Conheça os quatro pilares da educação e seus princípios, segundo a Unesco

Conheça os quatro pilares da educação da Unesco e saiba como trabalhá-los no ensino superior!
Pilares da educação: alunos conversam

A Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da Unesco, publicou em 1999 o relatório “Educação: um tesouro a descobrir”, elaborado pelo francês Jacques Delors. Segundo o documento, a educação ao longo da vida baseia-se em quatro pilares fundamentais.

Considerando a importância da aplicação dos pilares também para o ensino superior, elaboramos este artigo que irá apresentar quais são os pilares da educação, seus princípios segundo a Unesco, como eles surgiram e como eles influenciam a aprendizagem no ensino superior. Confira!

O que são os pilares da educação?

Os quatro pilares da educação são conceitos de fundamentos da educação e contemplam tanto questões cognitivas, quanto questões do relacionamento humano. Os dois primeiros pilares abordam o processo de produção de conhecimento, enquanto os outros proporcionam uma reflexão acerca do papel do cidadão e o objetivo de viver. Conheça abaixo cada um deles.

Quais são os pilares da educação?

  1. Aprender a conhecer
  2. Aprender a fazer
  3. Aprender a conviver
  4. Aprender a ser

1. Aprender a conhecer

O primeiro pilar da educação, aprender a conhecer, diz respeito à compreensão e ao domínio de instrumentos do conhecimento, indo além da mera absorção de um conjunto amplo de saberes. 

Esse pilar promove a autonomia do aluno, permitindo que ele assuma uma postura crítica e atenta durante todo o processo de aprendizado.

O pilar aprender a conhecer corresponde, assim, à habilidade de aprender a pensar e a formular conclusões mais críticas. O objetivo é, portanto, incentivar o melhor aproveitamento das oportunidades oferecidas pela  educação ao longo da vida.

Um exemplo de aplicação deste pilar é a utilização da estratégia de ensino oferecida pela aprendizagem significativa. Essa estratégia trata-se de uma abordagem educacional e é utilizada para possibilitar que o aluno associe seus aprendizados prévios para atribuir significado a um novo conhecimento. 

2. Aprender a fazer

De acordo com o relatório do professor Delors, o segundo pilar é a competência que torna a pessoa capaz de aplicar os conhecimentos adquiridos. Aprender a fazer significa estar apto para lidar com situações da vida profissional, trabalho em equipe, desenvolvimento corporativo e valores necessários para cada trabalho.

Sendo assim, envolve a capacidade de fazer escolhas, pensar criticamente e não confiar ou depender apenas de modelos preexistentes.

Frente às novas perspectivas de trabalho e vida profissional, é importante que os estudantes saibam também desenvolver as habilidades práticas e profissionais através do ensino superior a distância. Ao longo dos anos, o espaço virtual tem crescido exponencialmente e, por isso, ele deve ser utilizado de maneira complementar na formação profissional dos estudantes.

3. Aprender a conviver

O terceiro pilar envolve a compreensão do outro e a percepção dos objetivos comuns, aprender a conviver é essencial à vida humana. O pilar incentiva, também, o respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da resolução pacífica de conflitos.

Aprender a conviver proporciona a construção de laços afetivos, fortalece a empatia e melhora a vida social.

Para uma boa convivência em sociedade é fundamental que os alunos ampliem suas competências socioemocionais, criando estratégias, atitudes e valores que os permitam agir com inteligência emocional.

Além de auxiliar na jornada de autodesenvolvimento profissional, as competências socioemocionais colaboram com a manutenção da saúde mental dos estudantes.  

4. Aprender a ser

O último dos pilares da educação da Unesco está relacionado ao desenvolvimento assertivo da personalidade do indivíduo, para que suas ações tenham um nível cada vez maior de autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal. 

Aprender a ser é estimular o desenvolvimento das potencialidades de cada indivíduo. Em vista disso, é preciso que as descobertas e experimentações culturais, sociais, artísticas, desportivas, científicas e estéticas sejam incentivadas.

A psicologia positiva pode ser uma grande aliada nesse processo de formação de identidade e valorização das potencialidades individuais. Sendo assim, quando os alunos estão engajados de forma cognitiva, emocional e social, a experiência de aprendizado se torna muito mais orgânica e prazerosa.

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Como surgiram os pilares da educação?

A Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI foi criada em novembro de 1993. O projeto foi financiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês). O objetivo da comissão era refletir sobre a educação e o processo de aprendizado no século XXI.

Para isso, foram escolhidos mais de quatorze especialistas renomados, originários de todas as regiões do mundo e que atuavam em áreas culturais e profissionais diversas.

Coordenada pelo professor político e econômico, Jacques Delors, a comissão se organizava em grupos de trabalho para a realização de diversas sessões plenárias, nas quais eram abordados diferentes horizontes da vida sociocultural, com foco nas relações educacionais.

Durante as plenárias, foram ouvidos pesquisadores, membros de organizações governamentais e não governamentais, professores, estudantes e integrantes do governo. Dentre outros diversos atores sociais, que desempenhavam um papel na educação, em âmbito nacional e ou internacional.

As comissões nacionais da Unesco também fizeram consultas individuais e questionários, como forma de garantir a amplitude das oportunidades de estudo, análise e troca de ideias. Como fruto desse trabalho, surgiram propostas de formação continuada fundamentadas em quatro grandes dimensões, que, posteriormente, ficaram conhecidas como pilares da educação.

Instituições de todo o globo, pertencentes tanto ao mundo empresarial quanto ao universo educacional, foram influenciadas por esse trabalho. Para Delors (1998, p. 16)

À educação cabe a missão de fazer com que todos, sem exceção, façam frutificar os seus talentos e potencialidades criativas, o que implica, por parte de cada um, a capacidade de se responsabilizar pela realização do seu projeto pessoal”.

Portanto, a comissão definiu, como objetivo essencial da educação, a necessidade de fazer com que o ser humano se desenvolva na sua dimensão social. Para isso, é fundamental que a política educativa seja multifacetada, tendo a capacidade de integrar, principalmente, os grupos sociais minoritários e incentivar o respeito à diversidade.

Benefícios dos pilares da educação 

Os quatro pilares são trabalhados na educação na perspectiva de proporcionar um aprendizado completo aos alunos. Eles impactam de maneira positiva no mercado de trabalho e transformam a vida em sociedade.

Os pilares também são importantes pontos de apoio para os professores que desejam formar cidadãos pensantes, capacitados para desenvolver ideias e tirar conclusões próprias. De maneira geral, podemos estabelecer uma relação clara entre todos os pilares da educação e a oferta de um aprendizado de qualidade para os estudantes.

Nessa perspectiva o aluno receberá uma formação que o ensina a:

  • Pensar;
  • Pesquisar;
  • Fazer elaborações teóricas;
  • Ter raciocínio lógico;
  • Fazer sínteses;
  • Comunicar-se de forma assertiva.

Para isso, é necessário que exista uma preparação especial, envolvendo toda uma comunidade de educadores, empenhados em trabalhar em todas as frentes que envolvem a formação continuada.

A melhor absorção do conhecimento também deve ser um horizonte para quem se baseia nos quatro pilares da educação. É possível maximizar os aprendizados quando as capacidades são desenvolvidas da melhor forma.

Qual é o objetivo dos pilares da educação?

O objetivo dos quatro pilares é ofertar uma formação sólida que jamais será esquecida.

A formação identitária do indivíduo é um benefício de longo prazo proporcionado, principalmente, quando o quarto pilar (aprender a ser) é trabalhado de maneira plena. Isso porque ela coloca o estudante como protagonista de suas ações, responsabilizando-o pela manutenção do respeito à dignidade humana e a busca por igualdade. 

As relações interpessoais também são beneficiadas, na medida em que o terceiro pilar (aprender a conviver) é desenvolvido. Ao basear-se nos valores de cooperação e empatia, o aprender a conviver trabalha as habilidades sociais dos alunos.

A longo prazo, esses valores previnem a ocorrência de abusos e contribuem com o exercício da comunicação não violenta  e resolução pacífica dos conflitos.

A otimização dos métodos de ensino através dos pilares da educação proporcionam aos estudantes uma posição ativa no processo de aprendizado. Quando o aluno se encontra fora do lugar de receptor passivo ele desenvolve um extraordinário poder de concentração para realizar as atividades propostas.

Para que um ser se desenvolva em sua integralidade, é preciso que as instituições de ensino ampliem seus horizontes, indo além da preparação técnica e conteudista. A capacidade de raciocínio crítico e visão de mundo são fundamentais para formar pessoas que sejam socialmente competentes; capazes de interpretar o mundo e compreender, com maturidade, as diversas dimensões da realidade.

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Os pilares da educação no ensino superior 

As instituições de educação superior (IES), podem basear-se nos quatro pilares da educação para nortear suas ações. Nesse contexto, é fundamental que os profissionais da educação promovam e incentivem ações capazes de estimular a busca pela informação.

No atual cenário, em que as pessoas são diariamente bombardeadas com uma enorme quantidade de informações difusas, é preciso desenvolver estratégias para dar propósito ao consumo de informações. Assim, os estudantes estarão mais preparados para traçar, de maneira consciente, os seus objetivos educacionais ao longo da vida.

Saiba como cada pilar pode ser implementado em sua IES:

Aprender a conhecer

Para que este pilar seja contemplado nas instituições de ensino superior, os investimentos no aprendizado são fundamentais. Na prática, é preciso otimizar as capacidades de foco, memorização e dissertações dos estudantes.

O exercício da memória, por exemplo, pode ser um excelente caminho para evitar que a enorme quantidade de informação consumida confunda ou atrapalhe o processo de aprendizado.

Nesse sentido, é imprescindível combater a curva de esquecimento para otimizar o aprendizado.

As principais dicas para o exercício da memória são:

Concentre-se em uma tarefa por vez;
Organize os estudos em sessões regulares;
Agrupe e simplifique as informações;
Relacione as novas informações com os seus conhecimentos prévios;
Comece sempre pelo mais fácil;
Inclua exercícios de relaxamento em sua rotina;
Durma bem.

Aprender a fazer

Para aplicar esse pilar nos métodos de ensino é preciso explorar potencialidades que desenvolvam a capacidade de comunicar-se com clareza, de trabalhar em cooperação com outras pessoas, além de a conseguir lidar assertivamente com as adversidades contemporâneas que surgem no dia a dia.

As capacidades técnicas dos estudantes também podem ser despertadas através da aplicação de metodologias ativas no ensino superior. Elas proporcionam uma conexão entre os estudantes e as demandas do mercado de trabalho, colocam os alunos no centro do aprendizado e contribuem com a construção de uma educação mais plural.

Aprender a conviver 

Esse é um pilar que deve ser estimulado desde o ensino básico, a fim de evitar que os conflitos sociais evoluam negativamente na vida adulta. Porém, as instituições de ensino superior devem buscar alternativas para otimizar as habilidades sociais dos alunos em grupos e ambientes diversos.

A sala de aula invertida é um bom exemplo de abordagem educacional que contribui com o desenvolvimento de habilidades sociais. Inverter a lógica tradicional das aulas significa, na prática, estimular a comunicação entre alunos e professores. Além disso, esse método também proporciona uma constante troca de percepções, deixando o processo de aprendizagem mais dinâmico e interativo.  

Aprender a ser

O ensino superior deve ampliar a capacitação ofertada, abrangendo não só as demandas do mundo corporativo mas também o desenvolvimento individual pleno. A ampliação da autonomia e pensamento crítico dos estudantes podem ser incentivados pela sua IES por meio da realização de seminários e debates.

A adoção de métodos que melhoram a autoestima dos estudantes, garantem  confiança e assertividade nas escolhas acadêmicas, e, consequentemente, proporcionam um amadurecimento da personalidade. Além de contemplar essas qualidades, a aprendizagem colaborativa também incentiva o desenvolvimento de competências socioemocionais, como consciência e autogestão.

Em síntese, a aplicação dos quatro pilares nos métodos educacionais proporcionam aos alunos uma formação completa. Ou seja, não somente os capacitam para o mercado de trabalho, mas também para viver em sociedade, e se tornarem cidadãos mais justos, empáticos e preparados para lidar com adversidades.

Portanto, os quatro pilares da educação são fundamentados em uma diversa gama de conceitos e teorias da educação. São capazes de transformar a prática pedagógica e contribuir para o crescimento emocional, intelectual e social dos alunos.

Esperamos que esse artigo tenha te ajudado a compreender a importância dos pilares da educação, seus principais benefícios e como eles podem ser implementados em sua IES. Que tal aproveitar e conferir também nosso conteúdo sobre educação humanizada?

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