Taxonomia de Bloom: fotografai de um grupo de estudantes sentados em uma mesa e conversando.

O que é e como aplicar as estratégias da Taxonomia de Bloom no ensino superior?

Com o avanço da tecnologia e das pesquisas no campo educacional, ficou mais fácil perceber que o processo de ensino-aprendizagem não é igual para todos os estudantes, tampouco se dá de maneira linear. Por isso, é necessário buscar ferramentas e estratégias que permitam uma educação mais estruturada e clara e que otimizem o trabalho de alunos e professores.

Uma dessas estratégias é a Taxonomia de Bloom. Embora tenha sido pensada para uma aplicação nos ensinos fundamental e médio, ela apresenta uma organização que pode auxiliar também o ensino superior e servir como base para metodologias ativas. Neste artigo, falaremos mais sobre essa estratégia e te ensinaremos a aplicá-la na sua IES.

O que é a Taxonomia de Bloom?

A Taxonomia de Bloom, também conhecida como taxonomia dos objetivos educacionais, é uma estratégia educacional definida por uma hierarquia de objetivos para o ensino e o aprendizado. Foi desenvolvida nos anos 1950 pelo psicólogo e educador Benjamin Bloom, com auxílio de pesquisadores de múltiplas universidades norte-americanas.

A hierarquia previa a divisão dos objetivos de aprendizado em três domínios: cognitivo, afetivo e psicomotor, sendo o cognitivo o principal e mais trabalhado deles. Em cada um desses domínios, os objetivos educacionais eram classificados por uma pirâmide que previa diferentes níveis de aprendizado. 

Dessa forma, o princípio norteador era que o aluno percorresse as diferentes fases dessas pirâmides, completando ciclos de aprendizado. Para passar para o nível seguinte, portanto, o estudante deveria dominar o nível em que se encontrava, e assim sucessivamente, garantindo uma educação mais consistente.

Em 2001, em decorrência das mudanças em relação às metodologias de ensino na educação, a Taxonomia dos Objetivos Educacionais foi modificada pela primeira vez. Essa revisão deixou a taxonomia mais prática ao substituir substantivos por verbos no domínio cognitivo, e mais completa ao incluir a dimensão do conhecimento. Esses assuntos serão desenvolvidos em mais detalhes no decorrer do texto. 

Já em 2009, a Taxonomia de Bloom recebeu novas mudanças para ser aplicada de forma digital. Foi percebida aqui a importância e o aumento do ensino a distância, além de aproveitar de suas tecnologias para aprimorar ainda mais o processo de construção do conhecimento.

Leia também: Conheça 8 metodologias de ensino inovadoras para sua IES

Para que serve a Taxonomia de Bloom?

O principal objetivo da Taxonomia de Bloom é o desenvolvimento de uma formação mais completa para os alunos, em que eles possuem um papel ativo no próprio aprendizado. Por meio da valorização de outras esferas do conhecimento, além da acadêmica, a divisão em domínios propicia diferentes oportunidades educacionais.

Nesse contexto, os educadores adquirem uma visão mais completa de seus estudantes, baseada na psicologia e na individualidade desses indivíduos. Idealmente, segundo a teoria de Bloom, os alunos se tornariam capazes não só de compreender conceitos, mas também interpretá-los e solucionar problemas.

Com o avanço do diálogo sobre metodologias ativas no ensino superior, coordenadores e educadores buscam incluir em suas propostas pedagógicas estratégias que visam humanizar e ampliar o acesso dos alunos a diferentes formas de conhecimento, seja ele acadêmico, social ou pessoal. A Taxonomia de Bloom contribui para esse objetivo, fornecendo as ferramentas necessárias ao corpo docente.

A Taxonomia de Bloom, quando aplicada com base em necessidades contemporâneas na educação, é uma forma de priorizar estratégias educacionais cientificamente comprovadas para que os alunos tenham contato mais profundo com o conteúdo.

Também é um fator determinante na construção de planos de aula. Espera-se que, antes de trazer novos conteúdos, o aluno saiba reconhecer, analisar, aplicar e avaliar a informação anterior.

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Qual é a estrutura da Taxonomia de Bloom?

O conceito desenvolvido por especialistas é baseado na ideia de uma pirâmide, ou seja, em cada domínio de conhecimento há diferentes níveis de compreensão e interação com o conteúdo educacional.

Originalmente, a taxonomia de Bloom compreendeu três domínios diferentes: domínio cognitivo, domínio afetivo e domínio psicomotor. Eles se completam em relação a uma formação mais dinâmica, mas as estratégias de compreensão de cada um são diferentes.

No domínio cognitivo estão as etapas de aprendizado de conteúdo do aluno. Ele visa organizar os objetivos educacionais e é dividido em seis níveis diferentes, aqui representados da base para o topo:

  • Conhecimento: o aluno pode reconhecer ou lembrar de conteúdos previamente discutidos, tais como dados, fatos, regras, critérios e classificações. Nesse nível, ele não precisa entender o que esses conteúdos significam.
  • Compreensão: diz respeito à habilidade de interpretar, relacionar, comparar e organizar fatos e pensamentos trabalhados em sala de aula
  • Aplicação: nesse nível, o aluno coloca em prática o conhecimento adquirido, como na resolução de problemas e na utilização dessas informações em outros contextos.
  • Análise: faz referência à habilidade de processar e examinar informações em partes, criando relações entre elas. Além disso, esse nível foca em saber interpretar evidências, motivos e causas, criando uma base que justifique afirmações genéricas.
  • Síntese: é o momento em que o estudante pode categorizar, modificar e relacionar informações diversas em torno de um mesmo conhecimento. É nesse nível que ele aprende a juntar partes para formar um todo.
  • Avaliação: capacidade de exprimir julgamento, ter opiniões, questionar, ter critérios para analisar as informações recebidas.

Já no domínio afetivo, o objetivo educacional é conferir ao estudante habilidades socioemocionais necessárias para sua formação. É aqui que ele aprende a interagir, em um nível individual, com a informação recebida. Os seus estágios são:

  • Recepção: em primeiro lugar, o aluno adquire consciência de suas emoções e ações.
  • Resposta: então, o aluno passa a ter papel ativo na aprendizagem, respondendo aos estímulos feitos pelo professor ou por colegas.
  • Avaliação: neste estágio, o aluno tem a habilidade de atribuir valor às informações e acontecimentos. Este nível representa um comportamento mais consciente e internalizado.
  • Organização: com todos os níveis anteriores completos, esta é a fase da pirâmide em que o aluno pode comparar e relacionar as informações, priorizando aquelas que considera mais importantes.
  • Caracterização: por fim, o aluno se torna consciente de que o aprendizado de determinada informação faz parte de quem ele é. Aqui, suas características pessoais passam a ser mais nítidas. Além disso, são construídas crenças que influenciam o seu comportamento.

 O terceiro domínio é o psicomotor, que abrange a parte física e sensorial do aprendizado. Ele se constituiu como uma peça relevante para educadores e alunos por compreender as mudanças de comportamento frente ao conteúdo. É dividido em cinco estágios:

  • Percepção: em primeiro lugar, o aluno utiliza os sentidos para perceber o mundo exterior.
  • Predisposição: depois, ele desenvolve a habilidade de se preparar física, mental e emocionalmente para absorver a informação, demonstrando que está pronto para fazer o que foi proposto.
  • Resposta guiada: aqui, o aluno é instruído pelos educadores a completar tarefas e absorver as informações. Suas respostas a perguntas são, portanto, guiadas.
  • Resposta mecânica: agora, as instruções não são mais necessárias e o aluno consegue formular respostas automáticas ao estímulo.
  • Resposta completa e clara: no topo da pirâmide está a habilidade de realizar as ações completa e individualmente. Conseguem, desse modo, dar respostas claras sem nenhum tipo de ajuda.

Como a Taxonomia de Bloom foi adaptada para o séc. XXI?

Em 2001, algumas diretrizes da proposta original, feita em 1956, foram revisadas por psicólogos cognitivos e especialistas em educação. Eles trabalharam em um modelo mais contemporâneo da estratégia. Nessa versão, a Taxonomia se torna menos estática. 

Além disso, o domínio cognitivo é totalmente reformulado. No lugar de substantivos, entram os verbos, que sinalizam cada estágio de aprendizado. Assim, a lista oficial (novamente, da base para o topo) desse domínio passa a ser a seguinte:

  • Lembrar: em um primeiro momento, o aluno pode memorizar e repetir conceitos.
  • Entender: em seguida, é possível explicar e comparar ideias.
  • Aplicar: aqui, entra a aplicação de conceitos na resolução de problemas.
  • Analisar: depois, o aluno pode conectar ideias, levantar hipóteses e conduzir experimentos.
  • Sintetizar: com o conhecimento adquirido, o aluno tem habilidade de justificar e avaliar pontos de vista relacionados.
  • Criar: por fim, o estudante adquire a habilidade de formular e trazer novas ideias para a discussão.

Entretanto, essas não foram as únicas mudanças observadas na Taxonomia de Bloom original. A sua estrutura também se transformou: antes, ela era formada por apenas uma dimensão, chamada de “dimensão do conhecimento”. Essa dimensão dizia respeito ao tipo de conhecimento a ser aprendido pelo aluno e é dividida em quatro níveis:

  • Conhecimento factual: diz respeito ao conhecimento de terminologias e detalhes específicos de um determinado conteúdo.
  • Conhecimento conceitual: faz referência ao conhecimento de classificação, princípios e generalizações, além de teorias e modelos gerais de um conteúdo.
  • Conhecimento procedural: que se relaciona ao conhecimento de habilidades específicas de uma disciplina, além de suas técnicas e modos.
  • Conhecimento metacognitivo: que se refere a um conhecimento estratégico acerca de um conteúdo, além do autoconhecimento.

Com as alterações feitas em 2001, no entanto, surge uma segunda dimensão, que identifica o processo cognitivo, isto é, o modo como os alunos aprendem. Assim, os professores visam responder três perguntas principais: “o que aprender?” (dimensão do conhecimento) e “como e para quê aprender?” (dimensão cognitiva).

O que é a Taxonomia Digital de Bloom?

A educação segue sempre em constantes mudanças. Novas metodologias estão surgindo, e, com a internet, isso tem ficado cada vez mais comum. Logo, a Taxonomia de Bloom também se reinventou.

O Ensino Superior a Distância (EaD) já se tornou, em 2019, a modalidade de ensino com o maior número de estudantes nas universidades. Para além disso, a Portaria nº 2.117, de 6 de dezembro de 2019, permitiu que as instituições de educação superior (IES) ofertassem até 40% da carga horária de seus cursos presenciais na modalidade EaD, fortalecendo, assim, o ensino híbrido nas graduações.

Com todas essas modificações no ensino ocorrendo de forma tão rápida, o educador Andrew Churches, propôs, em 2009, a Taxonomia Digital de Bloom. Esse novo formato se utiliza dos avanços feitos pela revisão da Taxonomia de Bloom em 2001 e soma a eles o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação, que já vinham sendo aplicadas para aprimorar a sua forma online.

Com a inserção da internet na Taxonomia de Bloom, outros verbos precisaram ser adicionados para retratar essa nova realidade. Termos como twittar, upar, blogar e etc foram introduzidos para que cada nível do aprendizado pudesse ser expandido com o uso das inovações tecnológicas.

Vamos ver, agora, como essas inovações podem se inserir em cada nível do domínio cognitivo:

1º Nível — Lembrar

Nesse primeiro aspecto, o estudante deve se recordar de conhecimentos básicos e fundamentais e, aqui, a internet pode ter uma grande inserção.

A utilização de vídeos, jogos, animações e aplicativos que podem, por exemplo, trazer cards de conteúdo e jogos da memória, são ferramentas muito potentes para esse nível de aprendizagem. Aqui, termos como googlar, favoritar, marcar (bookmark, ou seja, grifar texto online), participar de redes sociais e pesquisar trazem muito sentido para a Taxonomia de Bloom.

2º Nível – Compreender

Neste momento, o aluno deve entender o conteúdo que foi visto. Para isso, o uso de recursos visuais são bastante recomendados no processo de afixar o conhecimento.

Podem ser usados aqui, por exemplo, gráficos, tabelas e demais imagens com fins educativos, além de questionários e avaliações online. Palavras como taguear (etiquetar), blogar e comentar são neste momento inseridas.

3º Nível – Aplicar

Neste ponto, o estudante, com o auxílio do professor, deve conseguir pôr em prática o que aprendeu. Jogos virtuais (gamificação), simulações e testes online são bons exemplos de recursos que ajudam o aluno a colocar o conhecimento adquirido em prática.

No terceiro nível, o estudante tem mais interação prática com a matéria, devendo ser instigado ao máximo a solucionar problemas reais com o que aprendeu nas aulas. Aqui trazemos verbos como jogar, compartilhar, desenhar, operar, roteirizar, editar, exibir, integrar, etc.

4º Nível – Analisar

Aqui, o aluno já possui um amplo domínio do conteúdo estudado. É o momento de interagir com outros estudantes e também com os professores para que se possa relacionar o que foi aprendido e formular um conhecimento mais aprofundado.

Os recursos chave aqui são aqueles que nos trazem interação, como, por exemplo, os próprios Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), os chats e os fóruns de discussão. Linkar, mapear, recombinar, embedar (utilizar embed, que significa incorporar conteúdo) e ilustrar são as novidades do nível da análise no meio digital.

5º Nível – Avaliar

Após ter adquirido conhecimento suficiente das etapas anteriores, chega a hora em que o aluno é capaz de avaliar o seu desempenho e o de seus colegas.

De forma ainda mais colaborativa, aqui os estudantes devem fazer bastante uso de chats e fóruns de discussão, buscando sempre construir um conhecimento coletivo e a protagonizarem cada vez mais o ensino. Articular, revisar, comentar em blog, revisar e moderar são as novas ações praticadas no penúltimo nível.

6º Nível – Criar

Com a junção de tudo que foi aprendido nos níveis anteriores, chegou o momento em que o aluno deve formular coisas novas. A criação de projetos deve ser feita aqui, aproveitando o conhecimento previamente adquirido e o uso das tecnologias no meio digital.

Editores de imagem, podcasts, editores e aplicativos de hospedagem de vídeos e etc são ótimas ferramentas que contribuem para que o conhecimento e a criatividade do estudante sejam postos em prática. Palavras como blogar, gravar, twittar, mixar, programar, upar, animar e filmar se inserem aqui, como possibilidades para o processo de criação do aluno.

Quais são as vantagens da Taxonomia de Bloom?

Agora que você já conhece essa estratégia de ensino mais profundamente, é hora de entender quais são as suas vantagens e por que você deve aplicá-la na sua IES. Por isso, separamos alguns dos pontos positivos:

1. Promove um aprendizado mais completo

A Taxonomia de Bloom, quando aplicada com base em necessidades contemporâneas na educação, é uma forma de priorizar essas estratégias educacionais cientificamente comprovadas para que os alunos tenham contato mais profundo com o conteúdo. 

Afinal, ao hierarquizá-lo, ela aumenta as chances de garantir que o processo de ensino-aprendizagem está se dando de maneira mais eficaz, já que os estudantes só chegam ao nível seguinte quando dominam aquele em que se encontram. 

2. Ajuda a planejar e definir objetivos de aprendizagem

Essa estratégia também é um fator determinante na construção de planos de aula. Essa é uma parte fundamental da organização docente, e a Taxonomia permite que os professores a realize de forma mais otimizada.

Uma vez que a Taxonomia de Bloom ajuda a definir as etapas pelas quais o aluno precisa passar, os educadores podem elaborar suas aulas de modo mais claro e objetivo. Assim, criam planos mais bem direcionados, otimizam o tempo de aula e conseguem aplicar todo o conteúdo.

3. Auxilia na escolha de ferramentas e estratégias pedagógicas

Com um plano de aula mais claro, é mais fácil para os professores determinar quais ferramentas e estratégias serão usadas em suas aulas. Essa escolha mais assertiva permite alcançar um objetivo educacional com mais facilidade, ter maior engajamento dos alunos e construir salas de aulas mais dinâmicas e funcionais.

4. Permite avaliar o aprendizado de forma contínua

Na Taxonomia de Bloom, espera-se que, antes de aprender novos conteúdos, o aluno saiba reconhecer, analisar, aplicar e avaliar a informação anterior. Diante dessa continuidade educacional, é possível identificar, a longo prazo, a evolução individual dos alunos. 

Com isso, os professores e coordenadores podem avaliar melhor como se deu o processo de ensino-aprendizagem, como ele pode melhorar e como os alunos estão respondendo a ele.

5. Estimula o desenvolvimento de diversas habilidades

Uma vez que é dinâmica, a Taxonomia de Bloom incentiva que os alunos desenvolvam uma série de habilidades. Estas serão úteis não apenas nos contextos acadêmicos, mas também fora da sala de aula, quando os estudantes estiverem lidando com o mundo real. Como exemplo, podemos citar o pensamento crítico, a resolução de problemas e a autonomia.

Como desenvolver a Taxonomia de Bloom na prática?

Como mostramos ao longo deste artigo, essa estratégia educacional apresenta grande valor para a proposta pedagógica no ensino superior. 

Considerando as demandas por uma formação multidisciplinar, os planos de aula nas IES devem contemplar não só o conteúdo de cada disciplina, mas a forma como ele é difundido. Desse modo, apresentaremos, a seguir, três formas de desenvolver a Taxonomia de Bloom no ensino superior:

1. Hierarquizando conteúdos para aprofundar a compreensão

O educador pode usar as divisões hierárquicas para determinar o nível de compreensão dos alunos, as dificuldades apresentadas e unir conhecimentos. Essas atividades podem ser feitas por meio de perguntas que incentivem os alunos a pesquisar e relacionar conceitos, trabalhos em grupo etc.

Em uma aula laboratorial, por exemplo, os alunos podem, primeiro, memorizar um conceito para, em seguida, levantar hipóteses, ter embasamento e emitir opiniões. Da mesma forma, aulas expositivas podem levar a seminários de alunos, após análise e síntese do tema. 

2. Associando a Taxonomia de Bloom às metodologias ativas

A Taxonomia de Bloom permite a aplicação de metodologias ativas específicas, como o Método PBL (que é composto pela Aprendizagem Baseada em Problemas e pela Aprendizagem Baseada em Projetos) e a Gamificação

O primeiro é focado na resolução de problemas, de modo que professor e alunos podem dividir um projeto em partes, compreendendo-as uma a uma, até que se chegue a uma noção geral.

Já a gamificação também é estruturada de maneira hierárquica. Por isso, o professor pode construir um conteúdo de maneira direcionada, começando com fases mais simples e tornando-as mais difíceis conforme a disciplina se desenvolve e aprofunda. 

3. Avaliando de maneira mais detalhada

Outro ponto central para o uso da Taxonomia de Bloom nas IES é o processo de avaliação: o educador pode, com base nela, compreender quais lacunas acontecem durante o percurso da pirâmide e, então, analisar os fatores afetivos e psicomotores que as causam. 

Por exemplo: um plano de aula teórico pode não contemplar as necessidades psicomotoras de todos os alunos. Da mesma forma, uma aula puramente prática pode interferir no domínio cognitivo de alguns estudantes. 

É importante ressaltar que o processo de avaliação não deve ser entendido com um fim em si. Ou seja, ele não deve ser aplicado apenas no final do semestre para aferir a quantidade da matéria que foi aprendida pelo aluno. 

As atividades avaliativas são um meio de compreender o que o estudante está retendo do conteúdo ensinado, quais didáticas e ferramentas funcionam melhor para cada nível do aprendizado e, também, quais são os melhores métodos para analisar, de forma mais próxima da realidade, se o aluno está desenvolvendo o conhecimento da disciplina em questão, de forma quantitativa e qualitativa. Por isso, é importante que sejam realizadas durante todo o percurso de aprendizagem do estudante, e não apenas no final.

A partir desse tipo de diagnóstico, podem ser implementadas mudanças, tomando como base, por exemplo, estratégias de ensino inovadoras, que auxiliem nas diferentes formas de compreensão, contemplem alunos com diversas aproximações do conteúdo e tornem a experiência pedagógica mais rica e os alunos mais responsáveis pelo próprio aprendizado.

As avaliações realizadas com a Taxonomia de Bloom também podem ser aplicadas de forma digital, seja na EaD ou nas matérias online do ensino presencial

Leia também: como ensino híbrido e metodologias ativas se relacionam?

E como elaborar conteúdos a partir da Taxonomia de Bloom?

Os domínios cognitivo, afetivo e psicomotor devem ser observados e contemplados no planejamento de todas as atividades, e, também, do plano de aula como um todo, assim como os objetivos específicos de cada nível devem ser respeitados e desenvolvidos em ordem hierárquica. Ao trazer um novo conteúdo, os professores devem se atentar ao verbo que deve ser trabalhado naquele momento, para que a Taxonomia de Bloom seja utilizada de forma correta, trazendo assim um processo educacional completo.

O plano de aula deve ser pensado com antecedência, observando sempre qual o objetivo educacional de cada etapa, determinado pela taxonomia, que será alcançado. No decorrer das aulas, é de extrema importância que o corpo docente vá avaliando de forma contínua os avanços no aprendizado individual e coletivo da turma, para que possa perceber qual o melhor momento de usar cada ferramenta. Essas metodologias de aula devem ser preparadas com base em três perguntas, sendo elas: 

1) “O quê?” – aborda aqui o conceito do que será desenvolvido na aula, delimitando o que o estudante deve saber nesse nível para chegar ao seguinte.

2) “Como?” – nesse ponto, o professor deve selecionar seu método, o processo que será utilizado para que o assunto seja passado para o aluno.

3) “Para quê?” – aqui é analisado o motivo pelo qual o estudante deve absorver o conhecimento em questão, sendo sempre importante relacionar o que é aprendido com outros assuntos e com o mundo real.

Leia também: saiba o que é, importância e como elaborar um plano de ensino superior

6 Dicas para aplicar a Taxonomia de Bloom

Agora que já sabemos mais sobre a Taxonomia de Bloom, veremos dicas centrais para que sua aplicação seja certeira! 

1. Focar no aluno

É de extrema importância sempre lembrar que a parte central da educação é o aluno. Na Taxonomia de Bloom, grande parte de seus métodos levam em consideração a individualização do estudante, afinal, o ensino depende do ritmo de aprendizagem dele.

Também se deve respeitar a autonomia e o protagonismo do estudante. Um ensino descentralizado da figura do professor é o modelo que mais vem crescendo em termos de metodologia do ensino, e, na EaD, sua aplicação tem se tornado indispensável.

2. Utilizar recursos online

A internet, e seus incontáveis recursos, são aliados importantíssimos da educação no século 21. Um bom uso das plataformas de aprendizagem facilita o processo de implementação da Taxonomia de Bloom nas aulas.

Ferramentas como fóruns de discussão, vídeos, testes online e gráficos, por exemplo, servem para melhorar a qualidade do ensino, assim como para realizar avaliações mais precisas do avanço dos estudantes.

3. Ser realista

É indispensável que o tempo do estudante seja respeitado, sem que o processo de aprendizagem seja atropelado pelo plano de ensino. Lembre-se que o estudante está no centro da aula, e que o seu desenvolvimento deve ser incentivado, e não forçado.

É importante, também, observar as atividades propostas para cada etapa da Taxonomia de Bloom. Recursos muito complexos – aplicados em atividades simples – podem dificultar, mais do que ajudar, no processo de aprendizagem.

4. Avaliar constantemente o processo educacional

As tecnologias aplicadas no ensino não servem apenas para avaliar os alunos, como também para avaliar os procedimentos usados durante as aulas. Compreender quais são as metodologias que funcionam em cada etapa e para cada um dos estudantes é uma tarefa contínua e central para que o ensino seja realmente de sucesso.

5. Manter objetivos claros

Se o aluno é o protagonista do ensino, é importante que ele entenda como e porquê sua educação se dará daquela forma. Deixar claro os objetivos de cada etapa para o aluno facilita com que eles sejam alcançados de forma satisfatória.

6. Respeitar a hierarquia da Taxonomia de Bloom

Lembre-se que a Taxonomia de Bloom é uma metodologia de ensino de eficácia comprovada, fruto do desenvolvimento de muitas pesquisas na área da educação. Entender e respeitar a ordem hierárquica dos níveis é necessário para que o modelo funcione.

Em diversos momentos, os próprios estudantes, de forma inconsciente, poderão alterar a ordem de cada objetivo no seu aprendizado. É indispensável que o professor esteja atento aos seis níveis do domínio cognitivo para trazer o aluno para o ponto correto sempre que alguma etapa do caminho seja pulada.

Exemplo prático de aplicação da Taxonomia de Bloom

Para finalizar o artigo, vamos agora exemplificar o uso da Taxonomia de Bloom. Para isso, utilizaremos a Segunda Guerra Mundial como assunto para ser aplicado em atividades em cada etapa do aprendizado:

  • Lembrar: Neste primeiro nível, o aluno deve memorizar conceitos. Como atividade, pode ser proposto que ele identifique as datas de início e término da guerra e enumere os principais países que compunham as alianças militares (Aliados e Eixo).
  • Entender: Aqui, ele deve explicar algo do conteúdo, podendo, por exemplo, ter que descrever as motivações de cada aliança na guerra.
  • Aplicar: Agora, é importante que o aluno possa aplicar o que viu em casos práticos. Uma boa ideia seria desenvolver um texto sobre como seria o mundo se os países do Eixo tivessem vencido a guerra.
  • Analisar: Com o domínio de conceitos menores dentro da disciplina, o professor pode pedir que o estudante explique qual a influência do fascismo nos dias de hoje por meio de recursos audiovisuais.
  • Sintetizar: Ao desenvolver a capacidade de ligar pontos da disciplina que se conectam, uma boa atividade seria pedir para o aluno construir uma relação do fim da Segunda Guerra Mundial com a transformação dos EUA e da URSS em superpotências e, também, com o início da Guerra Fria.
  • Criar: No último momento, o estudante deve propor coisas novas. Ele pode, aqui, ter que produzir simulações de reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU) com seus colegas, com a finalidade de impedir o acontecimento de novas guerras, utilizando os conhecimentos adquiridos anteriormente sobre as motivações e as sanções impostas às nações.

Esperamos que você tenha gostado de nosso conteúdo sobre a Taxonomia de Bloom! Se você quer aplicá-la em sua instituição de educação superior, aproveite para entender melhor sobre como as ferramentas digitais facilitam a implementação de metodologias ativas em sala de aula!

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