Metodologia de negócios na educação: conheça a eduscrum!

A metodologia scrum, que oferece agilidade e eficiência na criação de projetos, pode ser adaptada para o ensino superior. Saiba como!
Eduscrum: pessoas se organizam

Você sabe o que é e como pode ser utilizada a metodologia eduscrum?

Em qualquer contexto educacional, a necessidade de um bom gerenciamento de tarefas e projetos é essencial. São desempenhadas, em sala, muitas tarefas de aprendizagem diferentes, que envolvem trabalhos em grupos numerosos, projetos, além de muitos prazos a serem conciliados.

Muitas soluções para isso, entretanto, não vêm de metodologias pedagógicas tradicionais, e sim de metodologias criadas pelos setores de tecnologia, que estão sempre buscando maneiras de aprimorar e otimizar processos. Algumas delas são as metodologias ágeis, que são muito utilizadas nesses setores e até mesmo fora deles.

Uma das inovações que surgiram a partir desse processo de interação entre salas de aula e desenvolvimento tecnológico externo é a eduscrum. 

Essa metodologia define uma maneira de planejar, gerenciar e executar qualquer tipo de projeto em sala de aula de forma eficiente e organizada. Além disso, o melhor: com ela, é possível obter resultados rápidos e, a partir deles, corrigir erros e sanar dúvidas de forma muito mais ágil.

Quer entender mais sobre metodologias ágeis e como aplicar a eduscrum no ensino superior? Continue lendo este artigo!

O que são metodologias ágeis?

Antes de entender o que é a eduscrum, é fundamental entender o que são as metodologias ágeis. Vamos lá?

As metodologias ágeis surgiram nos meios de desenvolvimento de software, em resposta a vários problemas encontrados pelas equipes ao longo das décadas de evolução dos computadores e dispositivos digitais. 

Esses problemas eram relacionados principalmente ao modo “engessado” com que novas aplicações eram criadas, considerando um fluxo rígido e pouco suscetível a mudanças e aprimoramentos.

Com isso, um grupo de desenvolvedores de software se uniu, no início de 2001, para criar o chamado Manifesto Para o Desenvolvimento Ágil de Software, ou apenas Manifesto Ágil, como ficou conhecido. Trata-se de uma declaração dos principais fundamentos, valores e princípios para que esse desenvolvimento ocorra de forma ágil, coerente e adequada ao funcionamento saudável das equipes de tecnologia.

Esse manifesto originou o que chamamos de metodologias ágeis, que são uma sistematização de processos bastante flexíveis (a depender do escopo das equipes envolvidas), que permite:

  •       Aumento de agilidade nas tarefas e processos;
  •       Tomada de decisões rápidas;
  •       Diminuição de obstáculos para realização de tarefas;
  •       Corte de trabalho desnecessário;
  •       Redução de burocracias;
  •       Aumento de eficiência;
  •       Estímulo a “errar rápido para acertar rápido em seguida”;
  •       Flexibilidade nas operações, de modo a abraçar eventuais mudanças que surjam no meio do caminho.

Dentro das metodologias ágeis, temos a scrum, que dá origem à adaptação eduscrum — foco do nosso artigo! Entretanto, para entender a eduscrum, precisamos conhecer, antes, como funciona a scrum.

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E do que se trata a scrum?

A scrum consiste em um conjunto de processos e rituais em uma equipe, responsáveis por fazer com que o trabalho ande muito mais rápido e apresente resultados eficientes em um curto espaço de tempo.

As equipes que trabalham com a metodologia ágil scrum são chamadas de times, e cada time tem duas lideranças:

  1. O scrum master, que é o responsável por gerenciar o trabalho do time e garantir que os processos e princípios da scrum estejam andando conforme o esperado,
  2. E o product owner, que é responsável por gerenciar os interesses de todos os stakeholders do projeto, em especial os clientes que serão atendidos, e garantir que o desenvolvimento do produto esteja de acordo com esses interesses.

As práticas da scrum estão centralizadas no que é chamado de sprint.

O que é uma sprint?

A sprint é um ciclo de em torno de 2 semanas em que determinadas tarefas são priorizadas ao longo de todo o desenvolvimento do projeto (que pode durar várias sprints). A equipe funciona em torno desses ciclos de sprint, considerando as seguintes etapas:

  1. Planning: No início de uma sprint (isto é, de um ciclo de 2 semanas), a equipe se reúne para definir as atividades prioritárias que nela serão desenvolvidas;
  2. Daily: Ao longo de toda a sprint, a equipe se reúne diariamente para compartilhar, em um tempo de 15 a 20 minutos no máximo, que atividades está realizando, se está com alguma dificuldade e se precisa de ajuda para seguir;
  3. Review: Ao fim de uma sprint, a equipe se reúne para apresentar os resultados obtidos nas tarefas designadas;
  4. Retrospective: Também ao final da sprint, a equipe se reúne para revisitar o que foi feito e identificar erros, acertos e propor melhorias para a próxima sprint.

Em cada sprint, as equipes trabalham considerando a metodologia kanban. O quadro kanban é um sistema de organização em que se divide um quadro em três partes: tarefas a fazer, tarefas em andamento e tarefas feitas. Com esse quadro, toda a equipe consegue visualizar em que estágio cada tarefa está.

As tarefas da scrum são desenvolvidas com base no que é chamado de product backlog. Trata-se de uma lista (gerenciada pelo scrum master e pelo product owner) de todas as tarefas necessárias para a conclusão do projeto, que são distribuídas ao longo de todas as sprints de acordo com o nível de prioridade. 

Cada sprint tem o que é chamado de sprint backlog, que é o conjunto de tarefas designadas para cada ciclo.

Agora que você já sabe o que são metodologias ágeis e o que é a scrum, vamos entender melhor o que é a eduscrum!

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Mas afinal de contas, o que é a eduscrum?

A eduscrum nada mais é do que a adaptação da metodologia scrum para a utilização em grupos de sala de aula. Nesse processo, os papéis e as etapas da scrum são reformuladas para que atendam a esse novo contexto. Veja como isso acontece!

Como aplicar a eduscrum no ensino superior? Passo a Passo

Como já vimos toda a parte teórica sobre essa metodologia inovadora, vamos partir para a parte prática. Confira, a seguir, um passo a passo para aplicar a eduscrum nas aulas de sua IES.

Passo 1: Divisão da turma em grupos e definição de papéis

Assim como as equipes de tecnologia são divididas em times, as turmas podem ser divididas em grupos para realização do trabalho ou projeto. Os papéis continuam sendo estabelecidos, mas não é recomendado que apenas um estudante assuma a mesma função por todo o ciclo.

Pelo contrário: é importante que haja revezamento de papéis. Assim, cada grupo pode definir, a cada ciclo de trabalho, um estudante que fica responsável por garantir que as etapas da eduscrum sejam seguidas (desempenhando o papel do scrum master). O papel de product owner perde o sentido na eduscrum, e por isso ele não costuma ser desempenhado.

Passo 2: Estruturação do projeto

Este é o momento em que ocorre a definição do que, na scrum, é a sprint: a priorização de tarefas a serem desempenhadas em um período definido de tempo, que pode ser chamado de um ciclo. 

Essa definição depende do que está sendo trabalhado pela turma. Por exemplo, se o projeto for um trabalho a ser entregue em determinada data, os estudantes devem fazer uma reunião de planejamento (a planning) para definir:

  1. Quais tarefas serão realizadas;
  2. Em qual ordem de prioridade;
  3. E em quanto tempo

Nesse momento, as tarefas também devem ser distribuídas para cada estudante.

Passo 3: Definição de ferramentas

O quadro kanban também pode ser utilizado na eduscrum. Como mencionamos antes, trata-se de um quadro dividido em três colunas: 

  1. “Tarefas por iniciar”;
  2. “Tarefas em andamento”;
  3. e “Tarefas concluídas”. 

Esse tipo de ferramenta é muito útil quando estamos fazendo um trabalho que requer bastante planejamento: cada quadro é preenchido com as tarefas correspondentes, que podem ser mudadas de coluna à medida que forem evoluindo. Assim, todos os integrantes do grupo conseguem ter visibilidade de tudo o que está ocorrendo.

Algumas plataformas gratuitas, como o Trello, permitem que esse tipo de organização seja feita online: é uma espécie de quadro magnético onde o usuário cria quantas listas quiser e pode fixar as partes do trabalho em cada campo. É possível também compartilhar o cronograma, facilitando o acompanhamento e o check-list das tarefas de cada membro.

Passo 4: Acompanhamento diário

Se na scrum as equipes fazem a daily (reunião diária de acompanhamento das tarefas), na eduscrum os estudantes devem se reunir todos os dias de aula para compartilhar o que estão fazendo, se tiveram dificuldades e com o que precisam de ajuda. 

Nessa reunião, cada grupo deve fazer um balanço rápido, considerando sempre o tempo máximo de 15 a 20 minutos, para verificar o andamento das tarefas e mapear com antecedência possíveis atrasos.

Passo 5: Review: entrega do projeto ou trabalho

Na eduscrum, a review se torna o momento de apresentação do trabalho ou projeto (por exemplo, a entrega para o professor e apresentação para a turma).

Passo 6: Retrospective após a entrega do trabalho

Após a entrega e apresentação do trabalho ou projeto, o grupo se reúne para fazer a retrospective, assim como na scrum. 

Na eduscrum, o foco é coletar impressões a respeito do que funcionou ou não durante o ciclo de trabalho:

  • Quais foram os erros e acertos?
  • Que aprendizados podem ser tirados de todo o período?
  • O que pode ser melhorado para o próximo ciclo?

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E como aplicar o eduscrum na educação a distância?

Embora as metodologias ágeis tenham sido desenvolvidas por equipes que trabalhavam presencialmente, elas não estão restritas apenas à interação presencial. Pelo contrário: é totalmente possível utilizá-las também no ensino superior a distância!

Todas as etapas da scrum podem ser realizadas virtualmente — inclusive, com a pandemia de Covid-19 e, consequentemente, com o isolamento social, muitas equipes de tecnologia passaram a trabalhar integralmente no formato home office. Mesmo com a flexibilização das medidas sanitárias, a tendência é que muitas delas continuem trabalhando nesse formato.

Isso significa, é claro, que as etapas da scrum continuam sendo seguidas, e todas no formato virtual. Portanto, com a eduscrum não é diferente! 

As reuniões e os acompanhamentos diários podem ser realizadas por videochamada — ou até mesmo por mensagem de texto. A organização das tarefas pode ser viabilizada por gerenciadores de arquivos gratuitos (como o Google Drive, por exemplo), e, como já mencionado, mesmo a organização do quadro kanban pode ser feita por meios digitais.

Dessa forma, é possível verificar um dos principais benefícios da scrum, e da eduscrum por consequência: a flexibilidade. O que importa é conseguir adaptar os princípios da metodologia para que ela continue gerando mais benefícios.

Falando em benefícios: vamos ver os principais que são oferecidos pela aplicação da eduscrum!

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Quais são os benefícios da eduscrum?

A eduscrum pode ser uma grande solução para potencializar o aprendizado dos estudantes em sala de aula. É possível aplicar essa metodologia em vários contextos, como trabalhos em grupo, aulas desenvolvidas por meio de aprendizagem baseada em projetos, e outras possibilidades que exijam a colaboração em equipe.

Com isso, vale elencar alguns de seus principais benefícios.

1. Aumenta a produtividade dos grupos

Os processos da eduscrum exigem que cada estudante seja integrado ao processo de forma essencial para o andamento. Com isso, não há mais espaço para aqueles grupos em que apenas um estudante faz todo o trabalho e o restante só recebe a nota. 

Cada estudante desempenha um papel, e o acompanhamento diário contribui para que as dificuldades e entraves sejam resolvidos mais rápido.

Além disso, o ciclo com tempo reduzido faz com que as atividades tenham que ser desenvolvidas com base na prioridade — o que não é prioritário necessariamente acaba sendo deixado de lado, ou levado para o próximo ciclo de trabalho. 

Isso é uma estratégia que leva ao aumento da eficiência dos grupos: ao focar apenas no que é relevante, os grupos se obrigam a ter objetividade e, com isso, aprendem na prática o que é eficiência.

2. Desenvolve competências socioemocionais

O trabalho em equipe, por si só, já serve como trampolim para o desenvolvimento de muitas habilidades e competências socioemocionais, como:

  • Gerenciamento de emoções;
  • Gerenciamento de conflitos;
  • Liderança horizontal e vertical;
  • Autogestão;
  • Empatia, entre muitas outras.

A eduscrum acrescenta um fator extra à equação: com passos bem definidos e metas nítidas, é possível desenvolver habilidades de gestão de tempo, eficiência (como mencionado antes), priorização, gerenciamento de equipe (principalmente considerando que o papel do scrum master é rotacionado entre todos os integrantes do grupo), entre outros.

Além disso, o estudante aprende a desenvolver resiliência: considerando que os ciclos de trabalho da eduscrum envolvem sempre mudanças de acordo com os rumos que o trabalho leva, o estudante aprende a adaptar-se com mais facilidade.

3. Permite errar rápido para acertar rápido

Um dos grandes benefícios das metodologias ágeis é a mentalidade de “errar rápido para acertar rápido”. Mas o que isso significa? 

Os grupos de trabalho têm tempo limitado para executar as atividades e realizam várias reuniões (como os acompanhamentos diários, e as retrospectives) para avaliar o andamento das tarefas e os resultados alcançados. 

Nessas reuniões, é possível verificar de forma ágil o que deu errado e o que deu certo, e avaliar como corrigir os erros e extrair deles os aprendizados necessários para acertar na próxima vez.

Essa mentalidade ajuda a potencializar o aprendizado, uma vez que, a partir dela, é possível construir uma mentalidade de crescimento (isto é, a noção de que estamos o tempo todo aprendendo e que é possível sempre crescer e evoluir mais), e ainda enxergar no erro o único caminho para o acerto.

Esperamos que este artigo tenha te ajudado a entender melhor como funciona a eduscrum e como ela pode ser aplicada em sua IES. Leia nosso próximo artigo e saiba como implementar outro tipo de inovação: as metodologias ativas!

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