Descubra o potencial do raciocínio computacional e como aplicá-lo!

Leia este artigo e descubra mais sobre o raciocínio computacional e como colocá-lo em prática!

Muitos alunos aprenderam, desde o ensino básico, que estudar significa simplesmente decorar a matéria ou conteúdo que eles têm diante de si. Embora já tenha sido refutada há décadas, essa perspectiva ainda persiste, principalmente diante de provas como as de vestibular

Contudo, técnicas como o raciocínio computacional ajudam a estimular o pensamento crítico e garantir um aprendizado efetivo para os estudantes da sua instituição de educação superior (IES).

A parte lógica do pensamento se manteve, por muito tempo, restrita a áreas de exatas, como matemática e física. Acontece que o desenvolvimento tecnológico e as mudanças na sociedade trouxeram a necessidade de se criar estratégias interdisciplinares.

É aí que entra o raciocínio computacional dentro da sala de aula, ajudando os estudantes a se preparar para profissões que, cada vez mais, desafiam a sua capacidade cognitiva.

Continue a leitura e entenda mais sobre esse conceito e como levá-lo para a sua IES!

O que é raciocínio computacional?

O raciocínio computacional é uma estratégia que consiste em mobilizar os conhecimentos adquiridos para solucionar problemas de forma eficaz, partindo do uso da tecnologia.

Em outras palavras, é a habilidade de usar os fundamentos da computação de maneira crítica, criativa e estratégica, nas diferentes áreas do conhecimento para se chegar à solução de uma questão ou problema.

O raciocínio computacional, portanto permite a resolução de situações não apenas relacionadas à programação de computadores ou à navegação na internet, mas também às demais áreas do conhecimento.

Quais são os pilares do raciocínio computacional?

O pensamento computacional está dividido em alguns pilares. São eles:

  • Decomposição: divisão de um problema complexo em pequenas partes, para facilitar a sua compreensão e posterior resolução;
  • Abstração: habilidade de identificar o que é mais relevante em uma situação, de modo a filtrar o que pode ser deixado de lado;
  • Reconhecimento de padrões: como o raciocínio computacional funciona principalmente por padrões, é preciso aprender a reconhecer repetições e similaridades para agilizar o processo de resolução;
  • Pensamento algorítmico: pauta-se no uso do raciocínio lógico para a criação de soluções, por meio da sistematização.

Leia também: A importância do letramento digital para captar novos alunos nas IES

Qual é a importância do raciocínio computacional?

Como você viu até aqui, o pensamento computacional ajuda na resolução de problemas, projeção de sistemas e compreensão do comportamento humano a partir da extração de conceitos da ciência da computação.

Em sala de aula, ele pode ser usado para ensinar os alunos a construírem o próprio conhecimento sem se amparar na “decoreba”. 

Diversas competências são obtidas como resultado do processo de desenvolvimento do raciocínio computacional. Elas têm reflexos diretos no processo de aprendizado do estudante. 

Essa abordagem ajuda a melhorar aspectos do desenvolvimento cognitivo e pode ser usada desde o ensino básico até o superior.

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Quais são as habilidades desenvolvidas a partir do raciocínio computacional?

Partindo do pensamento computacional, as aulas podem ser adaptadas a um contexto social, em que os indivíduos sejam preparados para desenvolver habilidades importantes exigidas pelo mercado de trabalho.

Portanto, o raciocínio computacional pode ser essencial para desenvolver a trabalhabilidade e empregabilidade dos alunos.

Veja alguns exemplos, a seguir, de habilidades desenvolvidas pelo raciocínio computacional!

  1. Autonomia;
  2. Pensamento lógico;
  3. Conhecimento interdisciplinar.

1. Autonomia

A abstração e o pensamento algorítmico estão entre as bases do raciocínio computacional e desenvolvem a autonomia do aluno em sala de aula.

Mais do que consumidores das tecnologias que têm à disposição, os alunos passam também a produzir recursos digitais.

Isso pode ser colocado em prática, por exemplo, por meio do letramento digital. Trata-se de uma maneira de a IES fomentar o domínio de técnicas e habilidades para que os estudantes acessem, interajam, processem e desenvolvam uma multiplicidade de competências na leitura das mais variadas mídias.

O uso de ferramentas e estratégias interativas, como gamificação e robótica, encabeçado pela cultura maker na educação, pode estimular os alunos a criar suas próprias soluções para os problemas propostos e favorecer o emprego do raciocínio computacional.

2. Pensamento lógico

Esta é uma das principais habilidades adquiridas a partir do pensamento computacional. É por meio dela que os estudantes conseguem identificar padrões que definem determinadas ações.

Assim, passam a resolver situações de maneira lógica, usando a racionalidade para determinar as respostas de diferentes questões advindas das atividades do dia a dia.

3. Conhecimento interdisciplinar

Você viu que o raciocínio computacional não se restringe à programação ou às áreas de exatas. Quando aprendem a utilizar as ferramentas certas para solucionar problemas, os estudantes conseguem repetir o processo e empregá-lo em qualquer disciplina.

Sendo assim, é importante que os professores busquem a convergência dos conhecimentos, de forma a aprofundar a aprendizagem.

Leia também: Guia completo de conteúdos digitais: do conceito à elaboração

Como trabalhar o raciocínio computacional em sala de aula?

Há diferentes formas de colocar em prática o pensamento computacional na realidade escolar do ensino superior.

Ao invés de conduzir uma aula de forma tradicional, expondo conteúdos e esclarecendo dúvidas ao final, os professores da sua IES podem ajudar os estudantes a reconhecer padrões por conta própria e realizar as suas abstrações. 

Neste processo, os educadores assumirão o papel de mediadores, esclarecendo dúvidas e auxiliando em determinados pontos.

Veja como é possível fazer isso a seguir, em nosso passo a passo para aplicar o raciocínio computacional em sala de aula!

#1. Definição de objetivo

Antes de qualquer coisa, é preciso definir qual será o objetivo da aula. Ou seja, onde os estudantes precisam chegar.

#2. Alinhamento

Definido o objetivo, o professor deve explicar aos alunos como a aula funcionará, de modo que eles entendam o processo a percorrer e enxerguem, com nitidez, a finalidade do(s) desafio(s) proposto(s).

#3. Hora de propor um desafio

O próximo passo é apresentar aos estudantes a questão que eles terão que discutir ou o problema que terão de resolver.

Quanto maior a complexidade da situação, mais desafiadora ela será para a classe, que poderá ser dividida em grupos para a atividade, por exemplo. Assim, o raciocínio computacional pode ser associado à aprendizagem baseada em equipes e aprendizagem baseada em problemas.

O importante é fomentar a reflexão e ajudar os alunos a usar ferramentas (como mapas mentais, para categorizar as informações), que apoiem na construção de um argumento ou solução de um problema.

#4. Estímulo ao debate

Se sentir que a discussão não está fluindo como deveria, o educador pode dar um empurrãozinho e trazer para a mesa novas questões ou apontamentos que direcionem o debate.

#5. Abstração e reconhecimento de padrões

Quando os alunos conseguirem identificar padrões, chega o momento de ajudá-los a tirar as suas próprias conclusões e pensar nos principais pontos que ajudem a classificar o tema estudado. 

Mais do que entender o conteúdo proposto no dia, é importante auxiliá-los na compreensão da forma como estão aprendendo coisas novas.

O que mais a IES pode fazer para estimular o raciocínio computacional?

Indo além, a sua instituição de educação superior pode escolher alguns caminhos interessantes para colocar o raciocínio computacional em prática. 

Eles envolvem a adoção de novas tecnologias e também de metodologias inovadoras no ensino, como você verá a seguir. Confira!

1. Letramento digital

Já falamos sobre letramento digital neste artigo, mas vale o reforço! Com o avanço da transformação digital na educação, os estudantes devem ser preparados para lidar com essa realidade em todos os níveis de ensino.

Como você sabe, novas ferramentas digitais surgem constantemente, em uma velocidade que pode até ser difícil de acompanhar. Mas o mercado de trabalho dificilmente é inclusivo com aqueles que não estão preparados para manuseá-las.

Por isso, é preciso explorar amplamente o uso de computadores, smartphones, aplicativos, redes sociais e todos os recursos que essas ferramentas e tecnologias têm a oferecer em sala de aula.

2. Metodologias ativas

As metodologias ativas no ensino superior vêm transformando a dinâmica em sala de aula nos últimos anos. 

Elas promovem a construção do conhecimento colocando o aluno no centro do processo de aprendizagem, ao mesmo tempo em que são pautadas pela rapidez no alcance das informações.

Atualmente, há diversas alternativas que ajudam a desenvolver capacidades-chave para os estudantes, a partir de experiências formadoras mais práticas e estimulantes.

Neste sentido, as metodologias ativas de aprendizagem se inserem muito bem no contexto de formação dos chamados nativos digitais. Ou seja, jovens que nasceram e cresceram com as tecnologias digitais presentes em seu dia a dia. Não conhecem um mundo sem internet.

Diferente do que se possa imaginar, as metodologias ativas não exigem recursos complexos para que sejam colocadas em prática, podendo se adaptar à realidade da instituição de ensino.

Para tanto, é necessário que se avaliem os equipamentos de que a IES dispõe, a capacitação do corpo docente, as características dos discentes, entre outros pontos.

A seguir, indicamos algumas metodologias ativas, assim como recursos tecnológicos, que podem ser utilizadas para facilitar o desenvolvimento do raciocínio computacional.

Aprendizado por problemas

A aprendizagem baseada em problemas é uma forma de aprendizado que incentiva a proatividade e o desenvolvimento do aluno a partir de discussões profundas de casos do mundo real. O protagonista, na aula, passa a ser o estudante.

As atividades devem ser guiadas pelo professor, que deve conduzir a turma na busca por novos conhecimentos.

A ideia é que, a partir da aprendizagem baseada em problemas, os alunos entendam o conteúdo na prática, de forma engajada e autônoma.

Aprendizado por projetos

A aprendizagem baseada em projetos propõe a realização de pesquisas aprofundadas e atividades práticas, que ajudam os estudantes a alcançar um alto grau de aprendizado.

Utilizada em grandes universidades norte-americanas, ela possibilita o desenvolvimento de projetos inovadores, em que os estudantes estão no centro do próprio aprendizado.

Sala de aula invertida

Na sala de aula invertida, há uma mudança na forma tradicional de ensinar. O conteúdo que seria visto em sala de aula passa a ser estudado previamente, em casa. Já os trabalhos e atividades que seriam apresentados como “tarefa de casa” são desempenhados em classe.

Esse método atribui à tecnologia a função de permitir o primeiro contato do aluno com as informações. Enquanto isso, na sala de aula, o educador pode tirar dúvidas sobre o conteúdo e promover debates e outras atividades para reforçar o entendimento do tema estudado.

Gamificação

A gamificação na educação consiste na aplicação de estratégias de jogos nas atividades propostas em classe, a fim de aumentar o engajamento dos alunos.

Ela contribui para o desenvolvimento e participação dos estudantes, oferecendo estímulos que ajudam na construção do conhecimento de forma lúdica. 

Pode-se aproveitar modelos de jogos já existentes na rotina acadêmica, indo desde os mais tradicionais (como o xadrez, por exemplo) até os mais tecnológicos (como o uso de quizzes). O importante é adotar a lógica dos games como recurso para potencializar os aprendizados.

3. Design Thinking

O design thinking na educação é uma solução bastante utilizada para a solução de problemas. É conhecida, na educação, como aprendizagem investigativa.

Não há uma forma correta de aplicá-la, mas sim etapas a serem exploradas para a resolução de determinadas situações. São elas:

  1. Descoberta;
  2. Interpretação;
  3. Ideação;
  4. Experimentação;
  5. Evolução.

As etapas de descoberta e interpretação precisam ser construídas por meio de desafios. A ideia é despertar a curiosidade para o enfrentamento das questões levantadas. Esse deve ser realizado considerando o conhecimento prévio de cada estudante, assim como as percepções da classe para a busca de múltiplas soluções.

Já a fase de criação consiste em um brainstorming. É o momento de expor todas as ideias, até mesmo as mais sonhadoras.

Para a etapa seguinte, de experimentação, é preciso possibilitar vivências para que os alunos coloquem algumas das ideias em prática e encontrem possíveis soluções para o problema apresentado.

Por fim, a etapa de evolução consiste no desenvolvimento do trabalho, com o planejamento dos próximos passos.

Em cada uma das etapas, podem ser usadas diversas técnicas de organização e construção coletiva. Exemplos são o emprego de post-its, listas, aplicativos de organização, imagens etc.

4. Ensino híbrido

O ensino híbrido, bastante adotado por instituições de ensino atualmente, combina a aprendizagem presencial e remota. Assim, permite que o discente estude online, com o intermédio da tecnologia e de educadores, assim como permite a interação com os colegas e o professor em sala de aula.

A autonomia dos estudantes no processo de aprendizagem é uma das grandes vantagens deste modelo.

Esperamos que este artigo sobre raciocínio computacional tenha sido útil para você. Que tal conferir também nosso conteúdo sobre a aprendizagem adaptativa?

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