O que é e como aplicar a realidade aumentada na educação

Realidade aumentada na educação: mão segurando tablet
Confira neste artigo como e por que utilizar a realidade aumentada na educação e 8 exemplos deste uso!

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A realidade aumentada (RA) já faz parte de nossa rotina. Empresas dos mais diversos segmentos já implantam estratégias de RA para engajar os usuários, seja para entretenimento, aprendizado ou experiências diferenciadas. 

Por isso, é claro que a realidade aumentada na educação tem seu espaço e pode ser utilizada para melhorar e ampliar a experiência do aluno através do ensino com as mídias. Pensando nisso, confira neste artigo como e por que utilizar a realidade aumentada na educação!

O que é realidade aumentada?

Na prática, é uma experiência de processamento em tempo real, imersiva e que combina elementos da vida real com as imagens apresentadas. Inclui experiências visuais, auditivas e sensoriais que visam ampliar as possibilidades do ambiente ao redor do usuário.

Existem dispositivos que ampliam as possibilidades da realidade aumentada, como óculos especiais, mas a maioria dos tablets e celulares atuais possuem hardware que permite essas experiências: bússola, acelerômetro, giroscópio e câmera HD. 

Com um dispositivo completo, é possível integrar os recursos do software e torná-los parte de nosso campo de visão utilizando a câmera do aparelho.

Realidade aumentada x realidade virtual

A realidade virtual é uma estratégia de conteúdo que substitui o mundo real. Com ela, o usuário deixa de visualizar o mundo a sua volta e fica imerso em uma experiência. Já a realidade aumentada incorpora os elementos visuais e sensoriais para a experiência, o que conecta os dois planos.

Um exemplo dessa técnica é o Google Arts & Culture. A plataforma, gratuita, permite que o usuário explore obras de arte e até as “pendure” em casa por meio de um aplicativo. Assim, é possível visualizá-las de forma mais concreta, mesmo que estejam expostas em museus a quilômetros de distância.

Quais são os tipos de realidade aumentada?

Existem duas formas de realidade aumentada: destrutiva e construtiva. Enquanto a destrutiva mascara elementos do mundo real, a construtiva insere elementos digitais que se mesclam aos reais.

Ambos os casos permitem integrar os sentidos e explorar de forma imersiva o ambiente ao seu redor – digital e real..

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Por que usar realidade aumentada na educação?

Por ser uma tecnologia versátil, a realidade aumentada pode ser trazida para o contexto educacional. Com a utilização de plataformas de ensino e recursos gratuitos, o docente incentiva o aprendizado por meios digitais e traz novas possibilidades para a sala de aula.

Conheça agora mais alguns motivos:

Imersão

O principal atrativo da tecnologia de realidade aumentada é inserir contextos digitais no plano real. Dessa forma, o usuário tem a possibilidade de visualizar e trazer à vida conceitos e imagens que estavam disponíveis apenas em duas dimensões. 

Já que a realidade aumentada tem como característica principal a modelagem 3D e multissensorial, ela pode facilitar a sensação de imersão e o aluno se sente mais conectado com aquilo que está aprendendo. 

Estratégias como a visualização de modelos em 3D e contextualização de imagens são ferramentas muito úteis para a sala de aula e podem ser utilizados em diferentes disciplinas

Engajamento e aprendizagem ativa

Para incorporar a estratégia de aprendizagem ativa na sala de aula, o professor deve levar em consideração que o aluno precisa ser um agente na sua própria aquisição de conhecimento. 

Quando o aluno está nessa posição ele tem melhor controle sobre suas estratégias de aprendizagem e utiliza diferentes recursos educacionais para compreender o conteúdo. Para que isso seja possível, no entanto, é importante que as estratégias de ensino sejam engajadoras e abram espaço para o diálogo e as diferentes formas de compreensão do aluno.

A realidade aumentada pode trazer muitos benefícios para essas estratégias. O aluno consegue visualizar os conceitos e torná-los parte de seu repertório. 

Por sua vez, isso permite outras estratégias como a sala de aula invertida (em que o aluno já chega para a aula com conhecimentos prévios) ou até mesmo debates e projetos que incorporam o conhecimento adquirido em outros contextos.

Visão concreta de conceitos

Nem sempre os conceitos vistos em sala de aula fazem parte do cotidiano dos alunos. Dependendo do curso, as ideias abstratas podem ser mais complexas de serem explicadas por palavras. 

Por que então não utilizar a realidade aumentada para torná-los visíveis? Interagir com o conteúdo de forma imersiva pode ajudar os alunos a compreender e visualizar os conceitos e trazê-los para a sua realidade

Imersões em museus e contextos históricos tornam mais visíveis as consequências de cada um deles. Já visualizações científicas permitem que o aluno explore diferentes recursos sem sair do seu dispositivo móvel.

Proximidade com outros recursos digitais

Com a popularização dos recursos de realidade aumentada, os alunos já têm proximidade com essa ferramenta. Filtros de redes sociais, como por exemplo no Instagram ou Snapchat, são realidade aumentada de forma popular. 

Ou seja, esses conceitos já estão presentes no dia a dia dos alunos e professores e podem ser utilizados de forma a difundir conteúdos educacionais. Tendo em mente que a maior parte dos alunos contemporâneos já interage com a realidade aumentada normalmente, é mais simples inserir essas ferramentas dentro da sala de aula.

Redução de custos

Nem sempre as instituições de ensino têm os recursos necessários para demonstrar experimentos ou realizar projetos de forma offline. A realidade aumentada, por ser incorporada diretamente nos dispositivos móveis, é uma forma mais acessível de realizar determinadas atividades.

Experimentos em robótica ou projetos, por exemplo, são muito mais viáveis de forma virtual. Ensinar os alunos a interagir com os recursos digitais para simular as experiências ao vivo é uma forma de ensinar processos de prototipagem e experimentação.

Gamificação do conteúdo

A gamificação na educação superior é uma estratégia de ensino que tem ganhado popularidade. Ela se baseia em trazer conceitos de jogos para sala de aula, utilizando, por exemplo, prêmios e missões para incentivar os alunos a completarem planos de aprendizagem. 

Essa estratégia também se beneficia da realidade aumentada já que, por ser baseada em jogos digitais, prevê a interatividade e a transição entre digital e o real. 

Colaboração e interatividade

A realidade aumentada e a mescla de educação com entretenimento traz maior interatividade para o conteúdo educacional. 

Ao mesmo tempo, abre espaço para a colaboração em sala, já que os alunos estão imersos no mesmo “universo” de conteúdo. Essa interação, seja ao vivo ou em salas de aula a distância, permite o diálogo entre alunos e a troca de conhecimento.

8 exemplos de realidade aumentada na educação

Existem múltiplas aplicações para a realidade aumentada. Além de melhor a usabilidade de um software, permitem que o usuário tenha mais entretenimento e engajamento.

Essa mudança traz benefícios para diferentes segmentos, já que mantém a atenção e ajuda a difundir as informações. No caso do ensino, não é diferente. 

Com o uso da câmera e de estratégias imersivas, os alunos conseguem visualizar e entender conceitos importantes em sua jornada de aprendizado.Confira alguns exemplos de realidade aumentada na educação:

1. Google Arts & Culture

O app do Google permite visitar museus, locais históricos e explorar a cultura mundial dentro do celular. 

2. Pesquisa Google (animais)

Ao pesquisar alguns animais (como Leão africano ou Tubarão) em seu dispositivo móvel, o Google apresenta o ícone “Ver em seu espaço“. 

Usando o giroscópio da câmera, o recurso insere o animal em seu ambiente, contextualizando o tamanho, os movimentos e permitindo vê-lo em diferentes ângulos.

3. BBC Civilizations

E se você pudesse ver artefatos históricos diretamente no celular? O app desenvolvido para acompanhar o programa documental da BBC tem essa proposta.

4. SketchAR

Feito para ensinar o usuário a desenhar, esse software de realidade aumentada pode ser usado em contextos pedagógicos, dando vida a imagens e rascunhos.

5. Skyview

Imagine ver as constelações no céu? Essa é a ideia do SkyView, um app de realidade aumentada feito para explorar e aprender mais sobre as estrelas (pela câmera do celular).

6. Sólidos AR

Na sala de aula, o 2D não é suficiente para mostrar e explorar as formas geométricas. É aqui que entra a modelagem 3D em realidade aumentada, que exemplifica os formatos e possibilita sua visualização em diferentes ângulos.

7. QuimicAR

Lidar com moléculas e misturar elementos nem sempre é viável. Essa é a ideia desse app, que permite aos alunos lidar com a química no mundo virtual e real.

8. Geogebra

Dando vida às equações, esse app torna concretos os conceitos matemáticos abstratos e permite uma visualização diferente dos problemas que os alunos encontram em sala de aula.

Como levar a realidade aumentada para a educação superior?

Com o crescimento do metaverso na educação, as possibilidades digitais e a tendência do ensino híbrido e remoto, as estratégias educacionais têm muito a ganhar com a realidade aumentada. 

Para inserir essa ferramenta em sala de aula, existem alguns métodos interessantes que podem despertar o interesse dos alunos. Confira!

1. Use recursos para mostrar exemplos visualmente

Existem alunos que aprendem melhor vendo os conceitos de forma escrita ou escutando aulas expositivas do professor. Porém a aprendizagem tem diferentes formas e trazer a realidade aumentada para a educação superior é uma forma de contemplar os alunos que aprendem melhor de forma visual

Transformar tabelas, gráficos, descrições e fotografias em experiências imersivas torna esses conceitos mais concretos para os alunos e possibilita a compreensão de diferentes estilos de aprendizagem.

Vale lembrar também que a realidade aumentada pode trazer benefícios para alunos que não têm a possibilidade de interagir fisicamente com o conteúdo. É o caso, por exemplo, de estudantes com baixa audição: a deficiência auditiva pode prejudicar a compreensão de conteúdos vistos em sala de aula. 

Porém, ao interagir com os recursos de realidade aumentada o aluno consegue contextualizar e aplicar os conceitos em um formato diferente. Ao mesmo tempo, o aluno que tem dificuldade em realizar longas leituras (como é o caso de alunos disléxicos) encontra na realidade aumentada, uma forma de interagir previamente com o conteúdo, dando espaço para uma compreensão melhor antes mesmo de entrar em contato com o texto.

2. Dê espaço para os alunos aprenderem com projetos

Quando os alunos conseguem aprender baseando-se em projetos, eles têm uma compreensão mais completa das temáticas e interagem de forma multiplataforma com conteúdo.

Para isso, o professor precisa incorporar ao plano de aula projetos que utilizem os conhecimentos adquiridos. A realidade aumentada possibilita diferentes formas de realizar esses projetos. É possível contextualizar esboços e analisar a viabilidade de projetos no mundo offline, o que traz uma validação mais clara.

3. Utilize a realidade aumentada em múltiplas etapas

A realidade aumentada pode ser utilizada em diferentes etapas e planos de aula no ensino superior. É possível, por exemplo, levar os alunos a passeios e explorar contextos históricos por meio de aplicativos dedicados. 

Essa estratégia é uma forma de ampliar os horizontes de aulas expositivas e fazer com que os ajudantes tenham contato com o conteúdo enquanto leem mais sobre ele. Ao mesmo tempo, os aplicativos de realidade aumentada podem ser utilizados para desenvolver projetos, realizar protótipos e até mesmo compartilhar com outros alunos os resultados obtidos. 

Dessa forma a realidade aumentada pode ser utilizada desde o início do contato com o tema até as avaliações. Permitindo que os alunos incorporem o mundo real e o virtual em seu aprendizado.

4. Desenvolva as próprias ferramentas de RA

É possível também criar seus próprios recursos de realidade aumentada. Desde filtros do Instagram até jogos imersivos, a IES pode criar ferramentas que dêem vida ao conteúdo e permitam a utilização de conhecimento em formas multimídia.

5. Integre o conteúdo ao dia-a-dia do aluno

As estratégias de realidade aumentada de maior sucesso são aquelas que se unem ao dia-a-dia do usuário. Isso é: se um jogo permite a realização de missões em seu caminho diário ou se o app leva a viagens em qualquer momento, o recurso é utilizado por diferentes pessoas em contextos variados.

O mesmo pode ser feito em relação à realidade aumentada na educação. Nesse caso, pensar na rotina dos alunos e em como essa ferramenta pode estar inclusa ajuda a entender quais recursos devem ser priorizados.

Por exemplo, um curso à distância em que os alunos têm poucos momentos síncronos exige troca constante de informações. Por isso, jogos imersivos curtos, que ajudam a fixar informações, são uma boa ideia. 

Já para projetos mais longos, pode ser um desafio extra incorporar protótipos de produtos em forma de realidade aumentada.

Ou seja, existem múltiplas aplicabilidades para a realidade aumentada na educação. Os recursos podem ser uma forma de aproximar o aluno dos conceitos e ampliar as possibilidades em sala de aula. 

Pensando nisso, as IES e os docentes que voltarem seu olhar para a inovação no ensino trazem ganhos para o rendimento acadêmico e a motivação de seus alunos.

Esperamos que este conteúdo tenha sido útil para entender a aplicabilidade da realidade aumentada na educação. Agora, confira este artigo com 12 dicas de melhoria da experiência do aluno!

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