Ferramentas síncronas e assíncronas no ensino superior: entenda a diferença

Você sabe como utilizar as ferramentas síncronas e assíncronas para melhorar a qualidade dos ensinos presencial, híbrido e a distância? Confira neste artigo!

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O ensino superior a distância vem crescendo em taxas exorbitantes, introduzindo novos conceitos no mundo educacional. Um deles é relativo às ferramentas síncronas e assíncronas.

Na verdade, essas ferramentas não estão restritas ao ensino remoto. Mas foi a partir dessa modalidade de ensino, impulsionada pela pandemia de covid-19, que o termo ganhou popularidade.

No presente texto, vamos introduzir o conceito de ferramentas síncronas e assíncronas e exemplificar cada uma. Leia e saiba como aplicá-las em sua instituição de educação superior (IES)!

Qual a diferença entre ferramentas síncronas e assíncronas?

Antes de mais nada, é importante entender a diferença entre ferramentas síncronas e assíncronas, a partir do conceito e exemplos práticos de cada uma. É o que será explicado a seguir.

O que são ferramentas síncronas?

As ferramentas síncronas são aquelas que permitem interação em tempo real entre professor e alunos, no mesmo ambiente. A palavra “síncrona” faz referência a eventos que ocorrem simultaneamente.

Podemos citar, como exemplo de ferramenta síncrona, aulas ao vivo que ocorrem por videoconferências, e também os chats virtuais.

Quais são as vantagens das ferramentas síncronas?

A interação em tempo real entre corpo estudantil e professores é essencial para promover uma boa experiência de aprendizado. São espaços férteis para conversas, debates, resolução de dúvidas e reflexão crítica de cada assunto lecionado.

Não é muito interessante, por exemplo, que o professor faça uso das ferramentas síncronas apenas para expôr determinada matéria aos estudantes. Aqui, existe um grande potencial de diálogo entre os participantes.

Dessa forma, a melhor estratégia para usar ferramentas síncronas é no sentido de encorajar essa troca. Para isso, podem ser disponibilizados conteúdos antes do encontro síncrono, para que os alunos estudem previamente e debatam sobre, como é feito na sala de aula invertida.

Quais foram as principais dúvidas sobre o material estudado? O que os alunos acharam sobre o texto lido? Quais foram suas impressões e críticas? Alguém teve contato com notícias sobre o assunto?

Fomentar esses espaços é um movimento muito importante, também, para preservar uma relação mais humana, tanto entre aluno e professor quanto entre os alunos. Ainda mais se levarmos em conta o contexto altamente informatizado dos tempos atuais.

Por mais que o aluno do futuro tenha mais autonomia para desenvolver seus estudos, alguns estudantes precisam de um acompanhamento mais próximo para se organizar e aprender da forma correta. Daí surge mais um motivo para se estimular espaços síncronos.

Nesses ambientes, o professor consegue ter uma noção melhor do engajamento da turma. Quantos alunos compareceram ao encontro síncrono? Eles realizaram os estudos propostos?

Se o engajamento está baixo, é interessante que professor e tutor se atentem à realidade dos alunos menos motivados. Esse fator pode estar relacionado à qualidade do conteúdo passado para os alunos, à sua quantidade ou a fatores de saúde dos estudantes, para citar algumas razões.

Leia também: Como cuidar da saúde mental dos estudantes na IES?

O que são ferramentas assíncronas?

As ferramentas assíncronas são justamente o contrário das síncronas. Nelas, os alunos realizam as atividades de ensino cada um no seu próprio tempo. Como exemplo de ferramenta assíncrona, temos a leitura de textos, discussão em fóruns ou o estudo de uma aula ou vídeo gravados.

E quais são as vantagens das ferramentas assíncronas?

As ferramentas assíncronas, por sua vez, também possuem vários benefícios. O principal deles é a maior flexibilidade conferida ao estudante, para que realize as tarefas no seu próprio tempo.

O aluno do ensino superior, normalmente, se dedica a outras atividades além da graduação. É muito comum, por exemplo, que ele trabalhe para financiar os próprios estudos. Logo, é interessante que lhe seja atribuída mais liberdade para montar os próprios horários.

Isso é especialmente válido no ensino a distância. Nessa modalidade de ensino, que tanto tem crescido, o corpo estudantil possui um perfil que procura essa flexibilidade. Portanto, podemos falar também em maior captação de alunos.

Ademais, o aluno que tem contato com ferramentas assíncronas consegue desenvolver a própria autonomia e se tornar efetivamente protagonista do seu processo de aprendizagem. Ele desenvolve competências de organização e definição de prioridades.

Do ponto de vista dos professores, usar ferramentas assíncronas também representa benefícios. Ao produzir ou adquirir conteúdos digitais, eles trabalham suas disciplinas de forma mais prática.

Isso porque alguns conhecimentos não precisam ser transmitidos repetidamente pelo professor, em aulas ao vivo. É mais interessante que sejam gravados vídeos em microlearning, disponibilizados textos ou mapas mentais sobre esses assuntos, que só precisam ser atualizados se houver alguma mudança no entendimento vigente.

Por isso, podemos associar as ferramentas assíncronas também a uma maior rentabilidade e economia de recursos.

Leia também: Se a disciplina é online, como a frequência é determinada?

Conheça melhor os tipos de ferramentas síncronas e assíncronas

A partir de agora, vamos apresentar as principais espécies de ferramentas síncronas e assíncronas, para que você se familiarize com cada uma e possa aplicá-las nos cursos de sua IES.

Tipos de ferramentas síncronas

Primeiro, vamos entender melhor cada modalidade de ferramentas síncronas.

Aulas presenciais

As aulas tradicionais, em que professor e alunos se reúnem no mesmo espaço físico, são o exemplo mais clássico de uma ferramenta síncrona de ensino. 

É aqui que o diálogo entre os participantes ocorre da maneira mais fluida, uma vez que é possível se comunicar melhor — tom de voz e linguagem corporal são elementos percebidos com maior facilidade quando as pessoas estão no mesmo espaço físico.

Videoconferências

Têm ganhado muito destaque no ensino a distância. É marcado um horário em que professor e alunos se comprometem a participar de um encontro virtual.

Isso costuma ocorrer por meio de sistemas como Zoom ou Google Meets. Gera-se um link para uma reunião em sala de aula virtual, com horário de início e término. Esse link costuma ser disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem (AVA).

É interessante que este espaço seja dedicado à interação entre professor e alunos, para que discutam sobre determinado conteúdo. Recomenda-se também que o assunto desses encontros seja avisado aos alunos com antecedência, para que possam se preparar.

Alguns sistemas de videoconferência possibilitam que a reunião seja gravada, podendo então ser reaproveitada como ferramenta assíncrona.

Além disso, tais sistemas costumam apresentar vários recursos além da conversa em vídeo, como chats e lousas virtuais. Uma boa sugestão consiste em estudá-los ao preparar os encontros, para fazer o melhor uso possível da plataforma.

A apresentação de trabalhos também pode ocorrer via videoconferência. Inclusive, as principais plataformas contam com recursos voltados para apresentações.

Leia também: Entenda quais são e como superar os desafios da educação digital no Brasil

Webinários

Os webinários são uma espécie de videoconferência que costuma reunir palestrantes especiais para discutir sobre determinado assunto. Como o nome indica, são verdadeiros seminários realizados no meio virtual.

A grande vantagem é a possibilidade de convidar especialistas de qualquer região do Brasil (ou mesmo do mundo) para participar. A presença dos palestrantes contribui para fornecer aos alunos outros pontos de vista sobre cada disciplina, provenientes de experts em seus campos de atuação.

Por isso, seguem um modelo mais expositivo, em que cada participante fala sobre determinado assunto combinado previamente. Mas é interessante também alocar algum tempo, ao final do evento, para que os alunos tirem dúvidas sobre o conteúdo.

As dúvidas podem ser manifestadas oralmente, ou por meio de mensagens. De qualquer forma, é interessante que alguma pessoa, como tutor ou monitor da matéria, fique encarregado de ler as mensagens do evento e intermediar a comunicação entre alunos e palestrantes.

Chats virtuais

Por meio dos chats, professor e alunos trocam mensagens em tempo real em salas virtuais de bate-papo. Aqui, a comunicação é realizada apenas por texto.

Trata-se de um espaço ideal para tirar dúvidas mais simples e diretas, que não demandem uma explicação muito elaborada. Pode também ser utilizado para conversar sobre aspectos que não digam respeito ao conteúdo em si, mas à dinâmica das aulas. É interessante, por exemplo, que se incentive o envio de sugestões e críticas sobre as aulas nesses espaços. 

O uso de chats também é uma ferramenta para se avaliar o engajamento dos estudantes, além de obter uma noção sobre os temas mais polêmicos ou de difícil compreensão sobre a matéria.

Avaliações síncronas

As avaliações da disciplina também podem ser realizadas de maneira síncrona. A forma clássica de fazê-lo é por meio de provas presenciais, mas é perfeitamente possível aplicá-las no ambiente virtual.

Exemplos disso são as provas orais, realizadas por videoconferência, ou a resolução de questões abertas ou objetivas via AVA. No entanto, existem alguns cuidados que devem ser tomados em relação à avaliação online síncrona.

O principal deles é em relação a problemas de acesso. Os estudantes costumam contar com a infraestrutura da própria residência para se conectar às atividades virtuais. Sendo assim, podem enfrentar diversos obstáculos na hora da prova, como falha de conexão à internet, problemas com o dispositivo, queda na energia elétrica… 

Por isso, é interessante conceder a prerrogativa de realizar segunda chamada das provas, comprovando-se o problema técnico, ou disponibilizar equipamentos de acesso em laboratórios de informática.

Outro cuidado é em relação às avaliações individuais. É praticamente impossível impedir que os estudantes se comuniquem quando a avaliação é virtual. Por isso, talvez seja interessante pensar em avaliações síncronas em grupo.

Leia também: Saiba como fazer avaliação no ensino a distância, possibilidades e desafios

Tipos de ferramentas assíncronas

Agora, vamos às ferramentas assíncronas.

Fóruns de discussão

Os fóruns são espaços de comunicação escrita similares aos chats, mas de forma não simultânea.

Normalmente, o professor seleciona algum tema da matéria para discussão e abre um prazo de início e término do fórum. Pode ser algum texto, alguma notícia relevante sobre o assunto ou a discussão de um caso.

A partir disso, os alunos interagem entre si por meio de comentários. É comum que se estabeleça um número obrigatório de interações. Para ilustrar: cada aluno deve se posicionar em relação ao material em discussão, além de responder ao posicionamento de um de seus colegas.

Troca de e-mails

A troca de e-mails é outra ferramenta assíncrona, ideal para realizar um contato direto e particular entre aluno e professor. É um dos mais populares e seguros recursos de comunicação virtual desde a popularização da internet.

É um espaço mais formal que deve ser preferido em relação à troca de mensagens por redes sociais. Isso porque a troca de mensagens por e-mail fica registrada, além de se evitar confusão entre espaços privados e profissionais.

Também por isso é o veículo ideal para realizar a entrega de trabalhos e demais arquivos por parte dos alunos.

Avaliações assíncronas

As avaliações assíncronas são ideais no ensino a distância, para evitar percalços como problemas de conectividade na hora da prova. Mas na verdade, elas são bastante comuns também no ensino presencial, respondendo pelo nome mais comum de “trabalhos”.

Qualquer exercício avaliativo que não ocorra ao vivo pode ser considerado avaliação assíncrona. O estudante possui um prazo maior e pré-determinado para realizar a tarefa em questão, individualmente ou em grupo.

No entanto, quando se fala em ensino inovador, que aplica tecnologias da informação e comunicação (TICs) na educação, temos um universo bem maior de atividades dessa natureza. Seja no ensino presencial ou a distância, os alunos podem utilizar do meio digital para produzir:

  • Apresentações;
  • Vídeos expositivos ou entrevistas;
  • Podcasts;
  • Wikis;
  • Jogos virtuais;
  • Modelos de aplicativos, dentre outros.

Conteúdos assíncronos

Qualquer conteúdo educacional disponibilizado ao aluno para estudo fora do horário das aulas pode ser considerado como ferramenta assíncrona. Normalmente, são entregues por meio de uma plataforma digital de aprendizagem ou por blogs dos professores.

Uma grande vantagem do mundo virtual consiste na possibilidade de se confeccionar tais conteúdos em multimídia. Confira, abaixo, alguns exemplos de formatos pelos quais você pode transmitir conhecimento aos alunos:

  • Aulas síncronas gravadas;
  • Vídeos em microlearning;
  • Textos de introdução e textos de aprofundamento;
  • Mapas-mentais interativos;
  • Testes gamificados;
  • Indicação e discussão de filmes, séries e documentários que abordam o tema;
  • Podcasts, dentre outros.

Certo é que alguns desses formatos dão mais trabalho para produzir. Além disso, mesmo os formatos mais simples exigem que o professor desloque parte considerável de seu tempo, se quiser fazê-los por conta própria — por isso, é interessante procurar por alternativas a esse processo de produção. 

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Como trabalhar as ferramentas síncronas e assíncronas no ensino presencial? E no ensino a distância?

O termo “síncronas e assíncronas” ganhou popularidade no contexto do ensino a distância, para diferenciar as atividades de acordo com seu tempo de realização. Mas, a despeito disso, as ferramentas síncronas e assíncronas são aplicáveis em qualquer modalidade de ensino.

No ensino presencial, por exemplo, é uma ótima sugestão disponibilizar conteúdos assíncronos como forma de apoio ao conteúdo ministrado pessoalmente. Essa modalidade também se beneficia significativamente da maior integração tecnológica. 

Já no ensino a distância, embora costume haver uma predominância das ferramentas assíncronas, é extremamente importante promover momentos de interação “ao vivo”. Os recursos síncronos devem ser estimulados para manter uma relação saudável entre os envolvidos nos processo de ensino-aprendizagem.

O segredo para trabalhar bem as ferramentas síncronas e assíncronas é equilibrar essas duas modalidades, de acordo com a modalidade de ensino do curso em questão. Gostou desse conteúdo? Aproveite e leia também: conteúdos EaD prontos para aquisição!

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