Ensino por competências na educação profissional: fotografia de estudantes sentados à mesa e prestando atenção a uma aula.

Saiba como desenvolver o ensino por competências na educação profissional

Foi-se o tempo, se é que ele realmente existiu, em que apenas o conhecimento sobre conteúdos faziam de alguém um bom profissional.

Atualmente, além de conhecimentos técnicos e teóricos, para se destacar no mercado de trabalho os estudantes e recém-formados precisam de competências sociais, emocionais, culturais, comunicacionais, atitudinais, entre outras.

O ensino por competências já está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação básica brasileira. Entretanto, não há uma proposta universal para o ensino superior. 

Dessa forma, cabe às Instituições de Ensino Superior (IES) se atentarem às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de cada curso e entender como é possível aplicar a educação por competências na educação profissional em cada caso.

Afinal, para se manterem atualizadas e oferecendo uma aprendizagem de qualidade para seus alunos, as IES precisam incluir o ensino por competências na educação profissional de seus currículos. 

O que é o ensino por competências?

A aprendizagem por competências é uma metodologia que se opõe à educação tradicional de ensino por disciplinas. 

Ela conecta diferentes áreas do saber e, ao invés de focar na teoria, tem como objetivo a combinação de conhecimentos, recursos, atitudes, valores, estímulos e habilidades.

Nesse sistema, os alunos possuem aulas em módulos integrados para desenvolverem as novas capacidades, como habilidades práticas, técnicas, cognitivas e socioemocionais.

Assim, os estudantes podem praticar e desenvolver capacidades e comportamentos como:

  • proatividade;
  • comunicação;
  • curiosidade;
  • resolução de conflitos;
  • capacidade de liderança;
  • autonomia;
  • pensamento crítico;
  • habilidades tecnológicas e científicas;
  • cooperação;
  • interação;
  • disciplina, entre outras.

Essa nova aprendizagem é muitas vezes aliada às metodologias ativas, que transformam o modelo tradicional expositivo de educação. Nesse cenário, os alunos passam a ter um local de maior protagonismo e participam de todas as etapas do processo de aprendizado. 

Para enxergar melhor essa transformação, vamos a uma comparação: na educação tradicional, um aluno de Publicidade aprende sobre fundamentos de Design, Pesquisa de Mercado, Redação Publicitária, Marketing, entre outras disciplinas.

Mas, com o ensino por competências na educação profissional, ao invés de desenvolver esses conteúdos em disciplinas isoladas e desagregadas, o estudante pode cursar um módulo em que aprende enquanto simula a atuação em uma agência. 

Essa comparação pode ser feita tendo diferentes cursos como exemplo. Isso porque a metodologia é útil para as mais diversas áreas.

Apesar de estar em voga nos últimos anos, o conceito de educação por competências não é tão recente. Isso porque ele foi pensado em 1948, por Robert White, um psicólogo e professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Porém, foi apenas a partir de 1990 que a aplicação do ensino por competência foi elaborada enquanto metodologia de ensino, principalmente nos Estados Unidos e alguns países da Europa.

No Brasil, as práticas de competência na educação surgiram em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). E desde 2013 o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também utiliza critérios de avaliação que consideram essas competências para resolução da prova.

Ensino por competências na educação profissional

Muito se fala da implantação desse tipo de educação no nível básico da educação. Mas você deve estar se perguntando: qual o papel do ensino por competências na educação profissional? Como ele pode ser aplicado na minha IES?

Já há alguns anos, o mercado de trabalho precisa de pessoas não apenas bem-qualificadas na teoria e nos conteúdos, mas que também sejam responsáveis, tenham capacidade de tomar decisões, liderar e conduzir suas relações. E o ensino por competências na educação profissional é capaz justamente de desenvolver essas capacidades.

Ao não incluir esse tipo de competência no currículo dos cursos de sua IES, você acaba prejudicando os estudantes. Afinal, sem desenvolver as competências necessárias, eles poderão ter menos facilidade em sua inserção e manutenção no mercado de trabalho.

Qual a importância do ensino por competências no ensino superior?

Uma das funções da Instituição de Ensino Superior é preparar seus estudantes para o futuro, especialmente para seu percurso profissional. E um dos principais objetivos de um jovem que ingressa na educação superior é concluir o curso estando capacitado para atuar no mercado de trabalho.

Em um cenário cada vez mais competitivo, a formação em um ensino por competências simboliza uma melhor capacitação, trabalhabilidade e empregabilidade dos egressos. 

Além disso, durante o curso, essa metodologia também é capaz de gerar maior interesse e engajamento dos alunos na sala de aula. 

Logo, adotar esse tipo de metodologia na IES faz com que a instituição assuma uma posição contemporânea e competitiva, oferecendo uma formação mais completa e atual para seus estudantes.

Como preparar os docentes para o ensino por competências?

Um dos principais desafios ao adotar o ensino por competências na educação profissional é a adequação do corpo docente a essa nova proposta. Isso porque a implementação dessa metodologia exige da IES e de seus docentes uma mudança a nível organizacional e cultural. 

Muitas vezes, os professores precisam transformar suas práticas pedagógicas, o que pode gerar resistência, especialmente se eles não estiverem preparados para enfrentar esse desafio.

O artigo “O modelo curricular por competência e os desafios à prática docente”, publicado no periódico Trabalho & Educação, explica bem essa dificuldade. 

O estudo concluiu que um dos grandes desafios enfrentados pelos docentes é “o de sair de uma prática pedagógica tradicional, em que o professor tinha nas mãos todo o controle do processo ensino-aprendizagem para uma prática pedagógica crítica que impulsiona a participação ativa dos alunos em todas as etapas do processo, cujo eixo central agora está na aprendizagem”.

Neste sentido, é necessário que os docentes sejam capacitados para transformar seu papel dentro da sala de aula, pois eles passam a trabalhar em rede e atuar como facilitadores da aprendizagem, e não controlando esse processo. 

Com essa nova dinâmica, os professores também passam a treinar suas habilidades com os alunos, exercitando suas competências socioemocionais, técnicas e cognitivas, por exemplo.

Para que o aluno assuma o protagonismo e que os projetos de educação por competências sejam colocados em prática, a IES também passa por transformações curriculares. Lembrando que cada mudança deve seguir as determinações das DCNs de cada curso.

Agora que você já sabe mais sobre o ensino por competências na educação profissional, que tal descobrir como a tecnologia pode auxiliar nessa transformação? Confira agora nosso artigo sobre tecnologia na educação!

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