Confira 6 formas de promover a diversidade na educação superior!

Confira seis estratégias para promover a diversidade da educação na prática!

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Um dos princípios norteadores para o ensino brasileiro é a ideia da pluralidade e diversidade na educação. A ampliação do conteúdo e dos estudantes é o que permite um avanço mais democrático da difusão do conhecimento.

Na Constituição Federal de 1988, artigo 205, a educação é definida enquanto 

direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Nesse sentido, é importante considerar a oferta e o acesso ao ensino superior por diferentes setores da sociedade.

Além disso, a legislação considera papel do sistema educacional a promoção do pensamento crítico e da ampliação de horizontes socioculturais. Uma educação diversa pode promover a democratização do ensino.

Quais são os objetivos do Ensino Superior?

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional, os objetivos do ensino superior são:

“I – estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;

II – formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;

III – incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

IV – promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;

V – suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;

VI – estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;

VII – promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.

VIII – atuar em favor da universalização e do aprimoramento da educação básica, mediante a formação e a capacitação de profissionais, a realização de pesquisas pedagógicas e o desenvolvimento de atividades de extensão que aproximem os dois níveis escolares.”

Quem está no Ensino Superior atualmente?

Mesmo frente às propostas legais de pluralidade do ensino, ainda existem muitas barreiras para acessar os espaços acadêmicos.

Um dos principais pontos é a desigualdade do corpo discente das instituições de educação superior (IES) brasileiras.

Hoje, de acordo com o Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep, o setor mais rico da população chega a 14 anos de estudo. Em comparação, os 25% dos brasileiros com renda mais baixa atingem, na média, menos de 10 anos de escolaridade.

O mesmo pode ser trazido à tona em relação ao desequilíbrio geográfico: habitantes da zona rural chegam a obter dois anos a menos de estudos que urbanos, diferença similar à que existe entre o Nordeste e o Sudeste.

A desigualdade racial é outro problema real na educação brasileira: pessoas negras estão menos presentes nas IESs, em comparação com estudantes brancos. Nesse contexto, é imprescindível trabalhar por uma educação antirracista nas IES.

É importante ressaltar, também, que estamos vivendo uma grande ascensão do ensino superior a distância.

Nesse novo contexto, garantir um ensino democrático e diverso envolve um trabalho para garantir a inclusão digital do povo brasileiro.

Quais pessoas formam o ensino superior?

Outra questão que deve ser levada em conta na abordagem da diversidade na educação é a sua falta no corpo docente. O perfil do docente da instituição de ensino brasileira, no segmento superior, é um homem branco de meia-idade, de acordo com o Censo. 

Essa inequidade também é reforçada pela falta de diversidade nas lideranças. Muitas vezes, mesmo docentes do gênero feminino e pessoas racializadas em posições de poder não conseguem atingir níveis mais altos na hierarquia da IES, por conta de barreiras visíveis e invisíveis para minorias sociais.

Da mesma forma, existe uma desigualdade instalada na distribuição de recursos para as pesquisas. Os projetos realizados por mulheres, por exemplo, tendem a receber menos financiamentos. E temáticas relacionadas a gênero, raça e classe não são tão valorizadas pela comunidade acadêmica.

Isso significa, portanto, que a fundação das instituições de ensino está atrelada à falta de diversidade em seu corpo docente, seja pelas aulas ministradas ou pelas pesquisas realizadas. 

Com isso, a matriz curricular também é prejudicada e não promove diálogo sobre diversidade na educação e pluralidade dos espaços acadêmicos.

A falta de disciplinas específicas sobre questões sociais, de bibliografia especializada e de uma matriz curricular pensada para diminuir a disparidade reflete na formação dos alunos como um todo.

Considerando o papel da instituição de ensino para a formação acadêmica e também sociocultural dos alunos, essa lacuna continua existindo após a graduação. Como consequência, as IES acabam criando profissionais menos alinhados às demandas socioculturais de uma sociedade democrática.

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Como promover diversidade na educação? Confira 6 dicas!

Para os gestores que desejam promover diversidade na educação superior, é importante analisar todas as etapas do processo: desde a seleção até as análises diagnósticas realizadas por alunos e entidades responsáveis.

É preciso entender quais pontos, da captação de alunos à saída dos egressos, contribuem para a falta de diversidade e que atitudes podem ser tomadas para reverter a situação.

Ou seja, para entender onde deve ser pautada a discussão sobre diversidade, é preciso saber quem entra, quem fica e quem forma a IES.

1. Captação de alunos e diversidade na educação

O primeiro passo é entender a captação de alunos

É importante entender quais critérios estão sendo utilizados para captar e fidelizar potenciais estudantes:

  • Em que espaços as vagas estão sendo divulgadas? 
  • Qual é o perfil dos alunos que se inscrevem no processo seletivo?
  • Que soluções estão sendo apresentadas nas estratégias de marketing educacional?

Todas essas perguntas levam à reflexão sobre estratégias amplas para atingir um público mais diverso de alunos.

Divulgar vagas em escolas de diferentes perfis e buscar grupos online de alunos é uma forma de atrair um público mais diverso. Esse esforço, por sua vez, pode refletir em uma comunidade acadêmica mais plural. 

Para que isso seja feito, no entanto, são necessárias medidas ativas e conscientes de marketing educacional. Ele deve ser feito não apenas para atingir o maior número de pessoas, mas também para facilitar o acesso. 

Por exemplo, para alunos de baixa renda, com inscrição gratuita ou seleção via Enem e divulgação de bolsas de estudo para alunos que se destacam nas provas.

2. Processo seletivo e políticas afirmativas

Mesmo quando diferentes perfis e vivências sabem das vagas ofertadas pela instituição de ensino é importante incentivá-los a participar do processo seletivo. 

Cotas no ensino superior

A Lei de Cotas para o ensino superior estabelece que:

As instituições federais de educação superior vinculadas ao Ministério da Educação reservarão, em cada concurso seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.

Essas vagas devem ser preenchidas prioritariamente por minorias raciais e pessoas com deficiências, de acordo com a população do local em que a IES está inserida.

Ainda que as IESs da rede privada não sejam obrigadas a aderir à Lei de Cotas, existem incentivos do governo federal que trazem benefícios para a instituição. É o caso, por exemplo, da adesão ao ProUni.

Inclusão de alunos com deficiência

O processo seletivo também deve pensar na prática dos alunos, pensando com cuidado na inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior: acessibilidade para pessoas de baixa visão, locomoção para deficientes físicos e preparo da equipe para deficiências auditivas são alguns pontos importantes.

Nesse contexto, é importante pensar em como o processo seletivo pode incluir ou excluir as pessoas e quais mudanças devem ser feitas para refletir a missão educacional do curso.

Isso otimiza a diversidade na educação. No entanto, é importante frisar que os diversos alunos terão maior interesse se a proposta do curso estiver alinhada às suas demandas. 

Ou seja, não basta oferecer vagas prioritárias para pessoas de baixa renda e racializadas, por exemplo. É necessário também mostrar a elas que sua presença naquela comunidade acadêmica trará benefícios a todos e será reconhecida pelo currículo. 

Uma instituição de ensino que demonstra abertura ao diálogo e à pluralidade de experiências atrai um grupo de alunos mais amplo e mais apto a vivenciar as mudanças necessárias na contemporaneidade.

3. Financiamento e políticas de permanência

Além do FIES e do financiamento estudantil privado realizados por instituições financeiras, a própria instituição de ensino pode oferecer bolsas e empréstimos educacionais para ampliar o leque de possibilidades para os alunos. Esse financiamento é caracterizado por juros acessíveis e políticas de pagamento mais próximas da realidade dos alunos.

Ele garante que muitos possam continuar os estudos mesmo enquanto não podem trabalhar em tempo integral. Essa medida facilita em diferentes aspectos. 

Um deles é o aluno dedicar mais tempo aos estudos e não a um vínculo empregatício para arcar com os cursos. Com o financiamento estudantil, ele tem a possibilidade de pagar apenas quando estiver trabalhando depois da graduação.

Além disso, em caso de alteração na renda, os alunos não terão que efetuar o trancamento de curso. Nesse sentido, é uma política de permanência que evita a perda de recursos investidos naquele aluno, já que ele não terá que escolher entre a continuidade de sua educação e a saúde financeira.

Outras estratégias de permanência são apoios educacionais. Ou seja, bolsas que complementam a realidade do aluno, tais como auxílio alimentação, auxílio transporte, auxílio livros didáticos, equipamentos e muito mais. Recursos que são necessários para o aluno dedicar o seu tempo aos estudos e a aprimoramento profissional.

4. Acessibilidade e inclusão

Quando os alunos já estão matriculados e se identificam com a proposta da matriz curricular, também é relevante entender as dificuldades para navegar na comunidade acadêmica. Isso porque nem todos os alunos recebem o mesmo acesso aos recursos educacionais.

Hoje, de acordo com pesquisa realizada pelo Inep, apenas 0,5% dos alunos matriculados no ensino superior brasileiro são pessoas com deficiência. Como consequência, essa realidade traz uma menor formação para esse setor da população, o que acarreta em menos oportunidades para o profissional. 

Como forma de reverter esse quadro, é papel da instituição de ensino oferecer as acomodações necessárias para que as pessoas com deficiência usufruam do ambiente acadêmico de forma igual a seus colegas. 

Existem estratégias de inclusão que podem ser implementadas em sua IES. Por exemplo, é importante prestar atenção na acessibilidade em bibliotecas universitárias.

Isso vai desde corredores que permitam a circulação de dispositivos de mobilidade, como cadeiras de roda e bengalas, passando também por pisos táteis, placas em braile e outros recursos para pessoas de baixa visão, até adaptações a computadores que utilizem recurso de digitação por voz e ampliação da tela.

Na sala de aula também é importante considerar as vivências específicas dos alunos. Os alunos com transtornos neurobiológicos, como a dislexia, podem apresentar dificuldades em determinadas atividades de avaliação. 

A proposta pedagógica deve envolver avaliações em diferentes formatos, mesclando atividades escritas, com atividades expositivas e aprendizagem baseada em projetos. Essas são algumas formas de incluir alunos que aprendem de diferentes maneiras. 

Também é importante refletir sobre as pequenas mudanças que podem fazer toda a diferença na acessibilidade da instituição. Textos claros, legendas em aulas gravadas, interpretação de libras em eventos, sinalização adequada, entre outros. 

Essas mudanças melhoram o acolhimento dos alunos, o que por sua vez faz com que eles se sintam pertencentes à instituição de ensino e tenham maior engajamento acadêmico.

5. Matriz curricular e diálogo

Ao elaborar a matriz curricular de um curso (ou reestruturar um curso já existente), é importante também levar em conta a diversidade na educação.

 Isso significa incluir na bibliografia textos de diferentes vivências, países, raça, gênero e outros marcadores sociais que transformam o olhar do autor e do leitor. 

Outro ponto importante é incluir diálogo sobre as questões sociais nas aulas. Uma disciplina relacionada a direitos humanos, por exemplo, pode trazer debates enriquecedores a um curso de ciências sociais, curso de Direito e até economia. Para os cursos de saúde, também é importante considerar a diversidade da população e como ela impacta os estudos. 

Incluir informações e literatura sobre diversidade de gênero, racial e social é uma forma de mostrar aos alunos que tais diferenças estão enraizadas na sociedade e trazem vivências diferentes que impactam a realidade de minorias sociais. 

Quando os alunos têm esse conhecimento dentro da criação das disciplinas eles encaram o currículo de uma forma mais ampla, diversa e aberta a diferentes realidades.

6. Formação continuada e pesquisa

O ensino não é a única parte relevante de uma IES mais diversa. Os pilares da educação superior são o ensino, a pesquisa e a extensão, e é importante que a diversidade esteja incluída em todos eles.

  1. No ensino isso pode ocorrer de forma orgânica, por meio de debates e discussões, ou pela inserção curricular
  2. Já na pesquisa, é importante abrir espaço para cientistas que estejam desenvolvendo projetos relacionados à diversidade e à igualdade social. Projetos de pesquisa que envolvem esses temas precisam também de recursos, sejam eles financeiros ou administrativos. 
  3. Também é papel da IES desenvolver projetos de extensão que abordam a diversidade: a realização de workshops, palestras e eventos relacionados à temática trazem o debate para dentro da instituição.

Tanto para professores quanto para estudantes, é importante que cursos de formação permanente e continuada sejam usados para atualizar os conhecimentos e vincular novas questões sociais aos aprendizados já presentes em seu repertório. 

Quando os docentes estão mais aptos a dialogar sobre este assunto dentro e fora da sala de aula, eles transmitem aos alunos a importância de pensar na diversidade da educação. 

Os alunos que concluem um curso pautado pela diversidade serão pessoas e profissionais mais inclusivos, o que traz benefícios para a sociedade em geral.

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