dos materiais de estudo e planos de ensino, para sua aplicabilidade dentro e fora da sala de aula.

Quais são as vantagens do design instrucional?

A inserção do design instrucional no projeto de cursos e programas de ensino tem como benefício principal a fluidez dos processos educacionais. Quando a IES está elaborando um novo curso, a criação de um projeto pedagógico é fundamental para garantir a continuidade e os princípios. Da mesma forma, o design instrucional facilita esse processo.

Entre as vantagens de aplicar esse conceito estão o foco no aluno, a busca pela eficiência e os objetivos do programa mais claros.

O foco está no aluno porque o design permite que ele tenha um contato mais efetivo com o material. Já para as IES, o custo-benefício do programa é valorizado, já que evita o desperdício de recursos. E do ponto de vista dos docentes, o design instrucional auxilia na elaboração de conteúdos engajadores e cativantes, o que beneficia as estratégias de ensino.

A clareza dos objetivos também permite que as metodologias de ensino sejam utilizadas a favor de uma melhor compreensão dos temas. Se existe uma lista de competências que os alunos devem ter ao final do programa, qual a melhor forma de atingi-las?

Como aplicar o design instrucional?

É preciso fazer três perguntas para começar a trabalhar com o design instrucional na IES:

  • Aonde? Qual é a meta do programa de ensino?
  • Como? Que estratégias serão utilizadas para chegar lá?
  • Quando? Qual é a métrica para definir o sucesso da aprendizagem?

A partir das respostas a essas perguntas, é possível arquitetar um projeto de curso que beneficie os objetivos da coordenação. Nesse projeto, serão abordadas questões como metodologias de ensino, prioridades, dificuldades, etc.

Para auxiliar os coordenadores no processo, existe um acrônimo que define as cinco etapas de um bom design instrucional: ADDIE. Analyze (analisar), Design (planejamento), Develop (desenvolver), Implement (implementar) e Evaluate (avaliar). Cada etapa tem sua função no projeto:

Analisar

Aqui, a equipe deve identificar quais são os problemas de aprendizado. Ou seja, quais lacunas a IES pode preencher na qualificação de potenciais alunos e estudantes já matriculados? 

É preciso ter um olhar cuidadoso para as diferentes facetas do problema. Se um curso está apresentando baixo engajamento, por exemplo, os gestores terão que analisar o problema. 

O primeiro passo é identificar as causas do problema e as expectativas. Qual é a infraestrutura do curso? Que competências o aluno deve ter ao final dele? O que está faltando para a formação completa?

Indicadores como avaliações internas e desempenho em exames como o Enade podem auxiliar os gestores nessa análise.

Planejar

É nessa etapa que o design instrucional se destaca. Se os problemas foram identificados, aqui é a hora de pensar em soluções. A mesma turma com baixo engajamento, por exemplo, pode apresentar dificuldade na retenção do conteúdo. 

Então, quais metodologias de ensino podem ser aplicadas? Que tipo de aulas mais chama a atenção? Qual a melhor forma de sanar dúvidas? Como está sendo abordado o material didático? Tudo isso deve ser levado em conta e repensado.

Também é importante levar em conta os diferentes tipos de aprendizagem. Se um curso não obtém bons resultados em provas, por exemplo, pode haver uma dissonância entre o esperado dos alunos e a forma como eles aprendem. 

Para a criação do projeto instrucional, a equipe deve colocar em um documento as estratégias que serão aplicadas para solucionar cada questão vista na etapa de análise. Assim, será possível quantificar e reavaliar os efeitos das intervenções no futuro.

Desenvolver

Com o projeto instrucional em mãos, a próxima etapa é desenvolver o conteúdo. Isso significa elaborar materiais como planos de aula, atividades pedagógicas, materiais didáticos e recursos usados dentro e fora de sala.

É importante tornar esse conteúdo o mais engajador possível, com uma linguagem que será absorvida pelo aprendiz. No ensino superior, os alunos valorizam a especificidade do conteúdo. Portanto, para inovar nos cursos, é importante inserir tecnologias e metodologias diferenciadas.

Implementar

O próximo passo é colocar em prática as estratégias desenvolvidas no plano instrucional. É interessante utilizar uma turma piloto, que será observada em relação ao plano. 

Se ele tiver sucesso, poderá ser implementado em maior escala. Já se as mudanças forem necessárias, o plano terá mais informações e estratégias de como proceder.

Avaliar

Uma etapa que não deve ser esquecida é a da avaliação. Entre as perguntas para a elaboração de um plano instrucional está “quando?”. Nesse contexto, quando a IES saberá que as estratégias foram benéficas e o design do programa funciona na prática?

Levando em conta os objetivos determinados na elaboração do plano, a avaliação deve ser uma reflexão do sucesso em atingi-los. Se a IES conseguir implementar um programa melhor desenvolvido, é mais provável que atinja os objetivos pré-estabelecidos. No entanto, pode ser necessário rever alguns pontos do plano para que os cursos possam atingir sua melhor efetividade. 

As avaliações aqui consistem em desempenho em prova, resposta dos alunos, perfil dos egressos e outros indicadores de sucesso na transformação de um curso indefinido em um curso bem desenhado. 

Quais são as vantagens de um curso bem planejado?

É importante ter em mente que um bom design instrucional não apenas destaca a IES no mercado de trabalho e no ambiente acadêmico. Ele garante o melhor aproveitamento dos alunos.

A importância do ensino superior no Brasil se dá não só pela qualificação profissional e possibilidade de maiores ganhos financeiros. Com a falta de acesso ao ensino, o conteúdo de uma graduação tem um poder ainda maior. Quanto mais pessoas conseguem receber e difundir os conhecimentos, melhor é a educação científica e social.

Por isso, um programa de ensino bem elaborado, que permite um aproveitamento mais eficiente e amplo, além de estimular a participação dos alunos, tem seu impacto redobrado.

Uma comunidade estudantil dedicada e focada reflete na sociedade como um todo, com a formação de profissionais qualificados e estudantes motivados. Isso contribui para espalhar conhecimento e levá-lo para além dos espaços de universidades.

Esperamos que este artigo sobre design instrucional tenha te ajudado a entender melhor a importância desse processo. Aproveite também para conferir o nosso artigo sobre como fazer a curadoria educacional!

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