Compreendendo a diferença entre Enade EaD X Presencial

Preparamos um artigo completo explicando as diferenças relacionadas ao exame Enade, no contexto presencial e a distância. Confira!

Os cursos de graduação na educação a distância (EaD) têm ganhado muito espaço entre os estudantes brasileiros. Desde 2019, as matrículas nessa modalidade já superam as demais. E assim como os cursos presenciais, o ensino superior a distância depende do credenciamento e avaliação pelo Ministério da Educação (MEC).

Nesse contexto, o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) possui grande importância.

Apesar dos cursos EaD e presenciais atingirem diferentes perfis de alunos, é importante que em ambos os casos eles estejam alinhados às demandas socioculturais e econômicas de cada graduação. 

O Enade EaD X presencial não é uma questão de avaliar qual forma de ensino funciona melhor, mas sim de entender se a instituição de ensino está garantindo aos egressos as ferramentas necessárias para seu desenvolvimento profissional.

Durante o ensino superior, o aluno deve ter contato com conteúdo que agregue bagagem intelectual e cultural, formando um egresso de acordo com o plano de curso da instituição.

Sendo assim, para que uma instituição de ensino possa avaliar o nível de sucesso das estratégias utilizadas durante o curso, é importante levar em consideração os resultados do Enade. Em que nível os alunos formandos estão em relação ao conteúdo que aquele curso visa a trazer?

Nesse contexto, surge o conceito Enade, uma média do desempenho dos estudantes nas questões de formação geral e específica. Com esses dados, o MEC atribui classificações às IESs, variando de 1 a 5.

Os cursos de conceito 4 ou 5 são acima da média nacional, o que faz com que a IES se destaque perante a comunidade acadêmica, o mercado de trabalho e os potenciais estudantes. Por isso, é importante atentar para o rendimento e o desempenho dos cursos, sejam eles presenciais ou EaD.

O que é o Enade?

O Enade é uma iniciativa do MEC para avaliar se os cursos credenciados estão de acordo com as demandas que a formação exige. Ou seja, se os alunos, ao finalizar o curso, conseguem reproduzir e ressignificar os conhecimentos adquiridos em sala de aula para fora do espaço acadêmico. 

A prova é feita não para analisar o desempenho de um aluno individualmente, mas sim de classificar a instituição e suas estratégias de ensino perante as expectativas sociais, culturais e econômicas.

O projeto foi criado em 2004, com a Portaria 1.606 do MEC. Na época, foram avaliados os alunos dos cursos de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional e Zootecnia. 

A proposta era que o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior), também instituído em 2004, tivesse avaliações trienais de cada área do conhecimento, reavaliando os alunos ao final do curso.

As provas são realizadas anualmente, sendo que as áreas de conhecimento avaliadas são indicadas pelo Inep a cada realização. Os alunos ingressantes e concluintes de cada curso são aptos a realizar a prova por razões censitárias, mas, no caso dos formandos, a participação é exigida. 

Como a realização da prova é obrigatória, os alunos que não participarem:

  • Não poderão solicitar histórico escolar ou certificado de conclusão de curso;
  • Não poderão colar grau até que a situação se regularize. 

Por isso, é importante ficar de olho nos critérios de cada ano.

Quem deve fazer o Enade 2022? 

O Enade 2022 será realizado em 27 de novembro de 2022 e contemplará as seguintes áreas de bacharelado (em ordem alfabética):

  • Administração; 
  • Administração pública;
  • Ciências contábeis;
  • Ciências econômicas;
  • Comunicação social (jornalismo);
  • Comunicação social (publicidade e propaganda);
  • Direito;
  • Psicologia;
  • Relações Internacionais; 
  • Secretariado executivo;
  • Serviço social;
  • Teologia;
  • Turismo.

Já nos cursos tecnólogos, os concluintes avaliados são das áreas de:

  • Comércio exterior;
  • Design de interiores;
  • Design gráfico;
  • Design de moda;
  • Gastronomia;
  • Gestão comercial;
  • Gestão da qualidade;
  • Gestão pública;
  • Gestão de recursos humanos;
  • Gestão financeira;
  • Logística;
  • Marketing;
  • Processos gerenciais.

O edital da prova, que compõe o 6º ciclo de avaliação do Sinaes, determina também os alunos que devem realizar o processo:

I – ingressantes: aqueles que tenham iniciado o respectivo curso no ano de 2022, estejam devidamente matriculados e tenham de 0 a 25% da carga horária mínima do currículo do curso integralizada até o último dia do período de retificação de inscrições do Enade 2022; e

II – concluintes de cursos de bacharelado:

  1. a) aqueles que tenham integralizado 80% ou mais da carga horária mínima do currículo do curso definido pelas IES e não tenham colado grau até o último dia do período de retificação de inscrições do Enade 2022; ou
  2. b) aqueles com previsão de integralização de 100% da carga horária do curso até julho de 2023; e

III – concluintes de cursos superiores de tecnologia:

  1. a) aqueles que tenham integralizado 75% ou mais da carga horária mínima do currículo do curso definido pela IES e não tenham colado grau até o último dia do período de retificação de inscrições do Enade 2022; ou
  2. b) aqueles com previsão de integralização de 100% da carga horária do curso até dezembro de 2022.

As inscrições dos estudantes ingressantes e concluintes devem ser feitas pela própria IES, informando ao aluno sobre os calendários e as orientações para a realização da prova.

Como é o Enade para cursos EAD?

No caso da modalidade EaD, esse processo é ainda mais fundamental por parte da IES. Além de cadastrar todos os ingressantes e concluintes, o setor administrativo deve atentar para a questão referente ao polo EaD.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior, realizado pelo Instituto Semesp, a tendência da EaD vem acompanhada de cada vez mais localidades atendidas por esses polos. Entre 2020 e 2021, o crescimento foi de 14%, levando a um total de mais de 30 mil polos de apoio educacional no Brasil.

Uma das razões para a popularização do ensino a distância é a acessibilidade na educação superior: como os alunos não têm a necessidade de se deslocar para grandes centros urbanos, isso permite que pessoas com empregos de tempo integral, pessoas com deficiência, alunos de baixa renda e moradores de zona rural tenham acesso aos recursos educacionais da IES.

Nesse sentido, o polo EaD é um recurso imprescindível para garantir acessibilidade plena. Por mais que uma das vantagens da EaD seja a possibilidade de aprender através das redes, alguns momentos e atividades ainda precisam ser realizados presencialmente.

A mesma lógica se aplica às provas, como o Enade. Como a realização é obrigatória para a colação de grau, é da responsabilidade da IES adicionar à inscrição do aluno as informações relevantes para que ele realize a prova no local mais próximo.

Com as novas possibilidades de ensino a distância, é importante que as IESs se destaquem para potenciais alunos. Um alto conceito no Enade é uma peça-chave para esse reconhecimento.

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Como funciona a prova do Enade?

A realização do Enade tem quatro partes

  1. A prova em si;
  2. O questionário do estudante;
  3. O questionário de percepção de prova;
  4. E o questionário do coordenador de curso. 

Cada uma dessas partes tem seu papel no desenvolvimento dos dados sobre a educação superior.

1. Prova

A prova é a única parte que será levada em conta para o conceito Enade. São:

  • 10 questões de conhecimentos gerais, comuns a todos os cursos avaliados no ciclo;
  • 27 questões de conhecimentos específicos de múltipla escolha;
  • 3 questões discursivas

Nas questões relacionadas ao curso, a prova visa a determinar se os alunos estão atingindo as Diretrizes Curriculares Nacionais do ensino superior e medir a variação entre os ciclos, entre as IESs e outros critérios censitários.

2. Questionários

Os estudantes devem preencher, no site do Inep, um questionário sobre seu perfil demográfico antes da realização da prova. Paralelamente, o questionário do coordenador de curso deve ser feito pelo docente responsável, avaliando, além dos dados demográficos, os processos pedagógicos adotados na IES.

Após a realização da prova, os alunos preenchem também um questionário sobre sua percepção da atividade e sobre o preparo que o curso superior ofereceu durante a graduação. Todos esses dados são importantes para determinar a efetividade dos processos em relação à retenção de conteúdo, o engajamento dos alunos e a adequação às diretrizes educacionais.

A importância das avaliações educacionais

Assim como as avaliações internas realizadas pelas próprias IESs, a participação no Enade e na avaliação do MEC tem grandes benefícios para a renovação e a manutenção das atividades realizadas pela comunidade acadêmica.

Isso é: o conceito Enade é uma classificação que permite aos docentes e gestores analisar os processos pedagógicos e, caso necessário, repensá-los ou ampliá-los para maximizar o aprendizado dos alunos.

No caso dos cursos EaD, a elaboração de um Projeto Pedagógico deve levar em conta as particularidades da modalidade. Na construção da matriz curricular, por exemplo, é importante considerar não apenas as atividades síncronas, mas as assíncronas complementares, extensão, estágios e outros fatores essenciais para o desenvolvimento do aluno.

Como o perfil do aluno EAD tem algumas diferenças em relação ao aluno presencial, é importante levar em consideração os resultados obtidos por esses alunos e analisar quais pontos ainda devem ser melhorados.

Captação de alunos

Para fazer com que a comunidade acadêmica cresça e se mantenha engajada com a formação, é importante atrair os alunos corretos para sua IES. Além de oferecer uma matriz curricular diferenciada e oportunidades únicas, um conceito Enade alto chama a atenção de futuros alunos.

Uma nota de destaque significa uma instituição renomada, bem colocada naquela área. Para o aluno, isso traz mais segurança em seu futuro profissional e/ou acadêmico, já que o espaço é reconhecido por seus egressos qualificados.

Por isso, ao organizar um novo curso EaD, é importante levar em consideração a melhor forma de construí-lo. Dessa forma, será o destaque da sua instituição de ensino.

Como preparar o aluno EaD para o Enade?

A preparação para o Enade não é algo que pode ser feito somente às vésperas da prova. É algo que deve ser desenvolvido durante toda a graduação.

Isso é: os alunos, de forma geral, devem ganhar espaço para sintetizar e utilizar o conteúdo adquirido em sala de aula de diferentes formas, usando teoria e prática em atividades variadas que exercitem sua autonomia e habilidade de gerar novas ideias.

Essas metodologias de ensino — conhecidas como metodologias ativas — são na verdade uma categoria de filosofias pedagógicas que visa a colocar o aluno como um agente central em sua própria aprendizagem. No ensino superior, essa autonomia é fundamental para que se tenha a compreensão e daquilo que é visto em sala de aula..

É justamente essa capacidade de adaptar o conhecimento e utilizá-lo em diferentes contextos que o Enade está avaliando. A proposta do exame é verificar se os alunos encontram, naquele curso de graduação, a bagagem cultural e científica que os permite desenvolver novas ideias e encontrar soluções para um mundo contemporâneo.

E como desenvolver essas habilidades no contexto a distância?

1. Invista nas relações educacionais

Para que a comunidade acadêmica se mantenha engajada, as relações entre alunos, gestores e docentes devem ser voltadas para o desenvolvimento mútuo. Isso é, deve haver comunicação nítida e consistente durante o curso, com espaço para que o aluno se sinta acolhido, consiga resolver dúvidas e desenvolver habilidades.

Na EaD, é preciso reforçar esses vínculos para que, mesmo em atividades assíncronas, o aluno se sinta parte daquele espaço de aprendizado.

2. Insira metodologias contemporâneas

Os alunos estão enfrentando dificuldades com determinadas disciplinas? As aulas expositivas estão ficando repetitivas?

Esses cenários podem trazer desânimo e prejudicar o rendimento. Uma proposta interessante é realizar a avaliação diagnóstica, para detectar os problemas que devem ser resolvidos antes que eles cresçam.

A partir dessa análise, as equipes pedagógicas podem encontrar diferentes abordagens que tornem o conteúdo mais próximo dos alunos, além de incentivar que eles mesmos realizem projetos para imersão na temática.

3. Faça uso de simulados

Ainda que o preparo deva ser feito desde o início do curso, na etapa final, o simulado Enade é muito importante. Ele auxilia o aluno a entender o formato da prova e diminuir o nervosismo, o que ajuda a melhorar o desempenho.

Existem simulados online e bancos de dados com questões do Enade para resolução. Comparar os resultados a cada simulado é uma ótima forma de analisar o progresso dos alunos — e de detectar o que ainda precisa ser revisto.

4. Aproveite os recursos digitais

Com as plataformas de aprendizagem, os alunos EaD estão mais próximos do que nunca da IES. Por isso, os educadores podem — e devem — aproveitar a oportunidade para oferecer uma ampla gama de atividades educacionais, que ajudem a entender o conteúdo.

Ao invés de apenas aulas expositivas, que tal debates? Projetos de pesquisa? Estudos de caso? Bibliografias multimídia digitais? Essas são algumas das atividades que contextualizam o conhecimento, o que é benéfico para o aprendizado e para o desempenho no Enade.

O crescimento da modalidade EAD traz desafios para os gestores, mas é uma oportunidade de inovar e descobrir mais possibilidades no ensino. Aproveite e confira também nosso artigo sobre conteúdos digitais!

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