Como funciona o intercâmbio para professores?

Quer conhecer os benefícios do intercâmbio para professores e quais são os programas que possibilitam essa atividade? Confira o artigo de hoje!
Intercâmbio para professores: fotografia de uma professora escrevendo em um quadro branco.

Dentro do ambiente da educação superior, muito se fala sobre o papel do intercâmbio na pluralidade da formação dos alunos. Um curso de graduação ou pós-graduação que oferece oportunidade de estudos em instituições de outros países tende a conquistar os alunos em potencial com a promessa de uma oportunidade interessante de aprendizagem e cultura.

Mas não é só para os alunos que o intercâmbio educacional tem um grande valor formativo e socioemocional. O intercâmbio para professores é uma oportunidade de enormes ganhos, tanto para os profissionais quanto para instituição de ensino, que se beneficiam de novos conhecimentos, tecnologias e inovações –  além de um repertório temático muito importante para o futuro dos cursos.

Essa modalidade permite que docentes de uma instituição participem de eventos,  imersões, períodos de trabalho e outras atividades em instituições parceiras. Essas instituições podem estar localizadas em outras cidades, estados e até países. Isso representa ganhos acadêmicos e também culturais.

Os docentes, então, aproveitam a oportunidade para desenvolver sua pesquisa e estabelecer relacionamentos profissionais, enquanto, ao mesmo tempo, contribuem para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino nas instituições parceiras.

Como a equipe educacional é a base de uma instituição de ensino de qualidade, essa ferramenta se torna um diferencial para a IES. No segmento do ensino superior, é importante que a equipe esteja sempre atualizada em relação às metodologias e às demandas do mercado. Já que o segmento está voltado para especialização e qualificação profissional, ele atrai alunos mais engajados e determinados a terminar sua formação com qualificação necessária para atuar no mercado de trabalho.

Então, se a instituição puder oferecer o conhecimento multidisciplinar com base em pesquisas mundialmente conhecidas – com o apoio do intercâmbio de professores – é um diferencial para potenciais alunos e reflete na longevidade do curso.

Da mesma forma, receber professores e pesquisadores de outros polos educacionais traz ganhos para a instituição. A presença de um profissional de educação vindo de outra cultura ou de outro centro de pesquisa traz consigo novos conhecimentos, metodologias e estratégias educacionais que podem ser implementadas ou estudadas em sua instituição.

Isso significa, então, que o intercâmbio para professores funciona em uma via de mão dupla: ele torna o currículo e o conhecimento científico de cada uma das parceiras mais completo, ou seja, multiplicando em cada intercâmbio o conhecimento, a difusão e as estratégias educacionais.

Assim, a oportunidade que esse recurso apresenta é tornar a educação mais globalizada, democrática e inclusiva; valorizar o repertório científico, cultural e social de cada educador e contribuir para sua difusão ao redor do mundo.

Como funciona o intercâmbio para professores?

Existem diferentes modalidades de intercâmbio para professores. Em linhas gerais, são programas pré-estabelecidos, em que docentes de diferentes países passam por um período de aprendizado e trabalho em uma instituição parceira.

Em alguns casos, esses programas têm a duração de duas semanas a um mês, em que os profissionais participam de seminários, debates e aulas que trazem novidades no segmento, além de metodologias diferentes e suas aplicações.

Porém, assim como no caso do intercâmbio de alunos, existem programas com maior duração. Neles, o docente participa de atividades de ensino e pesquisa na IES parceira, tendo também a vivência prática de outra realidade de trabalho.

Nesse modelo, a instituição abre vagas para docentes convidados, geralmente em departamentos de mesma aplicação, e dá a eles a oportunidade de trabalhar diretamente com o corpo discente e docente daquele país.

Principalmente nos casos dos professores que buscam ampliar sua formação com um pós-doutorado, essa modalidade permite que eles tenham experiência tanto teórica quanto prática na área.

Já os programas curtos, mais acessíveis, são pensados para difundir novas ideias e promover a troca. Neles, os professores têm a oportunidade de conhecer melhor as práticas de ensino de outros países e trazê-las de volta consigo, para serem aplicadas em sua IES.

Ambas as modalidades trazem benefícios tanto para a formação acadêmica do professores quanto para a cultura de inovação da IES. Colocando em prática novos conhecimentos e aplicando metodologias bem planejadas, esses professores trazem um destaque para o curso.

Essas novidades podem tomar várias formas: incluir uma disciplina nova na matriz curricular, implantar diferentes métodos de avaliação, tornar a sala de aula mais participativa, testar diferentes caminhos formativos, etc. Todas elas são ganhos para a experiência de renovação da graduação: fazem com que o curso siga as demandas do mercado e do mundo acadêmico.

Que vantagens a IES tem ao participar de atividades de intercâmbio?

Um curso de graduação precisa se destacar para ser o curso alvo de potenciais alunos. Isso exige um planejamento eficiente, que visa solucionar os problemas de mercado e oferecer ao público uma oportunidade valiosa.

Um dos passos mais importantes, tanto para a criação quanto a manutenção do curso, é que ele tenha um Projeto Pedagógico condizente com o que o perfil do egresso exige. Esse projeto é a diretriz que orienta as metodologias utilizadas dentro da sala e em atividades didáticas.

Porém, essas diretrizes só contemplarão as necessidades dos alunos se estiverem alinhadas com a contemporaneidade. O intercâmbio de professores pode auxiliar a tornar esse alinhamento mais próximo.

Para tornar a IES mais moderna, o principal foco deve ser qualificar e oferecer oportunidades de crescimento para a equipe pedagógica. Os professores são os pilares da IES e, portanto, devem ter acesso às novidades do segmento.

Um professor que participa ativamente de intercâmbios profissionais aprende com as experiências da área em outras realidades. A Finlândia, conhecida por ter um dos melhores sistemas de ensino do mundo, oferece programas de imersão para professores de todos os segmentos.

Por lá, as estatísticas são favoráveis: cerca de 90% dos adultos concluiu a educação básica (em comparação, no Brasil, as taxas são de 49%) e a média de tempo de estudos é de 19 anos.

Com a valorização da autonomia do ensino e a busca por um sistema igualitário e inclusivo, o cenário finlandês fez com que o país se tornasse referência. Com isso, passou também a oferecer intercâmbios para professores escolares e universitários, levando seus conhecimentos sobre a importância da educação para mais lugares.

E não é só enviando profissionais de ensino que a IES ganha: receber docentes de outras culturas também tem uma função importante. A internacionalização da instituição exige uma troca de conhecimentos e culturas que são benéficas a curto e a longo prazo. Quando um professor traz seu repertório cultural, ele beneficia a formação dos alunos, que, por sua vez, levarão esse conhecimento adiante.

Quando um professor internacional, além de ensinar, participa ativamente da construção de uma matriz curricular mais ampla, ele traz as experiências de seu país de origem para a transformação de um curso no Brasil.

E com os avanços tecnológicos, o intercâmbio de informações não precisa ser presencial. Atividades remotas como aulas, palestras e debates com profissionais de outros países podem ser trazidas para a sala de aula e globalizar o aprendizado.

Quais são os programas disponíveis?

Existem duas formas de participar do intercâmbio para professores. A primeira é entrar em contato diretamente com a IES e fazer um acordo de troca de experiências. Nesse caso, os docentes poderão atuar e aprender com os docentes locais, e vice-versa.

A segunda é incentivar os professores a participar de programas de intercâmbio, de curta e longa estadia, em que já estejam planejadas atividades de imersão e troca de ideias. Neste artigo, trouxemos algumas oportunidades interessantes para sua equipe:

1. MARCA – Mercosul

Esse programa visa estreitar as relações acadêmicas entre instituições de educação superior do Mercosul. Organizado pelo Mercosul Educacional, órgão multinacional voltado a iniciativas de educação, ele pretende facilitar a mobilidade entre países.

2. USDA Faculty Exchange

Esse programa, com duração de quatro meses, é realizado pela USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) e voltado a  educadores do setor agrícola. Professores de cursos voltados à produção agrícola podem participar da imersão, levando técnicas de ciência e mercado para seus países de origem.

3.  IIM Ranchi

O Indian Institute of Management, na Índia, oferece diferentes oportunidades de intercâmbio de educadores. Voltada às disciplinas de gestão e negócios, a IES faz parcerias com professores de diferentes partes do mundo, para ampliar os horizontes do conhecimento.

4. Universidade de Helsinki

Com o destaque da Finlândia entre os melhores sistemas de educação do mundo, a formação de professores locais é de extrema importância. Por isso, a universidade oferece programas de formação continuada e projetos pedagógicos internacionais.

5. Sociedade Japonesa de Ciência

O órgão oferece parcerias bilaterais para pesquisadores de múltiplas áreas. Professores com projetos de pesquisa podem se beneficiar de acordos com as universidades japonesas, permitindo a imersão em estudos locais e a presença de pesquisadores convidados na IES brasileira.

6. Educanada Faculty Mobility

Um projeto canadense que busca professores universitários para o ano acadêmico de 2022-2023. Além de receber bolsas, os docentes terão a oportunidade de lecionar nas universidades parceiras. É uma iniciativa para promover a colaboração científica e cultural com países caribenhos e latinos.

7. Universidade de Gronigen

Os diferentes departamentos dessa Universidade, sediada na Holanda, recebem professores e pesquisadores de vários países. Artes liberais, ciência política, psicologia e pedagogia são alguns dos destaques da IES holandesa.

8. Centro Bornholm de Pesquisa Arqueológica

Associado ao Museu Bornholm (Dinamarca), esse centro de pesquisa recebe visitantes internacionais para pesquisa e qualificação profissional. É voltado para área de antropologia e dá aos docentes um semestre acadêmico de imersão e aulas, visando contribuir para a diversidade da comunidade escolar.

Além de bolsas e apoio financeiro, a instituição oferece a oportunidade para o docente visitante participar de aulas e palestras com os docentes locais.

9. BRaVe

Essa iniciativa traz o intercâmbio para o meio virtual. Criado pela Unesp, o programa visa trazer docentes de diferentes universidades para as salas de aula brasileiras, ainda que virtualmente. 

Com a parceria, os docentes brasileiros também podem ter a oportunidade de dar aulas virtualmente a alunos internacionais, contribuindo para a globalização do conteúdo.

Como incentivar a formação internacional de professores?

Existem diferentes cenários e países que mostram o sucesso das oportunidades de intercâmbio, tanto para alunos quanto para docentes. Essa metodologia é considerada um avanço para a matriz curricular, já que permite a individualização da formação.

Mas para que a IES tenha sucesso na implementação do intercâmbio para professores, é preciso estimular parcerias e incentivar a participação, com foco em valorizar os docentes e a formação continuada. Como promover esse diálogo?

1. Ofereça diferentes oportunidades

As universidades e os centros de pesquisas parceiros precisam ter uma boa relação de cooperação. Para isso, o setor administrativo da IES deve investir em trabalhos internacionais, publicação e comitês que auxiliem a estabelecer as parcerias.

A ideia é ter ofertas em diferentes países, de curto e longo prazo, para que as oportunidades atinjam professores com diferentes realidades e demandas. Muitos profissionais buscam a oportunidade de conhecer novas metodologias, então programas de imersão são ideais.

Outros, principalmente os responsáveis por pesquisa, buscam oportunidades internacionais para desenvolver seus trabalhos e se conectar com educadores de outras vivências.  Estadias de um semestre ou dois são mais vantajosas nesse sentido.

Um ponto importante é buscar também parcerias que deem aos docentes oportunidade de realizar aulas e palestras fora do país: dessa forma, eles podem colocar em prática sua experiência, os novos aprendizados e testar métodos inovadores.

2. Abra as portas para todas as áreas de conhecimento

Algumas áreas têm histórico de colaboração internacional mais forte, como a saúde, as ciências econômicas e políticas e a gestão de negócios. Porém, professores de todos os cursos podem se beneficiar da oportunidade internacional.

Firmar parcerias com IES em áreas como artes, pedagogia, psicologia, comunicação, entre outras é uma forma de suprir essa necessidade da área e ainda implantar ideias universais nos cursos de graduação e pós-graduação.

3. Receba educadores do mundo todo

Como mostrar a importância de um intercâmbio? Recebendo professores internacionais. Membros de IES em outros países também podem se beneficiar das instituições brasileiras. 

Recebê-los e dar a eles oportunidade para aprender com docentes locais e ensinar aos alunos de sua IES reforça a necessidade da globalização do ensino, já que também traz grandes benefícios à comunidade acadêmica

4. Valorize a formação continuada

O intercâmbio é uma forma de o professor se qualificar e ampliar seu repertório. Essa iniciativa deve ser valorizada pela instituição (financeiramente e nas oportunidades) para que os docentes tenham sempre como missão trazer novos conhecimentos à sua prática. 

Agora que você já sabe como o intercâmbio para professores é vantajoso para a equipe educacional, conheça os principais motivos para valorizar a internacionalização universitária!

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