Entenda a importância da formação continuada de professores

Quer saber como promover e incentivar a formação continuada de professores em sua IES? Não deixe de conferir este artigo!
Formação continuada de professores: fotografia de uma senhora olhando para a tela de um notebook e segurando uma folha com informações.

A formação continuada de professores é fundamental para ajudar os docentes a evoluírem as suas práticas pedagógicas e fornecerem o apoio necessário aos estudantes na construção do conhecimento.

Essa questão vem sendo, inclusive, considerada como chave nas políticas públicas para a educação.

Trata-se de um processo que deve ser permanente e constante, realizado após a formação inicial dos educadores, de modo a garantir um ensino de qualidade aos alunos.

Mais do que fatos e atualidades, a formação continuada de professores deve abranger práticas pedagógicas e novas tecnologias e tendências educacionais.

É importante lembrar que, apesar do amplo acesso à informação que os estudantes têm por meio da internet e dos livros, as instituições de ensino continuam sendo a sua principal fonte de aprendizado e desenvolvimento profissional.

Em vigor no país desde 1996, o conceito de formação continuada foi implementado a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei nº 9.394).

Sendo assim, os docentes – sejam os que lecionam na educação básica ou os que atuam no ensino superior – têm direito a realizar cursos complementares de atualização.

Neste artigo, você irá entender os impactos da educação continuada de professores no processo de ensino-aprendizagem e como a sua instituição de educação superior (IES) pode atuar nesse sentido.

Continue a leitura!

Qual é a importância da formação continuada de professores?

Primeiramente, é preciso entender que a formação continuada nada mais é do que a capacitação contínua, por meio de cursos complementares, visando ao aperfeiçoamento das diretrizes que norteiam uma profissão, como a do professor.

Com a evolução da tecnologia, surgiu um novo perfil de aluno, cujo aprendizado exige que se vá além da lousa e do giz.

O educador deve ter os instrumentos e a desenvoltura necessários para promover um ensino interativo. Ou seja, que prioriza o aluno como parte chave do processo de aprendizado, instigando a sua autonomia.

Para tanto, os docentes devem adquirir constantemente novos conhecimentos e ficarem a par das práticas e tendências pedagógicas que vão surgindo.

Essa é uma forma de eles aprenderem a lidar com as novidades que aparecem todos os dias em termos de tecnologia, aliando-as aos recursos que já utilizam em classe.

Além disso, a formação continuada de professores ajuda os docentes a identificarem as principais dificuldades dos estudantes no processo de aprendizagem. A partir disso, eles têm a possibilidade de criar mecanismos mais precisos e atestados para contornar a situação.

Como você viu, os professores têm contato com teorias e práticas que podem ser de grande apoio ao seu dia a dia em sala de aula, quando buscam se atualizar a partir de cursos complementares.

Deste modo, podem desenvolver novos ambientes de aprendizagem, aplicando as inovações e aprimorando as práticas pedagógicas empregadas.

Uso de novas tecnologias

Focando mais especificamente nas novas tecnologias, são claras as mudanças sociais pelas quais passamos nos últimos anos, que tiveram impacto considerável sobre a educação.

O avanço da tecnologia transformou as vidas das pessoas nas décadas mais recentes, mas a sua aceleração aconteceu sobretudo nos últimos anos.

É comum que nas salas de aulas haja um impacto entre gerações. De um lado, professores que cresceram em um contexto diferente, em que a tecnologia não tinha muito impacto na sala de aula. Do outro, estudantes que, em grande parte, são nativos digitais. Ou seja, eles não conheceram um mundo sem internet.

A melhor alternativa diante deste cenário, claro, é usar a tecnologia como aliada no processo de ensino-aprendizagem, adotando os instrumentos da melhor maneira possível.

Os estudantes têm muito a ganhar quando são utilizadas em sala de aula tecnologias como:

  • Aplicativos: podem ser usados para oferecer conteúdos complementares;
  • Recursos de realidade virtual e aumentada: aqui a ideia é ir além dos limites da sala de aula;
  • Gamificação: uso da lógica dos jogos no processo de aprendizagem.

E muitas outras! Mas, para isso, é preciso focar na capacitação dos professores, que podem não estar familiarizados com essas novidades.

É imprescindível que os docentes entendam como as novas tecnologias podem ser integradas à educação. A qualificação adequada desses profissionais para que atuem com elas pode transformar de maneira muito positiva as metodologias educacionais mais usadas até então.

Já dizia Paulo Freire: “Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática”.

Formação permanente

Já que falamos em Paulo Freire, vale abordarmos rapidamente o conceito de formação permanente empregado pelo educador. 

Em sua perspectiva, essa formação é pautada no processo de ação-reflexão-ação. Isso é, o sujeito é capaz de desenvolver uma postura crítica diante da realidade do seu tempo, levando em consideração que ele é um ser histórico-social que está em constante construção do conhecimento.

Trata-se de uma forma de buscar constantemente uma ação transformadora da realidade. Isso quer dizer que o professor está em um processo de formação o tempo todo, tendo a possibilidade de construir novos conhecimentos, refletir sobre as práticas que emprega, compartilhar experiências com os seus pares etc.

Como a IES pode atuar?

Você já entendeu até aqui que a formação continuada de professores no ensino superior possibilita a ampliação e até mesmo remodelagem, se for o caso, das estratégias de ensino, de modo a torná-las mais inovadoras e adequadas para a construção do conhecimento.

Medidas que podem ser adotadas pela sua instituição de ensino nesse sentido é a definição de um plano de carreira claro e que seja atrativo aos docentes, com gatilhos de alteração salarial atrelados à formação continuada dos professores.

Essa é uma maneira de despertar mais empenho dos educadores para que se atualizem.

Em artigo publicado na Revista Brasileira de Educação, a pesquisadora Bernardete Angelina Gatti diz que a educação a distância é citada na LDB como possibilidade de formação que precisa ser garantida pelo poder público e passou a ser considerada pelas políticas educacionais dos últimos anos para a educação continuada em níveis federal, estadual e municipal.

Isso porque o ensino remoto é uma maneira rápida de promover a formação. Além disso, é compatível com diferentes jornadas de trabalho dos profissionais, que podem flexibilizar o tempo formativo, já que as aulas não possuem horários fixos.

Sendo assim, as IES podem fazer parcerias com plataformas online que ofereçam cursos voltados especificamente à formação continuada de professores.

Os temas tratados têm possibilidades diversas, incluindo:

  • Habilidades importantes em sala de aula, como dicção e oratória;
  • Incorporação de novas tecnologias e tendências educacionais;
  • Desenvolvimento de autoconhecimento e autoliderança;
  • Apoio aos estudantes no desenvolvimento de habilidades socioemocionais;
  • Métodos para avaliar o desempenho dos estudantes.

O que diz a LDB sobre a formação continuada de professores?

A formação continuada de professores foi citada pela primeira vez durante a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1996. 

Em seu artigo 52, a legislação expõe que as universidades são “[…] instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano […]”. Assim, a lei as caracteriza por:

I – produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional;

II – um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado;

III – um terço do corpo docente em regime de tempo integral.

No Artigo 63, a legislação fala sobre a manutenção de “[…] programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis […]”.

Já em seu Artigo 67, indica a “[…] promoção da valorização dos profissionais da educação […]”, mencionando o “[…] aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim […]”.

No Artigo 80, abre caminho para que o ensino a distância seja também um meio para a formação continuada.

Quais os benefícios práticos de investir na qualificação de professores?

Além de todos os pontos que já abordamos, investir na formação continuada de professores traz uma série de outras vantagens. 

A partir de cursos complementares de atualização, os docentes conseguem:

  • Desenvolver formatos de aulas mais dinâmicos e interativos, adotando novas tecnologias;
  • Gerar maior engajamento dos estudantes em atividades educativas;
  • Detectar com maior facilidade as dificuldades de aprendizado e construir estratégias para resolvê-las;
  • Encontrar mais motivação em seu trabalho.

Desta forma, modelos de ensino mais engessados e que não conversam com a forma como os estudantes interagem com o mundo e se comunicam atualmente poderão ser revistos.

Afinal, nos dias de hoje, os alunos estão em torno de condições muito diferentes daquelas das gerações passadas. Portanto, os educadores também precisam estar.

Isso significa que, mais do que permitir a evolução constante dos profissionais em sua instituição de ensino, a formação continuada assegura um ensino mais qualitativo para os estudantes.

A motivação dos professores, de que falamos acima, é outro ponto importante a ser considerado.

Ao se reunir com seus colegas para debater temas de interesse e entrar em contato com novas metodologias e práticas que ajudarão em sala de aula, eles têm a oportunidade de lançar um novo olhar sobre as dificuldades do dia a dia, motivando-se a contorná-las.

Além disso, quando a formação é realizada com o suporte da IES, o docente tem a chance de se sentir valorizado profissionalmente. Percebe que a instituição em que atua se preocupa com o desenvolvimento da equipe.

Quais são as estratégias interessantes de formação continuada para professores?

Na primeira etapa da pesquisa “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do coronavírus no Brasil”, do Instituto Península, 60% dos docentes disseram que estavam usando seu tempo livre para estudar e se aprimorar.

Da parte das IES, vale apostar em capacitações online que ajudem os educadores a trocarem experiências entre si e a entenderem as mídias que eles têm disponíveis para utilizar em sala de aula atualmente, independentemente de o modelo empregado ser presencial ou a distância.

Veja, a seguir, algumas estratégias que podem ser adotadas pela sua instituição de ensino!

1. Trocas de experiências entre docentes

Uma possibilidade interessante de fomento da educação continuada na sua IES é estimular os professores a compartilharem experiências entre si.

Se um docente faz um novo curso e aprende práticas novas e atuais para serem utilizadas em classe, por que não engajá-lo a compartilhar com os seus pares?

É possível, inclusive, criar algum tipo de programa de incentivo para estimular os professores nesSe sentido.

Imagina que interessante um profissional que fez um curso de verão em outro país e entrou em contato com métodos educacionais diferentes dividindo essa experiência com todos os educadores na sua IES.

2. Assistir gravações de aulas de terceiros 

Outra ideia que pode ser útil e contribuir bastante para a formação continuada de professores, ainda que de modo informal, é buscar aulas ministradas por outros docentes, na internet, e apresentá-las aos professores da sua instituição de ensino.

Eles poderão analisar a didática empregada, atentar-se a determinados aspectos e avaliar o que fariam se a situação fosse a mesma em sua sala de aula.

Trata-se de uma maneira de ajudá-los a refletir sobre o seu próprio processo de ensino.

3. Assistir à própria aula

Filmar e assistir à própria aula com colegas posteriormente, escolhendo determinados critérios para analisar a aula em questão, também pode ser uma maneira relevante de identificar pontos altos e baixos.

4. Encenação

Criar uma situação em que alguns professores atuem em determinadas situações (por exemplo, de conflitos entre alunos) pode ser uma maneira de ajudar os docentes a encontrarem saídas eficientes para cenários desafiadores.

Neste artigo, você viu que a formação continuada de professores é essencial para a evolução das práticas pedagógicas nas instituições de ensino, principalmente levando em consideração o rápido avanço das novas tecnologias nos últimos anos.

Mostramos como a sua IES pode apoiar os educadores neste processo, o que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), os benefícios práticos de investir na qualificação de professores e muito mais!

Esperamos que este conteúdo tenha sido útil para você. Aproveite também para conferir o artigo que preparamos para ajudar as instituições de ensino a construírem uma relação benéfica entre professor e tecnologia.

E, já que falamos sobre formação continuada de professores, que tal entender também como funciona o intercâmbio para os educadores? Até a próxima!

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