Tudo o que você precisa saber sobre intervenção pedagógica: conceito, pesquisa e prática

Intervenção pedagógica: fotografia de uma professora escrevendo em um quadro branco.
Elaboramos um guia completo sobre intervenção pedagógica com aspectos teóricos, passo a passo para desenvolvê-la e mais informações!

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Como resolver as dificuldades acadêmicas dos meus alunos?

Essa é uma pergunta que provavelmente todo profissional da educação já se fez. E ela pode ser respondida de milhares de formas diferentes.

Isso porque, com toda a tecnologia de nossos tempos, não faltam recursos e abordagens para aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem. Em outras palavras, existem inúmeras modalidades de intervenção pedagógica que podemos adotar.

No presente artigo, vamos apresentar as intervenções pedagógicas sobre vários aspectos, passando pelos seguintes tópicos:

  • O que é intervenção pedagógica
  • A intervenção pedagógica enquanto pesquisa
  • O que é um plano de intervenção pedagógica e como montá-lo, passo a passo
  • 10 ações de intervenção pedagógica para aplicar em sua sala de aula

Ao final do texto, você terá um conhecimento técnico, aprofundado e prático sobre a intervenção pedagógica, contando com todas as informações para colocá-la em prática o mais cedo possível.

Tenha uma boa leitura!

1. O que é intervenção pedagógica

A intervenção pedagógica é uma interferência no processo de ensino-aprendizagem, realizada pelo professor quando se identifica alguma dificuldade pelos alunos. Dizendo de outra maneira, é uma forma de aplicar iniciativas para superar obstáculos na construção do conhecimento.

É muito comum que o corpo estudantil, em toda sua diversidade, aprenda em ritmos diferentes e de formas diferentes. Por isso, os profissionais da educação devem adaptar seus métodos de ensino de forma a garantir que todos os alunos tenham boas oportunidades durante o curso.

As intervenções pedagógicas contribuem, portanto, para a personalização do ensino, retenção de alunos e melhoria dos resultados acadêmicos de uma IES. Mas, para que estes resultados sejam alcançados, é necessário conferir-lhes certa seriedade acadêmica.

2. A intervenção pedagógica enquanto pesquisa

Aproveitar todo o potencial de uma intervenção pedagógica requer que se reconheça, antes de tudo, seu caráter científico. Isso significa que pedem por um cuidado metodológico típico das pesquisas acadêmicas, porque elas de fato são pesquisas acadêmicas.

Para explicar melhor essa ideia, vamos nos reportar a um artigo científico, intitulado “Discutindo pesquisas do tipo intervenção pedagógica”, publicado nos Cadernos de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Trata-se de um marco teórico importante para aprofundar o debate relacionado às intervenções pedagógicas. Foi elaborado por uma equipe multidisciplinar de seis pesquisadores, especializados em diversos campos educacionais:

  • Magda Floriana Damiani, psicóloga, Mestre em Psicologia Educacional e Doutora em Educação. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas.
  • Renato Siqueira Rochefort, professor de Educação Física, Mestre em Ciência do Movimento Humano e Doutor em Educação. Professor Associado da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas.
  • Rafael Fonseca de Castro, Cientista da Computação (UCPel); Especialista, Mestre e Doutorando em Educação (UFPel); Especialista em Linguagens Verbais e Visuais (IF-Sul); Coordenador Pedagógico EaD e Gerente Moodle do Departamento de Medicina Social (UFPel).
  • Marion Rodrigues Dariz, graduada em Letras (UCPel), Especialista em Educação (FURG) e Mestre em Educação (UFPel). Professora da Rede Pública Municipal de Ensino de Pelotas e Técnica em Assuntos Educacionais (IF Sul).
  • Silvia Nara Siqueira Pinheiro, psicóloga, Doutoranda em Educação, Mestre em Saúde e Comportamento. Professora Assistente do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Pelotas.

Vamos abordar, neste tópico, alguns pontos de destaque apresentados no artigo em comento, para subsidiar nosso entendimento sobre o assunto.

Leia também: Entenda a relação entre projeto pedagógico e as atividades de ensino, pesquisa e extensão

Compreendendo as pesquisas do tipo intervenção pedagógica

Pesquisas do tipo intervenção pedagógica são “investigações que envolvem o planejamento e a implementação de interferências (mudanças, inovações) – destinadas a produzir avanços, melhorias, nos processos de aprendizagem dos sujeitos que delas participam – e a posterior avaliação dos efeitos dessas interferências” (Discutindo pesquisas, pág. 58).

Como podemos perceber, o termo “intervenção”, neste contexto, está associado a interferências planejadas no processo de ensino-aprendizagem. 

Alguns autores sinalizam que “intervenção” e “interferência” são termos dotados de certa carga pejorativa. É o entendimento de Szymanski e Cury, que os associam à ideia de autoritarismo ou cerceamento, e de Fernando Becker, que atribui essa conotação negativa à perspectiva comportamentalista da Psicologia (Discutindo pesquisas, pág. 58).

Apesar deste pano de fundo etimológico, os autores do artigo em análise propõem uma ressignificação do termo “intervenção” para designar um tipo específico de pesquisa.

A ideia, portanto, é despir o conceito de sua carga pejorativa e passar a enxergá-lo como um instrumento de investigação pedagógica. Assim, não se trata apenas de uma ação espontânea, feita por professores ou tutores, por exemplo, para tentar melhorar o ensino.

O termo deve refletir, na verdade, ações planejadas e cujos efeitos são posteriormente avaliados, seguindo certo rigor metodológico típico da área acadêmica.

A compreensão da intervenção pedagógica enquanto pesquisa colabora também para que haja uma comunicação efetiva dentro da comunidade acadêmica e pedagógica. Se a execução e resultados das intervenções pedagógicas são documentados e sistematizados, de forma organizada, fica mais fácil compartilhar a experiência com outras pessoas.

Pesquisas de caráter aplicado

Em função do caráter prático da intervenção pedagógica, os autores do artigo relatam certa resistência no mundo educacional em considerá-las como pesquisas. Contudo, esse problema passa por uma percepção equivocada do que se entende por pesquisa. 

Existem, certamente, as chamadas pesquisas básicas, que buscam ampliar conhecimentos sem necessariamente se preocupar com seus benefícios aplicados. Mas, ao lado dessa categoria, encontramos também as pesquisas aplicadas, que o autor Colin Robson denomina como “pesquisas no mundo real” (Discutindo pesquisas, pág. 58).

A intervenção pedagógica cairia, então, na segunda categoria. Robson chama atenção também para uma distância existente, na área da Educação, entre produção acadêmica e a prática profissional nas instituições de ensino, o que aumenta a importância deste tipo de pesquisa.

A questão é que muitos professores repetem práticas feitas por outras pessoas, em contextos diversos, sem que haja uma preocupação de avaliar os efeitos dessas práticas. Se houvesse, para cada intervenção pedagógica, um relatório científico, discriminando seus resultados, seria mais fácil selecionar as práticas corretas.

Essa discussão nos revela uma orientação importante aos professores de IES: é preciso investigar e refletir mais sobre nossas práticas no contexto educacional. A construção de mais bibliografia nesse sentido pode contribuir, inclusive, para promover transformação social, no entendimento de Zeichner e Diniz-Pereira (Discutindo pesquisas, pág. 59).

Relatórios de pesquisas do tipo intervenção pedagógica

Os autores do artigo em análise também chamam muita atenção para os relatórios de intervenções pedagógicas:

Os relatórios das intervenções devem ser elaborados de tal forma que permitam ao leitor reconhecer suas características investigativas e o rigor com que as pesquisas foram levadas a cabo, para que não sejam confundidas com relatos de experiências pedagógicas” (Discutindo pesquisas, pág. 60).

Quando não há um relatório bem feito, é mais difícil enxergar com nitidez os efeitos reais de cada iniciativa dos professores. Ele é fundamental, neste contexto, também para que outras pessoas possam averiguar a eficácia de cada intervenção e, eventualmente, aplicá-la em sua realidade.

Em face disso, os autores propõem um verdadeiro roteiro para relatório de intervenção pedagógica. Vamos apresentá-lo no próximo tópico, quando explicarmos os passos para fazer um plano de intervenção pedagógica.

Leia também: Saiba o que é e como elaborar um plano de aula ensino superior

3. O que é um plano de intervenção pedagógica?

O plano de intervenção pedagógica consiste na aplicação mais sistemática e organizada dessa estratégia pedagógica. Em outras palavras, como o nome indica, é a intervenção pedagógica planejada.

Como vimos no último tópico, é comum que as intervenções pedagógicas sejam aplicadas de uma maneira desorganizada. Os professores identificam problemas de aprendizagem, ficam sabendo de alguma abordagem e aplicam em sua sala de aula, sem que haja uma pesquisa prévia ou registro durante o processo.

Nesse contexto, tomar ações mais estruturadas é uma forma de garantir que as iniciativas tenham sucesso. Por isso, vamos falar agora sobre como montar um plano de intervenção pedagógica.

Passo a passo para montar um plano de intervenção pedagógica

  1. Identifique o(s) problema(s) de aprendizagem
  2. Selecione a intervenção mais adequada ao caso
  3. Execute e registre
  4. Elabore e publique um relatório sobre a intervenção pedagógica

Passo 1: Identifique o(s) problema(s) de aprendizagem

O primeiro passo da intervenção pedagógica é identificar eventuais problemas ou dificuldades de aprendizagem.

Isso pode ocorrer de uma forma mais intuitiva, com base na observação geral da turma pelo professor, ou de maneiras mais direcionadas, como as que listamos abaixo:

  1. Avaliações: são os indicadores clássicos sobre o conteúdo que foi de fato apreendido pelos alunos, e sobre o que ficou para trás.
  2. Relatórios virtuais: diversas plataformas digitais de aprendizagem conseguem emitir relatórios sobre o rendimento dos alunos. Isso é feito com base na interação de cada um com a plataforma: quais atividades foram realizadas, qual o índice de acerto em cada questão, e etc.
  3. Formulários: outra sugestão é enviar formulários virtuais aos alunos, por onde eles podem falar sobre os principais problemas enfrentados no ensino, quais foram os tópicos de maior dificuldade, e outras questões sobre seu processo de aprendizado.

É importante lembrar, também, que o tutor possui uma importância fundamental nesta etapa e pode contribuir muito para acompanhar a trajetória de cada aluno com mais proximidade.

Passo 2: Selecione a intervenção mais adequada ao caso

Depois de conhecer em maiores detalhes o problema de aprendizagem, é hora de procurar pela intervenção pedagógica que mais se adeque à sua resolução.

Neste mesmo artigo, compilamos um total de dez intervenções pedagógicas que têm apresentado bons resultados no ensino superior brasileiro. Você pode conferir esta lista, que será apresentada ao final do texto, e começar seus estudos!

Lembre-se: é importante pesquisar com bastante afinco antes de tomar uma decisão. Nossa atuação, enquanto professores, deve ser pautada por critérios científicos para conseguir os melhores resultados.

Também é possível pensar fora da caixa e aplicar intervenções pedagógicas personalizadas, conforme a sua realidade. Uma boa dica nesse sentido é utilizar o método design thinking na educação.

Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Superior

Passo 3: Execute e registre

Agora que já selecionamos a intervenção pedagógica, é hora de colocá-la em prática.

A parte mais importante desta etapa é efetuar um registro detalhado de todo o processo — é importante, inclusive, que as etapas anteriores também sejam documentadas, desde a identificação do problema.

Tire fotos, mantenha um registro escrito, peça aos alunos que escrevam depoimentos (antes, durante e após a intervenção) e use outros recursos disponíveis. O objetivo dessa documentação é fazer com que tenhamos material o suficiente para avaliar a intervenção, e para que a comunidade científica também tenha condições de fazê-lo.

Passo 4: Elabore e publique um relatório sobre a intervenção pedagógica

Com todo o registro da iniciativa em mãos, é hora de tomar o passo final e elaborar um relatório completo. Esse é talvez o passo mais importante do plano, pelo que vamos explicá-lo em detalhes mais profundos.

No artigo “Discutindo pesquisas do tipo intervenção pedagógica”, que apresentamos ao início do texto, os autores nos deixam uma grande contribuição: um roteiro para o relatório da intervenção pedagógica.

Na verdade, a preocupação principal do artigo, neste ponto, é auxiliar a desenvolver o método da pesquisa e seus achados. Por isso, ele não se preocupa em propor uma padronização de estrutura para os relatórios; ela pode variar conforme o caso.

Como vimos, defende-se que a intervenção pedagógica seja dotada de certo rigor metodológico para qualificá-la enquanto pesquisa. Isso pede que algumas técnicas e procedimentos sejam obedecidos ao longo da execução da prática e de seu registro.

O método das pesquisas do tipo intervenção pedagógica possui dois componentes principais, que devem ser identificados e separado ao longo do relatório:

  1. Método da intervenção (método de ensino) e
  2. Método de avaliação da intervenção (método de pesquisa propriamente dito).

Entender a diferença e dividir bem esses dois componentes é essencial para garantir a devida compreensão do processo investigativo. Por isso, vamos detalhar sua constituição e o que cada um deve conter.

Método da intervenção pedagógica

O método da intervenção pedagógica deve descrever a abordagem de ensino levada a cabo. Ou seja, deve apresentar o método de ensino eleito pelo professor para combater os problemas de aprendizagem.

Essa descrição deve não somente pormenorizar a prática, mas mostrar o embasamento teórico que justifica sua escolha. 

Isso revela outro caráter importantíssimo da intervenção pedagógica: sua escolha não deve ser arbitrária ou apenas seguir alguma tendência. Ela deve, na verdade, ser precedida de estudos sobre a eficácia e modo de execução de cada intervenção pedagógica. 

Nessa parte do relatório, o foco está na atuação pedagógica do professor. Ou seja, preocupa-se em descrever a prática enquanto agente da intervenção, evitando incluir informações referentes à sua atuação como pesquisador (elas vêm no próximo item).

Isso significa que não é ideal, por agora, falar sobre métodos de pesquisa, como procedimentos para análise e coleta de dados. O objetivo é descrever a intervenção pedagógica em detalhes, mas evitando muitas repetições.

Método de avaliação da intervenção

Aqui, o objetivo é descrever os aspectos metodológicos e científicos utilizados para analisar os resultados da intervenção pedagógica. É uma parte fundamental do relatório, já que seu desenvolvimento correto permite que tenhamos uma ideia nítida do sucesso de nossas iniciativas.

O agente da intervenção deve, portanto, focar na sua atuação enquanto pesquisador. Nessa parte, serão apresentados os instrumentos científicos escolhidos para coleta e análise de dados, além de justificar essa opção.

Essa justificativa passa por referenciais teóricos sobre metodologia científica. Ou seja, é ideal que o professor-pesquisador esteja familiarizado com esse tipo de conhecimento.

Importa ressaltar, também, outra sugestão que o artigo nos apresenta: é interessante separar os achados da avaliação em duas partes:

  • Achados relativos aos efeitos da intervenção sobre seus participantes, que diz respeito às alterações observadas nos alunos após a prática;
  • Achados relativos à intervenção propriamente dita, que tenta realizar as características da intervenção pedagógica responsáveis por operar os efeitos observados. A ideia é listar os pontos fortes e fracos da iniciativa com relação aos objetivos traçados.

Leia também: 4 estratégias para otimizar a gestão acadêmica de sua IES

10 ações de intervenção pedagógica para aplicar em sua sala de aula

Agora que já possuímos o arcabouço teórico sobre a intervenção pedagógica, vamos apresentar dez iniciativas que você poderá aplicar na prática.

Muitas dessas ações são ferramentas de metodologias ativas. Ou seja, são intervenções pedagógicas que valorizam a construção de maior autonomia por parte dos alunos.

Quando o corpo estudantil toma as rédeas do próprio aprendizado, seus resultados acadêmicos melhoram consideravelmente.

Várias das ações que listamos também estão associadas à aplicação de tecnologia na educação, o que também é outra tendência crescente e muito benéfica ao aprendizado.

A equipe Saraiva Educação elaborou artigos específicos para algumas das intervenções pedagógicas que iremos sugerir a seguir. Clicando nos links inseridos em cada tópico, você será redirecionado para estes conteúdos, onde se encontram mais detalhes sobre cada uma.

Navegando por nossos conteúdos, você encontrará referências científicas que amparam cada uma das intervenções. No entanto, aconselhamos que você vá além e procure outras fontes, além daquelas que apresentamos!

Isso porque, conforme vimos, investir no aspecto acadêmico da intervenção pedagógica é garantir seus bons resultados.

Vamos em frente!

Quais são as principais ações de intervenção pedagógica atualmente?

  1. Aulas de revisão de conteúdos-chave
  2. Conteúdos em microlearning
  3. Gamificação
  4. Sala de aula invertida
  5. Plataforma digital de aprendizagem
  6. Aprendizagem baseada em projetos
  7. Aprendizagem baseada em problemas
  8. Aprendizagem entre pares
  9. Formação de grupos de estudo
  10. Aplicação de conteúdos digitais

1. Aulas de revisão de conteúdos-chave

Esta intervenção pedagógica é bem simples, e consiste em dedicar aulas à explicação de conteúdos específicos em que foram identificados problemas de aprendizagem.

Enquanto ministram as aulas, é comum que os professores identifiquem os temas em que alunos tiveram mais ou menos dificuldades. Isso pode ser observado de várias formas.

Nas aulas presenciais ou aulas síncronas, é uma boa ideia observar, por exemplo, o índice de perguntas sobre cada tema ou as expressões faciais dos alunos.

Mas é possível reconhecer as maiores dificuldades de maneira ativa. Os professores podem perguntar à turma quais foram os temas de mais dúvidas e planejar a aula de revisão com base nesse feedback direto.

Outra sugestão é disponibilizar uma espécie de “caixinha de sugestões” para definir o conteúdo da aula de revisão. Pode ser tanto uma caixinha física quanto uma caixinha virtual, feita a partir de formulários eletrônicos.

Lembrando que, para que a intervenção pedagógica seja eficaz, é necessário investigar sobre a apreensão do conteúdo antes e depois da abordagem. Além disso, é importante ministrar o conteúdo de formas diferentes na aula de revisão, e não apenas repetindo o que foi dito antes.

2. Conteúdos em microlearning

Microlearning (ou microaprendizagem, no português) diz respeito a um formato específico de conteúdo em vídeo. É uma intervenção pedagógica que faz uso de tecnologia digital a fim de otimizar a absorção de conteúdo.

Com a ampliação do acesso à rede no Brasil, o ensino superior a distância se consolidou e passou a ter grande demanda. Em função disso, o uso de conteúdo audiovisual na educação também foi popularizado.

Na verdade, o microlearning é aplicável em todas as modalidades de ensino (seja a distância, híbrido ou presencial). A ideia é que sejam produzidos vídeos-pílula, de curta duração, para abordar tópicos pontuais e mais simples de cada disciplina.

Existe vasta bibliografia científica comprovando a eficácia desta intervenção pedagógica, como este estudo publicado no Diário Internacional de Pesquisa Educacional. A questão é que, quando assistem a conteúdos pela rede, os alunos não apresentam rendimentos tão bons quando os vídeos são longos.

3. Gamificação

A gamificação na educação é outra tendência crescente, que também aplica tecnologia nos processos de ensino-aprendizagem.  De forma resumida, essa intervenção pedagógica procura aplicar elementos, ferramentas e estratégias típicas de jogos no campo educacional. 

Os jogos virtuais já fazem parte da vida de muitos alunos, desde a popularização da internet e dos dispositivos eletrônicos. Por isso, aproveitar sua lógica e design em atividades educacionais é uma forma de dialogar com a realidade do corpo estudantil.

Também por isso, a gamificação é uma ótima maneira de elevar o engajamento dos estudantes. Quando a tarefa que deve ser executada toma uma forma mais lúdica, aumenta o interesse em completá-la.

Os jogos virtuais na educação também seguem uma lógica de recompensa, que na verdade já esteve presente no ensino há anos. É a ideia das “estrelas douradas” atribuídas aos alunos no ensino básico — similar a passar de nível em algum videogame, para ilustrar.

O ensino, com essa abordagem, torna-se mais interativo e divertido.

Leia também: Confira 12 dicas sobre como fazer aulas interativas no ensino superior

4. Sala de aula invertida

A sala de aula invertida é outra intervenção pedagógica muito comum no contexto das metodologias ativas.

Foi idealizada a partir de pesquisas das renomadas universidades americanas de Harvard e Yale, nos anos 90. A partir dos anos 2000, o autor J. Wesley Baker amadureceu o conceito e apresentou o modelo da “Flipped Classroom”, que foi amplamente disseminado em várias IES pelo mundo.

A lógica dessa abordagem é realizar uma verdadeira inversão das atividades realizadas dentro e fora da sala de aula, considerando o modelo tradicional das aulas expositivas. Ou seja, o aluno passa a chegar na sala já tendo estudado parte do conteúdo.

Assim, o momento da aula é dedicado a dialogar sobre o conteúdo com professor e demais alunos, realizar projetos e aplicar aquilo que foi aprendido de antemão. Cresce o interesse na problematização do objeto de aprendizado, ao invés de sua apreensão passiva e acrítica.

Em outras palavras, o aluno deixa de ser um mero receptor do conhecimento, ao mesmo passo em que o professor deixa de ser um mero transmissor.

É importante ressaltar que, para que esta intervenção pedagógica surta bons efeitos, o material didático precisa ser acessível. Não adianta estimular a autonomia do estudante sem que haja conteúdo de qualidade que ele consiga acessar antes das aulas.

Por isso, contar com uma biblioteca digital ou com outros conteúdos digitais é uma boa opção. Ao optar por este tipo de material, contribuímos para aumentar a acessibilidade do ensino.

5. Plataforma digital de aprendizagem

A plataforma digital de aprendizagem é outra intervenção pedagógica interessante, e surge também no sentido de tornar os materiais de estudo mais acessíveis.

Existem vários recursos para se aprender por meio do ambiente virtual. Leitura digital, vídeos e aulas em áudio são alguns deles, focados na transmissão do conhecimento por diversos formatos.

As plataformas de aprendizagem, por outro lado, contam com recursos que auxiliam em estudos mais práticos e na identificação de problemas de aprendizagem. Por isso, são ferramentas muito interessantes quando falamos em intervenções pedagógicas.

Dentre as diversas plataformas existentes, há também diversos recursos que variam de uma para outra. Mas as funcionalidades mais comuns são:

  • Banco de questões e conteúdos interativos, relacionados à matriz curricular de cada situação;
  • Suporte pedagógico para os docentes (como, por exemplo, geração de relatórios gerenciais de desempenho dos alunos).

Ao utilizar uma dessas plataformas, você consegue não só introduzir outras ferramentas de estudo, mas também obter acesso a dados concretos sobre a compreensão de cada tópico.

6. Aprendizagem baseada em projetos

A aprendizagem baseada em projetos tem como principal objetivo situar o processo de ensino-aprendizado no contexto concreto de vivências do corpo estudantil. Dizendo de outra forma, procura aliar teoria à prática na educação.

Trata-se, também, de uma metodologia ativa, também conhecida pelo termo em inglês: “Project Based Learning” (PBL). A ideia é apresentar problemas materiais aos alunos, para que sejam resolvidos com base nas competências apreendidas ao longo de cada curso.

O aprendizado através de projetos desenvolve uma série de habilidades, como adaptabilidade, protagonismo, pensamento crítico e consciência social.

De forma resumida, essa intervenção pedagógica passa pelas seguintes etapas:

  1. o professor sugere um problema para a turma; 
  2. os alunos investigam possíveis causas e elaboram hipóteses sobre esse problema;
  3. após conhecer melhor o problema e suas origens, eles definem como propor uma solução;
  4. estabelecem um plano de ação e o apresentam;
  5. executam as ações e demonstram os resultados alcançados;
  6. recebem a avaliação do professor.

7. Aprendizagem baseada em problemas

A aprendizagem baseada em problemas surgiu no final da década de 60, com aplicação pioneira nas universidades McMaster, no Canadá e Maastricht, na Holanda. Seu embasamento teórico remonta aos ensinamentos do psicólogo Jerome Seymour Bruner e do filósofo John Dewey.

De forma sintética, Jerome Bruner entendia que os estudantes deveriam ser colocados em contato com problemas durante sua educação. O exercício de levantar problemas e buscar sua resolução eram as premissas centrais da Aprendizagem pela Descoberta (Learning by Discovery, no inglês). 

Já o filósofo John Dewey defendia que os processos educacionais deveriam ser orientados por uma reconstrução da experiência. Nessa linha, o estudante que é colocado em maior contato com sua realidade material aprenderia melhor.

Confira, a seguir, os pilares desta intervenção pedagógica:

  • organização por temas em torno de problemas e não de disciplinas;
  • integração interdisciplinar;
  • combinação entre teoria e prática, com a aplicação do conhecimento para a solução de problemas;
  • ênfase no desenvolvimento cognitivo;
  • abordagem centrada no aluno.

Leia também: Entenda o que é, desafios e oportunidades da inovação curricular no ensino superior

8. Aprendizagem entre pares

A aprendizagem entre pares, por sua vez, é uma intervenção pedagógica que procura estimular o espírito de colaboração entre os alunos.

Também conhecida como peer instruction, consiste em uma metodologia ativa que incentiva debate e construção conjunta do conhecimento — um dos principais paradigmas atuais da educação.

Podemos localizar as origens desta intervenção nos anos 90, na Universidade estadunidense de Harvard. Foi desenvolvida por Eric Mazur, um professor de física da IES.

Este docente sentiu a necessidade de rever o modelo tradicional de aulas na instituição, baseado em palestras, para conseguir uma postura mais ativa dos alunos.

De fato, a divisão de uma turma em pares traz vários benefícios pedagógicos. Os alunos conseguem treinar suas aptidões de comunicação, argumentação e pensamento crítico. Além disso, podem melhorar a própria empatia e sensibilidade ao aprender em conjunto com seus colegas.

9. Formação de grupos de estudo

As turmas do curso também podem ser divididas em grupos maiores ao invés de duplas, formando-se grupos de estudos pontuais ou permanentes.

Quando optamos por esta abordagem, conseguimos potencializar os benefícios da aprendizagem baseada em pares. Afinal, se mais pessoas trabalham juntas na formação do conhecimento, é possível ter acesso a mais ideias e opiniões para enriquecer a experiência de aprendizado.

No entanto, o estudo através de grupos pode ser mais difícil de administrar do que a atividade entre pares. É o que muitos alunos sentem quando realizam trabalhos em grupo, por exemplo.

Mas, por ser uma proposta mais desafiadora, pode acarretar grandes desenvolvimentos para os alunos e para toda a turma.

Ao exercitar a construção do conhecimento em grupos, os alunos adquirem aptidões importantes para sua vida pessoal e profissional. Aprendem a escutar mais, a ter mais  paciência e podem, inclusive, descobrir seu potencial de liderança.

10. Aplicação de conteúdos digitais

Aplicar conteúdos digitais no ensino é outra intervenção pedagógica essencial no atual contexto da educação. No cenário atual de disrupção tecnológica em que vivemos, não se pode pensar a educação sem inovar e fazer uso das redes.

Para ter certeza disso, basta olhar a demanda crescente pela educação superior a distância. Os novos alunos estão interessados em acessibilidade. Ou seja, querem estudar de qualquer lugar, fazer seus próprios horários, e aproveitar também do potencial que os conteúdos digitais possuem em termos pedagógicos.

Estudar por meio dos inúmeros recursos virtuais é uma necessidade para qualquer IES que queira manter sua sustentabilidade e competitividade no mercado.

Os conteúdos digitais são uma intervenção pedagógica que usa multimídia e hipermídia na educação. Essa iniciativa é ideal porque os alunos, em toda sua diversidade, aprendem de formas diferentes. 

Por isso, se investimos em conteúdos digitais multiformatos, conseguimos abarcar todas essas formas de aprendizado. Textos e livros digitais, vídeos, jogos educacionais, podcasts, simulados com correção automática… são várias possibilidades.

Quando optamos por essa abordagem, temos uma ótima estratégia para alcançar um dos objetivos das intervenções pedagógicas: a personalização do ensino.

Pensando, ainda, de forma mais ampla, é uma estratégia para alcançar um objetivo maior da educação brasileira: a democratização do ensino.

Esperamos que tenha gostado deste texto sobre intervenção pedagógica! Que tal seguir aprofundando seus conhecimentos e conferir este outro artigo, sobre como montar uma trilha de aprendizagem?

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