Conheça os diferentes estilos de aprendizagem

Conhecer os estilos de aprendizagem é um passo fundamenta para melhorar a qualidade do ensino na IES. Confira este artigo para se aprofundar no assunto!
Estilos de aprendizagem: fotografia de uma sala de aula. Vários estudantes estão com o braço levantado.

Você certamente já percebeu que as pessoas têm maneiras diferentes de processar informações e construir conhecimentos. Esse modo pessoal de aprender pode ser identificado nos diferentes estilos de aprendizagem.

As habilidades para fixar uma informação variam de aluno para aluno, mesmo quando falamos em ensino superior. 

Enquanto algumas pessoas adquirem novos conhecimentos com mais facilidade a partir da leitura e da escrita, outras são muito mais visuais. São mais captadas por vídeos, imagens, símbolos, mapas etc.

Há diferentes formas de aprender novos assuntos. Por isso, viemos falar sobre o que são os estilos de aprendizagem e como podem ser empregados na sua instituição de educação superior (IES). 

Continue a leitura!

Conheça as teorias dos estilos de aprendizagem

Diversos estudos indicam que o processo de aprendizagem é individual e único para cada pessoa. Ou seja, cada um de nós tem um jeito próprio de aprender.

Diante disso, alguns autores criaram teorias que ajudam as instituições a tornar as metodologias de ensino mais eficientes para o aprendizado.

Tratam-se das teorias sobre as formas e classificações dos estilos de aprendizagem. Entre elas, estão o método VARK, o método de Kolb e o método de Honey-Alonso.

Prepara-se para entender melhor sobre cada um deles a seguir. Acompanhe!

Método VARK

Desenvolvido pelo professor neozelandês Neil Fleming (1992), o método Vark sugere que a aprendizagem acontece a partir de cinco habilidades: visual; auditiva; leitura e escrita; cinestésica; e multimodal (neste caso, por meio de duas ou mais das habilidades descritas).

Conheça algumas características atribuídas a esses estilos de aprendizagem!

Visual

Aqui o processo de aprendizagem está ligado à oferta de demonstrações visuais, tais como vídeos, fotografias, slides, figuras, diagramas, gráficos, pinturas, mapas, símbolos etc. As possibilidades imagéticas são vastas.

Estamos falando de alunos que gostam de aprender a partir de videoaulas, por exemplo.

O estudante absorve conteúdos por meio de estímulos visuais e tende também a se comunicar melhor graficamente, a partir de desenhos e construções imagéticas que sustentam seus argumentos.

Auditiva

Já aqui entram os estudantes que têm a tendência de aprender ouvindo as informações.

Diante disso, é uma boa ideia envolvê-los em discussões, assim como explicar conceitos para esses alunos em sala de aula e estimulá-los a: fazer leitura em voz alta, ouvir podcasts, escutar gravações de outras aulas etc.

Palestras e seminários também podem ser de grande ajuda em seu processo de construção do conhecimento.

Alunos com esse estilo de aprendizagem também costumam fazer perguntas com frequência, além de se expressar mais na aula e repetir o conteúdo publicamente para memorizá-lo.

Leitura e escrita

Neste caso, a aprendizagem é favorecida pela oferta de livros, apostilas, dicionários, pesquisas, artigos, manuais, relatórios e outros materiais do gênero.

Esse perfil de aluno costuma fazer anotações e criar planos para lembrar os conteúdos. Eles anotam as informações em sala de aula e fazem resumos dos conteúdos repassados pelos docentes.

A facilidade de se expressar por meio da linguagem escrita também é notável nesse caso.

Cinestésica

O perfil cinestésico está ligado à cultura maker, de aprender fazendo. Isso mesmo, colocar a mão na massa.

Enquadram-se aqui pessoas que adquirem conhecimentos por meio de todos os sentidos (audição, visão, tato, olfato e paladar).

Seja por meio de experiências em laboratórios, demonstrações ou atividades esportivas, tais pessoas precisam vivenciar o aprendizado na prática.

Elas devem ser estimuladas a formular hipóteses e chegar a conclusões a respeito de tarefas.

Simulações em sala de aula e dinâmicas podem ser bastante úteis para esse perfil de aluno.

Multimodal

Os sujeitos multimodais são aqueles que conseguem desenvolver uma determinada habilidade por meio do estilo de aprendizagem mais oferecido no ambiente acadêmico.

Leia também: guia completo para aplicação de metodologias ativas no ensino superior

Método de Kolb

Desenvolvido por David Kolb (1976), este conceito propõe que os adultos possuem diferentes estilos de aprendizagem, que são influenciados pela maneira com que as pessoas percebem e processam a realidade.

Desse modo, sugere um ciclo de aprendizagem experiencial, que é baseado nas atitudes e sentimentos do indivíduo no momento em que está aprendendo. 

O ciclo apresenta quatro habilidades de aprendizagem: experiência concreta, observação reflexiva, conceitualização abstrata e experimentação ativa.

Partindo dessas habilidades, Kolb definiu quatro estilos de aprendizagem: acomodador, convergente, assimilador e divergente.

Saiba mais sobre eles a seguir!

Acomodador

São pessoas que preferem aprender a partir de desafios e novas experiências, em vez de teorias ou manuais.

As habilidades dominantes nestes indivíduos são a experimentação ativa e a experiência concreta.

No aspecto comportamental, eles gostam de assumir riscos e pôr a “mão na massa”.

Sendo assim, destacam-se em aulas de campo e projetos práticos, assim como em atividades gamificadas.

Convergente

Os estudantes com este estilo de aprendizagem têm como habilidades dominantes a experiência concreta e a observação reflexiva.

Eles têm maior facilidade na aplicação prática das ideias e gostam de resolver problemas e tomar decisões.

Aulas de simulações e projetos em laboratório estão entre os preferidos desses estudantes.

Geralmente assumem tarefas técnicas. Podem ser encontrados, por exemplo, no setor de engenharia das empresas.

Assimilador

É o perfil de pessoa que aprecia trabalhar mais com teorias do que com a parte prática.

Elas preferem reunir fatos e organizá-los de maneira lógica. Suas habilidades dominantes são a observação reflexiva e a conceituação abstrata.

Ou seja, gostam de ideias abstratas, números e associações de pensamentos.

Palestras e aulas de leitura atraem essas pessoas.

Muitos profissionais que acabam assumindo carreiras no campo científico ou na área de pesquisa e planejamento estratégico das empresas se enquadram neste estilo de aprendizagem.

Divergente

Esta categoria é composta por pessoas com forte viés criativo, que apresentam bom desempenho em situações que exigem a formulação de ideias.

As habilidades dominantes de tais indivíduos são a conceituação abstrata e a experimentação ativa. 

Destacam-se em modelos de construção e estudos de caso. São as pessoas certas para um brainstorming produtivo.

Costumam ser empáticas e preferem trabalhar em grupo. Deste modo, podem seguir carreiras artísticas e funções que envolvem criatividade dentro das companhias.

Método de Honey-Alonso

Elaborado pelo psicólogo Peter Honey e pela doutora em educação Catalina M. Alonso, o método de Honey-Alonso propõe um ciclo de aprendizagem que resulta da interação entre o ambiente, a experiência prévia vivenciada pelo adulto e os conhecimentos que são construídos individualmente.

A partir disso, os autores sugerem quatro estilos de aprendizagem: ativo, reflexivo, teórico e pragmático.

Entenda, a seguir, as características de cada um!

Ativo

O estudante com estilo ativo valoriza desafios que propiciam novas experiências. Prezam por tarefas novas e que demandam agilidade.

Possuem mente aberta e, logo que terminam uma atividade, já estão em busca de outra.

São espontâneos e se arriscam, além de serem criativos e bons de improviso.

Tratam-se de pessoas que se envolvem com os assuntos dos demais e concentram todas as atividades ao seu redor.

Reflexivo

Este perfil é típico de indivíduos que estudam, refletem e analisam. Gostam de considerar uma experiência a partir de diferentes perspectivas. 

Analisam dados detalhadamente até que cheguem a uma conclusão. Ou seja, preferem considerar todas as possibilidades antes de realizar algo.

Deste modo, tendem a ser ponderados, conscientes e analíticos.

Teórico

Aqui falamos de pessoas lógicas, que avaliam problemas de forma racional. Gostam de pensar intensamente sobre teorias, princípios e modelos.

Analisam e sintetizam as informações, tendendo ao perfeccionismo. Distanciam-se, assim, do que pode ser subjetivo ou ambíguo.

Pragmático

Indivíduos que levam as ideias para a prática. Ou seja, fazem experimentos.

Aproveitam a primeira oportunidade para experimentar as novas ideias. Tendem a ser impacientes com pessoas que teorizam.

São práticos, diretos, eficazes e realistas, pautados por filosofias como “sempre se pode fazer melhor”.

Conheça as vantagens de identificar os estilos de aprendizagem dos alunos

Conseguir mapear as formas com que os estudantes aprendem com mais facilidade traz benefícios tanto para os alunos quanto para a instituição de ensino, como:

  • Auxílio na conquista de maior sucesso nos estudos;
  • Obtenção de maior concentração dos estudantes, ampliando as possibilidades de construção do conhecimento;
  • Possibilidade de tornar as aulas mais atrativas e produtivas, contribuindo, inclusive, para a retenção de alunos.

Claro que, para tornar essa tarefa viável, é preciso que o corpo docente da IES tenha conhecimento sobre métodos e recursos alternativos, para que ensinem o mesmo conteúdo de diferentes maneiras.

Ou seja, precisam propor atividades que estimulem os diferentes estilos de aprendizagem.

A seguir, contamos um pouco mais sobre como trabalhar esses estilos em sua instituição de ensino.

Veja como trabalhar os diferentes estilos de aprendizagem no ensino superior

Precisar lidar com diferentes estilos de aprendizagem em sala de aula é bastante desafiador para os educadores, como você já deve ter percebido.

Segundo uma análise da professora Daniela Melaré Vieira Barros, considerando o ensino centrado no aluno, a abordagem focada nos diferentes estilos de aprendizagem é estruturada a partir das individualidades e das opções pedagógicas que visam atender às necessidades dos estudantes em paralelo com as necessidades do conteúdo a ser ensinado.

Neste caso, ela indica que o estilo de ensinar também é uma implicação importante. Isso porque cada educador tem seu próprio estilo de aprendizagem e, de modo geral, costuma ensinar como gostaria de aprender.

Tal dificuldade exige que os professores tenham a capacidade de considerar outras opções de estratégias e métodos de ensino.

Um primeiro passo importante, neste caso, é conhecer o perfil dos estudantes, identificando as principais características e comportamentos do grupo.

Para tanto, pode-se aplicar um questionário que ajude a identificar os diversos perfis presentes na classe.

A partir disso, ficará mais fácil planejar as aulas e realizar a delegação de tarefas e trabalhos em grupo, melhorando a aprendizagem dos alunos.

Segundo a professora, esse questionário deve abranger quatro aspectos importantes:

  • O educador precisa compreender quais as dimensões da forma de aprender dos alunos, considerando sua idade, maturidade e tema a ser estudado;
  • É preciso escolher um instrumento e métodos didáticos apropriados para as características dos alunos;
  • Também deve-se verificar como organizar a diversidade de estilos com os métodos e estratégias de aprendizagem;
  • É necessário avaliar as possibilidades de desenvolver um trabalho deste nível considerando as características do espaço da sala de aula.

Apoio da tecnologia

Os docentes da sua instituição de ensino também podem buscar variar os modelos empregados em sala de aula, indo de atividades mais teóricas a experiências práticas, debates, experimentos em laboratórios, entre outros.

A tecnologia oferece muitos recursos multimídia que são úteis para tal diversificação de formatos. 

Já falamos sobre o uso da gamificação, por exemplo, que permite a sincronia de estímulos diversos, como imagens, textos e situações práticas, para ajudar os alunos a assimilarem de forma mais lúdica conteúdos complexos.

Trata-se de uma abordagem que utiliza elementos dos jogos para tornar o processo de aprendizado mais leve e efetivo.

Para isso, pode-se, por exemplo, propor desafios e missões propostos aos estudantes durante uma aula que, a princípio, seria lecionada de uma forma mais tradicional.

Ao longo deste artigo, você viu que os estilos de aprendizagem correspondem às diferentes maneiras que as pessoas têm de processar informações e construir conhecimentos.

Falamos sobre as principais teorias dos estilos de aprendizagem, criadas para ajudar as instituições de ensino a tornar as suas metodologias mais eficientes para o processo de aprendizado.

Abordamos o método VARK, que propõe que a aprendizagem acontece a partir de cinco habilidades: visual; auditiva; leitura e escrita; cinestésica; e multimodal.

Depois nos debruçamos sobre o método de Kolb, que define quatro diferentes estilos de aprendizagem: acomodador, convergente, assimilador e divergente.

Por fim, chegamos ao método de Honey-Alonso, que também sugere quatro posturas diferentes observadas nos indivíduos durante a construção do conhecimento: ativa, reflexiva, teórica e pragmática.

Mostramos ainda as vantagens de identificar os estilos de aprendizagem nos alunos da sua IES e as possibilidades de trabalhá-los na instituição.

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil para você! 

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Ah, e para te ajudar a trabalhar os diferentes estilos de aprendizagem em sua IES, aproveite para conferir também o conteúdo que produzimos sobre ensino interativo

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