Modelo Eneagrama para Mudança Sustentável Aplicado às Instituições de Educação Superior (IES)

Conheça o MEMS: Modelo Eneagrama para Mudança Sustentável Aplicado às IES. Leia este texto e saiba como trabalhá-lo em sua instituição!

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Prof. dr. Jaap Boonstra, ESADE, Barcelona.

Prof. dr. João Brillo, IBMEC, Rio de Janeiro.

Ilustrações de Matheus Maturano
(Adaptado de Brillo e Boonstra, Liderança e Cultura Organizacional para Inovação, Ed. Saraiva, 2018)

Os conceitos do Modelo Eneagrama para Mudança Sustentável (MEMS) ​​são apresentados no Capítulo 3 do livro Liderança e Cultura Organizacional para Inovação, no qual os professores Jaap Boonstra e João Brillo apresentam o Modelo de Jogo, revelam as 9 perspectivas da mudança sustentável nas organizações e os modelos mentais e competências que seus líderes têm em comum para implementá-la com sucesso.

A metáfora de jogo é adequada a ambientes desconhecidos e imprevisíveis, pode estimular reflexões sobre o papel da liderança nos processos de mudança das Instituições de Educação Superior (IES) e desafiar as pessoas envolvidas nestes processos a desenvolverem qualidades para que os objetivos institucionais e pessoais se tornem realidade.

O MEMS é composto de 9 perspectivas:

  1. Campo de jogo – Desenvolvimentos e dinâmicas do ambiente de negócio;
  2. Grupos de jogadores – Pressão e interesses dos stakeholders (docentes, estudantes, membros da comunidade acadêmica, acionistas, parceiros externos etc.)  no negócio;
  3. Ambições no jogo – significado e valores da empresa;
  4. Padrões de jogo –Dinâmicas da cultura organizacional;
  5. Conceito de jogo –Estratégias de mudança da empresa;
  6. Compartilhamento do jogo – Responsabilidade da equipe e contribuições externas;
  7. Experiência de jogo – Aprendizado e inovações da organização;
  8. Formatos de jogo – Formatação da cultura de inovação
  9. Jogador –Modelos mentais e competências da liderança.

Estas 9 perspectivas para mudança sustentável podem servir para as lideranças das IES que querem moldar mudanças sustentáveis em suas instituições.

Este modelo não é uma ferramenta para apenas planejar a mudança, com objetivos e metas pré-definidas, mas um guia para nortear o trabalho em equipe, onde todos trabalham juntos com uma visão positiva na implementação das mudanças num ambiente dinâmico de negócio.

Neste contexto, as lideranças das IES podem reconhecer as dinâmicas internas dos processos de mudança, fazer escolhas equilibradas, estimular o desempenho de alta performance da equipe, analisar as dinâmicas dos stakeholders no ambiente de negócios e como podem moldar mudanças sustentáveis em suas instituições sem se perder nessas dinâmicas. A seguir são apresentadas as 9 perspectivas do MEMS.

1. Campo de jogo

Promover mudanças sustentáveis em ambientes de negócios desconhecidos e imprevisíveis exige que as lideranças das IES experimentem, reflitam, aprendam, decidam entre várias soluções concorrentes e criem padrões institucionais dinâmicos e mutáveis no campo de jogo.

Com ou apesar desses ambientes, as lideranças das IES podem reconhecer oportunidades, ser ágeis e se adaptar bem para lidar com crises, surpresas e disrupções no ambiente de negócio, por meio da aprendizagem por tentativa e erro.

Líderes de instituições bem-sucedidas nos processos de mudança também detectam sinais fracos de disrupção no ambiente de negócio ainda em estágio inicial, abraçam situações incertas e desconhecidas, e aceitam os riscos de experimentar novas ideias, métodos e pequenas iniciativas em um movimento contínuo para formar uma cultura de inovação nas instituições.

Neste movimento, a liderança valoriza os pontos fortes e o senso de pertencimento das pessoas, bem como explora as oportunidades e se concentra na articulação das ambições, desejos, desenvolvimentos e inovações da instituição a longo prazo.

2. Grupos de jogadores

Os stakeholders (docentes, estudantes, membros da comunidade acadêmica, acionistas, parceiros externos etc.) são grupos de jogadores ativos dentro ou no entorno das instituições. Líderes em mudanças sustentáveis nas IES procuram envolver os stakeholders na construção das estratégias de mudança e na implantação dos processos de mudança nas instituições.

Costumam também reconhecer que estes são grupos múltiplos e variados, aceitam as mudanças nas relações e as diferentes perspectivas destes, bem como demonstram sensibilidade em relação ao ambiente de negócio em constante transformação.

A mudança sustentável nas IES requer líderes que construam estratégias de colaboração entre departamentos e hierarquias da instituição, criem relacionamentos com estudantes, docentes e demais stakeholders, baseados na liberdade de ação e na confiança mútua. Neste contexto, as lideranças estarão preparadas e dispostas a assumir riscos de se juntar aos stakeholders, aprender e incorporar a cultura, a diversidade, o conhecimento deles e lidar bem com as tensões mútuas inerentes aos processos de mudança.

3. Ambições no jogo

Líderes bem-sucedidos em mudanças nas IES tendem a desenvolver um diálogo estratégico construtivo com seus parceiros de negócio, abrangendo análises contínuas e iniciativas de mudança, orientadas pelas ambições de jogo e desejos das instituições.

Neste contexto, as lideranças das IES procuram fortalecer o direcionamento do negócio, com foco no valor para os stakeholders, enfatizar a viabilidade sociopolítica dos processos de mudança, e criar espaço para negociações e reflexões. A mudança sustentável requer que as lideranças das IES reflitam junto com a equipe sobre o que tornou as mudanças anteriores bem-sucedidas, o que levou as mudanças anteriores ao fracasso e o que é necessário para tornar bem-sucedidas as mudanças futuras.

Também costumam atuar de forma consistente para entender as ambições da instituição, os desafios, a realidade, viabilizar um futuro atraente, bem como estarem dispostas e preparadas para o trabalho em equipe para fortalecer o significado e o propósito da instituição.

4. Padrões de jogo

Líderes das IES que trabalham em mudanças sustentáveis procuram desenvolver padrões de jogo, criando uma cultura institucional aberta, flexível e adaptativa ao ambiente de negócio em constante transformação.

São flexíveis, cultivam a liberdade de ação, criam espaço para criatividade, são ágeis e têm orientação para inovação. Costumam ter discussões abertas com a equipe sobre valores, normas, tensões e limitações inerentes aos processos de mudança.

Além disso, agem de forma confiável, respeitosa e verdadeira, apreciando a diversidade de perspectivas que as pessoas têm da transformação da cultura institucional. A mudança sustentável nas IES muitas vezes requer uma liderança que assuma riscos, experimente e aprenda com a incerteza do ambiente de negócio, além de manter em mente o propósito da instituição e colaborar para encontrar junto com a equipe novas formas de agir.

Também é orientada para o futuro, procura explorar os problemas e a formulação das estratégias da mudança com os profissionais envolvidos nos processos de mudança, por meio de diálogos e momentos de reflexão.

5. Conceito de jogo

O conceito de jogo para mudança sustentável nas IES exige que a liderança compartilhe princípios, propósitos, fortaleça a capacidade de mudança, apoie, experimente, monitore e aprenda com os processos de mudança. Também é flexível na criação e no monitoramento de um planejamento aberto da mudança, ajustando os processos e buscando o momento certo para orientar as transformações e as inovações.

Líderes de mudanças sustentáveis nas IES geralmente customizam uma combinação de estratégias de mudança, incentivam a liberdade de ação num conjunto de pequenas iniciativas de mudança, e vislumbram com as pessoas possíveis trajetórias para a instituição, como numa viagem de aventura.

São líderes que costumam construir as estratégias da mudança a partir das ambições, desejos, sonhos e aprendizado da instituição, criam espaço para as pessoas participarem deste processo e mantêm a coerência das várias trajetórias para a instituição, vindas da base ao topo da hierarquia.

6. Compartilhamento de jogo

Líderes bem-sucedidos em mudanças nas IES geralmente buscam um compartilhamento do jogo, ou seja, uma distribuição de responsabilidades na equipe, por meio do engajamento, senso de pertencimento, comprometimento das pessoas.

Buscam também contribuições dos incentivadores e apoiadores externos da mudança na instituição. Costumam dar suporte aos docentes, alunos e membros da comunidade acadêmica, atuando junto nos processos de mudança, colaboram e consultam todos os envolvidos na mudança, dando atenção especial às inseguranças e incertezas das pessoas.

Na condução da mudança sustentável nas IES, a liderança normalmente vê a resistência das pessoas como uma resposta a um processo de mudança mal executado e encara tal resistência como uma expressão positiva de preocupação e compromisso das pessoas que estão envolvidas e que apoiam a mudança.

Além disso, costuma construir relações de confiança por meio de uma comunicação aberta em que as incertezas e necessidades das pessoas são reconhecidas, onde elas são convidadas a contribuir para resolver os problemas e tratar das tensões inerentes aos processos de mudança.

 7. Experiência de jogo

A experiência de jogo é fundamental para as mudanças sustentáveis nas IES, e na maioria das vezes requer líderes experientes que deem atenção especial às incertezas do ambiente de negócio, demonstrem sensibilidade aos sentimentos, emoções, ambições e sonhos das pessoas, procurando envolvê-las no aprendizado reflexivo sobre as tensões e sucessos do processo de mudança da instituição.

Também têm em mente uma visão de futuro desejada e atraente de longo prazo, onde as pessoas compartilham as ambições que desejam alcançar, mobilizando a paixão delas para promover a inovação na instituição. Nestes processos de mudança, a liderança costuma ter uma visão apreciativa baseada no conhecimento tácito, considera a resistência como sinal de comprometimento das pessoas e discute problemas em tempo hábil por meio de processos de consulta e comunicação.

Também cria espaço para as pessoas refletirem e aprenderem sobre os obstáculos e as possibilidades das experiências nos processos de mudança, incorpora novas práticas de trabalho, compartilha valores, desenvolve o poder de mudança e procura aumentar a autoconfiança das pessoas.

8. Formato de jogo

Na perspectiva dos formatos de jogo para mudança sustentável, as lideranças das IES devem explorar as incertezas e criar espaço comum para as pessoas empreenderem, vislumbrar junto com as pessoas um futuro atraente para a instituição e confiar na capacidade coletiva de moldar uma cultura institucional inovadora.

Também normalmente conectam a instituição, as equipes e as pessoas, procuram motivar as pessoas e desenvolver uma cultura de aprendizado em rede no processo de mudança, onde os conflitos são vistos como fonte de renovação e inovação.

No processo de mudança sustentável das IES as lideranças devem decidir sobre o nível de profundidade da mudança, selecionando e combinando as formas e métodos das intervenções nos processos de mudança.

Também devem estar abertas ao diálogo com os níveis de topo e da base da hierarquia da instituição, consultar e trocar ideias com departamentos e representação de trabalhadores da instituição, compartilhando histórias de sucessos e experiências.

9. Jogador

O(a) jogador(a) representa a liderança atuando em mudanças sustentáveis nas IES, acreditando na capacidade de autodirecionamento das pessoas, dialogando com grupos de profissionais sobre as possibilidades da mudança por meio de experimentos, novos passos e novas práticas de trabalho.

Também deve perceber os processos de mudança como um ambiente de aventura e de conhecimento tácito, buscando ideias e reflexões de pessoas que pensam diferente. Além disso, deve considerar a incerteza como uma fonte de renovação.

Normalmente, para a mudança ser sustentável, é necessário que as lideranças das IES tenham ampla consciência da complexidade e do que está indo bem nos processos de mudança, se certifiquem que o significado, as estratégias e a implantação das mudanças sejam bem-feitas, compartilhadas e compreendidas.

Também devem demonstrar sensibilidade e empatia pelas emoções das pessoas durante o processo de mudança e ter interesse no que as motiva, assim como ter consciência das próprias preferências e fraquezas.

Assessment Modelo Eneagrama para Mudança Sustentável

A utilização do assessment MEMS pode ser uma grande inspiração para a liderança e para as instituições estimularem mudanças sustentáveis nas IES e desenvolverem modelos mentais e habilidades de liderança para implementá-las com sucesso.

Além disso, este assessment pode estimular reflexões sobre o papel da liderança em processos de mudança em ambientes desconhecidos e imprevisíveis e pode ajudar as pessoas a desenvolver qualidades, tornando realidade suas metas institucionais e pessoais com ou apesar desses ambientes. O Assessment do Modelo Eneagrama para Mudança Sustentável está disponível em joaobrillo.com

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