Entenda a teoria da aprendizagem significativa, seus conceitos e suas vantagens

Teoria da aprendizagem significativa: fotografia de uma sala de aula com foco em um estudante erguendo o braço para falar.
Afinal, como surgiu a teoria da aprendizagem significativa? Quais são seus principais conceitos? Com quais metodologias de ensino ela se relaciona? Tire todas as suas dúvidas neste artigo!

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No Blog Saraiva Educação, já falamos sobre a importância de descentralizar o ensino usando métodos de aprendizagem ativa. Afinal, hoje em dia, a função do professor não é mais ser o detentor de todo o conhecimento da sala de aula. 

Pensando nisso, apresentamos uma série de metodologias de ensino que podem ajudar a sua instituição de educação superior (IES) a inovar nesse campo. 

 Nós também já dissemos que as diferentes estratégias se baseiam em diferentes teorias de aprendizagem. Para ilustrar essa relação, destacamos a teoria da aprendizagem significativa e mostramos como ela pode ser aplicada na sua IES. No entanto, para compreender de verdade o que essa teoria propõe, é preciso aprofundar um pouco alguns dos seus conceitos.

O contexto de surgimento da teoria da aprendizagem significativa

Antes de partirmos direto para a teoria, é preciso recapitular não só o que ela representa, mas o contexto em que se insere. Por isso, vamos olhar para as propostas pedagógicas que estavam surgindo antes dos anos 1960. Afinal, é em 1963 que David Ausubel publica pela primeira vez sobre a sua teoria da aprendizagem significativa.

De modo geral, a formação pedagógica, até o final dos anos 1950, estava focada em uma educação técnica. Isso significa dizer que aos professores cabia a função de ensinar e, aos alunos, a de aprender. Esse processo era feito de forma mecanizada, sobretudo a partir da memorização de informações

A partir dos anos 1960, porém, surgem teorias que buscam olhar para o processo de ensino-aprendizagem de maneira mais ativa. Dentre elas, como já dissemos, encontra-se a teoria da aprendizagem significativa. Ela não está, contudo, sozinha. Aproxima-se das noções de Jean Piaget (com as suas fases do desenvolvimento) e de Lev Vygotsky (com o seu ensino como um processo social). Essas teorias promovem uma mudança na forma de pensar o ensino e o papel do professor e do aluno. 

Leia também: Guia completo para a aplicação de metodologias ativas no ensino superior

O que é a teoria da aprendizagem significativa

É a teoria da aprendizagem que tem como foco a ideia de que, para uma pessoa ganhar novos conhecimentos, ela precisa partir de experiências e conhecimentos que já possui. Essa teoria deriva de outra, a teoria cognitiva. No entanto, a teoria cognitiva foca nas habilidades mentais mais importantes para a formação do conhecimento — como o raciocínio lógico, a memória etc. 

Isso significa que, para essa teoria de aprendizagem, o elemento mais importante é o chamado “conhecimento prévio”, ou “subsunçor”, que vai se relacionar a algo novo. É a partir dele que o educador poderá elaborar novas relações entre conteúdos. Além disso, é ele que servirá como base para que o aluno compreenda o que está sendo ensinado. 

Os subsunçores podem ser mais ou menos desenvolvidos, a depender do aluno e do tema a que se referem. Se levamos em consideração os pensamentos de Vygotsky, sabemos que o indivíduo aprende sempre em relação com o seu meio. Por isso, os seus conhecimentos prévios podem variar de acordo com o local onde ele se desenvolve, as pessoas com quem interage, os modos de lazer que adquire etc. 

No entanto, nem todos os conhecimentos prévios funcionarão como facilitadores de aprendizagem. Por isso, é importante que professor e aluno negociem significados dos quais partirão — mas falaremos mais sobre isso adiante! De toda forma, um subsunçor pode acabar passando uma ideia imediata equivocada, e cabe ao professor notá-la e corrigi-la ao longo do processo educativo.

O conhecimento prévio e a teoria da abordagem significativa 

O conhecimento prévio se relaciona com a estrutura cognitiva de duas maneiras simultâneas. A diferenciação progressiva é o processo a partir do qual os significados se tornam mais robustos conforme nós os utilizamos. Já a reconciliação integradora faz com que esses significados adquiridos e reforçados pelo uso se diferenciem uns dos outros. 

São esses dois processos, unidos, que permitem que o conhecimento prévio interaja com os novos conhecimentos. A partir deles, o aluno consegue relacionar novos conteúdos com informações que já possui, agrupando-os ou separando-os conforme suas especificidades. Dessa maneira, refina seu conhecimento e se prepara para correlacionar cada vez mais informações.

É importante mencionar, no entanto, que a teoria da aprendizagem significativa não faz com que um indivíduo não esqueça informações. O ensino ativo dessa teoria contribui para que as relações de aprendizado sejam cada vez mais fortes, mas o esquecimento também é um processo natural. Ausubel, em sua teoria, se refere a essa possibilidade como “assimilação obliteradora”.

A aprendizagem significativa versus a aprendizagem mecânica

Uma das características centrais da teoria da aprendizagem significativa é que ela faz com que o aluno assuma uma postura ativa diante do conteúdo ensinado. Assim, o seu processo educacional é conjunto: ele e o professor trabalham juntos e têm um objetivo comum. Por essa razão, a memória do aluno tende a ser mais estimulada e o processo de ensino-aprendizagem, mais eficaz.

A aprendizagem mecânica, por sua vez, faz com que o aluno tenha uma postura passiva diante do professor. Enquanto este é considerado a única fonte de informação na sala, ao aluno cabe apenas absorver informações, sem participar desse processo. Assim, a sua retenção de conteúdo fica muito mais baixa e o ensino acaba sendo menos efetivo.

Hoje, a educação brasileira tende a ser muito mecanizada. Devido a essa estrutura, o aluno aprende apenas o suficiente para cumprir um objetivo de curto prazo — passar na prova, ir para a série seguinte, obter sucesso no vestibular etc. Em seguida, grande parte do seu conhecimento é esquecido, uma vez que não foi fixado na estrutura cognitiva.

Com a teoria da aprendizagem significativa, no entanto, isso não acontece. Mesmo quando ocorre a “assimilação obliteradora”, há ainda um resíduo de informação na estrutura cognitiva do indivíduo. Por isso, basta um estímulo externo que desencadeie as relações de conhecimento que ele formou, e então a memória daquele conhecimento pode ser acessada novamente. 

A principal diferença entre a aprendizagem significativa e a mecânica, portanto, é não apenas a participação do aluno no seu processo de ensino, mas a durabilidade desse processo. Muito mais do que simplesmente despejar informações, essa teoria de aprendizagem estimula o aluno a buscar, com base no que já conhece, links e relações possíveis. No entanto, a aprendizagem significativa não acontece de qualquer maneira.

O desenvolvimento da aprendizagem significativa

Existem duas regras básicas para que a teoria da aprendizagem significativa possa ser aplicada. São elas: 

  1. O material de aprendizagem tem que ser potencialmente significativo;
  2. O aprendiz tem que apresentar predisposição para aprender significativamente.

A primeira delas indica que o material precisa ter significado lógico. Afinal, é com ele que os subsunçores interagirão para que o aluno adquira novos conhecimentos. Se o conteúdo desse material não conversa com os conhecimentos prévios daquele grupo, a aprendizagem não pode ocorrer.

A segunda regra determina, por sua vez, que o aluno deve ter esses conhecimentos prévios, para que então os associe ao material e às informações. Sem subsunçores, o indivíduo não conseguirá assimilar os novos conhecimentos.

Mas como o professor pode garantir a aprendizagem significativa? Em primeiro lugar, é preciso manter em mente que, embora seja essencial para essa teoria, a atribuição de significado não é imediata. Ela pode demorar muito a acontecer, e, para que seja possível, é necessário desenvolver um trabalho conjunto. 

A abordagem triádica na teoria da aprendizagem significativa

O aluno não estará necessariamente interessado em adquirir novos conhecimentos, ou em relacioná-los aos que já possui. Sobretudo por não conseguir enxergar neles uma aplicabilidade prática, é possível que ele opte por um aprendizado mecânico, apesar dos esforços do professor.

No entanto, você se lembra de quando mencionamos a “negociação de significados”? É aqui que ela entra. Professor e aluno devem encontrar um ponto comum do qual partir. No fim, cabe principalmente ao aluno se interessar pela aprendizagem e relacionar o novo conteúdo a algo que ele já conhece. Mas o professor pode ser um facilitador desse processo.

Mais uma vez, é preciso lembrar de Vygotsky e levar em consideração que o aluno aprende em relação ao meio no qual se insere. Por isso, processos de interação social são muito importantes para que ele adquira conhecimentos prévios, que podem ser usados pelo professor em seguida.

Ocorre, assim, a chamada “abordagem triádica” entre o aluno, o professor e o material do currículo. Essa abordagem, também conhecida como “perspectiva interacionista social”, permite que o aluno aprenda enquanto capta os significados propostos pelo professor e aceitos no seu meio social

Desenvolvendo a aprendizagem significativa

É a partir da relação entre o conhecimento prévio e os novos conhecimentos que a aprendizagem significativa se desenvolve. Já explicamos como os subsunçores participam do processo de ensino-aprendizagem, e também que o professor não é o único responsável por ele. Mas como essa teoria da aprendizagem efetivamente pode ser desenvolvida?

Existem três tipos de aprendizado significativo, que se relacionam de modo sequencial:

  1.   Representacional: é aquele em que símbolos arbitrários passam a representar determinado objeto ou evento. Por exemplo, quando unimos a imagem do pássaro ao seu nome, “pássaro”.
  2.     Conceitual: acontece à medida que adquirimos regularidade para tal objeto ou conceito. Por exemplo, quando entendemos as características que compõem o grupo de “pássaros”.
  3.     Proposicional: ocorre quando o indivíduo consegue dar forma a novas ideias expressas na forma de uma proposição.

Pensando que essa é a maneira como o conhecimento toma forma na teoria da aprendizagem significativa, aqui vão algumas ideias para desenvolvê-la em sala de aula:

  1.   Contextualize o tópico que será abordado. Desse modo, os alunos poderão começar a fazer relações com seus subsunçores de maneira individual.
  2.   Converse com a sua turma. É a melhor forma de conhecer os significados que foram formados individualmente e começar a negociação de significados.
  3. Dê um exemplo prático. Assim, todos podem ficar “na mesma página” sobre aquele conteúdo e as possíveis conexões entre ele e o dia a dia.
  4. Peça que os alunos expliquem um determinado conceito. Para isso, é comum que eles recorram a suas vivências, e, portanto, assimilem melhor o conhecimento.

Agora que você já sabe como a teoria da aprendizagem significativa pode ser aplicada na sua IES e já conhece mais a fundo os seus conceitos, basta promover uma maior interação entre alunos e professores! Assim como já mostramos ao falar da aprendizagem entre pares, o conhecimento compartilhado consolida o aprendizado e promove melhores resultados.

E, se após você entender melhor sobre a teoria da aprendizagem significativa, deseja saber mais sobre aprendizagem ativa, pode conferir uma lista com oito livros sobre essa metodologia!

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